Sumário: Jensen é um adolescente problemático, que após perder a mãe, tem de conviver com o pai que o ignora e com o sentimento de que nada em sua vida se encaixa. Até que ele conhece Jared, um rapaz novo na cidade e com energia que emanava pelo corpo. E então, as coisas prometem mudar. AU. PADACKLES.
N/A: Minha imaginação fluiu para escrever isto e aqui estou com uma nova fic! Espero que gostem sinceramente! Nessa historia eles estão na escola, então, acredito que por motivos óbvios, decidi que Jensen teria 16 para 17 anos, e Jared 15 para 16, mais ou menos. Portanto não estranhem se a diferença de idade entre os dois não combina com a diferença real.
Disclaimer: Não é necessário dizer que eles não me pertencem…
Capítulo 11:
Jensen sabia que não poderia esconder as coisas por tempo demais. Seu relacionamento com seu pai nunca fora bom, mas antes era até um tanto quanto tolerável... antes de sua mãe falecer, claro. Depois, as coisas haviam mesmo saído de rumo. Agora, com Josh fora, tudo havia ficado muito e muito pior, e parecia que não ia melhorar nem tão cedo. Seu pai ter visto Jared ali não parecia que estava para resultar em boa coisa... além do que, ele não sabia o quanto Roger havia visto ou ouvido. Ele podia estar enrascado de verdade, sem nem ainda saber.
Roger não disse nada depois do encontro na porta de casa. Entrou na cozinha calado e foi pegar uma cerveja, pelo que Jensen pode perceber. Isso era um péssimo sinal. Ele estava bravo, e agora, há essas horas, com certeza tambem estava bêbado. Jensen não sabia se iria aguentar aquilo por muito tempo ainda, estava chegando num ponto onde tudo se tornava dificil. Não queria mais apanhar dele, não queria mais ser tratado daquele jeito... e não importava quantas vezes pensasse a respeito, tudo o que queria e desejava naquele momento era poder estar com Jared. Isso era a melhor coisa que já lhe havia acontecido na vida, e de modo algum Jensen pensava em deixar passar. Não mais. Não tinha mais tanto medo assim do que poderia acontecer... porque agora não estava mais sozinho. Agora tinha realmente alguém que, por algum motivo, gostava dele de verdade.
A porta do quarto se abriu de repente e Jensen virou os olhos em sua direção, encontrando seu pai caminhando para dentro vagarosamente, sacudindo a cabeça. As coisas iriam ficar serias agora.
Precisamos conversar. - Roger disse logo em seguida.
O cheiro de cerveja estava invadindo as narinas e Jensen percebeu que seu pai podia estar mesmo fora de si.
- Desde quando você tem autorização pra trazer pessoas dentro da minha casa, principalmente quando eu não estou?
- Desculpa, pai. O Jared apareceu de surpresa e …
- Isso não tem desculpa! Você não tem, nunca teve, e nunca vai ter autorização pra isso!
Jensen respirou fundo. Aquilo de forma alguma fazia sentido.
- Josh sempre pôde trazer quem quisesse aqui pra casa! Isso não faz sentido! Ele sempre deu festas aqui, trazia os amigos dele e ate mesmo garotas! Você nunca fez objeção quanto à isso.
- Você não é o Josh! - Roger rebateu, seus olhos vermelhos de raiva. - Não é e nunca vai ser.
Jensen sentiu as lagrimas queimarem em seu rosto. Ele sempre fora um otimo filho, e muito mais tranquilo do que Josh. Jensen não era perfeito, mas sempre procurou agradar seu pai de diversas maneiras, sempre tentou ser um ótimo filho pra que talvez se dessem melhor, fizessem coisas juntos... mas nada daquilo jamais havia funcionado. Josh sempre estava fora com os amigos, enquanto Jensen continuava sempre cuidando de seu pai em casa.
