Ron&Hermione, Uma História

"Harry Potter e a Câmara dos Segredos"

Capítulo II – O desaparecimento

Harry, Ron e Hermione separaram-se dos Weasley e dos Granger e foram dar uma volta por Diagon-Al. Iam a conversar animadamente sobre o que tinham feito nas férias, quando Harry e Hermione sentiram que Ron tinha ficado para trás. Hermione virou-se para ver onde ele se tinha metido e, quando o viu, acenou negativamente com a cabeça.

"Ron olhava longamente para um conjunto completo de mantos do Chudley Cannon, nas montras do 'Equipamento de Qualidade para Quidditch' até Hermione o arrastar dali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos."

-Francamente, Ronald! Nós estávamos a conversar e tu ficas especado a olhar para uns mantos idiotas! – censurou-o Hermione, enquanto procuravam as penas que queriam.

-Idiotas? Como é que te atreves a insultar os mantos do Chudley? – perguntou Ron, em estado de choque.

-Ai Ronald, não sejas infantil! É só uma equipa de Quidditch!

-SÓ? – gritou Ron, recebendo um olhar de aviso de Hermione – Eles são SÓ a melhor equipa de Quidditch de sempre!

-Bem, cada um tem os seus gostos… - disse Hermione, analisando as penas.

Ron bufou e afastou-se para ir buscar pergaminhos. Quando Harry e Hermione se aproximaram dele, viram os gémeos e o amigo, Lee Jordan, que estavam, certamente, a preparar alguma! Pouco depois, viram Percy "profundamente concentrado num pequenino livro, bastante chato, chamado 'Prefeitos que conquistam o poder'."

"Uma hora mais tarde dirigiram-se à Flourish and Blotts.". Uma grande confusão esperava-os na loja. As pessoas empurravam-se umas às outras, davam encontrões e pisadelas. Com grande esforço, os três conseguiram entrar na loja, respirando de alivio.

-Que grande confusão! Isto será tudo por causa dos livros escolares? – perguntou Ron, com uma pitada de ironia na voz.

-Não sejas idiota, Ronald, será que ainda não leste o que está naquele cartaz? – perguntou Hermione, apontando para um "cartaz que se estendia ao longo da montra superior.

Gilderoy Lockhart
Assinará exemplares da sua autobiografia
Eu, O Mágico
Hoje 12:30-16:30

-Vamos poder conhecê-lo! – gritou Hermione. – Quero dizer, ele escreveu quase todos os livros da nossa lista!"

Hermine virou a cara, fingindo estar a olhar a multidão que se empurrava para a frente de uma grande mesa cheia de livros com a cara de Gilderoy Lockhart na capa, pois sabia que estava muito corada. A verdade era que estava morta por conhecer aquele grande escritor, que tantas coisas inacreditáveis e surpreendentemente corajosas tinha realizado nas suas inúmeras viagens. Ela quase se atrevia a dizer que ele era o seu herói.

Os olhos de Hermione brilharam com grande intensidade quando Mrs Weasley apareceu, dizendo-os que o iam ver "dentro de um minuto.".

Ron analisava as reacções das pessoas à sua volta, na grande maioria mulheres. Estas davam gritinhos histéricos, enquanto agarravam com força livros daquele, aparentemente, conhecido autor contra o peito. Chegou até a ver algumas senhoras a darem pequenos pulinhos de excitação. Mas o que será que este homem tem de tão especial?, pensava Ron, enquanto olhava para a mãe e para a irmã, que estavam completamente embevecidas a olhar para o homem que tinha acabado de entrar.

Ron achou o homem desprezível, se fosse sincero. Não parava de sorrir, nem enquanto falava. Era convencido e arrogante, achando-se a pessoa mais corajosa, inteligente e perfeita do mundo. Quando falava de si próprio, Ron conseguia ver o brilho intenso nos seus olhos, o sorriso ainda mais rasgado e um orgulho exagerado na voz e nas palavras que utilizava.

Ron olhou para Harry e percebeu que o amigo partilhava da mesma opinião que ele, apenas com o olhar que trocaram, que dizia claramente "Mas quem é este idiota?".

