Capítulo 10 – Êxtase Momentâneo
- Potter, você observou o carregador guardar minha mala no bagageiro? - Lily perguntou sentada confortavelmente na poltrona da cabine. Faltavam poucos minutos para que o trem partisse e eles haviam acabado de encontrar o vagão correto.
- Eu disse que levaria sua mala, não disse Evans? Não se preocupe, neste exato instante tenho certeza de que o rapaz deve ter colocado-a junto com as outras. - James respondeu com descaso.
Os dois poderiam ser comparados a um casal de velhos desgastados pela convivência. Sirius e Remus estavam surpresos pela súbita mudança de Pontas, que do grande adorador da beleza de Lily Evans, passara a constante motivo para deixá-la irritada. E a bruxa, com sua típica calma, não conseguia evitar ranger os dentes diante do rapaz de cabelos espetados.
- Como assim ela deve ter? - ela questionou em tom irritado. - Eu não disse para você garantir que ela não seria chacoalhada, jogada no chão e muito menos largada de qualquer jeito?
- Ora, Evans, pelo amor de Deus, é só uma maldita mala, para quê tanto drama? - James questionou começando também a se enervar.
- Não é só uma mala, Potter. As coisas que tem dentro dela são mais do que necessárias para minha estadia em Londres. - a bruxa retalhou apertando os dedos contra suas palmas.
Remus olhou um pouco desesperado para Sirius quando ambos começaram a erguer a voz, mas o mago apenas deu de ombros e sorriu de lado. O que ele poderia fazer? Com aqueles dois é que não ia se meter. E o licantropo continuou assistindo, aflito, a discussão.
- Ah, faça-me o favor. Você não irá morrer se um dos seus frascos de poção de beleza quebrar, vai? Ou por acaso você anda usando loções e outras coisas para esconder uma verruga ou algo do gênero? - James provocou com um sorriso malicioso, parecendo amar o jeito com que as bochechas de Lily adquiriram um forte tom de vermelho.
- Como você se atreve... seu descabelado? - Evans grunhiu parecendo que ia avançar nele. - Posso ser cega, mas sei muito bem que não há desastre maior no mundo do que essa coisa indomável em cima da sua cabeça que você chama de cabelo. Quem sabe não é você que precisa de uma poção capilar que faça milagres, heim?
Ao lado dela Sirius cobriu a boca e gesticulou os lábios para que somente Remus ouvisse.
Isso é porque ela nunca viu o Snape!, e Remus teve que se segurar para não rir muito alto e ter a fúria daquele dois doidos voltados para si.
- Não meta meu cabelo nessa história, Evans! Pelo menos eu não me pareço com um tomate, e além disso, você deveria estar é me agradecendo, eu lhe fiz um favor cuidando da sua bagagem! - James retrucou virando o rosto num nítido gesto de superioridade.
- Deixa eu te ensinar uma coisa, Potter. Quando a gente se dispõe a fazer algo temos a obrigação de fazer as coisas direito, e não pela metade.
- Sua mala está neste trem, não está? - James gritou. - Então porque demônios você está me enchendo à paciência?
E Lily parecendo resguardar sua dignidade, piscou os olhos várias vezes, a cor de suas bochechas retornando ao normal.
- Não vou discutir com alguém tão prepotente, não há diálogo com você, Potter. - ela disse fungando numa forma estranha, que pareceu quase felina.
- Diálogo, olha quem fala em diálogo. Se você é tão poderosa porque não previu que suas frescuras iam dar tanto problema?
- Ah, cale a boca, Potter. Eu não posso ficar perdendo meu tempo prevendo coisas tão idiotas! - e ela grunhiu irritada cruzando os braços, parecendo ficar emburrada. James fez à mesma coisa, e ambos viraram a cara, alimentando aquele clima de tensão que deixou Remus e Sirius ligeiramente desconcertados. - Você é tão escandaloso!
- Igualmente! - Potter respondeu.
E do seu humilde cantinho Sirius coçou o topo da cabeça olhando para os dois. Aquela seria uma viagem bem cansativa, principalmente se aqueles dois planejassem se matar por coisas tão superficiais.
Suspirando e meneando cabeça, ele tornou a lançar um longo olhar na direção do licantropo, que pareceu notar seu movimento e o encarou, ambos sorriram um para o outro e por breves segundos o mago pensou que, mesmo se James e Lily tingissem toda a cabine de sangue, tudo estaria bem porque ele estava ao lado de Remus e Remus estava sorrindo para ele.
