Capítulo Onze: Dona de Promíscuas Curvas

Danzou tirou um cigarro do maço, distraído.

O vento frio batia contra sua face um pouco enrugada, assim como estapeava Gaara com violência. O moreno precisou esconder o fogo do palito de fósforo atrás da própria mão para que ele não se apagasse.

Dando uma tragada no cigarro, Danzou tossiu.

"Diabo de tempo!" Reclamou, olhando para o céu nublado.

"Eu vou jantar com a Aburame." Disse Gaara, escondendo as mãos dentro dos bolsos do seu casaco, escorando-se à porta da floricultura onde Ino e Chouji ainda conversavam. "No Tomoe, às 21h. A examinadora disse que era uma mulher chamada Megumi."

"Megumi, hein?" Danzou lhe deu um pequeno sorriso malicioso. "Uma porra-louca, como diriam hoje em dia."

O ruivo franziu as sobrancelhas àquele comentário.

"A que você se refere?"

"Meu caro, eu conheço Megumi. É uma vadia de marca maior, mas trabalha bem. Ela é capaz de arrancar qualquer informação que seja com aquele par de pernas." Danzou soltou uma risada rouca. "Você teve sorte que ela decidisse aceitá-lo." Observou-o por um momento. "Talvez porque pretenda ir para a cama com você."

"Eu não tenho interesse em outras mulheres." Respondeu Gaara.

"Bem, Gaara, tente convencê-la disso." Ele ergueu os ombros, dando um trago no cigarro.

Os dois ficaram calados por um momento, encarando lugares diferentes.

Uma risada alta de Ino se sobrepôs ao ruído do vento, chegando fraca até onde eles estavam. Voltando a cabeça para a porta de vidro, Gaara pôde vislumbrar um Chouji cheio de adubo sendo acudido pela loira.

Quando se notou observada, ela encontrou os olhos dele e acenou, sorrindo. Mas Gaara não correspondeu.

Seguindo sua linha de visão, Danzou deparou-se com a mesma imagem. Um estalido de desdém brotou da sua garganta.

"Quem é aquele gorducho?"

"Amigo dela."

"Quer comê-la, está na cara." Disse ele, dando as costas e soltando a fumaça do cigarro pelas narinas.

Gaara contorceu os lábios ante o seu modo grosseiro de se referir a Ino. Parecia muito vulgar.

"Não fale desse jeito sobre ela." Ordenou. Havia impetuosidade em sua voz, mas não demonstrou-se abertamente agressivo. Apenas o tom imperativo era o suficiente para ser escutado.

Erguendo os ombros, Danzou apenas bufou. Rolou os olhos, mostra da sua indiferença.

"Acerte os pontos com a senhorita Aburame Gostosona. Vou ao cassino essa noite. Podemos nos encontrar amanhã para decidirmos o que fazer a respeito do seu país de merda." Sugeriu, soltando o cigarro pela metade no chão após uma profunda tragada e apagando-o com a ponta do pé.

Recebendo um aceno de concordância de Gaara, ele preparou-se para partir.

"Mande um alô à loira por mim, Gaara." Pediu e se foi.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Definitivamente, Megumi era irresistível. O tipo de mulher, como dissera Danzou, capaz de enlouquecer um homem ao menor piscar.

O vestido minúsculo e colante de cor azul-escura contrastava com a brancura da sua pele. As coxas estavam expostas, as pernas cruzadas, perturbadoramente visíveis. Os cabelos negros caíam por sobre os ombros, cobrindo as finas alças da sua veste, mostrando o colo e o vão dos seios.

Diferente da maioria dos Aburame, não havia furos por sobre o pescoço. Ninguém fazia idéia de por onde seus fiéis hospedeiros abandonavam o seu corpo - muitas hipóteses eram cogitadas. Certas piadinhas citavam lugares impróprios. Por uma questão de senso de respeito da parte dos mais velhos e experientes, a maioria não se permitia rir ante aquelas insinuações.

Ela sorriu ao reconhecê-lo. O batom vermelho em seus lábios se esticou.

