Disclaimer: Naruto não me pertence.

Capitulo 11

A menina que tinha a morte como companhia

''Não há segredos que o tempo não revele.''

- Jean Racine.

Ele a observava repetir varias vezes aquele nome. Gemeu em frustração enquanto observava a mulher que amava socar a parede gritando o nome dele. O homem alto e de cabelos ébano sentou-se no chão novamente e tentou faze-la parar. Ele murmurou quem ele era um vez, duas vezes, três, quatro, tantas vezes seguidas e foi recompensado com nada além de um olhar morto. Ele odiava quando aquilo acontecia. Ele odiava quando perdia sua noiva para a própria mente dela. Tentou tocá-la e ela recuou.

O homem observou o quarto totalmente branco no qual ele estava. Foi com tristeza e percebeu que ela não ligava para o lugar porque ela não sabia que ela estava lá. Sorriu para sua noiva e murmurou para ela calmamente:

- Eu sei que vai passar querida. E quando passar vou te levar pra casa e poderemos viver como antes novamente. Eu estou aqui, do lado de fora, e estou te esperando, okay?

Ele se virou e foi para a porta. Antes de sair resolveu dar uma ultima olhada no amor de sua vida uma ultima vez. O horário de visita estava quase no fim quando ele girou a maçaneta.

- Itachi?

Ele sorriu e olhou para ela.

- Querida?

- Onde estou?- ela perguntou confusa. Então ela voltou a olha-lo, deu de ombros e sorriu. - Eu te amo, Itachi-kun.

- Eu também te amo querida. Te amo muito.

Ela não respondeu. Ele olhou-a e aqueles olhos vazios estavam de volta. Era só mais uma crise rápida de lucidez.


Neji a observava com ligeiro interesse enquanto estava apoiado no balcão. O café queimava levemente a ponta dos seus dedos enquanto os olhos cor de gelo estava fixos na figura parada na porta da cozinha. A dança da fumaça que deixava a xícara bege embaçava levemente a figura dela. A garota respirou fundo antes de começar a se mover. Ela ficou de costas enquanto preparava seu chocolate quente, seus movimentos sempre precisos e graciosos. Ela era uma Hyuuga afinal, assim como ele.

O primo sabia que apesar da graciosidade que ela exalava, o corpo daquela pequena mulher estava totalmente tenso. Com um sorriso de escárnio bem disfarçado ele lembrou-se que a conhecia tão bem que decorara seus trejeitos e que, apesar de anos de prática e muita melhora, Hinata ainda vacilava e tremia quando tentava ser indiferente ao seu meio. Desencostou-se do balcão e deslizou sua mão esquerda pelo longo cabelo azulado dela. As pontas grandes e ásperas de seus dedos correram da mecha para o rosto com a pele branco rosada. Ele a viu morder o lábio inferior antes de dirigir os olhos lavanda na direção dele.

Clara como as águas de um santuário estavam as emoções que dançavam no olhar dela. Baixinho como o sussurrar de uma brisa nas folhas de um florido ipê foi o seu suspiro. Avermelhado como uma rosa desabrochando era o seu corar leve com o toque.

A menina que tinha a morte como companhia percebeu com raiva que, mesmo que se sentisse traída, seu corpo e sua mente ainda estavam a mercê de seu primo mais velho.

Os olhares se encontraram. O dela era triste com a carência e o sentimento de abandono nadando nos mares lilases de seus olhos. O olhar dele era carinhoso, possessivo e curioso, havia também um pouco de saudade mesclado à raiva flutuando em meio a tempestade cinzenta que era sua iris.

- Você esta me ignorando. - Ele afirmou. Sua voz era suave e baixa. - Ontem no jantar, te vi se aproximar da cozinha e depois recuar. Quando seu pai se foi, você sequer me olhou. Por quê?

- E-Eu te amava tanto. - Ela secretamente amaldiçoou-se pela volta da gagueira, um habito de infância. - Passei todo esse tempo te esperando... E eu... E-essa mulher Neji-niisan, você teve coragem de esfrega-la na minha cara desta maneira. - Ela sibilou, o rosto corado de raiva e tristeza.

Houve um longo silencio.

