Oi, cherries!
Tem mais smut nesse cap, viu?
Cê foi avisado. Beijos!
Parte XXI
All I've ever known is how to hide a secret
But I'm tired of going on without believeing
That love is not illusion
Os dias e as noites daquela semana passaram do mesmo modo.
Eu me encontrava com Finn no final do expediente, e ele me levava até o loft, onde comíamos algo que preparávamos juntos – na verdade, ele sabia muita coisa sobre comida; me fez fazer provar carne e, por isso, eu passei mal – e ele ficava por ali até a manhã seguinte.
O pior momento era sempre quando ele se despedia de mim na NYADA. Eu sempre perguntava se ele iria me acompanhar, mas ele dizia que tinha que ganhar dinheiro. Que tinha que fazer 'alguma coisa com a vida dele'. Eu não gostava do modo como ele falava, parecia que ele era um completo imprestável, e eu bem sabia que não era verdade. Tudo bem, ele não tinha um emprego fixo – mas e daí, pelo amor de Deus? Ele estava em New York. E NY não era uma fábrica de realizações de desejos. Ele não iria conseguir arrumar emprego tão facilmente, num piscar de olhos. Mas eu tinha certeza de que, uma hora, tudo iria começar a dar certo. Não que tivesse algo de muito errado com Finn. Não era isso. Mas, se ele achava que deveria ter uma vida melhor, então que um dia isso começasse a acontecer.
Eu sabia que ele se sentia inferior porque não podia me pagar restaurantes, ou me encher de flores, ou qualquer coisa assim. Pra falar a verdade, eu estava cheia de ir a restaurantes. Sempre que eu via Jesse era porque tínhamos combinado de ir a algum restaurante chique e por mais que a noite acabasse na minha cama... Não sei, não era a mesma coisa. Eu não me sentia feliz por aquilo. Com o tempo se tornou a nossa rotina. E não tinha a menor graça. Não era divertido, porque ele sempre falava mais sobre si mesmo e conseguia ser mais chato do que eu falando sobre a Broadway.
De qualquer forma, a vida era muito mais divertida com Finn. E não estou falando somente do sexo – que, tudo bem, era a minha parte preferida. Eu sempre me sentia menos estressada quando transava com ele. Mas estava falando também das conversas. Por exemplo, ele não sabia nada sobre a Broadway, e eu tinha que explicar sempre alguma coisa. Em condições normais, se Jesse fizesse aquilo comigo, logo eu ficaria entediada, mas Finn não reclamou nenhuma vez das minhas explicações e nunca me cortou – só ficava lá fazendo umas perguntas e querendo as respostas. Mas eu sentia que ele gostava de falar sobre aquilo, talvez porque me deixasse feliz, também. Não que eu ficasse me exibindo para ele, e nem acho que ele considerava tudo aquilo exibição. Ele me perguntava, porque sabia que eu saberia responder.
E além das conversas tinham os jantares. Ele sempre me ajudava a preparar as coisas e depois a organizar a cozinha. Só não era de falar muito com meus amigos – mas eu sabia que era porque era de fato assustador. Ele era meio que o intruso naquele loft, e eu sabia que especialmente Santana era bastante intimidadora. Só não sabia por que Kurt e ele não se aproximavam. Tinha achado que, por eles serem dois caras, iam dar bem de cara. Mesmo que, certo, Kurt fosse meio diferente. Ele bem que gostava de ficar analisando o guarda-roupa da pessoa e tal. Mas afora isso, Kurt tinha um senso de humor muito bom.
Desde o começo tinha estranhado aquela distância entre eles; era como se eles não conseguissem se interessar um pelo outro. E eu até mesmo notava que Finn nem gostava de olhar para Kurt, era como se ele ignorasse Kurt toda vez. Não sabia se era porque Kurt tinha sido frio com Finn desde o começo, ou se tinha alguma explicação realmente verdadeira. Finn não falava sobre aquilo, tampouco Kurt. Todas as vezes que tentei entrar no assunto Finn mudou a direção da conversa, e Kurt disse "Isso não é problema meu". E todas as vezes que eu dizia que Finn iria passar a noite comigo Kurt repetia o que tinha dito na noite de terça-feira: que aquilo não tinha a ver com ele.
Então aquilo ainda era um mistério.
Mas de modo geral, as coisas iam bem entre mim e Finn.
Na manhã de sexta-feira, eu tinha visto Jesse na monitoria – na verdade, fazia uns dias que eu não o via. Como éramos de semestres diferentes não tínhamos as mesmas aulas. Eu estava seguindo para a escadaria quando ele disse, bem atrás de mim:
"Ei, Rachel. Espere aí".
Não sei por quê, mas eu esperei. Fui meio idiota. Maneei a cabeça e disse: "Tenho Preparação agora. O que é?". Ele se aproximou de mim. "Como você vai?", ele me perguntou. Não entendi a pergunta. Quer dizer, não entendi o porquê da pergunta. O que ele achava? Que eu iria morrer sem ele? Pra falar a verdade, eu mal me lembrei da existência dele durante toda aquela semana.
