Capítulo 11.

Hermione desceu correndo às escadarias de mármore, suas sapatilhas nem tinham tempo direito de encostar-se ao chão, pois estava em uma velocidade incrível, sabia onde encontrar Draco, afinal, Pansy mesmo dera senha à garota no corredor minutos atrás, ela tinha dito que iam treinar quadribol, e obviamente, ele devia estar treinando com o resto do time no campo.

Ela atravessou o jardim, e os cabelos e as vestes esvoaçando levemente para trás, e virou-se para pegar o caminho em direção ao quadribol, ela não sabia ao certo o que estava sentindo até então, se era felicidade, orgulho do garoto, às vezes era os dois juntos, ela estava ajudando Draco Malfoy a "passar" para o seu lado, isso era um progresso com direito a troféu e tudo mais!

Mas ela não chegou até o campo, porque a turminha de sonserinos estava saindo da tenda, todos estavam ensopados devido ao banho que tomaram após o treino, e no meio dessa turminha, estava Draco, com os cabelos pingando pelas vestes, e Pansy com os braços atravessados em seu tronco como se fosse uma mochila, agarrada mesmo. E isso a incomodou, e ela parou de correr, de modo que os cabelos saltaram na frente de sua visão. Passando os dedos de leve para enxergar melhor o sorriso presunçoso de Pansy, Hermione agora mais do que nunca, chateada, afetada... Ela não queria sentir isso... E daí? Sempre foi óbvio o relacionamento de Draco e de Parkinson, por que isso... Agora?

- Ah, olha, a sangue ruim – comentou Pansy de leve no ouvido de Draco, Hermione fez a leitura labial de longe. Draco virou os olhos na direção de Hermione e seu sorriso deu uma sumida ao ver a cara de espanto da garota, mas voltou a postar o sorriso no rosto percebeu que ela estava incomodada com alguma coisa, não era bem incomodada, mas não era a expressão que ela mantinha nem quando eram inimigos.

- Olá Granger! – acenou Draco passando reto, carregando Pansy nas costas que acenava alegremente.

- Ah, oi Malfoy! – disse ela sem graça virando o corpo e os olhos para acompanhar o casal apaixonado.

Draco passou por ela, sem dar muita importância, e isso, por algum motivo ridículo, Hermione sentiu vontade de se chutar... Ela não sabia o que estava acontecido consigo mesma! Mas... De repente... Draco soltou Pansy... Alguma coisa apertada em seu peito levemente foi se soltando, e ela já podia voltar a respirar.

- Ah, Pansy, eu preciso trocar uma palavra com a Granger, a gente se encontra daqui alguns minutos, tudo bem?

- Você confia mesmo nessa sangue ruim? – perguntou Pansy amarrando a cara, Malfoy pediu para que ela continuasse o caminho com os demais que gargalhavam à frente.

Hermione sentiu todos os tipos de enzima afetarem o seu estômago de uma só vez, ela não estava acreditando naquilo, Draco estava dispensando Pansy para falar com Hermione. Isso era irreal demais para sua mentalidade...

- Então... Granger... O que faz aqui? – perguntou aproximando e jogando os cabelos molhados para trás de modo que não atrapalhassem a sua visão.

Pansy continuava a caminhar em passos lentos, lançando olhares ameaçadores na direção de Hermione.

- Ah... – ela juntou as mãos e ficou cutucando a unha, desviando os olhos para as mãos – Harry me contou que você me ajudou... No... No dia em que... Eu passei mal...

- Ah! Certo... Foi verdade... – falou lançando olhares em direção ao céu cheio de nuvens cinzas como se não se importasse muito.

- E, obrigada – disse ela sem jeito.

- Acho que só cumpri a minha obrigação de monitor – falou virando as costas e voltando a andar.

- Espere! – gritou ela, e ele parou. Ela não estava acreditando naquilo.

- O que? – perguntou ele sem se virar.

- Mesmo que tenha sido apenas uma obrigação de monitor, obrigada!

- Ah, okay – suspirou ele fundo, assoprando a franja – Eu não queria me sentir culpado pela sua morte, foi isso...

- Ótimo, então... Era só isso que eu pretendia dizer, pode continuar andando...

