-...E eu espero que a sua estadia aqui nos faça evoluir no que diz respeito à mais avançada tecnologia na medicina moderna, Dr. Chiba. – o médico cirurgião chefe representante do hospital em que iria trabalhar terminou seu infindável discurso sobre como era uma honra um médico com ele prestigiar seu hospital. Era claramente uma bajulação para que ele não levasse em conta as inúmeras irregularidades que percebera ao avaliar uma cirurgia no apêndice de uma senhora idosa. Todos os outros médicos aplaudiram, e ele agradeceu com um aceno de cabeça. Olhou no relógio mais uma vez: 19:58hrs. Os minutos se arrastavam. Não via a hora de ir ao consultório de Usako para revê-la.

-Bom, Dr Chiba, se não se importa, o senhor me pediu que eu o acompanhasse ao Pronto Socorro, disse que queria conhecer... – Uma enfermeira ruiva se fez notar.

-Ah, sim, claro. Podemos ir. – Darien falou descontraído.

Ela o levou até a ala de emergência do hospital.

-Pensei que fosse encontrar o lugar mais movimentado, mas quase não há pacientes, para um Pronto Socorro.

-Ah, é que hoje o dia foi estranhamente menos movimentado. Mas as duas últimas semanas têm sido bem corridas. Os médicos daqui quase não estão dando conta...

-Você é enfermeira daqui?

-Ah, não. UTI. – ela sorriu simpática.

-Com licença, Dr Chiba? – Um homem com os cabelos de cor estranhamente puxada para o lilás, alto, posicionou-se à sua frente.

-Sou eu.

-Ah, muito prazer. Sou o Dr. Marcos Lohana, chefe do P.S. – ele estendeu a mão à Darien, que aceitou o cumprimento.

-Ah, muito prazer.

-Obrigado, Shuni, pode ir. – a enfermeira sorriu para o médico e se retirou.

-Bom, Dr Chiba, como já pôde constatar, o dia hoje não está muito movimentado.

-É, mas a enfermeira me disse que as duas últimas semanas têm sido complicadas...

-Ah, sim. Nesta época do ano isso geralmente acontece. As faculdades entram em recesso, os alunos saem para a noite, e se metem em... Confusões.

-Ah, entendo.

-Bom, se me permitir, gostaria de lhe apresentar à minha equipe.

-Hei, Olho de Águia! – uma voz feminina chamou o doutor, que olhou para trás, seguido de Darien. – Paciente em estado grave no portão três! – disse a enfermeira, saindo correndo logo em seguida.

-Dr, se quiser me acompanhar... – e os dois saíram apressados na direção que a enfermeira havia indicado. Darien chegou ao portão e viu mais duas macas entrarem pelo portão. O Dr. Lohana falou em voz alta para uma enfermeira que media os batimentos em uma das macas:

-Quantos são afinal?!

-Só esse três, mas estão em estado grave.

-Onde está o Pardo?

-Não está no hospital e não responde ao celular ou pager. – a enfermeira disse com um olhar de "e agora?".

-Ah... Dr. Chiba?

-Pode deixar... - Darien dirigiu-se à maca onde uma garota tinha o pescoço imobilizado e estava desacordada.

-22 anos, pulsação de 40 por minuto, pressão 9 por 6, traumatismo craniano após atropelamento.

-Foi medicada? – ele perguntou, checando o peito da moça com um estetoscópio.

-10 gramas de insulina.

Foram para a sala de operações e Darien comandou com uma certa dificuldade: Não conhecia o hospital e teve alguns problemas com o idioma.

Depois de uma hora de operação, o médico neurocirurgião do hospital chegou: o tal Dr. Pardo

Darien explicou a situação em que a paciente se encontrava, disse com o que foi medicada e qual o procedimento estava usando e o médico logo se juntou a ele.

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Meia hora depois, Darien deixou a operação a comando do Dr. Pardo. Foi à sala ao lado onde o diretor do P.S se encontrava.

-Doutor, eu infelizmente tenho que ir. Tenho um compromisso.

-Oh, certo, Dr. Chiba. Foi um prazer.

-Passo aqui amanhã novamente.

-Certo doutor. Boa noite e obrigado pela ajuda. – o médico disse enquanto mexia em algum órgão do adolescente que operava.

-É sempre um prazer. – Darien sorriu e acenou com a cabeça para as enfermeiras, que lhe sorriram de volta. Uma sorriu particularmente... Íntima demais.

Ele se retirou da sala de operações, tirou o avental, a máscara e as luvas que usava, lavou as mãos e o rosto e caminhou para a saída do hospital. Chamou um táxi, mal entrara e já foi logo dando o endereço do hospital de Serena.

xXxXxXxXxXx

Olhou no relógio: 20:55hrs. Ele ainda não havia chegado. Tudo bem, prometera chegar às 21:00hrs, mas estava nervosa.

Pegou o telefone, mal havia apertado o botão para contatar a secretária e pode ouvir a voz fina e simpática desta.

-Sim, senhorita?

-Algum outro paciente hoje, Lola?

-Não, não, senhorita. Agora só amanhã, às 10:45 da manhã.

-Certo, obrigada. – falou um pouco desapontada, um paciente realmente iria ocupar sua cabeça com outros pensamentos.

-Por nada, senhorita.