"Ora, ora." Disse, o copo de vinho branco em mãos. "Eu sabia que o Kazekage era bonito, mas não que era assim tão sexy." Gracejou, a voz naturalmente rouca soando num tom aveludado.

Gaara manteve-se inabalável diante do elogio.

Com aquela personalidade e corpo, estava certo de que Megumi lhe seria útil. Os conselheiros, com suas vidas sexuais praticamente inativas, cederiam à menor cantada, ao menor afago. E Gaara sabia que a mulher seria capaz de fazê-los, porque estava óbvio o seu aparente descaso às idéias monogâmicas.

Os olhos escuros famintos e experientes dela o perscrutavam, indiscretos. Uma fera preste a atacar sua presa, era como ele a percebia ali, à sua frente.

"Aburame Megumi, imagino." Então ele sentou-se à mesa. Automaticamente o garçom aproximou-se, à espera do seu pedido. "Um suco de laranja apenas." Pediu.

"Abstêmio?" Perguntou Megumi, irônica.

"Não." Respondeu Gaara, pegando o cardápio que lhe foi oferecido. "Eu nunca jantei aqui." Comentou sem interesse, os olhos baixos para o menu. "Alguma sugestão?"

Megumi soltou uma risada baixa.

"Eu sugiro que você me leve para a sua casa. Para o seu quarto, de preferência."

Ele não se surpreendeu com a indireta súbita. Se o fez, ela tampouco pôde saber. Sua fisionomia não se alterou nem ao menos um pouco. A displicência, ao invés de aborrecê-la, deixou-a levemente excitada.

Quando os olhos profundos ergueram-se para fitá-la, Megumi foi engolida por um turbilhão de sensações conflitantes e ela simplesmente soube que precisaria tê-lo para si.

"Eu fico com o jantar." Ouviu e ela riu daquelas palavras, porque era o primeiro homem a recusá-la.

Apanhou o maço de cigarros dentro da bolsa, pegando um.

"Importa-se?" Perguntou.

Negando com um gesto rápido, ele fez sinal para chamar o garçom.

"Zarusoba com pouco molho shoyo." Solicitou, bebendo um gole do suco natural que acabara de ser largado sobre a sua mesa.

"E para a senhorita?" Perguntou o moço, voltando-se para ela.

"Eu quero uma salada de massa fria." Disse Megumi.

Abandonando o cardápio, Gaara encarou-a.

"Você está ciente de que não há previsão de volta, não é mesmo? Presumo ter deixado suficientemente claro quando solicitei alguém do seu clã."

"Ora... Falando de negócios assim tão cedo?" Reclamou ela, tragando o cigarro. "Eu achei que nós poderíamos pelo menos conversar sobre alguma coisa enquanto esperamos pelo jantar." Disse, fazendo um movimento de mão, aborrecida. "Não gosto de comer falando sobre negócios, Gaara."

Ele estreitou os olhos quase imperceptivelmente, mas não ergueu protestos.

Seu silêncio deu a Megumi a concordância que ela esperava, fazendo-a sorrir. Seus lábios eram carnudos, parecendo inchados, ressaltados pelo batom de cor viva e forte.

O sempre tão efetivo bater das longas pestanas não o atingiu. Com ele, a morena precisaria ser desgastantemente sensual. E aquilo de modo algum lhe aborrecia, porque homens como Gaara faziam o seu feitio e ela gostava de tê-los na sua cama, fazendo-a gemer o seu nome.

O silêncio reinou por segundos, até que ela o quebrou: "Você tem um caso com aquela loira, não tem?"

"Ela é a minha mulher." Disse ele, ácido.

"Ela não é a sua mulher." Megumi franziu as sobrancelhas àquela concorrência violenta. Embora muitos homens fossem possessivos, poucos costumavam declarar-se assim. "Que eu saiba, ela é solteira. Como pode então ser a sua mulher?" Desdenhou.

"A mulher que eu quero, Aburame-san, é a minha mulher." Frisou Gaara, a voz áspera.

"E o que ela tem de especial?" Perguntou a morena.

Pela primeira vez, ela notou um traço de desdém a bailar nos olhos dele. Aquilo a perturbou - e não foi positivamente.

