Dalton

Episódio 11: Limites


Meu nome é Kurt. E está é a Academia Dalton.

Acabei de ganhar a liderança na nossa próxima apresentação dos Warblers, assim como meu amigo Reed.

Estávamos celebrando o aniversário de Dwight, relaxando depois do longo dia.

Mas se você tivesse me contado que isso ia acontecer antes de a noite acabar...

eu nunca teria acreditado em você.


— Ei, Mercedes, não esqueça de convidar o Kurt para a festa de Natal, tá bom? — disse Tina conforme o Glee Club terminava o ensaio e guardava suas coisas. O ensaio atrasou hoje; eles estavam cantando músicas natalinas. Eles tinham um instinto distinto de que Schuester iria reuni-los e obrigá-los a cantarolas pelos corredores.

— É, ele pode querer se juntar com a gente na casa do sr. Schuester — adicionou Puck, guardando seu violão.

— Invasão de domicílio é parte do espírito natalino agora? — Quinn ergueu uma sobrancelha.

— Vamos lá, gente, o sr. Schuester está divorciado e a srta. Pillsbury se casou — disse Rachel, arrumando as partituras das músicas. — É Natal e ninguém deveria ficar sozinho.

— Eu definitivamente sei que ele vai entrar. Vocês sabem que ele não consegue ficar longe daqui. — Mercedes sorriu. — Esperem aí, me deixem ligar para ele ou algo assim. — Ela remexeu em sua bolsa enquanto os garotos organizavam as cadeiras. Ela procurou com uma careta até que murmurou: — Onde diabos está meu celular?

— Você tava segurando ele lá no pátio na hora do almoço — disse Artie, piscando. — Onde colocou ele?

Mercedes grunhiu.

— Eu tive que pegar minhas partituras porque a Rachel ficava dizendo que ela era a única que conseguia atingir aquela nota aguda. Acho que devo ter colocado ele em algum lugar e esqueci de pegar ele depois que o time de futebol nos jogou raspadinha pela segunda vez.

— Ai, não me lembre. Ainda tenho comida colorindo atrás das minhas orelhas — reclamou Tina.

Mike falou de repente:

— No pátio? — Ele pareceu perdido em pensamentos por um momento. — É prateado com um penduricalho na forma da letra M?

— Sim! — disse Mercedes, erguendo os olhos. — Você encontrou ele?

Mike parecia desconfortável. Tina o olhou.

— O que foi?

Depois de uma pesada pausa, Mike disse:

— Eu estava no vestiário... ouvi os outros caras falando. Vi Karofsky no armário dele, e ele estava com esse celular. Até que achei meio estranho, nem eram as iniciais dele...

— Karofsky está com o meu celular? — exclamou Mercedes? — Olha, raspadinhas é uma coisa, mas se ele sabia que era o meu celular, então é simplesmente roubo...

— Por que ele pegaria o seu celular? — bufou Santana.

Quinn olhou para Sam.

— Você consegue fazer ele devolver?

— Eu poderia — disse Puck com um rosnado, levantando-se. — Sou o único que pode roubar de vocês.

— Espere... Esperem, gente! — exclamou Rachel de repente, fazendo todos olharem para ela. Ela estava branca como papel e com o olhar perdido, como se algo tivesse acabado de ocorrer a ela. — Ele está planejando alguma coisa. Vocês, vocês mesmo disseram isso, por que ele pegaria o celular?

— Por que ele é um idiota? — sugeriu Puck

— Não isso! — Rachel estava remexendo em sua bolsa freneticamente. — Mercedes, me diga que você tem o telefone daquele cara. Sabe, aquele cara de Dalton, que sempre está com Kurt.

— Blaine? — Mercedes parecia confusa ao olhar por suas anotações. — É, eu escrevi em algum lugar quando Kurt me passou ele, por quê?

Rachel ergueu os olhos, uma careta doentia no rosto.

— Não sei se estou sendo paranóica depois de assistir a todos aqueles filmes de terror com Finn, mas não vou arriscar. — Ela estava dedilhando o piano nervosamente e então fez um som impaciente e ansioso. — Kurt não está respondendo o celular. Mercedes, me dê o número!

— O quê...? O que está acontecendo? — Mercedes entregou-lhe o papel, confusa.

— O que você está fazendo, Rachel? — perguntou Finn afinal, a testa franzida ao caminhar até os outros.

Rachel o olhou, engolindo pesadamente ao digitar o número e levar o celular ao ouvido.

— Mercedes é a única que fala com o Kurt o tempo todo. E... eu só estou com essa sensação terrível de que Karofsky pode ter roubado o celular dela para achar ele.

— O quê...? — Finn ficou branco.

— Blaine? É a Rachel! Eu consegui o seu número com a Mercedes! É uma emergência e Kurt não está...

No silêncio da sala, eles conseguiram ouvir o garoto no outro lado da linha responder, confuso:

— Rachel? Espere, Kurt acabou de ir ver...

— Kurt não tá atendendo o celular! — exclamou Rachel. — Blaine, Mercedes disse que ela esqueceu o celular no pátio, e Mike acabou de me dizer que viu ele... com Karofsky!

O silêncio no outro lado da linha dizia-lhes tudo.

— Blaine, por favor me diga que Kurt está aí — sussurrou Rachel.

Houve uma sibilo de um palavrão e então:

Ele já foi... Kurt já foi... ele — a voz dele estava tremendo — … ele achou que recebeu uma mensagem da... eu tenho que ir... — E a linha morreu.

Finn voltou a vida e saiu do quarto à máxima velocidade, com Puck e Mike tropeçando atrás dele.

— Vamos, vamos logo! — exclamou Rachel enquanto as garotas corriam atrás deles.


Dalton tinha seu próprio charme à noite. Com toda a arquitetura arcaica, jardins ornamentais que se transformavam durante as estações, era obscuro sem ser agourento (ao contrário das reivindicações de Dwight que mencionavam que Dalton parecia como uma faculdade saída do Exorcismo de Emily Rose à noite).

Apressando-se pelo afiado ar de inverno, passando as ornamentadas lamparinas que iluminavam os jardins de Dalton com seu brilho alaranjado, Kurt olhou ao redor freneticamente por qualquer sinal da sua amiga.

