Oi, lindonas! Como vocês estão? :D

Capítulo fresquinho, com surpresinha no finaaaal, atendendo a pedidos! Ademais, vou encher vocês lá em baixo.

Fic não betada. Naruto não me pertece.

Hope u enjoy ;3


Capítulo 10: Aquele do outro lado

Sakura deixou a prisão com passos apertados. Tinha pressa em encontrar-se com a amiga, sentindo que cada segundo de silêncio fazia com que todos aqueles sentimentos ruins que se apoderavam dela se multiplicassem. Pensou em procurá-la no distrito Hyuuga, mas achou mais provável que Hinata estivesse na obra do apartamento que seria sua casa quando se casasse com Naruto, e acertou.

O barulho das marteladas era a única coisa que podia ser ouvida, e Sakura precisava manter os olhos semicerrados no meio da poeira que se instalava no local, por sorte a Hyuuga estava logo ao lado da porta.

- Hina-chan. – precisou gritar para se fazer ouvida, tocando o braço da amiga e tossindo em seguida. Antes que Hinata pudesse dizer qualquer coisa, ela continuou, ansiando deixar o local o mais breve possível: - Podemos conversar lá fora?

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- Como você consegue ficar lá dentro? Aquilo é o caos! – começou a Haruno, com a voz um tom acima do normal, bebericando, em seguida, uma xícara de chá que tinha acabado de chegar.

Hinata riu baixinho e deu de ombros. A morena percebeu que o assunto deveria ser importante, deduzindo que seria melhor conversarem em uma casa de chás nas proximidades do apartamento.

- Eu só quero que tudo fique perfeito, quando você for casar, vai me entender. – falou simplesmente, também dando atenção ao seu chá.

Sakura nunca tinha pensando em casar. Não daquela maneira que Hinata estava fazendo, com uma cerimônia, festa e apartamento novo. Talvez por que soubesse que sua família jamais teria tanto dinheiro, ou por que pensou que nunca mais amaria ninguém depois de Sasuke.

É claro que tinha esperanças de achar alguém com quem moraria junto, talvez tivesse filhos, mas nunca pensou realmente em passar todo o resto de sua vida com alguém. Por um momento tentou imaginar-se vestindo um quimono branco, ajoelhada ao lado de um homem, jurando-lhe amor eterno dentro de um templo; por mais que tentasse negar, a única imagem que se formava em sua mente era de um homem com os cabelos prateados ao seu lado.

E então a lembrança do por que estava ali pareceu pesar novamente, e seu semblante mudou, mas ela soltou uma risadinha sem humor, pensando em como poderia introduzir o assunto que veio falar.

- O único homem com o qual me imagino passando o resto dos meus dias não deve ter a menor vontade de se casar. – Sakura falou, despertando um olhar de curiosidade da amiga. – É justamente sobre isso que gostaria de falar... – pensou em perguntar se a amiga estava com paciência para ouvi-la, mas seria bobagem, Hinata era sempre paciente.

- Suponho que Kakashi-sensei tenha alguma coisa nessa história, estou certa? – perguntou, estreitando de leve seus olhos perolados, de um jeito meio tímido.

Sakura riu, fazendo que sim com a cabeça, e sentindo as bochechas esquentarem imediatamente, constrangida por confessar para alguém que Kakashi tinha de fato participação na sua vida amorosa.

- Eu... me apaixonei por ele, Hina-chan. – cuspiu as palavras depois de um breve momento de hesitação, torcendo para que sua amiga mais recatada (e confiável) não lhe perguntasse como isso tinha acontecido. – Perdão por te colocar no meio dessa situação, mas eu preciso conversar com alguém, e você obviamente já percebeu nosso envolvimento. – a rosada terminou de falar e fez um biquinho quase infantil com a boca.

Hinata lhe sorriu de um jeito terno, e olhou-a com cumplicidade. Sem julgamentos, apenas compaixão.

- É claro que não precisa se desculpar, Sakura-chan! Minha curiosidade de mulher já está me pinicando faz tempo, mas não poderia ser deselegante a ponto de te encher de perguntas... – Sakura sorriu por notar o tom animado e levemente afetado da Hyuuga ao ter uma conversa de menininha. – Conte-me tudo!

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E a Haruno contou. Quer dizer, mais ou menos. Preferiu não deixar em absoluta clareza os motivos para eles se encontrarem com tanta frequência, e o que faziam exatamente nos encontros. Mas foi bastante honesta com o resto das coisas, principalmente com a evolução dos seus sentimentos. Ele era tão interessante, misterioso, experiente. Falava as coisas com propriedade, mas calmamente, sem arrogância. Vencia sempre as pequenas discussões que tinham, com argumentos infalíveis, e ela sabia que era de propósito para deixá-la brava. Ele a procurava no hospital, e aparecia na casa dela escondido.