Sirius olhou feliz para seu quarto. Finalmente estava de volta a Mansão Black e poderia ter descanso das brigas de James e Lily. Haviam chegado naquele mesmo dia, sendo apanhados na estação por uma emburrada Bellatrix e uma sorridente Nymphadora, que rapidamente decidiu que Evans era uma boa pessoa para ser sua amiga.
O trajeto que fizeram pelo centro de Londres, passando pelas ruas tão conhecidas, pareceu trazê-lo de volta a vida e ele sabia que seus companheiros de jornada sentiam o mesmo, estando aliviados por se livrarem dos mosquitos e de todos os dramas do campo.
E agora que ele estava ali, satisfeito com o ar de sua cidade natal, ele assistiu através da janela do segundo andar a noite chegar, o sol se pondo e a lua começando a fazer sua aparição no céu estrelado.
Deixando seu quarto e descendo as escadas, ele decidiu se presentear com uma caminhada. Desde que Remus aparecera em sua vida, ela estivera muito turbulenta para que ele voltasse a ocupar o tempo ocioso com estes pequenos prazeres, mas agora ele estava disposto a distrair a mente de seus problemas e para isso só precisava ir se embrenhar entre os prédios e casas de Londres.
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Rapidamente ele alcançou a cozinha onde Andy e Abel pareciam observar cuidadosamente a cozinheira, que preparava uma espécie de ensopado. Ele estava contente com o fato de que a presença do alquimista salvara a prima do tédio, e retirando o incidente da transformação, ele particularmente considerava aqueles dois uma dupla e tanto, mestre e aprendiz, ambos muito curiosos com relação a tudo o que acontecia ao redor.
- Andy! - ele chamou de leve após observar a prima franzir o cenho concentrada, discutindo algo sobre como estocar pernas de morcego com Abel corretamente.
Ela demorou a erguer os olhos, mas quando fez seu rosto se iluminou. Pedindo licença para o velho e erguendo-se, ela rapidamente o alcançou na porta da cozinha, os lábios curvados num sorriso.
- Ah, Sirius, estou tão feliz por ter tantos convidados para o jantar. Fazia tanto tempo que eu não via a casa tão movimentada!
E Sirius se permitiu rir diante do comentário, pois enquanto a prima se mostrava exultante pelo movimento, os berros provindos da nova discussão entre Lily e James eram bastante audíveis vindos do andar de cima.
- Andy, só você mesmo para apreciar esses gritos e barulhos. Eu acho que o novo casalzinho vinte poderia ser mais silencioso. - ele exclamou, e a prima lhe deu uma piscadela com o olho esquerdo.
- Não seja tão egoísta, Sir, só porque você encontrou Remus não é motivo para que você comece a desprezar as tentativas de James de conquistar uma parceira.
O mago engasgou prontamente com o comentário, ficando muito vermelho, e Andrômeda se divertiu diante disso, imaginando o quanto era bom ver o primo mais animado e vívido, e tudo isso graças ao licantropo.
- Eu não quis dizer que James deva morrer solteiro - ele tentou contornar a situação respondendo algo plausível e desviando a atenção do fator que envolvia sua vida amorosa. - Mas você não acha que o ritual de acasalamento destes dois não é um tanto quanto desastroso?
E Andy começou a rir.
- Ritual de acasalamento? Sirius, da onde você tira essas idéias? - e ele a acompanhou naquele momento de descontração, mas a verdade era exatamente aquela, parecia que tanto Potter quanto Evans pensavam que quanto mais gritassem maior seria o nível de atração um pelo outro. - Mas me diga, porque você me chamou?
- Ah, é só para avisar que eu vou dar uma saída para arejar a cabeça.
Andrômeda estreitou os olhos parecendo ficar subitamente contrariada.
- Sir, você sabe que eu não gosto quando você resolve ir andar pela cidade sem rumo certo. - ela lembrou assumindo uma expressão preocupada.
- Ora, Andy, não seja tão paranóica. Eu preciso sair um pouco, se eu ouvir mais um Potter, cale a boca!, acho que irei ficar maluco.
- Você está até parecendo à rabugenta da Bella quando fala assim.
Ele deu de ombros e apenas meneou a cabeça, o que ele poderia dizer? Se tratando de James, Lily e seus escândalos, era impossível não concordar com Bella.
