Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens são propriedade de Kurumada, Toei, etc. E por favor, ignorem as alterações e inconsistências que apareçam nas mitologias usadas, é que eu vou mudar algumas coisas mesmo XD

Capítulo 16 – Confronto nos céus

O belo palácio da cidade dos elfos encontrava-se mergulhado em tristeza e apreensão. O rei Shion passava grande parte de seus dias trancado em sua torre, concentrado, tentando contato com seu irmão, mas, a cada dia que passava se tornava mais difícil conseguir fazê-lo. Havia alguma influência de fora, alguém que impedia que a telepatia fosse usada com perfeição. E o rei dos elfos estava ainda mais preocupado do que o que se poderia esperar, pois sentia que, nos breves momentos em que conseguia conversar com Mu telepaticamente, este acabava escondendo algumas coisas e não lhe dizia exatamente o que estava acontecendo naquela viagem perigosa que tivera de fazer.

A aflição do rei aumentou ainda mais após uma visão que teve certa noite, onde pode enxergar seu irmão imerso em desespero, segurando uma pessoa muito ferida em seus braços. Shion entendeu que Mu devia estar em perigo e, naquele momento, tomou uma decisão que sabia ser insensata, mas seu coração não sossegaria se não fizesse aquilo que pretendia. Iria procurar pela aldeia dos druidas e tentaria descobrir para onde seu irmão fora. Se necessário iria procurar por Mu. Era seu dever como irmão mais velho.

Os ministros e o conselho da cidade tentaram convence-lo a não partir, que seria arriscado e que os elfos não poderiam ficar sem seu rei, mas não adiantou. Naquela mesma noite, após escolher um de seus ministros para atuar como regente durante sua ausência, Shion saiu em busca da aldeia dos druidas.


Apesar de nunca a terem encontrado antes, os garotos puderam ver que a expressão no rosto da estranha garota que os atacava era de puro ódio. Ela mal deu tempo para que qualquer um dos ocupantes do navio tivesse alguma reação, lançou logo um feitiço que fez com que surgissem do nada mais dois dragões enormes e ferozes. Ao comando da jovem, as criaturas arremessavam-se contra o navio e cuspiam fogo. Logo haviam destruído as velas e danificado algumas partes da estrutura da embarcação.

Miro manejava o timão com firmeza, tentando desviar-se dos ataques e manter o navio no ar apesar dos danos que este sofrera, mas não tinha experiência em navegação ou força suficiente para fazer as manobras necessárias. Com a ajuda de Camus e de Aioria conseguiu, com alguma dificuldade, projetar o navio em direção ao chão e mergulharam, voltando a subir e acelerando em seguida. A manobra serviu para se desvencilharem dos dragões por algum tempo, mas logo foram alcançados novamente.

Mu percebeu que não poderiam continuar daquele jeito por muito tempo, então disse para os outros:

- Miro, Camus, Aioriavocês tentam manter o navio no ar, que eu e o Shaka vamos tentar deter aquela louca, está bem?

- Não sei se vamos agüentar por muito tempo, então vocês precisam conseguir uma boa distância dela de alguma maneira – Shaka continuou.

- Não é melhor eu tentar ajudar vocês lá fora? – Perguntou Aioria em dúvida.

- Acho que não, está difícil manter o navio estável, eles precisam da sua ajuda aqui – o elfo disse, conclusivo.

Mu e Shaka se afastaram dos outros e foram para a popa da embarcação, prontos para enfrentar a garota que os atacava. Mas, antes de lançar qualquer feitiço, o elfo ainda pediu:

- Vá embora, por favor, e nos deixe em paz, caso contrário teremos de atacá-la também!

- Lamento alteza, mas eu não temo nenhuma ameaça que possa me fazer, e além disso eu tenho uma missão, que eu devo e quero cumprir de qualquer maneira! Mesmo que não fossem ordens de meu mestre eu viria aqui acabar com vocês, pelo que fizeram a ele...

- Pelo que fizemos a quem? – Mu tentou perguntar, mas não houve tempo. A garota conjurou um feitiço que fez com que rajadas de fogo surgissem e se chocassem contra o navio. Os dragões também atacavam com mais fúria que antes, fazendo com que o navio perdesse estabilidade.

Shaka ia convocar algum espírito, mas nem teve tempo de recitar o encantamento, pois Mu ergueu com sua magia uma barreira ao redor do navio todo, diminuindo o impacto dos ataques.

- Eu não vou conseguir segurar por muito tempo, Anjo. Você precisa atacar agora! – disse o elfo, concentrado em manter a barreira firme.

Shaka concordou e logo fez um encantamento que feriu o dragão que servia como montaria para a garota. O animal perdeu as forças e não conseguiu mais se sustentar no céu.