Draco deu uma última olhada na garota antes de continuar a caminhar, Hermione queria se socar, e mordeu o lábio com força para não deixar escapar um gemido, seus olhos encheram de água, e ela já podia sentir que o sentimento que nutria por Draco, não era mais ódio, definitivamente, não.

E a chuva desabou.

Hermione não se manifestou, deixou que a água pesada caísse. E não demorou para que ficasse ensopada... Ela estava começando a chorar...

- Granger, você não vai voltar? – perguntou aquela voz, que a fez estremecer.

Ela já não enxergava absolutamente nada em sua frente, nada, nada, tudo estava muito cinza.

- Não sabia que você se preocupava com a minha saúde também – comentou ela irônica.

- Eu acabei de tomar um banho quente, não podemos ficar na chuva...Venha! A Cabana do grandalhão fica por aqui! – ele estava se referindo ao Hagrid.

Draco e Hermione não iam agüentar correr por muito tempo, seus ossos estavam congelando, e a chuva estava cada vez mais pesada, e deram mais alguns passos, subindo as escadinhas em direção à cabana do gigante.

Hermione foi a primeira a entrar, Draco parou na porta e disse.

- Não posso... Vou voltar para o castelo... – um raio tenebroso cortou o céu, causando arrepios.

Hermione tinha os lábios roxos e tremia incontrolavelmente, puxou o garoto pelas vestes para dentro da cabana e ele teve que se apoiar para não cair ao chão, Hermione fechou a porta atrás.

- É perigoso... Você pode não conseguir! – ela mal conseguia falar de tanto que tremia.

- E-eu não quero ficar aqui! – reclamou quase caindo no chão, sentia um certo tipo de nojo.

Hermione apalpou os bolsos e puxou a varinha, com três toques os dois estavam secos, porém, estavam ainda sonsos e em péssimo estado.

- Eu... Acho que vou desmaiar – disse a garota de lado na cama de Hagrid, mas se segurou.

Draco ergueu os olhos, não conseguia se mexer direito, seus ossos estavam duros, imobilizados.

Hermione continuou andando em direção às prateleiras.

- Hagrid deve ter algum medicamento... Alguma poção...

- Aonde ele está? – perguntou Draco com um pouco de receio.

- Provavelmente deve estar caçando na Floresta Proibida com o Canino...

Hermione estava começando a se sentir quente agora, seria febre?

Abriu as portas que davam acesso às panelas, investigou tudo com os olhos, e por fim não achou nada.

- Não... Hagrid não precisa disso quando se tem um sangue forte... Inibido a qualquer tipo de resfriado ou gripe...

- Ainda acho que devíamos voltar... – comentou Draco sentando na cadeira, sonso de tudo.

Hermione pegou a chaleira, pelo menos isso ele tinha. Esquentou um pouco de água da torneira, acendeu a lareira e em poucos minutos estavam aquecidos, tomando xícaras de chá bem quentinhas.

- Ah, obrigado Granger! – agradeceu Draco recuperando-se da cor roxa.

- Estava em débito com você... – comentou dando os ombros e observou a chuva lá fora, não dava para ver absolutamente nada.

- Pansy está me esperando...

Hermione por algum motivo, sentiu que de melhor, voltou a ficar pior.

- Vocês namoram há quanto tempo? – perguntou por curiosidade arriscando um olhar na direção dele... Seus olhares se encontraram por um milésimo de segundo que pareceram ser eternidades, ele olhava entre os fios de cabelos loiros que caiam pela sua testa.

- Nós nunca namoramos! – comentou dando os ombros e depositando a xícara de chá na mesa – A gente fica, se beija, se diverte... Mas no outro dia voltamos a ser somente amigos... E assim, segue-se a nossa rotina...

Hermione percebeu que algo não estava bem em si mesma, achou que se mudasse de assunto, seria melhor.

- São quase três horas... E Hagrid ainda não voltou...

- Provavelmente deve estar rolando na lama com aquele cachorro asqueroso!

- Não diga isso dele! – reprimiu Hermione abrindo as prateleiras a procura de comida – Caramba, o Hagrid não tem comida! Ele vive de ração...