"O que você quer?", perguntei na lata. Não estava a fim de sentar e conversar com ele, nem nada assim. Queria somente prosseguir com a minha vida, que estava feliz e renovada. "Nada, Rach, calma aí", ele levantou as palmas das mãos, num gesto de rendimento, e riu. Mas eu comecei a ficar impaciente. Não estava mais a fim de lidar com ele. Só de ouvir a Mercedes reclamando dele já me deixava enjoada. "É que ouvi aquela gor... A Mercedes dizer que tinha te visto com outro alguém. Nunca achei que você fosse desse jeito. Obrigado por ter me avisado que eu estava sendo chifrado", Jesse disse num tom ácido. Revirei os olhos mentalmente. Estava mesmo sem paciência, ainda mais se fosse para ouvi-lo dizer aquelas bobagens. "Escuta aqui, eu nunca traí você", aleguei, com raiva. "Ah, não? Então por que você já está com outra pessoa, em menos de um mês da nossa separação?", ele quis saber, com aquele tom de sabichão. Eu detestava aquele tom dele. "Eu poderia estar com outra pessoa um dia depois de termos terminado e continuaria não sendo uma traição", falei. "Termos terminado?", ele riu com azedume. "Foi você que me dispensou. Pra quê? Que tipo de cara ele é, por acaso? Ele é daqui da NYADA? Da Broadway? Ele é da Broadway, Rachel?".
"Ah, faça-me o favor!", exclamei, agora muito possessa. "Não, o Finn não é daqui e nem da Broadway, agora nos deixe em paz", mandei. "Então ele é um ninguém? Uau, e eu achando que você tinha subido na vida, hein?", Jesse riu de novo, com mais escárnio. Abri a boca para retrucar, mas daí lembrei que não devia nenhuma explicação a ele. Sacudi a cabeça de um lado para outro e disse:
"Quer saber? Ele é muito melhor do que você. Agora me dê licença".
E desci as escadas com velocidade. Ainda bem que eu estava de sapatilhas, senão nunca poderia fazer aquilo sem quebrar o pé, ou cair da escada.
Segui para Preparação Vocal II e tentei esquecer aquilo.
Quem era Jesse para julgar alguém? Ele não era melhor do que ninguém. E daí que estava na NYADA e já estava numa peça (estudantil)? Aquilo não significava nada. Finn ainda era um cara legal sem tudo aquilo, ao contrário de Jesse.
É claro que depois daquilo, eu liguei para a Santana.
Ela era meio que a conselheira da turma.
Apesar de ela ser muito irônica e ácida, sabia aconselhar de verdade. Mas eu queria apenas tirar uma dúvida com ela.
"Oi, Hobbit. Vocês estão dando um tempo na transa, é isso? Pode falar", Santana me disse.
Aquela era a Santana.
"Cala a boca. Finn nem está aqui, e eu estou almoçando", respondi. Santana soltou uma risadinha. "Deve estar se sentindo sozinha, então. Mas diga, o que é?", ela perguntou. Eu sabia que estava sendo meio imatura, mas era uma pergunta que estava zanzando pela minha cabeça. Desde que eu dormira com Finn pela primeira vez que eu ficava pensando naquilo.
"Você vê algum futuro entre mim e o Finn?".
Santana ficou quieta por um tempo. "O quê, Berry? Isso é sério? Você acha que eu sou uma porcaria de uma vidente, por acaso?", ela retrucou. "Não... É só que, sabe como é, acho que estou... Apaixonada por ele", diminuí o volume da voz no final, quase como se estivesse cochichando. "EU SABIA! SABIA QUE VOCÊ IRIA SE APAIXONAR POR ELE! MEU OLHO MEXICANO NÃO ME ENGANA!", por incrível que pareça, Santana estava dando um escândalo do outro lado da linha só porque eu tinha dito que estava apaixonada.
A verdade é que eu nunca tinha dito aquilo para ela. Nunca. Em momento nenhum de nossa amizade. Nem da minha vida.
E aquilo era totalmente novo e inusitado. E eu não sabia como reagir. Será que deveria dizer que o amava? Mas eu estava com ele há apenas uma semana... Parecia tão cedo! E se ele não me retribuísse? E se eu estivesse errada, e ele não quisesse nada sério?
"Então?", perguntei.
"Diabos, garota! Eu sei lá, você sabe que nunca fui de sentimentalismos. Eu também nunca disse essas coisas para alguém. Só fiz o serviço e fui embora. Mas acho que vocês têm uma grande chance de fazer dar certo. Você está feliz, caramba! E sei que não é porque você dorme depois de uma rapidinha", Santana comentou. Sei, as rapidinhas. Por que ela precisava falar daquilo? Era claro que eu estava feliz – e o sexo era simplesmente a minha coisa predileta com Finn. Mas eu entendia o que ela queria dizer. Era aquela coisa que ela me dissera sobre eu não estar feliz desde a época em que recebera a minha carta da NYADA, em Lima.
"É. Mas e o que eu faço sobre aquela parte do, você sabe...", hesitei em falar aquilo. Era esquisito demais. Aquelas palavras nunca tinham saído da minha boca antes, assim, tão verdadeiras. "Do 'eu te amo'?", sussurrei.
"Rachel, sério que você vai ficar guardando isso pra você? Se tiver vontade fale! Quem sabe ele não esteja esperando? Quer dizer, os caras são assim mesmo. Sempre querem que as meninas deem o primeiro passo sobre isso", Santana disse. "Mas eu devo? Porque estamos juntos há tão pouco tempo. E ele nem me pediu em namoro".
"Vocês transam toda hora e jantam como a porcaria da Dama e o Vagabundo. Vocês estão namorado, Rachel. Mas como é tão recente, vocês ainda não se deram conta. Quando um relacionamento cai na rotina vira namoro, entendeu?", ela me disse. Uau, era mesmo? Eu não sabia. Mas aquilo parecia tão novo e tão recente, como ela mesma colocara. Como saber se aquilo era mesmo um namoro? Será que eu deveria perguntar a ele? Não seria chato? Não, eu não podia perguntar para ele. Ele iria pensar que eu queria ser a namorada dele. Não que eu não quisesse, mas não queria pressioná-lo, ou entrar numa ilusão ridícula.
E se ele risse da minha cara e me dispensasse?
