Traduzido por Elizeth Alves

Revisado por Carol Barbosa

Betado por Vivian

O frio está em toda parte, se infiltrando pelas frestas e fendas e em meus próprios ossos.Tanto quanto eu posso ver, o mundo é um manto branco gelado, frio e crepitando ameaçadoramente.

A única coisa que me mantém aquecido é a esperança de cumprir a minha missão.

E Maria, a filha do hospedeiro, uma mulher tão bela que faria os anjos chorarem.Gostaria de tê-la para mim se ela me aceitasse.

- O Diário do Simon Alistair Mellick, 16 de Novembro de 1665

Capítulo 10 - Land Ho!*

(*Expressão pirata, o mesmo que "Terra a vista".)

Bella não podia ignorar o arrepio de excitação que a percorreu com a palavra.

Tesouro.

Ela não se considerava excessivamente materialista ou gananciosa. Realmente, ela sempre teve o suficiente para viver confortavelmente, se não, com extravagância. No entanto, isso tinha mudado após a morte de seu pai. Ela tinha sido deixada com pouco, exceto pela casa em Boston, e uma pequena herança de sua mãe. Ela vendeu a casa para pagar o investigador, e praticamente esgotou a herança nos meses de procura ao Cullen.

Assim, ela estaria mentindo se dissesse que a ideia de aliviar seus problemas financeiros não era atraente.

Ainda assim, não era só isso.

"Então, quando você diz grande", ela perguntou, dando um passo hesitante, se aproximando, "o quão grande você quer dizer?"

Cullen sorriu, indicando a cadeira em frente a ele. "Por que você não se senta Smith, e eu vou te dizer." Ela fez o que ele sugeriu, muito intrigada para argumentar, e ele continuou: "Você já ouviu falar do Ouro Mellick?"

"Não. Não, eu acho que não."

Ele se inclinou sobre a mesa, batendo um dedo no diário com capa de couro. "Você leu tudo isso?"

"Um pouco".

"Então você sabe que Mellick era um comerciante em Londres, cerca de 90 anos atrás, um homem comum, com uma queda para quebra-cabeças."

Bella acenou com a cabeça. "Sim, ele mencionou uma coleção."

Edward se inclinou para trás em sua cadeira. "Mellick ouviu uma conversa que o levou a deixar a Inglaterra e voltar para o Novo Mundo, os rumores eram de uma expedição formada para buscar um grande tesouro de ouro asteca. Ele partiu imediatamente."

"Parece um pouco impulsivo," Bella disse, "deixar a sua casa com base em boatos."

Cullen deu de ombros. "Ele diz no diário que investigou a fundo, embora não tenha entrado em muitos detalhes. Basta dizer que reuniu informações suficientes para se certificar e se juntar à caça, e ele aparentemente deixou a Inglaterra um mês antes da expedição."

"Será que ele encontrou o ouro?" Bella perguntou, hipnotizada.

"Eu acredito que sim", Edward respondeu. "No outono de 1666, ele faz alusão a esse fato em seu diário, mas ele também temia ser roubado e se tornou bastante paranóico, alguns de seus inimigos estavam nos seus calcanhares - incluindo os homens de quem ele tinha, originalmente, ouvido falar do tesouro.

"O que nos leva de volta para o quebra-cabeça", disse ele.

"Como assim?"

"Mellick escondeu o tesouro", ele respondeu. "Mas ele não escreveu especificamente onde. Ele temia ser assassinado, e se o diário caísse em mãos erradas, seus inimigos pegariam o ouro. Ele conheceu e se casou com uma jovem mulher logo depois que ele chegou a Colônia, e ela estava grávida. Assim, para proteger seu herdeiro, ele desenvolveu um elaborado quebra-cabeça que deve ser resolvido a fim de encontrar o ouro."

"O poema," Bella ponderou. Ao olhar curioso de Edward, ela acrescentou: "Na parte de trás do diário - uma moeda... um copo... uma chave..."

"Sim", Edward respondeu. "Nós determinamos que - o poema, como chamamos - Indica as relíquias que precisam ser reunidas, a fim de resolver o enigma."

"Nós?"

"Eu, Charlie... Aro", explicou. "Eu estive em uma corrida contra o Aro para encontrar os itens desde então."

"Espere. Eu não entendo alguma coisa." Bella disse, balançando a cabeça. "Se o diário foi destinado ao filho de Mellick, como é que você conseguiu isso? E por que ele nãotenta encontrar todas essas relíquias?"