— Mercedes! — ele chamou. Ele percorreu todo o Sul e Prédio Principal, esperando vê-la em algum lugar perto dos portões ou muros de ferro. Ele abraçou seu casaco, mantendo-o mais perto de si, apertando os olhos para enxergar através do vento e dentro da escuridão. — Mercedes, cadê você? — Ele procurou em seus bolsos pelo seu celular até que percebeu que provavelmente o deixara no sofá lá em Windsor junto com os resto das suas coisas.

Grunhindo, ele revirou os olhos.

— Ótimo... — Ele reassumiu suas largas passadas, caminhando perto das lamparinas para se aquecer de certa forma. — Mercedes! — chamou ele ao chegar perto de um dos prédios anexos. — Ei, o que está acontecen...

Uma figura em uma jaqueta familiar contornou o prédio anexo. O coração de Kurt afundou e ele derrapou até parar com uma exclamação, paralisado. Karofsky estava marchando até ele com um olhar intenso em seu rosto. Com um som sufocado, Kurt virou-se para correr.

Um poderoso aperto de ferro fechou-se no seu cotovelo e o puxou para trás com grande força. Kurt quase saiu do chão quando Karofsky o agarrou de volta e o puxou pelo canto escuro, jogando-o direto na parede de tijolos coberta de hera.

Antes que Kurt pudesse sequer respirar, uma mão enorme cobriu sua boca.

— Shh! — veio o sibilo urgente. — Fique quieto!

As palavras de Kurt foram abafadas em um gemido conforme Karofsky inclinava-se sobre ele, segurando um de seus punhos. Ele o olhou de cima ameaçadoramente. — Não. Grite. — Ele o olhou intensamente, os olhos pesados. — … não estou aqui para o que você pensa, Hummel. Mas se você gritar, Deus me ajude, eu vou...

Kurt!

Os olhos de Kurt arregalaram-se quando ele ouviu a voz de Blaine percorrendo os jardins, sobrepondo-se sobre o vento. Karofsky ergueu o olhar. De onde eles estavam, estavam fora do campo de visão, mas eles conseguiam ouvir o som de passos rápidos.

— Kurt, onde você está? — Blaine estava gritando desesperadamente à distância.

— Kurt! — Os passos de Wes e David soavam atrás dos de Blaine, alarmados. — Kurt, cadê você, cara?

— Por aqui...! — ele ouviu um dos gêmeos dizer.

Kurt engasgou-se onde estava, erguendo os olhos para Karofsky em terror.

— Acho que ouvi alguma coisa! — Até Logan estava correndo.

Karofsky imediatamente voltou-se para Kurt e agarrou seu ombro, mantendo uma mão em sua boca. Ele o empurrou em um arco escuro — como um beco sem saída — entre dois prédios, onde tudo estava tão escuro quanto piche.


— Kurt, cadê você? — exclamou Blaine pela escuridão. Seu coração estava em sua garganta, batendo tão forte que ele sentia que ia vomitar em questão de minutos. Ele não via nada nos jardins, nenhum movimento. Kurt acabara de desaparecer no ar depois de sair de Windsor.

Quando Rachel dissera aquele terrível nome no telefone, ele achou que estava tendo um infarto. Ele abafara um palavrão com a respiração conforme os piores cenários voavam para dentro de sua mente. Isso devia ter ficado óbvio em sua expressão e em todo o seu corpo, porque Logan, que o estivera observando, agora franziu a testa e começou a se aproximar. Mas foram Wes e David quem o alcançaram primeiro.

— Blaine, qual o problema, cara? Você tá uma cara de que alguém morreu — disse David, preocupado.

Blaine engasgara para o telefone.

— Ele já foi... Kurt já foi... ele... — ele respirou tremulamente. — … ele achou que recebeu uma mensagem da... eu tenho que ir. — E então ele jogou o telefone e saiu correndo.

— Ei! — exclamou Wes, correndo atrás dele enquanto ele abria caminho entre as pessoas reunidas no corredor da festa. — Blaine! Blaine, espere... o que está acontecendo?

— Aquele cara de McKinley...! — Blaine tinha passado correndo pelos seus colegas, que pareciam intrigados com a pressa deles. — Acho que ele acabou de ligar para Kurt com o celular de outra pessoa e pediu que ele fosse lá fora!

Bosta! — sibilou David em horror. Os gêmeos desceram as escadas correndo, vendo sua preocupação e parecendo confusos. — Vamos lá! — Wes gritou para eles conforme eles saltavam sobre o corrimão e os seguiam.

Blaine correu pelas portas.

— Kurt! — exclamou ele no momento que estava do lado de fora. Seus punhos estavam fechados com força e ele apressou-se pelos jardins, rezando desperadamente para que não fosse tarde demais.

Eles só tinham percorrido alguns poucos metros quando Dwight e Reed, tendo assistido a sua frenética saída, chegaram até a porta, sem fôlego.

— O que está acontecendo? — arfou Dwight, assistindo-os correr.

— Não sei... mas é melhor ajudar! — disse Reed, correndo noite adentro.

Dwight hesitou por apenas um momento, e nesse momento Logan o alcançou. Ele tinha visto Blaine e os outros e imediatamente os seguira.

— Dwight... o que aconteceu?

— Algo sobre Kurt estar com problemas... Blaine e os outros simplesmente saíram correndo!

Logan virou-se para a casa.

— Justin! Justin... venha aqui!

Com isso, um garoto moreno alto em um pulôver vermelho de Dalton os olhou, parecendo confuso.

— O quê...?

— Você é o monitor de Hanover, certo... fique de olho nesse hospício! Temos uma emergência! — Logan voou para fora da casa, ainda gritando: — E fique com seu celular! Vou te ligar quando precisarmos da polícia!

— Polícia? — exclamou Dwight, e imediatamente correu atrás dele, deixando o monitor de Hanover parado à porta, parecendo absolutamente confuso.

Foi assim que todos os garotos chegaram até onde estavam, correndo pelos jardins, procurando ansiosamente por qualquer sinal de seu novo contratenor. Blaine parou por um instante no meio de um dos jardins, arfando — sua respirando deixava sua boca em pesadas nuvens.

