N/A: Capítulo 11. Simplesmente um dos mais difíceis de escrever, espero que gostem.
OBS: Para total absorção do capítulo, quando aparecer o número 1 coloquem para tocar no seu player a música: Por uma Cabeza – Carlos Gardel (tango do filme perfume de mulher).
Aos passos de uma dança
Os dias passaram rápido. Já era véspera do baile e todos estavam muito ansiosos. Até o próprio Führer disse que iria naquele ano, pois o tradicional baile de máscaras estaria completando 100 anos e a edição daquela vez seria muito mais sofisticada.
Eram nove horas, todos estavam trabalhando, queriam acabar logo para se preocuparem com os detalhes do baile. No QG não se falava outra coisa, todo mundo queria saber se o outro já tinha um par e até que marca de vestido ou terno iriam vestir.
Na sala do Coronel Mustang não era diferente. A conversa entre os subordinados era mais ou menos essa:
- Pretendo levar minha nova namorada, ela é tão linda...
- Ah Havoc, por isso que você melhorou tão rápido, quem é a garota?
- Não te interessa Breda, eu quero fazer surpresa.
- Você também?
- Porque "eu também" Breda?
- Ué, o verdadeiro par da Primeira Tenente também quer fazer surpresa...
- O que tem a Primeira Tenente? – Roy apareceu de repente ao lado deles.
- Nada Coronel! Apenas estamos comentando sobre... O par dela.
- Ué Fallman, eu sou o par dela.
- Mas, tem o admirador não tem?
- É, mas... Eu vou ser o par dela até que o cara apareça.
- Hum, mas senhor, com quem você vai ficar depois que a Primeira Tenente encontrar o par dela?
- Ah Fury... – Roy não tinha pensado nesse detalhe, e a pior coisa para um Coronel num baile chique era aparecer sozinho, o que os outros iriam pensar dele? Mas ele não queria chamar outra pessoa, ele só queria ir com Riza, e além disso o baile era de máscaras, era só ele ir embora antes do fim.
- OLÁ FUTUROS DANÇARINOS – Hughes entrou sorrindo e saltitando pela sala. Todos os olharam como se ele fosse um louco varrido, e era.
- Oi Hughes. – Roy disse meio desanimado.
- E aí Roy? Já adiantaram o serviço? Não querem ficar fazendo hora extra um dia antes do baile não é... – Ele estava extremamente animado.
- De forma alguma. Já temos muita coisa adiantada.
- Entendo. E vem aqui...
Hughes puxou Roy e disse:
- Hoje a noite a Gracia quer dar um jantar, apareça lá ás 20.
- Mas...
- Mas nada! Você tem que ir, senão ela vai ficar muito desapontada, já achou até aquela receita de lombo recheado que você tanto gosta.
- Seu chantagista, eu amo lombo recheado.
- Então apareça por lá, senão amanhã vou aparecer com lombo recheado para o almoço, e não vou dividir.
- E quem disse que eu vou querer?
- Não vai? Então eu vou ligar para a Gracia fazer outra receita e...
- NÃO, OK! EU VOU!
- Sabia que podia contar com você... – Hughes deu um sorriso cínico e Roy o olhou sarcasticamente, então sussurrou:
- E sobre aquele assunto?
- Ah, eu te falo hoje á noite tudo o que eu planejei.
- Agora você está mais do que certo que eu vou aparecer por lá. – Roy deu uma olhada na mesa vazia de Riza, ele não tinha á visto naquele dia ainda.
- Que bom que vai Mustang! Opa, ela chegou! Primeeiraa Teneeeenteeee!!
Riza tinha acabado de entrar na sala, estava voltando de uma de suas aulas de demonstração de tiro para os estudantes da academia, ainda não tinha falado com Roy, pois quando ele chegou, ela já havia saído para a demonstração...
- Olá Senhor Hughes, como vai?
- Ótimo! – Ele caminhou até Riza e disse:
- Quero que vá ao nosso jantar hoje á noite, Gracia quer muito que você vá... Ela adorou sua presença aquele dia na loja e vai ficar muito triste se você não for... Ela até pegou a receita daquela comida que você gosta... Como é mesmo... Lombo recheado.
