Shenanigan


Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.


Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...

Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.

Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.


Observação: Capítulo não betado.


Advertência: linguagem obscena.


Nota: Ok, ok. Normalmente eu deixo para o fim as respostas. Mas eu fiquei tão, mais tão feliz que alguém tenha pego a minha vibe! Cara Guest (I know you and you know me. Flagra). Yes, yes, yes!

Então, sim, normalmente eu só gosto de deixar o povo pensando. Mas essa foi linda! Rs. Então, esse é um bônus: você está quase completamente certa! Yay.

Dito isso, e sem delongas, volto ao novo capítulo.

XOXO,

Yasmin


Parte onze

I wanna ruin our friendship


Domingo, 25 de outubro de 1998.

Hermione despertou com um beijo. Um pequeno beijo apertado em sua fronte.

Sonolenta, ela esfregou o rosto no peito do amigo antes erguer levemente a cabeça para encará-lo.

O rapaz hesitou um instante antes de novamente beijá-la, desta vez nos lábios. Hermione suspirou suavemente fechando os olhos, um som estrangulado de contentamento escapando de sua boca. Foi breve e doce e antes que pudesse se dar conta, ele estava se afastando.

-Hmmm. Bom dia, Harry – abriu os olhos devagar.

Harry a estudava atentamente como se esperasse uma resposta distinta. Era quase engraçado que mesmo trás diversas manhãs sob esse mesmo ritual ele ainda esperasse uma reação diferente dela. – Bom dia, anjo.

-Eu pensei que iríamos passar um pouco mais de tempo na cama, hoje?

-Você pode. Eu preciso ir a Gringotts. Crookfang quer discutir o que fazer com alguns dos objetos que encontraram em Grimmauld Place – Harry fez uma careta.

-Merlin! Graças a Deus não precisamos viver lá.

Harry assentiu. – O que vai fazer?

Hermione suspirou, ajeitando-se sobre ele, recostando as mãos sobre o peito e seu queixo sobre elas. – Ronda. Então uma breve passagem na biblioteca e-

Harry riu. – Breve passagem? Na biblioteca?

-Calado Harry.

Esperava algo como seu particularmente sarcástico "sim, querida", mas Harry retrucou no mesmo tom irônico de sua frase corriqueira:

-Faça-me.

Ela o fez. Erguendo-se sobre ele, a morena o beijou duramente. O choque do rapaz só durou um segundo, antes de beijá-la de volta. Rindo-se quando Harry dramaticamente a rolou sob ele, Hermione quebrou o beijo mordendo o lábio inferior.

-Sério? Breve passagem? Esse, com certeza, é o eufemismo do séc-

Ela o interrompeu. Com a boca. Seus dedos fechando-se nos cabelos de sua nuca. A outra mão viajando para o sul, pressionando em suas costas para mantê-lo perto.

Desde que conversaram sobre o contrato e tomaram a decisão de prolongá-lo indefinidamente, Harry e Hermione têm... tentado definir limites. Ou mais bem: estavam a testar limites. Era uma experiência interessante.

Harry respirou fundo, seu rosto ao encontro do pescoço dela. Ele adorava os pequenos sons que Hermione fazia quando ele a mordiscava ali. Observando sua intenção, a jovem lhe ofereceu pleno acesso, seus olhos se fechando enquanto se movia sob ele. Ela não conseguia evitar!

-Eu preciso ir, goblins são muito pontuais.

Hermione fez um pequenino som de queixume, sua perna movendo-se para prender a dele. - Só mais cinco minutos, Harry.

-Quem é você e o que fez com a minha Hermione?

Ela virou os olhos. – Eu não sou sua Hermione.

Eles se entreolharam. O "ainda" parecia até mesmo um eco, mesmo que não tenha sido sequer pronunciado.

-É? Bem. Ainda assim, tenho de ir – Harry falou, pontuando cada palavra com um beijo antes de se erguer e se dirigir ao banheiro.