O dia estava frio. As pessoas andavam apressadas pelas ruas da cidade enquanto uma garoa caia sem cessar. O tinir das gotas do telhado lançava um ar ainda mais melancólico na cena que se desdobrava na cozinha de uma certa casa. Naquele local, as duas pessoas se encaravam sem pudores. A primeira bebericava seu chocolate quente enquanto afundava uma das mãos na barra do suéter cinza que usava, fazendo o algodão ceder um pouco. A segunda pessoa, tomava goles grandes de seu café sem açúcar em intervalos regulares de tempo.

Não demorou muito para que as lágrimas começassem a deslizar pela bochecha rosada de Hinata. Demorou menos ainda para o homem a sua frente deixar a bebida de lado e passar a beijar o liquido transparente e salgado que transbordava do rosto dela. Neji a envolveu com os braços, puxando todo o corpo dela para si e fazendo-a enterrar o rosto em seu peitoral. Ele passou a beijar levemente o topo da cabeça dela enquanto sussurrava trechos de uma canção de ninar que aprendera ao conviver com a prima e o tio. Ele cantava pra ela quando eram noites de fortes tempestades e ela começava a gritar em horror, cantava para acalma-la.

- Não foi minha intenção Hinata. - Ele respirou fundo. - Tenten apareceu aqui no meio da tarde de ontem e não consegui expulsa-la.

- E-Ela é sua na-amorada agora, é obvio que não sairia tão fa-fácil.

Um soluço.

- Hinata... - Ele suspirou.- ... Ela não passa de uma farsa, uma imagem.

- Hn?

- Estamos cercados por gente que conhece o peso do nosso nome e sabe quem somos. Precisei criar ma imagem.

- E ela foi a solução?- A Hyuuga perguntou com um desprezo incomum.- Achei que fosse mais inteligente que isso - sibilou.

- Ninguém te substituiu querida. Nunca irão fazê-lo!- Ele sorriu de canto e a fez lar para cima. Os olhares se cruzaram. - Eu nunca sequer a pedi em namoro.

- Neji...

- Mas que merda é essa! - uma voz feminina gritou.

Ambos pararam e olharam para a mulher parada na porta da cozinha. Seus cabelos castanhos estavam presos num rabo de cavalo alto e ela não usava maquiagem alguma para disfarçar suas olheiras. Seus braços cruzados espremiam os seios medianos e os evidenciavam no decote V da blusa social com botões abertos.

Ali estava a terceira pessoa fora da família Hyuuga que desvendara os segredos da herdeira e seu leal protetor. Ao contrário dos dois primeiros, ela não descobriu porque eles deixaram que soubessem e ela iria pagar o preço. Azar o dela não ter reparado o brilho gêmeo que passou pelo olhar dos primos quando estes se entreolharam.


Eu to com vontade de matar alguém! Eu fiquei toda animada pensando que ia lançar capítulos em tempo recorde nas férias só pra descobrir que ia receber visitas. Como o computador fica do quarto de visitas e eles resolveram virar o mês aqui em casa, eu não pude tocar no computador.

Quanto a primeira parte do capitulo, onde aparece Itachi e uma mulher misteriosa, vocês descobrirão em breve o porque disso.

Alguém gostou do capitulo? Sim, não? Reviews?

Espero que não joguem pedras em mim por criar uma cena tão triste pro reencontro deles, mas poxa, tem que ter um pouco de choradeira a mais.

Mcdonald's lover, eu quase morri de rir com a sua review! Sério mesmo que você tava lendo a fic no tablet escondido debaixo da mesa? Foi uma má escolha pra ler um capitulo triste e ainda mais na TPM enquanto tava cercada de gente. Ô dó! Eu fico só imaginando a cena... Deve ter sido muito embaraçoso e divertido. Eu realmente aprecio seu apoio e elogios. Espero que goste deste capítulo e por favor esconda-se no banheiro antes de disparar a chorar lendo fanfics. Eu faço isso quando leio pelo celular alguma fic triste, saio do banheiro de olho inchado, mas pra todos os efeitos... Apenas sorria e acene, como dizem os pinguins do filme Madagascar. Diminui as chances de vir um monte de mamãe urso pra cima de você enquanto se tenta esconder a vergonha.

Até a próxima! Adeus e boa semana!