Os olhos dele ardiam e sem grandes rodeios ou pausas, a boca dele abriu-se, mal a porta soltou o barulho do trinco:
- O que é que tu queres?
- O que é que eu quero?
- Sim, Rui não te faças de parvo. Percebes-te muito bem o que te perguntei.
- Eu quero cumprir a minha promessa. – ali pressionado, mas sem pensar um segundo, disse-lhe o que queria.
- Apareces cá passados dois anos e queres reivindicar uma estupidez dessas? Só podes estar a gozar comigo.
- Eu tenho legitimidade, eu avisei-te, não te estou a atacar pelas costas. O problema foi teu.
- Deixa de ser petulante Rui, o que sabes tu sobre a vida que levo com ela? Chegaste à meia dúzia de dias e achas que compreendes o que se passa num casamento? Não sejas patético.- cuspiu ele como se fosse veneno letal.
- Petulante? Sabes o que fiz eu por ti? Sabes o quanto me custou, o quanto me custa? Para chegar e ver a merda que fizeste com a oportunidade que te dei e que me custou quase a vida?
- Que oportunidade, tu só a quiseste porque não podia ser tua e agora que destruíste a tua relação com a Shizuka vens destruir a minha. Aviso-te não vais conseguir, playboy.
- Estás com medo Tsukasa? Se fores tão feliz como dizes, eu não faço nada, fiz-te uma promessa e vou cumpri-la.- numa questão de segundos, dei por mim a tentar recuparar o equilíbrio, que o murro dele me tinha roubado.
- Se tentares fazer-lhe alguma coisa mato-te.- ameaçou-me mostrando que não estava para brincadeiras e fazendo-me perceber que eu tinha tomado uma posição definitiva: conquistar a Tsukushi.
- Podes começar a andar armado, porque não vou recuar apenas porque me ameaças-te. No entanto, não compreendo porque fazes tanto drama da situação. Se estás tão seguro que o teu casamento é feliz, não tens nada com que te preocupar, eu não vou fazer nada. – desafiei-o, limpando o sangue que me escorria pelo canto da boca.
- Saí daqui.- gritou-me impiedosamente.
- Estás no teu direito. Pede desculpas, por mim, à Tsukushi por não me despedir dela. – olhei para ele um última vez e depois saí sozinho.
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Quando regressei à sala senti que algo de muito grave tinha acontecido, o Rui tinha desaparecido e o Tsukasa estava com ambas as mãos pousadas em cima do aparador e com a cabeça em baixo, numa posição que transparecia frustação.
- Tsukasa? – chamei-o. - O que aconteceu? Onde está o Rui?
- Foi para casa. - respondeu-me ele asperamente.
O estranho comportamento dele começava a deixar-me preocupada, aquela atitude era comum quando ele estava furioso, no entanto nãofazia sentido nenhum. O que o poderia ter deixado assim? É um facto que ultimamente, ele tinha reacções bastante estranhas quando o assunto se tratava do Rui, mas uma reacção deste calibre não podia ser apenas justificada com a simples presença do Rui.
- O que estiveste a fazer com o Rui?
- Ele já te tinha dito, fomos beber um chá ao pé da praia e depois convidei-o para jantar.
- Diz-me porque razão a minha mulher passa uma tarde com um homem que não é o seu marido?- perguntou-me deixando a posição em que estava e fintando-me.
- Como? - a pergunta apanhou-me de surpresa. - Estás a querer insinuar alguma coisa.
- Não fui eu que passei o dia inteiro com ele, só tu é que sabes o que fizeste.– respondeu-me ela com um tom bastante ríspido.
- Mas o que é que se passa contigo, não posso estar com amigos ou é apenas com o Rui? Deve ser porque quando passo o dia com o Akira e com o Soujiroh nunca me fazes esse tipo de perguntas.- ele estava-me a deixar furiosa, desconfiava de mim e do próprio amigo. Ele apenas me fintou com a sombrancelha franzida.
- Nunca ficas sozinha com nenhum deles, numa praia deserta.
- Isso é mentira, além disso quem falou em praias desertas?
- Sim, como se neste frio alguém fosse doido o suficiente para estar na praia.
- Tu, por exemplo.- lembrando-me das vezes em que passávamos os dias em frente ao mar, com os corpos colados um ao outro para nos aquecermos. "Assim combateríamos o frio", foi o que o Rui me disse na praia quando me abraçou... céus, se o tsukasa soubesse disso concerteza que me matava.
- Em que estás a pensar.- perguntou, fintando-me perigosamente, como se me tivesse lido a mente.