Quando o rapaz saiu do banheiro - banhado e arrumado - Hermione fez sinal para que ele se aproximasse, se ajoelhou na cama e entrelaçou seus dedos nos cabelos molhados dele, puxando cuidadosamente mas com firmeza para que Harry lhe desse acesso. Ela deslizou o nariz por seu pescoço, inalando-o, antes de finalmente puxar o colarinho de sua camisa, apertar sua boca e dentes no local, ignorando a forma como Harry a apertava pela cintura. Ela sabia que era um costume horrível, mas adorava marcá-lo.

-Pronto. Você pode ir agora.

–Tem certeza? Você não marcou o outro lado – zombou virando o rosto. Hermione ergueu a sobrancelha, ela não mordeu, mas o lambeu ali.

-Satisfeito? – indagou arrumando novamente sua camisa, cobrindo sua nova marca.

-Nem de longe.

Harry devia mesmo dizer algo mais. Talvez uma repreensão – Eles haviam, afinal, quase se metido em confusão por conta de uma dos pequenos "presentes" de Hermione. – Bem, ele até lhe recriminaria... Se se importasse.

O caso, para variar, ocorrera em uma das aulas de transfiguração. Gina – outra surpresa... (sarcasmo) – estava lhes lançando olhares esquisitos por quase meia hora quando Minerva lhe chamara a atenção... Perguntando o que havia de tão interessante no perfil de Hermione Potter que a impedia de prestar atenção na aula, precisava de ajuda para identificar o que quer que fosse? – Minerva havia caminhado ao encontro de uma Gina incrivelmente vermelha e mortificada, se voltado para Hermione – que ainda olhava para frente. Não desejando qualquer envolvimento, mesmo mínimo, naquela situação.

A senhora emudeceu de imediato, entretanto. O silêncio foi tão intenso que Hermione finalmente lançou um olhar para a professora. Que não a encarava em absoluto e sim a Harry, ao seu lado. Este que tinha a cabeça inclinada para o lado, copiando distraidamente o que estava no quadro.

Arregalando os olhos, Hermione imediatamente voltou-se para o amigo chamando sua atenção e arrumando seu colarinho, escondendo novamente o mais que impressionante "hematoma" no pescoço do rapaz. Minerva lançou um olhar inescrutável para Hermione antes de tomar seu lugar na frente da classe e voltar à sua explicação como se nada – absolutamente nada – houvesse acontecido.

A morena quase não ergueu a vista de seu livro e trabalho de transfiguração depois disso. Quando o fazia, tinha os olhos de gato de Minerva a espreitando, como se de repente a estivesse vendo por uma nova lente. Mesmo quando não encarava sua professora, podia sentir os olhos dela presos em si.

O constrangimento, Harry pensou, obviamente não fora o suficiente para que ela abrisse mão de sua nova habilidade. Quem era ele para impedi-la?

- xxx -

[Biblioteca de Hogwarts]

-Acho que é a primeira vez que a vejo sem Harry. Em semanas - Hermione ergueu a vista de seu livro para encontrar Gina de pé a frente de sua mesa. – Você sabe? Eu tenho tentado duramente me desculpar pelo que fiz com Harry e ele já me perdoou, mas você ainda me olha como se eu fosse esfaqueá-lo pelas costas.

-Harry sempre foi o mais "magnânimo" de nós dois. Ao menos no que concerne seu próprio bem estar. Mas enquanto ele dispensa seu ato como algo tolo e juvenil... Eu vejo um franco atentado contra a vida do meu marido. Eu não me importo se você estava chateada, condoída, magoada, o diabo a quatro, Gina... Você pegou um bastão e o acertou na cabeça. Ele pode ter brincado sobre toda a situação, pode estar ignorando o ocorrido simplesmente porque não houve maiores consequências. Mas eu lhe digo, eu nunca vou esquecer o que fez. Ou sua tola racionalização. E eu nunca vou confiar em você no que diz respeito a Harry. Então, eu lhe proponho que não gaste sua saliva tentando me convencer de sua rendição. Se qualquer coisa, você deveria estar grata que nada demais aconteceu a Harry. Eu a teria caçado e nem sequer Minerva, o Ministério ou o amor que tenho por sua família me impediria de destruí-la.