"Ele morreu antes de ter uma chance", Edward explicou. "Mallick morreu de consumo.* Sua esposa também, pouco tempo depois. A criança nunca nasceu, e com a falta de herdeiros, todos os seus pertences iriam voltar a Londres para um primo distante.

(*Nome antigo para tuberculose)

"O homem estava passando por problemas financeiros, então optou por vender a totalidade da propriedade de Mellick na Colônia ao invés de ter que gastar para tê-la enviada ao exterior. As relíquias foram espalhadas ao vento, e foi só por acaso que o diário caiu nas mãos do meu pai, e, eventualmente, para as minhas. O diário, juntamente com o conteúdo da biblioteca de Mellick, acabou em uma livraria em Charles Towne*. Meu pai é um colecionador, e também ouviu sobre a lenda do ouro de Mellick. Quando ele encontrou o diário, ele sabia que seria inestimável."

(*Cidade pertencente ao estado Carolina do Sul – EUA. Seu nome foi alterado para Charleston em 1783)

Ele fez uma pausa, seu olhar intenso. "Aro também pensava assim. Quando soube que eu estava com o diário, decidiu que iria tê-lo. Foi ele quem preparou a armadilha para a minha tripulação aquele ano, foi ele quem levou meu olho e me deixou para morrer. Tudo um plano para obter o diário."

"Mas ele falhou."

"Graças apenas a Jasper", ele respondeu. "Ele conseguiu ferir Aro e levar o resto da tripulação com segurança para longe. Ele salvou minha vida."

Bella respirou profundamente, absorvendo tudo o que tinha ouvido. "Então..." ela disse, engolindo em seco. "Aro matou o meu pai pela espada?"

"Eu acredito que sim. Ele não vai parar por nada."

Bella olhou para ele com cuidado. "E você? Será que você também não para por nada?"

Edward olhou para longe por um momento, e então disse em voz baixa. "Eu quero o tesouro, mas, apesar do que você possa ter ouvido sobre mim, eu não tenho o hábito de matar pessoas inocentes."

Virou-se para olhá-la nos olhos. "Aro, no entanto, nesse caso, está longe de ser inocente".

Bella balançou a cabeça e em seguida, desviou o olhar de sua intensidade.

"Então você... nós", corrigiu-se, "temos a espada. E o resto? " Ela percebeu que Edward não contestou o nós.

"Isso". Ele levantou o medalhão. "Acredito ser a chave para a porta."

Bella pegou a jóia, virando-a em sua mão. "É apenas um medalhão." Ela pressionou a borda e ele se abriu. "Não há nada dentro dele. Como pode ser a chave?"

Edward folheava o diário para a página com o desenho do medalhão, e mostrou a ela onde Mellick tinha identificado como a chave.

Bella fez uma careta. "Então, você tem a chave. A espada, presumo, é a espada que vai liderar o caminho. E o copo e a moeda?" Ela se inclinou para frente para entregar o medalhão e pegar uma das moedas de dentro da arca. "É uma destas?"

"Eu não acho", Edward respondeu, tirando das mãos dela e examinando-as de perto. "Estas são apenas moedas comuns. Acho que estamos à procura de algo especial."

"Como especial?"

"Boa pergunta."

"E o copo?"

Com um suspiro pesado, Edward colocou os itens de volta na arca. "Eu não sei. É possível que Aro o tenha. Eu não tenho nenhuma informação sobre isso."

Bella estava começando a se perguntar se havia alguma coisa sobre esse tesouro que Edward tinha certeza.

"E uma vez que você recuperar todas essas relíquias, o que fará então?", perguntou ela.

"Não são apenas as relíquias," Edward respondeu. "Há também um mapa. Aro está com a metade, mas a outra metade está perdida. Acredito que o mapa irá nos orientar a como usar as relíquias."

Bella tirou um fio de cabelo fora de seus olhos. "Parece que este Mellick era mais do que cuidadoso. Dada a complexidade deste quebra-cabeça, eu arriscaria a chamá-lo completamente paranoico. Como nós vamos decifrar o que tudo isso significa?"