- Eu só preciso dar uma olhada em como vão indo as coisas por aí. Pode não parecer, mas um dia no interior requer muito autocontrole, e neste exato instante estou precisando da fumaça de carros, buzinas e todo o movimento que você já conhece.
- Está certo, está certo! - Andy suspirou derrotada dando um tapinha no ombro do primo. - Mas esteja aqui para o jantar, heim? Seria indelicado se todos estivessem reunidos e você simplesmente ficasse por aí, rondando os becos de Londres como um gatuno.
Sirius sorriu em concordância.
- Okay, pode deixar, só de sentir o cheiro que está vindo daqui de dentro acho que eu seria incapaz de perder o horário da janta.
Andrômeda farejou um pouco o ar alegando prontamente que ele estava certo. Aquele cozido estava cheirando muito bem, e Sirius ainda podia sentir o aroma de carne com legumes quando se despediu da prima e começou a caminhar em direção a porta da frente.
Passando pelo hall, ouvindo baques no andar de cima e o bater da porta do quarto de James, ele franziu o cenho e apenas continuou seu caminho, mas não resistindo à curiosidade ao ver a luz da sala de estar acesa, acabou lançando um olhar interessado nessa direção, deparando-se com Remus e Nymphadora bastante concentrados em uma nova partida de xadrez.
Ele sentiu-se feliz assistindo por alguns instantes Remus rir junto com Nym por causa de alguma espécie de trocadilho, ambos estavam se dando muito bem, e aquilo o fazia sentir-se aquecido. Era bom ver o quanto duas parcelas importantes de sua vida conseguiam conviver juntas.
- Hey, Tio Sir! Você vai sair? - Nymphadora de repente perguntou numa voz entusiasmada, que o acordou daquelas reflexões, fazendo-o sorrir na direção da sobrinha, vendo que tanto ela quanto o licantropo o olhavam do local onde estavam.
- Ah, sim vou dar uma volta antes do jantar! - ele confirmou e ela pareceu ficar satisfeita com a resposta, voltando a se concentrar no tabuleiro.
Sirius sentiu-se um pouco envergonhado de olhar para Remus, por isso tornou a se virar, dirigindo-se para a saída e ficando ligeiramente surpreso quando percebeu que o licantropo o seguira e que agora o alcançava na porta de entrada.
- Você não acha perigoso sair tão tarde? - Remus perguntou fazendo-o parar e ficando de frente para ele.
Sirius olhou dentro daqueles olhos ambarinos e soltou um suspiro com um meio sorriso.
- Eu já sou crescidinho, Remus, sei me defender.
- Mas você sabe... todo esse problema com Riddle e seus seguidores. Ele pode... hum... te atacar e... – ele parou piscando os olhos por alguns instantes e o mago se surpreendeu ao notar que ele estava preocupado com ele.
- Olha, não se preocupe - começou a dizer num tom carinhoso. - Eu estarei de volta antes do jantar.
Remus meneou a cabeça concordando, e Sirius se viu erguendo a mão em direção a sua bochecha, dando um leve apertão que fez o licantropo rir.
- Então não é melhor vestir algo mais quente? Quem sabe um casaco? Está fazendo frio lá fora, você pode adoecer.
- Bem, se alguém se lembrasse de devolver minha jaqueta quem sabe eu pudesse seguir essa sugestão? - ele provocou.
E isso fez Remus corar, relembrando-o do quanto fora desleixado ao se apossar da peça de roupa de Sirius.
- Oh, acho que eu acabei me esquecendo. As últimas semanas foram tão tumultuadas, que...
Mas o mago o interrompeu com uma risada leve, fazendo-o ficar ainda mais sem jeito.
- Bah, não se preocupe com isso. - disse num tom de voz maroto. - Depois eu irei buscá-la pessoalmente.
Isso fez o coração do licantropo disparar e antes que Sirius pudesse se dar conta do que acontecia, Remus o abraçou surrando um Estarei te esperando para o jantar! sumindo de suas vistas logo em seguida, retornando para sala onde estava jogando xadrez com Nymphadora.
Passando as mãos nos cabelos e respirando de forma um pouco mais agitada, ele sentiu-se eufórico com o que acabara de acontecer. Depois deste abraço era quase impossível que ele ousasse se atrasar para o jantar.