Medindo-a, Gaara permaneceu em silêncio e Megumi deduziu que não conseguiria arrancar dele nada de mais relevante sobre a possível adversária que teria de enfrentar.

Os dois bebericaram suas bebidas, calados, até que chegou o jantar.

"Você deu sorte de pegar a melhor, meu caro. Eu, com toca certeza, sou o melhor que você pode conseguir." Garantiu ela, terminando o cigarro, a fumaça desfazendo-se em pequenas ondas pelo ar.

Gaara pegou os talheres, sem aparentar estar muito convencido. Todo ninja acreditava ser o melhor.

"Espero que você esteja certa." Disse apenas.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Ino estava dormindo quando ele chegou.

Os cabelos dela estavam espalhados pelo travesseiro, o rosto iluminado parcialmente pela luz que vinha da sala, a única lâmpada acesa da casa.

Livrando-se do casaco, dos sapatos e da camisa, Gaara caminhou até a cama, enfiando-se debaixo dos cobertores.

Ela usava uma camisola de alças, imprópria para a estação, e o ruivo puxou-a para si, rodeando a cintura com ambos os braços. Ino murmurou algo e aconchegou-se a ele.

"Hmm." Fez, sonolenta. "Você demorou." Reclamou.

"Desculpe." Disse Gaara, massageando o couro cabeludo dela.

A loira inspirou profundamente, sem abrir os olhos.

"Tudo bem." Murmurou, rouca. "Eu senti a sua falta, baby."

Gaara surpreendeu-se com aquele tratamento. Ninguém jamais o apelidara de nada que fosse decente. E não fazia o feitio de Ino chamá-lo melosamente. Mas ele percebeu que se sentira bem ao ouvir aquela pequena palavrinha sendo pronunciada.

Ouvir os lábios dela proferindo seu nome e aquela inesperada e estranha denominação - "baby" - provocavam efeitos muito diferentes em seus ouvidos.

Se ela podia, pensou, ele achou que devia tentar também.

"É necessário," Gaara hesitou. "querida."

Querida, ele dissera. Ino riu do tom lacônico e maquinal da sua voz.

Os olhos azuis abriram-se, brilhantes e marotos, e ela ergueu a cabeça para encará-lo.

"Você não precisa fazer isso." Sussurrou, aproximando o rosto do dele. "Eu gosto quando você é rude comigo e me chama de loira."

Mesmo sem perceber, Gaara sentiu-se aliviado ao notar que não seria obrigado a voltar a fazê-lo. Ino, mais do que ninguém, entendia os seus receios e frustrações. Ela era a única mulher capaz de suportá-lo, de satisfazê-lo, sem precisar impor forçosamente sua presença.

Deslizando os dedos pelo seu tórax, inconsciente dos seus pensamentos amorosos, ela ronronou.

"Eu sou a sua loira, não sou?" Sussurrou, manhosa.

Sentindo-se excitado pelo toque suave, Gaara agarrou-lhe a cintura com força e subiu a mão pela mesma até atingir o seio direito, acariciando-o por cima do tecido macio da camisola.

"Hmm, Gaara." Balbuciou Ino, beijando-o no pescoço.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Quando Gaara despertou, percebeu a cama vazia.

Seus olhos passaram pelo cômodo, à procura de Ino, e encontrou-a. Ela estava de frente para o espelho, vestindo apenas um robe, observando-se, a mão repousada sobre a barriga.

Ele já a pegara naqueles momentos reflexivos antes. Ela não admitiria, mas tinha medo de ficar gorda e flácida. Era demasiado vaidosa para não fazê-lo.

Não compartiam aquele mesmo pensamento. Gaara, ao contrário, achava que ela ficaria bonita carregando uma criança. Principalmente porque era a sua criança. E, com o uso reforçado do pronome possessivo, ele recordou-se do livro escondido na gaveta da floricultura. Ele, ela, eles não estavam preparados para aquele filho.

Uma fatalidade, um erro, era isso. Remoer-se por fatos concretizados não fazia o seu feitio. Ele preferia apenas encarar a dura realidade. Dentro de menos de nove meses, seria pai. Mas não sabia o que era ser um pai.

"Eu ainda não comprei nada para ele." Disse Ino, percebendo-o acordado.