Não queria enfrentar aquilo.
"Entendi", falei.
"Então você vai falar para ele?".
"Não sei. Estou com medo", eu disse. Era a verdade. Não queria que ele achasse que eu estava querendo me casar com ele, ou algo assim. Mas, ao mesmo tempo, eu queria ficar com ele por muito tempo. Sei que parece absurdo, mas eu me sentia tão próxima dele. Era o primeiro relacionamento no qual eu me sentia daquele modo, tão íntima da pessoa. Eu sempre tinha mantido uma distância conveniente, mas com Finn era impossível. Eu me sentia parte da vida dele. E queria que ele fizesse parte da minha.
"Bem, é você quem sabe", ela respondeu.
"Vou pensar no assunto", falei.
Parte XXII
And you said those three words
I'd been waiting for
You became a part of me
Eu tinha acabado de sair do banho quando meu celular começou a tocar. Ele quase nunca tocava, já que quem ligava para minha mãe era eu mesmo. Digamos que quando você tem um filho fracassado o mínimo que pode esperar é que ele se preocupe em ligar para você pelo menos uma vez por semana.
Mas não era minha mãe.
Fiquei automaticamente surpreso. Já fazia um tempinho que ela não me ligava, e eu bem sabia que não tinha vontade alguma de conversar com ela por espontânea vontade.
"Alô", eu falei, de olho no Puck. Certamente, ele faria algum comentário impertinente sobre aquilo depois, uma vez que eu tinha dito que mal me lembrava da minha suposta namorada.
Se é que era namorada, é claro. Eu já achava que não era, e nem era pelo fato de eu estar apaixonado por outra pessoa – se é que, algum dia, eu fora apaixonado por Quinn. Tudo que eu sabia era que o sexo que bom. Mas apenas isso não basta para nos direcionar a alguma revelação. O sexo com Rachel era ótimo, e eu ficava com o coração na boca toda vez que a via. Achava que aquilo era amor, afinal. Você não fica todo nervoso na frente de uma garota gratuitamente. Tem que significar alguma coisa.
"Ei, Shark-Finn! É muito bom ouvir a sua voz!", Quinn exclamou num tom animado. Mesmo depois de tantos anos, ela ainda me chamava daquele apelido idiota dos tempos de escola, quando eu ainda era o quarterback. Mas não me incomodei muito, por isso, logo respondi: "Oi, é bom falar contigo também". Não costumava mentir, mas aquela era um circunstância favorável para que eu mentisse. Não seria nada legal se ela soubesse que estava me atrasando para um encontro com outra garota. "Onde está agora? Você não me ligou mais", ela refutou. Verdade. Ok, metade de mim não queria ligar por ela porque a) não tinha mesmo vontade, e a outra metade b) não via motivos para falar com ela. O que diria? Que estava apaixonado pela primeira vez em muito tempo? E que essa pessoa em questão não era ela? Seria cruel. E eu não gostava de ser cruel.
"Hmmm. É. Tive que correr atrás de algumas coisas", eu disse. Mentira Número Dois do Dia. Mas e daí? Ela nunca saberia da verdade. "Estou na Big Apple agora".
"New York? Finn! Estamos tão perto um do outro! E você nem para me ligar!", ela estava rindo, e eu não sabia por quê. Será que era mesmo engraçado? Será que eu deveria acompanha-la no riso? "Desculpe, não tive tempo", meu tom estava meio culpado, mas eu sabia que estava mentindo de novo. É claro que eu tinha tempo de sobra para ligar para quem fosse, mas, na última semana, meus pensamentos se convergiam para a Rachel e para o corpo dela. Mas seria horrível admitir que não estava fazendo nada além de limpar uma ou duas piscinas por dia e de pensar em outrem. "Como está aí? Muito frio, já?", ela quis saber, num tom de fofoca. Não sabia por que as meninas tinham sempre que falar ao telefone num tom conspiratório. Nunca iria entender aquilo. "Hm, não muito. Não está nevando, por exemplo. Acho que o período da neve parece que já passou", respondi com cuidado, sem descontração. Eu estava começando a ficar nervoso com aquilo. Queria logo desligar e me encontrar com Rachel. Já passava das dez e meia, e eu sabia que enfrentaria um trânsito caótico para chegar até o Spotlight.
"Então? O que tem de novo para me contar?", ela tentou me impelir a continuar com aquela conversa. Era meio que um saco. Odiava quando ela fazia aquela pergunta, porque eu estava sempre na mesma porcaria e não tinha nada de 'novo' para lhe relatar. Mas, daquela vez... Bem, eu meio que tinha, sim, algo para contar a ela. Algo sobre o qual deveria estar ciente.
Sentia-me um idiota por ter de fazer aquilo, afinal eu nunca terminara com ninguém. E eu e Quinn estávamos juntos há muito tempo. Mas, quem soubesse, ela também estava com outro alguém. Alguém que fosse fazê-la feliz de verdade. Quem soubesse, poderíamos continuar a sermos amigos. Não queria que ela ficasse com raiva de mim, como ela ainda tinha de Puck.
"Hmmm. Escuta", eu disse. Era hora. Quer dizer, seria totalmente injusto com ela se eu não abrisse o jogo. Ninguém merece estar preso em um relacionamento no qual não é amado. "Não sei como vão as coisas aí em New Heaven, mas... O que quero dizer, Quinn, é que... Sabe, a vida muda a gente", brequei. Não sabia o que falar. Como eu diria que já estava com outra garota? Talvez eu não devesse dizer que já estava com outra pessoa. Talvez fosse melhor terminar alegando que o relacionamento à distância não estava funcionando. Era uma desculpa meio manjada, mas talvez funcionasse.
