P.O.V ROB

Na terça-feira voltamos a nossa rotina sem Tom, eu já sentia falta dele, apesar de Kristen não admitir eu sabia que ela também sentia.

Nós estávamos deitados na cobertura do meu apartamento olhando as estrelas, nunca tínhamos ido ali desde que aluguei o apartamento e eu nem mesmo sei por que, já que era um lugar incrível.

- Quando você vai me levar para Londres? – Kristen perguntou depois de um bom tempo de silêncio.

- O que você quer fazer em Londres?

- Quero conhecer sua família, amigos, enfim, as pessoas que fazem parte da sua vida.

- Pra quê?

- Você conhece quase todas as pessoas que estão no meu convívio, nada mais justo que eu conhecer as que estão no seu.

- Posso até te levar pra você conhecê-los, mas acho que não vão ser interessantes pra você.

- Por que não? – Perguntou como se isso fosse impossível.

- Meus amigos são um bando de músicos bêbados, e a minha família é aquela típica, que se reúne em um almoço aos domingos e tal.

- Deve ser legal ter uma família normal. – Ela parecia pensativa.

- Não tem nada de legal, pra mim legal é a sua.

- Minha família é incrível, mas eles pecam em certos aspectos. – Disse meio magoada.

- Como por exemplo...

- Eles me prendem demais, mal consigo respirar naquela casa.

- Te prendem Kristen? – Perguntei incrédulo. – A única exigência do seu pai é que você esteja em casa às dez.

- Do meu pai, mas se eu passo o dia fora sem dizer onde estou, meus irmãos me enchem a paciência e ficam investigando pra saber por onde eu ando.

- Ah, não deve ser tão horrível assim.

- Porque você não viu quando eles descobriram que eu não era mais virgem, não ia nem à esquina sem companhia de um deles, como se adiantasse de alguma coisa.

- Nossa, não é querendo me intrometer na sua intimidade, mas me conta como foi com você esse lance de perder a virgindade. – Sei que parecia doentio, mas eu estava muito interessado em saber e não era de hoje.

- Conto se você me contar sobre a sua.

- OK.

- Foi com o Michael, óbvio. Eu tinha dezesseis anos, mas as investidas dele começaram quando eu tinha quinze, ele insistiu bastante e eu já estava de saco cheio de ser a única virgem das minhas amigas, então eu cedi, mas vou te contar algo que nunca confessei a ninguém.

- O que?

- Eu me arrependo, na mesma noite que eu fiz já estava arrependida. – Por que eu estava gostando tanto de saber disso?

- Por quê? – Perguntei indiferente.

- Pode não parecer, mas eu sou muito romântica, muitas meninas veem a virgindade como qualquer coisa, e só porque vão perder de qualquer forma um dia acham tanto faz, mas eu não sou assim, desde que comecei a namorar minha mãe sempre me disse que tinha que ser com alguém especial, em um momento especial e por um motivo especial, no meu caso a pessoa era a certa, mas o momento e o motivo não e hoje eu me arrependo, porque antes de eu transar, eu imaginava a minha primeira vez em circunstâncias completamente diferentes do que elas rolaram, tudo porque fui idiota e fui pela cabeça dos outros.

- Então se você pudesse voltar atrás você ainda seria virgem?

- Sim, mas tudo tem seu lado bom, sexo é algo incrível que eu tenho o prazer de praticar, coisa que eu não faria até agora se não tivesse dado o primeiro passo.

- Ele foi seu único cara? – Perguntei apesar de ter certeza que sim.

- Mais ou menos.

- Mais ou menos? – Perguntei com os olhos arregalados. – Você o traiu?

- Não. Olha, essa é outra coisa que eu nunca contei a ninguém e nem sei por que estou te contando, então seja sigiloso.

- Pode deixar.

- Há um tempo atrás eu e o Michael nos separamos, eu realmente achei que era o fim, porque já tinha feito um mês e meio e nada de a gente se falar de novo e nem se ver, tinha um colega da turma de medicina do meu irmão mais velho dando em cima de mim, pelas costas dele é óbvio...

- Colega de classe do seu irmão mais velho? Quantos anos esse cara tinha?

- Vinte e sete.

- E você dezessete?

- Na verdade eu tinha dezesseis.

- Meu Deus. – Eu disse impressionado, e eu aqui me sentindo um pedófilo.

- Pois é, ele era bonitinho e eu estava sozinha, então não vi nada demais em dar uma oportunidade, então comecei a sair escondida com ele e tal, e com duas semanas que a gente estava saindo ele me levou pra casa dele, ele morava sozinho, a gente tinha a tarde inteira, enfim, não ia prestar, mas eu não queria parecer fácil, então não cheguei aos finalmente.

- Vocês fizeram o que?

- Ele tinha uma bela piscina, a gente nadou lá...Sem roupas. Rolaram umas preliminares também, e quem sabe um oral?