Ela desligou o telefone, juntou as mãos, apoiou o queixo sobre elas e suspirou. De repente ouviu o som abafado do seu celular dentro de sua bolsa. Pegou-a correndo e procurou o aparelho, no meio de batom, carteira, papéis, caneta, cartões, perfumes, chocolates, espelho, escova e tantas outras tralhas. Finalmente apalpou o pequeno aparelho que tocava insistentemente. Tirou-o da bolsa com pressa, trazendo junto vários cacarecos que caíam no chão. Olhou o visor e o nome Darien piscava na tela. Atendeu antes que ele desistisse. Fez a voz mais calma e normal que conseguiu.

-Alô?

-Boa noite, meu amor.

-Ah! Oi Darien. – falou o mais impessoal possível.

-Só queria avisar que me atrasei um pouco, mas já estou chegando, certo? Tive um imprevisto.

-Certo, tudo bem.

-Um beijo...

-Outro.

Fechou o celular e sorriu consigo mesma. A voz dele era tão reconfortante... Ela tremia só de ouvir...

Recompôs-se e começou a guardar seus papéis com calma. Ele disse que se atrasaria um pouco, não deveria ser muito. Pegou o cartão que veio junto com as flores na noite passada e o leu pelo que deveria ser a milésima vez:

"Por um glorioso reencontro...

Obrigado pelo jantar. Te pego amanhã ás 21:00hrs, não se esqueça.

Te amo,

Seu Darien."

Lembrou-se de como beijara o travesseiro como se fosse uma adolescente apaixonada. Lembrou-se de como gargalhou sozinha ao se lembrar de como ele parecia desesperado ao final do encontro, pedindo-lhe um beijo. Mordeu o lábio inferior ao lembrar-se do arrepio que percorreu seu corpo quando ele falou atrás dela, assim que ela desceu para reencontrá-lo no saguão do hotel.

Sorriu e voltou a arrumar os papéis. Seus olhos encontraram o bilhete novamente.

"Seu Darien."

Seu... Darien...

As palavras ecoaram em sua mente, várias e várias vezes...

Seu Darien.

Seu Darien... Seu...

"Meu..."

Ouviu alguém bater em sua porta e seu coração deu um salto. Ajeitou levemente o blazer branco que usava.

-Entre!

Para sua decepção quem entrou foi seu chefe. Seu coração deu outro salto, mas desta vez de receio. Lembrava-se muito bem que ele havia seguido-a na noite passada.

-Dra, Tsukino, minha cara! Como está? – o médico entrou e fechou a porta.

-Bem, muito bem, obrigada. – disse sem sorrir.

-Já terminou seu expediente?

-Sim, só estou arrumando umas coisas.

-Vai para o hotel?

-Anh, acho que não.

-Ah, porque se fosse eu poderia lhe dar uma carona.

-Não, senhor, não será necessário, obrigada.

-Ah, vamos! Eu insisto! – ele apoiou as mãos na mesa dela.

Antes que ela pudesse recusar novamente, bateram em sua porta mais uma vez, e ela sorriu aliviada quando Darien entrou por esta, sorrindo para ela, logo depois olhando curioso para o médico.

-Darien! Olá! – ela se levantou e foi até ele sorrindo nervosamente, apoiou a mão direita no peito dele e o olhou contente. Ele sorriu e lhe deu um beijo na testa, logo depois encarando o médico que olhava a cena, curioso.

-Ah, Darien, este é o Dr. Akigara, meu chefe.

O médico mais velho sorriu contrariado e inclinou a cabeça levemente, cumprimentando Darien, sem deixar de encará-lo.

-Como vai? – Darien limitou-se a perguntar.

-Muito bem. Então, Dra. Tsukino, foi um prazer. Vai ficar me devendo essa.

Serena o olhou sorriu como quem diz "Não sei, não..." e o médico caminhou até a porta.

-Uma boa noite. – e se retirou.

Serena suspirou exasperada, ainda olhando a porta. Passou a mão na testa, como se para espantar uma preocupação.

-Devo me preocupar com alguma coisa ou você está bem, Usako? – Darien falou, cruzando os braços na frente do peito.

Serena o olhou, como se lembrasse que ele estava ali.

-Ah, não. Não precisa se preocupar, eu estou bem.

-Ah é? Então porque você parece tão nervosa?

-Nervosa? Não, foi impressão sua. – ela andou até a mesa e guardou os papéis em uma pasta, para depois colocá-los dentro da gaveta, deixando a mesa organizada.

-Me desculpe o atraso. Eu tive uma emergência.

-Emergência? Emergência médica? – ela olhou-o curiosa enquanto tirava o retrato dele da bolsa e colocava na gaveta da mesa sem que ele percebesse.

-Sim. Fui visitar o Pronto Socorro do hospital onde vou trabalhar, e umas pessoas chegaram feridas. O médico cirurgião não estava então tive que assumir.

-Nossa... Já chega por aqui sendo herói, não? – ela lhe sorriu. Ele devolveu modesto.

-Não... Só trabalhando. – ele caminhou até ela lentamente. – E então? Recebeu meu presente ontem?

Ela reanimou o sorriso e olhou para o lado, com vergonha de encará-lo.

-Recebi.

-E o que achou?

-Lindas. Obrigada.

