UNIVERSAL INVARIANTS
Capítulo Onze: Vá Pescar
Na manhã de domingo Scully acordou com um forte cheiro de café preto. Ela seguiu o cheiro e encontrou Ethan parado com uma caneca na mão. "Dia," ele ofereceu, tomando lugar perto do quadril dela. "Eu pensei que você poderia gostar de tomar um café fresco antes de eu ter que ir."
Scully fez um zumbido com o nariz e se aconchegou lentamente nos travesseiros. Ela aceitou a caneca quente e soprou em cima. "Obrigada. Onde você está indo tão cedo?"
"Trabalho. Melinda e eu temos uma matéria hoje á noite." Ele sorriu e acariciou a perna dela por cima da coberta. "Eu devo estar de volta antes do jantar."
"Mmm. Tenho que jantar na mamãe hoje á noite. Eu vou para lá para ajudá-la com algumas coisas do meu pai."
"Como ela está indo?"
"Melhor," Scully disse, porque ela esperava que aquela fosse a verdade. Conseguir que a mãe dela falasse sobre sentimentos nunca tinha sido fácil, e desde a morte de Ahab ela tinha tratado apenas de trabalho. Hoje elas estariam empacotando as roupas dele para dar para a caridade.
"Isso é bom. Eu irei até lá quando eu terminar então."Ele brincou com os dedos dela.
Scully o pegou olhando para o dedo nu dela. "Ethan..."
"Hmm?" ele disse, olhando-a nos olhos.
"Eu queria dizer obrigada...de novo. Por ser paciente comigo."
Ethan não fingiu ter entendido mal. Ele deu de ombros, aceitando. "Eu não esperava que você caisse nos meus braços cheia de felicidade. Sonhava, talvez. Mas não esperava. Você não é exatamente uma pessoa impulsiva. Eu sei que você gosta de pensar nas decisões por um longo tempo antes de tomá-las. Eu entendo que essa decisão não deveria ser nem um pouco diferente, certo?"
"Certo." Ela sorriu para ele. "Ainda assim obrigada. Eu sei que eu não sou a pessoa mais fácil do mundo de lidar quando o assunto é esse."
Ele se inclinou e a beijou. "Cuidado, você está falando da mulher com a qual eu vou me casar." Ele saiu da cama. "Te ligo mais tarde, okay?"
Scully acenou um adeus e se encostou novamente contra os travesseiros, bebericando o café dela e contemplando sua mão vazia.
Margaret Scully acordava todas as manhãs às seis, e aparentemente o dia em que ela estava dando os pertences do marido dela para a caridade não era uma exceção. Scully chegou para encontrar caixas já empilhadas na sala de estar de Maggie.
"Dana, oi." A mãe dela usava uma bandana rosa e uma enorme camisa, parecendo ao menos uma década mais jovem do que os cinquenta e cinco anos dela. "É bom ver você, querida. Você quer café? Eu tenho uma garrafa fresca na cozinha."
"Não, obrigada." Scully examinou as caixas. "Você tem estado horrivelmente ocupada. Parece que você nem mesmo precisou da minha ajuda."
"Eu não posso carregar tudo isso para o Exercito da Salvação sozinha."
Scully abriu a caixa mais próxima. "Você está dando a bola de boliche do papai?" Ela puxou a caixa para longe da pilha e a abriu. Dentro estava a sólida bola, redonda e macia como sempre havia sido. Scully acariciou a superfície dura.
"Nenhum dos seus irmãos a quis."
"Yeah, mas eu não posso acreditar que você vai dar ela. Papai amava essa bola. Ele venceu aquele troféu em setenta e oito, lembra?"
A mãe dela a olhou com afeição. "Se você gostaria de ficar com a bola, é sua, querida."
"Eu não a quero," Scully protestou.
"Bem, e nem eu." A mãe dela fechou a bolsa da bola e a colocou de volta na caixa.
Scully observou ao que a mãe dela atava as amarras da caixa novamente. "Você não vai ficar com nada?"