"Hm. Certo. E daí?", Quinn perguntou.
Fiquei em silêncio mais um pouco. "Finn? Você ainda está aí?", ela retornou. Dava para ver que estava expressando um pouco de sua impaciência. "Sim. Oi, estou aqui. Então. A vida muda a gente", repeti. Pareceu a conversa mais besta do mundo. Certamente, ela estaria me achando um amalucado. "Isso eu já entendi. E daí? O que você quer dizer com isso?", ela perguntou, num tom agora totalmente irritado. "Que... Bem, você e eu... Talvez nós tenhamos mudado. E nossos sentimentos também", respondi hesitando como um garotinho amedrontado. Não sabia por que estava com tanto receio assim. Pensando bem, é difícil terminar com as pessoas. Porque você nunca sabe qual vai ser a reação delas e como a sua vida vai ficar depois daquilo.
"O que isso quer dizer? Você acha que eu estou te traindo? Alguém contou algo a você?", ela disparou perguntas sobre as quais mal tive compreensão.
O que alguém me contaria?
"O que deveriam me contar?", logo quis saber.
"Nada! Porque não é verdade! Eu o conheci aqui, tá legal? A culpa não foi minha, Finn! E você nunca retorna as minhas ligações! Acha que eu ficaria sentada esperando você como uma porcaria de uma freira?".
Fiquei em silêncio.
E daí, liguei os pontos.
Ela tinha outra pessoa.
ELA TINHA OUTRA PESSOA.
Aquilo, mais do que qualquer outra coisa que já tinha sentido por Quinn, aqueceu o meu coração. Retirou um peso das minhas costas.
"Você está com outra pessoa?", perguntei calmamente. Não havia pânico algum agora. Eu estava mais relaxado do que nunca. O nervosismo enfim se fora.
"Não. Sim. Quer dizer, mais ou menos. Ele é filho de um senador, foi meio sem querer. Eu não queria chatear você com essa história. Ele foi a um debate sobre política na Yale, e acabamos tomando alguns cafés juntos".
"E...? Como está indo?", quis saber. Estava quase rindo daquilo tudo. Senti-me tão aliviado! "Bem, estou gostando muito de conhecê-lo", ela me confessou num tom culpado. Adorava a sinceridade entre nós. Era uma das coisas das quais nunca me cansava. "Fico feliz, Quinn. Sério", eu lhe disse. Estava sendo sincero. Gostava muito dela, era uma pessoa pra cima e legal. Não merecia alguém idiota. Tinha aprendido muito com ela naqueles anos, e tinha um pouco de inveja dela, por ela ter conseguido se manter tão bem na vida. Quer dizer, Yale não é para todo mundo, mas ela tinha conseguido.
"Desculpe por isso. Juro que não foi nada premeditado. Aconteceu", ela disse.
"Eu acredito", falei. Acreditava mesmo. Porque estava passando pela mesma coisa.
"E você?", ela quis saber, com um tom renovado, mais alegre e desencanado. "Eu... Bom, já que quer saber, eu conheci uma garota. Num restaurante. Ela estuda na NYADA e foi meio que por acaso, também. Não planejei me apaixonar", contei a ela. Não estava a fim de dizer que o meu relacionamento com Rachel tinha passado dos cafés. Soaria como uma traição completa. E, pra falar a verdade, eu não sentia que tinha traído Quinn, porque ela mesma nunca demonstrou tanta possessão quanto a mim.
"É, acho que é sempre assim. O amor não é um plano", Quinn falou. Parecia tão certa do que dizia. E, intimamente, eu concordava com ela.
O amor não é um plano.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, até ela dizer: "Você vai me ligar de novo, não vai? Porque sinto falta de você". Sentia falta dela também, Quinn era uma ótima amiga. "Claro. Por que não nos vemos na Páscoa?", perguntei. "Páscoa. É uma boa", ela logo concordou.
Esperava mesmo que continuássemos amigos. Porque essa história de odiar ex-namorada é ridícula.
"Tenho que ir, viu? Mas não vou esquecer. Vou ligar para você sempre que der, ok?".
"Isso. Liga mesmo. Até mais, Finn. Comporte-se, ouviu?", ela finalizou com um risinho. "Você também, ouviu?", revidei, rindo também.
A ligação terminou.
Puck levantou o olhar da revista sobre música que comprara.
"De jeito nenhum vou me reunir com a Quinn na Páscoa. Ela vai servir as minhas bolas como aperitivo, você sabe", ele disse.
"A vida muda a gente, Puck", eu lhe disse.
"Credo, desde quando você tem um bordão?", ele fez uma careta de nojo. Dei de ombros, vestindo a minha jaqueta. "E aí? Vai ver a Rachel?", ele perguntou. Olhei no relógio de meu pai e constatei que eram quinze para as onze. Droga.
"É, prometi que iria levá-la para jantar".
"Vai ficar por lá mesmo?", perguntou. "Acho que sim".
"E tudo certo para amanhã?".
Ele estava falando da nossa primeira aula de verdade de preparação musical com Rachel. Eu esperava que estivesse tudo acertado, pois estava ansioso.
"Sim. Você acha que devo dar flores a ela?", perguntei. Se tivesse de comprar flores teria de sair naquele minuto. Por isso estava num dilema. "Desde quando você dá flores a uma garota só porque quer terminar a noite na cama dela?", Puck quis saber, num tom divertido. "Justamente porque eu não quero somente terminar a noite na cama dela. Queria que ela soubesse que quero estar com ela", falei.
"E você não tem boca pra falar isso pra ela?".
"Não é romântico o suficiente, será que você entende?", refutei.