- O quê? Agora queres controlar-me os pensamentos?
- Ele beijou-te Tsukushi?- perguntou-me quase a gritar.
Eu fui apanhada tão de surpresa que todo o meu corpo ficou rígido como se um raio o tivesse trespassado e me deixado em coma. Como é que ele poderia supor uma coisa daqueles? Eu que tinha partilhado com ele dois anos de vida em comum e outros tantos de amizade era agora recebida com uma desconfiança suja como a traição. Não era a primeira vez que ele desconfiava de mim, só que da outra vez tinham existiam fotografias para o provar e nós quase não nos conhecíamos. Agora a suspeita dele tinha sido fabricada na sua própria cabeça, provinha do que ele sabia de mim, do que ele conhecia, e mostrava claramente que não sabia nada ou de outra forma nunca teria feito aquela pergunta.
- Pela tua reacção talvez deva supor que estou errado. Talvez não tenha sido apenas um beijo. Ele levou-te para a cama?- não era possível, o meu cérebro só poderia ter processado mal o significado da mensagem dele. Num acto quase irracional lancei-me até ele e dei-lhe uma bofetada que o fez virar a cabeça. Sem reagir, levantou a mão direita e levou-a até ao sítio onde eu o tinha atingido.
- Como é tu podes abrir a boca para me dizeres uma coisa dessas? És meu marido, mas deves-me respeito.- comecei eu espetando-lhe o dedo de forma acusatória. – Mas o que é que se passa contigo? - respirei fundo e quando achava que ele não se iria pronunciar mais:
- Desculpa, não era minha intenção ofender-te.
-Não era a tua intenção? Então qual era a tua intenção apenas duvidares de mim e rebaixares-me?- as desculpas dele não me tinham apaziguado. Quem achava ele que era? Alguém que pedia desculpas e resolvia tudo sem mais delongas?
- Eu…lamento, não pensei no que disse.- justificou-se ele.
- Sabes Tsukasa, são estes momentos, em que temos a cabeça a ferver que dizemos exactamente o que pensamos. E tu claramente achas-me capaz de te trair com um dos teus melhores amigos, com um pouco mais de imaginação e dirias que passei o dia com ele, na cama onde tu dormes. –rapidamente agarrou-me na mão e a tremer de fúria disse-me:
- Nunca... nunca mais repitas o que acabaste de dizer, percebeste?- confesso que ele me assustou, durante breves momentos tive ideia que ele iria espancar-me.
- Se vais bater-me larga-me o braço, para poder defender-me.
Ele largou-me o braço com repulsa e disse-me:
- Como podes achar que te poderia bater?- parecia desiludido.
- Parece que hoje achamos muitas coisas Tsukasa. – queria mostrar-lhe que para ele era tão absurda a ideia de ele me bater como para mim era a ideia de eu o trair. – Mas convenhamos que motivos não me faltam para achar que me poderias agredir, afinal tens um longo historial de agressões.- contra-ataquei, ele olhou para mim como na noite em que eu o deixei no meio da chuva a gritar se alguma o vez o tinha visto apenas a ele.
- Vou dar um volta.- informou-me saindo da sala e deixando-me sozinha. Fixei a porta que se tinha fechado, por muitos minutos. Estava sem reacção, não sei se pelo choque da discusão ou se pelo facto dele me ter abandonado.
Lentamente, voltei-me para a janela e caminhei até ela, via ao longe os reflexos da água e o verde do jardim iluminado pelas lâmpadas brancas. Era sem dúvida a casa de um princesa, mas o que a tornava assim tão encantada não era a sua imensidão de salões, salas, salinhas e saletas, mas sim quem aqui vivia. Ele era sem dúvida a minha casa encantada, era nele que eu sentia todas as emoções que um humano pode sentir, era nele que eu descansava a minha cabeça enquanto ele me afagava os cabelos, era nele que eu confiava toda a minha vida, toda a minha felicidade e toda a minha infelicidade…ele era a minha vida. Tinha vindo de tão longe para estar com ele, tinha sofrido tantas calamidades para poder ficar com ele, tive de me transfigurar tanto para me ajustar ao que ele precisava, para ver agora as coisas a caírem na banalidade de um briga sobre fidelidade. Que estúpido, que burro como é que ele poderia achar que eu depois de tudo o que fiz por ele poderia simplesmente traí-lo, ainda para mais com o Rui, que apenas queria brincar comigo para se distrair da própria dor, a última coisa que ele queria era levar-me para a cama. Frustada dei um murro na janela... má ideia, gritou-me o cérebro, por cima da dor pungente, que nós dos dedos escoriados libertavam.