"Mas é claro que eu vou." A mãe dela se levantou. "Eu tenho todas as fotos que nós tiramos - centenas delas. As medalhas dele, claro. Eu jamais as daria. Billy ficou com os tacos de golfe dele e algumas roupas. Você não acha que é melhor que essas coisas vão ficar com alguém que as usará melhor do que elas seriam usadas empilhadas em um dos meus armários?"
Scully abraçou a caixa perto dela. "Eu acho que sim."
"Dana." A mãe dela acariciou o braço dela. "Essas coisas não são seu pai," Elas eram as coisas do seu pai. Ele não vive mais nelas. Ele apenas vive aqui." Ela tocou o peito de Scully, e Scully fez um esforço para sorrir.
"Você está certa. Claro que você está certa."
"Seu pai me deu trinta e seis anos de casamento e quatro filhos lindos. Isso é tudo o que eu preciso para me lembrar dele." Ela abraçou forte Scully.
Scully fungou um pouco ao que ela se soltava. "Você devia ter tido mais."
"Eu também queria, mas não foi assim. Eu apenas tenho que agradecer o tempo que eu tive com ele." Ela acariciou o cabelo da filha dela longe dos olhos dela.
"Mãe, como você soube que papai ia ser um bom marido?"
A mãe dela riu. "Oh, eu não soube."
Scully olhou para ela asperamente. "O que você quer dizer?"
"Querida, eu dei sorte. O seu pai e eu nos casamos quando eu tinha apenas dezenove anos de idade. O que eu sabia sobre escolher um marido. Eu mal conseguia escolher um corte de cabelo."
"Mas você devia saber alguma coisa."
"Eu sabia que ele ficava lindo de uniforme."
"Mãe. Eu estou falando sério."
"Mmm, eu também."
Scully balançou a cabeça. "Okay, então finja que você soubesse o que você sabe hoje. O que papai fez que te convenceu de que ele era o seu escolhido?"
"Dana, eu queria poder contar a você. Mesmo, eu acho que eu apenas dei sorte. Ele parecia ser um bom homem, e aconteceu que ele era."
"Então é isso? Case-se com o primeiro bom homem que você achar?"
"Eles não são tão fáceis de achar como você imagina." A mãe dela tocou a bochecha dela. "E porque todas essas perguntas sobre casamento?"
"Por nada," Scully disse, desviando. "Apenas curiosidade."
"Eu acho..." A mãe dela parou e cruzou os braços. "Eu acho que o melhor que você pode esperar é que vocês nunca devem esconder nada um do outro."
"Nem mesmo um romance não acabado?" Scully brincou.
"Querida, depois de trinta anos de casamento, se você está falando mais que, 'Passe o sal' á mesa de jantar, esse *é* o romance."
Ethan chegou a tempo de ajudar com os preparativos para o jantar. "Aqui, você pode lavar o alface," Scully disse a ele utilizando suas habilidades de cortar e dissecar em um tomate.
"Sempre diga sim para uma mulher com uma faca," Ethan disse para Maggie. Ele beijou a cabeça de Scully ao que ele passou perto dela.
"Você e Melinda acabaram a matéria?" Scully perguntou.
"Yup. Estará indo ao ar em -" Ele checou o relógio "Cinco minutos."
"Então nós deveríamos esperar para jantar até que entre no ar," Maggie disse ao que ela colocava a panela de carne assada de volta ao forno.
"Oh, isso não é necessário. É só uma matéria rápida, sobre a nova taxa de imposto. Não vale a pena interromper este delicioso jantar."
"Eu gostaria de assistir," Maggie replicou, enxugando as mãos dela com um pano de prato.
Scully e Ethan a seguiram até a sala de estar. Enquanto Maggie procurava o canal. eles se sentaram no sofá. "Eu odeio me assistir na TV," Ethan confessou. "Eu pareço ter vinte quilos a mais e meu cabelo está sempre levantado atrás."
"Oh, não fica não." Scully acariciou o cabelo dele. "Eu acho que é uma gracinha."
Ethan colocou a mão dele em cima do estômago. "Eu deveria voltar a correr com você."
"Correndo - não foi assim que vocês dois se conheceram?" Maggie se virou com o controle remoto nas mãos.