— Pra onde? — arfou David, deslizando até ele.

— Não sei — respondeu Blaine sem fôlego, olhando ao seu redor desesperadamente. Não havia sinal de Kurt em lugar nenhum, e estava escuro demais. Ele se virou para os gêmeos, que vinham correndo da outra direção. — Algum sinal dele?

— Não. — Evan sacudiu a cabeça, respirando pesadamente.

— Nem uma sombra — arfou Ethan.

Bosta! — rosnou Wes, batendo o punho no seu joelho onde estava ajoelhado. — Onde diabos está ele?


Kurt estava esperando que sua vida passasse na frente de seus olhos. É isso que todo mundo dizia que acontecia quando você estava enfrentando uma situação de possível morte, mas ele não conseguia ver nada além de Karofsky inclinado sobre ele, cobrindo sua boca fortemente com sua mão, ao olhar ao redor rapidamente para ver se alguém estava entrando no curto beco.

Então ele olhou de volta para Kurt. Pela primeira vez, Kurt pensou ter visto uma centelha de medo cruzar o rosto do outro garoto.

— Tudo bem, Kurt — murmurou Karofsky. — Eu vou te soltar, está bem? Mas se você pensar em gritar... — Ele não terminou a frase. Não era necessário. Mas suas próximas palavras surpreenderam Kurt. — Eu não vou te machucar. — Kurt o olhou confuso e incrédulo o que, considerando a situação, era bem merecido. Karofsky encarou-o. — Eu só quero conversar. Entendeu? Balance a cabeça se você entendeu.

Kurt engoliu em seco e assentiu, seus olhos focados nele. Karofsky o olhou ameaçadoramente.

— Não grite, estou te avisando... — E, muito cuidadosamente, tirou a mão da boca de Kurt.

Kurt estava respirando com dificuldade, o coração ecoando em seus ouvidos, ao encarar o enorme garoto a sua frente. Independendo do que Karofsky poderia ter dito, não havia jeito de ele deixar para trás o perigo de se machucar ou pior. Ele já o ameaçara desta forma para mantê-lo quieto uma vez — podia muito bem ainda estar falando sério sobre isso. A verdade era, Kurt estava tão aterrorizado que não poderia fazer um único som nem se quisesse.

Seu coração afundou quando ele percebeu que não conseguia mais ouvir o som dos passos dos seus amigos, e que as vozes deles foram abafadas com a distância. Eles estavam procurando na direção errada.

— Kurt.

Ele olhou de volta para Karofsky.

— Eu tinha que pegar você sozinho assim. Não estou com o saco para acabar com as drogas dos seus guarda-costas. — Ele olhou na outra direção com fogo nos olhos. Ele claramente estava falando dos outros garotos de Windsor, que tinham formado a primeira barricada protetora ao redor de Kurt quando viram Karofsky assistindo às Seccionais.

— O que você quer? — sibilou Kurt, medo e fúria lutando dentro de si numa maneira que o fazia querer socar algo. — O que você está fazendo aqui, afinal?

Karofsky o olhou ameaçadoramente em resposta. Kurt usou suas mãos para sentir o que estava às suas costas e só encontrou tijolos. Realmente não havia saída. Ao ver o medo dele, Karofsky apenas bufou. Ele olhou ao redor.

— Bom, esse é um lugar legal que você encontrou. Deve ser sua própria utopia gay.

Por quê? — zombou Kurt com a coragem imprudente dos amaldiçoados. — Pensando em se transferir e transformar minha vida num inferno aqui também? Duvido que as suas notas negativas consigam dar conta!

A mão que socou a parede próximo a seu rosto quase o fez gritar e toda a sua força praticamente sumiu de seu corpo.

— Não me teste, Kurt, eu juro, eu vou... — rosnou Karofsky.

— Ou o quê? Vai me bater? Machucar? Supere isso logo e me deixe em paz! Por que você está me seguindo afinal?

— Porque você é o único que sabe sobre mim!

Essas palavras assustaram Kurt mais do que qualquer outra coisa dita até o momento. Karofsky parou de se inclinar sobre ele e simplesmente parecia zangado, confuso e completamente perdido. Ele parecia como se ele não tivesse ideia de por que estava aqui. Kurt esperou que suas mãos parecem de tremer ao responder:

— Eu não contei para ninguém.

— É? Você contou pro seu namorado. — Karofsky cuspiu a última palavra como se fosse veneno. — Aquele cara que você trouxe pra escola. E o resto daqueles garotos agiram como se soubessem. Se você não contou para eles, ele contou. E que tal aquele filho da mãe que você mantou atrás de mim nas Seccionais?

O quê? — assustou-se Kurt. — Eu não mandei ninguém atrás de você!

— Então eu acho que aquele loiro filhinho de papai esnobe simplesmente decidiu vir atrás de mim para te proteger como um cavalheiro em armadura brilhante? Cara, você não descansa, Kurt... são dois caras de uma vez!

Kurt nem conseguia processar o insulto. Sua mente estava parara depois de "loiro filhinho de papai esnobe". Não eram os gêmeos — eles nunca ficavam sem o outro. Então restava...

O que aconteceu com o seu olho?

Foi atingido por um punho! Nada de anormal!

O coração de Kurt parou. Logan...?


— Kurt! — gritou Blaine pelo campus. Compostura se fora havia um longo tempo conforme os minutos passavam. Dez minutos já tinham se passado desde que Kurt desaparecera. Muita coisa podia acontecer em dez minutos. Ele correu a mão nervosamente pelo cabelo. — Ele não está respondendo... cadê ele...?

— Se ele estivesse com problemas, ele gritaria, não é? — perguntou Dwight, olhando ao redor na escurando, segurando uma pequena lanterna que ele carregava consigo todo o tempo.

David parecia doente.

— Sim, mas... se ele estivesse com problemas, ele poderia não ter a chance de gritar.

— Cala a boca, David! — gritou Blaine.

— Não desconte em mim, Blaine! — retrucou David raivosamente. — Estou tão preocupado com ele quanto você!

— Isso não está acontecendo... — Blaine afundou a cabeça nas mãos, desejando que se acalmasse, tentando e falhando. — Eu não achei que fosse tão ruim quando ele veio pra cá. Pensei que se ele viesse para cá, ele ficaria bem. Eu não sabia que aquele cara ameaçou matar ele.

