'Faz dois dias que não o vejo, e parece que cada vez dói mais aqui dentro...'

Estava sentado sobre uma pedra, próximo ao grande portão da instituição. Os carros passavam frenéticos pela avenida, fazendo sua ansiedade aumentar.

'Por que toda vez que estamos distantes acontecem coisas tão ruins?'

Deu uma ultima tragada no pequeno toco de cigarro que tinha entre os dedos, e amassou na grama ao lado.

'Eu só queria te abraçar agora. '

Ajeitou a bituca junto a outras, formando o ultimo T da palavra. Dois dias, e havia fumado aquele tanto, seriam... Dois maços. Olhou a obra de 'arte' que havia feito. Mello no mínimo iria brigar por ele ter fumado tudo aquilo, mas no fundo ia gostar. Pegou a câmera fotográfica meio antiga, que havia ganhado de aniversario no ano passado e registrou o 'Mello 3 Matt' que havia feito de bitucas de cigarro. Sorriu, mesmo não tendo motivos para aquilo, e guardou a câmera no bolso da calça. Balançou a caixinha de cigarros, percebendo que havia um único cigarro. Quando estava prestes a abrir a caixa... Ouviu uma buzina. Direcionou o olhar para o portão; era o carro que havia saído de a dois dias atrás, com Near e Mello. Correu em direção, até que o carro estacionou em frente à porta do orfanato.

'... Será que ele já sabe do acidente?'

O ruivo tirou os óculos, pra avistar o amigo dentro do carro, mas o Insufilm era escuro demais. Afastou-se, ao ver a porta abrir, tentando ver se Mello estava lá.

Near desceu e o motorista fechou a porta, deixando as malas do garoto ali, e dando a volta com o carro, estacionou na garagem.

Matt ficou observando o albino, que estava com alguns curativos, às bochechas mais rosadas que o normal. Percebendo que Near também o olhava, com aquela face sem sentimento de sempre, mas com um ar triste... Matt perguntou sem hesitar.

- Cadê o Mello?

Near desviou o olhar, fitando sua mão esquerda que estava fechada, segurando um cordão, e voltou a olhar para o ruivo e notando seus olhos marejados de lagrimas.

- Matt... O Mello, ele...

Matt se aproximou bruscamente, tentando não deixar escapar uma lagrima sequer. Odiava esses suspenses, ficava mais nervoso que o normal.

- Fala de uma vez!

- Ele fugiu... Matt.

O ruivo piscou demoradamente.

- Você ta brincando né? Quem deixou?

- Não estou brincando... Não deu pra prever, eu estava no banho quando ele recebeu a ligação.

Matt estava pálido. Fazia um dia que Mello havia fugido... E ele não sabia. Não sabia de nada. Mello sequer o avisou. Sentiu uma pontada de preocupação.

' Onde será que ele foi? Será que está machucado? Será que esta bem? Com quem ele tá? '

O ruivo sentiu uma tontura, mas logo se recompôs. A primeira idéia que teve era fugir, sair correndo, ir atrás do loiro enquanto o portão estava aberto. Deu as costas para o albino e colocou seus óculos, já pronto pra correr. Foi quando ouviu seu nome.

- Matt, espera.

O ruivo virou-se para o pequeno Near. Fitou sua mão estendida e fechada, como se quisesse dar algo. Rapidamente, Matt levou uma das suas mãos aberta até a de Near, que soltou um cordão um tanto pesado, com um crucifixo. O crucifixo de Mello.

- Acho que isso deveria ficar com você... Ele iria odiar se soubesse que esta comigo.

Matt olhou para Near, que desviou o olhar. Quis perguntar onde ele achou, mas ignorou. Apertou o crucifixo com força, e levou a mão até o bolso do colete. Sorriu, e passou a outra mão sobre os cabelos do pequeno.

- Obrigado, Near.

Afastou-se, correndo. Passou pelos guardas rapidamente, correndo com todas as suas forças. Nem sequer olhou pra trás, apenas correu. Correu até não poder mais. Olhou para o céu que já estava escuro e parou, apoiou-se em uma parede, tossindo sem parar.

- Droga... Cof cof...