"Yup," Ethan disse ao que colocava um braço ao redor de Scully. "Quando eu conto às pessoas que sua filha é uma pra se pegar, eu quero dizer pegar. Eu a observava correr uma dúzia de vezes e então eu percebi que seria melhor se eu tivesse uma chance de chegar ao ritmo dela."
"Você foi bem," Scully respondeu, olhando ele de lado.
"Isso é porque eu treinei durante duas semanas antes mesmo de tentar. Eu não queria me apresentar a você entre gritos e falta de ar."
"Olha, é a sua matéria," Maggie disse, os silenciando.
"Viu? Está praticamente entre uma piscada e outra," Ethan disse. Scully escondeu um sorriso.
Eles o assistiram dar os detalhes da nova proposta de imposto de renda. Quando ele acabou, Maggie disse, "Eu não me importo o quanto de imposto eles omitem. Minhas taxas sempre caminham de um jeito - pra cima!"
Na TV, o jornal deu uma notícia sobre uma perseguição policial em Maryland. Os policiais tinham atirado no suspeito antes dele pular em um porto, mas até agora a polícia não tinha conseguido recuperar um corpo.
"Irá aparecer eventualmente," Ethan disse, se movimentando para sair do sofá.
Maggie desligou a TV. "Eu vou colocar o jantar na mesa."
O telefone celular de Scully tocou, e ambos, Ethan e a mãe dela se viraram para olhar para ela.
"Você tem que atender aquilo?" Ethan disse com um suspiro.
"É algo importante?" Maggie perguntou.
"Apenas tres pessoas sempre ligam para aquele telefone," Ethan disse a ela. "E você e eu estamos aqui de pé na sala com ela."
Scully o ignorou e foi atender o telefone dela. "Scully," ela disse.
"Scully, sou eu. Você pode me encontrar no escritório imediatamente? Tem uma coisa que eu preciso que você dê uma olhada."
Scully espiou por cima do ombro dela. "Não pode esperar?"
"Hey, se você está ocupada, esqueça. Eu te coloco a par de tudo pela manhã."
"Não," ela disse rapidamente. "Eu estarei lá."
Ele desligou sem dizer adeus.
"Mulder, você voltou essa fita umas cem vezes. O que exatamente você espera encontrar?"
"Eu não sei." Mulder imprimiu uma foto do vídeo da cena do crime. Até onde eles sabiam, a polícia não havia recuperado o corpo ainda, apesar das buscas na área. O "amigo" de Mulder, Garganta Profunda achou que isso era algo significativo.
"E tudo o que ele disse a você foi para assistir ao canal oito?"
"Yeah, foi tudo o que ele disse."
O estômago de Scully roncou. Tudo o que ela havia comido tinham sido alguns pedaços de cenoura antes de sair pela porta. "Nós ao menos sabemos o porque do suspeito estar sendo perseguido?"
"Até onde eu sei, ele não pularia por uma violação induzida. Tem que ter alguma coisa aqui. Algum detalhe. Alguma coisa que nós não estamos vendo."
"Como nós podemos saber se ele não está apenas te enganando, esse personagem, Garganta Profunda?"
"Por que ele faria isso?"
"Bem, ele mentiu pra você, ele mesmo admitiu."
"Eu não acho que ele me ligaria se não tivesse alguma coisa aqui... alguma coisa que eu deveria ver. Alguma coisa que ele quer que eu veja."
Scully ouviu Mulder tagarelar no caminho para ver o carro do suspeito sob custódia da polícia. "Eu acho que tem algo relacionado ao suspeito, Scully. Talvez ele queria alguma outra coisa, e esse é o porque dele ter fugido."
"Poderia ser." Ela estava olhando pela janela, pela paisagemque passava.
"Se nós ao menos tivéssemos um nome, nós poderíamos dar uma busca por ele no sistema."
"Talvez ele apenas tenha roubado o carro, e esse fosse o porque dele estar fugindo."
Mulder considerou. "Eu não acho que Garganta Profunda nos envolveria por causa de um roubo de veículo."
"Você quer dizer envolveu você."
"Huh?"