Era fácil entender o que ele queria dizer apenas olhando em seus olhos. Ele realmente a via, prestava atenção nela de verdade quando estavam juntos. Ela sentiu ciúmes quando o viu com outra mulher, assim como ele disse que Raiden não era homem para ela. Mostrou-lhe o rosto, e, por fim, beijou-a; não como se ela fosse uma garota boba, mas um beijo de homem em uma mulher, profundo e enlouquecedor.

Os olhos de Hinata brilhavam ao ouvi-la. Mas então chegou a vez de falar das inseguranças. Kakashi deixou claro que o tempo que desfrutavam juntos era o tempo livre que tinham. Ele era tão interessante, misterioso, experiente. Um homem bem mais velho, que talvez não tivesse paciência para aguentar suas coisas de menina. Ela nunca conseguiria fazer Kakashi se sentir como ela se sentia quando estava com ele. Mas nada disso importa realmente, uma vez que ela tinha zerado qualquer mínima chance de iniciar uma relação com ele com a volta de Sasuke.

- Eu não queria que tivesse me afetado tanto, me deixando tão confusa, mas eu não sei qual é o meu problema. – falou a rosada, soltando o ar com pesar. – Eu queria contar pra ele que Sasuke não vai conseguir mudar o que eu estou sentindo, mas se Kakashi não sentir o mesmo por mim, eu nem sei o que faria. – finalizou, passando a mão por entre os cabelos e sentindo o peito mais leve por ter contado essa história pra alguém.

Hinata não conseguia achar as palavras certas pra dizer qualquer coisa para a amiga. Ela estava chocada. Não tinha mulher que não achasse Kakashi um homem interessante, mas depois de conhecer um pouquinho a intimidade do homem, ela o achava vinte vezes mais atraente.

- Por Kami, Sakura... Eu nem sei o que lhe falar. – começou a Hyuuga, sorrindo.

- O que você faria no meu lugar?

- Você não tem a menor dúvida do que sente por ele? – Sakura fez que não com a cabeça. – Então conte para ele.

- Não posso ouvir um 'não', Hina-chan! Morro de desgosto se ele me disser que não sente o mesmo, e eu acho que é exatamente isso que ele vai falar.

- Você não para de sorrir enquanto fala dele... Não acho certo que você tenha que esconder esse sentimento, justamente por saber o mal que faz guardar para si um amor. – Hinata disse calmamente, e estendeu a mão para tocar na da amiga, sobre a mesa. – Qual foi a reação dele quando Sasuke voltou?

- É praticamente impossível saber o que ele está pensando se ele não quer que você saiba... – falou resignada. – Ele veio me trazer noticias de Sasuke no hospital, não parecia chateado, mas fugiu da minha aproximação. – lembrou ela, mordendo o lábio inferior. – Eu não sei nem se ele se importa realmente! – afirmou, comprimindo os lábios em uma linha reta, e sentindo a garganta queimar.

Hinata apertou a mão da rosada sobre a mesa, na esperança de lhe dar algum apoio. Era uma situação realmente complicada.

- O julgamento de Sasuke é amanhã, vamos esperar para ver o que acontece, ok? – Sakura fez que sim com a cabeça, e fungou, tentando sorrir para a morena. – Se sentir que precisa conversar, me procure imediatamente, e não esqueça de me contar qualquer novidade, combinado?

A médica fez um movimento afirmativo com a cabeça novamente, aumentando o sorriso como pode. Abanou os olhos como quem tenta fazer secar as lágrimas que se acumulavam, e seu sorriso ganhou um toque de esperteza.

- Então, Hina-chan, quem diria que a amante do Naruto seria o Sasuke, hm? – comentou num tom brincalhão, fazendo Hinata rir e corar, e tornando o ambiente mais leve.

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Quando Sakura chegou ao local onde seria o julgamento de Sasuke, apenas Naruto já havia chegado, faltava ainda mais de uma hora para que se iniciasse no tempo previsto. O rokudaime lhe abraçou e lhe sorriu abertamente, mas Sakura conseguia perceber o nervosismo e ansiedade transparecendo pelo seu despontar de lábios normalmente tão espontâneo.

Gradualmente o local foi sendo ocupado pelas figuras mais importantes da Vila, e exceto quando alguém vinha cumprimentar a Naruto, os dois integrantes do time sete permaneceram sentados lado a lado, sendo suficiente conforto a presença do melhor amigo ao lado. Ninguém no mundo entendia a importância de Sasuke em suas vidas, apenas eles mesmos. Quando o Uchiha chegou, Naruto foi até ele, mas Sakura preferiu permanecer sentada.

