Disclaimer: Nenhuma das personagens me pertence e não me parece que exista algo que possa fazer para mudar isso, com muita pena minha diga-se de passagem!!
N.A.: Depois de séculos sem aparecer eu voltei! Espero que ainda estejam interessados em saber como é que as coisas se vão desenrolar. Tal como prometido, aqui está o capítulo betado! Espero que gostem e que deixem a vossa opinião!
Capítulo XI
A Sua Verdadeira Natureza
Os dias após os acontecimentos em Hogsmead passaram-se calmos. Após quase uma semana, Draco foi autorizado por Madame Pomfrey a regressar às aulas.
O loiro abandonou a enfermaria, um pouco confuso sobre para onde ir. Voltar para a sua Sala Comum não lhe parecia a decisão mais adequada naquele momento. As aulas daquele dia tinham já começado, mas também não tinha vontade de ir!
Dirigiu-se para os jardins e deixou-se caminhar sem rumo por alguns minutos. Parou na margem do lago, num recanto meio escondido por algumas árvores. Sentou-se na relva, o olhar perdido na água à sua frente.
Talvez tenha ficado ali durante longos minutos ou umas poucas horas, mas quando se apercebeu já se ouvia a cacofonia dos outros alunos que deixavam agora as aulas.
Não eram muitos os que se aventuravam a ir para os jardins naquele dia. O tempo frio não convidava nada a isso. Muitos deixavam-se ficar pelos corredores a conversar animadamente, outros dirigiam-se para as suas salas comuns, e ainda outros, uma pequena minoria, caminhava até à biblioteca para passar aqueles momentos livres.
Draco enrolou-se mais na capa fina que tinha sobre os ombros. A temperatura havia descido bastante sem que ele tomasse real consciência desse facto e agora estava cheio de frio.
Deixou escapar um suspiro pesado enquanto se erguia. Estava na altura de voltar para as aulas, para o mundo real.
Voltou-se na direcção do castelo e começou a caminhar com passo calmo. Ainda tinha de passar pela sala do director da sua casa para se inteirar de qual o castigo que lhe havia sido imposto, a ele e a Potter, por terem chegado fora da hora de recolher.
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Harry deixou a estufa onde tinha tido Herbologia acompanhado por Ron e Hermione. Tentavam decidir o que iriam fazer durante a hora seguinte já que tinham sido avisados que a aula de transfiguração daquela manhã havia sido cancelada.
-Vocês deviam pôr os trabalhos de casa em dia! – Dizia a morena – Depois vão estar para aí a queixar-se que querem ir treinar Quidditch e que não têm tempo. Ainda para mais, este ano temos os N.E.W.T'S e temos de estar bem preparados!
-Oh, Hermione, nós não temos tantos trabalhos assim em atraso! – O ruivo reclamou. – E quanto aos N.E.W.T.'S ainda falta imenso tempo.
-Isso é uma irresponsabilidade, Ron! Temos de começar a estudar desde o início para que o estudo seja mais fácil e produtivo. Tens ideia de tudo aquilo que temos para estudar?
-Hermione! Relaxa. Tu és muito inteligente. Para que é que estás assim tão preocupada? Vais ter boa nota!
A rapariga bufou e Harry apenas sorriu.
-Harry! – Hermione dirigia-se agora a ele com olhar de quem não admite que a contrariem – Nós temos de ir estudar! Convence este cabeça dura de que é o melhor para ele!
-Sabes Ron, estou totalmente de acordo com a Hermione. – Disse o moreno sorrindo.
-O quê?! – Ron lançou um olhar inquisidor na direcção do amigo. – Estás a dizer-me que queres ir, agora, para a biblioteca estudar?
Até Hermione pareceu agradavelmente surpreendida.
-O que eu estou a dizer é que ela tem razão. Não podemos ter trabalhos em atraso se queremos ganhar a taça este ano!
-Muito bem! Finalmente perceberam! Então vamos! – Disse Hermione já partindo em direcção à biblioteca.
-Isso. - Harry sorriu. – Vão vocês que depois vou lá ter convosco!
Hermione estacou.