A boca de Edward se curvou em um sorriso malicioso. "Bem, isso é parte do desafio, Smith. Ninguém nunca disse que a caça ao tesouro era um empreendimento simples. Independentemente disso, é por isso que nós estamos indo para Carolina do Sul." Ele hesitou, observando a reação dela. "Há... um vidente lá que eu espero que nos coloque no caminho certo."

Bella soltou uma gargalhada. "Um vidente? Certamente você não coloca fé em tal absurdo!"

Edward fez uma leve careta. "Não zombe do que você não sabe, Smith. Pode parecer absurdo, mas foi me provado muitas vezes para ser desprezado."

"Desprezo?" Bella enrijeceu. "Eu não estava sendo insolente. Apenas... cética."

Edward levantou-se abruptamente, inclinando-se sobre a mesa. "Não importa. Vamos a Charles Towne. Exceto, é claro, que você tenha uma ideia melhor?"

Bella franziu a testa, mas não conseguiu chegar a um plano alternativo. "Tudo bem", ela murmurou. "Mas eu quero estudar o diário no caminho. Talvez eu possa encontrar um plano de ação mais lógico."

"Muito bem", Edward disse, colocando o diário na arca e a mesma na gaveta, então incisivamente pegando a chave escondida no copo na prateleira. "Eu prefiro que não use a adaga novamente", explicou. "Gostaria de salvar a fechadura."

Bella corou e assentiu.

Edward endireitou-se depois de trancar a gaveta e colocar a chave no copo. "Agora, Smith, eu acho que é hora de você compartilhar algumas informações."

Bella levantou uma sobrancelha. Ela sabia que ele queria algo dela. "Que tipo de informação?"

"Como você disse," ele respondeu, "Eu quero saber qualquer coisa que seu pai disse sobre esse assunto. Disse-lhe onde conseguiu a espada?"

Bella suspirou em frustração. "Ele me disse que era um presente de seu comandante - uma mentira - é claro que eu não entendia por que ele o mantinha trancado em vez de exibi-lo, mas agora faz todo o sentido."

Edward passou as mãos sobre o rosto, um rosnado baixo em sua garganta. "Eu nem sabia que ela estava com ele", ele murmurou. "Ele parecia duvidar da existência de um tesouro tão fantasioso."

"Aparentemente, ele não mentiu apenas pra mim", Bella acrescentou amargamente.

Edward começou a andar. "Então, ele não falou sobre Mellick, mas talvez ele tenha mencionado o copo ou a moeda? Ou até mesmo como encontrar a metade que falta do mapa?"

Ela balançou a cabeça: "Ele nunca disse nada..."

"Pense!" Edward interrompeu. "Talvez você saiba de alguma coisa e nem se de conta disso. Será que ele mantinha um diário próprio? Ou talvez alguma correspondência. Ele poderia ter trabalhado com alguém." Ele levantou-se, sua cadeira deslizando para trás, quando ele começou a andar. "Será que ele tem um cofre? Um local para itens importantes?"

"Não, nada..."

"Tem que haver alguma coisa!" ele estalou. Ele fez uma pausa, os dedos apertando a ponte de seu nariz, enquanto tentava manter a calma. Bella realmente se sentia um pouco culpada. Ele tinha compartilhado tantas informações com ela, e ela realmente não tinha nada a compartilhar em troca.

"Sinto muito", disse ela em voz baixa. "Eu verifiquei tudo quando vendi a nossa casa. Não havia nada. Nenhuma menção de tesouro, copos ou mapas. Se meu pai sabia de algo, ele não tinha um registro do mesmo."

Edward sentou-se, passando as mãos sobre o rosto em derrota. Por um momento, Bella começou a se preocupar. Se ela não tinha nada a oferecer, o Cullen iria abandoná-la? Será que ele finalmente iria cumprir com suas ameaças, agora que ele não tinha nenhuma razão para mantê-la por perto?

Então ela percebeu, ele não podia.

Porque ele disse a ela seus segredos. E, a fim de mantê-los, ele teria que mantê-la.

Aparentemente, Edward tinha chegado à mesma conclusão, porque ele olhou-a fixamente, o olhar penetrante. "Whitlock é a única pessoa fora desta sala que sabe o que eu disse a você", disse ele, a voz tensa de advertência. "Tenho a intenção de mantê-lo assim."

"É claro."

"Se eu descobrir que você falou isso para alguém..."

"Você não vai."

Seu olhar queimava dentro dela, e ela se inclinou em sua direção. "Eu prometo Edward. Eu não vou contar a ninguém. Você pode confiar em mim."