"Ele só fala com você, Mulder. Eu não recebo ligações no meio da noite ou notas enfiadas debaixo da minha porta."
Mulder sorriu. "O que eu posso dizer, Scully? Ele gosta de encontrar-se nos banheiros dos homens."
Scully balançou a cabeça, divertida. O celular dela tocou. Ela olhou para o nome de quem ligava e colocou o telefone para "off."
Mulder a observou com interesse. "Ligação obscena?"
"Ethan."
"Oh." Ele dirigiu em silencio por um momento. "Problemas no quartel general?"
"Não." Ela alisou as pernas da calça dela e pensou em como ela iria continuar. "Ele me pediu para casar com ele."
O carro se desviou ligeiramente. Mulder se arrumou no assento dele ao que ele os colocava na estrada normalmente novamente. "Uh, eu não estou vendo nenhum enorme anel de diamantes..."
"Eu ainda não disse sim."
Um silêncio constrangedor se colocou entre eles. "Hey, qualquer coisa que te faça feliz, certo?" Mulder disse finalmente. "Você não pode perseguir mutantes comigo pra sempre."
"Eu não estou falando sobre deixar o meu trabalho, Mulder."
"Não, mas é claro que não. É só que-"
"Só que o que?" ela incitou quando ele não continuou.
"Bem, você sabe. Casamento. Mutantes. Bebês. É como aquela música, 'uma dessas coisas não é como a outra...'" Ele se virou para olhar para o pátio da polícia e parou o carro. "Eu acho que é aquele carro lá. O prateado."
"Mulder," ela disse.
Mas ele já havia saído. A porta bateu e ela observou o casaco preto dele flutuar no vento ao que ele corria, sempre perseguindo a próxima grande pista.
Mulder estacionou o carro dele do lado de fora do prédio dele. Ele esfregou o rosto dele com as mãos antes de sair. Doze horas seguidas perseguindo o seu rabo, ele disse a si mesmo.
Ao que ele se aproximou do muro, um homem apareceu das sombras. Mulder reconheceu a forma imediatamente e continuou andando.
"Saindo pela noite, Senhor Mulder?"
Você acha que ele faz essas coisas porque ele gosta de se excitar com isso? Mulder havia perguntado á Scully.
"Não," ela havia dito. "Eu acho que ele faz porque você gosta."
Mulder moveu as chaves dele e encarou Garganta Profunda. "Minha mãe geralmente gosta que eu chegue em casa antes que as luzes se acendam."
"Eu estou surpreso com você. O seu nível de compromisso parece ter diminuído."
Mulder zombou. "Meu nível de compromisso?"
"Eu deveria ter esperado que você estaria trabalhando durante a noite, tentando juntar os pedaços."
Deus, talvez Scully tivesse razão. "Bem, talvez se você tivesse me dado algo com o que trabalhar."
"Sob as circunstancias, eu te forneci tudo o que eu pude."
"Uma matéria em um noticiário?"
"E onde isso tem te levado?"
"Sabe, desde o primeiro dia, tudo sempre tem sido sob os seus termos. E eu aceitei. Tenho sido o filho obediente. Mas talvez, desta vez, quem sabe nós não podemos cortar todo esse lixo de Obi-Wan Kenobi e você pode me livrar o aborrecimento."
"Eu temo que você tenha se tornado muito dependente de mim."
"Deixe eu te dizer uma coisa. Eu tenho muita coisa a fazer sem ter que perseguir as suas pistas vagas ou tentar decodificar a sua lógica circular. Talvez é você quem tenha se tornado muito dependente de mim... da minha disposição em jogar os seus jogos." Mulder se virou para ir embora.
"Senhor Mulder? Não desista desta. Confie em mim. Você nunca esteve tão perto." Garganta Profunda, com sua enlouquecedora mensagem completa, se dissolveu novamente nas sombras.
"Perto de que?" Mulder gritou atrás dele, mas a voz dele ecoou de volta ao concreto, sem resposta.
Seja lá o que o Doutor Berube estivesse fazendo com seu macaco urinador, alguém pensou que era o bastante para fazer o bom doutor cometer suicidio duas vezes. Como Mulder havia dito, "Existe a morte, e então tem a dupla morte."