-Como assim "depois vou lá ter convosco"? Porque é que não vens agora? – Antes que a rapariga pudesse dizer alguma coisa o moreno adiantou-se.
-Tenho de ir saber qual é a minha detenção, lembram-se? – Disse quase despreocupadamente.
-Agora? – A morena torceu o nariz.
-Sim! Não soube qual era a detenção antes porque alguém achou melhor que eu e o Malfoy partilhássemos o castigo. Como, pelos vistos, ele hoje saía da enfermaria, vou saber agora qual é a minha detenção.
Hermione pareceu entender mas Ron disse:
-Se sabias que não ias para a biblioteca estudar, porquê todo esse discurso?
O moreno apenas sorriu antes de se despedir e tomar um caminho diferente do dos amigos. 1
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Samuel deixara as estufas e partira em passo apressado para um dos muitos corredores do segundo andar. No seu bolso estava guardado o Mapa do Salteador que, desde aquela noite à alguns dias atrás, andava sempre consigo.
James e Remus tinham-lhe perguntado o que se passara, mas recusara-se a comentar o que quer que fosse.
Algo lhe dizia que o que tinha presenciado na enfermaria não estava relacionado com a missão que desempenhavam no Castelo mas iria tirar aquela história a limpo.
Quando chegou ao segundo andar viu vários alunos a deixar as suas salas e a partirem para os mais diversos locais na escola. Um pequeno grupo de retardatários deixava-se ficar na entrada da sala e, entre eles, estava o rapaz que procurava.
Aproximou-se do grupo procurando encontrar uma desculpa para o interpelar. A melhor maneira de o fazer seria quando ele não estivesse junto dos amigos, por isso esperou até que eles se começassem a movimentar para pôr o seu pequeno plano em acção.
Tirou um tinteiro de dentro da mochila que carregava e enfeitiçou-o para que levitasse por cima do grupo. Quando estava posicionado por cima de David, o rapaz com quem queria ter a pequena conversa, quebrou o feitiço e viu como o frasco caiu sobre a cabeça do rapaz, deixando-o todo sujo.
Alguns impropérios deixaram a boca do rapaz e os colegas dele olhavam incrédulos em redor para tentar perceber o que se tinha passado. Sirius deixou-se ficar por trás da estátua de onde observava a cena.
O rapaz de cabelos castanhos-escuros ainda tentou limpar-se com um pequeno lenço emprestado por uma rapariguinha de tranças loiras, mas cedo chegou à conclusão de que iria precisar de ir à casa de banho.
Sirius seguiu-o a uma distância razoável e esperou alguns minutos para entrar também na casa de banho.
A expressão no rosto do rapaz não era das mais amigáveis e Sirius entendia porquê. Mas não era altura de se preocupar com isso.
-Passou-se alguma coisa? – Perguntou com a maior cara de pau ao rapaz que tentava retirar a tinta do cabelo e das roupas. – Parece que precisas de ajuda.
O rapaz apenas murmurou algo que Sirius nem se preocupou em ouvir. O rapaz estava mesmo irritado.
Pegando na varinha, o mais velho apontou-a à roupa do menor, e executou um dos poucos feitiços de limpeza que conhecia mas que tinha a certeza iria resultar.
O outro voltou-se surpreendido na sua direcção.
-Obrigado – David perguntava-se porque é que o outro o estava a ajudar. Conhecia-o de vista mas nunca haviam trocado nenhuma palavra então, porquê aquela preocupação?
Sirius olhou por momentos para o menor de cima a baixo. Só precisava de uma pequena oportunidade para puxar o assunto que queria e esclarecer as suas dúvidas.
Um silêncio constrangedor, pelo menos na opinião de David, tomou conta do espaço, mas o mais velho não parecia ter pressa em abandonar a casa de banho.
O menor encolheu mentalmente os ombros e arregaçou as mangas para poder lavar as mãos. Essa era a oportunidade da qual Sirius estava à espera. Nos pulsos do outro rapaz eram visíveis duas marcas castanhas que conhecia bem. Ele mesmo já as tivera nos pulsos à vários anos atrás.