— Por que ele veio aqui do nada...? — perguntou Reed, amedrontado enquanto olhava ao redor. — Kurt não fez nada pra ele!

— Ou talvez algum irritou ele — disse Evan obscuramente, e Ethan olhou para Logan.

Wes olhou para Logan, então de volta para eles e franziu a testa.

— Do que vocês estão falando?

Os gêmeos apenas continuaram a olhar profundamente para Logan. Logan os encarou de volta, ainda respirando profundamente por causa de toda a corrida. Blaine o encarou, seus olhos brilhando perigosamente, e agarrou o colarinho do outro garoto com um braço forte.

— O que você fez, Logan?

— O que você acha que eu fiz, Blaine? — retrucou Logan, empurrando a mão dele para longe. — Eu fiz o que você não podia fazer! Eu fui até ele e disse para deixar o Kurt em paz!

O quê? — exclamou David. — Como você sabia?

— Eu vi — disse Logan depreciadamente. — Eu vi como ele estava assustado pra caralho no palco quanto viu aquele cara. Eu sei que um cara daquele tipo só ficaria perseguindo ele, então fui atrás dele nas Seccionais! Falei pra ele pra desistir!

— Então meu amigo está perdido em algum lugar aqui fora e é tudo culpa sua? — rosnou Wes, avançando nele.

Blaine segurou Wes e quase o jogou para David. Ele foi o único que caminhou até Logan com olhos escurecidos por ira e com a voz perigosamente rouca.

— Logan... se alguma coisa acontecer com Kurt agora, eu juro que vou fazer com que você seja expulso de volta pro lugar de onde você veio! Não ligo como eu vou fazer isso, mas juro que vou te arruinar se precisar! Você não vai fazer isso de novo, me ouviu?

— Você fica aí em cima do seu majestoso pedestal, mas apenas tenta ser visto como um protetor quando tudo que você faz é segurar a mão dele! — retrucou Logan, andando para a frente. — Você não pode proteger ele o tempo todo, Blaine. Eu tive que fazer algo que você não tem a coragem para fazer!

— Ei! — exclamou Reed, afastando os dois. — Qual o problema com vocês dois? Não temos tempo para isso! Kurt está em algum lugar por aí e vocês estão aqui parados, gritando um com o outro! Não temos tempo para isso agora. Se entendam depois! Agora façam alguma coisa!

Reed nunca parecera ou soara tão irritado em toda a sua vida. Logan o olhou brevemente antes de voltar a encarar Blaine, que estava sendo segurado pelos gêmeos. Blaine os empurrou para longe e se juntou a Wes e David. Ele parecia como se estivesse internalizando toda aquela raiva novamente e estivesse somente tentando se acalmar e pensar racionalmente. Logan, que nunca sentira a necessidade de controlar-se apropriadamente, simplesmente ficou ali, fulminando.

— Calma — David disse para Blaine, que estava relaxando rapidamente. — Respire, vamos. Pense.

— Isso não pode acontecer comigo de novo, David, não pode...

— Ei! — Dwight começou a gritar. — Ei, gente!

Wes olhou para onde ele estava correndo. Ele estava segurando uma estola estampada da Hérmes.

— Onde você achou isso? — assombrou-se Reed, reconhecendo-a como o presente que dera para Kurt.

— Lá. — Ele apontou na direção do Prédio Principal. Ele agora parecia selvagemente animado e em controle. — Ele deve ter ido naquela direção. Vamos nos separar e procurar. Eu fico com Reed. Wes e David, fiquem com Blaine, Tweedles fiquem com Logan. Não quero ser o responsável por ter que ressuscitar eles se decidirem se matar. Ainda não pratiquei a recaptura de almas.

E como não havia ideia melhor, o grupo se separou e correu para a escuridão.


Kurt fechou os olhos, desejando poder se acalmar, mas ainda havia um longe caminho a ser percorrido.

— Você ameaçou me matar, Karofsky. Não importa se eles sabem ou quem contou para eles, eles só estavam tentando me proteger — disse ele em voz baixa. — Ninguém sequer te conhece, ou liga a mínima para você, nessa escola.

— Até você?

Se havia uma questão capciosa do Diabo, tinha que ser essa. Kurt nem sabia qual o contexto em que se basear, muito menos como responder. Ele estava preso em um beco com seu antigo atormentador e possível assassino, e ele estava perguntando se ele se importava com ele?

— Você é o único que sabe a verdade sobre mim, Kurt — disse Karofsky em um tom que era quase irritado. — Você sabe o que é isso? Esconder o tempo inteiro, e então um dia simplesmente aparecer alguém caminhando por aí sabendo... e você só esperando que a guilhotina caia.

Kurt desviou o olhar, tentando organizar seus pensamentos. Ele lambeu os lábios secos e engoliu em seco, determinado a desfazer os nós em seu corpo.

— Aquele dia em que você fez com que eu fosse expulso? Você estava perto — disse Karofsky, dando um passo para a frente. — Você estava na frente do meu pai, do seu, e da Treinadora Sylvester. Você me tinha na palma da mão, Kurt. Você estava tão perto de destruir tudo que contruí para mim.

Kurt ergueu o olhar, afundando ainda mais contra a parede.

Karofsky fez uma pausa.

— … mas você não fez nada.

A atmosfera pareceu mudar com isso. Ele ergueu os olhos para Karofsky e respirou fundo, endireitando a coluna um pouco.

— O segredo não era meu para contar.

Karofsky começou a balançar a cabeça um pouco, as mãos enfiadas no fundo dos bolsos da jaqueta.

— Eu tinha tanta certeza que você ia contar.

— E como continuo a te dizer... eu não vou contar.

Silêncio caiu sobre eles.

Kurt abaixou os olhos, mexendo os pés.

— Por que você está aqui, Karofsky? Por que você não me... não me deixa em paz? — Ele gesticulou nervosamente. — Até certo ponto, estou feliz aqui. Você ganhou, está bem? Você me fez sair da escola e se assegurou de segurança eterna. É isso o que você queria? Um maldito desfecho?

— Não.

