Está ai mais um cap para vocês!

Novamente, desculpem-me todos os erros de português, eu não revisei adequadamente.

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Oito meses depois.

"Robbins! Termine de montar isso, enquanto acendo a fogueira!" Erica pediu a loira, que estava descarregando algumas de suas coisas da sela de seu cavalo.

"Sabe, Erica... Uma hora você vai ter de admitir que não pode montar uma tenda sozinha." Arizona provocou a loira, que bufou.

"Ora, por favor... Diferente de você, eu viajo a anos! Acha mesmo que não sei montar uma tenda?" Erica zombou.

"Na verdade, eu acho." Arizona afirmou, segura. A mulher mais velha semicerrou os olhos para ela, mas não retrucou de imediato, apenas voltando a sua tarefa. "Você tem uma língua muito afiada, senhorita "Elizabeth Tobbins". Me provoca, mas sem mim, você não teria durado um terço dessa viagem." Erica disse, convicta. "E não iria muito longe com esse nome falso, também."

"Não é um nome falso!" Arizona retrucou, mas pigarreou sobre o olhar astuto da outra mulher. "Ok, é falso, mas não tãooo falso... Meu nome é mesmo Elizabeth e eu só troquei o R pelo T." A jovem sacudiu as mãos, sem importância. "Além disso, pessoas usam nomes falsos o tempo todo."

"Sim, quando são bandidos, assassinos ou qualquer coisa parecida, não quando são membros Reais." Hanh apontou.

"Eu sou uma fugitiva, Erica... O que é quase a mesma coisa." Arizona lembrou, sacudindo os ombros. Fazia algum tempo desde que Erica havia descoberto sobre a verdadeira identidade da jovem. Tudo aconteceu quando as duas se viram obrigadas a se esconder de guardas Reais, que Arizona reconheceu imediatamente como sendo do Reino de Golden Valley. Na ocasião, Hanh exigiu a verdade, caso a moça continuasse querendo sua ajuda durante a viagem e a confissão foi inevitável. A mulher mais velha prometeu guardar o segredo, contanto que não houvesse outra surpresa como essa novamente.

A noite havia finalmente chegado e ambas as mulheres se encontravam em volta da fogueira, sentadas em troncos de árvores, postos em frente a entrada de suas tendas.

"Então Robbins... Não que seja da minha conta... Mas você não sente falta da sua família?" Erica iniciou a conversa, tirando ambas do silêncio imposto pela calmaria do anoitecer.

"Sim... Alguns dias mais que outros..." Arizona respondeu com voz amena. "Quero dizer, eu amo a minha liberdade e esses últimos meses têm sido fascinantes e de grandes descobertas." A loira explicou com um sorriso, olhos brilhando com as lembranças de tudo o que foi capaz de conhecer e provar. "Mas não posso negar que sinto falta da minha família." Terminou, olhando diretamente para Erica, que assava um pedaço de carne na fogueira.

"Então você está implicitamente dizendo que quer voltar para sua casa?" A mulher mais velha questionou.

"Não!" Ela quase gritou. "Quero dizer... Não sei... Eu sinto falta deles, mas sei que se eu voltar, meu pai colocará grades nas minhas janelas, correntes na porta e guardas vinte quatro horas, para impedir-me de ir novamente. E eu não estou satisfeita da minha viagem ainda... Quero conhecer muito mais." A loira explicou.

"Bem... Você que sabe, Robbins." Erica disse, encolhendo os ombros. As duas caíram novamente no silêncio, cada qual com seu próprio pensamento. Arizona analisava os pontos positivos e negativos de ter fugido do reino. Ela havia ganhado liberdade, havia conhecido dezenas de lugares e pessoas incríveis. Aprendeu a se virar sozinha ou parcialmente sozinha, se fosse levar em conta a presença da vendedora ambulante. E, apesar de terem se metido em confusões algumas vezes, só o fato de não dever satisfações para ninguém, já era, deverás, refrescante. Mas então, havia aqueles momentos em que tudo o que queria era poder estar em casa com seus pais, seu irmão e seus amigos... E mesmo tentando com muita vontade, ela admitia que também sentia falta de Callie terrivelmente. Porque aquela mulher mexera com ela de uma forma, que ela não conseguia explicar. E a serva, sua serva, arruinou-a de maneiras inimagináveis. Claro que, durante sua viagem, ela não ficou sozinha e, tanto ela quanto Erica, aproveitaram ao máximo para desfrutar da companhia de diversas mulheres. Mas no final de cada noite, lá estava Callie em seu pensamento... O que ela estava fazendo, com quem e se, mesmo que inconscientemente, a latina sentia sua falta? Arizona sentiu vontade de rir desse último pensamento. Ela era, com certeza, a última pessoa que a morena sentiria falta... Não depois de tudo que já a fez passar. Com um suspiro audível, a loira mais jovem acabou chamando a atenção de Erica de seus próprios pensamentos e, depois de analisar a expressão da princesa por um tempo, Hanh falou seriamente.

"Eu acho que talvez você deva voltar para casa." Erica propôs.

"O que? Não!" Arizona descartou imediatamente a ideia.

"Robbins... Você não pode negar que sente falta de todos eles... Além disso, já são oito meses viajando."

"Eu disse não, Erica! Quando eu sentir vontade de voltar, eu aviso." A loira resistiu, firmemente... Mas sua expressão a traiu. Erica olhou-a desconfiada, antes de suspirar e levantar-se.

"O problema é seu, Robbins. Mas se você começar a chorar pelos cantos, feito uma menininha, eu vou amarrar você, levá-la de volta e jogá-la dentro do castelo sem pensar duas vezes." Erica avisou, apontando o dedo para ela. Arizona levantou os olhos e semicerrou-os.