-Então…- Começou Sirius – Como é que é mesmo o teu nome?
-Da…David, David Rother.
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A professora Minerva McGonagall ergueu-se da sua cadeira quando ouviu alguém bater na porta do seu gabinete.
Severus Snape estava parado na entrada, uma expressão de tédio presente no seu rosto.
Minerva acenou-lhe para que entrasse e ele sentou-se numa das cadeiras disponíveis.
-Passou-se algo Severus? Pareces aborrecido! – A professora de Transfiguração ocupou o seu lugar.
-Primeiros anos! Não passam de umas cabeças ocas.
-Saudades de Poções? – A mais velha inquiriu com um sorriso na face.
Severus Snape apenas bufou.
-Eles não deveriam estar já aqui?
McGonagall olhou para o relógio colocado numa das paredes e depois respondeu-lhe:
-Está praticamente na hora, mas ainda faltam alguns minutos antes do combinado. Mas, já pensaste nalgum castigo para lhes aplicar?
-Acredita que tenho vários… mas como o Potter é da tua responsabilidade…
-Muito bem. Teremos de chegar a um consenso em relação à punição a aplicar a ambos.
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Ryan Lewis deixara as estufas de Herbologia acompanhado por Jayden, mas depois separara-se do amigo. Fez o caminho para a biblioteca do Castelo em silêncio, com mil ideias a fervilharem-lhe na mente.
Voltar à escola onde já tinha sido tão feliz antes fazia-o sentir-se bem, em paz. Mas a missão que desempenhavam… nos últimos dias tirara-lhe algumas noites de sono.
Sentou-se numa das mesas desocupadas da biblioteca, longe de todos, e espalhou os livros que precisava sobre a mesa. A sua mente, no entanto, não estava ali.
Quem poderia ser o espião infiltrado? Quem quer que fosse ainda não tinha dado sinais de vida, caso contrário teriam notado. Todos os alunos de Gryffindor haviam sido, de uma forma ou de outra, estudados por James, Sirius e Remus. Observaram-nos e tentaram perceber se nas suas atitudes havia algo fora do comum.
Era certo que alguns alunos podiam de facto ser considerados "suspeitos", mas nem esses pareciam ter ligações com Voldemort.
Suspirou pesadamente, enquanto pegava no livro de poções tratava de abrir na página certa.
Poção Wolfsbane. Quais os benefícios que a descoberta da poção Wolfsbane trouxe, tanto para os lobisomens como para a comunidade mágica em geral. Tinha de escrever uma composição com no mínimo dois pergaminhos para entregar a Lily dentro de uma semana.
Não era um tema difícil para ele. Poderia fazer aquela composição facilmente, mas a lua cheia começava no dia seguinte e Remus não queria deixar trabalho acumulado: para todos os efeitos ele era apenas mais um estudante. Benefícios da Wofsbane. Começou a enumerar alguns tópicos antes de iniciar a escrita da composição propriamente dita.
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Harry cruzou-se com Draco no início do corredor que dava acesso ao escritório da professora McGonagall.
-Potter. – Malfoy cumprimentou-o.
Calma aí! Cumprimentou-o? Surpreendente.
-Malfoy. – O moreno retribuiu o cumprimento.
Até à entrada do gabinete da directora dos Gryffindor, nenhum trocou nenhuma palavra. Antes que Harry pudesse fazer algo, Draco bateu com o punho na porta de madeira.
-Entre. – A voz da professora fez-se ouvir.
Entraram um a seguir ao outro e notaram de imediato a presença do antigo professor de Poções. Ocuparam as duas cadeiras disponíveis e aguardaram que alguém tomasse a palavra.
-Já discutimos os motivos que vos levaram a chegar fora de horas da visita a Hogsmead. É certo que ainda existem alguns aspectos que todos gostaríamos de ver esclarecidos mas, pelo menos por hora, vamos deixar isso de lado. Eu e o professor Snape estivemos a conversar e chegámos a um acordo em relação ao vosso castigo.
-E qual será esse castigo? – Draco perguntou num tom sério encarando Severus.
