PRISIONEIRO DO PASSADO


Autora: Thity Deluc

Beta-reader: Elphie Cohen – Obrigada, você fez um trabalho fantástico! Excepcional!

Classificação: acima de 14 anos - Angst - Drama - SS/HG

Esta fic faz parte do Amigo Oculto de Dia dos Professores das Snapetes. Su, seu pedido não foi fácil, pois o nosso primeiro instinto é escrever um romance, quando se trata de Snape e Hermione. O que tornou o seu pedido um verdadeiro desafio. Então, aí está. Espero que você goste.

Pedido - Snape e Hermione professores, mas sem romance.

Resumo: Severo não morreu. E ele não havia se preparado para sobreviver ao Lorde das Trevas. Mas o que irá acontecer quando ele souber que Hermione será sua colega de profissão em Hogwarts?

Disclaimer: Personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Essa estória não possui fins lucrativos.


Capítulo 11

Severo aguardava Potter em seu gabinete, estava impaciente, mas seu semblante era impassível, aparentava até estar calmo. Potter entrou pela porta do gabinete, que estava aberta, andando devagar, mas quando chegou perto da mesa, onde Severo estava, percebia-se seu nervosismo. Ele parou frente à mesa, olhando para Severo.

- Boa noite, Snape. – O rapaz estava muito sério.

Severo olhou para cima, encarando Potter. Percebeu o nervosismo do rapaz, e aquela velha onda de ódio não veio. Antigamente, bastava olhar para o rapaz e sentia-se com muita raiva dele. Mas agora... Nada disso aconteceu, apenas um leve aborrecimento.

- Boa noite, Potter. Sente-se.

Potter sentou-se e continuou encarando Snape.

Snape pensou que aquilo seria mais difícil do que ele imaginara.

- A Granger já expressou desculpas em nome dela e de todos vocês, pelas vezes em que me atacaram, roubaram meus estoques e me julgaram erroneamente. – A voz de Snape estava seca, aborrecida, como era seu costume. – Eu não respondi a ela, mas respondo a você. Desculpas aceitas.

Harry continuou calado, esperando.

- Aqui estão suas memórias. – Severo pousava a caixa de Harry na mesa. – Quanto a elas, já vi todas. – Ele suspirou. – Não vou pedir desculpas por todas as vezes que tirei pontos de você, Potter. Acredito que eu tenha impedido você, muitas vezes, de entrar em mais confusões. E também acredito que colaborei para que você não se tornasse um garoto mimado, exibido e arrogante como seu pai foi. – Severo calou-se, encarando Harry, esperando pela reação dele.

Harry primeiro ficou vermelho, sentiu um pouco de raiva de Snape, mas então lembrou-se de tudo o que sabia sobre ele, e percebeu que, sob o ponto de vista do próprio Snape, ele estava certo. Viu que Snape calara-se e o encarava.

- Não esperava desculpas. Apenas queria que soubesse da verdade. Sobre mim, meus amigos, tudo. – Harry falava olhando Snape nos olhos. - Sei que não quer nossa amizade e principalmente, não quer a minha amizade. E na verdade, Snape, eu entendo. Queria que soubesse que já o odiei, mas não o odeio mais. – Potter parou de falar. Estava visivelmente nervoso, respirou fundo para continuar. – Quero agradecê-lo, Snape, por ter honrado seus sentimentos pela minha mãe do modo que fez. Quero que saiba que tenho o maior respeito por tudo o que fez nesses anos todos e o considero um bruxo poderoso, excepcional e que muito me honraria se fosse meu amigo. – Harry agora falava de enxurrada, como se temesse não conseguir falar se não fosse rápido. – Entretanto, amizade se conquista. Se eu não puder conquistar a sua, permita-me ao menos colocar-me, Snape, à sua disposição para qualquer coisa que precise. Sem perguntas. Sem explicações. Você tem a minha lealdade e a de meus amigos. – Harry levantou-se, oferecendo a mão a Snape.

Severo, durante toda a fala de Harry, permanecera com o rosto impassível, sem expressão. Mas podia sentir a sinceridade do rapaz e olhando-o nos olhos, ele podia ver nitidamente Lílian. Ouvindo as palavras sinceras de Potter, percebeu o resto de ódio que o habitava se dissolvendo, sentiu-se aliviado.

Levantou-se, e apertou a mão de Harry e permitiu que sua expressão facial se suavizasse um pouco.

- Realmente, Potter, ainda é cedo para falar em amizade. Basta que nos respeitemos, por ora.

Harry sorriu aliviado, a tensão em seu corpo indo embora.

- Agora, Potter, vamos tratar do seu novo trabalho. – Severo pegou duas pastas contendo pergaminhos e passou a Harry. – A pasta de cima são as redações que comecei a corrigir, e a outra pasta contém os planos de aula para todo o ano letivo. Depois você precisa separar os planos de aula que a Granger usará.

- Certo, Snape. E como será meu treinamento?

- Bem, você vai dormir aqui no castelo, não vai? Pois amanhã você já terá aula no primeiro horário. – Severo não estava mal-humorado, entretanto não sorria.