"Você tem uma visão muito sensível sobre mim, Erica." Arizona reclamou, desgostosa.

"Não me leve a mal, Robbins... Mas durante toda minha vida tive essa imagem com relação às princesas."

"Bem, pois durante esses meses, eu tenho provado que esse esteriótipo não se aplica a todas. E você, mais do que ninguém, pôde ver isso, ou estou errada?" Arizona desafiou e Erica simplesmente assentiu com a cabeça.

"Sim, pode ser que você até esteja certa... Mas isso apenas durante o dia." A mulher mais velha falou e Arizona fez expressão confusa, para que Erica explicou-se melhor. "Como eu já cansei de dizer, viajo por aí e já conheci Deus e mundo para dizer, Robbins, que mesmo mostrando força, independência e persistência enquanto há sol, é durante a noite que essa face se quebra e você, mais uma vez, mostra toda a sua fragilidade, toda sua transparência...No final do dia, você revela ser quem realmente é... Uma frágil princesa rebelde." E com isso, Erica dá meia volta e se afasta aos poucos. "Vou banhar-me, até depois." Deixando uma Arizona pensativa para trás.

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"É sério o que temos ouvido por aí?" Veio a pergunta de Meredith, que adentrou a cozinha, com Lexie em seu encalço. Ela olhava para Callie com expectativa, quando a mesma levantou o olhar dos legumes que estava cortando.

"Do que você está falando?" Callie devolveu a pergunta, confusa.

"Há rumores por todo o castelo de que vossa Alteza Teddy Altman irá se casar com o príncipe." Lexie se introduziu.

"Sim... Pensamos que talvez você soubesse se isso era verdade ou não." Meredith acrescentou. Callie olhou para as duas com uma sobrancelha erguida, antes de voltar sua atenção aos legumes.

"Bem, eu não sou a pessoa mais indicada para dar-lhes essa informação, porque nem ao menos tinha o conhecimento desse tal rumor." Callie falou simplesmente, sacudindo os ombros. "Além disso, Cristina é a serva de vossa Alteza Altman e, pelo que tenho reparado, você e ela tem sido bem próximas." A morena disse, referindo-se a Meredith.

"Sim, eu sei... Mas não encontro Cristina em lugar nenhum." Meredith lamentou. "E como você é a melhor amiga de Mark, achei que soubesse, Cal."

"E o que Mark tem a ver?" Callie perguntou ainda mais confusa, não entendendo a ligação de seu melhor amigo, com aquele assunto.

"Sabe... Eu adoro Mark, o acho realmente incrível... Mas todo mundo sabe o quão fofoqueiro ele pode ser. Não há nada que esse homem não venha a descobrir." Lexie disse, com uma pequena risadinha. Callie sorriu para pequena Grey. Se até ela dizia isso com relação ao homem, não seria a latina que discordaria.

"Entendo... Mas eu não tenho visto Sloan esses dias. Richard me perguntou se eu gostaria de ajudá-lo na cozinha e, como Mark me deixou ficar aqui, uma vez que estava em função de auxiliá-lo nos jardins, não temos falado com frequência." Callie explicou.

"Oh, tudo bem... Bem, eu gostaria que o rumor fosse verdade. Eu simpatizo com a princesa e isso significaria que Cristina ficaria por aqui." Meredith comentou, fazendo Callie sorrir ironicamente.

"Não é como se ela já não ficasse por aqui tempo suficiente... Nesses últimos meses, vossa Alteza tem ido e vindo para cá mais vezes do que meus dedos podem contar.

"Isso também poderia ser um indício de que o rumor é verdade." Lexie apontou e ambas concordaram com a cabeça. Nesse momento, Cristina entrou na cozinha.

"Ei vadias!" A asiática cumprimentou inexpressivamente, apesar do tom espirituoso em sua voz.

"Cristina! Estávamos justamente falando de você." Meredith andou até a mulher e agarrou-a pelo braço, puxando próxima ao balcão.

"O que está acontecendo?" A mulher perguntou, confusa.

"Queremos saber se o rumor é verdade." Lexie respondeu, deixando Yang ainda mais perdida.

"Sim, procurei você por todos os lugares, mas não te encontrei... Onde você estava?"

"Eu não estava fazendo nada, apenas andando por aí." A mulher disse, simplesmente. No entanto, Callie poderia apostar que ela parecia um pouco... Envergonhada? "Mas do que vocês estão falando?"

"Essas duas querem saber se é verdade que vossa Alteza Teddy irá se casar com vossa Alteza Timothy." Callie esclareceu, voltando os olhos da tarefa que estava fazendo.

"Ah... Isso?" A asiática agora parecia muito mais desinteressada do que antes. "Bem, desde que eles conseguiram se entender há algum tempo e desde a partida da Blondie, Teddy e ele ficaram muito próximos."

"Então quer dizer que o rumor é verdade?" Meredith pediu e Cristina sacudiu os ombros.

"Não faço ideia." Respondeu, mordendo uma maçã que pegou em cima do balcão. Meredith olhou carrancuda para sua amiga.

"Você não ajudou muito, também."

"Bem... O que eu posso dizer? Claro, Teddy fica "Oh, Tim isso, Tim aquilo" o tempo todo e chega a ser irritante, mas nunca me falou nada sobre noivado."

As três mulheres ficaram de "burburinho" entre si, enquanto Callie observava a conversa frenética com uma sobrancelha levantada.

"Hum... Pessoal?" A latina tentou chamar a atenção.