- Não entendo porque você me odeia tanto assim. - Jensen disse, agora as lágrimas escorrendo pelo rosto com mais e mais intensidade. - Eu nunca fiz nada pra desagradar você.
- Não? - Roger riu. - Deixe eu te dizer uma coisa, Jensen... e espero que isso fique bem claro pra você agora. Não quero mais você andando com esse garoto, Jared.
O rosto de Jensen se encheu de confusao, e uma pontada lhe percorreu o peito. O que? Proibindo-o de ver Jared? Seu pai não podia proibi-lo de ver logo Jared... de modo algum. E aquela era uma ordem que seria com certeza contestada.
- Jared é meu único amigo!
- Não me interessa. Ouvi comentarios por ai a respeito dele... - Os olhos de Roger se apertaram. - Comentários de que ele gosta de sair com outros garotos. Você sabe alguma coisa sobre isso, Jensen?
- Não! - Jensen respondeu rapidamente. Se seu pai soubesse, as coisas não iam ficar bonitas.
- Eu acho bom que não saiba. Se por acaso eu desconfiar que estava sabendo disso, não vai gostar do que eu vou fazer. - Roger deu dois passos em direção a ele. - Escutou bem a minha ordem, Jensen? Não quero mais você andando com esse garoto. E isso é indiscutivel.
- Mas pai, eu...
Jensen apenas sentiu a mão de Roger lhe acertar um tapa dolorido no rosto, fazendo-o recuar alguns passos com o impacto e o susto. Seu pai agora estava caminhando em direção a ele, os olhos apertados, vermelhos, o cheiro da bebida cada vez mais próximo de seu rosto... e logo, um barulho, um forte impacto contra a parede e tudo escureceu uma vez mais.
Jared suspirou. Olhou para o relógio. Nada de Jensen chegar, e já estava quase na hora da aula começar. Isso só fazia aumentar a sua preocupação a respeito de que algo podia ter acontecido na casa dele, alguma coisa de mais grave. Estava quase certo de que Jensen havia apanhado mais uma vez de seu pai por causa de sua visita surpresa no dia anterior. Agora, Jared sentia-se culpado.
O professor entrou na sala, e a cada segundo que se passava o coração de Jared apertava um pouco mais. Preocupação, desapontamento... se Jensen não viesse à escola, como iria vê-lo? Não teria coragem de ir até a casa dele depois de ontem, não sabia como as coisas haviam se desenrolado, não sabia o que poderia acontecer com ele. Ou o que já teria acontecido.
Algo como dois minutos depois que o professor entrou na classe, Jensen entrou tambem. Seus passos eram incertos, e seus olhos estavam perdidos novamente. Jared sabia que algo havia acontecido.
Jensen foi sentar-se no fundo da sala, sozinho, e o lugar que Jared havia guardado para ele continuou vazio. Tirou os cadernos de dentro da mochila, colocou-os em cima da mesa e esfregou os olhos, tentando manter-se acordado e ouvir o que o professor de matemática estava começando a explicar. No entanto, estava sendo uma tarefa dificil. Depois de passar a noite toda em claro, as coisas não ficavam tão faceis assim. Era dificil ate mesmo segurar a caneta, e o sono, o cansaço e a dor falavam mais alto.
Parecia que tinha sido atropelado por um trator. Nem se lembrava bem do que havia acontecido depois que desmaiou... mas lembrou-se que acordou em pessimo estado e com dores impossiveis de deixá-lo dormir. Talvez, se Roger estivesse fora naquela tarde, pudesse dormir e estudar um pouco. Precisava apenas se concentrar na materia, esquecer o sono e a dor... e principalmente, esquecer Jared, que volta e meia olhava para trás sem entender coisa alguma.
Talvez fosse melhor manter a distância. Evitar que ele fosse envolvido em algo tão ruim. Quando Jensen começava a achar que as coisas iam bem, tudo piorava... e de modo algum queria que Jared se machucasse nessa historia dele. O melhor agora, era deixar a poeira baixar.