-Vocês… - começou o professor - …terão de limpar a antiga ala norte da biblioteca. Está fora de uso há alguns anos, vocês serão responsáveis por tratar da limpeza dela. Sem magia!
Harry olhou para Draco para tentar perceber a reacção deste ao castigo. O loiro, no entanto, não pareceu ficar impressionado ou, se ficou, camuflou bem as suas emoções.
-Estão esclarecidos? – Perguntou a professora McGonagall. Quando ambos concordaram com um aceno de cabeça continuou – Então podem sair. A vossa detenção começa esta noite.
Harry e Draco levantaram-se quase ao mesmo tempo e preparavam-se para deixar a sala quando Severus Snape chamou o afilhado.
-Draco. Precisamos de ter uma conversa os dois. Vem até à minha sala.
O tom empregado não deixava margem para réplicas e o loiro concordou. Abriu passagem para o padrinho e depois seguiu-o em direcção às masmorras.
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James Potter percorria em passos apressados o corredor que dava acesso à sala comum dos Gryffindor.
A conversa que tinha acabado de ter com Dumbledore tinha-lhe esclarecido algumas das dúvidas que pairavam na sua cabeça. Não fora uma reunião longa, muito pelo contrário, mas servira o seu propósito.
Ainda tinha algum tempo livre antes da sua próxima aula por isso decidiu fazer um pequeno desvio no caminho e fazer uma visita à sua professora preferida em toda a escola.
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Sirius e David deixaram a casa de banho conversando como se se conhecessem há muito tempo.
A conversa girara em torno de assuntos amenos, Quidditch, a escola, e embora por vezes o mais novo parecesse desconfiar de alguma coisa, Sirius lá conseguiu dar-lhe a volta.
Encaminharam-se juntos para a Sala Comum e só quando lá chegaram é que Sirius resolveu começar a questionar o menor sobre aquilo que queria saber.
-Então e em relação a D.C.A.T.? Como é que são as aulas, com o Snape a dar?
David encolheu os ombros.
-Não são piores que as do ano passado! – Depois sorriu. – Na realidade tem algumas aulas que até são bastante boas. Mas…
-Mas… - Sirius tentou incentivar o outro a começar.
-Bem, ele assusta um bocado, não é? Na minha turma a maioria acha que ele qualquer dia se vai passar e vai começar a distribuir maldições imperdoáveis pela escola toda!
O maior riu e depois disse:
-Na minha antiga escola o professor de D.C.A.T. era fixe. Se bem me lembro, no terceiro ano aquilo que mais gostei de estudar foram os lobisomens. Nessa altura o professor decidiu abordar o tópico da Animagia, como Animago é a única forma de um feiticeiro estar perto de um lobisomem… Adorei essa parte. Fiquei com imensa vontade de me transformar num, sabes? Num Animago, digo!
David mexeu-se desconfortável.
-Animagos. O professor Snape também os referiu, mas foi muito breve. Ele disse que era preciso muito para um feiticeiro se transformar num e que tinha de ter autorização do ministério…
-É verdade. – Interiormente Sirius sorria. Aquele miúdo sabia mais acerca de Animagos do que queria dizer e ele ia descobrir porque motivo se estava a tentar transformar num!
-Bem, Samuel, eu vou ter de ir… não me quero atrasar para a aula.
Dito isto saiu disparado pela entrada sem dar tempo ao mais velho de responder.
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-Podes sentar-te!
No gabinete de Snape reinava a organização. Era um espaço que à primeira vista poderia parecer assombroso mas reflectia bem a personalidade do seu ocupante. As estantes estavam repletas de livros acerca de Poções e de Magia das Trevas, duas das grandes paixões de Snape. Uma porta de madeira dava acesso ao laboratório do professor de D.C.A.T.. Apesar de ter deixado de leccionar aquela disciplina, Severus era um apaixonado pela arte de fazer poções.
-Tens recebido alguma notícia do teu pai?
O loiro inquietou-se mas respondeu.
-Não, senhor. Desde que deixei a Mansão que não tenho contacto com ele.
-Draco, isto é bastante sério. O que se passou afinal na visita a Hogsmead?