- Er, é meio em cima da hora... Mas como ela já está se esforçando tanto, não custa eu arrumar um tempinho.
- Que bom! Às 20 esteja lá...! – "Como é fácil chantagear os outros pelo estômago!"
Roy tinha ido se sentar, mas agora que Riza tinha chegado à sala ele a estava olhando fixamente, queria muito falar com ela. Hughes não percebeu a atitude do amigo e continuou conversando com a Primeira Tenente.
- Ah, e á propósito Hawkeye, já viu as fotos da Elisia tomando chá com as bonecas?
- Er, presumo que não.
- AH, então veeeja!! – Hughes tirou uma carteira do bolso e uma das repartições se dividiu em vinte, cada uma com uma foto de Elisia, então ele continuou:
- Tirei folga ontem á tarde e resolvi bater algumas fotos dela, sabe como é, cresce tão rápido e bla bla bla...
Riza não sabia que comentário fazer, ela não estava acostumada com esse tipo de abordagem extremamente emocional. Roy percebendo o desconforto dela disse:
- Primeira Tenente, venha me explicar uma coisa sobre esse laudo agora!
Ela murmurou um "com licença" para Hughes e foi imediatamente até a mesa de Roy, então ele fez um sinal para que ela se aproximasse, e sussurrou:
- Ás vezes ele não se toca mesmo.
Ela sorriu e disse:
- Obrigada.
As mãos de Riza estavam sobre a mesa, então Roy deslizou suas mãos para cima das dela, as segurou e disse:
- Espero que a minha futura... Companheira de baile não tenha desistido.
- De forma alguma senhor. Não depois de o senhor ter me pagado o vestido e entregado em casa. – Ela deu um sorriso.
- Era o mínimo que eu podia fazer, por tanta dedicação. – Ele a encarou profundamente.
Riza corou um pouco, ainda não tinha se acostumado com os elogios que recebia dele. Ela sabia que eram elogiozinhos bobinhos, mas seu coração batia acelerado quando Roy dizia algo do tipo para ela.
O resto do dia passou normalmente, Roy não queria deixar Riza pensando que ele era um galanteador de primeira classe (embora ela já pensasse isso, e ele já fosse um) portanto não disse mais nada que não fosse estritamente profissional.
Naquele dia o expediente acabou ás 18 e meia, tinham conseguido adiantar bastante trabalho durante o dia, e as horas extras dos outros dias tinham colaborado muito.
Riza e Roy eram sempre os últimos a sair da sala, afinal eram os encarregados de cuidar dos relatórios, laudos e tudo o que fosse documento militar ali. Estava tudo silencioso e só se ouvia o farfalhar dos papéis e os passos de cada um. Então ele decidiu dizer algo:
- Hey Primeira Tenente.
- Sim Coronel.
- Bem, você vai ao jantar do Hughes não é...
- Sim senhor, o senhor também foi convidado não é?
- È! E eu estava pensando, já que eu vou e você também vai... Você não... Você não quer que eu te pegue na sua casa? – Ele falou essa última frase rapidamente, e por incrível que pareça, estava morrendo de vergonha.
- Ah – Ela se surpreendeu com o pedido, é claro que ela gostaria de ir com ele, então num impulso ela respondeu:
- Claro que sim! Eu adoraria ir com você!
Dessa vez quem se surpreendeu era ele, ela tinha aceitado de primeira? Ele não tinha levado um tiro? Mas Roy não estava reclamando afinal era exatamente essa resposta que ele queria ouvir.
- Ótimo! Então ás 20 eu estarei lá.
- Ãnh, certo. – Riza estava inconformada com o seu impulso, ela tinha aceitado sem nem pensar nos prós e contras, dessa vez o seu inconsciente tinha falado mais alto e ela não estava acostumada com isso, sempre tinha se controlado muito bem diante do Coronel.
- Bom, eu já vou indo... Quer carona?
- Clar... Não precisa Coronel, minha casa é mais longe que a sua.
- Não tem problema, eu te levo... Ir andando vai te deixar cansada demais.
- Mas eu sempre andei até lá, é minha caminhada.