"Vocês não entendem? A vida de Cristina está em jogo." Meredith justificou, fazendo o trio de mulheres se virar para ela.

"Está?" Lexie e Cristina perguntaram ao mesmo tempo.

"Sim, eu falei... Se Teddy se casar, Cristina passará a viver aqui! Não será incrível?" A mais velha Grey tentou passar ânimo.

"Lindo." Callie concordou irônica e Yang apenas sacudiu os ombros, fazendo Meredith suspirar.

"Bem, se nem Cristina sabe... Talvez seja apenas um rumor mesmo. É esperar para ver."

E assim ficaram, entre uma conversa e outra, até que o chefe de cozinha apareceu de repente, se deparando com as quatro mulheres em uma conversa aleatória.

"Bem, vejo que as senhoritas estão todas acampando em minha cozinha... Espero que seja para ajudar." Ele falou com ar sabido, pegando o quarteto de surpresa.

"Chefe Webber." Callie, Meredith e Lexie falaram ao mesmo tempo.

"Vocês parecem tão surpresas em me ver, mesmo que seja do conhecimento de todos, que essa cozinha é minha área." Disse, cruzando os braços. "Então... Estão aqui para ajudar ou o que?"

"Ou o que." Cristina respondeu atrevida, sem se preocupar com o olhar que Richard lhe devolveu. Callie bateu a mão na testa e puxou a asiática mais perto de si.

"Eu acho que você tem andado muito com Mark." Falou entre dentes cerrados, sua atenção voltada para Webber, em um sorriso nervoso.

"E eu lá me interesso em andar com o "homem puta"?" Cristina sussurrou de volta, parecendo ofendida.

"Ei!" Lexie protestou, ante as palavras ofensivas ao homem. "Também não é assim."

"É a verdade, pequena Grey... Vá se acostumando." Cristina falou, balançando a cabeça em uma confirmação não-verbal. O homem olhou seriamente para elas e cruzou os braços mais forte, frente ao peito.

"Então? Estão aqui para me ajudar?" Richard pediu novamente, e o trio de mulheres invasoras fizeram não com a cabeça. "Bem...então vocês podem dar o fora da minha cozinha!" Ele levantou a voz forte e apontou para a saída, tendo o trio de mulheres fora do local antes mesmo de Callie poder piscar os olhos.

O chefe de cozinha suspirou, olhando para a porta onde o furacão de mulheres atravessou instantes atrás, antes de voltar sua atenção para Callie, que ainda cortava alguns legumes, pigarreando antes de falar.

"Então, senhorita Torres... Poderia me explicar o que estava acontecendo aqui?" Webber pediu, sério.

"Estávamos apenas a jogar conversa fora." A morena respondeu, ocultando o assunto. Webber não pareceu satisfeito, porém.

"Hum... Sei." O homem deixou passar, mesmo não muito convencido, voltando assim para sua função em temperar o peixe, antes de colocá-lo para assar. "Pegue aquele pernil para mim e coloque esse peixe na brasa." Richard instruiu e Callie pegou a bandeja com a carne para entregá-lo. "Sabe, Torres, você leva jeito para a cozinha. Talvez eu devesse roubar-lhe permanentemente de Sloan." O homem elogiou, dando um pequeno sorriso à moça.

"Obrigada, eu sempre gostei de cozinhar, de qualquer maneira." Callie comentou simplesmente.

"É mesmo?" O homem pareceu genuinamente interessado, enquanto trabalhava. A moça deu de ombros.

"Bem... Sim. Quando era criança, ficava horas na cozinha observando a preparação dos pratos... Mas isso faz muito tempo." Ela simplificou e Webber assumiu que Callie, talvez, não estivesse confortável em falar sobre o assunto, voltando assim para sua função, em silêncio.

Alguns minutos se passaram, porém, antes da latina chamar a atenção do homem novamente.

"Hum... Chefe Webber?" O cozinheiro levantou a cabeça no chamado e Callie o olhou nos olhos. "Posso fazer-lhe uma pergunta?"

"Faça, Torres." Ele concordou, levantando o corpo para igualar o campo de visão com a latina.

"Está havendo um boato... Uh... Não que seja da minha conta." Ela enfatizou rapidamente, sobre o olhar cético de Richard. "Estão dizendo que vossa Alteza Teddy e vossa Alteza Timothy irão se casar. O senhor acredita que isso seja verdade?"

"Bem, se for verdade, eu os felicito. Mas porque a pergunta?" Ele pediu, confuso.

"É que... Vossa Alteza Timothy é irmão de minha ama e, pelo que pude constar, vossa Alteza Teddy era sua melhor amiga, então... Se eles se casarem agora, isso significa que a princesa perderá o casamento." Callie tentou explicar.

"Sim, é verdade... Mas se isso acontecer, infelizmente, vossa Alteza Arizona será a responsável." Ele suspirou. "Eu conheço essa menina desde o seu nascimento e ela sempre foi assim... Sempre fez o que quis. E há alguns meses não foi diferente... Tenho certeza que se esse casamento for certo, o garoto Timothy ficará muito desapontado em não ter a irmã no dia mais importante de sua vida." Webber parou um pouco e olhou para a morena. "Infelizmente, ninguém sabe quando a princesa regressará... Não seria sensato esperar por ela, até porque, Deus queira que não, essa garota pode nunca mais voltar." Ele concluiu, com pesar e Callie suspirou tristemente.