-Eu…
-Responde àquilo que te perguntei. Caso contrário utilizarei Legilimância em ti!
Draco sabia muito bem que o espião era bem capaz de cumprir a ameaça.
-Zabini, Nott e Crabbe. Atacaram-me depois de me terem convidado a voltar para "casa".
-As coisas na Mansão estão a ficar cada vez mais sérias. Lucius está disposto a usar o seu poder paterno sobre ti para te obrigar a voltar.
-Poder paterno?
-Sim, o poder paterno. Assim que ele o exercer sobre ti não terás outra alternativa senão obedecer-lhe.
-Nunca ouvi falar.
-É normal. A última vez que foi exercido foi à vários séculos atrás. O seu uso foi banido, no entanto o Lucius está disposto a utilizá-lo.
-O que acontecerá? Se ele conseguir utilizá-lo o que é que vai acontecer comigo?
O professor de D.C.A.T. lançou um olhar sombrio sobre o jovem. Um olhar capaz de acobardar muitos, novos ou velhos.
-Deixarás de ter vontade própria. Ficarás pouco melhor do que se tivesses recebido o beijo de um Dementor. Com uma diferença: poderás até ser capaz de levar uma vida normal, mas será sempre sob o controlo do teu pai. Só comerás quando ele te mandar comer, só dormirás quando ele assim o entender. Se ele te ordenar que tortures ou mates alguém serás forçado a fazê-lo. Não passarás de uma simples marioneta. Uma espécie de variância da Imperius.
Draco não conseguiu esconder o quanto aquela descrição o abalou.
-Ele pretende… utilizar isso… em mim?
O silêncio do mais velho respondeu a todas as dúvidas de Draco.
-Então estou condenado! Condenado a ser um brinquedo nas mãos do Lucius. – Acrescentou baixinho. – Como sempre fui…
-Ainda não é altura para desistir. Para ter efeito, o ritual tem de ser realizado antes que cumpras 17 anos e é necessária a tua presença. Cabe-nos garantir que o teu pai não consegue apanhar-te até essa altura.
O loiro não respondeu.
-Entretanto, penso que está na altura de voltarmos às nossas aulas de duelo. É bom que estejas preparado no caso de voltarem a tentar atacar-te!
-Sim.
-Começaremos esta noite, imediatamente a seguir à tua detenção. Vai até à Sala Precisa.
O outro apenas concordou com um aceno de cabeça.
-Podes ir!
Draco deixou a sala com as ideias em turbilhão. Durante toda a sua vida não passara de um objecto nas mãos de Lucius. Sempre fizera tudo para lhe agradar, muitas vezes sem sucesso. Sofrera na pele as falhas que cometia, mas aquela era a educação de um Sangue Puro. Sempre tinha tido tudo aquilo que queria, o seu pai garantira isso, mas havia sempre faltado qualquer coisa.
Quando por fim tinha decidido fazer a coisa certa, caminhar com as suas próprias pernas, de novo havia algo para o fazer tropeçar. Talvez o seu destino fosse mesmo ser um Death Eater. Talvez para si não houvesse salvação.
Abanou a cabeça assustado com o rumo dos próprios pensamentos. Aquela não era a altura para pensar assim. Severus estava do seu lado e iria ajudá-lo! Mesmo sendo contra a sua natureza Slytherin, forçou-se a creditar que tudo iria correr bem. No entanto, no seu íntimo, algo lhe dizia que aquilo iria ser mais difícil do que o que todos esperavam!
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O resto do dia decorreu tranquilamente. Às nove horas em ponto, Harry encontrava-se em frente da porta da biblioteca, esperando que alguém aparecesse. A espera não demorou muito, pois logo Draco chegou.
Ambos os jovens tinham deixado os uniformes e estavam confortavelmente vestidos.
-Malfoy! – Decidido a ver se o comportamento do loiro se mantinha como nos últimos dias, Harry resolveu cumprimentá-lo.
-Potter!
O moreno estava disposto a saber o que acontecera ao outro e, talvez, seguir o conselho de Dumbledore. Afinal de contas, aquele era um Draco muito diferente do que o que ele estava acostumado.