- Jen!
Jared apertou o passo, visto que o loiro já estava do outro lado da rua, cabisbaixo e andando mais rapido do que o habitual.
- Jensen! Espera!
Jared correu para alcançá-lo. Tocou em seu ombro, mas Jensen se afastou abruptamente, num sobressalto. As coisas estavam ficando piores. Com certeza havia acontecido algo.
- Jen... por favor...
- Meu pai sabe... sobre você... - Jensen sussurrou, continuando a caminhar. - Ele não quer que eu te veja, Jared... e eu acho que pode ser melhor assim. Não quero que te aconteça nada.
- Ele sabe sobre a gente?...
- Não... mas ele sabe que você prefere garotos. Alguém pode ter visto a gente e não ter me reconhecido talvez... se meu pai souber, não vai ser bom... e pode sobrar pra você.
- E a gente? Jen... e a gente? Eu gosto muito de você... você tambem gosta de mim. Nós haviamos decidido que passariamos por isso juntos, não foi?... vamos deixar tudo assim agora? O que ele fez com você hein? Me diz... ele machucou você de novo?
- Isso não importa... - Jensen sacudiu a cabeça.
- Importa sim! Pra mim importa! - Jared cortou. - Não está certo que isso continue acontecendo... Jen, por favor. Não desista da gente... não por isso... eu quero você comigo. Nós vamos sair juntos... você vai sair daqui... eu vou levar você comigo...
- Ele não vai me deixar sair, Jared... ele não vai... - As lagrimas começaram a escorrer. Chorar estava virando um habito na vida de Jensen, e não era de hoje.
- Ele não tem que deixar... você simplesmente vai sair. Mas não pode me deixar fora de sua vida... eu estou aqui pra ajudar você tambem... não me tire da sua vida...
- Se meu pai descobrir, Jared, as coisas podem ficar muito feias... ele não vai mais me deixar ficar saindo...
- Ainda podemos nos ver na escola, e na oficina. - Jared ofereceu. - Só até esse ano acabar, Jen... nos vamos pra universidade... e vamos juntos. E ai tudo vai estar acabado. Eu prometo pra você... tudo bem. Não quero colocar você em nenhum risco. Não vou aparecer na sua casa de surpresa, não vamos extrapolar... mas não me tire da sua vida... ok? Eu tambem preciso de você pra me sentir feliz. E ver você sofrer tanto sem nem ao menos poder te oferecer um beijo, um abraço... seria demais pra mim. Eu não iria conseguir.
Jensen pensou por alguns instantes, e assentiu. Tambem precisava de Jared, e muito. Além do que, havia aprendido a amá-lo de um jeito mais do que especial.
- Você vai trabalhar hoje? - Jared perguntou, procurando os olhos dele.
- Não... eu... vou tirar o dia pra descansar um pouco. Vou passar pra avisar o Jim... mas não vou ficar.
- Tudo bem... vá pra casa, Jen... eu passo lá e aviso a ele que você não vai poder ir hoje. Acho que você esta precisando mesmo dormir. A gente se vê amanha... e dai passamos um tempo juntos la na oficina, ok?
Jensen assentiu. Estava mesmo muito cansado. Jared era mesmo mais do que ele podia ter esperado conseguir na sua vida.
- Até amanha. - Jensen tentou dar um sorriso, mas falhou completamente. Jared retribuiu com um sorriso um tanto triste, e seguiu pelo caminho oposto. As coisas estavam cada hora mais caminhando para um ponto crítico.
- Você não devia estar no trabalho agora? - Roger indagou assim que viu o filho entrar em casa bem mais cedo do que o previsto.
- Eu devia, mas não vou hoje... preciso descansar um pouco e depois estudar matemática.
- Não se esqueça de que eu quero o jantar pronto mais cedo hoje... - Roger abriu o jornal. - Então não perca a hora.