Com isso, ele piscou e desviou o olhar. "Eu não confio em ninguém."

"Você confia em Jasper."

"Sim, bem... ele merece."

"Eu também vou," Bella disse levemente, tentando quebrar a tensão desconfortável. "Eu vou resolver o quebra-cabeça e levá-lo para o tesouro."

Edward sorriu, olhando para o lado. "Só isso?"

Ela sorriu. "Só isso", disse ela. "Você vai descobrir que sou muito útil."

Com isso, Edward a olhou de soslaio, seu olhar flutuando sobre ela lentamente. "Sim, eu tenho certeza que você é."

Bella bufou, revirando os olhos. "Claro, quando eu começo a realmente gostar de você, você acha necessário voltar a ser um bárbaro."

Ele balançou as sobrancelhas. "Você gosta de mim?"

"Não mais." Ela bufou, cruzando os braços sobre o peito.

Cullen soltou uma gargalhada. "Oh, Smith, eu acho que sim", disse ele, de pé dando a volta na mesa. "Sabe, se você está pronta para renegociar nosso acordo..." Ele olhou incisivamente para a cama.

Bella riu, muito divertida para se ofender. "Não, obrigado."

"Não?" Ele levantou uma sobrancelha, dando um passo em sua direção. O estômago de Bella revirou.

"Não", ela disse, a voz embargada.

O sorriso de Edward cresceu à medida que ele se inclinou sobre sua cadeira. Bella congelou quando sua bochecha roçou a dela e seus lábios roçaram sua orelha, o hálito quente provocando um tremor incontrolável.

"Se você mudar de ideia", ele sussurrou "sabe onde me encontrar." Ela engasgou quando ele se levantou abruptamente e virou-se para sair da sala. Sua baixa risada ecoou pelo corredor enquanto fazia seu caminho para o convés, e não foi até o som desaparecer que a respiração de Bella estabilizou.

Ela engoliu em seco, a cabeça girando um pouco. Cullen a perturbou, e ela não estava acostumada a ser perturbada. Ela não gosta dele, de qualquer modo.

Ela estava começando a se perguntar se talvez pudesse ser um pouco mais acessível quando se tratava de Edward Cullen.

~ 0 ~

Edward ficou de olho nela pelo o resto da viagem e pediu a Jasper para fazer o mesmo, mas Bella foi fiel à sua palavra e não disse nada sobre o tesouro para qualquer pessoa. Não que houvesse alguém a bordo de quem ela fosse amiga.

Exceto Jacob Black, é claro. Edward franziu o cenho para o homem enquanto ele estava perto da proa, os braços cruzados. Ele não tinha nenhuma dúvida de que Black era um homem honrado, mas ele não queria que ninguém soubesse do seu negócio, a menos que fosse absolutamente necessário. E, no momento, não era necessário.

Jasper, porém, tinha ouvidos em todo o navio, e Edward estava relativamente certo que Bella não disse uma palavra do tesouro até mesmo para Black. Aparentemente, a ideia de vingança, juntamente com a sua própria parte do tesouro, foi o suficiente para mantê-la quieta.

Edward sorriu. Pelo menos era alguma coisa.

Ele enfiou a mão no bolso para pegar sua luneta, levando-a para seu olho. A costa era pouco visível à distância, enquanto o sol se afundava abaixo do horizonte.

Carolina do Sul. Casa.

"Whitlock!" ele chamou seu primeiro imediato, que logo apareceu ao seu lado quase que instantaneamente. "Partimos quando escurecer. Quero estar em terra antes que a lua esteja muito alta e nos revele."

"Sim, capitão".

Ele se virou para caminhar com Whitlock para a proa. "Instrua Crowley para levar o navio para longe, em águas abertas, assim que estivermos ausentes. E nos encontramos novamente amanhã à noite, após o anoitecer."

"Sim," Jasper disse novamente. "Capitão, há a questão da senhorita Swan."

"O que tem ela?" ele perguntou, distraído pelos tripulantes que ajustavam a vela grande. "Olhar atento, homens!", ele gritou. "Se danificarem a vela não poderemos fugir da Coroa, todos nós estaremos dançando hempen jig*"

(*Hempen jig. Um termo pirata para ser enforcado.)

Um coro de "Aye, senhor!" soou em resposta, mas Jasper se inclinou, pegando seu olhar. "Ela quer ir junto."