Gina a encarou em silêncio antes de respirar fundo e falar:

–Eu não espero que entenda o que eu fiz, quando sequer eu entendo. Nem mesmo que me perdoe. Eu só quero uma chance de estar na vida dele.

Hermione a fitou impassível. – Eu não acho que mereça essa oportunidade. Para sua sorte, no entanto, a escolha não é minha. Se Harry decidir continuar sendo seu amigo, eu vou tolerar você. Por ele. E essa será nossa interação.

-Hermione... por favor! Eu- eu sinto muito! Eu não estava pensando. Sei que o que fiz foi errado. Estou mesmo arrependida! Eu nunca mais, nunca mais vou tocar ele dessa maneira – implorou silenciosamente, os olhos marejando.

-Não consigo te perdoar. Eu nem sei se quero. Você o machucou porque estava com ciúmes. Você o feriu porque não conseguiu ter algo à sua maneira. Fica a pergunta: terei de me preocupar com cada ato meu ao redor do meu marido quanto estivermos perto de você, para não acionar seu ciúme? Quero dizer, com Harry sozinho você fez o que fez. Mas, pensando bem, se eu estivesse lá nada disso teria acontecido. Vê meu dilema?

-Você tem que entender que-

-Me desculpe? Eu não tenho de entender coisa alguma. Você tomou uma decisão e eu a minha. Se não está satisfeita com a sua, não é problema meu. Se eu não suporto o que fez, posso e devo cortar o mal pela raiz.

-Eu estou tentando consertar as coisas.

-Yeah? Bem, se esforce mais – retrucou finalmente perdendo a paciência. Seu material voando para dentro de sua mochila. Hermione recolheu sua bolsa e saiu da biblioteca sem olhar para trás.

Sabia que 'harpia' sequer cobria como tratara Gina. E parte dela sentia-se tão culpada que a única coisa que a impedia de voltar até a garota ruiva e se desculpar era a imagem de um Harry ferido gravemente. Ela não conseguia racionalizar quando se tratava do bem estar dele.

Gina podia não ter causado maiores prejuízos quando o machucou, mas o que a impedia de ter outra vez um ataque de ciúmes e dessa vez ser mais efetiva? A palavra de Gina certamente não valia nada para Hermione naquele momento...

- xxx -

-Oh hoho! Senhora Potter... Quanta pressa, cuidado!

Hermione sentia como se estivesse a encontrar todas as pessoas de sua lista de "quem evitar". Honestamente! Só o que lhe faltava ao momento era dar de cara com Pansy Parkinson.

-Desculpe-me professor, estava distraída.

–Não há problema - o senhor fez um gesto vago com a mão. – Mas desde que encontrei a senhora – os olhos do homem brilharam e Hermione teve de forçar a si mesma a não recuar um passo. – Como sabe, Halloween está chegando... - a garota assentiu desconfiada. – E eu farei uma reuniãozinha com nosso clube-

-Sinto muito professor Slughorn, Harry e eu não podemos comparecer – o homem a fitou com uma expressão tão sofrida que a jovem se sentiu obrigada a justificar:

-Nós vamos a Godric's Hollow. Harry não se sente à vontade celebrando o Halloween...

O homem parecia novamente excitado. - Oh não! Não! Como Hogwarts tem sua própria celebração, eu arranjei para que nosso encontro fosse ao dia seguinte. Nenhuma comemoração realmente. Apesar uma reunião.

-Oh, eu vejo... – Hermione forçou um sorriso. – Eu falarei com Harry. Se estivermos no castelo, estou certa de que podemos comparecer.

-Excelente!

- xxx -

Terça-feira, 27 de outubro de 1998.

Harry estava agindo estranho. E isso a estava enlouquecendo.

Desde que voltara de seu apontamento em Gringotts, tarde da noite, ele não a beijava. Nem a tocava, ou melhor: apenas o fazia quando ela iniciava o contato. E sempre a olhava com uma expressão de culpa que estava lhe enviando alertas de pânico. Será que já estava arrependido? De seu novo normal? Se este era o problema, precisava saber de uma vez.