Então Scully pegou o xixi do macaco para analise, enquanto Mulder visitava a casa de Berube. Ela passou a noite no laboratório de microbiologia ao que o Dr Carpenter lutava para identificar a substancia etiquetada como "Controle de Pureza."
"Debaixo de outras circunstancias, minha primeira ligação seria para o governo," Carpenter disse a ela. "Isso é um núcleo de DNA cinquenta e seis. Um novo par de bases. Agente Scully, o que você está olhando é... a existência da natureza de outro lugar. Tem que ser, por definição... extraterrestre."
De madrugada, Scully tentou ligar para Mulder em casa pela quinquagésima vez. Os joelhos dela amoleceram de alívio quando ele finalmente atendeu.
"Mulder, pelo amor de Deus onde você esteve? Eu venho tentando te ligar a noite inteira."
"Eu tive uma emergência. Eu deixei meu telefone no carro."
"Mulder... aquela bactéria que eu analisei... eles estão dizendo que não existe na natureza. Eles estão dizendo que pode ser extraterrestre."
"Scully..."
"O que?"
"O quão rápido você pode chegar aqui? Eu tenho uma coisa que eu preciso mostrar a você."
Scully chegou á porta de Mulder em menos de uma hora. Ela bateu levemente. "Mulder?"
Ouvindo, ela não escutou nenhum som do lado de dentro. Depois de um momento de hesitação, Scully pegou a chave dela. Ela abriu a porta lentamente. "Mulder?"
A única luz no apartamento vinha do dia brilhando do lado de fora das janelas. Scully colocou a chave dela de volta ao bolso e deu alguns passos pela silenciosa sala
Ela parou quando viu Mulder dormindo no sofá dele, ainda usando o terno dele e sapatos. Scully cobriu a boca dela com os dedos, escondendo um sorriso. Atrás da cabeça dele, os peixes dele iam para frente e para trás, dentro do aquário, antecipando o café da manhã.
Scully cruzou a sala e os alimentou. "Oi caras," ela sussurrou ao que derramava comida lá dentro. "Famintos a esta manhã?" Ela se abaixou e observou-os engolir os flocos.
Ao que ela colocou o frasco de comida e se virou, ela viu uma pequena coleção de fotos em porta-retratos. Ela reconheceu a irmã dele, dessa vez sem as tranças ao que ela brincava na areia da praia. Scully pegou e sorriu. Também havia um porta retrato de prata, com a foto da mãe dele - um retrato formal, tirado em estudio. Scully procurou, masela não viu nenhuma foto que poderia ser do pai de Mulder. Avós, talvez. Ele tinha uma que datava do ano de 1930.
Scully foi colocar a foto de Samantha e a mão dela esbarrou contra uma foto sem porta retratos, deixada em cima da estante de livros. Ela a pegou. A foto era dela e Mulder em uma cena de crime. Scully reconheceu o corpo de Doug Burhle deitado em uma grama alta. Ela estava dizendo alguma coisa e Mulder tinha abaixado a cabeça bem perto para escutar.
Ele se mexeu no sofá, surpreendendo-a, e Scully correu para colocar a foto de volta ao lugar dela.
"Hey," ela disse, e ele empurrou a cabeça dele para cima, para poder vê-la. "Eu bati, mas não tive resposta."
"Desculpe," ele replicou ao que se estirava. "Eu estava tendo esse sonho. Você estava se casando na Estrela da Morte, e caminhando ao som da musica de Darth Vader."
"E com quem eu estava casando? O Imperador do mal?"
"Não, Chewbacca." Ele se sentou e colocou o pé no chão.
Scully inclinou a cabeça dela. "Mulder, se eu me casar, você iria ao casamento?"
"Depende."
"Do que?"
"Se os Yankees estiverem jogando no dia." Ele ficou de pé e pegou as chaves dele da mesinha de café. "Vamos lá, eu quero te mostrar o que eu achei. Você não vai acreditar ."
Ele a levou a uma area da cidade a qual ela jamais havia estado antes. Predios desgastados. Muros decoradas com pichações. Mulder virou uma esquina em que uma placa marcava "Rua Pandora."