"Eu sinto falta dela." A latina confessou, fazendo o homem mais velho olhar para ela com uma sobrancelha levantada. "Eu não sei... Eu só..." A morena não sabia o que dizer exatamente e voltou sua atenção para o mesmo, deparando-se com sua expressão curiosa. "Porque você está me olhando assim?" Perguntou e chefe desviou os olhos, voltando-se para se concentrar na tarefa. "Webber?" Insistiu.

"Não é nada... Só devo dizer que estou surpreso com o que disse." Ele justificou, vendo a latina ficar levemente confusa. "Não me leve a mal, eu respeito muito aquela menina, mas eu sei quão difícil pode vir a ser, ter de lidar com ela."

"Vossa Alteza Arizona é mais doce e sensível do que a maioria pensa." Callie a defendeu... Não tinha um real motivo, mas queria que todos vissem a Arizona que ela conseguiu ver.

"Eu sei." Webber disse simplesmente. "Eu vi essa menina crescer. Ela dá uma de durona, mas as vezes seu coração a trai." Ele sorriu, pensando na menininha loira de olhos muito azuis, que sempre estava correndo de um lado para o outro do castelo. "Ela se tornou uma mulher linda, não acha?" Richard perguntou, em um tom sabido.

"Acho". Concordou, distraída, antes de arregalar os olhos e corar furiosamente, quando se deu conta de que havia dito, sob o olhar astuto do homem. "Quero dizer, eu... eu..." A morena se atrapalhou e Webber gargalhou no embaraço da latina.

"Bem, por isso gosto de você, Torres... Sempre tão espontânea." Ele disse, com um tom ainda divertido em sua voz. "O tipo de pessoa que carrega o coração em suas mãos." Comentou, pegando um pano para enxugar as próprias mãos nele, antes de jogá-lo no ombro e andar em direção à latina.

"Chefe Webber..." Callie tentou se explicar, mas foi interrompida pelo mesmo.

"Está tudo bem. Além disso, você não engana ninguém."

"Como?" A latina se sentiu alarmada

"Torres... Você é uma pessoa muito expressiva e espero que tenhas consciência desse fato." Alertou e a morena engoliu em seco. "Mas isso também não significa que seja ruim." Ele colocou a mão no ombro esquerdo da mulher e a encarou solidariamente. "Aprenda uma coisa, menina. Não podemos mandar no coração." E com isso, ele caminhou para a saída. Entendendo verdadeiramente o que as palavras queriam dizer, Callie tentou negar imediatamente.

"Eu não...!" Callie se apressou em corrigi-lo, mas silenciou-se sobre olhar de Webber, que a desafiava a tentar enganá-lo. "Eu não..." A mulher suspirou, derrotada. "Eu não posso negar o que sinto." Cedeu finalmente, com voz tranquila, recebendo um aceno de cabeça e um sorriso tranquilizador de Richard, antes dele deixar a cozinha. "Eu não posso negar o que sinto." Reafirmou, agora, para si mesma, sob o silêncio que pairava no ambiente. Ela amava Arizona... E não sabia como, mas amava aquela mulher e os últimos meses haviam sido uma tortura para ela. Callie havia deixado de ser religiosa desde a morte de seus entes queridos... Era difícil acreditar em um Deus, quando tal desgraça caiu de maneira tão impetuosa e devastadora sobre sua vida. Mesmo assim, a esperança na existência desse mesmo "Deus", era que fazia com que Callie rezasse todas as noites, desejando que sua ama voltasse bem e saudável para casa, para o seio de sua família. Que voltasse para ela...

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"Erica, corre!" Arizona gritou, montada em Salazar, quando um bando de homens vinham em direção a loira mais velha. Erica correu com os sacos na mão e jogou-se na garupa do quarto-de-milha da princesa. Sem esperar um segundo, Arizona sacudiu as rédeas e bateu os calcanhares em cada lado do animal, fazendo-o sair em disparada para qualquer lugar, longe dos homens que as seguiam.

"Suas vadias!" Gritou um dos homens, jogando uma pedra na direção delas, mas que não chegou nem perto de atingi-las.

"É o mínimo que você e seus capangas me devem, estúpido! Na próxima, pense duas vezes antes de tentar enganar uma pessoa como eu!" Erica gritou de volta, mais forte, enquanto observava os homens ficarem cada vez mais distantes...

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"Ainda tenho a impressão que em uma dessas, você não sairá viva." Repreende Arizona, com uma postura séria e braços cruzados frente ao peito. Ela olhava para Erica, que contava as moedas de dentro dos sacos, os quais havia pegado dos homens. A loira jovem ainda tentava recuperar-se da adrenalina de ter arriscado-se daquela maneira e ter conseguido sair ilesa, desde que chegaram " em casa".

"Fique tranquila, Robbins. Isso..." Ela disse, mostrando algumas moedas de prata na mão. "É o mínimo que esses imbecis me devem. "

"Sim, eu ouvi você dizer isso a eles, mas a forma como resolveu as coisas... Você ainda pode se dar mal." Arizona alertou e Erica estudou-a por um tempo, antes de levantar-se e ir tranquilamente na direção da loira petite.

"Aprenda uma coisa sobre mim, Robbins... Eu não deixo uma dívida barata e muito menos aceito ser passada pra trás." Erica falou séria. "O chefe deles me devia e agora a dívida está paga, com acréscimos." E dizendo isso, a mulher mais velha voltou a contar as moedas. Arizona ergueu uma sobrancelha para ela e sacudiu os ombros.

"Tudo bem... Você pode sair por aí e bancar a suicida, eu não me importo... Mas se colocar minha vida em risco novamente, eu acabo com você." Ela diz, meio brincando, deitando em uma das redes montadas perto das barracas e jogando qualquer coisa em direção a loira mais velha. Erica riu com gosto, uma das poucas vezes que a viu rir daquela maneira.