Ele ia dizer outra coisa quando a porta se abriu e um homem vestido com uma calça social preta, uma camisa azul, e um jaleco branco, entrou na sala.

-Serena, eu... – Yaten começou a falar, olhando alguns papéis que trazia consigo, mas parou ao notar a presença de Darien na sala. –Ah, me desculpe, não sabia que estava atendendo.

-Não, não! – De repente, uma brilhante idéia passou pela cabeça de Serena. –Yaten, este é o Dr. Darien Chiba, um amigo de Tóquio.

-Ah, muito prazer. – Yaten estendeu a mão, e Darien a apertou, sorrindo o mais simpático que pôde. O que não foi muito.

-Darien, este é o Dr. Yaten Konawa, o amigo de quem lhe falei.

-Você anda falando de mim por aí, é? – Yanten perguntou, brincalhão.

-Só um pouquinho. – Serena sorriu bonito para o jovem de cabelos prateados, que voltou a olhar os papéis.

-Bom, não vou tomar muito o seu tempo. Só queria lhe entregar isto. – e lhe passou os papéis. Diante da cara curiosa que Serena fez, ele passou a explicar. – São as fichas dos pacientes de que lhe falei. Eu vou precisar de você nesses casos particulares.

-Ótimo. Eu vou ler hoje à noite e amanhã lhe dou uma resposta.

-Não tenha pressa, eu só vou precisar semana que vem, mas quanto mais rápido, melhor.

-Certo. Pode deixar.

-Então eu já vou indo. Foi um prazer, Dr. Chiba.

-Igualmente. – Darien disse sério.

-Te vejo amanhã? – Serena perguntou quando ele ia saindo pela porta.

-Claro que sí, cariño. – Ele ainda lhe piscou um olho e saiu.

Ela olhou para Darien, que estava sentado na poltrona em frente a sua mesa e tinha uma cara de poucos amigos.

-O que foi?

-"Cariño"? – ele perguntou, cruzando os braços novamente.

-É, ele me chama assim. – ela tentou controlar o sorriso.

Ele estava com ciúmes! Engraçado como, durante o relacionamento deles, ele parecia nunca sentir ciúmes. Nunca mesmo.

-Então esse é o Yemen, certo?

-Yaten. – corrigiu Serena.

-Tanto faz...

-É, é ele mesmo. Adorável, não? – sorriu, um tanto cínica.

-Por que ele a chama de "cariño"?!

-Ah, não sei... É um apelido carinhoso. Somos amigos!

-Amigos? – ele se levantou e andou em direção dela, que estava encostada na mesa. –Amigos... Só amigos?... Ou amigos... – ele apoiou as mãos na mesa dela, uma mão em cada lado de seu corpo, prendendo-a os na mesa dela, prendendo o corpo feminino em sua fretnerente a sua mesa e tinha uma cara de poucos amigos. entre ele e a mesa de mogno. –... Como nós dois?

Ela fez um esforço sobre-humano para controlar as pernas.

-Como assim? Que tipo de amigos nós somos?

-Você sabe... – ele disse em seu ouvido. – Amigos que... Guardam fotos comprometedoras... Amigos que adivinham que pijama o outro está usando... Amigos um pouco mais... Íntimos...

-Nós somos esse tipo de amigos? – ela perguntou, enquanto amaldiçoava tudo que podia por ser tão fraca a ele.

-Não somos? – ele levou a mão esquerda à nuca dela e trouxe seu pescoço mais para perto dele, fazendo-a tombar a cabeça para trás de leve.

E mordeu a pele do pescoço delicado, sem nem um pingo de delicadeza, porém.

-D-darien. Isso não é hora nem local.

Ele não deu ouvidos a ela e continuou a passear com os lábios pelo pescoço, mordendo aqui e ali.

-Darien... Por favor...

-Você se lembra... Daquela vez no meu consultório?

Ela não respondeu. Primeiro por que não conseguia falar. Segundo porque lembrava, e ficara corada com a lembrança.

_-_-_-_

Ela abriu a porta lentamente e colocou a cabeça para dentro, espiando o consultório moderno. O viu falando no telefone com alguém, mexendo em alguns papéis.

-Isso é mais do que óbvio! Mas eu receio que essa não seja a melhor solução. Mande-o para um quarto e se fizerem qualquer objeção, diga que foi por ordem minha! ... Então diga ao departamento para checar os relatórios melhor da próxima vez! Eu dei claras ordens de que este paciente precisaria ocupar um quarto por 72 horas! – ela deu uma batidinha na porta para chamar a atenção dele. Ele a olhou, deu um sorriso bonito e mandou-a entrar com um movimento de mão. –Certo, me retorne qualquer coisa e se eu não estiver aqui, peça para a minha secretária anotar. E só me chame no celular se for urgente. Obrigado. – desligou o telefone e girou a cadeira, para receber a namorada, que parara perto da mesa dele.

-Problemas? – ela perguntou, sentando no colo dele, quando ele abriu os braços para que ela o fizesse.

-Não... Só um pequeno erro do sistema. Já resolvi.

-Você parecia zangado...

-Parecia? – ele brincou com seus cabelos e passou uma mão ao redor da cintura fina.

-Parecia... – ela olhou seu rosto. – Parecia um médico malvado.

Ele deu uma gargalhada.