Era por conta disso tentara encurralá-lo depois da ronda. O par dele aquela noite era Padma Patil - o seu fora, bizarramente, Draco Malfoy (fale sobre situações desconfortáveis...) -, e assim que Hermione terminara sua obrigação, praticamente caçara Harry. Infelizmente, Harry também já havia terminado sua ronda.

A morena estreitou a vista se dirigindo ao encontro do salão comunal da Grifinória. Oh mas se ele estava pensando que iria se esquivar dela estava muito enganado!

Ele não iria fingir estar dormindo, ou demorar horas no banheiro esperando ela cair no sono nem iria "discutir com os rapazes" até mais tarde com o intuito de evadir às suas perguntas.

-Hei Mione! Boa noite. E então como foi sua ronda com Malfoy? – ele retirou a vista do armário para lhe oferecer um sorriso e um erguer de sobrancelha.

A jovem encolheu os ombros, retirando sua capa e gravata do uniforme. - Silencioso. Fizemos nosso trabalho sem trocar um insulto. Na verdade, nenhuma palavra além de "boa noite". Parece um milagre.

-Ele não é tão mal assim.

Hermione virou os olhos. – Você. Sempre redimindo as pessoas. Honestamente Harry.

-Bem, a mãe dele salvou minha vida...

-E todo mundo bruxo é grato, mas isso não escusa as atitudes anteriores daquela família.

Harry assentiu, mas não disse nada. Com uma muda de roupas e uma nova toalha, se dirigiu ao banheiro. – Hm, quer ir primeiro?

Hermione meneou a cabeça negativamente. – Mas quero conversar com você depois.

Harry parou no seu caminho – Er... Mione, eu meio que combinei com Dino que iria ajudá-lo em algumas estratégias para a equipe e...

-Oh você?

-Uhum. Ele disse que precisava de ajuda para adaptar o treino e tentar não assassinar Lilá no meio tempo...

-Bem, a culpa é dele por tê-la posto no time, mesmo que apenas por duas partidas.

Harry encolheu os ombros. – Ela fora a melhor entre todos, e senhor foram muitos,que tentaram a vaga. De toda forma, conversamos depois, certo? Ótimo!

Ele sequer esperou resposta ao tornar para o banheiro. Hermione ergueu a sobrancelha para a porta batendo. Ah ele se acha tão sorrateiro...

A jovem mulher fez um coque alto, foi até o armário, pegou seu baby-doll e então se despiu, cuidadosamente postando as roupas sujas sobre o espaldar de uma das cadeiras do local. De calcinha e sutiã e armada de roupa limpa, Hermione se dirigiu cheia de determinação ao encontro de seu marido. Ele teria uma grande surpresa se achava que ela iria desistir dessa vez.

Ela postou sua roupa limpa e varinha sobre o vaso junto às coisas dele e ignorou Harry perguntando, do box, se ela precisava de alguma coisa. Harry abriu uma fresta da porta exatamente quando a garota acabava de retirar seu sutiã.

-Hermione...?

-Ok então – ela deslizou de sua calcinha. - Eu preciso falar com você e aparentemente esse é o único tempo livre que tem esses dias. Que assim seja – abrindo de vez o box, Hermione entrou e fechou a porta atrás de si. Harry recuara um passo para lhe dar espaço, muito chocado para qualquer outra reação.

Harry lutou bravamente para não deixar seus olhos vagarem. Por exatos dois segundos.

-Vai falar comigo agora? – Hermione estava mais preocupada com suas próprias olhadelas para se sentir autoconsciente.

Harry finalmente ergueu os olhos para encará-la. – Hermione, não há chances no inferno que eu consiga manter uma conversa coerente com você agora.

Ela riu, levantando a cabeça para fitá-lo. Corada, ela brincou:

– Ao menos sabemos sem sombra de duvidas que é atraído por mim.

Foi a vez de Harry virar os olhos. – Se todas as noites que passamos juntos não tinham coberto esse departamento ainda, fico feliz que dessa vez a mensagem seja clara.

Hermione pegou o sabonete e, o molhando, passou a ensaboar Harry. – Bom... você é um homem e jovem. É mais que natural que quando ao lado de um corpo feminino, qualquer que seja, haja reações. Eu simplesmente achei...