Isso foi surpreendentemente brusco. Kurt ficou em silêncio, encarando-o.

— Você é inacreditavelmente convencido. — Karofsky o olhou ameaçadoramente. — É sempre sobre você, todo o tempo. Eu sinceramente não consigo te aturar. Você seguia por aí fazendo que queria o tempo todo em McKinley. Mesmo quanto eu jogava raspadinhas em você, te jogava no lixo ou te empurra nos armários, você continuava andando e fazia o que queria. Você simplesmente não se importa. Aposto que aqui você faz a mesma coisa.

Kurt corou com raiva.

— Eu...

— Você não entende? Você é realmente a única pessoa em McKinley que poderia ter a mínima ideia do que eu sinto! — disse Karofsky de repente. — Você é o única gay assumido em McKinley! Você grita isso o tempo todo! E agora você foi embora. Todo o show Kurt Hummel Gay Extravaganza¹ mudou de casa. O que deixa apenas eu em McKinley. E eu nem assumi ainda.

— O que você está tentando me dizer aqui? Quer apenas tentar me insultar ou...

— Dá pra calar a boca? — Karofsky o empurrou contra a parede. Ele parecia como se reamente odiasse o que estava prestes a dizer. — … o que eu faço agora que você está aqui?

Kurt o encarou, perguntando-se se tinha enlouquecido.

— Você é o único que entende. Qualquer outro teria contado para a escola inteira, mas você não contou. Você viu meu pai, Kurt. Eu não sei como ele vai reagir, mas eu sei que não tem muitos pais por aí como o seu. Eu não posso fazer ou dizer nada que possa me incriminar. Você está tão fundo no outro lado do espectro que é ridículo. Você praticamente tinha uma placa de neon apontando para você. — Karofsky suspirou, sua respiração tornando-se um tufo branco. — Então não importa o qual frustrante e irritante você seja... você ainda é a única pessoa que entenderia remotamente o que tem de errado comigo. E eu eu nem entrei em paz comigo ainda.

Kurt franziu os olhos e balançou a cabeça lentamente, perguntando se na verdade tinha desmaiado de medo e tudo isso era uma alucinação.

— E agora você se foi. Você está... aqui. — Ele parecia enojado pelo local. Ele parecia ainda mais enojado consigo mesmo. — E eu não sei que porra estava errada comigo, mas acho que eu só queria ver o que você estava fazendo aqui. E talvez... talvez descobrir o que vou fazer comigo mesmo.

Kurt o olhou.

— Então você foi às Seccionais... apenas assistir?

Ele não respondeu imediatamente.

— … é irritante te assistir cantar. Ou ficar com aqueles fedelhos ricos como se nada estivesse errado. Como se você tivesse esquecido de tudo. Como se não estivesse mais assustado. Eu preferia você assustado. Porque então era mais... fácil... — Sua voz morreu.

Porque então... seria como você se sente?, pensou Kurt ao o observar. Ele fechou os dedos na ponte do nariz, tentando absorver tudo.

— Karofsky...

— Que seja, Kurt... eu vou embora. Já disse o que queria.

— Você não está sozinho!

Karofsky parou. Ele se virou lentando, como se não estivesse confiante de ter ouvido corretamente.

Kurt deu um passo par a frente.

— É tudo o que Blaine e eu estivemos tentando te dizer. Eu sei que você odeia isso, e sei que você acha estúpido e totalmente cliché mas você não está sozinho. É você mesmo que te faz ficar sozinho, Karofsky. Se simplesmente parar de afastar as pessoas como você faz...

— Você já pensou que talvez eu não queira ser como você? — adicionou Karofsky repentinamente, fazendo Kurt se calar. — Já pensou que talvez eu te afaste porque não quero ser como você?

Kurt o observou em silêncio.

— Se isso fosse verdade... você não teria vindo me ver. Você veio aqui para procurar um pouco de paz. Se não comigo, consigo mesmo. Porque você sabe que estou num lugar onde você não vai chegar se continuar a seguir o caminho que está seguindo.

Silêncio. Ele e Karofsky se encaram na escuridão, o vento carregando as folhas caídas.


E então, de trás das árvores, Dwight Houston apareceu. Quando viu a jaqueta que estava na frente da magra figura prensada contra a parede, ele começou a respirar com dificuldade. Ele rapidamente procurou pelo braço de Reed às suas costas.

— Vá achar os outros.

Reed, que acabara de enxergar a cena, parecia assutado. Ele assentiu para Dwight e imediatamente saiu correndo, afastando folhas caídas no caminho.

Depois de um momento de fervorosas orações, Dwight saiu correndo na direção do beco. Agora ou nunca, seu fraco!, ele disse para si mesmo.

Ei!

Karofsky virou-se para encontrar um garoto irritantemente pálido e magro com cabelo preto bagunçado correndo na sua direção segurando uma lanterna e o que parecia ser um spray de água. Ele parecia estar morrendo de medo, mas apontou o spray na sua direção.

— Solta ele!

— Dwight? — assustou-se Kurt.

— Kurt! Você está bem, cara? — Ele ergueu o spray como uma arma para Karofsky. — Ele... ele te machucou?

— Você tem que estar de brincadeira. — Karofsky olhou ameaçadoramente para o garoto que parecia como se pudesse ser quebrado como um graveto. Ele deu um passo na sua direção e Dwight começou a gritar em pânico, apertando o spray duas vezes, o que não teve efeito, e jogando sal grosso, o que também não teve efeito. Mas então ele correu ao redor de Karofsky até que estivesse ao lado de Kurt e apontou o spray para o outro garoto novamente.

— Deixe meu amigo em paz, seu... demônio! — gritou Dwigth, a última palavra carregada com menos convicção.

Todo mundo aqui é maluco? — perguntou Karofsky para ninguém em particular.

Dwight realmente respondeu:

— Sim! Quer dizer, não, não todo mundo. Eu sou normal, pelo menos.

Kurt estava definitivamente certo de que estava tendo uma alucinação agora. Uma das duas coisas podia acontecer: ele podia acordar ou ele e Dwight seriam socados até virarem poeira.

Dwight mudou o peso dos pés, tenso, a "arma" ainda na mira.