Sem voltar o rosto na sua direção, continuou a contemplar não a si mesma, mas o feto que se desenvolvia dentro do seu corpo.

Mordiscou o lábio, devagar.

"Eu sempre ouvi dizer que mães tinham certas intuições e adivinhavam o sexo do bebê." Encarou-o pelo reflexo do espelho, um pouco receosa. "Mas eu não sinto isso. Eu não faço idéia do que ele será." Desabafou. "Um menino? Uma menina? É tudo tão... confuso." E levou a mão aos cabelos.

Gaara permaneceu calado, incapaz de interromper sua linha de pensamentos. Embora Ino fosse naturalmente habituada a expor-se, ela raramente declarava suas emoções mais profundas.

Certas coisas continuavam escondidas embaixo do tapete, recobertas com sorrisos exageradamente simpáticos ou risadas sensuais. Ela mostrava-se agressiva quando verdadeiramente confrontada e Gaara aprendera a não bater de frente com a sua personalidade explosiva, pelo menos não no que dizia respeito aos seus verdadeiros medos.

Ambos eram sinceros um com o outro, mas entendiam, numa compreensão silenciosa, que nem tudo precisava ser divulgado. Existia a consciência de temores e feridas e isso bastava. Não era necessária a admissão.

Ino usava as flores para ocupar sua mente, para recordar-se das velhas lembranças, das pessoas que amava. E usava erradamente a sua própria beleza, sorrindo e flertando, sendo às vezes irritante ou inconveniente. Era o seu modo de se proteger e impedir que certas pessoas vissem a sua fragilidade. Mas Gaara a via como ela era: uma garota.

Uma garota tremendo de medo ante a idéia de precisar criar o filho deles sozinha, porque ele não teria tempo o bastante.

Por um momento, ele arrependeu-se de ceder aos impulsos carnais sem ter se protegido, mesmo sabendo das conseqüências. Agora, Ino carregava um bebê, mas ela não suportaria a pressão, mesmo dizendo que sim.

Os olhos azuis estavam repletos de lágrimas ao encará-lo, virando-se para ele.

"Eu estou com medo, Gaa." Sussurrou, terrificada, a voz entrecortada. Seus lábios tremiam. "E se eu não for uma boa mãe? E se ele me odiar?"

"Ele não vai odiar você." Disse Gaara, quase achando graça daquela confissão. Embora fosse arrogante, Ino era tão encantadora que não podia suscitar ódio em ninguém.

"Droga!" Murmurou ela, limpando as lágrimas que escorreram pelas suas bochechas. "Eu-eu estou apavorada!" Estourou, esfregando a ponte do nariz. "Eu não estou pronta pra ter um bebê. Eu achei que você fosse me deixar. Eu..."

"Ino, vem cá."

Como uma criança, a loira aninhou-se nos braços dele. Gaara apertou-a suavemente contra si, deixando-a chorar.

"Desculpe." Ela disse. "Eu estou pressionando você, não é? Pressionando-o e culpando por não ter tempo para nós. Eu sei que não é sua culpa."

Acariciando os cabelos dourados, ele não disse coisa alguma.

Ino fungou, tomando o seu silêncio como uma autorização para continuar a falar.

"Eu só tenho medo de encarar isso sozinha. Você vai embora e eu vou ficar aqui e eu tenho medo. Eu tenho medo que você deixe de aparecer ou-"

"Eu nunca vou deixar de ver você." Garantiu Gaara, interrompendo-a.

"Sim, eu sei." Mas a voz trêmula dela não estava de acordo com suas próprias palavras.

Eles ficaram ali por algum tempo, até que Ino dormiu.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

"Fugaku retornou à Vila. Foi escoltado por ninjas do Trovão até o limiar do país."

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

O sol estava forte, desfazendo a sensação de frieza que se alastrara por toda a Konoha.

Ino vestiu apenas um blusão naquela manhã, enquanto girava uma panqueca na frigideira. Os cabelos haviam sido presos num rabo-de-cavalo alto, algumas mechas causando comichões e cócegas nas suas bochechas.