Ele a olhou de cima á baixo enquanto pensava "Bah...Como se ela precisasse de exercício", então rapidamente pensou num jeito de acompanhá-la:
- Já sei! Eu vou andando com você, também preciso caminhar e uma moça como você não pode andar sozinha pela cidade ao anoitecer.
Aquela havia sido a pior justificativa que ela já tinha ouvido, de todas as mulheres da central, ela era uma das que mais sabia se defender... Roy percebendo o péssimo argumento que tinha dado tentou consertar:
- Okey, você sabe se defender, mas ultimamente eu só tenho andado de carro, eu quero andar um pouco, tomar ar...
- Entendo... Então vamos. – Ela foi saindo da sala o abandonando.
Percebendo que estava sendo deixado para trás, Roy imediatamente deixou a chave do carro em cima da mesa e saiu correndo atrás de Riza.
Saíram do QG juntos, estava meio frio e o casaco da farda não era algo útil o suficiente para protegê-los do frio. Roy estava com o sobretudo negro nas mãos, já Riza não tinha nenhum casaco que pudesse colocar. Ele percebeu que ela estava passando frio, então disse:
- Er, Riza, está com frio?
Ela olhou para ele e arqueou uma das sobrancelhas, depois voltou a olhar para frente. Ele não havia entendido direito, mas pensou que aquilo fosse um sim já que ela estava encolhida e seus braços se seguravam.
- Pode ficar com o meu casaco, eu não estou com frio.
Sem nem ouvir uma resposta ele colocou o casaco nos ombros dela, ela parou por um instante e murmurou "obrigada". Riza estava perplexa, o casaco dele era tão... Quente, e tinha o cheiro dele, assim como o quepe que ela guardava em seu armário.
Caminharam sem dizer nada, ás vezes ele a olhava pelo canto do olho, ela estava linda no casaco preto. Como ele queria tirar uma foto dela daquela forma. Já Riza ficava acarinhando o casaco e de vez em quando dava uma olhada em Roy.
Chegaram á casa dele, que era mais perto do QG. Ele já ia subir quando ela disse:
- Espere, o seu casaco. – Ela já estava tirando quando ele respondeu:
- Não precisa, você me entrega quando eu for te buscar mais tarde.
Roy desceu o degrau da escada que levava ao piso superior onde haviam os apartamentos, foi até Riza e colocou as mãos em seus ombros, lhe deu um beijo no rosto e arrumou o casaco nos ombros dela.
- Pronto, assim o casaco fica melhor. Boa noite Riza.
- Boa noite Coronel.
- Coronel?
- Boa noite Roy.
- Assim está melhor. – Ele deu um daqueles sorrisos que faz até defunto suspirar e subiu as escadas deixando uma Riza completamente atordoada na calçada. Ela tocou o rosto no lugar que ele havia beijado, ela amava e odiava quando ele fazia esse tipo de coisa. Odiava porque ela sempre ficava parecendo uma tonta quando ele fazia isso e amava porque simplesmente amava tudo nele, até a forma que ele fazia esse tipo de coisa.
Quando chegou em casa ela colocou o casaco no guarda roupa, tirou a farda e foi tomar um banho para relaxar. Depois foi colocar comida para Hayate, Fury tinha passado e o levado para passear ou algo do tipo e quando voltasse era certeza que o mascote estaria faminto. Depois ela foi ver o que poderia vestir.
Enquanto isso Roy já tinha tomado banho e havia colocado uma calça cinza escuro quase preta, uma blusa social branca de manga comprida, sapatos marrom, um colete cáqui e uma gravata da mesma cor da calça. Dessa vez ele decidiu não usar gel. Olhou para o relógio, eram 19:45.
Riza decidiu vestir uma blusa de gola alta preta, um casaco cinza, uma saia vinho escuro e scarpins (scarpans) marrom escuro. Fez um coque clássico no cabelo e foi pegar o casaco de Roy, não que ela quisesse devolver.
Ás 20 horas ele chegou ao apartamento dela, decidiu subir já que não havia nenhum porteiro para avisá-la e se ele buzinasse poderia acordar alguém.