O vento acima dos prédios estava frio e Sirius teve que se abraçar. Entre os dedos mantinha firme o cigarro que temporariamente levava aos lábios, e em sua cabeça a imagem de Remus não se afastava.
Era angustiante viver naquele turbilhão de ironias. Não poder tocar a pessoa que deseja, ter que massacrar as próprias ânsias... e ele sabia que Remus também sofria. Ainda se recordava do que acontecera com os dois no parque, de sua disposição em suportar a dor somente para beijar o licantropo, e pensando melhor sobre o assunto, o que mais tinha vontade neste momento era de voltar para a mansão e encarar aquela maldição de vez, mesmo que tivesse que suportar mil agulhadas sobre sua pele.
E aquilo também era ridículo. O dia em que decidiria seu futuro, o dia em que enfrentaria Escarlate, se aproximava lentamente, e em sua mente só havia o sorriso do lobisomem, os olhos, a boca. De certa forma ele queria se chutar. Não gostava de estar tão entregue a um sentimento, era como se uma força anormal o controlasse, o impedisse de pensar racionalmente e lhe impingisse impulsos, desejos e nos últimos dias pensamentos extremamente imorais.
Aproximando-se da borda da construção e olhando o horizonte, ele suspirou. Nuvens negras se aproximavam vindo do sul, prontamente indicando o início de um temporal. Se não retornasse logo para casa tanto Andy quanto Remus ficariam preocupados, e isso era o que ele menos desejava.
Jogando o cigarro fora e começando a descer as escadas de incêndio, ele rapidamente ganhou as ruas e em poucos minutos chegava ao portão da mansão, só percebendo que estava ensopado quando finalmente adentrou o hall. A chuva lá fora estava intensa. Era possível ouvir a distância os estrondosos trovões, mas mesmo assim ele notou os ruídos vindos da sala de jantar indicando que a refeição já iniciara há algum tempo, e ele sabiamente previu que a prima iria comer seu fígado pelo atraso.
Bufando um pouco e balançando a cabeça para diminuir a quantidade de água em seus fios negros, ele caminhou na direção das escadas. Tomaria um banho quente e rápido para se aprontar adequadamente para a janta.
Todos na mesa pareciam se divertir. Até mesmo Lily e James haviam dado uma trégua e apreciavam o ensopado. Remus sentia-se um pouco impaciente por Sirius não estar presente, e sentara-se estrategicamente virado para a porta, tudo para ser o primeiro a vê-lo chegar.
Andy conversava com Lily sobre o preparo de um espelho d'água, pois no dia que viria ambas planejavam realizar uma cerimônia no antigo porão da casa, e mesmo sabendo que esse evento seria essencial para descobrir sobre o espelho que guardava a liberdade de Sirius, o licantropo continuava a erguer de minuto e minuto os olhos, ansiando deparar-se com uma silhueta conhecida.
Oh, começou a chover! Se ele não se apressar irá pegar um resfriado. Mas ele prometeu que não iria demorar. Será que aconteceu alguma coisa?, e todos estes pensamentos se acumulavam em sua cabeça, deixando-o agoniado.
De seu canto Andrômeda o observava com um sorriso esperto. Sabia sobre o que ele estava pensando, e quando um pequeno ruído pode ser ouvido nas escadas, não se surpreendeu ao vê-lo se erguer num rompante sem sequer pensar no que fazia, pedindo permissão para se retirar de forma apressada.
Todos na mesa estavam ocupados demais para dar atenção a ele. Até mesmo Bellatrix que se amaldiçoava por não ter sido tão esperta quanto Narcissa e Regulus, que haviam sumido naqueles últimos dias, não reparou na quase correria do licantropo na direção do andar de cima.
O corredor estava escuro quando o lobisomem o atravessou e parando de frente para a porta do quarto de Sirius, ele estacou parecendo um pouco indeciso sobre o que fazer. Seria indicado bater? Será que o mago não se incomodaria com a insistência? E preciosos minutos transcorreram enquanto ele ficava ali, parado, olhando para a madeira e criando coragem para reagir.
Quando ele finalmente se anunciou, ouvindo um Entrepolido como resposta, girou a maçaneta com a mão um pouco trêmula, só para se deparar com um Sirius Black muito melancólico olhando através da janela, parecendo ter acabado de sair do banho.
Os olhos do licantropo apreciaram a imagem em silêncio. O mago era tão belo. Seu porte era de tirar o fôlego de qualquer um, e ele era simplesmente incapaz de não pensar em coisas impuras diante daquela visão.
