A História é uma Adaptação, e eu irei falar o nome da história no final. Os personagens de Inuyasha também não me pertencem.


— Kagome!

O grito de Falcon penetrou em seu medo. Ela ouviu dezenas de passos se aproximando e, no momento seguinte, Falcon arrancou a flecha e rolou o cadáver de sir Naraku para longe dela. Em seguida, ergueu-a do chão, puxando-a para o conforto dos seus braços.

— Kagome, sua teimosa! — E sacudiu-a.

Tudo estava arruinado. Os piores medos dela se concretizariam. Kagome mordeu o lábio, recusando-se a chorar. Não imploraria, nem se rebaixaria diante dele. Assim, respirou fundo e o encarou.

De olhos brilhando, Falcon arrancou a capa de Kagome, desamarrou os laços do colarinho da camisa e da túnica e deslizou as peças pelos ombros delicados. Satisfeito ao ver que o ferimento não passava de um arranhão, tornou a vesti-la.

— Para onde você estava indo? — Ele não a soltou, mas parou de sacudi-la.

Kagome tremia, apavorada pelo que quase acontecera e zangada por ter sido flagrada.

— Para Ryonne. Aonde mais?

Falcon arregalou os olhos, incrédulo.

— Enlouqueceu, menina? Já estou levando você para lá.

Será que Inuyasha não percebia o que aquele grande gesto de proteção causaria a ela? É claro que sim. A pergunta certa era: ele se importava?

Kagome constatou a raiva evidente nos olhos dele e soube a resposta. Inuyasha não dava a mínima para tudo aquilo. A fúria ajudou-a a endireitar-se. Determinou-se a não fracassar em sua missão de salvar Taniere e a si mesma.

— Droga, Falcon! Quantas vezes tenho de dizer? Farei o que for preciso para salvar Taniere!

— Não ligo para Taniere.

— Mas eu, sim. É tudo o que possuo!

— Quase perdeu a vida, sua tola! Quem salvaria seu precioso castelo se você morresse? Criatura estúpida!

Ela se calou. Até porque notou que não o venceria enfrentando aquele tom de voz baixo e ameaçador. Sem dúvida, estava perdida. Voltaria a Ryonne em desgraça.

Um dos homens de Falcon interrompeu-os para confirmar o que Kagome já sabia. Sir Naraku fora morto.

Sem desviar os olhos dela, Inuyasha ordenou:

— Enterrem-no e vasculhem a área.

Assim que seus soldados saíram, Falcon sacudiu-a de novo.

— Achou que estivesse brincando? O que eu diria a seu pai se lhe acontecesse alguma coisa?

— Nada aconteceu. Não precisa se afligir.

— Como é? — Inuyasha a fez virar-se e a empurrou para o acampamento.

— Qual é o problema com você?

— Feche a boca e continue andando!

Quando Inuyasha a obrigou a andar para além de sua barraca, Kagome tentou engolir o horror que a sufocava.

— Para onde está me levando, Falcon?

Na tentativa de impedir o avanço, ela se virou de lado, e ia caindo quando Falcon a pegou no colo e marchou até sua própria barraca, em silêncio.

— Não! — Kagome lutou para se desvencilhar, mas Inuyasha a apertou com mais força, abriu a barraca com o ombro e jogou-a sem a menor cerimônia no catre.

Kagome tentou sair de costas e chutou-o, quando ele tentou agarrá-la pelos tornozelos.

— Não! Deixe-me em paz!

O sorriso cruel de Inuyasha causou-lhe calafrios na espinha. Com brutalidade, segurou-a pela perna e puxou-a para si.

— Deixá-la em paz? — Estendeu a mão para baixo do catre, pegou um grilhão e passou pelas pernas dela.

Kagome sentiu o estômago contorcer-se quando o cadeado se fechou.

— Deixarei você em paz assim que entregá-la a seu pai. Sã e salva.

— Falcon, não pode fazer isso!

Com um sorriso demoníaco, ele apanhou a outra ponta da corrente e balançou-a diante dela.

— O que fará, milady?

Falcon passou o grilhão por seu próprio tornozelo e fechou-o, acorrentando um ao outro. Antes que Kagome dissesse às imprecações que lhe ocorriam, Inuyasha a ergueu e forçou-a a encará-lo.