Harry a fitou com exasperada diversão, interrompendo-a. – Não é qualquer corpo feminino. É o seu. Que, vamos deixar claro, eu acho extremamente apelativo - ele deslizou a mão pelos ombros dela.

-Bom.

Harry tomou o sabonete das mãos dela e o elevou ligeiramente na direção de Hermione, como se pedisse permissão. Ela assentiu. – É só difícil assimilar algumas vezes – murmurou cuidadosamente ensaboando-a.

Com a respiração entrecortada e um tom de voz que quase não reconhecia como seu, a jovem indagou:

O quê?

Harry não a encarou. – Que eu posso demonstrar mais livremente.

-Oh Harry, seu idiota!

Estapeou as mãos dele de si para apertá-lo em seu abraço no segundo seguinte. Seus lábios ao encontro dos dele. Hermione estava segurando como se sua vida dependesse disso.

-Vamos lá, precisamos terminar de nos banhar. Eu ainda quero conversar com você.

-Hermione – Harry praticamente choramingou. – Eu não consigo. Eu não consigo pensar.

A garota mordeu o lábio inferior. – Eu vou ajudá-lo, se me ajudar?

- xxx -

Trás um banho extremamente educativo, eles se secaram e se trocaram para 'A conversa'.

-E quanto a Dino?

-Ele terá de esperar, não é? Não vejo você me deixando sair sem essa discussão - Hermione assentiu impenitente. Harry riu ligeiramente. – Então... O que quer falar?

Hermione respirou fundo, de repente se lembrando do por que estava tão angustiada esses dias... Parecia irrelevante agora, montada no colo de Harry, em seu abraço. – Você tem agido de forma estranha desde que voltou daquela reunião com Gringotts. Nem tente negar Harry.

-Eu... eu conversei com Ron.

-Harry...

-Não. Nada sobre nosso contrato - o moreno não a encarava. – E – respirou fundo. - Eu acho que queimei qualquer ponte entre nós. Qualquer chance de uma possível reconciliação.

-Ok. Ok - meneou a cabeça. - Eu não estou brava, Harry. Está tudo bem, okay?

E então ele explicou tudo o que podia. Como ele disse coisas para Ron. E Hermione só estava tão aliviada...

Quando chegara de Gringotts, Ron o interceptara. Eles foram até a cozinha do colégio, desde que o ruivo queria uma conversa privada. E Deus, como durara aquela discussão...

No início, Ron apenas o observou por inúmeros minutos enquanto os elfos se atrapalhavam para lhes servir, tudo começou a desandar a partir daí.

Harry estava cansado e, só por um momento, achara que teria uma conversa civilizada. Talvez até conseguisse uma chance de tornar a falar com seu amigo. Mas no minuto em que Ron abrira a boca, o moreno descobriu que não seria o caso.

Acusações lançadas, palavras de ressentimento e uma boa mão de chantagem emocional depois, Harry estava cuspindo algumas palavras de volta. Tais como:

-Não, seu idiota! Eu não fiz isso pra te machucar! Eu sequer estava pensando em você!

-O mundo não gira ao seu redor, Ron. E azar o seu por ser um tremendo de um cretino!

-Perdendo sua amizade?! Quer dizer que ela sempre foi condicional? Desde que eu não mexesse em "seu território" estaríamos bem?

-Sim, eu sabia que gostava dela! E sim, eu disse que a via como irmã. De que outra maneira você teria destruído aquela maldita coisa?!

-Eu não sou um filho da puta mentiroso. Eu pensava que ela gostava de você e você claramente correspondia sua afeição. De sua maneira estranha. Eu suponho. Eu estava obviamente errado.

-Teve todas as oportunidades possíveis e imagináveis! Mas era imaturo. O que achou? Aparentemente Hermione deveria esperar pacientemente que crescesse?

-Você a fez chorar, partiu o coração dela. Inúmeras vezes. Você é meu melhor amigo. E você é um babaca. Você nunca será bom o suficiente por ela e, para minha sorte, nunca mais vai sequer precisar tentar. Vou fazer de tudo em meus poderes para mantê-la a salvo, feliz e amada de uma forma que você só pode sonhar.