- Ah, é você, Remus. Pensei que Andy já subira para brigar comigo pela demora.
O lobisomem teve vontade de se esconder em algum lugar, imaginando que aquela era uma indireta pela sua perseguição. Quem ele pensava que era para basicamente ficar vigiando os passos de Sirius?
- Eu estava preocupado. Começou a chover e você não voltava, então eu... – ele murmurou com as faces em chama.
- A chuva me atrasou um pouco, mas nada demais aconteceu, eu já até tomei um banho. – Sirius explicou com um sorriso, se virando para observá-lo parado no umbral.
O licantropo pensou no que fazer em seguida. Poderia sair e voltar para junto dos outros, mas ele desejava ficar mais tempo a sós com Sirius, restando-lhe, portanto, apenas uma última opção. Respirando fundo e pensando numa boa desculpa, ele finalmente caminhou até o mago, ficando ambos agora mergulhados na penumbra do quarto.
Remus podia ver que Sirius agora o observava com cuidado, vendo-o se aproximar, e foi uma surpresa até mesmo para o próprio lobisomem quando ele se viu apanhando audaciosamente a toalha em cima da cama, encaminhndo-a na direção dos cabelos do outro rapaz.
- Eu não quero que você pegue um resfriado. - ele murmurou suave, passando o tecido nos fios negros e massageando a cabeça de Sirius com delicadeza, fazendo movimentos circulares.
Ambos tinham quase o mesmo tamanho, o mago era apenas alguns centímetros mais alto que Remus, e por isso o licantropo não teve que se esforça para alcançá-lo. Sirius não tirava os olhos da face um pouco corada do lobisomem, e apreciava o carinho. Aquele era um dos raros momentos que podiam compartilhar sem serem reprimidos pela maldição, lutando sempre contra o desejo de algo mais, de ir mais longe, sentindo o quanto era doloroso não saciarem os próprios impulsos.
Remus se afastou e olhou para Sirius com um sorriso divertido. Os cabelos dele estavam espetados para todos os lados, mais bagunçados que o de Pontas se é que era possível, e ele não pode se conter ao comentar:
- Se James visse isso pegaria no seu pé até o fim de seus dias! - mas ao contrário da reação que ele esperava, isso não pareceu entreter Sirius, que continuou olhando-o com aquelas duas profundas esferas de azuis, vendo-o ficar desconcertado. - Desculpe acho que fui longe demais. - ele se apressou a dizer, olhando sem graça para a toalha em suas mãos.
No que ele estava pensando? Avançar para cima de Sirius e começar a enxugá-lo como se tivesse algum direito de fazer isso? Era tão ridículo, tão terrivelmente embaraçoso que ele tinha vontade de correr.
Mas para sua surpresa a porta atrás de si se fechou com um baque surdo, a chave girando na fechadura como num passe de mágica. Ele se surpreendeu ao ver isso e se virou para Sirius procurando por respostas, e tudo o que pode fazer foi prender a respiração ao notar que o mago se aproximava languidamente.
Suas mãos foram apanhadas pelos dedos enluvados de Sirius e ele o fez soltar a toalha.
- Eu... o que... - Remus tentou dizer alguma coisa, perdendo-se em frases sem nexo, mas Sirius pareceu não se importar, e em poucos instantes o licantropo se viu capturado por aquele olhar intenso, dando passos incertos para trás.
Tudo aconteceu rápido demais. Os trovões lá fora, a chuva batendo contra a vidraça, e o mundo ao redor de Remus mudou de perspectiva quando ele se viu encostando a perna na cama e de repente caindo sobre ela.
Sentiu a boca ficar seca ao olhar para cima e se deparar com a expressão decidida de Sirius, e embora seu coração batesse em ansiedade por aquilo, ele simplesmente não conseguiria, não a custo de tamanho sacrifício.
- Não faça isso! - foi tudo o que ele pode murmurar quando sentiu o colchão ceder um pouco mais com o peso do mago.
- Shhh! - o outro pediu silêncio, ficando de joelhos com ambas as pernas ao lado das coxas do licantropo, pousando a mão em sua boca.
Remus piscou quando viu o mago aproximar seus rostos e fechou os olhos saboreando aquela respiração suave em sua bochecha. Sentia-se paralisado, não conseguia se mexer, e todo seu corpo pegava fogo.