Filch chegou alguns segundos depois trazendo na mão um enorme molho de chaves. Abriu a porta da biblioteca sem lhes dirigir qualquer palavra e caminhou rapidamente até ao extremo norte.
Quando lá chegaram, Harry e Draco puderam ver uma porta que nenhum deles conhecia. O encarregado abriu-a e ambos os jovens puderam ver uma enorme divisão, com estantes cobertas de livros empoeirados que chegavam, nalguns casos, a atingir o tecto. Alguns dos livros, constatou Harry após um olhar mais atento, pareciam ser já muito antigos e vários aparentavam estar seriamente danificados.
-Dêem-me as vossas varinhas! – Ordenou Filch. – Têm panos e outros materiais de limpeza naquele armário. – Disse apontando para uma pequena porta. – O vosso castigo termina quando estiver tudo limpo.
Recolheu as varinhas e foi-se embora, deixando-os sós.
-Acho que nem depois de nos formarmos vamos conseguir ter esta divisão totalmente limpa! – Comentou Harry em tom desolado, conseguindo assim arrancar uma risada do loiro.
-É, pode ser que os professores se compadeçam de nós e nos libertem. – O tom de Draco surpreendeu Harry que também riu.
-Bem, - O loiro caminhou até ao armário. – Vamos começar. Senão, nem depois de nos formarmos, nem quando tivermos 50 anos.
Alguém que chegasse naquele momento e não os conhecesse, poderia pensar que eles até eram amigos!
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-Como é que acham que está a correr a detenção do Harry? – Samuel perguntou enquanto se sentava num dos cadeirões da Sala Comum.
-Ele está a cumprir uma detenção com o Malfoy, é claro que não deve estar a correr bem! – Retorquiu Ron.
-Não sejas assim! O Malfoy tem estado diferente desde que as aulas começaram. Parece que mudou completamente.
-Achas mesmo que ele mudou, Hermione? – Ginny entrou na conversa.
-Eu cá acho que não! – Ron falou para a irmã. – Tanto quanto sabemos esta mudança pode ser apenas um… plano maquiavélico. Eu acho que é melhor não confiarmos.
-Mas o Dumbledore disse para lhe darmos uma chance, lembras-te?
O ruivo torceu o nariz.
-Talvez. Mas é melhor esperarmos para ver.
-Qual foi mesmo a detenção que lhes deram? – Ryan entrou na conversa para tentar desviar o assunto do tema Malfoy.
Hermione pareceu perceber a intenção e respondeu:
-Parece que têm de limpar a ala norte da biblioteca.
-Ala norte? – Ginny encarou Hermione. – Não sabia que a biblioteca de Hogwarts tinha uma ala norte!
-Eu também não sabia, mas falei com a madame Pince e ela disse-me que esta ala da biblioteca foi encerrada há uns anos porque aconteceu lá qualquer coisa. Mas, quando lhe perguntei o quê, ela apenas se riu.
Ryan olhou para Samuel de esguelha e pode ver um pequeno sorriso formar-se no rosto do amigo. Ambos sabiam muito bem qual o motivo pelo qual aquela ala fora encerrada.
-Eu preciso de ir lá acima buscar um livro. – O que sempre fora o mais responsável dos Marauders anunciou enquanto se erguia.
-Não me digas que vais estudar agora. – Samuel ergue-se e começou a caminhar atrás do amigo. Parou por momentos e, olhando para trás acrescentou num tom dramático – Ele vai ter um esgotamento!
Todos se riram do exagero do rapaz. 2
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Ao chegarem à camarata, Sirius e Remus começaram a rir.
-Já se passou tanto tempo… – Comentou o primeiro. - Até já me tinha esquecido da ala norte.
-Pobre Harry. Agora ele é que vai ter de limpar aquilo tudo!
-Pois é! Mas, aquela foi uma partida que valeu a pena!
-AH! Só dizes isso porque não foste tu que ficaste a cumprir a detenção. – Remus tentou soar o mais indignado possível. – Vocês armaram a confusão e eu levei com as culpas.
O outro teve a decência de parecer envergonhado.