- Sim, ficarei no castelo essa noite. – Harry já estava se acostumando com Snape. Estava tranqüilo agora.

- Então, leia os planos de aula o quanto antes. Estarei na sala de aula amanhã, mas só vou interferir se houver necessidade. Pelo que fui informado, na verdade você já tem experiência em ensinar defesas... – Severo agora sorria, meio irônico.

Harry ficou ruborizado, sentiu seu rosto queimando.

- Sim, tenho, mas... Ensinava só a prática, não teoria.

Severo abriu ainda mais o sorriso, maldosamente.

- Então, Potter, será uma ótima experiência, pois você terá que voltar a estudar. Nos planos de aulas tem toda a bibliografia que você precisa. A biblioteca está quase fechando. – Severo acrescentou olhando o relógio em cima da lareira, seu divertimento nítido em seu rosto.

Harry levantou-se depressa, agarrando as pastas.

- Obrigado, Snape. Boa noite.

Snape sentiu-se alegre ao pensar em Harry em apuros. Não que sentisse ódio ou quisesse castigá-lo. Mas ficava contente pensando que o rapaz teria que se esforçar para alcançar algum objetivo. Satisfeito consigo, Severo agora poderia terminar de arrumar seus pertences, precisava despachar para seu novo endereço todo o material de laboratório.

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A aula de Harry no dia seguinte foi satisfatória, pelos padrões de Snape, não houve necessidade de intervenção, apesar do nervosismo do rapaz. E Potter havia realmente lido os livros necessários para aquela aula.

Encaminharam-se juntos para o Salão Principal, na hora do almoço. Severo pensava que talvez fosse a última vez que veria Hermione e isso o deixava agitado, ansioso.

- Snape, você voltará a Hogwarts ? – Harry perguntara de repente.

- Algum dia, talvez. – Severo não tinha a menor vontade de bater papo.

Harry calou-se.

Ao entrarem no Salão Principal, Severo não viu Hermione e franziu as sobrancelhas, perguntando-se onde estaria a moça. Gostava de saber que ela estava por ali, perto dele, ainda que ela não soubesse que ele a observava. Mesmo que não olhassem diretamente um para o outro, ele sempre se sentia melhor quando sabia onde ela estava.

Severo pensou em perguntar a Harry sobre ela, mas não o fez. Provavelmente, o rapaz ficaria intrigado com a pergunta e por sua vez iria fazer perguntas a Severo. Então se lembrou que a moça também iria substitui-lo, tinha a desculpa perfeita para querer saber dela.

- Potter, onde está a Granger? – Severo adotou sua expressão costumeira de mal-humor.

- Ah, ela me disse que precisava pesquisar sobre um feitiço antes das aulas da tarde. Provavelmente não virá almoçar.

Severo fez um muxoxo de desprezo.

- Preciso falar com ela... – Severo pegou seu suco de abóbora, pensando no que fazer, precisava conversar pelo menos uma última vez com ela antes de ir embora. – Aliás, preciso falar com você também.

- Bem – Potter olhou para Severo, com naturalidade – se o assunto não for de caráter pessoal ou privado, pode falar.

Severo terminou sua refeição enquanto rapidamente organizava seus pensamentos.

- Considero seu desempenho em sala satisfatório, Potter. Você precisará de alguma outra orientação de minha parte para me substituir?

Potter estava mastigando quando ouviu a pergunta. Tomou um gole de suco, respirou fundo e pousou os talheres que segurava na mesa.

- Para ser sincero, Snape, acho que não. Seus planos de aula são bem detalhados, e tudo o que preciso fazer é me atualizar com alguns livros. Ontem a Mione me ajudou com a leitura, ela já dominava esse assunto da aula de hoje, e a parte prática não é problema. – Harry sorriu de leve para Severo. – Está querendo ir embora logo, não é, Snape?

Severo percebeu que o rapaz já se sentia completamente à vontade com ele. Franziu o cenho, aborrecido. Rapazinho abusado, pensou. Mas não ia perder tempo discutindo com Potter.

- Sim, tenho muito o que fazer. Você pode pedir à Granger que venha até meu gabinete, hoje à tarde? Sei que ela tem um horário livre nesse período.

- Pode deixar, Snape, passo pela sala dos professores, a Mione deve estar lá, e a aviso. – Harry não fez a menor menção de ter visto ou se incomodado com a "cara feia" de Snape. Simplesmente ignorou-o.

Snape assentiu com a cabeça. Agora precisava se preparar para essa última conversa com a moça. Severo estava dominado por sentimentos estranhos agora: um pouco de ansiedade, por começar algo totalmente novo, pelas possibilidades de mudar sua vida e uma angústia muito grande, pois não iria vê-la mais, e sabia que seus dias seriam mais... Mais frios, sem aqueles olhos castanhos tão suaves, tão gentis...

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continua...


N/A: Desculpem a demora nesses capítulos finais, precisei viajar...

Obrigada por lerem minha fic. Não se esqueça: Deixe um review e faça uma autora feliz!

T.D.