"Não. Não vejo a necessidade. Para o inferno com essa coisa de flores. Elas vão morrer de qualquer maneira", Puck respondeu sem educação alguma. Rolei os olhos. Às vezes Puck tinha o sentimentalismo de uma colher de chá.
"Certo, vou comprar flores", eu avisei. "Você quer o quê, casar com ela?", Puck quis saber num tom sarcástico. "Eu deveria pedi-la em namoro? As pessoas ainda fazem isso?", eu quis saber, de repente meio nervoso. Estava contando o restante do que tinha me sobrado de dinheiro e esperava poder pagar as flores e o restaurante.
"As pessoas acabam nas camas umas das outras e isso é tudo", Puck retrucou.
Suspirei, irritado. "Por que você nunca me ajuda?", perguntei.
"O que quer que eu faça?", ele deu de ombros. "Me ajude a pensar. Flores, ok. Mas o que mais?", pensei alto, estalando os dedos. "Um anel?", Puck arriscou. Balancei a cabeça. Não. Pelo amor de Deus, eu ainda tinha 22 anos, não queria me casar!
"Já sei. Tive uma ideia".
Automaticamente fiquei com medo. Nunca era benéfico quando ele dizia aquela frase.
Plantei um beijo na bochecha dela.
Rachel estava sorrindo. O sobretudo de lã cor de rosa escondia o que ela tinha por baixo, mas imaginei que estivesse com frio. "Como foi hoje?", perguntei. "Estou fedendo a gordura, como todas as noites", ela riu. Cheirei o cabelo dela. "Precisamos de um banho", eu disse maliciosamente. Ela soltou outra risada e pude constatar seu rosto ganhando uma coloração rósea. Ainda não tínhamos saído do quarto dela, mas isso porque tínhamos receio de Santana e Kurt chegar. Por incrível que pareça, especialmente Santana sempre dizia que iria demorar a aparecer de noite, o que me deixava realmente feliz, porque era muito melhor transar com Rachel sem pressa alguma.
Estendi meu braço e revelei uma rosa vermelha – era tudo que eu pude pagar por menos de cinco dólares. Mas isso foi o suficiente para fazer com que a expressão de Rachel mudasse de acanhada para surpresa. "Finn", ela disse num tom de quem estava meio que me repreendendo e de quem estava enlevada. Ela retirou a rosa sem espinhos da minha mão e a cheirou. "Você é um doce", ela disse, me olhando com olhos de quem estava muito satisfeita. "Fiz uma reversa no Lombardi's", falei, esperando a aprovação dela. "Você sabe que lá é vegano, né?", ela me perguntou prontamente. "Foi por isso que escolhi. É livre de queijo e óleo. É bem a sua cara", eu soltei uma risadinha, me aproximando dela e colocando o indicador direito sob o queixo dela, para elevá-lo pedindo um beijo. Ela sorriu pequeno antes de me beijar.
O jantar foi delicioso, embora eu tenha sentido falta do queijo nas pizzas. Conversamos sobre o dia seguinte, sobre a primeira aula dela para nós. "Juro que estou meio nervosa. É meio besta, né?", ela perguntou num risinho nervoso. "Broadway, você é incrível. Para com isso, vai dar tudo certo", eu lhe assegurei, afagando as costas da mão dela. "Eu sei, eu sei. Mas é meio inevitável. Eu nunca fui de dar aulas", ela disse. "Vou estar lá, e se você se sentir nervosa pode me beijar, juro que o meu beijo tem poderes curativos".
Ela acabou rindo.
Quando chegamos ao loft, Kurt já estava lá. Com um cara que eu conhecia. O cara da oficina do Schuester. Blaine.
Que mundo pequeno.
"Ei, cara!", ele exclamou assim que me viu. Ambos estavam na cozinha preparando sei lá o quê. "Hmm, e aí? O que está fazendo aqui?", perguntei sem entender nada. "Ai, meu Deus!", ele exclamou. "Não pode ser verdade! Vocês", ele apontou para mim e para Rachel, "estão juntos? Esse é o cara do qual me falou?", Blaine virou-se para Kurt.
"Espere aí, o que está acontecendo?", Rachel perguntou, olhando de mim para Blaine. "Nós nos conhecemos. Você sabe, eu trabalho lá na oficina e conheci Finn lá. Ele queria guardar a moto dele e tal. Não foi isso, Finn? E depois teve o negócio da sua bateria. Como ela está? Parada ainda? E os shows?", Blaine falava muito rápido e parecia que, a cada nova frase, eu esquecia-me da anterior. "Hmm, vai tudo bem", respondi sem saber muito que estava dizendo. "Não dá pra acreditar", Kurt falou num tom raivoso. E daí olhou bem pra mim, lançando-me um olhar de puro ódio e irritação. Bem, como eu poderia saber? Aliás, o que Blaine estava fazendo ali, que eu ainda não tinha entendido?
"O que não dá pra acreditar, Kurt?", Rachel perguntou, mas Kurt não respondeu.
"Eu e Kurt estamos juntos", Blaine me disse na maior tranquilidade. Fiquei quieto. Hmmm, o quê? Estavam juntos... Juntos? Não que eu não soubesse que Kurt era meio esquisito – certamente ele era muito esquisito na época em que morávamos juntos. Eu sempre pressentira isso. De que ele era gay, quer dizer. Quer dizer, muito normal ele não era.
E Blaine? Blaine não parecia nada gay, nem esquisito. Não que uma coisa estivesse ligada à outra, mas... Uau. Não dava mesmo para acreditar.