- Oral?!

- Sim, mas só isso, mais nada.

- Então você fez sexo com ele, porque sexo oral também é sexo.

- Eu sei, mas o mais importante eu não fiz.

- Vocês não se viram de novo ou o que? Por que não chegaram aos finalmente depois?

- Porque na mesma noite que eu fui a casa dele, o Michael veio com flores e tal, eu ainda gostava dele e acabei voltando, depois disso não tive mais nada com o cara.

- E não o viu mais.

- Vi, na verdade o vejo até hoje, ele é amigão do meu irmão e desde o acontecido toda vez que ele tem a oportunidade de ficar nem que seja por cinco segundos a sós comigo, fica me chamando pra sair de novo ou passa a mão no meu traseiro, inclusive ele vai em um almoço na minha casa no domingo.

- Que situação hein.

- Pois é, o pior é quando eu vejo o Michael conversando com ele todo simpático, nem faz ideia das coisas que a gente já fez.

- Mas você sente algo por ele?

- Não, não sentia nem mesmo quando a gente ficou, acho que fiquei mais porque era um cara mais velho e tal, mas atração mesmo não tinha.

- Hum.

- Agora me conta sobre a sua, tá aí me enrolando e não me contou até agora.

- Ah, a minha foi arranjada.

- Arranjada? – Perguntou confuso.

- Sim, eu tinha quatorze anos e...

- Quatorze anos? – Perguntou impressionada. – Ulalá!

- Eu sei, o namorado da minha irmã disse que ia me levar para uma festa, eu fui na maior inocência e quando cheguei lá era uma grande casa, com muitas mulheres mais velhas e bonitas, ele me apresentou a uma garota de 19 anos chamada Megan, eu fiquei conversando com ela e tal, foi então que ela deu a ideia de a gente... Você sabe, eu topei, nós fomos para um quarto e rolou.

- Foi bom pra você?

- Mais ou menos, ela me disse tudo que eu tinha que fazer, não gosto quando as coisas são assim.

- Então você gosta de mandar?

- Quando o assunto é sexo sim, eu gosto.

- Hum... Interessante. – Disse parecendo empolgada.

- Por que "interessante"?

- Porque eu gosto de ser mandada nessas horas, mas só nessas horas. – Disse deixando bem claro. – Acho que o sexo é como a dança, o homem que deve conduzir sua parceira.

- Também penso assim, mas diferente do meu desempenho sexual na dança eu sou horrível.

- Diferente do desemprenho sexual? – Kristen começou a rir compulsivamente.

- Não entendi qual é a graça? – Perguntei sorrindo.

- Você? Bom de cama? – Perguntou com um tom de desdém e começou a gargalhar novamente

- Quer que eu te prove?

- Me provar?

- Sim.

- Duvido que seja capaz. – Disse com as sobrancelhas erguidas.

- Do que?

- De me satisfazer. – Disse provocante.

- Ah é?

- É.

Eu a agarrei e subi em cima dela que ficou rindo, eu também ria feito um idiota, comecei a beijar seu pescoço, passei a mão em seus braços e percebi que seus poros estavam ouriçados, eu estava a deixando excitada? Interessante.

- Para Robert. – Ela disse calma. – Não faço isso há bastante tempo, não me provoca desse jeito...

- Ou o que? – Perguntei a centímetros de seu rosto.

Agora sim as coisas estavam se virando a meu favor, era sempre ela quem me provocava, nesse momento quem estava provocando era eu.

Kristen mordeu os lábios sedutoramente, droga, ela estava virando o jogo, antes que ela me seduzisse voltei a seu pescoço, mas dessa vez dando leves chupões que aos poucos foram se intensificando, ela entrelaçou os dedos em meus cabelos e soltou um leve gemido.

- Você não pode deixar uma marca aí, eu tenho namorado. – Kristen disse.

- Diz que foi ele quem fez.

- Mas não foi ele quem fez, a gente não dá uns amassos e muito menos transa há duas semanas, acha mesmo que ele vai acreditar que uma marca que apareça é dele?

- Você é uma medrosa. – Eu disse saindo de cima dela e deitando ao seu lado novamente.

- Medrosa? – Perguntou com as sobrancelhas erguidas novamente. – Posso saber por quê?

- Tá com medo de ir pra cama comigo e gostar.

- Nem adianta vir com chantagem emocional.

- Não é chantagem, é a pura verdade.

- OK, prometo que se um dia eu terminar com o Michael, nem digo terminar, mas se eu der um tempo com ele, a primeira coisa que vou fazer é sexo com você, sem nenhum compromisso, só pra experimentar. – Ela disse séria.

- Tá falando sério? – Perguntei empolgado.

- Pareço estar brincando?

- Não, acho que tenho que começar a tomar minhas providências para separar vocês dois. – Eu disse esfregando as mãos como quem bolasse um plano.