Eles estacionaram e Mulder começou a andar até um armazém. "Espera um segundo. Mulder?"
Ele se virou.
"Eu só queria dizer que eu estava errada."
"Está tudo bem. Não se preocupe sobre isso." Mulder piscou para ela, como se ele não pudesse a ver direito.
"Não, um, se você tivesse me ouvido, nós não estaríamos aqui agora. Eu deveria saber agora que devia confiar nos seus instintos."
"Porque? Ninguém mais confia."
"Sabe, eu sempre acreditei que a ciencia era sagrada. Eu sempre coloquei minha confiança em aceitar os fatos. E o que eu vi a noite passada foi... pela primeira vez na minha vida, eu não sei em que acreditar."
"Bem, seja lá o que você acredite, Scully - quando você entrar naquele quarto? Nada sagrado irá acontecer."
Ele pegou as chaves que ele tinha pego da casa de Berube e abriu a porta do armazém. Scully o seguiu até um prédio escuro. O hall estava silencioso e a despensa principal estava totalmente vazia.
Mulder caminhou pelo chão de cimento. "Havia tanques aqui e cinco corpos suspensos em uma solução. E havia computadores os monitorando. Eles estavam vivos, Scully, debaixo d'água."
"O que aconteceu com eles?"
"Apenas Deus sabe," disse uma voz vinda da escuridão. Scully reconheceu o homem do capote-e-adaga de Mulder, Garganta Profunda. "O mais possível é que eles tenham sido destruídos."
Porque você não os impediu? Scully queria perguntar. Mas ela segurou a língua dela.
"Destruídos por quem?" Mulder quis saber.
"Eu não sei."
"Eu não acredito em você," Mulder replicou, e Scully deu a ele um cumprimento interno.
"Existem limites para o meu conhecimento," o homem disse.
Scully olhou para longe. Limites para a vontade dele de sujar mais as mãos. Ele mandou Mulder fazer o trabalho sujo. Ele colocou a vida de Mulder em risco.
"Existiam três homens aqui noite passada," Mulder estava dizendo, como para provar o ponto dela. "Eu fui perseguido."
"Hmm," Garganta Profunda disse. "Se você foi perseguido, você teria sido morto."
Aparentemente Scully era a única que tinha um problema com aquilo. Mulder e Garganta Profunda pareciam pensativos, não alarmados.
"Eu não antecipei a velocidade e precisão da operação de limpeza," Garganta Profunda disse. "Sem a evidência, vocês dois não tem um caso. Você deve encontrar o Dr Secare antes deles. Eu não terei mais nenhum contato com você sobre este assunto."
Ele desapareceu como ele havia chegado, silencioso como uma pantera.
"Eu estou indo encontrar o Dr Secare," Mulder disse.
"Onde?" Scully perguntou.
"Eu não sei. Eu vou confiar nos meus instintos."
Na cama aquela noite, os instintos de Scully diziam "problema." Ela pegou o telefone de novo. A linha de Mulder tocou e tocou sem resposta.
Ethan suspirou. "Talvez ele tenha um encontro."
"Você não entende." Scully segurou o telefone entre os seios dela. "Essas pessoas são perigosas, Ethan. Eles mataram duas vezes agora pra cobrir os rastros."
"Cobrir o que?"
"Você sabe que eu não posso dizer."
"Mas você está convencida que Mulder encontrou alguma coisa que vale a pena matar para ter."
"Dois médicos estão mortos,Ethan!"
"Um suicida e um acidente de carro. Isso foi o que você disse."
Scully levantou da cama e começou a se vestir. "Eu disse que era isso que eles queriam que parecesse."
"E quem são eles? Você ao menos sabe?"
Scully ignorou-o e começou a atar as botas dela.
"Onde você está indo?" Ethan perguntou.
"Mulder." Ela pegou as chaves e a arma. "Eu quero ter certeza de que nada "acidental" aconteceu a ele."
Scully descobriu que ela não era a única preocupada com Mulder. Garganta Profunda apareceu dos arbustos ao uqe Scully começou a seguir o caminho de Mulder. "Ele não está em casa," ele disse a ela resumidamente.