Riza estava sentada no sofá esperando Roy chegar, eram 20 horas. De repente aquela voz forte disse através da porta:
- Riza, sou eu, Roy! Riza!
Não havia dúvidas que era ele. Riza levantou e abriu a porta, ambos se surpreenderam com a beleza um do outro. Ele estava incrivelmente sexy com aquele colete e ela estava atraente demais naquela saia; (Obs: o comprimento da saia vai até um pouco abaixo da batata da perna e um dos lados é aberto até a coxa).
- Uau, você está muito... Diferente. (era uma das poucas coisas que veio além de gostosa ou algo do tipo).
- Ah, obrigada Coronel.
- Coronel?
- Roy.
- Hehe, vamos indo, Hughes vai surtar se nos atrasarmos muito.
- Com certeza. Espera um pouco, eu vou pegar o seu casaco.
Ela entrou rapidamente e recolheu o casaco que estava em cima do sofá.
A viagem não demorou muito e o diálogo entre eles não foi muito produtivo, só conversaram sobre o trânsito que estava ficando cada vez pior. Ao chegarem na casa de Hughes perceberam que não eram os únicos que haviam sido convidados, havia mais três carros em frente á casa e um jazz animado tocava lá dentro.
Ao chegarem na porta Roy bateu discretamente, e Riza apertou a campainha. Então um Hughes extremamente animado apareceu e deu boas vindas ao casal:
- Oi!! Que bom que vieram! Entrem!! A festa está ótima! Gracia! Coloca mais dois pratos na mesa, o Roy e a Riza chegaram!
Hughes pegou a mão de cada um e foi os arrastando até a sala principal, onde havia três homens tocando piano, violino e trompete. E três casais estavam sentados á mesa conversando. Quando viram Roy e Riza pararam imediatamente e esperaram que Hughes fosse os apresentando:
- Roy, Riza, esse é o General Horms do Sul e a sua esposa Amélia, aqueles são o Doutor Morris e sua esposa Doutora Lúcia, e aqueles são a Generala Roz e seu marido Coronel Yan.
Roy e Riza acenaram para todos, até que Hughes disse:
- E esses são o Coronel Mustang e sua subordinada e Primeira Tenente Riza Hawkeye.
- Coronel Mustang? O herói de Ishbal? Prazer em conhecê-lo! – Um homem de meia idade apresentado como Doutor Morris se levantou e cumprimentou Roy, os outros fizeram o mesmo. Riza saiu dali e foi cumprimentar Gracia que estava ajustando os últimos detalhes da comida a ser servida.
A noite começou a passar rápido, já eram 22 horas e todos continuavam conversando animadamente. As mulheres conversavam sobre seus casamentos e os homens sobre a última corrida de cavalos. Riza e Roy não sabiam muito sobre os assuntos, uma vez que ele não gostava de corridas e ela nunca havia se casado. Um estava de costas para o outro.
- O Horms vive roncando á noite. Tem vez que eu não consigo dormir e vou dormir no quarto das minhas filhas.
- Ah Amélia, o meu Morris vive acordando toda noite para comer algo, ele passou essa mania ao nosso filho que hoje já tem quinze anos.
- Hahaha, o Hughes está com a mania de viver tirando fotos da Elisia durante as folgas.
- O Roz está entrando na crise dos cinqüenta, ele faz de tudo para arranjar um tempo para ir á alguma corrida com os nossos filhos, uma vez que eles já tem quase 13 anos.
- A senhora teve gêmeos?
- Sim Riza... É realmente trabalhoso ter que cuidar daquela dupla, mas me diga, você é casada ou tem filhos?
- Não...
- Está namorando?
- Não... Não tenho muito tempo pra isso.
- Ah querida, você não pode dedicar toda a sua vida ao trabalho, nós mesmas temos muita coisa a fazer e nossos maridos também, mas mesmo assim sempre arranjamos um tempinho.
- É, eu sei... Eu tenho um cachorro.
- Um cachorro? Já é o começo. Você é nova não é?
- Sim, tenho 21...
- Ah, que idade maravilhosa, nessa época eu e o Morris nos conhecemos. E a propósito, você tem o Mustang não tem?