Jensen suspirou. Ele era um empregado? Aquilo estava lhe dando nos nervos... estava dolorido, cansado, machucado, precisando colocar em dia o estudo que não havia aproveitado na escola por conta da surra do dia anterior. Fora todas as outras surras. Não estava certo.
- Será que hoje não pode fazer o jantar sozinho? Eu estou mesmo cansado...
- Como é? - Roger fez como se não houvesse entendido e fechou o jornal. - Garoto, essa é sua obrigação. Se está cansado ou não, problema é seu. Não perguntei isso a você.
- Certo, mas... eu faço o jantar todos os dias. Só estou pedindo se hoje podia me deixar descansar e estudar... você sempre deixava o Josh estudando, dormindo, saindo...
Roger deu uma risada sarcastica. Não acreditava que Jensen continuava naquilo.
- Pare de se comparar com Josh. - O pai falou, num tom que implicava superioridade.
- Só não entendo porque ele sempre teve todas as regalias. Você não batia nele. Você não fazia ele trabalhar em casa todo o tempo.
- Já disse pra não se comparar com Josh. Vocês são duas pessoas diferentes. - O tom de Roger estava perigosamente mudando.
- Eu só quero entender. - Jensen prosseguiu. A cada hora compreendia menos todo aquele odio que seu pai demonstrava por ele. - Eu sempre fui bom pro senhor... sempre tentei agradar... mas não ganho nada alem de pancada e proibições.
- Acho que você devia calar sua boca e ir pro seu quarto.
- O que tem de errado comigo? - Jensen indagou. - Eu quero saber!
Roger ficou em silencio alguns intantes. Jensen o olhava com um jeito um tanto altivo, e isso o estava incomodando. De modo algum podia deixar aquele pirralho lhe olhar assim... de modo algum...
O tapa que Jensen tomou, dessa vez, não fez com que se afastasse nem um centimetro. As lagrimas cairam sim, mas ele mantinha o olhar fixo no rosto de seu pai, esperando por uma resposta. Não queria mais que as coisas fossem assim. Ou pelo menos queria entender o que havia de errado com ele.
- Você não tem direito de me exigir nada. - Roger gritou. - E já devia se dar por agradecido de ainda morar aqui.
- Tenho direito de morar aqui.
- Não, você não tem! - A voz de Roger se elevou de novo. - E saiba você, seu moleque filho da puta, que você só mora aqui porque eu tenho ainda muita pena de você. Mas isso pode mudar se você continuar me desafiando desse jeito.
- Teria coragem de jogar seu próprio filho na rua? - Jensen não acreditava no que estava ouvindo.
Roger se aproximou perigosamente dele, e Jensen achou que viria outro tapa. No entanto, não foi isso que aconteceu. O golpe, no entanto, foi muito maior.
- Você não é meu filho. - Roger falou, seu tom áspero, frio. - Você não passa do resultado de uma aventurazinha da sua mae, e que eu tenho que carregar como uma cruz agora... você me causou muita dor Jensen... muita... e você pode ter certeza que vai pagar por tudo... tudo o que me fez sentir desde o dia em que eu soube que você não era legitimo. Você vai... vai pagar...
Os olhos de Jensen se arregalaram. As coisas começavam a se encaixar... tudo começava a fazer sentido... e uma vez mais, ele foi sucumbido pelo odio de Roger, e sabia que a noite mais infernal de todas estava para começar.
Continua...
N/A: Uau, bati meu recorde de demorar pra postar, mas aqui esta o capitulo! Ando muito ocupada com a faculdade, e pra completar, o bloqueio não ajuda em nada... mas de qualquer modo, agora nas férias espero ter tempo para terminar essa fic e continuar a tradução da outra, e tambem postar mais capitulos de Everything but You. A quem esta acompanhando, saiba que não parei com as fanfics, só ando meio ocupada mesmo. Bom resto de semana pra todos, e até o próximo!