— Eu avisei, mas você não quis ouvir. Está recebendo o que pediu.

Kagome engoliu em seco. Tinha de haver algo que pudesse dizer. Inuyasha meneou a cabeça.

— Não fale nada. Tudo o que vier a sair de sua boca só servirá para piorar a situação ainda mais.

Quem ele pensava que era? Furiosa, Kagome bateu com os pés no chão, exigindo:

— Tire isto de meu pé! Já!

Falcon gargalhou e se inclinou para pegar a corrente. Quando ela pensou que a obedeceria, ele puxou a corrente, fazendo Kagome cair de costas no catre. Antes que conseguisse se erguer, Falcon caiu sobre Kagome, prendendo firme suas pernas com os joelhos e encarando-a por um momento antes de indagar:

— Tem alguma idéia de qual é sua posição neste momento?

— Quero me levantar! Saia de cima de mim!

Falcon segurou-lhe os punhos e os ergueu acima da cabeça dela. Kagome congelou. De repente, o gosto amargo do pavor dominou-a.

— Por favor, Falcon. Eu peço desculpas...

Ele duvidava de sua sinceridade, mas divertiu-se com a lágrima que escorreu pela face delicada. Era verdade que queria assustá-la, mas aquilo era um pouco demais, mesmo para Inuyasha. Compadecido, rolou para o lado.

— Calma. Não vou machucá-la. Mas também não posso deixá-la escapar, Kagome.

— Por... por que não? — Soluçou.

— Acha que aquela flecha foi parar na nuca de sir Naraku sozinha? Dessa vez, eles chegaram muito perto. Não haverá outra chance.

Kagome se arrepiou, chorando.

— Não faça isso...

— Não posso evitar, Falcon. Está tudo perdido.

— Como pode dizer isso? Você está viva!

— Não consegue entender, não é?

Não era verdade. Inuyasha entendia. Ela temia perder o castelo, e esse sentimento ele conhecia bem demais. Afinal, não se achava na mesma situação? Não sabia se ia conseguir salvar nem mesmo seus próprios bens. Porém, enquanto isso, podia ajudá-la.

O pensamento assustou-o. Por que arriscaria tudo por uma mulher que estragara sua missão raptando-o e tentando matá-lo?

Por outro lado, se casasse com ela, teria uma excelente oportunidade de se vingar. Afinal, Kagome ver-se-ia ligada a um homem que, na teoria, odiava.

Apesar de ter parado de crer no amor muito tempo atrás, Inuyasha sabia que um dia se casaria, ainda que apenas para perpetuar seu sangue. Por que não com Kagome? Um matrimônio com ela nunca seria monótono. A atitude de Kagome, tão diferente da de Kikyo, serviria para colocá-lo em permanente estado de alerta.

Confuso e aturdido com suas conjecturas, Falcon suspirou e a trouxe para mais perto de si.

— Taniere continuará sendo seu. Seu marido cuidará disso.

— Meu marido? — Kagome o encarou.

— Sim.

— E quem seria ele?

Inuyasha fez uma pausa, parando a poucos centímetros dos lábios dela.

— Eu.

— Ah, você enlouqueceu de vez, e...

Inuyasha a fez calar com um beijo, impedindo-a de prosseguir. Um momento depois, afastou-se um pouco. — Enlouqueci mesmo, não?

Kagome ficou aturdida. Nenhuma mulher em controle de suas faculdades mentais se casaria com Falcon. Afinal, ele matara sua última esposa e o filho recém-nascido.

Apesar de ter ajudado a defender Taniere e de possivelmente não ter assassinado Kouga, aquilo não mudava os fatos. Inuyasha continuava sendo um servo de Satã.

Kagome não conseguia respirar. Daquela vez, o beijo não a encheu de calor ou de desejo, congelou seu sangue. Empurrou-o pelos ombros e meneou a cabeça, ponto um fim ao contato indesejado.

— Pare, Falcon. Não posso me casar com você.

— Não vejo outra escolha.

— Sempre há escolhas.

— Todos me viram trazê-la para cá. E você passará a noite inteira comigo.