Ela vasculhou o local a procura de Kakashi algumas vezes, todas em vão. Quando o julgamento começou e ele ainda não havia chegado, deu-se por vencida de que ele não viria, e não conseguia calar a voz em sua cabeça que afirmava que ele simplesmente não se importava. Tentou prestar atenção no que o velho do Conselho estava falando sobre Sasuke, mas a maldita voz soava muito alta para ser deixada de lado.

E foi então que ele entrou, e discretamente passou por entre as fileiras que acomodavam figurões de Konoha, procurando um lugar para sentar. Sakura sentiu o coração disparar fortemente ao notar que havia um lugar ao seu lado, sem conseguir tirar os olhos do shinobi que se movia em sua direção. Quando seus olhares se cruzaram, a voz em sua cabeça silenciou-se, como todo o resto do mundo. Mas depois de um breve momento, ele prosseguiu seu caminho, ignorando o lugar vago ao seu lado e sentando-se mais para trás dentro do auditório circular.

Não demorou muito mais para que fosse a vez do Uchiha se pronunciar, e Sakura sentiu-se orgulhosa de suas palavras. Ele teria uma nova chance se tudo desse certo, e ela ficava realmente feliz por ele. Sasuke merecia uma história com mais luz e menos ódio do que aquela que ele havia escrito no passado.

Houve um recesso, no qual Kakashi também não buscou uma aproximação, e o Conselho por fim deu seu parecer. Sakura sentiu que seus pulmões não eram mais capazes de se encherem de ar, ao ouvir que Sasuke teria que deixar Konoha. Mas Naruto estava ali, e como sempre, pronto para salvar qualquer situação quando a esperança tinha se esvaído. Pronunciou-se com tamanha eloquência e seriedade, por trás do seu novo manto branco e laranja, que não parecia ser ele mesmo ali, mas deixando justificada a escolha de Tsunade para que ele fosse o sexto hokage de Konohagakure.

O Conselho teve que se calar e engolir que sua decisão fora rejeitada pelos hokages. Eles se ausentaram, assim como Kakashi, por horas. Quando voltaram, com a decisão definitiva, apenas três pontos chamaram realmente a atenção da Haruno.

O primeiro deles dizia que Sasuke deveria se casar. E se não fosse o suficiente, num período máximo de um mês. Tentou então imaginar-se novamente de quimono branco, ajoelhada num templo, mas dessa vez forçando para que o homem ao seu lado tivesse cabelos negros e sorriso sutil. Um frio percorreu sua espinha, atingindo cada parte de seu corpo. Um frio chamado medo. Seu sonho de infância agora lhe parecia um castigo.

O segundo ponto dizia que Kakashi seria, novamente, tutor de Sasuke. Era impossível para Sakura decidir se aquilo era positivo, mas pelo menos lhe dava a certeza de que, se o Hatake sumisse, não seria por estar em missão.

Depois disso, estabeleceram que ela deveria ser a médica de Sasuke, assim como coordenaria estudos sobre o sharingan. Melhor médica do que noiva, ela repetiu cem vezes interiormente, tentando acalmar aquele reboliço de emoções em que estava imersa.

O julgamento acabou, as pessoas esvaziaram o local, Sasuke foi levado por ANBUs. Kakashi havia sumido já fazia tempo. Mas ela permaneceu sentada ali, sem saber ao certo se pensava em algo, ou se tinha a mente em branco como forma de escapar de tantas informações. Naruto sentou novamente ao seu lado, e ela viu que só restavam os dois na sala.

- Você está bem, Sakura-chan? – perguntou o loiro, olhando-a meio incerto. Ela não conseguiria mentir, então fez que sim com a cabeça, tentando sorrir.

- Você foi ótimo, Naruto, estou completamente orgulhosa de você. – contou-lhe, vendo o sorriso de seu melhor amigo aumentar. - Se tivesse dado um chute na cabeça daquele velho, eu roubaria você de Hinata e pegaria pra mim. – falou brincalhona, bagunçando ainda mais o cabelo loiro do garoto.

Naruto riu, mas seu olhar estava sério.

- Bom, já que perdi minha chance, espero que você a dê para Sasuke. – falou, medindo as reações da garota. – Parece que teremos um casamento em breve...

O coração de Sakura doeu ao ouvir aquilo. Não podia simplesmente dizer que não era sua vontade. Seu melhor amigo estava pedindo para que ela se casasse com Sasuke. Seu melhor amigo que arriscou sua carreira para trazê-lo para ela, estava pedindo que ela se casasse com Sasuke. O que mais ela poderia fazer?

Sorriu.