-Eu vou ficar zangado se você não me der um beijo. – ele disse, ainda com um sorriso nos lábios. Ela abaixou a cabeça para beijá-lo.

Era pra ser um beijo curto e rápido, mas ele capturou sua nuca. E – definitivamente – não foi um beijo curto e rápido que saiu dali.

Ele se levantou da cadeira, obrigando-a a se levantar também. Com o próprio corpo, empurrou-a para cima da mesa, as mãos ocupadas em puxar uma das pernas dela para envolvê-lo pelo quadril, a outra lhe segurando pelas costas.

-Hm! – Serena se afastou do beijo dele para encontrar os olhos zangados de Darien pela interrupção. – E se alguém entrar?! – Perguntou, receosa, tentando normalizar a respiração e segurar o riso, ao mesmo tempo.

Ele pensou na possibilidade por alguns segundos.

-Espere só um minuto. – ele apertou a perna dela mais forte, apenas enquanto roubava-lhe mais um beijo dos lábios. Soltou-a, caminhou rápido até a porta e saiu, deixando-a sozinha na sala por alguns minutos.

Ela sorriu e mordeu o lábio inferior. Analisou sua situação: Estava sentada em cima da mesa dele, os cabelos um tanto desalinhados, a respiração acelerada. Os papéis da mesa se espalharam, e alguns objetos – como o porta-lápis – tombaram quando ele a colocou sobre a mesa. Ela ainda podia sentir a pressão da mão dele apertando sua perna esquerda.

E agora? Ela levantava? Ficava ali parada?

Antes que pudesse decidir, a porta se abriu e fechou rapidamente. Ela o viu caminhar em sua direção a passos largos e apressados, fazendo o jaleco branco esvoaçar.

Ele voltou para perto dela.

-Ninguém nos incomodará. – ele tomou os lábios dela novamente, voraz. A mão direita voltou a apertar a perna esquerda da loira com força.

-Ai... – ela reclamou, sem largar o pescoço dele.

-Você não disse que eu sou um médico malvado? Então...

Ela sorriu com a brincadeira e deixou-se levar pelos beijos ferozes dele novamente.

_-_-_-_

Ele conseguiu abraçá-la pela cintura, e mantinha o rosto escondido entre seus cabelos.

-Lembra ou não? – a voz saiu abafada pelos fios loiros.

-É, lembro. Mas isso não significa que tenha que virar costume. – ela tentava se esquivar dele delicadamente, embora fosse cada vez mais difícil:

Primeiro: Ele era muito forte!

Segundo: Ele era cheiroso e quentinho.

-Não vejo por que não... Quer dizer... Seu horário de trabalho já acabou, não é? E essa sala é sua. Você pode fazer o que bem entender aqui dentro.

-Não é bem assim que funciona, Darien. – ela aproveitou que ele afrouxou o abraço para encará-la com um olhar divertido e saiu da direção dos braços dele.

Ele apenas olhou-a, sentou-se na cadeira dela e cruzou os braços na frente do peito.

-Eu vou levar você para jantar. Foi esse o combinado.

-Eu sei. – ela arrumava um documento já muito bem arrumado no arquivo.

-Então vamos. Já está ficando tarde. – Ele se levantou e passou a mão pela camisa branca. – Você se importa que passemos no hotel onde estou hospedado? Quero tomar um banho... Fiz uma operação hoje.

Ela olhou para seu rosto e depois para suas mãos. Fez uma cara de desconforto e abriu a boca para falar:

-Oh, você mexeu em um cérebro hoje, não é?

Ele riu.

-Mexi. E jorrou sangue pelo chão todo, se você quer saber. Até acho que sujei meus sapatos. – ele disse, sorrindo, olhando a sola dos sapatos.

Serena fez uma cara de pânico e tratou de empurrá-lo para fora da sala, pegando a bolsa na mesa e examinando o estado do carpete branco antes de fechar a porta atrás de si.

-Certo, vamos passar no seu hotel antes.

-Okay, baby! – ele sorriu enquanto sentia as mãozinhas dela empurrando-o para fora do corredor impecavelmente limpo.

xXxXxXxXxXx

Ele parou o carro que alugara na frente do hotel e entregou as chaves para o chofer. Serena desceu, olhando para a rua, parecendo assustada.

-Algum problema, Usako? – ele perguntou ao vê-la olhar para os carros da rua.

-Não! Não, está tudo bem. –A voz dele de repente desviou sua atenção dos carros da rua.

Queria ter certeza que seu chefe não a seguira desta vez.

Os dois entraram no hotel e ela se viu, pela segunda vez, no saguão de entrada extenso, o chão de mármore luzindo à luz amarelada que vinha do teto.

Mas, para ele, aquela seria a primeira vez que ela estava ali. Então tratou de olhar o lugar como se não conhecesse.

-Você gosta? – ele perguntou após pegar as chaves de volta com o recepcionista.

-Sim, sim. É encantador.

Ele sorriu satisfeito e caminhou até o elevador, contando que ela iria atrás dele. Quando se virou e a viu parada olhando maravilhada para uma fonte de chocolate no bar, franziu o cenho.

-Usako. –chamou. Ela o olhou como se só naquele momento acordasse.

-Sim?

-Vamos. O elevador está aqui.

Ela o olhou por dois segundos e depois respondeu, balançando a mão no ar, como se o incentivasse a ir.