"Você não precisa da minha ajuda para correr riscos de vida. Consegues, por si só, fazer isso". Erica jogou de volta, com tom zombeteiro. Arizona fez beicinho e mostrou língua. "Muito adulta, você."

"Você sabe o que? Não me importo com o que você diz." A jovem princesa disse, se jogando para trás na rede e fechando os olhos, balançando-se com os pés. E mais uma vez, o silêncio comum caiu entre elas. Isso era fácil para as duas mulheres... Apesar de ambas não falarem muito sobre si mesmas, uma para a outra, o clima era sempre leve e as vezes descontraído. Erica não gostava de admitir, mas tinha um certo apreço pela outra loira. Arizona inspirava-lhe confiança e isso já bastava. A jovem princesa também não pensava diferente. Ela sabia que poderia confiar na mulher mais velha, mesmo que as vezes Erica fosse, deverás, intimidante e fria. Arizona tinha em mente que, essa característica era o que possibilitava a estranha convivência harmoniosa entre elas. Fácil e prático.

Passado diversos minutos, Erica pensou que a loira mais jovem houvesse, de alguma maneira, adormecido, surpreendendo-se quando, de repente, a mesma voltou a falar.

"Eu estive pensando no que você me falou." Arizona disse, com ar pensativo. "Talvez esteja certa."

"Eu sempre estou certa, Robbins, mas eu gostaria de saber exatamente a que se refere." Erica falou em um tom despreocupado. Ela já havia contado e guardado as moedas e agora estava polindo sua adaga.

"Sobre voltar para casa." Ela respondeu tranquilamente. "Eu fiquei pensando sobre o que me disse dias atrás, quando estávamos na floresta... É verdade, eu sinto falta deles." Erica levantou os olhos, para olhar a forma da loira, deitada na rede.

"Eu sei..." Para a loira, era óbvio que a princesa sentia falta deles. Como Arizona permaneceu em silêncio, Hanh achou que talvez devesse ser gentil com a moça, de vez em quando. "Eu vou sentir falta da minha parceira de viagem." Erica confessou, fazendo a outra loira levantar a cabeça e olhar para ela, com expressão provocativa.

"Ohh, Erica... Você vai sentir saudades minhas?" Arizona brincou, suas covinhas estourando em seu rosto e a mais velha olhou-a, carrancuda.

"Ah, calada Robbins!" Erica chiou com a outra mulher, jogando o pano em suas mãos no rosto dela. "Se você começar a se achar demais, vou acabar com você... E nem pense que, só porque você é da Realeza, que vai se livrar de ter sua bunda chutada!" Ameaçou, seu rosto estava meio corado de vergonha.

Arizona riu do embaraço da mulher e do seu olhar, que a fuzilava sem dó. Mas uma ideia veio-lhe a mente e ela parou bruscamente de rir, olhando para o nada. Erica viu quando a princesa cessou sua risada e assumiu uma expressão engraçada na face, sentindo como se quase pudesse ouvir as engrenagens rodando dentro da cabeça cheia de cachos loiros.

"O que foi? Por que está fazendo essa cara?" Perguntou ela, sacudindo as mãos na frente do rosto de Arizona.

"Você quer vir comigo?" Arizona perguntou, repentinamente.

"O que?" Erica ficou surpresa com a pergunta e quis ter certeza de que seus ouvidos não a estavam enganando.

"Volte comigo a Golden Valley. Podemos dar apenas uma passada por lá... Você vai como minha convidada e depois podemos voltar a viajar." Arizona sugeriu, mas não obteve resposta imediata de Erica, que parecia calcular as possibilidades. "E então?" Arizona olhou-a com expectativa.

"Você só pode ter ficado louca de vez!" Erica gargalhou na cara da loira, como se ela tivesse escutado a piada mais engraçada do mundo. A jovem Robbins estava fora de seu juízo, se achava que as coisas eram tão fáceis assim.

"Não sei o por quê." A loira respondeu simplesmente.

"Se não se lembra, Robbins, foi você mesma que havia dito que não poderia voltar antes de concluir sua viagem, porque seu pai a prenderia de vez lá dentro. Como agora acha que vai conseguir convencê-lo a viajar de novo? É loucura! Sinto muito, mas a verdade é que isso não faz nenhum sentido."

"Você está certa." Arizona concordou, minutos depois.

"E então?" Erica perguntou confusa.

"Vamos assim mesmo." A loira disse, sacudindo os ombros e deixando de volta, não se importando com o olhar confuso e meio perplexo da outra mulher.

"Certo." Erica falou, desconfiada. "Então é só isso, você vai voltar, mas se não puder sair, vai ficar? Pensei que você queria viajar por ai e ser livre."

"Você me disse que eu deveria voltar... Que papo é esse agora?" Arizona perguntou com uma sobrancelha levantada e Erica olhou-a incrédula.

"Nesses oito meses, você nunca parou para me escutar!" Erica chiou sem paciência com a expressão tranquila de Arizona. "O que? Decidiu ouvir a voz da razão?"

"Na verdade, eu não queria voltar para casa antes, mas agora eu quero." Ela confessou. "E eu quero voltar a viajar logo em seguida... Vou fazer isso e nada vai me impedir." Arizona afirmou, sem titubear.

"Bem... Se você o diz, Robbins..." Erica sacudiu os ombros. "Mas se seu pai prender-nos dentro do calabouço, não sobrará Arizona Robbins pra contar história." Erica passou o dedo na própria garganta, ilustrando claramente a intenção de sua ameaça.