A jovem despencou junto com a criatura, mas não chegou a se chocar contra o chão, pois conseguiu convocar outro dragão que impediu a sua queda. O ataque do druida serviu para deixá-la ainda mais furiosa, e os ataques aos garotos se tornaram mais violentos que antes. Mu continuou bloqueando todas as investidas com sua magia, mas Shaka percebeu que isso o estava cansando muito. O loiro decidiu então lançar um ataque que acabaria de vez com aquilo.

Com muito esforço invocou um poderosíssimo espírito do vento, que conseguiu aprisionar a garota em uma espécie de ciclone. A jovem começou a ficar sem ar dentro da tempestade, mas, antes de cair inconsciente, conseguiu lançar um feitiço que fez com que diversas flechas de fogo fossem atiradas contra os dois garotos.

Infelizmente, a magia de Mu falhou nessa hora e a barreira que protegia o navio desapareceu. O elfo estava atordoado, sem forças e teria sido atingido se Shaka não tivesse se jogado por cima dele, recebendo o impacto em seu lugar.

Tudo aconteceu em uma fração de segundo. Houve um clarão e Shaka caiu, inerte, nos braços de Mu. Haviam marcas de queimaduras pelo corpo do druida. Apesar de estar exausto, Mu ergueu-se, segurando Shaka em seus braços, disposto a acabar com aquela insana que se atreveu a ferir seu adorado druida daquela maneira, mas nem a menina nem os dragões podiam mais ser vistos em parte alguma.

O elfo deixou-se ficar no convés, chamando desesperadamente pelo nome do loiro que não acordava.

Com o fim dos ataques os outros garotos conseguiram estabilizar o navio. Camus correu em direção ao príncipe, preocupado, querendo saber como eles estavam e também para avisar que precisariam "pousar" o navio pois o mastro estava danificado e as velas praticamente não existiam. Mas, ao se aproximar, deparou-se com Shaka ferido, segurado por Mu.

- O que aconteceu, Alteza? – perguntou preocupado o elfo de cabelos verdes – Ele...Ele está vivo, não está?

- Está Camus, mas eu não sei...Acho que ele se machucou demais, não sei se vai agüentar muito tempo.

Mu se controlava para não chorar ou entrar em desespero. Não poderia fraquejar naquele momento, não quando Shaka, que sempre se preocupava tanto com ele, precisava de sua ajuda. Mas não havia nada que pudesse fazer, não tinha idéia de qual tipo de magia poderia ajudar, pois não sabia exatamente como funcionava o feitiço que atingiu o loiro. Se usasse o feitiço errado poderia até prejudicar mais ainda o estado de Shaka.

O príncipe elfo amaldiçoou-se por ter exposto seu amado a tanto perigo, por não ter conseguido protegê-lo. E pôs-se a rezar fervorosamente para os deuses do povo de Shaka, aqueles deuses que conhecia tão pouco, suplicando-lhes que salvassem a vida do loiro. Foi quando uma voz feminina, desconhecida, fez-se ouvir:

- Que encantador! Um elfo rezando para os Danaan! Nunca imaginei que fosse ver algo tão...exótico! Deve ter uma fé muito grande ou estar realmente desesperado, hein menininho?

Mu e Camus olharam para a direção de onde vinha a voz e viram uma mulher já adulta e muito bela, com um olhar profundo, a pele levemente queimada pelo sol e longos cabelos negros. Os dois elfos prepararam-se para atacar, mas, ao ver o que pretendiam os garotos, a mulher simplesmente riu e disse:

- Como são ariscos! Se bem que tem razões para tal, pois pelo visto acabaram de sofrer um ataque. Mas não devem temer ou se preocupar, estou aqui seguindo ordens de Scathach.

- A senhora então conhece Scatha? – Mu perguntou e a mulher assentiu com a cabeça – mas...quem é você e por que ela a mandou justamente agora e não antes? Já a estamos procurando faz um bom tempo.

- Bem, Sua Alteza, príncipe dos elfos – a mulher falou com um tom levemente divertido – Eu sou Uacthach, filha da senhora Scathach. As notícias sobre sua jornada e propósito acabaram chegando até a longínqua ilha de Skye e minha mãe ficou...curiosa. Claro, ela considera justos os seus motivos, mas não tinha certeza de que eram valorosos. Por isso me mandou que os observasse até que eu tivesse certeza de que seriam aprendizes dignos dela e, caso o fossem, que os levasse até nossa casa. Então, nos apressemos menininhos. Quero terminar isso ainda hoje. E o druida também precisa de cuidados o mais cedo possível.


Olá! Faz um bom tempo hein?!

Eu ia postar dois capítulos juntos porque o final desse é muito súbito, mas ia demorar demais porque ainda uma ceninha no próximo, e como eu já não atualizo a história faz tempo eu achei melhor colocar esse logo antes de voltar as aulas. Me desculpem pela demora e por qualquer coisa que esteja ruim ok, cenas de luta são difíceis demais...

Obrigada a todos que estão lendo e a quem deixou reviews!

Um abraço para todos e até o próximo capítulo!

Lyta