Talvez eu estivesse a exagerar, ele tinha sido sempre assim meio-animal meio-humano, quando o seu instinto de besta dava sinal era muito difícil comportar-se como um humano, era natural que mais tarde se arrepende-se de algumas coisas.
Abri a porta da sala e corri pelas escadas acima até ao quarto, entrei no closet agarrei no primeiro casaco que apareceu e na mala que tinha pousado em cima do sofá. Corri escadas abaixo e meti-me no carro, tinha de ir ter com ele, não podia deixar as coisas daquela maneira.
Conduzi pela noite parando apenas em frente do edifício que tinha o nome dele e agora também o meu: um homem fardado abriu-me a porta, agarrei no meu casaco e na minha mala e saí. Subi a escadaria branca com o coração aos saltos e com o casaco apenas pelos ombros girei a grande porta entrando no atriumm, de mármore, que naquela altura estava quase vazio não fosse a presença de um homem também fardado por detrás de um balcão redondo.
- Boa noite, seria possível ir até ao gabinete do senhor Domyouji?- perguntei ao senhor que me fez uma vénia em cumprimento.
- Concerteza senhora Domyouji, esteja à vontade pretende que avise?
- Não será necessário, obrigado.- respondi-lhe retribuindo a vénia e saindo dali a pensar em como ainda era estranho ter aquele nome.
Entrei no elevador e carreguei no último botão, deviam ter passado uns cinco meses desde a última vez em que tinha ali estado, não era de espantar que me senti-se ofuscada pelo enorme andar vazia à minha frente, quando as portas se abriram. As borboletas na minha barriga, começaram a dar sinal de vida e a incerteza do que tinha de fazer, só não me impedia de avançar porque o coração assim me ordenava.
Em frente à porta maciça de madeira, bati com mão na porta: outch, doía não deveria ter batido com a mão no vidro...Parva... Sem esperar pela resposta, não por falta de educação, mas porque muito possivelmente ele não tinha ouvido, entreabri a porta e espreitei: ele estava sentado na cadeira dele por detrás da grande mesa, no entanto a cadeira estava virada para a imponente vista que trazia Tokyo quase completa para dentro do escritório.
- Não fossem as boas recordações que tu me fizeste ter deste lugar e nunca mais cá teria colocado os pés por causa da tua mãe. – disse entrando na sala e vendo o corpo dele responder à primeira nota da minha voz. No entanto não se virou para mim, continuou com a cadeira virada para a cidade.
- Teria sido uma pena, porque está vista…bem, estava vista fala por si mesma.- continuei.
- Só vieste pela vista?- deu-me vontade de rir, por vezes ele conseguia ser tão infantil, era como uma criança ansiosa que lhe dissessem que a adoravam.
- Como já te disse senão fosses tu muito provavelmente nunca mais iria querer entrar aqui, mesmo com esta vista. Logo é claro que não vim pela vista.- sem o fintar, aproximei-me da janela ficando a uns meros dois metros dele.- Nestes lugares, onde temos uma vista como esta e podemos ver lá em baixo os pontinhos luminosos, fico sempre a pensar quem anda por ali, quem são aquelas pessoas, em quem pensam, o que amam, o que odeiam… não sei responder a nenhuma dessas perguntas que faço, no entanto faço sempre as mesmas perguntas cada vez que estou na mesma situação, muito provavelmente com a esperança que um dia serei capaz de as responder. – ele continuava silencioso e eu continuei.- O que eu quero dizer com isto é que muitas vezes quero e desejo o impossível e torno-me irracional.
- Como é que me encontras-te?- corrompeu ele o silêncio.
- Utilizando a minha bola de cristal. – respondi-lhe esticando o dedo indicador e começando a fazer desenhos imaginários.
- Sou assim tão previsível?
- Não, eu é que tenho um alto poder de dedução.- respondi-lhe abandonando a minha posição e caminhando para os sofás. Atirei o meu casaco e a minha mala para cima de um e encostei-me ao mesmo ficando assim com a visão da paisagem e dos contornos dele sentado na cadeira.