"Vocês já jantaram? Estamos preparando um yakisoba", Blaine quis saber, na maior tranquilidade. Como se não houvesse nada de mais em ter dito que o meu meio-irmão do passado – que, diga-se de passagem, tinha me dado um susto ao retornar na minha vida – e ele estavam envolvidos romanticamente. Há quanto tempo aquilo estava acontecendo? "Já comemos, sim. Cadê a Santana?", Rachel perguntou, se livrando do sobretudo de lã. Ela trajava um vestido cor creme com uns corações estampados. "Então, sabe que captei alguma coisa muito esquisita? Santana não larga o telefone e sempre tem novas mensagens de uma tal de Brittany. Não sei o que está rolando, mas posso quase afirmar que é provável que vejamos essa garota por aqui durante o café da manhã qualquer dia desses", Blaine falou ao lado de Kurt. Ambos estavam analisando brócolis e colocando-os numa bacia.
Olhei para Rachel. Queria tanto estar a sós com ela. Mas Rachel estava mesmo prestando atenção no que Blaine tinha dito, por isso soltou uma risada. "A Sant tem que tomar jeito", ela disse. Blaine assentiu, concordando. "A gente já volta", ela disse, e daí agarrou a minha mão e me levou até seu quarto. Ela fechou a porta e flexionou os ombros. Estava meio tensa, eu percebi. "Quer uma massagem?", perguntei e me sentei na cama dela. Ela me olhou. "Sem pegação hoje, ok?", ela me disse. "Só perguntei sobre a massagem. A gente pode deixar o banho para outro dia. Venha cá", chamei-a fazendo um gesto com as mãos. Ela se acomodou entre as minhas pernas, de costas para mim, e suspirou. Desatei o nó do vestido dela e beijei a ligação entre sua coluna e seu pescoço. Pude ouvi-la suspirar de novo. Levei meus dedos até seus ombros e apliquei um pouco de pressão; ela represou um gemido de satisfação. Fiquei repetindo a massagem por vários minutos, até que ela disse: "Preciso me trocar".
"Está melhor?", perguntei.
Ela sorriu para mim, parecendo cansada.
Ela retirou o vestido e o sutiã. Fiquei tentado em ir até ela e beijar-lhe o corpo, mas, por via das dúvidas, continuei em sua cama. Ela se enfiou numa calça de ginástica e numa blusa grande demais para ela, de lã. E daí, colocou as pantufas cor de rosa. "Tudo bem se a gente ficar por aqui?", perguntei. "O quê, aqui no quarto?", ela franziu a testa, estranhando. "É, você não prefere?".
"Finn, o que há? Por que você fica sempre se esquivando dos meus amigos? Pelo que entendi, você conhece o Blaine. Então por que quer ficar aqui dentro, como se fosse um bicho do mato?".
Fiquei meio sem ação e sem graça. Não queria que ela me julgasse por aquilo.
"Só prefiro. Tudo bem?".
Ela cruzou os braços e se aproximou de mim. "Não entendo isso, sinceramente. Será que algum dia você vai me explicar?", ela quis saber.
Não respondi. Não queria responder.
Ela desistiu de ficar em pé e sentou-se no meu colo, abraçando o meu pescoço com um dos braços. "Tudo bem, a gente fica por aqui", ela cedeu com um suspiro. "Mas ainda não entendo", ela adicionou.
"Como se sente?", perguntou no ouvido de Rachel.
"Não sei, me diga você", ela respondeu.
Puck estava, claro, atacando uma bandeja de bolinhos que Rachel tinha levado para a sala. E Sam estava no celular, acho que com alguém responsável por uma agência. Ele ainda estava atrás dessas coisas.
"Não entendo muito bem. Para mim, você é sempre incrível", falei.
Nós quatro estávamos no Musique, no intervalo de quinze minutos que Sam tinha pedido. Rachel tinha nos feito anotar algumas coisas, como 'cantar para fora' e 'colocar a mão no diafragma para a voz sair com clareza'. Coisas bizarras, falando sério. Mas eu fingi que tinha entendido tudo. Não queria que ela soubesse que aquele negócio não estava dando muito certo comigo. Mas não importei, porque, na verdade, era realmente legal ter aulas com ela. Porque dava para perceber que Rachel tinha propriedade no que falava. Ela era séria quando bancava a professora.
Rachel riu para mim, meio desacreditada. Agarrei a cintura dela, de surpresa, e depositei um beijo em sua franja. "Vai ficar tudo bem. Apenas continue", comandei.
Rachel se distanciou de mim, indo procurar alguma coisa na bolsa. Isso deu chance para que Puck olhasse para mim pedindo um sinal. Fiz um aceno de confirmação. Ele pigarreou alto e cutucou Sam, que já estava sabendo de tudo. Sam elevou o polegar pra mim e logo desligou a ligação.
"Ei, Rachel?", eu chamei. Ela se virou para mim. "A gente quer tocar um pouco, tudo bem?", Puck averiguou. Rachel deu de ombros e olhou para mim. "Certo", ela disse. E daí, sentou-se numa das cadeiras.
Era justo dizer que eu estava nervoso. Não tínhamos ensaiado nada e parecia que eu iria estragar tudo. Mas mesmo assim eu estava esperançoso.
Puck foi até a guitarra enquanto eu apanhava a outra. Sam foi para seu lugar com o baixo. Comecei na bateria e logo os dois já me acompanharam na melodia. E daí, quando comecei a cantar, olhei para Rachel.
Hey, little girl
I wanna be your boyfriend
Sweet little girl
I wanna be your boyfriend
Fiquei de olho na expressão dela. Rachel logo entendeu o meu objetivo, e eu mal tinha começado. Ela olhou para mim, só para mim, e abriu a boca, deixando-a entreaberta. Eu sorri para ela, mas acho que ela estava sem reação demais para me sorrir de volta.
Do you love me babe?
What do you say?
Do you love me babe?
What can I say?