-Considerando que se a tratasse de forma decente e tivesse feito seus sentimentos mais claros... Vou tomar aqui um palpite louco e dizer: você tem parte da culpa por não estar com ela agora.

-Eu nunca disse que era um homem melhor que você, Porra!

-Sua garota. Sua garota?! Hermione nunca foi sua.

Harry nem se lembrava dos insultos direito... Desde que foram muitos. Particularmente desagradáveis. Para além de ofensivos. Lembrava, no entanto, de outras coisas que dissera.

-Hermione é minha melhor amiga antes de tudo. Nós ficamos ainda mais próximos quando fomos visitar os pais dela. Se é mesmo possível. A gente conversava muito ou simplesmente não falávamos nada. Foram dias pesados. Não foi intencional. Odeio dizer isso, mas é a verdade: aconteceu.

-Ron, eu amo Hermione. Quando a oportunidade surgiu, me joguei de cabeça. Eu não ia questioná-la duas vezes se tinha certeza se me queria.

-É claro que estava com medo que ela mudasse de ideia! Você me perguntou por quê? Por que eu pulei na oportunidade de ter Hermione como minha mulher? Eu preciso mesmo de justificativas? Olhe pra ela. Ela é perfeita. Toda vez que eu a abraço, é como ela tivesse sido feita sob medida pra mim. Como se eu voltasse pra casa... Eu realmente sinto muito por você Ron, porque eu não acho que nunca vá conseguir entender o que perdeu.

-Você a amava. Eu também! Não pode clamar direitos sobre uma pessoa, Ron! Isso não é uma competição. E Hermione certamente não é um troféu! Eu a amo, ela me ama. Sinto muito se isso não vai de acordo com seus planos. Mas eu não vou pedir desculpas por nossa relação.

-Ron, eu não sei o que quer ouvir. Não posso sequer dizer "sinto muito", porque eu não. Você poderia ter tido ela, mas estragou tudo. Eu certamente não vou.

Harry puxou ar devagar e soltou. - Sabe que eu vou, não é? Cuidar de você - Hermione sorriu, assentindo.

-Nós vamos cuidar um do outro. Vai ficar tudo bem, Harry. Tenho certeza que eventualmente Ron vai aceitar nossa situação.

Harry riu amargamente, perpassando a mão pelo cabelo. – Eu não sei, Mione. Ele está determinado a me culpar. E eu nem posso realmente me defender, não é? Quero dizer-

Hermione o interrompeu tocando seu rosto. – Isso não é sua culpa. Quantas vezes terei de repetir para que isso adentre sua cabeça dura? Harry, por mais que pense no que poderia ter sido, nunca houve Ron e eu. Não realmente – ela continuou então, num tom mais leve:

-E eu lembro o dia do nosso casamento muito bem, não fui forçada a coisa nenhuma.

Harry levantou a cabeça para fitá-la, seriamente, por cima dos óculos. – Você sabe que eu te amo, certo? - a garota piscou, sobrecarregada. Dominada por completo pela mudança de assunto, ela anuiu lentamente. – Bom – Harry a fez deslizar dele e beijou sua testa antes de sair da cama. – Agora eu realmente preciso ir falar com Dino, ele provavelmente está debruçado sobre as estratégias do nosso time, segurando o bonequinho que representa Lilá e batendo com ele repetidamente no chão.

Hermione só se deu conta de que Harry tinha saído do quarto quando finalmente ia se despedir dele, cinco minutos depois. Ela estava tão chocada que nem notara o tempo passar. Não que ela se importasse. Nenhum pouco. Harry dissera que a amava. Harry dissera que a amava. Com todas as letras.

A garota escondeu o rosto em seu travesseiro, liberando finalmente a leva de incontroláveis risadinhas estúpidas que se formaram em seu peito no momento em que ele a fitara daquela maneira. As risadinhas se transformação em gargalhadas e as gargalhadas em soluços e antes que pudesse se controlar, estava chorando com força. Soluços e golfadas de ar pesados em alivio.


N/a: Eu to viva!

Obrigada pelos comentários, seus lindos.