-Tudo bem, eu espero aqui embaixo. – sorriu de leve o voltou os olhos para a fonte de chocolate.

Darien viu algumas crianças se juntarem a ela na admiração pela fonte, fazendo a cena parecer, no mínimo, engraçada. Caminhou até ela e pegou sua mão, entrelaçando os dedos nos dela.

-Não, vamos os dois, eu posso demorar um pouco. –e puxou-a até onde estava antes.

Ela entrou no elevador e quando este começou a subir acompanhou com o olhar a fonte do doce pelas paredes de vidro da máquina panorâmica, até que uma parede se fez presente, assustando-a, fazendo-a soltar uma exclamação. Darien se permitiu dar uma risada fraca. Ela o olhou, parecendo desesperada.

-Eu quero um pouquinho daquilo... – gemeu para ele. A expressão frustrada no rosto dela fez com que ele alargasse o sorriso. Levantou seu rosto pelo queixo.

-Quando voltarmos, certo? – falou como um pai para uma filha.

Ela balançou a cabeça positivamente. Respirou fundo e pareceu não notar a mão ainda entrelaçada à dele.

Examinou a parede dourada que passava rápido pelas portas de vidro.

Olhou para o painel de botões e passou os dedos por eles, tendo o cuidado de não apertar nenhum.

Suspirou mais uma vez.

Olhou para os pés e começou a cantarolar uma música.

Olhou para o rosto dele e sorriu, recebendo um sorriso de volta.

-Não vai chegar nunca? – perguntou finalmente.

-Daqui a pouco. – ele respondeu olhando o painel que indicava em que andar estavam.

-Sete... Oito... Nove... – ela começou a contar, acompanhando os números vermelhos que mudavam.

-Chegamos... Cariño... – falou imitando a voz de Yaten. Ele saiu primeiro, obrigando-a a sair logo atrás dele, puxando-a pelas mãos ainda unidas.

Ela pareceu perceber só naquele momento, pois olhou pra as mãos de ambos parecendo surpresa. Darien não viu tal olhar, então ela decidiu fingir que ainda não havia percebido. Ele caminhou apressado por um longo corredor. Depois virou em outro corredor à direita. Depois virou em outro à esquerda.

-Se eu não estivesse com você, com certeza já teria me perdido. – ela disse, olhando para trás, as diversas portas sumindo enquanto ele virava em outro corredor.

-Chegamos. Ele parou e ela bateu o nariz nas costas dele com uma certa força. Afastou-se com uma expressão desgostosa e massageou o lugar atingido.

-Perdão, Usako! Você está bem? – ele se virou para ela e olhou-a um tanto preocupado.

-Estou, prossiga.

Ele enfiou o cartão magnético na porta, que fez um barulho eletrônico e destravou.

Ele empurrou a porta pesada e entrou com ela em seus calcanhares.

Agora, sim. Serena se impressionou. O quarto era extenso. À sua frente, uma grande mesa de vidro com um laptop repousando em cima, assim como alguns papéis. Logo ao lado da mesa, um sofá branco de aparência muito macia. Uma porta à sua direita deveria ser o quarto. À esquerda, uma varanda grande.

-Uau. –ela disse enquanto ele caminhava até o laptop e digitava qualquer coisa no teclado preto.

-Você gostou? – ele perguntou, curvado sobre a mesa.

-Sim... É quase um palacete... - Ela foi até a varanda e olhou a vista. –Estamos na cobertura, certo?

-Certo.

Ela analisou a piscina de tamanho médio que encontrou na varanda extensa. Tocou a água com os dedos e sorriu ao sentir a temperatura morna. Caminhou até a sala onde ele estava e não o viu.

-Darien?

-Estou aqui. - a voz dele soou longe. Ela olhou a direção do som e viu a porta ao lado do sofá semi-aberta.

Pensou em dar uma espiada, mas achou melhor não. Por precaução.

Analisou melhor o lugar: Ao fundo da sala, duas poltronas de aparência confortável jaziam sobre um tapete felpudo. Viradas para o grande aparelho de televisão que ocupava a maior parte da parede. As cortinas vermelhas que cobriam as janelas estavam fechadas. O lustre de porte médio estava aceso, e uma luz dourada iluminava o ambiente.

-Usako, pode me fazer um favor? – a voz dele soou de repente ás suas costas.

Ela virou-se despreocupada e a respiração falhou por um minuto.

Deu de cara com o peito desnudo dele ao virar-se.

Ela havia se esquecido da visão gloriosa que era a do seu abdômen.

-Favor... Claro... Pode ser... – ela tentou levantar o rosto para encontrar o dele.

-Ótimo. Pode vir aqui um segundo? – ele não esperou resposta e empurrou-a pelas costas até onde estivera um minuto atrás.

-Wou! – ouviu-a exclamar ao entrar em seu quarto. Ela virou-se para ele e o olhou com uma cara divertida.

-Posso saber pra quê diabos você precisa de uma cama king size, estando sozinho aqui?

-Quem sabe de repente eu arranje companhia? – ele falou sorrindo.

Ela teve dúvidas se ele estava falando dela.

Bom, era melhor que estivesse, em todo o caso.

-O que é que você quer que eu faça? – ela perguntou, sentando-se na beirada da cama, notando logo em seguida a maciez do colchão.