Não para a possibilidade de casamento, por que seria impossível. Sorriu para seu melhor amigo, e para lealdade infinita que tinha a ele.

Quem mais se casaria com Sasuke, afinal? Tantos sacrifícios para trazê-lo de volta, o que seria um último sacrifício para mantê-lo em Konoha? Ela era a única saída dele para permanecer na Vila, então não abandonaria a Sasuke assim como jamais abandonaria a Naruto.

Amava-o, não? Amaria a Sasuke por toda sua vida. Embora amasse não o moço de cabelo preto curto, mas a criança a foto de sua cabeceira. Amava a lembrança que ela tinha dele. Amava-o como quem ama uma recordação de um verão feliz viajando. Mas amava-o. E era isso que deveria importar.

Então, sim, casaria se fosse preciso.

- Se ele me quiser como esposa...

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Ela estava completamente perdida. Todas as circunstancias faziam com que ela acreditasse que deveria se casar com Sasuke, como em uma conspiração contra sua felicidade. No passado, desejou estar com ele, e ele se foi; agora que desejava estar com outro, ele estava de volta. Seja lá quem estivesse no controle das coisas estava pirraçando com a cara dela, só podia.

Foram anos para conseguir ter Sasuke de novo em Konoha. Anos de perseguição e de decepção, mas anos lutando por aquilo que ela e Naruto achavam que era o certo. E agora eles tinham conseguido, sendo o desejo do Uchiha permanecer na Vila.

Mas para isso ele deveria se casar com alguém. E se esse alguém não fosse ela, quem seria? Quem aceitaria se casar com um traidor? Com um assassino? Mesmo que ele não se lembrasse, as outras pessoas se lembravam. Nenhum pai daria a mão de sua filha para Sasuke. Então casar-se com ele seria o sacrifício final para mantê-lo em Konoha, mesmo que não fosse justo, parecia-lhe o certo. Todos ficariam felizes.

Talvez no futuro ela conseguisse ser feliz também. Seria a matriarca do Clã Uchiha, era alguma glória, afinal.

Além disso, esse sentimento que tinha por Kakashi logo passaria. Se ela ficasse sem vê-lo, sem sentir seu calor e seu perfume, sem ouvir sua risada e suas besteiras, logo esse torpor iria embora. Quando fosse Sasuke a tocá-la, ela se esqueceria das mãos decididas e fortes de Kakashi, de seus dedos habilidosos e dos músculos definidos das suas costas. Não se lembraria de mais nada dos momentos compartilhados - se é que eles realmente existiram. E então seria feliz.

Ou não.

Mas talvez se fingisse que Sasuke fosse Kakashi pudesse ser feliz, ainda que por uns poucos momentos em que seus olhos ficassem fechados. Bastaria.

Deveria bastar.

Suas consultas seriam em determinados dias pela manhã, e Sakura tinha a mente vagando sobre tais questões enquanto caminhava até a prisão. Não se sentia mais com medo de confrontá-lo, ou ao menos achava que agora estava pronta para não chorar a qualquer momento. Veria-o três vezes por semana por um tempo indeterminado, esperava somente que o novo Sasuke fosse um pouco mais gentil do que costumava ser.

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Na primeira consulta, ele respondeu somente o que ela lhe perguntou. Sakura percebeu como ele tinha deixado de lado sua feição infantil, e como o rosto másculo era ainda mais bonito do que antes. O cabelo curto tinha lhe caído bem também, embora o deixasse ainda mais sério. Ainda era uma pessoa de poucas palavras, de sorriso raro e olhar distante. Mas o ódio que transbordava do antigo Sasuke não existia mais, ele era simplesmente uma pessoa austera.

Examinou brevemente seus olhos negros, pareciam normais. Pediu para que os transformasse no sharingan, mas Sasuke não foi capaz. Para surpresa de Sakura, ele se desculpou por isso. De qualquer maneira, ela teria que estudar o que é conhecido sobre o doujutst antes de fazer qualquer nova descoberta, coisa que ela ainda não tinha tido tempo.

Ele não respondeu quando ela se despediu, deixando a cela.

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No segundo dia, ele parecia levemente mais disposto a ajudá-la em suas questões. Sakura decidiu que precisava de mais algum tempo de teoria sobre o sharingan antes de estudá-lo na prática, então baseou sua visita na memória dele. Sasuke falou de Naruto, e foi possível perceber alguma gratidão em seu tom. Sakura tentou questioná-lo sobre antigos gostos que conhecia do outro Sasuke, mas ele não sabia do que se tratava a maioria das coisas. Queria analisar as consequências da falta memória na natureza de seu sistema límbico.

- Você gosta de tomate?