- Sabe fritar ovo? – perguntou Draco chegando ao lado dela na pia.

Hermione olhou para ele, com as sobrancelhas erguidas.

- O que você quer dizer com isso?

- Ah, é uma curiosidade – disse jogando sacudindo os ombros – Um dia você vai casar com o Weasley, não? Então terá que saber cozin...

- O que? – perguntou assustada segurando o cabo de uma panela na mão sentindo vontade de afundar aquilo na cara do loiro – Eu nunca vou me casar com o Rony!

- Que seja... Com o Harry então!

- HAHAHA! – Hermione riu forçadamente – Eu e o Harry só somos amigos!

- Isso não impede que dêem uns amassos, assim como eu e Pansy!

Hermione pensou "A conversa estava boa até agora...".

- A questão é o seguinte; você sabe ou não fritar um ovo?

- Arh... Er... Bem... Sei! – falou depressa não sabendo se deveria contar a verdade.

- Hm... Duvido...

- Tá bom, eu conto a verdade... Eu não sei fritar ovo, pronto!

Draco caiu na gargalhada.

- E você, sabe, por acaso? Filhinho do papai!

Draco mudou a expressão na hora.

- Não, mas é claro, eu sou homem!

Quem começou a rir agora, foi Hermione.

- Não seja machista! Claro, isso não justifica, você não sabe porque é um filhinho-de-papai que tem sempre alguém que possa fazer as coisas por você.

- Ah, qual é? Você também não sabe...

- Ah... Mas... Eu devo ser boa em alguma outra coisa...

- Nos estudos! – falou de supetão, e Hermione sentiu o coração parar de bater. Ele... Reconhecia o esforço da garota... Ele, ao menos, sabia... Que ela era inteligente!

- E você... – ela pensou antes de falar – No quadribol – e deu um sorriso, que ele retribuiu. Meu Deus, ela estava tendo uma conversa amigável com um inimigo!

- Ah... Malfoy, nunca pensei que isso fosse acontecer... – comentou ela corando levemente.

- Isso o que? A gente conversar... Assim? – perguntou erguendo as sobrancelhas e ela concordou com a cabeça antes mesmo de terminar a pergunta – É, eu também, Granger.

Draco deu um sorriso, Hermione sentiu os pés se perderem no chão, eles estavam virando amigos... Isso não era nada normal!

Ela parou para pensar o que achariam se os dois voltassem a Hogwarts dando gargalhadas.

Rony bravo: Você está confraternizando com o inimigo!

Harry fora de si: Hermione, o Malfoy? Você está andando com o Malfoy? Aonde foram parar os seus neurônios?

Pansy com cara de fresca: Pf... Ridícula essa sangue ruim.

E o que diria o próprio proprietária da casa se soubesse que os dois estavam mantendo uma conversa civilizada sob o seu teto? Provavelmente expulsaria Hermione dali.

Quando ela se deu conta do que estava acontecendo, Draco estava bem próximo a ela, eles estavam tão perto, que ela podia ouvir a respiração do garoto, e seu coração ficou descompassado, as pernas amoleceram e ela suspirou pensando no que realmente estava acontecendo... Ela queria aquilo, ela sentia isso... Não podia deixar para depois, para outro dia, era o momento certo... Não se desculparia nunca... Se virasse o rosto... Draco encurtou os passos ainda menos em direção a ela...

"Quem é que você quer enganar Hermione?".

Ela não queria admitir para si mesmo, mas seus impulsos estavam ficando fora do controle... Ela ia beijar Draco Lúcio Malfoy e era tudo o que queria realizar!

N/A: Mayy, ameiii seu comentário, obrigado, bom, mas quero deixar claro que em vários momentos eu coloquei um "clímax" entre Harry e Hermione, mas pelo que percebemos a Hermione só tem relação com o Harry de amigo, e não passa disso! O Harry sim está "começando" a ficar afim da Hermione... Mas ela a partir desse capítulo, se descobre apaixonada por Draco Malfoy... E vice-versa... Ou seja, o Harry rodou (por enquanto), ainda temos muitos pergaminhos para as letras.

N/A2:Deixem mais reviews, é só clicar no botãozinho roxo... Pleaseeeeee!