"O quê? Quem?" Edward perguntou, irritado.

"A moça". Jasper lutou para não revirar os olhos. "Senhorita Swan. Ela quer ir à praia com a gente."

Edward ficou boquiaberto por um momento, depois soltou uma gargalhada. "Você está brincando comigo."

"Não é brincadeira", Jasper respondeu. "Me disse que quer ela mesma ouvir a vidente." Suas bochechas coraram ligeiramente com a menção de Alice, mas Edward ignorou.

"Claro que não", ele resmungou. "Onde ela está?"

"Em seus aposentos, acredito."

"Prepare o bote. Isso só vai levar um momento." Edward virou-se e saiu para seus aposentos, irrompendo em seu quarto sem aviso prévio. Bella saltou de surpresa, uma pequena bolsa caiu a seus pés. Edward notou o diário espreitar pela borda da bolsa.

"E o que exatamente você está prestes a fazer agora, Smith?" Ele pegou a bolsa e vasculhou-a, encontrando a arca escondida no meio de outras coisas.

"Dê-me isso!" ela retrucou, um rubor aparecendo até seu pescoço enquanto ela arrancava a bolsa de seus dedos e a deixava cair sobre a cadeira atrás dela. "Eu apenas pensei que você gostaria de levá-los. Presumi que o vidente..."

"Sim, bem, parece que você presumiu um bocado," Edward retrucou. "O que é isso que eu ouvi? Você realmente acha que você vai à praia?"

Bella estremeceu. "Bem, é claro que eu vou. Eu quero ouvir o que este vidente tem a dizer."

"Você não vai fazer tal coisa!" ele rosnou. "É totalmente absurdo. Você vai ficar a bordo, onde você pertence."

Ela o olhou fixamente. Por um momento, Edward se perguntou se ela iria explodir ou chorar. Para sua surpresa, ela não fez nenhum dos dois.

"Totalmente absurdo?" ela repetiu lentamente, imitando-o. "Não é um pirata muito comum, capitão. Você está fazendo isso de novo."

Ele olhou para ela. "Fazendo o quê, pelo amor de Deus?"

Ela sacudiu o dedo para ele, seus olhos se estreitando em concentração. "Você sabe o quê? Acredito que isso acontece sempre que você está irritado comigo."

"Bem, então isso deve acontecer muito", ele murmurou. "Agora, do que diabos você está falando?"

"Seu sotaque", respondeu ela, estendendo as palmas das mãos para cima para explicar tudo. "Parece que isso muda quando você está particularmente irritado."

"Eu não tenho absolutamente nenhuma ideia do que esta falando," ele começou, cortando abruptamente e limpando a garganta. "Você é maluca, moça".

Bella mordeu o lábio para não rir. "Sou?"

Uma batida na porta interrompeu a conversa um pouco estranha, e Capitão Cullen retrucou: "O quê?" enquanto tentava não parecer aliviado. Jasper colocou a cabeça para dentro do quarto, olhando para os dois com cautela.

"Está na hora, capitão", disse ele.

Edward acenou com a cabeça. "Sim. Excelente". Quando Bella se abaixou para pegar a bolsa, ele acrescentou "Você não vai nos acompanhar."

"Oh, sim, eu vou."

"Não. Você não vai."

Jasper observava os dois com diversão, correndo os olhos de um para outro.

"Olha," Bella disse, deixando cair sua bolsa no chão e plantando os punhos nos quadris, fixando Edward com um olhar determinado. "Podemos ficar assim a noite toda. Você pode me proibir de sair a bordo, 'Vai fazer o que eu digo, moça' e todo esse absurdo..."

"Não é um absurdo!"

Bella continuou sem parar. "Mas nós dois sabemos que não vai ser nada bom". Se você me deixar aqui, eu vou encontrar uma maneira de sair deste navio. Se você me amarrar no porão eu vou fugir de alguma forma, roubar um bote e remar para terra ou nadar, se for preciso. Você sabe que eu vou. "Ela se inclinou para frente, e Edward se perguntou se ela estava na ponta dos pés para aparecer um pouco mais alta".

"Então, vamos simplesmente ignorar essa discussão ridícula e seguir nosso caminho, não é mesmo?" ela disse com um sorriso beatífico, pegando a bolsa de novo e jogando-a por cima do ombro. "Nós estamos perdendo tempo." E com isso, ela passou pelos homens e dirigiu-se ao convés.