A mão esquerda de Sirius escorregou por sua camisa erguendo a de leve, traçando um caminho luxurioso por sua pele, fazendo-o se arrepiar. Mesmo estando apenas em contato com a textura do algodão da luva, ainda havia a certeza de que os movimentos eram calculadamente provocados pelo mago, e aquilo simplesmente o deixava cego de prazer.
Sirius o observou cuidadosamente, vendo-o balbuciar seu nome e suspirar satisfeito enquanto ele continuava roçando os dedos em seu tórax. Aquilo era tudo o que ele podia dar ao licantropo naquele momento, e mesmo que doesse chegar somente até aquele ponto, ele continuaria, satisfaria ao menos parte das vontades de Remus na tentativa de nutrir os sentimentos que havia entre eles.
Olhando como o lobisomem apertava os olhos com força e arquejava, ele desceu a mão até seu baixo ventre, deixando-a brincar com a borda de sua calça para depois desabotoá-la, começando a invadir lentamente aquele espaço. Seus dedos tatearam o caminho e quando ele finalmente alcançou o sexo do licantropo, ele o assistiu abrir e arregalar os olhos, puxando em uma única golfada o máximo de ar que podia.
- Sirius, pare! - ele o ouviu sussurrar num terrível esforço, estando no limite entre a razão e o êxtase.
Não, ele não pararia, nem se o mundo ameaçasse explodir. E por isso ele começou a estimulá-lo, provocá-lo, vendo como ele se contorcia. As mãos de Remus por um instante agarraram os seus braços, apertando-os com força sobre a camiseta e ele sentiu o lobisomem cravando suas unhas nele.
- Mais... Mais... - o ouviu murmurar e sorriu, observando os fios loiros começarem a grudar em suas têmporas enquanto ele movia levemente os quadris para cima, demonstrando a agonia que aquela prazerosa tortura estava lhe provocando.
Sirius sentiu o próprio corpo responder aquela visão, mas não parou sua mão, apoiando-se num cotovelo sem colocar todo seu peso sobre o corpo de Remus. Ele notou o quanto sua respiração ficou mais pesada, e ficou admirado com o fato de estar quase delirando só de ouvir os sons sensuais que o licantropo deixava escapar, aquilo era mais intenso do que ele algum dia chegara a imaginar.
Sentindo o suor escorrer por seu rosto e experimentando pela primeira vez a sensação de intenso calor, ele recostou a testa no peito de Remus fechando os olhos e continuando seu serviço. Se pudesse já teria arrancado a roupa de ambos e se embrenhado entre os braços e pernas do lobisomem, mas isso causaria a sua morte, e neste instante ele só podia se contentar em saborear os gemidos cada vez mais altos de Remus.
Ele previu o momento em que seu amado atingiria o ápice e habilmente diminuiu o ritmo. Sentiu como Remus se contorcia contrariado, pedindo por mais, mas manteve-se resoluto, prolongando tudo o máximo possível, e após alguns segundos compartilhou o estremecimento do licantropo, que ergueu um pouco a cabeça após atingir o orgasmo, apertando ainda com mais força os seus braços, murmurando uma última vez seu nome para finalmente relaxar sobre a cama sem forças sequer para abrir os olhos.
N/A: Início turbulento, final repentino e um pedido de misericórdia dessa mísera autora. Meus queridos! Oie oie oie! Eu sei que vocês irão me perdoar pela falta de extras depois do que leram aí em cima... a questão é a seguinte, este foi mais um capítulo que cresceu demais! Hehehehehe! Eu tive que dar uma pequena ênfase aos acalorados Sirius e Remus... então, me perdoem, heim? Era também para eu revelar quem tem o espelho, mas isso infelizmente terá que ficar para próxima... aiaiaia! Acumulou tudo para o capítulo de Natal! Hehehehehe!
De todas as formas, se divertiram com este light lemon, ham? Espero que sim!
Quero também agradecer aos pimpolhinhos que deixaram reviews:
watashinomori, Mo de Aries, Athena Sagara, Amy Lupin, Moony Ntc., haruechan e Tata Black!
Muito obrigada mesmo pelo apoio pessoal.
E agora vou ficando por aqui! Sobre Appassionata, quem a lê, aguarde atualizações para este fds ainda, tenham esperanças, eu não os deixarei na mão! rs
Reviews, reviews! E Bjos!