— Nem pense em forçar um casamento me seduzindo!

Falcon a abraçou, ignorando suas tentativas de detê-lo.

— Isso seria tão terrível assim?

Kagome sentiu o coração na garganta ao perceber que ele poderia tê-la com facilidade.

— Seria. Falcon, eu... não posso me casar com você.

— Por quê? — Ele lhe acariciava as costas e beijou-lhe de leve a curva do pescoço.

Kagome achou que fosse desmaiar.

— Pare, por favor... Não consigo raciocinar.

— Essa é a idéia. — Rindo, Falcon se afastou alguns centímetros e a fitou — Assim está melhor?

Não muito, mas pelo menos ela conseguia respirar. Precisava encontrar um jeito de recusar aquele pedido absurdo sem despertar a fúria dele.

— Não precisa de uma esposa, Falcon.

— Todo homem precisa.

— Nem todos. Não você.

— E por que sou diferente?

— Porque é guerreiro do rei Bankotsu. Um dia, encontrará seu destino, e o que acontecerá? Deixará sua mulher e um filho ou dois para trás. O que será deles?

— Ou posso cair amanhã do cavalo e quebrar o pescoço. Que tal isso?

— Falcon, por favor, não posso me casar com você.

— Já me disse isso. Agora, explique seus motivos.

— Nós não combinaríamos.

— Pensei que nunca veria o dia em que a leoa de Taniere iria mentir. — Inuyasha acariciando o lábio macio de Kagome com o polegar, beijou-a em seguida — Para cada mentira que me disser, eu há atormentarei um pouco mais.

Dizendo isso, apoiou uma mão nas costas dela e deslizou uma perna entre as de Kagome.

— Bem... nós combinaríamos, sim, leoazinha. Você poderia aniquilar um homem com seu gênio e sua paixão. Eu teria mais chances de sair ileso.

Era por isso que Kagome não podia se entregar aos afagos dele. Talvez Inuyasha saísse ileso, mas... e quanto a ela?

Falcon apalpava-lhe a coxa, subindo pelo quadril até chegar à cintura.

— Enquanto outros homens podem achar seus modos irritantes, eu os acho muito interessantes.

— Nesse caso, por que estou acorrentada como um animal?

— Porque eu a quero viva.

— Meu pai jamais consentiria em nos casar. Falcon deslizou um dedo pelo vale entre os seios dela.

— Para manter Taniere, Totosai a casaria com o primeiro sujeito que pedisse sua mão.

— Não quero um marido que me veja apenas como uma forma de ganhar um pedaço de terra.

— Ora! Para que eu precisaria de mais um castelo? — Insinuou os dedos pela abertura da túnica de Kagome — Já tenho terras suficientes.

— Você me trataria como pouco mais que uma serva.

Falcon arqueou as sobrancelhas, surpreso. Então, sentou-se e rasgou a túnica com um só gesto.

— Nunca a tratei mal.

Antes que Kagome se desse conta do que ele estava fazendo, Falcon ergueu-a e a despiu.

— Jamais me ajoelharia e juraria aliança a uma criada. — Ele jogou a peça rota para o outro lado da barraca — Quer que eu tire o resto ou começará a usar de franqueza?

Decidindo manter a camisa fina que separava sua pele do ar da noite e dele, Kagome cruzou os braços, torcendo para que Inuyasha não a visse corar.

— Falcon, pare. Tenho medo de você.

— Neste momento, é natural que esteja com medo de qualquer homem. — Empurrou-a de volta para o catre e puxou um cobertor sobre ambos, mantendo a mão na perna dela.

— Vamos começar de novo.

— Você matou muitos homens.

— Tem razão. Gostando ou não, sempre cumpri minhas obrigações em nome de Deus e do rei.

— Chamam-no de servo de Satã.

— Só os que têm motivo para me temer ou me odiar. Faz parte de minha reputação, mas essa alcunha não passa de palavras espalhadas para afastar atenções indesejadas. Enquanto as histórias funcionarem, tirarei vantagem delas.

— É mais que isso. Nenhum mortal é capaz de domesticar um animal selvagem, como você fez com aquela águia. Deve ter um poder demoníaco.