- Er... – Riza engasgou com o suco que estava tomando, depois de uns leves tapas nas costas prosseguiu – Não, eu e o Coronel não temos nada demais, somos apenas amigos.
- Hum, que pena, vocês formam um casal bonitinho. Até lembram eu e o Yan quando éramos jovens. Invista nesse Coronel querida, ele parece ser um bom partido.
Hughes estava observando a conversa e pediu para que a mini orquestra tocasse um tango, então disse:
- Vamos dançar! A noite está linda!
Depois ele sussurou algo para o General Horms, este levantou-se e sentou-se perto de Roy:
- Olá.
- Oi, ótima festa não.
- Sim, não vai dançar rapaz?
- Não, eu não tenho par.
- E aquela linda jovem que veio com você? Aposto que quer chamá-la para dançar.
- Bem, eu não sei se ela vai aceitar.
- Só vai saber tentando não é... Vá lá... – O general levantou e foi dançar com sua esposa.
Hughes chegou perto de Roy e disse:
- Essa é sua chance garanhão, chame-a para dançar. – Ele só disse isso e foi dançar com Gracia.
Roy se levantou e foi perto de Riza, ela o olhou meio que desconfiada, então ele disse:
- Er, Riza, eu sei que não tem muito a ver mas... Você gosta de dançar?
- Se eu gosto? Sim. Mas é que eu não sei dançar.
- Isso não é problema, minha mãe era professora de dança, eu posso te ensinar.
- Eu tenho medo... De errar.
- Não se erra no tango. E eu duvido que não exista ai dentro de você uma verdadeira dançarina de tango, dá pra ver nos seus olhos que você ta morrendo de vontade de ir lá.
- Roy, não... Eu vou errar.
- Não vai não! Eu vou te ajudar! Vem! Onde está aquela mulher decidida e forte que eu conheço? Vem, pega minha mão, dança comigo.
Ele estendeu a mão, e após hesitar um pouco ela finalmente cedeu, tirou o casaco e juntos foram até a pista de dança. 1
Chegando á pista, Roy puxou a mão esquerda de Riza para seu ombro e colocou a própria mão esquerda nas costas dela, as mãos direitas que estavam livres se seguraram.
Os passos foram se alternando e rapidamente os dois estavam no meio da pista, Roy a girou e continuaram a dançar normalmente, dois pra lá, dois pra cá.
Ele segurou a cintura dela e a levou para a esquerda, depois a puxou novamente para a posição inicial, continuaram dançando com os passos alternados, juntos davam algumas voltas na pista, até que ele a segurou em seu braço e a desceu, depois puxou novamente, ela sorriu, ele retribuiu com aquele sorriso matador. E continuaram dançando, ela estava olhando fixamente para os passos dele, então ele disse:
- Não se preocupe, olhe pra mim, não para os meus sapatos.
Ela levantou o olhar, e os dois se aproximaram um pouco, um olhando nos olhos do outro, o refrão da música chegou e Roy com um gesto rápido conduziu Riza para longe e depois a puxou para perto dele novamente, os rostos praticamente colados, passos rápidos foram introduzidos, a música os contagiava. Roy a girou e a conduziu para longe novamente, depois a puxou até ele e deram várias voltas juntos pelo salão. Ele a desceu novamente e puxou para bem perto dele, os olhos se encarando, os corpos dançando graciosamente.
Nem perceberam que os outros casais haviam parado para observar maravilhados á dança espetacular dos dois. Hughes sorria feliz para o resultado do seu jantar.
Enquanto isso os dois continuavam nos seus passos de dança extremamente interados, Roy a guiava e iam e voltavam pelo salão, ele a segurou por trás, os braços se enlaçando e os pés num ritmo acelerado. Ele a rodopiou e a puxou para perto dele novamente, mas dessa vez os rostos só não se aproximaram como as bochechas se tocaram, ele prensou Riza contra o corpo dele e sussurrou no ouvido dela:
- Você me disse que não sabia dançar.
Ela sentiu um arrepio, mas não resistiu e rebateu no ouvido dele:
- Eu não sei mesmo... O professor que é muito bom.