-Eu vou tomar um banho. Você poderia escolher uma camisa pra mim, por favor?

Ela o olhou surpresa.

-Eu? Por que eu?

-Eu confio no seu gosto. – ele piscou para ela e andou na direção do banheiro.

E ela se viu sozinha no quarto. Olhou para o guarda-roupa. Caminhou até lá e abriu as duas portas.

Imediatamente o perfume familiar invadiu seus sentidos, fazendo seu coração acelerar. Olhou para as diversas camisas penduradas por cabides. Abriu uma gaveta e sorriu ao localizar as camisas sem botões, todas enroladas uma ao lado da outra, metodicamente arrumadas.

Pegou a de cor preta. Em seguida tirou a jaqueta do armário. E já que estava ali, escolheu os sapatos e a calça que ele usaria.

Depois se jogou sentada na cama e sorriu como uma adolescente ao sentir o colchão impulsioná-la para cima novamente.

Ela colocou a mão direita sobre os lábios, como se estivesse se repreendendo por achar aquilo tão divertido.

Levantou-se, alisou a calça jeans com as mãos delicadas e olhou para a cama enorme.

A cortina presa ao teto logo acima da cama fazia o quarto majestoso. A televisão de porte médio parecia muito atraente naquele momento.

Pegou o controle remoto e apontou para o aparelho.

A imagem apareceu na tela grande: Brad Pitt suava na camisa branca suja de sangue.

Ela sorriu e se jogou novamente na cama, que a impulsionou de volta, fazendo-a soltar uma risada travessa.

Darien saiu do banheiro depois de algum tempo, já vestido com uma calça jeans.

Sem camisa.

Pegou a camisa preta que ela havia deixado estendida ao seu lado da cama.

-É esta aqui? – perguntou á jovem médica, que tentava se concentrar nos bíceps de Brad Pitt, e não nos bíceps do ex-namorado.

-É. Essa aí mesmo. Vista-a.

-Tem certeza? Não acha que está um pouco frio lá fora?

No momento em que falou isso, passou a mão nos cabelos, estranhamente sincronizado com o ator de Hollywood, que tirara a camisa rasgada.

Serena olhava de Darien para a televisão, e de volta.

E de volta.

-Serena? Está me ouvindo?

-Estou. Claro que estou. Por que não estaria?

-Não sei, você parecia um tanto... Distraída.

Ele notou o olhar dela. Segurou o riso e deixou a camisa de lado novamente.

-Sabe de uma coisa? – ele perguntou enquanto se sentava ao lado dela na cama.

-O que?

-Eu acho que nós não deveríamos sair mais.

Ela o olhou surpresa. Ao encontrar o peito dele, virou-se novamente para a televisão, onde Brad Pitt, desta vez, prensava a mocinha muito parecida com Jeniffer Aniston contra uma parede.

Isso não ajudava na sua situação.

Não mesmo.

-Porque veja só. – ele checou o relógio no pulso. –Já são quase dez horas. Está quase nevando. E eu não estou a fim de ficar no meio de um monte de gente em um restaurante, onde os garçons chatos ficam te empurrando um monte de coisas caras. – Ele deitou na cama macia e se apoiou em um cotovelo, ficando de lado. –E você?

-Na verdade. – ela estava sentada de costas para ele. E não movia um único músculo. A não ser, é claro, os lábios. – Eu acho essa idéia do restaurante bem legal agora. Quer dizer, é melhor do que ficarmos aqui.

-Você acha? Aquela fonte de chocolate lá embaixo agora me parece tão atraente... – o moreno proferiu a última frase como quem não quer nada.

Viu-a se virar para ele lentamente, e o sorriso que tanto amava se acender na face dela.

-Sério? Você acha?

-Eu acho. Que tal eu pedir um pouco pelo serviço de quarto?

-Ótimo! – ela disse empolgada. Tirou os sapatos e engatinhou até os travesseiros. Cobriu-se com o lençol e descansou a cabeça no travesseiro de penas. –Aproveite e peça também pipoca, que tal? Será que tem isso no cardápio?

-Eu posso providenciar. – ele observou-a se aninhar em sua cama com o coração aos pulos.

-Ah, que bom! Se puder, peça com manteiga, sim?

Era tão fácil seduzi-la... Era só oferecer alguns doces, falar com uma voz mansa e é claro...

Tirar a camisa.

Levantou-se da cama e caminhou até o telefone. Pelo espelho da parede oposta viu o olhar da loira grudado em suas costas.

Pediu duas taças de chocolate e com um pouco de esforço conseguiu a pipoca. Desligou o telefone e andou na direção dela, na cama.

-Consegui sua pipoca.

-Ah! – ela sorriu contente. –Com manteiga?

-Com manteiga.

-Oh! Que ótimo! Obrigada.

Ele olhou seu rosto contente e sentiu um calor no peito, apesar do frio que fazia no quarto.

-Você tem um sorriso lindo, Usako... – ele disse sorrindo leve, abaixado ao lado da cama.

Ela apenas o olhou parecendo inocente.

-Eu sei. Yaten me diz isso o tempo todo. Só que ele me chama de hermosa.

Ele se colocou de pé. Deu a volta na cama e deitou-se ao lado dela por cima do lençol, olhando pra cima.

-Hermosa? Ele te chama de hermosa?