Ron voltou o olhar ara Hermione, certo de que, também ela, estava a achar aquilo tudo um perfeito disparate. Mas enganou-se e quase ia caindo para trás quando viu Hermione com, provavelmente, o maior sorriso que ele já lhe vira. Ele tinha de admitir que era um sorriso radiante, capaz de iluminar aquele lugar. Só houve uma ocasião em que vira um sorriso parecido. Era estranho, agora que pensava nisso, pois a outra ocasião em que um sorriso tão sincero atravessou o rosto de Hermione, foi no ano anterior, quando ele acordou, depois de ter desmaiado ao cair do cavalo naquele jogo de xadrez.

Ron começou a sentir um arrepio estranhíssimo e abanou a cabeça, olhando para outro lado. E foi quando Lockhart deu pela presença de Harry Potter.

No fim do discurso de Lockhart, Harry, Ron, Hermione e Ginny tiveram um encontro desagradável. Malfoy estava diante deles, aborrecendo-os, como sempre. Mas, como não podia deixar de ser, Malfoy teve de insultar a família de Ron, e isso, ele não admitia.

"-Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo."

Foi demais para Ron. Ele não aguentou tanta humilhação e "avançou para Malfoy".

Hermione soltou um gritinho de surpresa e aflição, mas rapidamente se precipitou para a frente com Harry e os dois "agarraram-no pelas costas do casaco". Harry deu um puxão mais forte e Ron quase caiu para cima deles, mas Hermione agarrou-o a tempo.

Ron ainda lançava olhares mortais para Malfoy, quando Mr Weasley e Lucius Malfoy apareceram. Contudo, ele ainda conseguia sentir uma mão a agarrá-lo com força no casaco. Virou-se, para encontrar uma Hermione um pouco assustada a olhar para ele.

-O que tu quase fizeste foi uma parvoíce, Ronald! – disse Hermione, com o claro intuito de o censurar, mas falhando miseravelmente. – Podias ter-te magoado, seu idiota!

-Não sejas chata, Hermione, está tudo bem! E ele insultou a minha família, eu não admito isso!

Inconscientemente, Hermione agarrou o casaco dele com mais força. Ele tentou sorrir-lhe, mas de repente começaram a ouvir os gémeos a gritar "Chega-lhe, pai!" e Molly aos berros, extremamente assustada, "Não, Arthur, não."

Eles olharam para a confusão que se tinha instalado. Mr Weasley e Mr Malfoy estavam os dois numa briga. "Mr Weasley tinha um lábio cortado e Mr Malfoy fora agredido num olho por uma Enciclopédia de Cogumelos Venenosos" quando a briga acabou, porque o encarregado os separou, com grande dificuldade.

Hermione despediu-se de Harry e dos Weasley e seguiu com os pais, que iam muito nervosos e assustados com a cena que tinham acabado de presenciar.

-XXX-

No primeiro dia de Setembro, lá estava Hermione a despedir-se dos pais para começar mais um ano em Hogwarts.

-Filha, tem muito cuidado este ano, sim? – advertiu o pai.

-Se vires que vai haver confusão, afasta-te dela! – avisou-a a mãe.

Hermione apenas sorria e acenava afirmativamente com a cabeça.

-Bem, agora tenho de ir! Eu vou escrevendo, não se preocupem comigo! – disse Hermione, sorrindo-lhes.

-Os teus amigos? Não esperas por eles?

-Ah, eles já devem ter chegado. Se calhar já estão do outro lado da plataforma! Não se preocupem!

Hermione deu mais dois beijinhos aos pais e um abraço bem apertado a cada um e passou a plataforma nove e três quartos.

Olhou para todos os lados, mas não viu nem Harry nem sete cabeças extremamente ruivas. Decidiu esperar mais um bocado, mas faltavam dez minutos para as onze e ela decidiu ir arrumar a mala, junto a tantas outras. Esperou mais um pouco, mas eram dez e cinquenta e cinco. Começou a ficar intrigada. Entrou para o comboio e procurou rapidamente nas cabines. Quando faltava apenas dois minutos, ela estava mesmo a começar a ficar deveras assustada. Um minuto apenas e nem sinal do Harry e do Ron. O coração batia-lhe dolorosamente no peito, pensando no que lhes poderia ter acontecido. Pensando que eles podiam estar a precisar dela e ela ali, fechada num comboio que… Oh não!, pensou Hermione, o comboio começara a andar!