Malditos cigarros. Continuou tossindo, até que teve ânsia e vomitou. Apoiou uma mão na parede, forçando. Queria que aquele sentimento de abandono e tristeza saísse junto com o resto de água que saiu do seu estomago. Não havia comido nada desde que Mello foi viajar. Não porque não queria, apenas não sentia fome. Respirou fundo, até que se lembrou dos guardas. Olhou pelo beco, e não avistou nenhum. Estava deserto, e um vento gelado cortava o ambiente. Levou uma mão até a testa, e cuspiu longe, tentando tirar aquele gosto ruim da boca. Tinha que achar um bar, um restaurante, estava morrendo de sede.

E esse beco pra ajudar, é escuro e não acaba. Onde fica o metro mesmo? Tenho que ir pra NY.

Levou as mãos até o bolso, tirando de lá sua carteira. Abriu e contou as poucas cédulas que tinha... 10 dólares. Aquilo não daria nem pra um hotel fuleira. Suspirou fundo. Pelo menos tenho grana pro metrô, e pra alguns cigarros. Sentiu pisar em uma poça de água. Tropeçou em alguma coisa. Xingando baixinho, se abaixou para dar uma olhada e ver o que era. Mas aquilo não tinha movimento. Aproximou-se, tirando os óculos para enxergar melhor.

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Há alguns dias não se falava mais com Lawliet. Lawliet sequer o procurou também. Sentavam distantes nas aulas, e a falta que o moreno fazia para Raito era... Horrível. Suspirou, fitando a lua no céu.

Raitooo nii-san!

Sayu correu em direção do rapaz que estava sentado em um dos bancos do jardim do bloco principal. Ele sorriu, demonstrando nenhuma emoção.

- Sayu, como vai?

Ele disse, enquanto dava um espaço para ela sentar.

- estou bem! Tenho algo pra te contar huhuh..

A moça disse sorridente, suspirando logo em seguida. Estava um tanto inquieta.

- Sayu, você está saindo com alguém?

Ela inclinou o corpo pro lado, batendo contra o de Yagami.

- Baka! Eu ia te falar disso ;3;

- Hahaha..

- você ta ficando cada vez mais esperto Nii-san...

Ela riu também, se divertindo com a maneira tão simples de Raito rir.

- mas então, Nii-san... já descobriu quem é ou vou ter que falar?

Raito direcionou sua atenção para Sayu, olhando em seus olhos. Cerrou as vistas e voltou-se para suas deduções.

- Deve ser algum amigo do papai.

- AHHH, baka baka baka!

Empurrou o irmão com força pro lado. Ele riu.

- Mas não arrisco o nome. Me diga quem é o sortudo !

- Matsuda Touta..

Raito cerrou os olhos. Estava cheio daquele rapaz. Não bastava Lawliet?!

- mas me diga, e Lawliet? Você não vai a New York amanha com o seu curso, visitar o QG lá?

Ela o observou. A expressão de Raito mudou rapidamente.

- Não sei Sayu... Talvez eu vá, vou pedir o carro de papai emprestado. E sobre Lawliet... Também não sei.

'Só de pensar que brigamos por besteira... Ele deve estar esperando eu ir me desculpar. Mas está equivocado. '

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'Matt saiu sem nada. Será que esta bem? Será que vai encontrar Mello?'

Os pensamentos do albino foram cortados por uma voz áspera.

- Então ele também fugiu?

- Não sei.

Respondeu Near, sem olhar nos olhos de Roger.

- Merda.

Roger falou rispidamente, pegando o telefone.

- Matt vai se arrepender de ter saído assim, sem pensar. Ainda mais pra ir atrás de Mello.

O homem voltou seus olhos para Near, enquanto discava.

- Você não caiu das escadas, Near. Você não me engana.

Near revirou os olhos.

- Roger-san, estas soando mais autoritário que o normal. Penso que isso não será bom, ainda mais após a morte de Watari.

Ainda sem olhar para Roger, Near suspirou. Odiava aquele clima, ainda mais sem Mello por perto. Estava preocupado. E queria tê-lo em seus braços mais uma vez.

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Autora Says;

Hum, tomara que alguém ainda leia isso oo Bueno... Deixem reviews onegai -. Se tiverem dicas ou sugestões, melhor... Reclamações também. Estou um pouco sem imaginação e essa historia ta ficando estranha, tenho que acabar logo isso ..'''