-Ainda te lembras disso?
-Sirius, a McGonagall obrigou-me a esfregar, sem magia, o chão da enfermaria durante quase dois meses! Achas mesmo que eu não me iria lembrar?!
-Hã… é, tens razão. Nós chegámos a pedir-te desculpa por isso, não chegámos, Moony?
Começaram ambos a gargalhar.
-Será que a ala norte ficou em muito mau estado? – Remus inquiriu.
-A ala norte não sei, mas o Prongs ficou engraçado! - Sirius sorriu com a lembrança. Uma aposta entre ele e James tinha levado ao encerramento da ala norte. No entanto havia sido Remus quem levara as culpas por causa do incidente.
Um barulho vindo das escadas fê-los parar de rir. Remus pegou num livro e Sirius começou a brincar com a varinha.
-Olá! – Foi James quem entrou na camarata. – Eles disseram-me que vocês estavam cá em cima, a estudar!
Os outros dois riram-se e James olhou para ambos como se estivessem loucos.
-Afinal, o que é que se passou com vocês?
-Olha lá, James, sabes qual é a detenção que o Harry está a cumprir?
-Não, ele não me disse!
-Lembras-te da ala norte da biblioteca? – Perguntou Sirius matreiro.
-Sim, porquê? Pelo que percebi está fechada.
-Pois, a detenção do Harry e do Malfoy é limpar toda a ala norte.
-Toda?! Aquela ala era enorme!
-Era mesmo. Quero ver a reacção do Harry quando souber que vocês foram os responsáveis pelo estado dela!
Sirius e Remus voltaram a rir e James acabou por se juntar a eles, não sem antes pensar "Espero mesmo que ele não fique muito chateado!".
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Várias horas depois, quando os relógios marcavam dez para a meia-noite, Harry e Draco deram por terminada a sua tarefa, pelo menos durante aquela noite. Ainda teriam bastante trabalho pela frente antes de poderem dizer que a sua detenção estava terminada.
Muitos dos livros, que à primeira vista pareciam estar apenas empoeirados, estavam na realidade cobertos por uma substância verde, muito parecida com uma gosma, e que era bastante difícil de eliminar. 3
Durante a detenção tinham trocado apenas uma série de palavras, mas podiam dar-se por satisfeitos já não haviam tentado amaldiçoar-se mutuamente.
Olharam para o trabalho que tinham feito e depois para o que ainda faltava fazer.
-Meu Merlin! – Draco olhava em seu redor. – Nós vamos demorar séculos…
-Eu só gostava de saber é como é que isto ficou neste estado!
Fecharam a porta da ala norte da biblioteca e caminharam até à entrada. Filch estava sentado numa cadeira, dormitando.
Harry aproximou-se dele e pigarreou:
-Terminámos por hoje. Estão aqui as chaves da biblioteca.
O encarregado resmungou qualquer coisa e entregou-lhes as varinhas depois de pegar nas chaves.
-Bem, vou-me embora. – Harry despediu-se.
Draco acenou com a cabeça e caminhou para o lado oposto.
O moreno voou em direcção a uma noite de sono, e o loiro caminhou para a sua primeira aula de treino desde que as aulas haviam começado.
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Severus Snape aguardava confortavelmente sentado numa poltrona na Sala Precisa. A sala tinha-se tornado num local onde poderia decorrer uma luta, com um grande espaço livre no centro.
Quando bateu o quarto para a meia-noite olhou para a porta. Se fosse outro aluno qualquer poderia pensar que se estava a esquivar mas ele tinha a certeza de que o afilhado viria.
Poucos minutos depois ouviu bater na porta. Com um movimento da varinha deu entrada ao jovem loiro.
-Boa noite.
-Boa noite, professor!
-Bem, sabes porque motivo estamos aqui! Vamos então começar.
O professor tinha tirado o seu habitual paletó e estava só de camisa. Arregaçou as mangas e caminhou até ao meio da sala.
Draco fez o mesmo com a camisola e aproximou-se do professor.
Após os cumprimentos habituais iniciaram o duelo. O loiro esforçava-se por manter uma defesa eficaz, mas Snape não lhe dava descontos.