Absolutamente, ela não se mostrava mais frágil. Como uma forçada resposta àqueles momentos de fraqueza, despertara na manhã cheia de energia. Deslizara por entre os braços de Gaara, vestindo-se e indo preparar o desjejum.

Assim que ele adentrou no cômodo, cheirando a colônia e recém barbeado, vendo-a à boca do fogão, franziu o cenho.

"O que você está fazendo?" Perguntou, surpreso.

"O café-da-manhã." Respondeu Ino, como se fosse óbvio. Sorriu e piscou, marota. "Eu achei que você já havia cansado de cozinhar para mim."

"É, havia."

Ele estava sério ao aproximar-se e ela socou-o no braço.

"Não era para você admitir." Reclamou.

"Então que não perguntasse." Reiterou Gaara, baixando o rosto para poder beijar a curva do pescoço de Ino, exposta pelo blusão sem gola.

Aconchegando-se ao corpo dele, ela tirou a última panqueca da frigideira, depositando-a sobre uma pequena pilha que havia perto do balcão. Desligou o fogão, abandonando os utensílios usados e virou-se, rodeando-lhe o pescoço com os braços.

Gaara exalava uma fragrância gostosa. Ela não se recordava de quando ele começara a usar uma colônia. Antigamente, o ruivo emitia um perfume infantil e adorável. Mas Ino gostava do seu cheiro.

Ela suspirou ao sentir a suave pressão dos lábios dele sobre os seus.

Os dedos experientes a acariciaram, adentrando pelo blusão e então invadindo a camiseta, apertando a pele macia. A boca ofertada entreabriu-se e ele introduziu sua língua devagar, procurando ser correspondido.

O que antes era um pequeno ofego transformou-se num gemido de satisfação e Ino segurou-lhe a camisa, puxando-o mais para junto de si. Usando uma das mãos para empurrar o prato de panquecas para longe, Gaara fê-la sentar sobre o balcão e as pernas femininas entreabriram-se para recebê-lo.

Levemente brejeira, ela fez uma pequena carícia na dobra do seu pescoço, começando a abrir os botões da sua camisa, enfiando a mão por dentro dela à menor brecha. Pôde sentir a pele gelada e lisa de Gaara.

A língua dele abandonou o contorno dos seus lábios para correr pela bochecha e atingir a orelha.

Ante a natural pressa que ela tinha em fazer amor, Gaara livrou-a do blusão, jogando-o sobre a mesa. Os cabelos dourados caíram espevitados sobre os olhos que emitiam um brilho embaçado de desejo.

Uma das mãos dele acariciou-lhe os seios por debaixo do sutiã e ela tentou abrir a braguilha da sua calça.

Quando os dedos de Gaara subiram pela coxa feminina e tocaram no seu ponto sensível, a loira aprumou-se por um momento e soltou um débil gemido. Ele massageou-a por cima do tecido do jeans, sabendo que ela tremia e vibrava entre seus braços, esperando por mais.

Afastando a mão do corpo dele por um momento, procurando apoio sobre o balcão para que ele pudesse livrá-la das suas vestes, acabou por enfiar a mão sobre o prato de panquecas.

Sentindo a viscosidade, ela soltou um gritinho e empurrou-o.

Gaara pareceu desnorteado por um momento, até fixar o olhar sobre ela.

"O que...?" Começou.

"Droga!" Guinchou Ino, observando os dedos melecados.

A primeira reação dele foi a de surpresa, até que um pequeno sorriso foi emitido.

"Parabéns." Escarneceu, alcançando o guardanapo para ela. "Você acabou de destruir o nosso café-da-manhã."

Lançando-lhe um olhar obviamente irado, Ino procurou limpar-se.

Fechando os botões da camisa, sem deixar de sorrir - o que era atípico, precisava admitir -, contemplou-a. Não havia, definitivamente, nada que o fizesse mais satisfeito do que ela.

Fazendo uma suave carícia sobre o seu joelho, viu-a enfiar as mãos debaixo da torneira e ensaboá-las com o detergente. Por estar sentada sobre o balcão, o corpo torceu-se na direção da pia e ele fitou o seu perfil, a respiração ainda acelerada, as bochechas coradas e os lábios entreabertos.