Decidiu que iria manter-se o mais calma possível e não pensar no pior. Se calhar, eles até estavam noutra cabine, talvez com Seamus, Dean e Neville.

Encorajada com este pensamento, levantou-se e foi procurá-los. Não demorou muito para os encontrar, três cabines à frente daquela onde ela estava.

-Olá. – ela disse, com a voz tremida ao perceber que os amigos não estavam ali.

-Olá, Hermione! Tudo bem? – saudou-a Seamus.

-Hum, acho que sim… Vocês por acaso não viram o Ron? Ou o Harry?

Eles olharam-na estranhamente, mas fizeram que não com a cabeça.

-Obrigada. Se os virem, digam que ando à procura deles, por favor.

-Claro! Até logo!

Ela saiu da cabine cada vez mais assustada e com aquele pensamento negativo a martelar-lhe na cabeça. Eles não tinham entrado no comboio. Eles não estavam a caminho de Hogwarts. Eles não iam conseguir voltar. Foi quando ouviu duas gargalhadas que ela conhecia. Correu apressada pelo comboio até chegar à cabine de onde vinham os risos.

-Hermione! – gritou George, preocupado que ela lhes fosse dar um sermão qualquer. – O que fazes aqui?

-O teu irmão? – ela quase gritou, tal eram os nervos.

-O Percy? Deve estar a ler qualquer coisa mesmo chata! – disse Fred, rindo de seguida.

-Claro que não é o Percy! – a voz saiu-lhe esganiçada. – Eu estou a falar do Ron!

Fred e George entreolharam-se e sorriram de lado. Olharam para ela e disseram ao mesmo tempo:

-Com saudades, é?

Ela corou tão violentamente que ficou da cor do cabelos dos dois gémeos à sua frente. Recompôs-se e reclamou:

-Não é nada disso, não sejam idiotas! Ele e o Harry não entraram no comboio!

-O QUÊ? Mas eles vinham mesmo atrás de nós.

-Nós já viemos atrasados, mas…

-Vocês estão a querer dizer que a plataforma se pode ter fechado antes de eles a conseguirem atravessar? – eles acenaram devagar com a cabeça.

Ela fechou a porta do compartimento e correu para o seu. Abriu a porta de rompante e olhou lá para dentro. Vazio, à excepção da sua mala de mão.

Respirou fundo várias vezes e tentou acalmar-se. Pensou que eles eram inteligente e iam arranjar uma forma de conseguir chegar até Hogwarts. Não conseguia suportar a ideia de que eles não iam passar aquele ano com ela. Os únicos amigos que ela fizera na vida, amigos verdadeiros, não aqueles que só se aproximavam por interesse, por ela ser inteligente e organizada, por ela saber fazer todos os trabalhos. Os seus únicos amigos sinceros e verdadeiros não iam estar com ela. Hermione não era egoísta. Ela não era, apenas queria os amigos com ela. Seria pedir muito? Ela achava que não.

Durante a viagem, ela quase nem reparou na Ginny, no Neville, no Seamus e no Dean entrarem lá e falarem com ela. Respondia com monossílabos, sempre com os pensamentos longe. Onde estariam eles? O que estariam a fazer neste momento? Será que foram eles mesmos que não quiseram voltar? Não, não podia ser, eles adoravam a escola. Mas o que teria acontecido? Porque Ginny, Fred, George e Percy estavam lá e eles não?

Ela não conseguia perceber.

Chegaram a Hogwarts. Ela ouviu o discurso habitual do director, a selecção dos alunos do primeiro ano e quase não conseguiu comer na refeição de boas-vindas.

O seu pensamento estava longe. Ou, se calhar, nem tão longe assim.

Gostaram do capitulo? Espero sinceramente que sim! Muito obrigada por todo o apoio! Continuem a deixar essas reviews lindas que me incentivam a continuar! Até ao próximo capitulo!