Because I wanna be your boyfriend
Não estava mais a fim de cantar. Na verdade, tudo que eu queria era ir até Rachel e beijá-la. Sorri de novo, mesmo sabendo que não estávamos compassados ou tendo a melhor apresentação da nossa vida. A questão não era aquela. Apenas queria que a canção passasse a sua mensagem. Porque, ao contrário de Puck, eu acreditava no poder das letras das músicas.
Perdi o ritmo da canção e parei de cantar. Puck e Sam continuaram, mas acho que foi porque perceberam que eu já não estava mais a fim de cantar. "Ei, Broadway, venha cá", eu disse no microfone. Rachel deixou o celular – porque era aquilo que ela estava procurando antes – na cadeira e, toda envergonhada por causa dos meus amigos, veio andando até mim. Um sorriso meio que brilhava em seus lábios. Ela riu um pouco de frente a mim, mesmo ainda a uns dois metros, totalmente nervosa e ainda acanhada. Puck e Sam ainda estavam tocando, mas sorriam por causa da cena. Eu sorri para ela e pulei do palquinho. Fiquei frente a frente com ela. Ela olhou para o chão, brincando com a franja. Coloquei minhas mãos em seus ombros, levemente, e disse: "Então?".
"Tenho como fugir disso?", ela disse, com um tom de quem dizia muito claramente que ela não queria fugir coisa alguma. "Apenas diga que sim, porque eu quero muito mesmo ficar com você por mais uma semana e depois por mais um mês e outro mês... e outro mês, por muito tempo", eu respondi. Ela sorriu, me olhando nos olhos. "Você é um amor, Finn", ela disse. O barulho atrás de nós já tinha cessado. "Agradeça a mim, ok? A ideia foi totalmente minha, não aceito que retirem meus créditos!", Puck falou ao passar por nós, se encaminhando a uma das cadeiras para desfrutar de outro bolinho. "Obrigada, Puck", ela disse, distraída, porque ainda estava de olho em mim, e ainda carregava aquele sorriso lindo no rosto. "E obrigada você", ela tocou a ponta do meu nariz rapidamente com um dos dedos. "Também quero ficar contigo por muito tempo", ela falou. "É mesmo?", eu flertei com ela num tom rouco, porque sabia que aquilo a enlouquecia. Então, sem aviso prévio, ela jogou os braços ao redor de mim e me beijou – nem se importou com Puck e Sam que, quando viram a cena, começaram a bater palmas como se estivéssemos na primeira série.
"Ah, parem com isso", ela disse para eles, toda corada, mas sorrindo como se aquele sorriso nunca mais fosse capaz de ser apagado de seus lábios.
Naquele final de tarde, ninguém estava no loft. Poderíamos ter a privacidade que quiséssemos. Entramos de mãos dadas; Rachel ainda não tinha desfeito aquele sorriso do rosto. E eu a sentia muito mais próxima, também.
Ela me levou para seu quarto pela mão. Quando chegamos lá, ela plantou um selinho nos meus lábios e sorriu ainda mais, mas daquele jeito sexy. E aquilo bastou para eu saber o que ela queria. Porque, pensando bem, era o que eu desejava também. Não havia por que ignorar aquele desejo, uma vez que nos entendíamos muito bem na cama. E tínhamos o loft todo para nós. "Não quero arriscar, então vamos ficar no meu quarto, tudo bem?", ela disse. A verdade é que eu adorava a cama grande dela. Se fôssemos, por exemplo, para o quarto onde dividia com Puck e Sam no hostel no Brooklyn seria muito difícil. Primeiro, porque Puck iria estar lá. Ela vivia reclamando que eu não o ajudava em nada com o negócio das piscinas, mas ele mesmo não fazia muita coisa além de dar em cima das senhoras da casa. Segundo, a cama na qual dormia era de solteiro, ou seja, não dava para se esparramar e tudo. E terceiro, os hóspedes: as paredes pareciam serem de papel de tão finas, então todo mundo iria nos escutar.
Ela se livrou do blusão de lã que estava usando e retirou a calça jeans. Jogou as sapatilhas brilhantes para um canto e pulou em mim – sério, ela pulou em mim. Por sorte eu a segurei a tempo. Ficou com as pernas ao redor da minha cintura, os braços ao redor do meu pescoço e a bochecha encostada na minha, só de calcinha e sutiã. E daí, suspirou prolongada e pesadamente. "Você tem cheiro de casa, sabia?", ela me perguntou na minha orelha. Eu não consegui dizer nada. Porque não havia o que dizer depois daquilo. Ela era incrível, e eu a adorava. Ela afastou a bochecha da minha e me encarou, os olhos procurando os meus. Ela parecia doce daquele modo. "Obrigada pela música, você é um cara muito especial", seus lábios estavam bem perto dos meus, quase os tocando; sua voz estava mais baixa que o normal, e seu olhar parecia brilhar. Eu sorri e a beijei, levando-nos para sua cama. Inclinei-a até sentar-se no colchão e sentei, também. Ela me ajudou a retirar as peças de roupas com cuidado e sem pressa alguma, entre beijos.
É engraçada essa coisa de sexo. Eu sempre gostei disso, é claro. Sempre gostei de sentir a excitação por ver uma mulher linda na minha frente, mas o que mais gostava era de saber que a mulher com quem estava também se entregava. Não que tivesse enfrentado algum problema quanto àquilo, mas Rachel... Aquela parte dela, aquele jeito dela... Simplesmente me enlouquecia. Não era somente o jeito de cantar que era doce e sexy ao mesmo tempo, ela inteira era assim. E eu apostava que ela não tinha a mínima noção do que poderia fazer com um cara. E Rachel se entregava de uma maneira tão sublime a mim. Quase como se eu estivesse desnudando sua alma com o ato. Como se ela estivesse me dando total passagem para desvendar todos os seus pontos fracos.