— Besteira... — Deslizou um pouco a mão coxa acima e parou — Eu sou um Falcon. O que acha que eu fazia quando não estava a serviço do rei?

Como Kagome não respondeu, ele prosseguiu:

— Crio e treino falcões e águias. É o que meu pai e o pai dele sempre fizeram para ganhar o sustento.

— Eu soube que o demônio o acompanha e a seus homens na batalha. E que você não tem piedade.

— Piedade? Na batalha? Já lutei ao lado de Totosai. Chegou a vê-lo lutar, Kagome? Seu pai combate como o próprio demônio.

Kagome buscou um argumento que ele não pudesse refutar. Algo que o convencesse da tolice que seria uma união entre os dois. Mas um homem capaz de matar a mulher e o filho poderia com toda a facilidade ter um ataque de fúria e matá-la.

Inuyasha afagou-lhe primeiro a pele do quadril e depois a barriga.

— Raciocine mais rápido.

Kagome mal conseguia respirar, quanto mais pensar. Ninguém, a não ser a criada, já tocara sua carne nua.

Apesar das mãos calosas, o toque de Falcon era quente e gentil. Quando ele alcançou suas costelas, roçando de leve a parte inferior dos seios, ela gemeu.

— Falcon, pare! Não serei a sua prostituta.

— Pedi-lhe que fosse minha esposa. É bem diferente.

Kagome sacudiu os pés, balançando as correntes.

— E o fez de um jeito muito cavalheiresco!

Um ligeiro sorriso curvou os cantos dos lábios dele.

— Ah, agora está parecendo mais a Kagome que conheço...

— Não sabe nada sobre mim.

— Você acha mesmo?

— Eu sei!

— Está enganada. — Falcon tirou a mão de baixo da saia dela e se ajoelhou, prendendo-a entre suas pernas. — Sei que você está satisfeita.

— Como?

Ele inclinou-se para frente, apoiando o peso do corpo nos cotovelos.

— Seu eu lhe dissesse que sua beleza não tem comparação, isso satisfaria sua vaidade?

Kagome fitou o teto.

— Beleza sem comparação?

— E seus olhos brilham mais do que qualquer arca cheia de jóias.

— Falcon, pare com essas tolices. Você nunca será um menestrel.

Ele deu de ombros.

— Não. Serei conhecido como o grande guerreiro que deixou uma mulherzinha capturá-lo.

— Se me deixar chegar a Ryonne sozinha, posso desmentir os rumores antes que eles cresçam. Ninguém nunca saberia o que fiz.

— Mas seu pai acabará descobrindo.

A idéia a aterrorizou, mas Kagome não permitiria que Falcon percebesse.

— Resolverei isso quando acontecer. Papai ficará com raiva, mas depois passará.

— Acredita mesmo que será tão simples? Você raptou o conde de Falcon, meu bem. Aprisionou um aliado leal do rei Bankotsu sem causa justa. Impediu que um homem de Sua Majestade cumprisse uma ordem do próprio monarca. Como se defenderá da acusação de traição? Que palavras usará para limpar o bom nome de Totosai?

Kagome sentiu o estômago contorcer-se e engoliu em seco.

— Eu raptei um assassino. Aprisionei aquele que arruinou minha vida. Perdi o bom senso por causa da dor. Todos acreditarão em mim. Há muita gente que dirá que eu não estava raciocinando direito.

— E como explicará ter passado a noite na barraca desse mesmo assassino?

Kagome congelou.

— Você me forçou! Todos viram!

— Hum... Mas ninguém ouviu gritos ultrajados, nem mesmo um pedido de ajuda. Portanto, você sabe o que eles pensarão e dirão.

— Eu não fiz nada e...

Os lábios de Falcon desceram sobre os dela.

— Conheço-a melhor do que você pensa. — Inuyasha passou os dedos pelos cabelos dela e estendeu-se sobre Kagome.

As curvas suaves dela se encaixaram nos músculos rijos de Falcon como se tivessem sido feitos um para o outro.