— Os outros estão a caminho. Eles vão estar aqui em um minuto... e eles vão chutar o seu traseiro!

Quanto a isso Kurt não tinha dúvidas. Mas não era isso que ele queria. Ele contornou Dwight por um momento e deu um passo para a frente.

— Vá embora — ele disse para Karofsky.

Os olhos do outro garoto se apertarem. Kurt continuou em um tom baixo e trêmulo.

— Você já foi expulso uma vez. Você invadiu uma escola particular... não acho que eles vão te deixar escapar com apenas um aviso desta vez. Saia daqui antes que os outros cheguem.

Karofsky hesitou por um momento, olhando-o com suspeita. Mas durou apenas um momento. Ele "avançou" em Dwight — que se escondeu atrás de Kurt, mas ainda estava com o spray em mãos — e então saiu do beco. Com um último olhar longo para Kurt, ele se virou e sumiu de vista.

Os outros dois garotos ficaram ali parados até que o som de passos sumiu.

— Ah, graças a Castiel. — Dwight parecia estar prestes a desmaiar de alívio. Ele se encostou na parede enquanto Kurt fazia o mesmo ao seu lado. Ambos deslizaram até o chão, vazios de qualquer energia. — Não acredito que sobrevivemos.

Kurt olhou para Dwight e sorriu fracamente para ele, apesar de suas mãos ainda estarem tremendo incontrolavelmente. Ele abraçou seu amigo rapidamente e bateu em suas costas com força.

— Obrigado, Dwight. Você é meu heroi.

— É... — Dwight parecia incomodado, corado por causa da ação incomum. — Não há de quê, mas, hm... pode não contar para o Blaine e o Logan que você me abraçou? Porque eles realmente são... irritadiços? E não quero que eles pensem que estou interessado em você, porque de jeito nenhum... Não que... não que você seja horrível! — ele adicionou rapidamente, gesticulando aleatoriamente. — Você é um ótimo cara... pessoa... mas eu não gosto de você. Quer dizer, eu gosto, mas não gosto dessa fora. Porque eu gosto de garotas. Se... se tivesse alguma garota interessada², quer dizer... não teve muitas, sabe, nunca, mas...

— Dwight?

— Sim?

— Você pode parar de falar.

— Ah. — Dwight ficou em silêncio. Ele estava inteiramente ocupado em recuperar sua respiração. Kurt inclinou-se contra a parede, fechando os olhos e desejando que suas mãos parecem de tremer. Elas ainda estavam frias, e o nó no seu estômago ainda não fora embora.

Várias luzes de lanternas surgiram na escuridão, sinalizando a chegada o trio de Windsor composto por Blaine, Wes e David.

— Kurt! Dwight!

— Aqui, eles estão aqui! — exclamou Reed.

Os garotos chegaram ao beco, todos correndo para os dois no chão frio. Ele se encolheram com a luz onde estavam sentados.

— Ah, graças a Deus — suspirou Reed enquanto Blaine corria beco adentro, em direção a Kurt. Ele se ajoelhou na sua frente.

— Você está bem? — perguntou ele, o rosto contorcido em preocupação.

Kurt ergueu os olhos para ele, exalando gratitude com os olhos, e o abraçou. Ele o segurou com tanta força que Blaine ficou assustado.

— Shh... — sussurrou ele, acariciando suas costas. — Você está bem. Estamos aqui.

Kurt engoliu em seco e assentiu, e ele, Dwight e Blaine então se levantaram.

— O que aconteceu? — perguntou David.

— Karofsky, ele... ele me agarrou. Só me segurou para me impedir de gritar, na verdade. Ele só queria conversar. Não me machucou de verdade, só... queria falar sobre algumas coisas. — Ele olhou para seu amigo com o spray de água benta com um sorrisinho. — Dwight foi incrível, ele correu aqui e me ajudou a, hm... assustar ele.

Dwight sorriu tremulamente, não exatamente certo se sua performance merecia o crédito. Mas ele parecia orgulhoso de qualquer forma. Wes bateu em suas costas.

— Certo... — Blaine assentiu e abraçou Kurt novamente. — Tudo bem. — Ele pausou, olhando para a escuridão da noite.

"Você fica aí em cima do seu majestoso pedestal, mas apenas tenta ser visto como um protetor quando tudo que você faz é segurar a mão dele!"

As palavras ecoaram em sua cabeça mesmo quando ele tentou bloqueá-las. Blaine fechou os olhos.

— … sinto muito por não estar aqui pra te ajudar.

Kurt colocou a mão nas suas costas, e Blaine conseguia senti-la lá, ainda fria. Mas Kurt disse:

— Pensando sobre isso agora... acho que eu não precisava de você na hora. Acho que ele era alguém que precisava enfrentar sozinho. Como você disse... eu tinha que enfrentar ele. — Ele o olhou com um sorriso fraco. — Coragem. Certo?

Blaine teria sorrido, mas pareceria amargo demais, então apenas abaixou os olhos. Da sua corrida, os gêmeos de Logan finalmente chegaram à cena.

— Alice! — Os gêmeos imediatamente correram até ele, arrancando-o de Blaine e o abraçando como um cachorro perdido em alívio. Kurt conseguiu transmitir uma emoção: irritação.

— Gente... me soltem, pelo amor de Deus. Não estou morrendo.

— A gente tinha tanta certeza de que você estava! Blaine saiu correndo de Windsor como se estivesse possuído.

Blaine apenas sorriu fracamente de onde estava.

— Você viu ele? — perguntou Evan.

— O que ele disse? — continuou Ethan.

— O que ele fez?

— Ele te machucou?

— Falou com você?

Respirou em você?

— Temos acesso a armas de verdade.

— E pás.

— E grandes pedaços de terra!

— Vocês podem simplesmente me soltar? — resmungou Kurt irritado, cuidadosamente soltando-se do abraços dos gêmeos. — Nem consigo respirar.

Os gêmeos prontamente o soltaram. Kurt passou a mão nas roupas quase indiferentemente ao suspirar e ergueu os olhos cansadamente. Ele encontrou o olhar de Logan. E, pela primeira vez, foi Logan quem o desviou.

Kurt não. Ele apenas olhou para ele e disse:

— Logan... eu sei que você só estava tentando me ajudar mas... tem alguns limites que você não deveria cruzar.