Edward ficou imóvel por um momento, tentando determinar exatamente quando ele perdeu o controle da situação. Ele percebeu que sua boca estava aberta e fechou-a com um clique antes de se virar em direção à porta. Ele olhou furiosamente para Jasper, cujos olhos dançavam com alegria.

"Nem uma palavra," Edward avisou. "A menos que você queira ser o único preso no porão."

"Mas então, quem iria remar o bote?", perguntou ele. Quando Edward rosnou, ele ergueu as mãos em defesa, então, ofereceu uma pequena saudação. "Nem uma palavra. Aye, Capitão".

Edward passou por ele e foi até o convés. Quando viu Bella conversando tranquilamente com Jacob, uma pressa inexplicável e furiosa o varreu. Ele andou até ela e agarrou-lhe o braço com força.

"Se você insiste em ir, você não vai nos atrasar", disse ele, com uma carranca.

Bella apenas sorriu e deixou-o arrastá-la para longe.

~ 0 ~

Ondas suaves balançavam o bote enquanto o pequeno grupo para desembarque fazia seu caminho para a terra na escuridão. Bella se sentou em frente à Jasper e Edward, segurando o banco de madeira firmemente em cada lado dela, uma bolha de entusiasmo fazia cócegas em seu estômago. Ela sentia-se bem em estar fazendo algo diferente de lavar e limpar, algo para encontrar o assassino de seu pai.

E ainda havia o tesouro, é claro. E o quebra-cabeça estranho que eles teriam que resolver, a fim de encontrá-lo. Bella não podia acreditar como sua vida havia mudado desde o ano passado. Vivendo com piratas, em busca de um tesouro... era como algo saído de uma história de ninar.

Ela não falou, advertida repetidamente por Edward que eles deveriam ficar quietos e furtivos para evitar serem descobertos, ela apenas olhou em silêncio para as sombras do capitão e seu primeiro imediato que puxava os remos em um ritmo lento e constante. Um olhar sobre o ombro não revelou nada, o Black Arrow já havia ido para o mar aberto, e Bella virou-se para olhar Edward e Jasper, os olhos procurando o litoral.

Ela não conseguia ver nada na escuridão.

Então, quando Bella pensou que eles talvez estivessem indo na direção errada, ela começou a discernir as luzes de uma cidade à distância. Seus olhos percorreram o horizonte, e ela percebeu que havia entrado em um porto, rodeado pela sombra escura de terra. Ela podia distinguir fileiras de postes ao longo da borda da água, dezenas de navios ancorados durante a noite no centro comercial ocupado.

Eles remaram para o oeste das luzes, que apontavam para um desembarque secreto. Eventualmente, o barco deslizou na lama ao longo da parte inferior, Jasper e Edward puxaram os remos para cima, colocando-os no bote antes de deslizarem silenciosamente para água e puxarem o bote para mais perto da costa. Suas botas chapinhando no lodo pantanoso enquanto Bella os assistia, olhando para cima e para baixo da praia escura, antes de Edward acenar para frente com impaciência. Ela se levantou com cuidado, colocando a bolsa debaixo do braço, e caminhou ao longo dos bancos para frente do bote, olhando desconfiada para a água negra. Jasper estendeu a mão para ajudá-la, mas quando Bella estendeu a sua de volta, preparando-se para percorrer o pântano, Edward deu uma bufada exasperada, e pegou-a em seus braços. Bella se agarrou a ele enquanto o mesmo caminhava através da água superficial, ele a colocou no chão da praia lamacenta não muito suavemente, antes de voltar para ajudar Jasper a puxar o bote até a margem e escondê-lo nas árvores e arbustos.

Os três partiram em um ritmo rápido, pela floresta, lama, e então areia. Bella se esforçou para continuar, finalmente, reuniu as saias em apenas um lado para que pudesse se mover mais livremente. Eles se aproximaram de um pequeno riacho e Edward se voltou para ela, pegando-a com firmeza e dando meia dúzia de passos. Ele deu um passo para trás para a terra seca, e Bella apertou seus braços ao redor dele um pouco antes dele a colocar no chão com um pouco mais de cuidado desta vez.

Depois de um tempo, eles se aproximavam da cidade murada, fazendo o seu caminho sobre uma ponte levadiça, depois outra.