Os feitiços eram lançados um após os outros. Na sua feição, Snape trazia o rosto de um Death Eater experiente. Ele avançava pela sala na mesma medida em que Draco recuava.
O mais novo acabou por chocar com a parede. Estava encurralado, mas não ia desistir tão facilmente. Baixou momentaneamente o seu escudo, apenas durante o tempo suficiente para poder lançar um feitiço.
O professor desviou-o com facilidade e redobrou a força dos seus ataques.
Aquilo ainda não era nada e Draco sabia-o. Severus poderia atacá-lo com muito mais eficácia.
À medida que o tempo ia passando, o escudo de Draco enfraquecia. O loiro esforçou-se mas o escudo cedeu. Dois feitiços atingiram-no em cheio, atirando-o para o chão.
Severus parou a onda de ataques. Aproximou-se do menor que já se esforçava por se levantar.
-Vamos… continuar… - Draco disse quando por fim se conseguiu pôr de pé.
Um sorriso surgiu nas feições do mais velho. Afastou-se e após alguns instantes recomeçou o ataque.
Durante bastante tempo continuaram a treinar. Só quando algum relógio bateu as três badaladas é que resolveram terminar.
Draco atirou-se sobre uma cadeira, exausto. O cabelo colava-se-lhe à testa e sentia dores por todo o corpo. Sabia que no dia seguinte provavelmente estaria pior, mas nem se importou com isso. Ainda tinha muito que melhorar, mas ia esforçar-se.
Deixaram ambos a Sala Precisa, rumo a um descanso merecido.
O dia seguinte era outro dia, e havia muito a fazer. O melhor seria descansarem um pouco.
1 - (N.B.: Olha olha, o Harry espertalhão… haha, essa foi uma saída de mestre xD)
2 - (N.B.: acho sinceramente que seria engraçado ver o Sirius como uma autêntica Drama Queen… huhuhu, não me digas que estás a pensar o mesmo que eu?! xD)
3 - (N.B.: mesmo tipo a Fleur, né? Hehe xD)
N.B.: AAAAAAHHHHH, que coisa nojenta!!!! Mas afinal o que é que os Marotos fizeram ao certo? O.o Tadinhos do Harry e do Draco, a limparem a porcaria que os outros fizeram… as gerações seguintes não deviam ser responsáveis pela 'limpeza' dos da geração anterior… ^^ E axo mt bem que o Sev treine o Draquinho ^o^ E o loirinho e o morenito a darem-se bem!!! Ka fixe ^o^ Eu sei, eu sei, e não, não estou a pensar em nada de mal… O.o Tens cá uma confiança em mim… Merlin! xD E ok, eu desculpo-te, eu sei que não me estavas a dispensar, ok. Já sabes (em 1ª mão) que a minha net tá uma desgraça… ya, continua na mesma -.-'
Bjsssss a todos!!! E principalmente a TI, Morgana, é claro xD
N.A.: Olá a todos! Espero que tenham apreciado!
Não me vou alongar muito aqui, para não demorar muito tempo (ou melhor, mais que aquele que já demorei)! Só quero pedir desculpas pelo atraso e agradecer todos os reviews mandaram para o último capítulo.
A parte má de ter demorado tanto tempo para postar, foi que demorei mesmo muito tempo (eu cheguei a meio do capítulo e pura e simplesmente não consegui escrever mais nada), mas acabou por ter também uma parte boa! Consegui escrever uma one-shot (momento de propaganda on: De Volta À Vida,uma fic Harry/Draco, se quiserem dar uma vista de olhos, o link está no meu profile. momento de propaganda off.), e grande parte do próximo capítulo desta fic já está escrito. Soa estranho mas é verdade!
Despeço-me de todos e, atrevo-me a pedir, apesar da demora, deixem reviews! Eles são verdadeiramente importantes, e são eles que me fazem querer sempre escrever mais e melhor! Deixem as vossas opiniões, criticas construtivas, e até sugestões, se quiserem. Podem ter a certeza que eu leio tudo com o maior carinho!
Kisses
Morgana Bauer