- Idiota. – Ela disse sorrindo e batendo em meu braço. – Só preciso que você me prometa uma coisa.

- O que?

- Que absolutamente nada vai mudar entre a gente, independente de dar certo ou não.

- Cara, a gente já se beijou, mudou alguma coisa?

- Mas beijo é diferente de sexo.

- Pra mim qualquer coisa que você faça com um amigo que era pra ser feita com um namorado coloca a amizade em perigo, mas se nada mudou pelo beijo, certamente não mudará pelo sexo.

- É, faz sentido.

Nós ficamos um bom tempo apenas admirando as estrelas, até que senti a mão de Kristen pegar a minha e olhei para ela sorrindo, parecia estar atenta às estrelas ou se concentrando em alguma outra coisa muito, porque estava olhando o céu perdida em seus pensamentos.

- Kris. – Eu a chamei a tirando do transe.

- Oi? – Perguntou distraída.

- Você já se apaixonou por alguém além do Michael?

- Não, ele foi o meu primeiro amor.

- Seja sincera, atualmente, quanto você gosta dele assim, como homem?

- O Michael é um cara incrível, ele sempre me apoiou em tudo que eu fiz e faço e pode não parecer, mas ele beija muito bem, sou apaixonada por ele, não é mais aquela coisa louca de adolescente, porque apesar de eu ser uma, a gente está junto há tanto tempo que aquela magia toda já passou, acho que agora é algo mais forte, talvez amor, não sei, ou talvez não seja também, porque minha mãe sempre diz que quando é amor a gente sente de imediato, não há dúvidas.

- Meu pai também me dizia isso.

- Você já amou alguém? – Ela perguntou intensa.

- Não, mas já fui muito apaixonado, muito mesmo.

- Pela Nina?

- Você ainda lembra o nome dela?

- Nunca ia me esquecer do nome de alguém que foi e talvez ainda seja tão importante pra você, eu presto atenção nas pessoas que eu amo.

- Você me ama? – Perguntei meio abobado com o que ela disse.

- Sim, você é um grande amigo meu.

"Amigo" tudo estaria perfeito se não houvesse essa palavra no meio, por que eu sempre me apegava muito mais às pessoas do que elas a mim? Não era justo!

- Hum... – Eu disse simplesmente.

- O que houve? – Ela perguntou após alguns longos segundos de silêncio.

- Nada.

- Ficou pensativo de repente.

- Não foi nada.

- Estava pensando na Nina?

- Sim. – Menti, eu tinha que mostrar pra ela que tinha concorrência, assim como ela sempre fazia questão de me mostrar.

- Você ainda gosta dela não é? – Ela parecia triste com isso, o que me deixou idiota de novo.

- Não tem como esquecer uma pessoa que esteve tanto tempo na sua vida e te fez tão bem de uma hora para a outra. – OK, eu estava me aproveitando dos possíveis ciúmes de Kristen, eu já não sentia nada relevante por Nina, mas ela não precisava saber disso.

- Você ainda quer voltar para ela?

- Sim. – Respondi imediatamente.

Kristen ficou com os olhos fechados por alguns segundos, algo que eu sempre fazia para conter as lágrimas quando não queria que alguém me visse chorando. Será que ela estava fazendo o mesmo? Deus, como a possibilidade de ser isso era boa!

Minhas dúvidas foram confirmadas assim que ela abriu os olhos, eles estavam lacrimejando, foi então que comecei a rir feito um maluco.

- Por que está rindo? – Perguntou confusa.

- Só estou me lembrando de alguns momentos que passamos juntos. – Eu estava começando a pegar pesado, mas cadê que me importava?

- Vocês provavelmente vão voltar assim que terminarmos as gravações de Crepúsculo e você voltar para Londres não é?

- Temos que retomar nossas vidas e no meu caso isso inclui voltar com a Nina, quem sabe morar com ela de novo e em um futuro próximo pedi-la em casamento. – Só pra fechar com chave de ouro.

Kristen nem mesmo olhou para mim e se levantou do chão onde estávamos deitados.

- Onde você vai? – Perguntei confuso.

- Ao banheiro.

Ela desceu as escadas correndo e eu fiquei sorrindo enquanto olhava para as estrelas, se antes eu tinha alguma dúvida agora era pura certeza, Kristen sentia algo além de amizade por mim.

- Rob. – Ela gritou lá de baixo.

- Oi? – Perguntei.

- Meu pai me ligou chamando para eu ir para casa. – Ela disse com a voz levemente falhada, como a voz de alguém que estivesse chorando.

- Mais ainda são sete e vinte. – Protestei após ver as horas em meu relógio de pulso.

- Mas ele me ligou, a gente se vê amanhã.

- Vou te levar até o portão.

- Não precisa, estou indo. – Ela disse rápido e ouvi o barulho da porta abrindo e depois fechando.

Finalmente as coisas estavam começando a ir a meu favor e confesso que estava adorando a sensação.