- Já que não abordas tu o assunto começo eu. Fiquei surpreendida contigo, nem parece teu, teres saído a meio de uma discussão. Onde está o grande Domyouji Tsukasa?- raios eu tinha de ironizar e rebaixá-lo, não fazia nada como deve de ser.- Desculpa, não era isso que eu queria dizer, estava apenas a dizer que tu és o líder do F4 contigo o jogo só acabava quando alguém desistia e hoje desisti-te tu. – para minha surpresa ele virou a cadeira na minha direcção e disse:
- Como sempre estás errada, não foi só hoje que eu desisti, já tinha desistido antes quando retirei o teu aviso vermelho. Podes dizer que só desisto por ti. – o que lhe poderia eu responder? Fiquei com o coração apertado aflita por não saber o que lhe dizer, tinha-me partido o coração, alguém como ele a dizer que desistia por mim, era como me declarar rainha do seu mundo. Não é que ele não mo tivesse já dito, mas a última vez tinha sido há tanto tempo, que eu já nem me lembrava do sabor daquelas palavras.
Caminhei firmemente na direcção dele e quando lá cheguei coloquei uma mão no braço da cadeira dele e com a outra apontei para a janela e a poucos centimetros da cara dele perguntei-lhe:
- Queres dizer que desistes de tudo aquilo por mim?
- Já te respondi a isso. Como magoaste a mão?
- Bati com ela no vidro depois de saíres... para libertar a frustação.
- Não te chegou a minha cara?
- Não mereces-te?- ele baixou os olhos para a minha mão como quem a analisa metodicamente e depois voltando a olhar-me, respondeu-me:
- Mereci e lamento por isso. – aproximei o meu rosto ao dele, até conseguir que os meus lábios roçacem a orelha dele e a sussurrar disse-lhe:
- Eu também lamento. - automaticamente ele agarrou-me pela cintura e fez-me sentar no colo dele enquanto me beijava o pescoço e depois a boca com uma vontade quase doentia. Rapidamente as mãos dele foram para debaixo da minha túnica, enquanto eu tentava tirar-lhe a gravata, ele, mais habilidoso que eu, deixou-me apenas de jeans, depois levantou-se comigo no colo e sentou-me na secretária, atirando algumas coisas ao chão, enquanto eu de pernas traçadas em volta do tronco dele o puxava para mim, num beijo mais forte. Arranquei-lhe a camisa, fazendo os botões saltarem pelo chão e beijei-lhe o tronco, ao que ele me respondeu fazendo-me deitar sobre a mesa, para que me pode-se percorrer a boca, o pescoço, os seios e a barriga com beijos. Como que em camâra lenta, vi os olhos dele fixarem-se nos meus enquanto me desabotoava as calças, levantei levemente a bacia para coloborar com o movimento descendente que ele fazia com as minhas calças.
- Adoro a tua Hello Kitty. – afirmou levantando a cabeça, para depois me beijar por cima das aclamadas cuecas pretas, com a cabeça da gata mais famosa do mundo. Ri-me, quase embaraçada pelo comentário e pela sensação do cabelo dele a roçar na minha pele nua. O que se passou asseguir ficará a cargo da vossa imaginação, afinal tenho um nome para manter e não acho apropriado revelar os segredos da minha vida sexual, no entanto posso assegurar-vos que a mesa não foi o único local que conheceu os magníficos talentos do Domyouji Tsukasa.
- Oh! Meu deus Domyouji, são sete da manhã.- exclamei, levantando a cabeça do sofá onde tínhamos estado a dormir apenas tapados pelo meu casaco. Ele com o braço por cima de mim murmurou qualquer coisa como não importa.
- Daqui a pouco isto vai estar cheio de gente e vão encontrar-nos assim.
- Eu faço o que quiser, sou o dono disto tudo.
- Talvez mas mesmo assim não faço questão que os teus funcionários me vejam assim.- sentei-me e apesar dos protestos dele para eu não sair dali, saltei para o outro lado do sofá e comecei a apanhar as peças de roupa do chão. Vesti as minhas calças e a minha túnica…fiquei sem cuecas, ainda não as tinha encontrado. Apanhei as calças dele, a gravata, os sapatos, uma das meias e a camisa dele, agora sem botões.
- Ah! Estes botões todos.- reclamei colocando-me de cócaras para apanhar os botões.- Tsukasa levanta-te e vem ajudar-me, tens papéis espalhados pelo chão todo.
- Deixa isso, alguém depois arruma. Vem deitar-te assim tenho frio.
- O teu egocentrismo ainda me vai matar.- suspirei enquanto apanhava os papéis, para depois os depositar em cima da mesa..- aquela situação era engraçada, não era a primeira vez que acontecia, mas nunca tínhamos passado ali a noite. Tínhamos acabado de dormir no escritório onde a mãe dele me tinha ameaçado e humilhado, tínhamos dormido nos mesmos sofás onde ele apertava as mãos a homens de negócios, incapazes de reacções emocionais. O que achariam eles se soubessem o que ali se tinha passado?