"Está ameaçando um membro Real, Hanh?" A loira brincou, fazendo a outra mulher apenas cruzar os braços.

"Não é uma ameaça, é um aviso." Erica corrigiu. "Além disso, você não está no seu reino... Dessa forma, pra mim você é apenas mais uma plebeia." Concluiu e a jovem Robbins mostrou língua novamente.

"Bem, você que sabe, mas depois não diga que eu não avisei."

"Que seja... Mas falando sério agora, Robbins... Quando você pretende voltar?" A mulher mais velha perguntou, com interesse genuíno.

"Em breve, Erica... Em breve...

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Um mês depois...

"Torres!" Mark chamou pela moça, que vinha tranquilamente andando em sua direção.

"Ei, Mark! Adivinha que dia é hoje?" Callie pediu ao homem, que coçou a barba e assumiu uma expressão pensativa.

"Hum... Dia de podar os arbustos?" O homem falou meio brincalhão.

"E como eu saberia que hoje é dia de podar arbustos, Mark?" Callie perguntou, cruzando os braços na frente do peito.

"Não teria como você saber." Ele respondeu com um sorriso Sloan, fazendo a latina suspirar frustrada. "Ok, Torres, ok... Que dia é hoje?" Ele pediu, agora mais sério Entretanto algo estalou em sua cabeça. "Espere, hoje é seu aniversário?" Presumiu.

"Não, Mark." Callie negou e o homem notou uma queda na expressão da morena. "Meu aniversário foi há dois meses."

"Dois meses? Como eu só estou sabendo disso agora?" O homem grisalho perguntou, meio chateado. "Poxa, Torres... Poderíamos ter feito uma festa no alojamento."

"Eu não comemoro meu aniversário, Sloan, então não tinha o porquê eu contar." A latina disse séria, dando a entender o encerramento daquele assunto. Mark não parecia satisfeito, mas deixou estar. Afinal, ele não queria acabar com o humor de sua melhor amiga. "Enfim... Hoje faz um ano que vim para Golden Valley, servir vossa Alteza Arizona." Esclareceu, fazendo o homem levantar uma sobrancelha e olhar para ela meio emburrado.

"Você chegou toda entusiasmada e fez expectativa sobre o assunto, pra depois vir me dizer que faz um ano que você veio servir 'o dragão?' ."

"Mark..." Callie revirou os olhos, cansada de bater na mesma tecla com o homem, em relação à Arizona.

"Eu sei, eu sei, Torres..." Mark sabia que dar apelidos à jovem princesa, era quase um crime imperdoável para a morena. "Mas eu não resisto." Sloan disse, com um meio sorriso torto.

"Só que hoje não significa só isso." Callie disse. "Bem, se eu não tivesse vindo para cá, eu ainda serviria aquele assassino." Ela disse em um tom gelado e seu rosto gravou todo o desgosto e infelicidade que sentia, ao lembrar de um passado não muito distante. Mark pôde sentir na voz da latina, o ódio reprimido por seus antigos senhores e ele sentiu a necessidade de ser solidário aos sentimentos de sua melhor amiga. Entretanto, tão de repente a expressão mudou e logo um sorriso mega watt apareceu em seu rosto. Cutucando as costelas de Mark com o cotovelo, provocou-o. "Mas também conheci bons amigos..." E essa afirmação foi capaz de tirar um sorriso dele.

"Vem cá, benzinho... Me dê um abraço." Disse Mark, com humor leve, seus braços abertos e olhos de cachorrinho.

"Mark, você nunca deixará de ser um bobo?" Callie perguntou, mas sua entonação deixou o homem saber que ela estava meio brincando. Aceitando o abraço, a latina ainda deu um tapa no peito de seu amigo, quando o mesmo fez um comentário inteligente de como a vida dela havia melhorado, depois que o conheceu.

"O que vocês estão fazendo?" Veio uma voz atrás deles, mas ambos nem precisavam virar para saber quem era.

"Nos abraçando, Yang... O que parece que estamos fazendo?" Mark perguntou, soltando a latina aos poucos.

"Sei lá... Pensei que você estivesse namorando a pequena Grey." Cristina respondeu, provocativa, dando uns tapas nas costas de Mark.

"Cristina, Mark e Callie são melhores amigos, pare de tentar fazer intriga." Meredith repreendeu a mulher asiática.

"Eu só estou falando o que eu vejo." A mulher sacudiu os ombros

"Como você consegue enxergar, estando o tempo todo de olhos fechados?" Mark contra-atacou, venenoso, causando a outra mulher resmungar algum impropério à ele.

"Tá legal, pessoal... Amigos..." Callie interveio, cessando a discussão que estava prestes a se iniciar entre eles. Ela não entendia porque Cristina e Mark sempre provocavam um ao outro.

"De qualquer maneira, eu estava abraçando Callie, porque hoje faz um ano que veio morar aqui e conheceu o amor da vida dela." Mark disse, colocando as mãos na cintura e dando um sorriso cínico.

"Você é sempre tão cheio de si, Sloan, à ponto de se auto-denominar "o amor da minha vida"?" Callie zombou, cruzando os braços e levantando uma sobrancelha bem delineada.

"Rá!" Cristina grita e aponta para o homem. "Otário."

"É mesmo? Pois eu digo que sou o sonho de qualquer mulher." Ele afirmou, convicto, fazendo todas as mulheres presentes revirarem os olhos. Enquanto Callie estava rindo, ele aproveitou para puxá-la pelo braço e cochichar em seu ouvido. "Quando eu disse "amor da sua vida", eu não estava necessariamente fazendo uma referência a mim, mas à uma loira de nariz empinado e olhos azuis." O homem esclareceu, fazendo a morena arregalar os olhos, torcendo para que as garotas não o houvessem escutado.

