Shun leu o conteúdo da carta com visível apreensão. Hyoga desaparecera há quatro meses, dizendo que viajaria por algum tempo e ainda não respondera a nenhum chamado do Santuário. A preocupação também era evidente em Saori, pois não sentia o cosmos do cavaleiro de Cisne em qualquer lugar da Sibéria. Restara somente sua armadura em casa, em perfeito estado.
Expandindo seu cosmos inúmeras vezes, Shun tentara entrar em contato com Hyoga, sem receber uma resposta. Decidira viajar em busca do amigo, mesmo que tivesse de vasculhar toda a Rússia. Subiu as escadas resoluto e entrou no quarto de Saori, com a licença dos soldados. Sentada no sofá, ela olhava pensativa para o chão, quando notou que ele entrara.
"Shun... Alguma novidade?"
"Acabo de receber esta carta da Rússia, vinda da terra do Hyoga. Eles ainda não têm nenhuma notícia dele. Também tentei entrar em contato com o cosmos dele, mas não consegui. Estou preocupado."
Saori viu a carta, escrita em russo, sem entender o que aquelas letras significavam. Shun sabia alguma coisa que Hyoga lhe ensinara e conseguiu traduzir o principal. Ainda não havia notícias do amigo.
"Saori, deixe-me ir pra Sibéria. Eu irei encontrá-lo mesmo que leve meses!"
"Acalme-se, Shun. Precisamos pensar com calma."
"Saori... Já faz quatro meses que ele desapareceu. Já pensamos demais, supusemos demais, precisamos procurar por ele. E se estiver em perigo? Eu preciso ir, mesmo que seja contra a sua vontade!"
"Fique calmo, eu já disse. Shun... Você não acha estranho a armadura não reagir?"
"Como assim, Saori?"
"A armadura de Hyoga está em sua casa, completamente tranqüila. Você sabe melhor do que eu. Quando o cavaleiro corre perigo, sua armadura também entra em alerta. Ela é uma coisa viva, afinal. Quando o inimigo ataca você, sua armadura o protege ou fica agitada, não é verdade?"
"A armadura de Cisne não parece nervosa. É verdade, se ele estivesse em perigo, sentiríamos isso através do cosmos que ela emana..."
"Se ele tivesse sido atacado, eu saberia, porque meu cosmos sempre está sintonizado com os dos cavaleiros. Ele não foi atacado. Isso só pode significar uma coisa, Shun. Hyoga não está desaparecido por acidente; ele quer ficar desaparecido."
Surpreso, Shun tentou vasculhar em sua memória qualquer pista que justificasse o comportamento de Hyoga. Não encontrou nenhuma, apesar dos anos de convívio.
"Mas Saori... O que o faria tomar tal decisão? Deixar todos nós preocupados desse jeito."
"Eu não sei... Mas se ele está fazendo isso, é porque descobrir a sua localização pode ser prejudicial ao Santuário ou a ele próprio. Ele não está em perigo, talvez seja melhor deixar isso nas mãos dele."
"Hyoga..."
Olhando pela janela, Shun sentiu-se impotente por não poder ajudar o amigo que tantas vezes o salvara. Restara somente a confiança que eles depositavam entre si quando lutavam em equipe.