Ele franziu as sobrancelhas negras levemente, por único um momento.

- Eu não sei o que é isso. – respondeu resignado, alguns segundos depois.

Sakura sorriu ligeiramente e anotou em sua prancheta. Teria que trazer tomates na próxima consulta.

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E ela trouxe realmente. Na terceira consulta o Uchiha provou o primeiro pedaço com certa cautela, após questionar o porquê de aquilo ser relevante, recebendo somente uma erguida de sobrancelhas pouco amigável como resposta.

- É muito bom. – respondeu, finalizando o terceiro e último tomate que ela tinha trazido.

Ele pareceu mais bem humorado depois daquilo, e Sakura anotou mentalmente que trazer tomates faria Sasuke uma pessoa mais cooperativa. O sistema límbico não guardava lembranças, mas quando exposto a determinados fatores, apresentava as mesmas respostas do antigo Sasuke.

Foi o primeiro dia que ele respondeu quando ela se despediu.

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Já havia se passado uma semana que não tinha noticias de Kakashi, e só Kami sabia como aquilo a incomodava. Tinha conhecimento de apenas algumas coisas relacionadas ao treinamento do Uchiha que Naruto soltava sem consciência em suas conversas.

A garota passou a gastar todo o seu tempo livre se entretendo com estudos sobre o sharingan, todos escritos por Uchihas médicos do passado, e não demorou a ter algo que gostaria de verificar no sharingan de Sasuke.

Aproveitando que agora tinha algum embasamento, decidiu perguntar no quarto dia de consulta sobre seu treinamento e se já era capaz de despertar o sharingan. A resposta dele foi não, mas ela aproveitou para perguntar sobre seu tutor. Ouvir qualquer notícia que fosse de Kakashi já faria seu coração esquentar, ainda que Sasuke fosse breve como sempre em suas respostas.

- Você sabia que ele já foi seu sensei, não é? – perguntou ela, olhando para suas anotações parecendo distraída, mas fugindo de seus olhos negros.

- Sim... Naruto me contou sobre quase tudo. – respondeu, parecendo ainda mais distante do que ela, olhando fixamente para o chão. Eles nunca tinham conversado sobre isso, e ela nunca havia comentado que conhecia seu antigo eu, nem qualquer coisa sobre o passado deles. – Eu, você e Naruto formávamos um time, não é? - ela sorriu forçadamente e concordou com a cabeça, então, para a surpresa da médica, ele continuou: - No dia que cheguei, soube que te conhecia logo que te vi, assim como aconteceu com Naruto. – confessou, a voz ainda mais baixa que de costume. - Quando o vi no meio da plantação de arroz, achei que ele pertencesse a algum sonho que eu tive, mas agora eu sei que vocês pertencem a uma outra vida que eu vivi.

Os olhos de Sakura encheram-se d'água nesse momento, por perceber que todos seus esforços para salvá-lo dele mesmo no passado, tinham como recompensa o fato de ela e Naruto nunca terem sido esquecidos dentro dele, mesmo após todo o resto ter sido apagado. Isso só provava que o antigo Sasuke, lá no fundo, não havia esquecido-os. Em algum lugar dentro daquele homem cruel e frio, ele tinha guardado seu laço com seus amigos. Um lugar bem profundo, é verdade, mas de muita relevância.

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Sakura revolveu adotar uma estratégia de sobrevivência nos dias que foram se passando. Vinha tentando não pensar sobre seus sentimentos, sobre suas expectativas. Ela estava seguindo em frente, apenas. Um dia após o outro, ocupando sua mente todo o tempo possível, e se esforçando ao máximo para não torturar a si própria.

No quinto dia de visitas ele a surpreendeu novamente, após uma nova conversa e alguns testes sobre o estado de sua memória. Enquanto ele não fosse capaz de despertar seu sharingan, ela precisava preencher seus relatórios com alguma coisa. Antes de ela ir embora, Sasuke segurou seu braço, fazendo o coração dela disparar, grande parte por um medo irracional que passara a sentir do antigo Sasuke.

- Você acha que eu, algum dia, eu posso recobrar minha memória, Sakura? – ela engoliu em seco, tirando o braço do enlace de Sasuke delicada e rapidamente.

- Não sei, Sasuke. De verdade. – respondeu, olhando-o nos olhos. Aquela resposta era verdadeira, dizer que sim, ou que esperava que sim seriam mentiras.

Ele desviou o olhar, e deu um sorriso discreto, provavelmente constrangido por ela ter fugido de seu contato imperativamente. Depois fez que sim com a cabeça, sentou na cama, e o olhar ficou preso nas grades rígidas que o mantinham ali.