- Acabei.- informei-o, aproximei-me do sofá, onde ele continuava deitado, e debrucei-me sobre ele para lhe sussurrar ao ouvido:
- És tão preguiçoso e eu devo ser tua escrava. – ele num movimento rápido agarrou-me e puxou-me de volta para o sofá fazendo-me gritar e rir.
- És a minha escrava, mas eu pago-te muito bem.- beijou-me e tinha as mãos novamente dentro do meu camisolão quando a porta se abriu e entrou a secretária, que nos viu aos dois:
- Oh!- exclamou retirando-se o mais depressa possível. Enquanto o Tsukasa gritava:
- Não sabe bater à porta?
- Calma. - disse-lhe. – Eu avisei-te, a senhora não teve culpa nenhuma supostamente não devia estar aqui ninguém. – e não me contendo mais comecei a rir às gargalhadas.
- Onde está a graça?
- Em muitos lugares, mas sobretudo no facto da pobre senhora ter visto o teu rabo branquelo. Hahahaha.
Ele corou ligeiramente levantou-se, vestiu as calças e como não me parava de rir atirou-me a camisa sem botões.
- Vais ser lindo sair daqui contigo, de camisa sem botões e roupa amarrotada.- agora também ele ria. Acabou-se de vestir e com a camisa sem botões dentro das calças e o blazer vestido, perguntou-me:
- Que tal?
- Chiquérrimo, o último grito em roupa para encontros sexuais ocasionais.
- Tens de perceber que o modelo é demasiado bom e qualquer coisa lhe fica bem.
- Estará esse magnífico modelo disposto a levar esta pobre mulher para casa?- perguntei-lhe esticando os braços para ele me ajudar a levantar. Ele puxou-me e beijou-me:
- Vamos?
- Sim.- agarrei no meu casaco e na minha mala e saí atrás dele.
A secretária estava em pé e recebeu-nos com uma vénia:
- Perdão senhor Domyouji. Lamento muito.- repetia a pobre senhora enquanto fazia inúmeras vénias.
- Está tudo bem, você não teve a culpa.- respondeu ele no seu típico tom. Ainda bem que ele tinha ouvido o que eu lhe tinha dito.
A secretária rapidamente começou numa espiral de vénias e agredecimentos bastante sentidos até ele lhe dizer que ia para casa.
- Desculpe senhor vai querer alguma coisa especial na sala de reuniões?
- A que horas está agendada a reunião?
- Às nove horas, senhor. – informou ela. Percebi que tínhamos de ser rápidos ele tinha de estar aqui dentro de uma hora.
- Não será necessário nada, o mesmo de sempre. Até já.- despediu-se ele e eu imitei-o.
Ele chamou o elevador e eu fiquei a ver os números subirem até as portas se abrirem.
- Achas que chegas a tempo?
- Concerteza.- disse vindo ao meu encontro agarrando-me pela cintura e beijando-me o pescoço, porque eu tinha desviado a cabeça para lhe dificultar a tarefa e poder continuar a falar.
- Isto vai chegar aos ouvidos da tua mãe, tens noção disso?
- O que me interessa isso?- respondeu ele continuando as investidas sobre mim.
- Tsukasa.- disse-lhe agarrando-lhe o cabelo e puxando-lhe a cabeça de forma a que ele me olhasse nos olhos.- Ela vai cair-te em cima, vai condenar-te pelo teu comportamento lamentável e vai dizer-te que eu hei-de ser a desgraça da tua família.
- Só seras a desgraça da minha família se me deixares.- respondeu-me com um tom bastante sério.
- Isso só irá acontecer no dia em que for a melhor solução para ti e para mim.
- Isso nunca irá acontecer jamais poderá ser melhor para mim viver sem ti.- afirmou abraçando-me com bastante força, fazendo-me encostar a cabeça no ombro dele. Senti-a o anel dele na parte detrás da minha nuca e os dedos deles abertos como escudo de protecção. Eram este tipo de sensações que me faziam esquecer todos os momentos em que me sentia abandonada, despeitada, sozinha e mal amada.
As portas abriram-se e um bando de pessoas fardadas com fatos pretos e sóbrios ficaram admirados com a demonstração de afecto entre o seu patrão e uma mulher, que tinha o rosto enterrado no peito dele.
Abandoná-mos a posição, ele agarrou-me pela a mão e saímos do edíficio, comigo a rir-me de vergonha.
Ele pediu o carro dele e deu ordens para que levassem o meu para a casa.
