DISCLAIMER: NCIS LA e seus personagens não me pertencem. Apenas alguns personagens originais desta fanfic são realmente meus.

NCIS LA and characters are not mine. Just a few original characters from this fanfic are actually mine.

NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA

Pela segunda vez em pouco tempo viu-se num limbo entre a escuridão e a claridade. Sentia uma dor de cabeça dos infernos. Infelizmente dessa vez ele lembrava-se o que tinha acontecido. Queria que tudo não passasse de um pesadelo, que acordasse em sua cama num domingo ensolarado, com Monty para brincar e o oceano para acalmar.

Nada disso aconteceria. Alguma coisa dentro de si gritava que tudo daria muito, muito errado. E o que faria? Continuaria de olhos fechados, talvez caindo novamente na inconsciência para não encarar a realidade? Não. Evitar o que aconteceu, durante toda a sua vida, foi muito mais difícil do que enfrentar as dificuldades.

Abriu os olhos devagar, acostumando-se com o ambiente agora muito mais claro. Piscou algumas vezes, movendo a cabeça devagar. Ergueu o rosto e percebeu que não estava mais no quarto aonde acordou da primeira vez. Também não estava deitado ou livre.

Estava numa cadeira, daquelas usadas em consultórios onde era possível recostar o paciente. Ele mesmo percebeu estar nesta posição; quase deitado. Pulsos, cotovelos e joelhos presos pelas mesmas restrições usadas em hospitais. Tentou soltar-se no mesmo instante, obviamente não obtendo sucesso.

Havia uma porta de metal logo à sua frente. Ele não teve tempo de chamar ninguém, porque ela logo se abriu. Quem entrou primeiro foi Demyan, uma das mãos em um bolso do sobretudo e a outra carregando uma pequena maleta preta. Seu olhar estava dividido entre triste e ansioso.

- Vybachte, miy syn. Desculpe, meu filho. Foi necessário. Mas antes de conversarmos, você precisa de...vykup. Uma redenção.

Demyan apontou para a porta aberta, e logo o homem que o golpeou foi empurrado para dentro da sala. Atrás dele vinha outro cara, praticamente colando uma arma nas costas do primeiro.

Deeks reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. O rosto estava diferente, tinha bem menos cabelos...mas o monstro nunca poderia esconder a maldade que escapava daquelas orbes escurecidas por anos de abusos cometidos contra si e, principalmente, contra os outros. Mais do que psicopatia; ali residia a pura e simples maldade.

- Como você pode estar vivo?! Isso não é possível, só pode ser um pesadelo...

- Eu também não estou pulando de alegria em te ver, pirralho.

BAM. um soco que chegou a ecoar na sala e ele virou-se, quase caindo. O golpe desferido por Demyan foi tal que arrancou sangue. O homem alto e de ombros largos enganava muito bem; ninguém diria que ele poderia ser tão forte. Ele pegou o homem pelo pescoço, arrastando-o para perto de Deeks.

- Você feriu o meu filho. Seja educado e peça perdão. Agora.

- Ele Tinha jogado você no chão!

- Eu não estou falando somente de ontem, inútil! Estou falando dos anos e anos de gritos, e ameaças, e surras, e da espingarda que você! VOCÊ apontou para o meu ÚNICO filho! Alguém que eu jurei amar e proteger e que uma vadia tirou de mim!

- Nunca...NUNCA...fale assim da minha mãe.

A voz de Deeks saiu entre dentes. Ele tinha um brilho diferente no olhar; sempre acontecia quando alguém cometia a audácia de ferir seus entes queridos. Não são muitos. Dá pra contar nos dedos. Mas ele os valorizava como tesouros preciosos.

O soviético reconheceu aquele brilho, porque ele próprio sempre o teve. Perdeu todas as pessoas que um dia prezou; agora só tinha Dmitri. E nunca mais o perderia. E agora o admirava ainda mais. Ele seria perfeito. O filho perfeito.

O soldado perfeito.

- Você acha que sua mãe fez o certo em tirá-lo de mim, Dmitri. Eu entendo, você a defendeu a vida toda. É um hábito. Mas isso precisa mudar. Esse seu passado precisa sumir. Começando por agora.

Ele apertou com ainda mais força o pescoço de Gordon, fazendo-o ajoelhar-se. Olhou para o comparsa que estava armado e apenas acenou com a cabeça; ele aproximou-se e apontou a pistola para a cabeça do homem subjugado.

- Peça...perdão.

Deeks olhava fixamente para ele. Pela primeira vez na vida, viu algo além de ódio nos olhos do homem que sempre teve como pai; viu o medo. Negou com a cabeça algumas vezes, tentando fazê-lo teimar, não dizer nada, manter aquele estúpido orgulho que o seguiu por toda a vida.