O praguejo dela se intensificou.

"...porcaria!" Reclamou, secando-se. "Eu estava faminta!"

Passando rapidamente os olhos pelo cômodo, Gaara ajudou-a a descer. Suas mãos desprenderam-se da cintura ao notá-la em pé.

"Vamos comer em algum lugar." Disse.

"Mas eu queria panquecas." Ela choramingou, batendo o pé.

"Nós comeremos panquecas." Garantiu Gaara, entregando-lhe o blusão. "Vamos, Ino. Vista."

Não estava frio quando eles saíram. O sol lambeu-lhes a face, aquecendo-os. Embora não precisasse de mais calor, ela aproximou-se dele e tomou-lhe o braço. Como da vez anterior, Gaara não mostrou resistência.

Os dois caminharam pela rua semi-vazia. Ainda não eram oito horas, mas era tarde o bastante para que houvesse alguns transeuntes a transitar para lá e para cá, iniciando os afazeres e serviços da manhã. E, passando por entre os afobados e impacientes, eles caminharam sem pressa na direção de uma cafeteria.

Permitindo-se guiar pelos passos firmes do ruivo, ela viu-se, minutos depois, novamente em frente à cafeteria do dia anterior.

Ambos acomodaram-se na mesma mesa e Ino pôs-se a contemplar o movimento da cidade exposto pela vitrine transparente.

Eles pediram panquecas para o desjejum e duas xícaras de cappuccino.

Gaara tomara a sua bebida tranquilamente, observando-a.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Eram duas da tarde e Ino estava tão ocupada na floricultura que sequer conseguia dar conta das encomendas e dos clientes súbitos. Ela não apresentara protesto quando Gaara anunciou que receberia algumas pessoas na sua casa, apenas pediu para que ele lhe passasse uma dúzia de begônias amarelas.

O pedido, no momento, o surpreendeu. Não sabia nada sobre flores. Além disso, havia poucas flores capazes de sobreviver no deserto. O país do Vento não era muito florido.

"Eu nunca vi begônias." Respondeu a ela, que apenas não se importou. Mas ele sentiu-se levemente desorientado. Quase nunca era pego desprevenido.

Os últimos dias haviam sido desgastantes. Ele trabalhara muito mais do que tencionara a princípio e fizera muitas descobertas que não cogitara fazer. Ele nunca havia se deparado com o seu maior inimigo: Akimichi Chouji; tampouco contemplado a folha de contabilidade da loira. Nunca lhe ocorrera que ela se sentisse ansiosa e hesitante ante as gritantes novidades, que ela pudesse compartilhar as lembranças que sempre se negara a contar.

Ele sempre vira suas fraquezas não verbalizadas, mas agora havia uma mudança naquele relacionamento: Ino havia entregado-lhe os temores do seu coração, coisa que Gaara não se arriscava a fazer. E tudo parecia bem e normal, quando não deveria estar.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Danzou, quando chegou, trouxe consigo uma garrafa de conhaque.

"Eu não suportaria beber os suquinhos da sua garota." Justificou.

Embora jamais tenha ido àquela casa, achou por si só o rumo da cozinha, donde trouxe três copos enfeitados com desenhos de margaridas e postou-os sobre a mesa.

"Acredito que a gostosona vá querer uma bebida também." Falou ele, sentando-se no sofá, relaxado.

Gaara não respondeu. Estava sério, mas não distante. Observou Danzou ajeitar uma almofada atrás das costas.

Megumi chegou com quinze minutos de atraso. A campainha tocou e automaticamente ele já soube que era ela. Ao recepcioná-la, foi recebido por um sorriso sensual não-correspondido.

"Chegue atrasada mais uma vez e eu a dispensarei dos seus serviços." Ameaçou Gaara, dando-lhe passagem.

"Quanto mau-humor." Reclamou ela, caminhando do hall até a sala de estar, a cintura gingando dentro das calças apertadas, o sutiã vermelho visível através do tecido da blusa.

Fumando, Danzou gargalhou àquela resposta.