"Caminhe com calma, e não atraia a atenção," Edward ordenou, puxando para trás seus longos cabelos e amarrando-os firmemente com uma tira de couro, em seguida puxou o chapéu para baixo sobre o rosto para esconder sua cicatriz. Ele pegou a mão de Bella e puxou-a para seu cotovelo dobrado.

"O que você está fazendo?" ela sussurrou, tentando puxar o braço.

"Venha agora, Smith", disse ele com uma risada. "Agora não é o momento de ser tímida. Seremos muito menos suspeitos como um jovem casal passeando à noite... com um acompanhante adequado, é claro."

Jasper bufou. "Eu suponho que se refira a mim."

"Dê a bolsa para Jasper e tente agir como se gostasse de mim," Edward disse, dando um tapinha em seu punho cerrado. "Relaxe, pelo amor de Deus! As pessoas vão pensar que sou um trapaceiro que te cativa contra a sua vontade!"

Apesar de tudo, Bella deu uma risadinha, a emoção deixando-a um pouco histérica. "Bem, nós não podemos deixar que pensem isso, não é?" Ela entregou a bolsa para Jasper. "Vamos lá, então."

"Você tem certeza que não devemos contornar a cidade?" Jasper perguntou em voz baixa enquanto sons de música e risos começavam a ser notados.

"Não há tempo", Edward respondeu severamente. "Este é o caminho mais direto."

Bella nunca tinha ido a Charles Towne, e após esta visita, ela realmente não poderia contestar essa declaração. Edward manteve um ritmo constante, não havia tempo há perder, sem tempo para explorar as lojas alinhadas ao longo da rua, não que muitas estivessem abertas a esta hora da noite. A confusão começou antes deles, um grupo de homens barulhentos despejados à força de uma taberna, Jasper e Edward trocaram um olhar antes de atravessar a rua e continuarem seu caminho.

Surpreendentemente, ninguém lhes deu muita atenção, mas Bella ficava cada vez mais preocupada com o muro alto em torno das fronteiras da cidade, e calmamente perguntou a Edward como eles passariam por isso.

"Tenha um pouco de fé, Smith", disse ele com um sorriso.

Ele olhou por cima do ombro antes de puxá-la para a escuridão entre duas casas. Eles se aproximaram do muro e Edward o examinou cuidadosamente.

"Por aqui," Jasper chamou de uma curta distância. Eles correram para encontrá-lo onde um ponto na parede estava aparentemente sob reparos. Os tijolos caídos tinham sido removidos e empilhados nas proximidades.

"Furacão", Edward explicou. "Temos a sorte das negociações do tratado terem sido bem sucedidas, ou, sem dúvida, este teria sido guardado."

"Como você sabe que estava aqui?"

Edward sorriu. "Oh, eu tenho olhos e ouvidos em todos os lugares, Smith. Não se esqueça disso."

Bella não pôde deixar de sorrir de volta enquanto eles faziam seu caminho através da abertura estreita do fosso quase seco. Com um último olhar para trás, eles deixaram as imagens e sons da civilização por trás deles.

"Onde exatamente estamos indo?" Bella perguntou, notando que ela ainda estava segurando o braço de Edward. Ela afastou-se com uma sacudida, suas bochechas fortemente coradas. Ele franziu o cenho para ela, mas respondeu a pergunta.

"Não falta muito", disse ele. "Apenas após a Colina Hampstead, perto da foz ao norte da Town Creek".

Bella piscou, não satisfeita com a resposta. "Claro", ela murmurou. "Obrigado pela informação."

Edward ignorou o sarcasmo, voltando-se para Jasper. "Nós precisamos arranjar cavalos para a viagem de volta. Eu não quero Arrow perto da costa por mais tempo do que necessário."

"Sim," Jasper respondeu. "Eu vou falar com o capataz quando chegarmos."

Eles andaram para baixo em uma longa e sinuosa estrada, poeira levantando em volta deles enquanto caminhavam. Edward apressou o passo. "É logo depois da curva."

Bella sentiu uma mistura de alívio e expectativa ao saber que estavam perto do seu destino. À medida que dobravam a esquina, a lua saiu de trás de uma nuvem, lançando um brilho estranho ao redor e Bella percebeu a estrada foi ladeada por árvores com espaçamento uniforme, um farfalhar na brisa leve. Finalmente, ela avistou uma casa alastrando no final da estrada, e prendeu seu fôlego.

