CAPÍTULO 10 - Animal de estimação.
Depois de todos os acontecimentos da manhã, a única coisa que Sara gostaria era de se enfiar na cama e não sair dela até aquele pesadelo terminar. Mas a realidade não espera e ao meio dia seu estômago roncava de fome. Resolveu então voltar ao bosque para procurar o que comer. Não agüentava mais frutas mas sem limpar o fogão seria com elas que teria que se virar.
Após comer algumas embaixo das árvores, descobriu algumas mudas ainda em desenvolvimento. Retirou-as delicadamente da terra e acondicionou-as no cesto que trouxera. Já ia voltar quando ouviu um guincho de sofrimento. Apurou os ouvidos e esperou; novamente o som. Seguiu-o disfarçadamente e se deparou com um pequeno burrico que gemia às margens do riacho.
- Oh, coitadinho, o que houve? - Perguntava a garota se aproximando. O animal olhou-a amedrontado encolhendo-se, permitindo-a ver que havia uma flecha fincada em seu flanco. - Que maldade! Quem foi o bruto que te fez isso?
Chegou o mais perto que podia e tocou ternamente a crina do bicho. Este sacudiu a cabeça para espantá-la mas aos poucos foi cedendo ao carinho que lhe era oferecido. Quando sentiu que estava totalmente entregue a brasileira verificou o ferimento. A seta não perfurara muito fundo mas deveria estar doendo. Num movimento rápido puxou-a dali, ganhando quase um coice de volta.
- Hei, calma, isso lá é jeito de agradecer? - Sorriu alisando o animal. - Vamos ver se consegue se levantar. - Com algum esforço o burrico pôs-se de pé, as patas tremendo. - Pobrezinho, deve estar faminto... Vamos comigo que eu cuido de você.
Ela retirou o cordão que amarrava a camisa de treino e fez uma coleira, colocando-a no pescoço do animal. Então, conduziu-o até o templo de Libra. Ao chegar acomodou-o num velho barraco ao lado do terreno abandonado e voltou à floresta, recolhendo o cesto com as mudas que lá deixara e colhendo mais frutas. De volta à casa deu várias maçãs ao bichinho, que comeu avidamente. Porém, o ferimento ainda doía visto que ele se contorcia sem parar. Resolveu então pedir um remédio ao vizinho Sagitário.
Correu escadas acima e bateu palmas à porta:
- Oi, alguém em casa? - Imediatamente seu colega apareceu e olhou-a surpreso.
"De cabelos soltos é ainda mais parecido com uma garota", pensava Rickertt. E disse:
- O que gostaria, soldado?
- Rickertt, aqui não é um exército. - Ele respondeu com um olhar muito feio. - Será que você ou seu mestre têm umas ervas medicinais e uns panos que possam me arrumar?
- Ora, mas para que quer isso, jovem Daniel? - Perguntou Aioros que chegava.
- Eu achei um animal ferido na floresta e gostaria de cuidar dele.
- Hum, gesto nobre. Infelizmente eu não posso dar-lhe. Lembra o que seu mestre disse?
- Sim... - Murmurou a morena contrariada.
- Mas você pode fazer por merecer. Treine com meu pupilo hoje à tarde e ganhará todo o remédio que quiser. - Disse o cavaleiro sorrindo. Seu aluno porém olhou-o incrédulo.
- Mas mestre, ele é um fraco! Não luto contra fracos.
- Ele não é fraco. Aqui vocês são todos iguais, Rick. Lutará com ele das três da tarde até o pôr do sol. Sabe onde é o campo de treinos, Daniel? - Ele maneou a cabeça em negativa. - Então quando forem, meu aluno o guiará. Agora venha pegar as ervas. - Disse entrando no templo.
Sara seguiu-o e minutos depois saía de lá com uma bacia de plantas, além de retalhos e gazes. Foi ao barraco e limpou a ferida do burrico, aplicando as ervas e enfaixando bem o local. Estava feliz mas o mesmo tempo apreensiva. Sobreviveria a um treino com o alemão?