— Então era sobre o que ele fez? — perguntou Wes raivosamente, olhando para Logan. — Aquele acara veio aqui porque Logan foi brigar com ele?

— Logan não fez nada. Foi Karofsky que bateu nele — disse Kurt quietamente. — Mas Logan foi atrás dele e... acho que foi isso que fez ele vir aqui, de certa forma. — Kurt desviou o olhar. — Talvez porque ele queria ver que tipo de lugar aceitava e defendia pessoas como nós. — Kurt suspirou e olhou para Dwight. — … sinto muito por arruinar seu aniversário, Dwight. Realmente... vou te compensar por isso.

— Ah, cale a boca, Kurt, você sabe que eu não ligo pro meu aniversário — disse Dwight irritadamente, apesar de parecer feliz com a atenção. — Você não pode evitar se está amaldiçoado e meu trabalho como um caçador é suprimir qualquer efeito colateral da situação. — Ele suspirou, sorrindo para sua arma. — Além do mais, pude ser o heroi.

Depois dessa frase, a mistura perfeita de estranheza, reafirmação e inanidade que apenas Dwight conseguia atingir, ninguém tinha nada a acrescentar.

Sem uma palavra, Blaine colocou um braço sobre os ombros de Kurt e o guiou de volta até Windsor, os outros seguindo.


Windsor ainda estava chocalhando até suas fundações, abarrotada de garotos aproveitando a festa. Era como se os outros nem tivessem saído, e não muitas pessoas perceberam que eles não estiveram lá o tempo todo. Justin Bancroft, o monitor da Casa Hanover, estava esperando na porta quando eles chegaram. Como a casa ainda estava de pé, ele claramente conseguira manter certo nível de controle.

— Tudo bem com vocês? — perguntou ele, preocupado. — Ainda preciso chamar a polícia?

— Não — disse Logan, balançando a cabeça. — Tudo foi... resolvido.

— Hummel está bem? — perguntou Justin, olhando para o rosto pálido de Kurt enquanto Blaine entrava com ele. Os gêmeos os seguiam de perto, como um par de guarda-costas. — Ele parece abatido. — Ele olhou para Logan. — Vocês entraram numa briga?

— De certa forma — disse Wes enquanto passava por eles.

— Meio que contínua — concordou David ao passar.

— Eu fui o heroi — disse Dwight com um pequeno sorriso ao segui-los.

Reed apenas suspirou.

Justin e Logan se olharam e Logan apenas balançou a cabeça como se não pudesse dar uma interpretação acurada do que tinha acontecido. Derek apareceu ao lado dele e olhou para Logan.

— Você desapareceu de novo. Onde foi desta vez?

— Problemas — murmurou Logan.

— Não me diga que é Hummel de novo, Logan, porque você não precisa dessa merda mais...

— Logan, acho que Derek está certo — disse Justin, olhando-o. — Sou totalmente a favor de você tentar começar uma página nova agora que voltou, mas se você ficar irritado, vai acabar no limite de novo. Você vai ser expulso de vez, Logan, não estou brincando. Ramsey está de olho em você como uma águia. Se você pisar uma vez fora da linha, vai acabar...

— … de volta em casa — murmurou Logan. — E Michelle e o velho não vão garantir meu traseiro de novo.

— Belo modo de falar dos seus pais, cara. Muito bom — disse Derek sarcasticamente.

Logan não estava ouvindo. Ele estava olhando para a casa, assistindo a Blaine e Kurt, sentados no sofá. Kurt já parecia melhor, e ele estava quase sorrindo enquanto Blaine falava com ele. Logan considerou a situação profundamente.

Ele lembrou-se de como Blaine chegara ao limite antes, o quão tenso e irritado ele estivera, quase perdendo toda a compostura que ele tão bem conhecia. Rígido como era, ele nunca realmente avançava ou atacava Logan como seus amigos inferiores, David e Wes. Ele ameaçava Logan com expulsão e não morte.

De qualquer forma, o monitor de Windsor agora tinha uma óbvia falha em sua sólida armadura. Essa falha era Kurt. Mas era uma arma de dois lados — porque Kurt defendia Blaine. Ele claramente o preferia à Logan. No final, seria uma batalha de força entre eles. Kurt não precisava escolher — ele faria a escolha por ele.

Porque Logan se recusava a ficar no segundo lugar de novo.


Caminhando pelos corredores no dia seguinte, Kurt achou a preocupação de Finn quase tocante.

— Finn, eu estou bem. Acho que você se fez claro quando você e Puck quase arremessaram Derek para fora da casa.

Bom, ele não queria deixar a gente entrar. — Finn parecia um pouco irritado pelo telefone. Isso fora depois que todo o coral de McKinley invadiu a festa de Windsor aproximadamente cinquenta minutos depois da primeira ligação que eles tinham feito para Dalton. Tina obedientemente reportou que Finn quase fora preso por dirigir em alta velocidade. Mas quando eles chegaram a Dalton, o problema já havia acabado por muito tempo. — Que droga, cara, ele nem é do seu dormitório. Os outros garotos lá não pareciam muitos felizes também.

— Ah, é só porque eles queriam fazer aquilo com ele eles mesmos, não se preocupe com eles. — Kurt dispensou o fato, quase tendo que recorrer à malabarismo para carregar sua mala, livros e anotações ao caminhar pelo corredor. — Não é nada pessoal. Obrigado por tem vindo aqui, por sinal. Santana parece ter arranjado um encontro com a viagem, além do mais; aquela mulher podia fazer um padre pecar. — Ele revirou os olhos. — E diga para Britanny que não, Dwight não consegue transformar animais em cálices de água.

Blaine surgiu ao seu lado com um sorriso, e o peito de Kurt aqueceu-se ao vê-lo. Blaine, pegando alguns dos seus livros, silenciosamente perguntou quem estava no telefone. Kurt ergueu a mão consideravelmente sobre a cabeça, imitando alguém de grande altura. Blaine entendeu que era Finn imediatamente.

Vou ficar de olho em Karofsky de agora em diante aqui. Puck disse que vai também, e o resto dos garotos.