Ele deu um sorriso e a girou, depois a prensou contra ele novamente e a levou até o chão, levantou Riza em um puxão rápido que fez o coque da cabeça dela se soltar um pouco, ela riu, ele também. Então os passos foram cessando, e ele fez o último rodopio nela e acabaram na pose clássica. As testas coladas, as mãos direitas levantadas para cima, enquanto as esquerdas continuavam no mesmo lugar que tinham começado, uma das pernas dela enganchando no corpo dele.
De repente vieram as palmas e só então eles perceberam que estavam sendo assistidos todo aquele tempo. Ambos coraram muito. A Generala Roz foi a primeira a dizer algo:
- Nossa, vocês até me deixaram emocionada, dançaram de uma forma tão... Profunda!
- Realmente foi um espetáculo. – Disse o General Horms mexendo no bigode.
E todos os elogiaram, até que Hughes soltou a pérola:
- Até parecia que estavam apaixonados... – Então ele deu aquele sorriso cínico.
Roy olhou Hughes com aquele olhar "Te mato na saída" e Riza ficou meio que... Paralisada.
Para quebrar o clima o Doutor Morris disse:
- ENTÃO, estou morrendo de fome!
- Ótimo! A comida já esta nos esperando! – Disse Gracia.
Todos ficaram com água na boca quando olharam aquela mesa repleta de assados e tortas tanto salgadas quanto doces. Também havia champagne e vinho. A mesa era comprida e tinha uma toalha vinho com detalhes prata.
Hughes se sentou numa ponta e Gracia se sentou á sua direita, Riza se sentou ao lado dela. Roy se sentou á esquerda de Hughes, ele estava de frente com Gracia.
O jantar foi tranqüilo, todos conversaram, comeram e beberam, Roy sempre que podia olhava Riza e vice-versa. Hughes percebendo que os dois não paravam de dar olhadas um para o outro disse:
- Pessoal, se vocês quiserem podem ir ali fora tomar um ar, está meio abafado aqui dentro.
Roy não havia se tocado e continuava devorando o lombo recheado, então Hughes deu um chute nele, Roy olhou imediatamente com aquela cara "Isso doeu retardado!", então Hughes apontou a cabeça para Riza e para a porta da frente.
- Está com torcicolo querido?
- Não amor, foi só um pequeno mau jeito, já passou.
Hughes continuou fazendo o sinal até que Roy se tocou e disse:
- Preciso ir lá fora tomar um pouco de ar, ah, esqueci minhas luvas no carro.
- Acho que eu posso ir com você. – Riza meio que fez um sinal com a mão que lembrava á uma arma, então Roy disse:
- Ótimo! Então vamos. – Ele sabia que se dissesse que estava desprotegido e queria ir lá fora, Riza faria menção em acompanhá-lo.
Saíram discretamente da sala de jantar e seguiram para o carro, no caminho ele disse:
- Você é uma mentirosa. – Ela o olhou surpresa e disse;
- Como assim? Porque??
- Você me disse que não sabia dançar. – Ela soltou um suspiro de alívio e murmurou "Mas eu não sei mesmo". Ele aproveitando essa brecha chegou bem perto dela e a prensou contra o carro.
Riza não teve reação, ficou olhando para o rosto dele. Roy se aproximou e sussurou no ouvido dela:
- Você é a dançarina mais linda que eu já vi... – Dizendo isso ele tirou o coque dela e os cabelos loiros caíram graciosamente pelas costas.
- Gosto deles soltos.
- Roy, pára com isso.
Ele até pretendia, mas não conseguia, o impulso falava mais alto do que a razão.
- Não posso parar. Eu sei que você quer...
Ela o encarou surpresa, ele colocou a mão na nuca dela e num puxão os rostos já estavam separados por milímetros. Ele pegou as mãos dela e as colocou no ombro dele. Nenhum dos dois queria parar. Foram se aproximando, aproximando até que os lábios se tocaram e aquele arrepio na espinha apareceu, ele a puxava para perto de si e o beijo dos dois ia ficando cada vez mais consumido pelo inconsciente, tudo que eles sempre desejaram todos aqueles anos era isso.