- Tenho medo da pessoa que eu era. - completou, a voz baixa, mas nitidamente amargurada.

Sakura ficou olhando-o por alguns segundos, imaginando se caso Sasuke nunca tivesse deixado Konoha, se ele seria capaz de confessar uma coisa tão humana como esse novo Sasuke tinha acabado de fazer. Por um momento ela pensou em abraçá-lo, mas a ideia logo lhe pareceu absurda, concentrando seu toque no ombro do moreno com uma mão, apertando a região levemente; em seguida, despediu-se e foi embora.

Precisava se distrair com seus estudos, ou logo afundaria em pensamentos que não a ajudariam em nada.

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O sexto dia ela não gostava nem de lembrar.

Faziam nesse momento quase duas semanas que não via a Kakashi. Ele simplesmente não a havia procurado mais, e ela não tinha coragem de fazê-lo. Chorou duas noites antes de dormir, nas outras preferiu dormir lendo, em cima dos livros e pergaminhos, para garantir que não pensaria nele. Então passou a chorar no banho. Nos últimos três dias chorou com raiva pelo copy-nin ser tão egoísta e não se preocupar com ela depois de todos aqueles momentos que compartilharam. A raiva que sentia só perdia em tamanho para a saudade que estava dentro dela.

O sexto dia de consulta foi o primeiro dia que Sasuke estava machucado. Demorou mais tempo do que o normal para curar seu punho quebrado e sua mandíbula inchada, visando diminuir o tempo de conversa com ele, uma vez não tinha acordado disposta a conversar naquele dia. Quando terminou, o Uchiha agradeceu tão baixo que ela achou estar imaginando coisas. Deu uma desculpa qualquer para permanecer menos tempo que de costume na consulta, e quando passava pelas grades da porta da cela, ouviu seu nome ser chamado e se virou, encarando-o com seus olhos verdes.

- Naruto sempre falou muito de você quando me contava sobre... O antigo Sasuke. – ela estreitou os olhos, e sentiu o coração disparar, pensando onde ele estava querendo chegar. – Ele me contou que nós fomos namorados. – continuou, limpando a garganta, e se o ambiente não fosse tão mal iluminado, ela poderia jurar que suas bochechas estavam coradas.

Eles nunca tinham sido namorados. Ou Naruto tinha mentido para ele, ou ele estava mentindo para chegar onde pretendia. Seu coração batia tão forte que ela pensou que se abrisse a boca para falar, o órgão saltaria para fora. Ela queria sair correndo, e não ouvir o que ele queria dizer, mas estava paralisada. O silêncio imperou por alguns momentos, até que Sasuke resolveu voltar a falar:

- Então, você vai casar comigo, certo?

Sua mente explodiu em mil flashes, seu coração ficou ainda mais acelerado, e ela sentiu a queimação em sua garganta tornar-se insuportável. Lembrou-se da conversa que teve com Naruto no dia do julgamento, em meio ao milhão de memórias que se confrontavam dentro dela, desde sua infância aos momentos com Kakashi.

Balançou a cabeça afirmativamente, e tomou seu caminho pelo corredor da prisão, com passos rápidos demais para quem rumava sem ter uma meta.

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Suas mãos tremiam quando a garota resolveu se concentrar para sentir o chakra dele. Precisava vê-lo. Estava noiva de outro. Precisava senti-lo. Iria se casar em duas semanas. Precisava contar-lhe.

Respirou fundo e soltou o ar devagar pela boca, expandindo sua consciência para cada canto de Konoha, esperando encontrar o chakra dele fosse onde estivesse. Kakashi geralmente mantinha seu chakra constante e baixo, mas se ela desse sorte, ele estaria usando-o. Ela sentia inúmeras presenças, em variáveis níveis de controle, mas quando o encontrou foi impossível não reconhecê-lo. Com certeza estava treinando, estava usando uma quantidade enorme de chakra, e por algum motivo encontrava-se ligeiramente inconstante.

Respirou fundo mais uma vez, e começou a correr o mais rápido que conseguia para encontrá-lo.

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Ao chegar ao campo de treinamento abandonado, passou os olhos rapidamente pela grama alta, e não o encontrou. Podia sentir sua presença, então sabia que ele não tinha ido embora. Só podia estar no vestiário.

Alcançou a porta e finalmente seu olhar pousou sobre ele. Seu estômago afundou no chão e foi pra lua em menos de um segundo. Kakashi pareceu confuso ao vê-la, estreitando os olhos como quem tenta enxergar melhor, e tirando as mãos do fluxo de água do chuveiro involuntariamente.

- Sakura?