"Calado, Mark! Uma hora você ainda abrirá a boca pra todo mundo." A morena ralhou, em um grito sussurrado, que acabou levantando suspeitas de Yang.

"O que vocês tanto cochicham?" Na voz da mulher asiática, ambos ficaram rígidos. Eles viraram a cabeça lentamente para ver, tanto Yang quanto Grey, com o cenho franzido.

"Nada!" Responderam apresadamente, em uníssono, ambos pares de olhos levemente ampliados. Isso levantou uma curiosidade ainda maior nas duas outras mulheres da roda."

"Vocês dois são muito estranhos." Cristina comentou.

"Isso é realmente alguma coisa, vindo de você, Yang." Callie retrucou, irônica, tirando até uma pequena risada de Maredith.

"Que seja." Cristina sacudiu os ombros. "Não estou realmente interessada no que vocês estavam fazendo. Viemos aqui, porque descobrimos uma coisa."

"E o que seria isso?" Mark perguntou, levemente interessado. Cristina abriu a boca pra falar, mas foi interrompida por Bailey, que apareceu como um vulto atrás de Callie.

"Eu vejo que vocês tem tido tempo de sobra pra reunir o grupinho da fofoca." A mulher baixa falou forte, surpreendo-os.

"Oh Deus!" Callie exclamou, virando-se aterrorizada para Bailey e, com a mão no peito, a latina tentou acalmar as batidas rápidas de seu coração. Olhando meio indignada para a mulher negra, a jovem reclamou.

"Miranda, você quase me matou de medo." Callie fez beicinho e Bailey apenas franziu o cenho.

"Nota-se que você não sabe sobre mim, Torres." Bailey observou, com expressão impassível.

"Ei, porque Torres pode te chamar de Miranda e eu tenho que dizer Bailey?" Mark reclamou.

"Com todo o respeito, senhor Sloan, porque eu não quero." A mulher cortou o homem, rapidamente. "E o que me interessa saber, é porque estão aqui e não em suas devidas funções." Bailey era a serva do rei e nomeada a governanta. Não contava como sua função monitorar outros servos... Todavia, ela era considerada um dos braços direitos de Daniel, estando a seu serviço há anos e que, mesmo o próprio rei, havia de ter concordado, certa ocasião, que a mulher baixinha era, deverás, intimidante. Foi natural a forma como ela acabou ganhando o respeito dos demais servos e empregados do palácio. Ninguém ousava contrariar a mulher, sob seu olhar astuto. "Na verdade, não me interessa saber. Só peço que voltem rapidamente às suas funções.

"Mas Bailey, você não entende... O que temos para dizê-los, até você vai querer saber... Uh...Senhora." Meredith terminou, meio nervosa devido a expressão da mulher mais velha, que empinou o nariz, desafiando-a a impressioná-la.

"Se for sobre o noivado de vossas Altezas Timothy e Teodora, vocês estão atrasadas, senhoritas Grey e Yang." Ela falou, deixando Callie e Mark surpresos.

"Eles vão mesmo se casar?" Ambos perguntaram em uníssono. Bailey confirmou com a cabeça.

"Espere, como sabia disso, se não estava com a gente na hora que ouvimos a versão masculina da vossa Alteza Blondie falar sobre?" Yang perguntou, emburrada que a mulher baixinha havia dado a notícia primeiro que ela.

"Eu sou a Bailey. Eu sei de tudo." Miranda afirmou, categorica. A asiática apenas cruzou os braços frente ao peito, mal-humorada. Mark coçou a barba, olhando para as "irmãs Twister".

"E em que momento vocês ouviram isso?" Ele pediu.

"Eu devia ficar impressionada que também não saiba, fofoqueiro Sloan?" Yang zombou e Mark fechou a cara.

"Grey." Callie chamou Meredith, antes que as coisas entre Cristina e Mark esquentassem, mais uma vez.

"Nós estávamos passando pelo grande salão, quando vimos de longe o rei, a rainha e o príncipe Timothy, sentados nas poltronas de descanso. Ouvimos ele dizer aos pais, que pediria oficialmente a mão de Teddy em casamento, durante o jantar que darão essa noite e depois viajaria para o leste, em Amethyst Island, de vossa Alteza Teddy Altman, pedir a mão dela ao rei." A mulher esclareceu.

"Bem, agora que vocês estão a par dos burburinhos do palácio, acho melhor todos voltarmos ao trabalho." Bailey instruiu, mas antes que todos se afastassem, uma afobada, morena petite, veio correndo em direção a eles.

"Pessoal, pessoal! Vocês não acreditam o que eu acabei de descobrir!" Lexie falou, agitando as mãos.

"Se for sobre o noivado, você chegou muito atrasada, pequena Grey. Todos nós já sabemos." Yang informou a moça, desinteressada, virando-se para retirar-se.

"Não! Não é sobre isso..." Ela continuou abanando as mãos, pedindo para eles esperarem um pouco, até que se deu conta do que Cristina havia dito. "Espere, quem se casará?" Perguntou, imediatamente interessada.

"Sim, Yang... Quem se casará?" Então, uma pessoa desconhecida na roda, perguntou, por cima de Lexie.

Aquela voz...

Todos viraram ao som dela, surpresos, como se não acreditassem em seus próprios ouvidos. Os pares de olhos presentes se voltaram ao visitante inesperado. Callie porém não virou, não tinha coragem. Ela não havia escutado aquela voz por quase um ano e agora ali estava ela. O som melodioso e suave que tanto fizera-lhe falta... Ela queria virar, queria ter certeza de que a dona daquela voz estava mesmo ali.

