100 Poison+Ice ficlets
Chibiusa-chan
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Título : Futuro
Tema : #23 Death (morte)
Palavras : 558
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Ele se aproximou da figura esguia, sentada debaixo da árvore, quase sem fazer barulho algum. O outro, porém, sabia de sua presença.
- Posso me juntar a você nesse momento solitário ? - Milo sentou-se no gramado e, sem pedir, deitou a cabeça nas coxas do outro.
- De que adiantaria dizer não, se você iria ficar de qualquer jeito ? - Camus não pareceu se abalar com a invasão do outro, e suas mãos automaticamente rumaram para o emaranhado de cachos loiros.
- Nós temos tão pouco tempo juntos que só posso ignorar todas as suas negativas. - falou divertido, fechando os olhos - No que pensava ?
- Em nada.
Milo soltou o ar pelas narinas numa risada contida.
- Você nunca pensa em nada. E geralmente quando me dá essa resposta, é porque está pensando em algo que te angustia. O que houve dessa vez ?
Mas Camus não lhe respondeu, continuando a fitar o horizonte.
- É por causa da aproximação da batalha ? - como o outro continuava sem lhe responder, deduziu que acertara o motivo - Não deveria. São cavaleiros de bronze, nada irá acontecer conosco.
- Não importa o resultado desta batalha, Milo. Estamos nos aproximando do confronto final, todos nós podemos sentir, inclusive você.
O silêncio durou alguns minutos desta vez.
- Prefiro não pensar nisso. - o grego respondeu, por fim - Não quero saber das batalhas, mas do futuro que iremos traçar depois delas.
- Futuro ? Que futuro ? Todos nós iremos morrer, Milo.
- Deixe-me com minhas esperanças. Sempre pensei que envelheceríamos juntos.
- Nós iremos morrer, Milo.
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Milo entrou no templo congelado, os passos ecoando no mármore do piso.
Por mais que sua razão lhe provasse o que ocorrera, ele precisava ver tudo com os próprios olhos. O lugar ainda tinha o cheiro do perfume de Camus, e isso fazia seu peito doer. Deu mais alguns passos, até que viu o que queria.
Estava tudo acabado, enfim.
Sentiu que suas mãos tremiam e seus olhos ardiam, mas aquele ainda não era o momento, e talvez nunca fosse. Aproximou-se do corpo de Camus e se abaixou, tocando o rosto duro e frio feito pedra. Morto. Admirou o rosto perfeito, que tinha um sorriso eternamente selado em seus lábios.
"Sempre pensei que envelheceríamos juntos."
Como fora tolo em manter tamanhas ilusões. Camus estava certo, todos eles iriam morrer. Ele entendia agora, aliás, que era melhor que eles morressem juntos, e talvez fosse isso que o francês se referira. Mas não era o que tinha acontecido. Se Milo sobrevivesse, envelheceria sozinho. E, ironicamente, o corpo de Camus jamais se deterioraria.
"Nós iremos morrer, Milo."
Camus estava morto e, por mais que sua razão quisesse lhe provar o contrário, sentia que a culpa era sua. Porém não conseguia deixar de pensar, num divisor de águas como aquele momento era, em de que modo a vida deles poderia ter seguido se tudo tivesse sido diferente. Teriam permanecido juntos se não fossem cavaleiros ? Camus ainda viveria e estaria com ele ? Ele nunca saberia. Apenas tinha certeza de que o único futuro que queria traçar de agora em diante era lutar como o cavaleiro honrado que era, e morrer em batalha.
Mas até quando Milo teria de passar pela tortura de viver sem ele ?
Fim.
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N/A: A fic nasceu da frase "sempre achei que envelheceríamos juntos", que apareceu na minha cabeça num dos momentos mais improváveis.
Por Chibiusa-chan.
21 de março de 2009, 23:49.
E abaixo a reforma ortográfica !