Mas não adiantou. Gordon apenas olhou para Deeks, e sua voz saiu apenas num murmúrio do seu último exalar de vida.

- Marty...me perdoe...

Não houve estrondo. Não houve barulho ensurdecedor. Apenas o brevíssimo som de dispado saído de um disparo com silenciador. Gordon John Brandel caiu num baque surdo, um buraco bem no meio da cabeça, o sangue manchando a sala imaculada.

O mundo de Marty perdeu o som. Apenas sua respiração chegava a seus ouvidos - um lembrete de que ele estava vivo, apesar do pesadelo que vivia naquele momento. Os olhos arregalados, o peito arfando como se ele estivesse se afogando. Apesar de tudo, ele não desejava a morte de Brandel. Queria que ele pagasse na cadeia por todos os crimes cometidos. Que ele conseguisse se recuperar. Que um dia - quem sabe? - Tivessem a relação de pai e filho com a qual Marty sempre sonhou.

Duas singelas lágrimas caíram, uma de cada orbe. Aos poucos os sons voltaram. Zíper sendo aberto. Demyan tirando um frasquinho e uma seringa com agulha de dentro da pequena bolsa. O comparsa arrastando uma mesinha e cadeira para perto de Deeks. Demyan sentando-se nela. Deixando seringa e frasco na mesa e pegando dela algodão e álcool.

- Eu sempre quis várias coisas nesta vida, Dmitri. Quis ser um médico bem-sucedido. Quis apoiar a causa da grande União Soviética. Quis um amor para compartilhar tudo isso, assim como minha mãe e meu pai. Quis filhos. Mas acima de tudo, eu quis o controle. De tudo. De todos. Por isso...me tornei neurocirurgião.

Ele molhou o algodão com o álcool e, em seguida, o passou gentilmente no pescoço de Deeks. O detetive sentiu o líquido gelado entrar em contato com sua pele e mexeu-se com violência, tentando livrar-se daquela insanidade toda.

- Shhh...se não ficar quieto, eu vou te machucar. E eu não quero isso. Sabe, você já deve ter ouvido isso antes, mas tem os olhos da sua mãe. Sempre foram a parte que mais amei nela. Vão perder um pouco desse brilho, mas eu garanto, meu filho: é por uma boa causa.

Deeks então viu o soviético pegar o frasco e espetar a agulha nele. Logo a seringa ficou pela metade com um líquido transparente e sem cheiro algum. O capanga que matou Brandel aproximou-se, guardando a arma e segurando a cabeça do detetive de lado, assim o pescoço ficou exposto. Claro que ele tentou lutar. Preso da forma que estava, no entanto, não conseguia nada além mover muito pouco os braços e as pernas.

- Para com isso! Radivilov, não faz isso! Você não precisa fazer isso!

Demyan não deu ouvidos. Ele aproximou-se novamente e, sem pressa, injetou o líquido no local desinfetado. Deeks sentiu uma onda de calor interminável varrer todo o seu corpo, como se pegasse fogo. Cerrou os dentes e sentiu arrepios na espinha. Logo essa onda de calor passou para sua cabeça e ele gritou. Depois ficou em silêncio. Seus olhos reviraram e ele sentiu a consciência deixar o corpo. Só que não completamente.

As imagens das pessoas que conhecia e prezava viraram meros borrões em sua mente. Lentamente apagadas, como desenhos feitos em giz de cera. Sua mãe, Hetty, Callen, Sam, Nell, Eric...

A última a sumir foi a que ele mais amava. A que nunca teve chance de dizer tudo o que sentia. A que voz sua chamou num tom baixo de desespero. De despedida.

- Kensi...

E então aqueles olhos azuis-cobalto tão vivos e fantásticos aos poucos perderam o brilho. Seu corpo, antes lutando contra a toxina, finalmente deixou-se relaxar. Os punhos que estavam fechados com força...abriram-se. Sua respiração, antes urgente e apressada, acalmou-se e ficou profunda.

Demyan acompanhou todo o processo sentado na cadeira. Observava cada aspecto de transformação que seu soro proporcionava ao corpo humano. Ao corpo de seu filho. Passado o tempo exato, ele soltou as correias que prendiam Deeks. Acariciou seus cabelos e o chamou pelo nome de nascimento.

- Dmitri Radivilov. Olhe para mim.

E o rapaz virou-se, atendendo pelo nome sem protestar. Sentou-se reto e permaneceu impassível, como um boneco sem vida.

- Miy syn...meu filho!

Totalmente levado pela loucura, Demyan abraçou o filho com força. O detetive, dominado pelo soro e pela vontade de Demyan, manteve-se imóvel. Apenas uma frase gélida e sem emoção chegou aos ouvidos do soviético.

- Papa...YA hotovyy. Papai...estou pronto.

Naquele momento não existia mais Marty Deeks.

Dmitri Radivilov havia renascido.