"Isso é o que eu queria dizer... Vossa Alteza Arizona voltou." Lexie esclareceu, tardiamente.

"Sua Alteza Arizona." Bailey reverenciou, mal conseguindo conter o alívio de ver a moça novamente.

"Miranda." A loira abanou as mãos, como que pedindo para a governanta largar de formalismos. Arizona tinha de admitir estar feliz em vê-la outra vez, para que ela a puxou a mullher menor para um abraço, pegando Bailey e todos presentes de surpresa. Mark estreitou os olhos e inclinou-se para Callie.

"Porque todo mundo pode chamá-la de Miranda?" Ele perguntou, em um sussurro exasperado.

"Eu escutei, Sloan." Bailey falou, não se dando ao trabalho de virar a cabeça para olhá-lo. Callie por outro lado, nem ao menos prestou nos acontecimentos ao seu redor. Tudo o que ela conseguia ver era a mulher que povoava seus sonhos. Ela continuava a mesma, só com algumas pequenas mudanças. Seu cabelo estava maior e sua pele um pouco mais dourada do que se lembrava, não tão leitosa com antes. Mas era ela mesma e estava mais linda do que a latina jamais vira.

"Sloan." Arizona cumprimentou cordialmente o homem, recebendo um "Alteza." e uma pequena reverência, sendo seguidos por Meredith, Lexie e um aceno de cabeça de Cristina. Seus olhos então, caíram finalmente sobre Callie. E a loira nem ao menos havia percebido o quanto sentira falta daqueles grandes olhos chocolates expressivos, até que voltou a vê-los novamente. Ela podia ver-se perdendo-se neles. Suspirando, ela cumprimentou com voz leve como pena.

"Calliope."

Calliope... Callie não gostava muito do seu nome, mas vê-lo sendo chamado assim pela loira, parecia tão certo... Escorregava da língua da loira com perfeição. A latina foi tirada de seus devaneios, porém, quando sentiu cotovelos fazendo contato com suas costelas.

"Torres." Mark chamou ela, o mais disfarçadamente possível. Foi só então que ela percebeu que todos a estavam encarando, esperando para ela cumprimentar ou qualquer coisa.

"Alteza." Callie reverenciou, corando por ter sido pega encarando. Arizona achou adorável.

"Bem, eu quero apresentar-lhes uma pessoa." Dando um passo para o lado, ela deu espaço para que todos pudessem ver melhor a outra loira. "Essa é Erica Hanh." Ela apresentou, mas quando viu que os servos iriam reverenciá-la, a loira petite tratou de pará-los. "Não... Não precisam reverenciá-la, pois Erica é apenas uma pebleia." Arizona brincou, fazendo Erica socar-lhe o braço.

"Você é tão engraçadinha, Robbins." As duas loiras riram, para a brincadeira fácil entre elas. Mark observou atentamente ambas, antes de um sorriso insolente se fazer em seu rosto.

"Entendi... Legal." Mark balançou a cabeça, cruzando os braços.

"O que é legal?" Callie perguntou, em um sussurro. Olhando para a expressão de seu amigo, ela pôde ver claramente o que ele queria dizer. E isso foi o que a morena estava mais temendo... E se ambas tivessem mais do que uma simples amizade? Callie também havia reparado no jeito intimo como Erica parecia lidar com Arizona e não pode conter o ciúme que cresceu dentro de si. O homem grisalho observou, enquanto sua amiga parecia estar em uma luta interna e passou a mão sobre seus ombros, solidário... Ele sabia que, se a volta de Arizona para a casa, com Erica em seu encalço, significava alguma coisa além de amizade, Callie sofreria.

Arizona viu quando Mark e Callie pareciam cochichar entre si, até que o homem passou as mãos sobre os ombros de Callie. A princesa não pôde evitar o monstro de olhos verdes que ameaçava tomar conta dela. A falta de argumentos para qualquer atentado à vida do homem, que ela viesse a provocar, era o que a impedia de acerta-lhe com a primeira pedra que encontrasse no caminho. Foram nove meses... E Arizona preferia não pensar o que poderia ter acontecido nesses nove meses de sua ausência, entre eles. Querendo tirar Callie o mais rápido de perto de Sloan, ela foi até a morena e a puxou pelo pulso, colocando-a na frente de Erica.

"Erica, essa é minha serva particular, Callie." Ela apresentou a morena à loira mais velha. Erica sentiu uma empatia imediata pela latina.

"Prazer em conhecê-la, Callie." Ela estendeu as mãos, parando a jovem antes que a mesma se reverenciasse. "Por favor, não faça isso... Como disse sua ama, sou apenas uma plebeia." Erica pediu-lhe, gentilmente e sorriu, quando Callie aceitou o aperto de mãos. Contudo, a morena não pareceu muito à vontade. Apesar de Erica ter se mostrado bastante amigável, a latina achou-a meio intimidante, devolvendo-lhe apenas um pequeno sorriso tímido. Arizona observou a interação de ambas e, a forma como Erica se portou com Callie, deixou-a com uma 'pulga atrás da orelha'. Arizona sentiu vontade de chutar-se mentalmente, vendo que havia trocado coelho por lebre.

Com o objetivo de afastar o estranho incômodo, a princesa tratou de mudar de assunto. Muitas coisas pareciam ter continuado as mesmas, mas em nove meses, o que não poderia ter mudado?

"Bem, então... De que casamento estamos falando?"...

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Então foi isso galera! Comentários e favoritos sempre serão bem-vindos! Beijinhos!