Era linda. Mesmo na penumbra, ela poderia dizer que era enorme.

Colunas brancas brilhavam à luz do luar, suportando um frontão que dominava a entrada da frente. A casa de dois andares parecia ser feita de tijolo, embora fosse difícil dizer ao certo. Luz quente derramava a partir das múltiplas janelas, e o brilho fez a casa parece quase mágica, um conto de fadas que vêm à vida. Ela podia imaginar uma duquesa deposta vivendo seus dias de reclusão ali, cercada apenas por seus cavalos premiados e um ou dois gatos gordos.

Então, à medida que se aproximavam, a porta da frente se abriu, e uma jovem saiu, carregando uma lanterna. A respiração de Jasper falhou, e Edward murmurou alguma coisa ininteligível sob sua respiração.

"Quem é essa?" Bella sussurrou, mas ninguém respondeu enquanto a moça caminhava em direção a eles propositadamente, parando na frente do pequeno grupo. Ela usava um vestido simples de cor creme e era mais baixa que Bella, mas parecia maior de alguma forma, seu corpo quase vibrando com energia enquanto ela saltava na ponta dos pés. Seus longos cabelos negros estavam colados em volta do rosto, as extremidades soprando loucamente com a brisa. Olhos grandes e escuros dominando suas feições delicadas e disparando de uma pessoa para a outra, absorvendo cada detalhe. Com o olhar focado em Bella, a mulher inclinou a cabeça um pouco, estudando-a. Bella lutou contra a vontade de se contorcer sob seu escrutínio. Parecia que a mulher podia ver através dela, todos os seus segredos desnudados.

A mulher riu como se soubesse os pensamentos de Bella. Então, com um grito suave, ela virou-se e atirou-se contra Edward, envolvendo o braço que não segurava a lanterna ao redor do seu pescoço.

Edward riu levemente e a abraçou, suas mãos grandes abrangiam suas costas facilmente.

Bella assistiu a troca com os olhos arregalados, uma sensação estranha de quente e frio atingiu seu estômago. A mulher se afastou, olhando para Edward com um leve sorriso.

"Você está atrasado", disse ela com uma piscadela. Ela se afastou, seus cílios ondulando um pouco quando acenou para Jasper. "Sr. Whitlock."

Ele acenou de volta. "Senhorita Brandon."

Então, a coisa mais estranha aconteceu. Ela se virou para Bella com um sorriso amigável. "E você deve ser Bella," ela disse. "Eu estava ansiosa para conhecê-la."

Bella procurou uma resposta, e finalmente, gaguejou, "obrigado?" O que soou mais como uma pergunta. Ela limpou a garganta, tentando recuperar o equilíbrio. Ela determinou que esta deveria ser a vidente que Edward falou, e, aparentemente, os dois estavam bem familiarizados.

Ela não conseguia explicar porque o pensamento a fazia se sentir enjoada.

A mulher riu levemente, com a cabeça novamente inclinando para o lado. "Desde que Edward passa tanto tempo no mar, aparentemente ele perdeu as boas maneiras, eu mesma deveria me apresentar", disse ela, lançando um olhar reprovador para Edward. "Eu sou Alice Brandon." Com isso, Edward bufou, e Alice revirou os olhos.

"Tudo bem", ela murmurou. "Alice Brandon Cullen."

Demorou um momento para Bella compreender totalmente o que ela tinha dito. "Eu sinto muito. Você disse Cullen?", perguntou, virando-se para Edward, sua boca aberta em choque. "Isso é... ela é sua esposa?"

Alice começou a rir, e até mesmo Jasper riu um pouco. Edward apenas olhou escandalizado, limpando a garganta enquanto erguia a mão para esfregar a parte de trás do pescoço. Bella podia jurar que, mesmo à luz da lanterna, ela podia ver um leve rubor em suas bochechas.

"Deus, não. Minha esposa não", disse ele, não encontrando os olhos de Bella. "Smith, conheça a minha irmã."


N/Paulinha: Ow, quantas revelações nesse cap em kkkkkkkk

Mas o melhor foi a Bella com ciúmes, e nem sabe que ta com ciúmes isso é marah

Eu adoroooo as interações da Bella e do Edward, os dois são terríveis.

Agora, borá comentar que eu já tenho o próximo cap pronto pra postar

E ai vamos ver se a Alice é realmente uma vidente O.o