Ela não soube se aquilo era uma pergunta ou uma afirmação, mas também não se importava. Só conseguia pensar em uma coisa. Uma única coisa. Mas para isso, precisava romper a pequena distância que havia entre eles. E fez isso tão rápido quanto foi possível, puxando o tecido de sua máscara sem pedir permissão quando o espaçamento entre seus corpos já era quase inexistente e fez o que tinha ido fazer.

Beijou-o.

Grudou seus lábios trêmulos nos dele, segurando firmemente os dois lados do rosto masculino com as mãos e ficando nas pontas dos pés. O Hatake não se mexeu nem um milímetro, e só então ela se preocupou sobre uma possível rejeição. Afastou-se e procurou por qualquer reação contraria àquilo que tinha acabado de fazer, mas antes que concluísse sua busca pelo rosto dele, a cintura feminina foi agarrada por um braço forte e seu corpo foi empurrado para baixo da água gelada do chuveiro velho. Foi a vez dos lábios dele procurarem os dela, com muita pressa, enquanto ele a apertava o máximo que podia contra seu corpo.

Nada mais no mundo existia, apenas Kakashi e um chuveiro velho molhando-os. Não pode evitar um suspiro ao sentir a língua inquisitiva dele contra a sua, ambas tinha pressa em desvendar cada pedacinho da boca do outro. Só agora podia realmente perceber o tamanho da saudade que tinha sentido nos últimos dias.

Cessou o beijo com uma mordida no lábio dele, a procura de ar, completamente ofegante; dando mais espaço para que o shinobi desfrutasse de seu pescoço, tombou a cabeça para trás, deliciando-se com a sensação de ter Kakashi passeando por seu corpo. Pescoço, bunda, coxa, barriga, seios. A mão dele percorria um caminho perigoso tão perto de tocar sua intimidade, provocando-a, incitando-a a querê-lo. E então ela precisava de mais, ela precisava dele dentro dela. E precisava imediatamente. Afundou suas mãos dentro da camisa ensopada do shinobi, apertando-o contra si e dedilhando seus músculos das costas.

Ele capturou novamente os lábios já inchados dela com os seus, resultando num gemido abafado. Ele tinha o bico do peito intumescido da garota entre os dedos, enlouquecendo-a ao friccioná-lo sem a menor delicadeza. Pressionou seu quadril contra o ventre feminino, fazendo-a alucinar ainda mais ao sentir seu membro endurecido. Puxou seu corpo para cima como pode, querendo encaixar seu quadril no dele, sendo ajudada por Kakashi que prendeu a coxa feminina na lateral do seu corpo. E então ele pressionou-a novamente, fazendo surgir um calor imensurável e irrefreável que tinha início no sexo feminino.

- Sensei... – ela gemeu necessitada, esperando que ele entendesse o seu desejo e a urgência dele.

Mas chamá-lo teve o efeito oposto, fazendo-o despertar do transe que estava imerso e subitamente se lembrar que aquele momento deles não era condizente com a realidade que estavam vivendo. A garota pensou que a morte seria um castigo menos cruel do que ter simplesmente que terminar aquele momento. Ele finalizou o beijo com um selinho prolongado, e se afastou alguns centímetros, desencostando seus corpos. Olhou-o esperando que ele falasse qualquer coisa que justificasse aquela quebra repentina.

- Precisamos conversar, Sakura. – ele disse, e a realidade a esmagou impiedosamente, afastando o torpor dos momentos anteriores como quem acordava repentinamente de um sonho, sem maneira de voltar para dentro dele.

Sim, eles precisam conversar. Ela estava ali para contar que ia se casar com outro. Mas ela não sabia de onde tiraria forças para pronunciar aquilo em voz alta, e justamente para ele. Kakashi afugentou tais pensamentos ao puxá-la para mais perto, beijando-lhe as costas da mão docemente.

Ela queria falar alguma coisa, qualquer coisa, mas as palavras lhe fugiam, acovardadas. E então o silêncio imperou, e Sakura se permitiu ser guiada pelas ruas de Konoha de mãos dadas com Kakashi, aproveitando o que possivelmente seria o último momento que teriam realmente juntos. Sorriu, e encostou a cabeça em seu ombro enquanto andavam, sentindo o tecido molhado da camiseta.

- Senti sua falta. – ouviu-se dizendo, sem ter certeza sobre ter mandado que seu pensamento fosse pronunciado em voz alta. Mas ela estava feliz por ter dito.

- Eu também, pequena. – respondeu, apertando um pouco mais forte a mão diminuta envolta pela sua.

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Quando chegaram ao apartamento dele, Sakura sentiu um frio na barriga ao imaginar que talvez tomasse banho com Kakashi, deliciando-se com aquela memória sacana, e embora sentisse que havia se passado muitíssimo tempo, ela sabia que eram só algumas semanas. Mas para sua decepção não foi isso que o copy-nin havia pensado.