O tom zangado em sua voz era mais evidente do que o loiro dos cabelos de Serena.

-Um-hum. O tempo todo.

Serena mordeu o lábio inferior, tentado conter as exclamações de felicidade ao ver o ciúme estampado na cara dele.

-O tempo todo? Você não disse que ele tinha uma namorada, Usako?

-Namorada? Não... – ele realmente tinha uma namorada, mas Darien não precisava saber disso.

-Mas você me disse, ao telefone, que ele levou a namorada quando foi apresentar você ao seu chefe.

-Ah! Aquela? Não... Era só um casinho passageiro. Já acabou faz tempo. – ela se remexeu debaixo do lençol. Estava lutando para não tirar a calça jeans. Estava realmente lhe incomodando.

-Mas... Ele não tem mais nada o que fazer, por que ficar perdendo tempo pra ficar te chamando de hermosa ou cariño ?

-Sim, mas nós temos trabalhado muito juntos. Então ele faz o possível pra ser carinhoso.

Ele virou o rosto para ela lentamente, adotando uma expressão assassina.

-Verdade? Ele é carinhoso?

-Bastante.

Os olhos azuis dele encararam os azuis dela.

-E tem um tom de voz incrível, na verdade.

Ele apenas respirou fundo e soltou o ar lentamente.

-Às vezes, quando ele não pode falar muito alto, ele chega perto de mim e... – ela chegou perto do ouvido dele – sussurra... – falou num fio de voz.

-Sussurra? – ele não virou o rosto. Ficou encarando o teto, travando uma batalha consigo mesmo para controlar os choques que a voz rouca de Serena o fez sentir. – Sussurra o que?

-Ah, você sabe... Coisas como o que você acabou de dizer... Que eu tenho um sorriso... Muy belo...

Ele agiu rápido. Tão rápido que ela não teve tempo de se preparar.

Jogou o próprio corpo por cima do dela, sem que se encostassem.

-E ele também sussurra que o seu cheiro o faz parar de pensar? – passou o nariz pelo contorno do pescoço dela, sem encostar – Ele sussurra que quando o seu cabelo faz o contorno do seu rosto, ele tem vontade de que todo o mundo desapareça, e que sejam só você e ele pra sempre?

Ela prendeu a respiração. Os fios molhados e gélidos do cabelo dele agora arrastavam por seu rosto, provocando reações esquisitas em seu corpo.

-Ele já sussurrou que todas as noites, lembra do gosto do seu beijo... E não consegue mais dormir... Ou trabalhar?

Ele levantou a cabeça para olhá-la. Desceu o rosto e parou. Nem um centímetro os separava.

Relaxou o corpo, deixando-se deitar por cima dela.

Mas não teve tempo de se mover mais nem um milímetro.

A campainha tocou.

-Opa! Serviço de quarto! – ela se mexeu embaixo dele, fazendo-o "cair" ao lado dela na cama. – Vá atender a porta. Eu realmente quero aquele chocolate. E a pipoca.

Ele se levantou com um sorriso sedutor no rosto.

Abriu a porta e encontrou a camareira com as mãos em um carrinho, onde duas bandejas cobertas jaziam impecáveis.

-Ah... É... O chocolate e a... Pipoca, senhor. Como pediu.

-Certo, obrigado. –ele pegou o carrinho que ela empurrou para dentro do quarto delicadamente. A moça murmurou um "Com licença", as bochechas muito vermelhas, virou as costas e saiu andando.

Ele entrou no quarto novamente, empurrando o carrinho com o pedido.

-Aqui está, Usako.

Ela tirou os olhos da tevê. Olhou para as bandejas cobertas e retirou a tampa redonda que protegia os alimentos.

O cheiro de pipoca quente surgiu no ar, fazendo-a sorrir e esfregar as duas mãos, como se fosse começar um trabalho pesado.

-E então. O que vai primeiro? A pipoca ou os chocolates?

A decisão era realmente difícil, Darien admitiu.

Duas enormes taças cheias de chocolate foram decoradas com morangos, as colheres douradas esperando para mergulharem no líquido morno.

E o recipiente que continha pipoca amanteigada quente quase implorava para ser devorado, o cheiro característico fazendo o estômago de ambos reclamarem a falta do alimento.

-Acho que a pipoca, senão esfria. Deixemos o chocolate como sobremesa.

Ele sentou-se ao lado dela na cama e ficou a observá-la.

Ela pegou a tigela de pipoca e trouxe para a cama, sorrindo.

Mas ela não o olhou mais. Grudou os olhos na televisão e não desviava nem que um gorila vestido de havaiana entrasse pela porta.

-Serena?- ele a chamou, sorrindo.

-Hm? – ela levou a mão cheia de pipoca quente à boca.

-Você não quer mudar de canal? Já me cansei de ver o Brad Pitt suar nessas camisas nojentas.

-Hmm... Na verdade não. Eu gosto. - Brad Pitt limpava os ferimentos do ambdômen à beira de um belíssimo rio, com a ajuda da mocinha. -Eu sempre gostei mais da Jeniffer... Olhe só! Esses dois são perfeitos um para o outro! Mas aquela maldita morena deu uma bela de uma rasteira na pebrezinha da Jen e olhe para eles... Separados... - Serena fechou os olhos como se lamentasse profundamente a separação do casal de atores. E levou outra mão cheia de pipoca até a boca.