Soltaram-se por um instante, ela ainda não estava acreditando no que estava acontecendo, ele também sabia que tinha feito burrada, mas não queria parar, não agora que tinha ido tão longe. Mas dessa vez a razão falou mais alto, se eles fossem mais longe o plano que ele e Hughes tinham tramado iria por água abaixo e talvez ela nunca mais olhasse na cara dele. Então com muito pesar ele baixou o olhar e disse:
- Desculpe. Pode me estapear, me xingar, eu mereço.
- Não... Eu que me deixei levar... Não foi culpa sua.
- Mas também não foi sua.
Os dois olharam para o chão, então ela disse:
- Acho que podemos repartir a culpa.
- Sim... – Ele deu um sorriso amarelo e perguntou o que mais estava o incomodando - Mas, você ainda vai comigo ao baile não é?
- Eu preciso conhecer esse homem que diz gostar de mim.
- Ah... Sim. – Ele abaixou o olhar. – Quer ir embora? Acho que não tem mais clima para ficarmos aqui...
- Seria uma boa idéia. – Os dois entraram na casa de Hughes e se despediram de todos. Então Hughes perguntou:
- Roy, o que aconteceu? Vocês dois estão estranhos.
- Eu a beijei...
- O quê? Como assim você a beijou? Mustang, e o nosso plano?
- O impulso falou mais alto, depois do tango e tudo o mais, não deu pra me segurar.
- O que você falou para ela?
- Pedi desculpas, ela também pediu.
- Hum, ela vai amanhã ao baile com você?
- Ela disse que sim.
- Então não tem problema, vamos considerar como um detalhe. Agora a leve para casa.
- Claro, não tem mais jeito de ficar aqui.
- Certo, vai lá... Amanhã a gente se vê.
- Até Hughes.
Roy acabou de se despedir e foi saindo da casa. Riza já estava o esperando dentro do carro.
Durante o trajeto não haviam dito nada um para o outro, o clima estava muito pesado, era como se eles quisessem dizer mil coisas um para o outro e não pudessem... E queriam, mas não conseguiam dizer nada.
Roy a deixou no apto dela e a viu subir as escadas, depois foi para casa, onde tomou uma ducha fria e foi direto para a cama, tentar dormir. Não parava de pensar no que havia acontecido.
Riza também não conseguia parar de pensar naquele beijo, havia sido algo tão espontâneo, tão real, tão inacreditável. Ela não conseguia acreditar que eles tinham se beijado, que tinham dançado juntos! Queria pensar em como falaria com ele agora sem pensar naqueles momentos... E além disso, agora, mais do que nunca, ela tinha certeza que o amava.
A noite não foi fácil para nenhum dos dois, ambos mergulhados em seus pensamentos e filosofias. Mas o dia logo viria, e com ele todas as grandes surpresas.
N/A: Isso aí pessoal, esse foi um dos capítulos mais difíceis para escrever, mas acho que valeu a pena, agora é só esperar pelo último e decisivo capítulo, com direito á revelação do nosso misterioso admirador.
Outras sugestões de músicas para se ouvir lendo fics românticas:
Live Forever – Oasis / Talk About it – Eman (trilha sonora internacional de malhação)/ John Lennon – Jealous Guy / Last Song - Gackt / Brothers - Full Metal Alchemist / Eu que não amo você – Engenheiros do Hawaii / Preciso Dizer que te amo – Cazuza / Blue Bird – Naruto / Ten Ten's Theme – Naruto / Jaded – Aerosmith / Shadow of the Day – Linkin Park / All Good Thing come to an End – Nelly Furtado / Coisas Que eu sei – Danni Carlos / Someday – Nickelback / Hey Jude – The beatles / Life is Like a Boat – Bleach / entre outras (w)
Geralmente eu ouço as músicas acima para escrever as fics… Não tem nada de metal ou coisa do tipo, são músicas mais... calminhas.
Deixem reviews (comentários)! (Não sabe como? Só apertar em submit review ali embaixo e deixar seu comentário).
Como eu sei que a Riza tem 21 anos? A teoria está na minha short fic One Piece of Peace. w
Beijoos, e obrigada por lereem!