Ele tirou as roupas molhadas, e também lhe ofereceu roupas secas e uma toalha. Ela jamais recusaria vestir uma roupa que tivesse o cheiro dele. Achou graça ao flagrá-lo espiando enquanto ela mudava de roupa, principalmente da maneira terrível como ele disfarçou o ocorrido. Ele estava sentado no chão da sala quando ela saiu do quarto vestida com uma camiseta enorme. A médica decidiu se sentar de frente para ele enquanto criava coragem de dizer qualquer coisa, fingindo que secava os cabelos cor de rosa. Contou mentalmente até três, ensaiando a frase desejada em sua mente. Na terceira contagem finalmente disse:

- Tenho uma coisa pra te falar. – sua voz saiu fraca, e suas mãos tremiam. Ela não tinha ideia de como ele reagiria, nem queria pensar, caso contrário acabaria não falando e ele descobriria por outra pessoa de seu casamento.

- Preciso te falar uma coisa antes. – ele respondeu quase que imediatamente, para o alívio da garota. Ela não era corajosa o suficiente para insistir em falar primeiro.

Mas Kakashi não falou nada, apenas permaneceu olhando-a como se ela fosse a única coisa a ser vista em todo o mundo. Ele estava sem o hitaiate de Konoha, um olho aberto preguiçosamente e o outro fechado. Sakura começava a desconfiar que ele não tinha nada para falar quando o shinobi posicionou uma mão sobre a máscara e descobriu seu rosto repentinamente.

Ela jamais se cansaria de olhá-lo, principalmente quando ele lhe sorria daquela maneira, expondo suas covinhas. O shinobi se ajeitou, mas alguma coisa em sua postura aparentemente casual dizia a Sakura que ele não estava tão calmo como parecia. Voltou seu olhar para ela, fazendo-a pensar que ele era capaz enxergar até a sua alma, o que resultou num arrepio lhe trespassando.

- Eu já errei muito na minha vida... – Kakashi começou a falar, sua voz estava mais baixa e mais rouca que de costume. - Feri o sentimento de muitas mulheres, e agora eu sei que foi por que procurava você em todas elas e não conseguia achar. Talvez eu mereça sofrer por causa disso. Mas você não merece, e eu sei que não é justo eu te pedir pra você decidir entre nós dois. Mas eu preciso tentar ser feliz, e eu simplesmente amo ser a pessoa que eu sou quando eu to com você. Talvez seja muito egoísta da minha parte te pedir pra ficar comigo, eu sei muito bem que nós temos inúmeros motivos para não ficarmos juntos. No começo eu me sentia realmente culpado por ter querer, e então eu passei as últimas semanas negando tudo que eu tava sentindo pra mim mesmo, provavelmente por que todas as pessoas que eu já amei acabaram morrendo... Mas se você permitir, eu vou cuidar de você de perto, e eu não vou deixar nada de ruim te acontecer, nunca.

Ele tinha mesmo acabado de dizer que a amava, não tinha? Por Kami, Sakura sentiu que teria uma síncope.


Ai meu Deus... E aí? Que me dizem?

Pedido de casamento de um lado, declaração do outro... Hahahahaha tem alguém de cabelo rosa que ta ferrada aí...

Não tinha como esperar muito daquele pedido do Sasuke, né... ele é o Sasuke, afinal hahaha certas coisas são imutáveis.

Mas curtiram a declaração do Kakashi? Como eu sempre digo, a história flui através de mim (meus personagens fazem o que querem! Hahaha), e essa cena em específico foi como se me viesse pronta hahaha

O próximo capítulo está prontinho para ser postado... e gente, vocês vão pirar! hahahahaha odeio spoiler, então não conto, mas juro juradinho que não vai faltar emoções fortes uahsuahsua

Estava eu pensando com meus botões, pra ninguém poder reclamar da minha demora em postar, vim propor um acordo com vocês. A data pra postar o próximo capítulo é dia 11 de agosto, daqui exatamente um mês, MAAAAAS como o capítulo ta pronto, pra cadareviewque esse capítulo receber eu sousubtrair um diada postagem :D e aí todo mundo fica feeeliz! aushauhsauh deu pra entender, né... Um review: posto dia 10, dois reviews: dia 9, etc.

Fechou, então?

Perverts do meu coração, espero que a história esteja agradando, e agradeço a todas que acompanham meu humilde trabalho (: se não fosse vocês, já teria desistido faz tempo. Dúvidas, sugestões, declarações, pedidos de assassinato: só comentar! Hahahaha

Nos vemos loguinho, fiquem com Deus.

Dame ;))