"Minha cara, não o aborreça." Avisou, afastando o cigarro dos lábios, a mão que o segurava dançando no ar, levando a fumaça para lá e para cá, empurrada pela brisa gelada que adentrava pela janela entreaberta.

Mas Megumi fez exatamente o contrário do que lhe fora sugerido: tratou provocar Gaara de todas as maneiras possíveis. Sentada ao seu lado, fazia questão de roçar o joelho no dele, jogar sensualmente o cabelo negro sobre os ombros e aproximar-se mais do que o necessário. Seu hálito cheirava a conhaque, bebendo vez ou outra do copo oferecido por Danzou, sempre o observando.

Embora fosse suscetível à força magnética e voluptuosa de Megumi, Gaara não se sentia atraído por ela. Seu corpo reagia com as investidas, mas ele não se importava de continuar apresentando aquela máscara de indiferença.

O assunto tratado foi, de acordo com a Aburame, aborrecedor.

"Por que não conversarmos sobre coisas mais interessantes?" Sugerira, vendo Danzou acender o seu cigarro, tornando a devolvê-lo segundos depois. Ela roçou os dedos nos dele, agradecida.

"Você foi contratada para trabalhar." Disse Gaara, seco. "Ouça e faça o seu serviço, Aburame-san."

"Escute, Gaara," Danzou serviu-se de mais conhaque. "seria péssimo se os seus conselheiros soubessem que a Megumi estará lá para espioná-los. Vamos fazê-la infiltrar-se como... convidada."

"Eu já cogitei essa hipótese." Garantiu Gaara. "Concordo com as suas palavras. Ela precisará manter-se em sigilo. Mas há certo receio em meu país em relação aos moradores dessa Vila e acredito que qualquer convidado do Kage será encarado como potencial inimigo."

"Eu posso ir como a sua amante." Os olhos de Megumi esbanjavam malícia.

Gaara não apresentou reação, mas Danzou pareceu cogitar a sugestão.

"Seria uma boa idéia." Comentou para ninguém em especial. "Seus conselheiros sabem sobre a loira, então nada mais comum do que o julgarem um amante das mulheres de Konoha."

Embora aquela realmente fosse uma proposta válida, ele hesitou em aceitá-la. Seus planos de tornar Ino a sua esposa não haviam se modificado e caso adentrasse no seu país levando outra mulher que não fosse ela, seria impossível que, mais tarde, a loira fosse aceita pela sociedade. Seria impossível que ela se sujeitasse àquilo.

Estava num beco do qual não havia saída. A única maneira de não fazê-los perceber que Megumi era uma espiã seria desviando suas atenções para outro ponto, um que ficaria óbvio de qualquer maneira: o fato dela ser a sua amante.

Franziu o cenho, então. Desistiu de remar contra a maré.

"É a única alternativa." Disse.

Megumi sorriu com a idéia.

"Pergunto-me o que a sua namoradinha irá dizer." Debochou, girando o conhaque dentro do copo.

Os olhos nebulosos de Gaara a fitaram. Ele ainda não estava preparado para lidar com a idéia de que perderia Ino para sempre.

"Nunca fale com a minha mulher." Ordenou, a voz áspera. Ele demorou alguns segundos para continuar a falar. "Apenas... não chegue perto dela."

A boca vermelha e chamativa de Megumi retorceu-se àquela resposta. Ela largou o copo sobre a mesa, o rosto contorcido de raiva.

"Você acha que manda em mim, Gaara?" Perguntou, furiosa. "Acha que poderá calar a minha boca? Afastar-me daquela sua garotinha patética com uma simples ordem?"

"Eu pago você para isso, Aburame-san." Respondeu Gaara. "Se você não for capaz de permanecer em silêncio, pegue seu par de pernas e sua personalidade pedante e saia dessa casa."

Ela encarou-o, furiosa, mas não ergueu novo protesto.

Danzou emitiu um ruído por entre os lábios.

"Bem," falou. "devo considerar essas ordens direcionadas a mim também, não? A sua boneca não poderá saber do nosso jogo."

"Não. Ela nunca deve ser envolvida."

E assim ficou decidido: o novo general da Vila da Areia, o governante do país do Vento e a sua amante partiriam assim que houvesse tempo para tudo ser resolvido.