Kagome deixou escapar um gritinho e passou os braços em volta dele. Ao perceber que ela se rendera, Inuyasha respirou aliviado. Na batalha de palavras e vontades, Kagome o mantinha sempre correndo atrás do prejuízo. Mas, quando a tinha nos braços, ele era o mestre.

— Kagome, minha leoa, você não vê? Resolveria muitos problemas...

— Não resolveria nada.

Inuyasha a aninhou-a junto ao peito. Era ali que queria estar. Estirado sobre ela, aninhado entre as coxas macias.

— Ah, resolveria, sim... Minha captura, o bom nome de seu pai, sua própria reputação. Quando você se casar comigo, nada disso importará. Tudo parecerá não passar de uma briga entre amantes.

Kagome cerrou as pálpebras, sentindo a culpa enevoar sua razão. Em silêncio, Inuyasha jurou não tomá-la, como seu corpo exigia. Mas daria um jeito para que, até o fim daquela noite, Kagome não tivesse espaço em seu coração para nenhum outro homem.

— Inuyasha, eu...

— Calma, Kagome. — Ele tomou-lhe um seio entre as mãos e passou o dedo pelo mamilo já enrijecido.

A carícia espantou-a a ponto de fazê-la esquecer o que ia dizer.

Então, Falcon correu os lábios pelo pescoço delicado, descendo para o ombro e, enfim, para o seio. Sua mão passeava pela pele macia do ventre plano. Quando seus dedos tocaram o tecido do calção, agradeceu a Deus em silêncio pela barreira adicional que a peça oferecia.

O suspiro estrangulado que Kagome deixou escapar deteve-o no mesmo instante.

Inuyasha fechou os olhos, afastando os pensamentos sensuais. A jovem sob ele não estremecia de prazer. Ele ergueu a cabeça e olhou-a.

Kagome mordia o lábio, mantendo as pálpebras cerradas com força. Quando Falcon tocou-lhe a face, ela demonstrou seu medo.

Inuyasha, sem demora, rolou para o lado, chamando-a:

— Kagome?

Ela abriu os olhos e enxugou as lágrimas.

— Por que eu? De todas as mulheres do mundo, por que escolheu a mim?

— Porque você é diferente de todas as que conheci. Demonstrou mais bravura, lealdade e honra do que muitos homens que conheço.

Falcon esperou que ela dissesse algo. Como se manteve em silêncio, ele continuou:

— Quando não estamos brigamos, sentimos um desejo mútuo. Você é ousada como seu nome sugere, e costuma ser resoluta com o que diz. Essas são boas qualidades para minha companheira.

— Ousada e resoluta. — Kagome virou a cabeça — Foi por isso que matou sua primeira mulher? Ela não era assim?

Se alguém o tivesse jogado num lago gelado, o sangue de Falcon não teria congelado tão depressa.

— E seu filho? Não quis esperar para ver se seria ousado, também? Quando se cansar dessas coisas em mim, também irá querer me matar?

Aquilo foi como facadas no peito. Apesar de achar que Kagome era honrada, aquela jovem o via como um monstro desalmado. Julgava-se uma pessoa justa e, no entanto, em vez de perguntar, condenava-o sem misericórdia.

Nesse momento, Inuyasha ouviu risadas. No mesmo instante, se pôs em pé, pegou a chave das correntes e abriu o grilhão que o prendia.

Quando chegou à entrada da barraca, parou e fitou com raiva a mulher encolhida em seu catre. Ótimo. Era bom que se encolhesse. Se ela pensara por um segundo que sabia o que era temer o Falcão, era melhor pensar de novo. Kagome não sabia nada sobre medo.

Mas saberia. Inuyasha já dissera que ela pagaria por tê-lo capturado. E seria não só pela captura, mas por ter trazido sonhos e emoções esquecidas de volta à vida dele.

Falcon jogou a chave no catre.

— Vá embora, se quiser. Não me importo. Mas ouça-me bem, milady: seu inimigo ronda essas terras, e não tenho tempo, nem vontade de persegui-lo. Mesmo assim, levarei seus servos até Ryonne. Não dou à mínima se você estará com eles ou não.

— Eu...

Incapaz de controlar a ira, Inuyasha gritou, para sufocar a resposta dela:

— Pare! Não fale comigo, nem se aproxime de mim!