Abri o fecho do sutiã e o joguei de lado. Tracei uma linha de beijos cálidos mas suaves desde sua boca, passando por seu pescoço, até seu busto. Beijei o vale entre seus seios e a senti prender a respiração, pois ela já sabia da minha pretensão. Ainda gentilmente alcancei um de seus seios e o beijei. Ela gemeu, as pernas entrelaçadas nas minhas enquanto eu sustentava suas costas com minha mão direita. Deixei seu seio e parti para seu pescoço, tomando cuidado para ser delicado. Sempre achara que sexo tinha um propósito e um significado completamente diferentes quando se amava alguém. E naquele momento eu podia totalmente sentir a diferença, sentir a intensidade do que eu sentia – não somente a minha evidente excitação.
"E-eu gosto demais de você, Rachel", eu sussurrei próximo à sua orelha. Ela se distanciou um pouco de mim e pegou meu rosto por entre as mãos. "Você é incrível, Finn", ela me disse, e daí me beijou demorada e lentamente, gemendo. Inclinei-a mais ainda e a deitei na cama. Fiquei em cima dela e beijei seu pescoço por um tempo. Depois, desci novamente para seus seios, chupando-os com lentidão e vontade. Seus gemidos foram se espalhando pelo quarto enquanto suas mãos se agarravam aos lençóis. Por entre seus gemidos, libertei-a da calcinha. Logo acarinhei sua parte mais íntima. Meus dedos trabalhavam por todo a sua extensão, enquanto eu escutava Rachel prender e soltar a respiração ritmadamente. "Finn", ela gemeu baixo, naquele tom totalmente sexy que me deixava louco. Em resposta, eu introduzi dois dedos nela, ouvindo-a soltar um gemido alto e vendo-a se contorcer abaixo de mim. Depois fiz com que meu polegar brincasse levemente com seu clitóris. Rachel abriu a boca e soltou uma espécie de miado agudo. Meus dedos iam e vinham dela, sempre úmidos devido à sua lubrificação. Com o tempo administrei mais velocidade e pude percebê-la impaciente, mexendo o quadril, exigindo mais.
Aquilo me fez, finalmente, ter coragem para descer a boca para sua barriga. Procurei ir devagar, embora eu soubesse que, de um modo ou de outro, ela queria aquilo também. Seu quadril ainda estava se mexendo de encontro à minha mão dentro dela. Quando meu hálito entrou em contato com sua feminilidade, Rachel prendeu a respiração – eu pude ver. Ela estava toda ansiosa. "Por favor", ela pediu. Tomei-a meio que de assalto quando minha boca foi de encontro com sua pele sensível. Ela prendeu a respiração mais uma vez quando minha língua encontrou aquele ponto especial. E daí, agarrou meus cabelos. Embora estivesse doendo – puxa vida, pra uma garotinha pequena ela tinha muita força – tentei ignorar aquilo. Ela gemeu mais alto a partir de então. Agarrou meu cabelo diversas vezes, enterrando-me no meio de suas pernas, pedindo mais e clamando por Deus. Às vezes, eu substituía os dedos em sua entrada por minha língua, provando seu gosto e sentindo que ela estava cada vez mais perto do clímax.
Com ela tão inquieta, foi preciso que eu agarrasse sua cintura, de forma a fazê-la ficar mais imóvel para que minha boca pudesse trabalhar. Quando suas pernas relaxaram de vez e seu corpo teve convulsões diante de mim, não parei com meus carinhos. Depois de alguns segundos, quando ela já tinha se acalmado o bastante retirei meus dedos de dentro dela – notando seu gemido de satisfação – e os lambi. Deixei que ela se recuperasse um pouco enquanto ia atrás de proteção. Encaixei-me, em seguida, em cima dela com cuidado. "Broadway?", chamei. Ela estava de olhos fechados e vi que foi com muito esforço que ela os descerrou. Puxei-a para cima, de forma que se sentasse e se encaixasse entre minhas pernas. Sorri para ela, retirando uma mecha de seus olhos. Com jeitinho, ela se conectou a mim, descendo vagarosa.
Suspirou contra o meu rosto quando eu já estava todo dentro dela. Aos poucos, foi refazendo o caminho. Acho que ainda estava meio trôpega com os sintomas de um pós-orgasmo, ou algo assim. Mas foi muito rápido que começou a gemer novamente. Soltava seus gemidos no meu ouvido, enquanto subia e descia, a barriga rente à minha. Quanto mais eu me insinuava para dentro dela, mais sua velocidade aumentava e seus gemidos também.
Quando outro orgasmo a varreu mais uma vez, seus braços me agarraram de uma forma totalmente nova: como se não quisesse nunca mais se desgarrar de mim. Podia senti-la pulsar ao redor de mim e isso me levou ao orgasmo, também. Meu gemido preencheu o quarto enquanto seus braços me apertavam com força em demasia para alguém da altura dela.
Ficamos abraçados, meio sem fôlego, por algum tempo.
E como um dèjá-vu da nossa primeira transa, eu disse a ela: "Você é linda".
Ela suspirou. E, quando achei que não fosse dizer nada, falou:
"Eu estou apaixonada por você".
"Esse amor é totalmente recíproco, Broadway", eu lhe garanti num sussurro.
Oi, gente!
Só posso falar uma coisa: esse final de semestre foi das trevas. E por isso não houve atualização por esses dias, ok? Amanhã já devo entrar de férias e fica mais tranquilo.
Não deixem de comentar, porque eu amo saber a opinião de vocês, tá?
Love, Nina.