E, de alguma forma, o trio -Brad, Jeniffer e Angelina - o fizeram lembrar dele, Serena e Rey. Olhou desconfortado para a tela da televisão.

-Tem certeza de que não quer mudar de canal? Não estou nem um pouquinho a fim de ficar vendo os músculos desse cara...

-Ah é? E o que você quer ver? – ela não desviou os olhos da TV.

-Ah não sei... Alguma coisa como a... Michelle Pfifer nadando na piscina de algum hotel... – ele disse como quem não quer nada, enchendo a mão de pipoca quente.

Aí sim. Ela desviou o olhar da tevê e o olhou com um sorriso debochado.

-Sério? Então tá... – ela apontou o controle remoto para o aparelho de televisão e ficou procurando um canal onde passasse qualquer coisa parecida com a descrição dada por ele.

-Ah! Isso aí é bem legal! – ele exclamou quando ela parou em um canal onde a Madonna se requebrava em cima de um palco, usando roupas mínimasxclamou quando ela parou em um canal onde a Madonna se requebrava em cima de umpalco, usando roupas insinuosas que ele pudesse . Ela largou o controle na cama e levou uma porção generosa de pipoca à boca. Depois olhou para a tela com cara de tédio.

-Eu realmente não sei o que ela tem demais. Quer dizer, olhe só para ela! - apontou para a cantora. - As pernas dela nem são lá essas coisas, Os ossos ficam quase rasgando a pele! E, minha nossa! Ela tem os dentes totalmente separados! Se fosse... Sei lá... A Jennifer Aniston eu até...

-Você me deixa tão feliz dizendo isso... - Ele a interrompeu.

Ela o olhou e o achou deitado, a mão direita cheia de pipoca, e esquerda buscando o controle remoto pelo colchão.

-Dizendo o que? Que eu acho a Madonna feia?

Ele devolveu a pipoca ao pote, desistiu de encontrar o controle remoto, levantou-se e olhou-a nos olhos.

-Você está com ciúmes.

Ela elevou as sobrancelhas.

-De quem? Da Madonna? Ora, por favor, Darien.

-Não... Não da Madonna. - Ele finalmente achou o controle e mudou de canal. Uma mulher ruiva apresentava um tele-jornal, vestida em um terninho rosa-bebê. - Oh! Esta é ótima também! Não acha?

-Definitivamente não! Ela parece um cabide de peruca...

-E que tal essa? Mulheres do tempo geralmente são lindas... Eu gosto...

-Ela estuda o tempo! Pra que tem que ficar usando essas mini-saias curtas?

Ele desligou a televisão.

-Você está com ciúmes.

-Claro que não estou com ciúmes, por favor!

-Está sim. – ele fechou os olhos e respirou fundo. Agora que parava pra pensar, estava se sentindo um pouco cansado.

-E você está com ciúmes do Yaten, ora.

-Hmm, estou. Eu já o odeio.

Ela ficou calada por um minuto.

-Eu não odeio a Madonna.

Ele riu, os olhos ainda fechados.

-Está cansado? – ela perguntou quando percebeu seus olhos fechados, a respiração regularizando e ficando cada vez mais lenta e ritmada.

-Hm-Hum... Você não está?

-Um pouco. Mas eu não fiz uma operação hoje, isso deve ser cansativo.

-É, bastante cansativo.

Ele se virou de lado e acabou com o braço ao redor do corpo dela.

-Se importa se eu descansar por cinco minutos?

-Hm, não, claro que não. Se você quiser, eu posso ir, e você pode descansar sossegado. – ela começou a se levantar da cama.

-Não, não. São só cinco minutos. Você pode assistir a um filme, depois nós podemos pensar em algo pra fazer. – ele falou com certa dificuldade, o sono chegando rápido. – Certo?

Ela não respondeu, só relaxou e olhou para ele. Deveria estar mesmo cansado. A expressão de seu rosto denunciava que o sono chegara e se instalara mais rápido do que ele previra, a respiração longa e compassada fazendo seus próprios olhos pesarem.

"Talvez não seja má idéia. Cinco minutos me fariam bem também. Talvez dez, ou então vinte."

Aconchegou-se ao lado dele e fechou os olhos, deixando o corpo relaxar.

A próxima coisa que percebeu foi ele voltando para o seu lado na cama, o quarto de repente escuro. O relógio na cabeceira marcava 4:12 da manhã. Sua cala jeans havia sumido, e o braço dele a apertava contra o próprio corpo, embaixo do pesado edredom.

-Mais dez minutos? – ele perguntou, sonolento.

-Dez minutos. – concordou e fechou os olhos novamente.

E ambos voltaram ao sono pesado.

Uh! Supresa! xD

Juro, nem eu sabia que ia postar hoje! Resolvi dar uma olhada no capítulo, ver como estava, e achei esse esboço de 22 páginas!

Não é exatamente o que eu queria, e sinceramente acho que poderia ter sido muito, muito melhor, mas estou a tampo tempo se atualizar, que dei de ombros e terminei.

Estou saindo de viagem hoje, então eu não sei quando vou dar notícias de novo. Espero que em breve, de verdade!

Reviews, everybody! E obrigada por tantas reviews pedindo continuação e pela paciência de todas!

Feliz Natal e um Lindo Ano Novo!

Nat'