"E onde ele está. Ele tem estado fora a noite toda."
"Eu gostaria de saber."
"Alguma coisa aconteceu a ele." O coração de Scully bateu mais forte quando Garganta Profunda não descordou.
"Eles não o matarão."
"Como você sabe disso?"
"Ele se tornou muito importante e você tem evidencia que poderia expô-los."
"Eu não tenho evidencia alguma. Eles levaram a evidência e talvez tenham matado para conseguir."
"Me escute. A evidencia ainda existe. E pode ser difícil de obter mas com o seu histórico em medicina, eu talvez seja capaz de colocar você lá dentro."
Garganta Profunda deslizou o carro para uma parada do lado de fora de um centro de segurança restrito no Forte Marlene. "O que você está procurando está no último andar. Criologia."
Scully fixou a ID na blusa dela e se preparou para sair do carro. Garganta Profunda segurou o braço dela.
"Seja bastante cuidadosa, Srta Scully. Se eles pegarem você, eles irão te matar."
Scully respirou fundo e abriu a porta. As pernas dela pareciam gelatina, mas de alguma forma ela conseguiu caminhar pelo estacionamento até a porta da frente. Ela passou o cartão de segurança dela pelo leitor e as portas se abriram silenciosamente diante dela.
Scully passou por um umbral e as pesadas portas se fecharam atrás dela. Ela parou dentro de um enorme e branco lugar esterilizado. O único sinal de vida era o guarda de segurança sentado dentro de um pequeno cubículo.
"A senha?" ele perguntou a ela.
Scully hesitou. Garganta Profunda não havia dito nada sobre uma senha.
"Senha?" o guarda tentou novamente, olhando para ela com mais suspeita.
Scully umedeceu os lábios dela. "Controle de Pureza."
Ele a deixou entrar. Scully foi direto para criologia, onde ela encontrou um recipiente marcado como "controle de pureza." Ela abriu como se levantasse a tampa de um caixão em um filme de terror. Espirais de névoa do gelo seco subiram de dentro do cilindro de metal.
Scully ficou cara a cara com um feto alienígena.
Scully esperou no carro dela, se sentindo como uma alienigena ela mesma na ponte escura aquela noite. Quem era esta mulher que havia caminhado com facilidade de dentro de um prédio do governo com propriedade roubada debaixo do braço? Scully deu um profundo, afiado suspiro. Ela pegou o recipiente de cima do assento ao lado dela e saiu do carro.
"Você está atrasada," Garganta Profunda disse ao que ela se aproximou. "Você conseguiu?"
Ela mostrou a ele.
"Bom. Eles estão dispostos a fazer uma troca."
"Você falou com eles?"
"Sim. Eu vou levar o pacote."
"Não, senhor. Eu irei fazer a troca."
"Eu fiz o acordo, Scully. Eles esperam por mim."
"Eu não confio em você."
"Você não tem ninguém mais para confiar."
Uma van estacionou do outro lado da ponte. Scully imaginou Mulder lá dentro, talvez machucado. Talvez morrendo. Ela entregou a ele o pacote.
Scully voltou ao carro dela. Sangue estava correndo dentro dela tão rápido que a fez ficar tonta. Ela apertou o volante e observou Garganta Profunda se aproximar da van.
Um tiro ecoou na noite silenciosa.
Scully empurrou a porta do carro, já correndo antes que os pés dela tocassem o asfalto. "Mulder. Mulder!"
Um corpo caiu da parte de trás da van. Que foi embora. Garganta Profunda estava deitado, morrendo na rua.
Scully checou Mulder primeiro e encontrou o pulso dele forte. Ela correu até Garganta Profunda, mas ele tinha sido ferido mortalmente. Eles não queriam cometer algum erro.
Ela levantou a cabeça dele.
"Não confie.. em ninguém," ele disse a ela, e então, ele se foi.
Mulder estava sentado na sala de emergência exibindo queimaduras quimicas ao redor dos olhos. Scully ficou parada entre as pernas dele e gentilmente examinava a pele delicada.
"Eu diria que foi algum tipo de ácido," ela disse.