— Louvável, irmão-de-outra-mãe, mas desnecessário. Ele não me machucou realmente. E não acho que ele vá voltar.

— A gente sabe. Só.. garantindo. — Finn pareceu hesitar. — Escute, sobre aquele garoto, hm... Blaine, certo?

Kurt ergueu as sobrancelhas. Eles estavam prestes a ter uma "conversa"? Seu breve olhar na direção de Blaine informou ao outro garoto que ele era o tópico da conversa.

— O que tem ele?

Ele, hm, parecia bem... protetor sobre você... — Finn soava deliciosamente incomodado e Kurt adorou cada momento. — Você já contou Burt sobre ele?

— Nós vamos para a mesma escola, ambos estamos no coral, vivemos no mesmo dormitório, ele é meu... amigo. — Kurt ficou vermelho e olhou na direção contrária. — O que meu pai iria querer saber?

Blaine sorriu fracamente. Esta era a definição oficial. Os garotos de Windsor podiam zoá-los o quanto quisesse, mas era assim que a definição ficava.

Eu não sei... Mercedes disse que ele pode ser o seu namorado.

Kurt corou até o coro cabeludo. Eu vou dirigir até Lima e exigir respostas daquela garota.

Vocês estão loucos. Você, o pai e Carole ainda vem para o Festival de Inverno, certo?

Acho que eles vão. Sr. Shue quer que a gente vá cantar para crianças pobres, então não tenho certeza... Espere. Mas você está mudando de assunto. Eu só quero garantir que Blaine está... você sabe, à par.

Kurt revirou os olhos com um suspiro exagerado.

— Um segundo. — Ele olhou para Blaine e sorriu. — Como você é o tópico, preciso me afastar para poder replicar contundentemente a meu meio-irmão à vontade. Já volto.

Blaine apenas riu e assistiu-o entrar um dos fóruns vazios. Ele ficara aliviado quando, na manhã seguinte, Kurt parecera relativamente ele mesmo de novo. Ele ainda não tinha ideia sobre o que ele e Karofsky tinham conversado, mas o que quer que fosse, Kurt poderia ter tirado um dos pesos em seus ombros por passar pelo enfrentamento e sair ileso.

Ele moveu-se para colocar suas coisas no sofá mais próximo e foi então que viu Logan no corredor, assistindo-o. Blaine endireitou-se e o olhou.

— O quê?

— Temos que acabar com isso — disse Logan diretamente.

— Engraçado, achei que fosse você quem começou.

— Ele não é propriedade — disse Logan francamente. — Especialmente não sua.

Uma sombra cruzou a expressão de Blaine. Ele caminhou até Logan silenciosamente, parando a poucos metros, mas murmurou:

— Você... é a última pessoa que quero ouvir me dando sermão sobre tratar pessoas como propriedade.

— Isso foi ano passado, Blaine.

— E estamos aqui como se fosse ontem, Logan. Não está cansado disso ainda? Porque eu estou. E não quero Kurt envolvido. — Ele o olhou diretamente agora. — Não lutei antes porque achei que fosse o melhor. Mas desta vez...

— Você não poder fazer isso comigo, Blaine — rosnou Logan. Seu punho se fechou mas ele se recusava a mover-se um centímetro enquanto ainda houvessem alunos no corredor. — Ano passado não era sobre ele. Era sobre eu e você e você sabe muito bem disso.

— Sei...?

O corredor finalmente esvaziou-se dos garotos em blazers, e um silêncio inquietante recaiu enquanto o eco das conversas e dos passos sumia. As únicas pessoas que os encaram agora eram os grandes retratos de homens e mulheres já falecidos que algum dia tinham sido vitais para a escola. As cortinas da janela aberta pela metade se moveram.

Logan não desviou os olhos por um segundo.

— … não, Blaine.

Blaine olhou-o firmemente, como se finalmente tivesse chegado xis da questão.

— Não faça. Isso. Comigo — disse Logan silenciosamente. Ele só poderia ter sido ouvido nesse novo silêncio.

Blaine considerou em expressão. Ele lentamente balançou a cabeça, ainda olhando para ele.

— Não.

Uma pausa, enervante. Assim como a de muito tempo atrás.

— Já tivemos nossa chance uma vez, Logan. E não deu certo. Não deu certo quando você escolhe ele no meu lugar. Eu não lutei por você. Eu deixei você fugir com ele, e ele com você. E então você arruinou ele, apenas quebrou ele como se ele não significasse nada. — Blaine deu um passo para a frente, aqueles olhos normalmente quentes agora duros. — E eu vi que fui sortudo porque ele recebeu a bala no meu lugar. Mas as coisas são diferentes agora... — Logan o encarou de volta com igual frieza. Blaine não hesitou. — … e eu não vou deixar você roubar Kurt de mim.

Os olhos de Logan fecharam apenas ligeiramente com o desafio.


E de onde ele estava tremendo na porta, Kurt lentamente ergueu a tranca com mãos trêmulas e a fechou, deslizando até o chão.


1: achei que ficava melhor deixando como no original.

2: não é relacionado à história — okay, parcialmente — mas eu sou a única que estaria interessada no Dwight aqui?

N/T: Gente, mil desculpas por não ter postado antes, mas minha tendinite resolveu que estava com saudades e veio fazer uma visita e eu fiquei afastada do computador por quase uma semana. Eu prometeria que isso não vai voltar a acontecer — mas provavelmente vai. Então, se eu não postar um capítulo novo até segunda à noite outra vez, se quiserem, podem ir ao meu profile que no topo da página provavelmente vai ter uma mensagem avisando o que aconteceu — que provavelmente vai ser minha tendinite de novo. Desculpas, de qualquer jeito.

Se Deus — e minhas mãos — quiserem, até sábado que vem :)

E obrigada pelas reviews!

IMPORTANTE: a partir do capítulo 13, surgem alguns que são bem mais longos que o normal. Eu preciso saber: vocês preferem que eu demore mais para traduzir e poste o capítulo inteiro de uma única vez ou divida-o? Eu pessoalmente acho que dividir é melhor, porque tem alguns que podem levar um boooooom tempo para que eu consiga terminar (pensem 113 páginas. Esse é o capítulo 26. Normalmente eles têm 10-15 páginas.)