"Eu não poderia ver o que estava fazendo," Mulder replicou. "Picava como o inferno, entretanto. Ou a quimica estava nas armas que esses caras usavam ou-"
"Ou o que?"
"Ou estava no Dr Secare mesmo."
"Ao menos a sua visão não foi afetava," Ela colocou as mãos dela em cima das coxas dele. "Você tem muita sorte, Mulder."
"Yeah. Sorte. Nossa melhor fonte está morta e eles tem o feto alienígena de volta. Nós não temos nenhuma evidência."
Scully inclinou a cabeça dela. "Ao menos nós temos o luxo de continuar a procurar," ela disse quietamente.
Mulder tocou pulso dela com um dedo. "Hey," ele disse, esperando que ela olhasse para ele. "Eu não quero soar ingrato. O que você fez, Scully - foi incrível."
"Vamos lá," ela respondeu, puxando-o. "Eu te levo pra casa."
Mulder ficou sentado com os olhos fechados durante o longo, e silencioso passeio de volta ao apartamento dele. Scully estacionou o carro e soltou o cinto de segurança dela.
"Não, você pode ir," Mulder disse a ela. "Eu vou ficar bem."
"Ao menos me deixe te levar pra dentro."
Ele balançou a cabeça. "Você entra lá comigo, e você não vai embora nunca mais." Scully abriu a boca para protestar, mas ele continuou falando. "Vai pra casa, Scully. Eu já estou grande. Eu posso cuidar de mim mesmo."
"Eu sei. Eu só-"
"O que?"
"Eu só quero que você saiba que você não tem mais que cuidar de si mesmo sozinho. Não mais."
Ele sorriu, a pele queimada apertando ao redor dos olhos dele. "Obrigado pela carona. Noite, Scully."
"Noite."
Scully acordou rápido, tirada de um sono sem sonhos e alguma outra coisa que ela não podia dizer o que era. Ela sentou-se tonta, mas a casa estava quieta e Ethan dormia profundamente ao lado dela. Ela olhou o relógio - onze e vinte e um - e deitou de volta ao travesseiro dela.
O telefone tocou. Ela o pegou antes que acordasse Ethan. "Alô?" ela disse, a voz dela rouca do sono.
"Hey, Scully sou eu."
"Onde você está?"
"Eles estão acabando conosco, Scully."
Ela se mexeu, prestando atenção agora. O coração dela gelou. "O que?"
"Eles me chamaram lá hoje á noite, e eles disseram que eles vão nos designar para outras seções."
"Quem disse isso?"
"Skinner. Ele disse que a ordem veio direto do topo do departamento executivo."
"Mulder-"
"Acabou, Scully."
Robby Tinsbury havia dito a mesma coisa quando ele terminou com ela na oitava série. A voz de Mulder tinha o mesmo tom frio de finalidade.
"Bem, você pode entrar com um protesto. Eles não podem..."
"Sim, eles podem."
Scully abraçou a si mesma. "E o que você vai fazer?"
"Eu não vou desistir. Eu não posso desistir. Não enquanto a verdade estiver lá fora."
E então ele desligou o telefone.
Eu, ele havia dito. Não nós. Mulder estava por si mesmo novamente. Scully imaginou o que diria Blevins, se Blevins havia orquestrado a divisão.
Scully deitou de volta na cama que de repente pareceu muito grande. Ela se encostou contra o travesseiro dela. Ethan se mexeu, um braço vindo para ficar ao redor dela.
"Tinha alguém no telefone?"
"Sim." Ela se virou no abraço dele, encostando a cabeça dela no ombro dele. Ele calmamente acariciou as costas dela.
"Quem era?"
"Ninguém."
"Mmm." Ela podia senti-lo voltar a dormir.
"Ethan?"
"Hmm?"
Ela ficou tensa, fechando os olhos dela firmemente. "Eu me caso com você."
Fim do capítulo onze. Continua no capítulo doze.
Muitos obrigadas a Amanda por betar! Quaisquer erros são exclusivos meus.
Qual é aquela frase mesmo? Sempre tem a escuridão antes do amanhecer?
;-)
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