Galera, não vou começar exatamente de onde parei no outro cap. mas já já vocês chegam na última parte do capitulo anterior.

Esse era pra ser o último, mas como eu ainda tenho que escrever algumas coisas, explicar algumas coisas etc, eu dividi em duas partes. Principalmente, é claro, por causa de algumas reclamações que andei recebendo por não postar logo. Enquanto a outra não vem, vocês vão ficar com essa aqui. A próxima parte, que eu já comecei, vem até o fim do mês.

Fiquem atentos porque muita coisa acontece nesse capitulo ao mesmo tempo e é um pouco difícil mostrar como as coisas estão se desenrolando simultaneamente. Mas, vocês vão entender melhor depois quando eu postar mais.

Divirtam-se com o capitulo mais pesado de todos.

Segurem-se nas suas cadeiras e BOA LEITURA!

PARTE 84 – NAHUEL

Eu não pretendia vê-la tão cedo ali no hotel, mas fiquei feliz. Era tão bom tê-la por perto, mesmo...sendo errado. Acho que não é o comportamento ideal, no caso, uma mulher correndo atrás de um homem, mas...quem ligaria para isso agora? Acho que eu sempre vou me prender as noções dos séculos passados. Ser cavalheiro, cortejar, coisas que hoje soam quase como breguice. De qualquer forma, era bom ser testado e tentado assim. Poucas mulheres tiveram tal ousadia. Linda ousadia por sinal.

A velhice chega para todos, até para os vampiros. Pode parecer que não, mas vampiros também podem se sentir ultrapassados. Quando eu estava com a Leah eu me sentia velho. Ela era tão forte e ligada no mundo ao seu redor que era impossível não ver as qualidades que eu admirava nela. Ela era jovial em seu jeito rude de ser e eu mais merecia estar em um antiquário. Até mesmo a minha forma de amar parecia ser algo antigo. Eu estava acostumado a controlar a situação, a ser intenso, a amar mais, a ceder, a fazer as vontades femininas. Pela primeira vez, eu não precisava fazer nada para agradar. Leah não se importava com nada vindo de mim, ela só queria estar perto de mim e fazia de tudo para isso. Era um amor novo e independente. Assustador, mas muito real.

- Trouxe pão australiano. Você gosta, Nahuel?

- Você tem prestado muita atenção em mim...

- Por que? Você não merece atenção? –ela disse com as mãos na cintura e olhar desafiador.

- Não sei.

Ela sorriu. Seu sorriso era lindo. Eu simplesmente não conseguia entender como ela o tinha escondido por tanto tempo do resto do mundo.

- Você é linda...- deixei escapar

Ela sorriu mais uma vez, mas sua face corou deixando seu rosto em um tom ainda mais moreno e avermelhado. Depois, ela virou tentando se concentrar nas sacolas que havia deixado na cadeira.

- Eu...trouxe outras coisas, não sei mais o que você gostaria de comer. A comida desse hotel não é lá essas coisas.

- Não estou com fome, Leah, mas vou comer o pão mais tarde.

Ela virou e caminhou até mim.

- Você...precisa de sangue, não?

Era a primeira vez que conversávamos sobre isso. Mas ela já devia imaginar que comigo era bem parecido com o que acontecia com a Nessie.

- Sim. Logo vou ter que caçar.

- Posso caçar com você.

- Isso seria ótimo.

- Nahuel...

- Me chame de Nay.

Ela sorriu e fitou as próprias mãos.

- Nay, não é...insatisfatório, digo, sangue de animal? Eu...nunca conversei muito sobre isso com Jacob ou com qualquer Cullen.

- Não. É tranqüilo. Ainda mais para mim que sou só meio vampiro.

- Você nunca precisaria de sangue humano?

- Não. A menos que eu estivesse muito ferido ou doente. Aí, evidentemente, é o melhor tipo de sangue.

- O que aconteceria se você me mordesse?

- Você morreria. Eu sou venenoso.

- Mas e se você precisasse de sangue? Se estivesse ferido?

- Eu nunca chuparia o seu sangue, Leah! Por que esta falando essas coisas?

- O sangue de um lobisomem deve ser mais forte, até melhor, não?

- É. Talvez seja, mas acho que nenhum vampiro se sente atraído por isso. Seria como comer brócolis com chuchu. Saudável, mas nojento. Acho até que mais nojento ainda que isso...

- Você me acha nojenta?

- Não! Claro que não! Eu só...não chuparia o seu sangue...Por que você está falando isso?

- Por que eu sonhei que você me mordia.

- Sonhou?

- Sonhei.

- Teve medo?

-Não.

Caminhei até as sacolas e mexi nelas distraidamente. Nunca gostei de sonhos.

- Que foi? – ela perguntou

- Leah, o seu sonho não foi algo literal, mas....sonhar que um vampiro está te mordendo é sonhar que você está sendo tomada pela morte. Muita gente que interpreta sonhos diz isso. É a morte ou o desejo. São os dois símbolos fortes do vampirismo.

- Então eu espero que seja pelo desejo.

- Não se preocupe com isso. Se realmente quiser dizer algo, com certeza será o desejo e não a morte.

- Eu desejo você. Pode ser isso, não? Não é tão difícil assim interpretar sonhos...

Ela caminhou até mim. Eu podia sentir o movimento de cada parte de seu corpo. Me senti paralisado. Ela mal fazia barulho ao se mover.

- Eu desejo você...- ela repetiu no exato instante que me aproximei encurtando a distancia entre nossos corpos.

Seu corpo tremeu com meu movimento brusco quando a puxei pela cintura, mas ela não deixou de sustentar o olhar. Eu a toquei bem de leve, acariciando o seu pescoço e suas costas.

A mão dela percorreu meu braço queimando minha pele e incendiando meu corpo. Seu olhar era ardente como tudo nela e eu me perguntei como ela podia ter tanta vida depois de tanta dor. Os olhos dela viajaram pelo meu corpo e eu senti um arrepio estranho tensionar meus músculos. Ela me olhava de um jeito que me deixava nervoso. Depois de tantas coisas que vivi, era incrível que ela me fizesse sentir assim. Seus cabelos negros caiam sobre os ombros e a roupa clara contrastava com sua cor forte. Ela era em tudo uma loba. A maneira como ela se movia, o risco da boca, o olhar fixo. Era muito irreal que eu correspondesse tanto a ela.

Leah passara a provocar algo em mim com o tempo, algo inexplicável para aqueles que são racionais demais. Ela conseguia me mostrar que eu estava vivo e que ela também estava, apesar de tudo. Cada pedaço do meu corpo se contraia agora respondendo àquele olhar.

Ela deu um sorriso quase submisso e desatou os laços que prendiam seu vestido no peito ficando diante de mim como Eva ficara diante de Adão no início de suas vidas: nua e sem vestígio de vergonha. Me encontrei sobre seu corpo sentindo seu calor e seu perfume. E eram lindas todas as curvas de seu corpo e suas pernas eram longas e fortes e seu rosto, seu rosto era como uma visão da face de uma amazona. E ela me beijou com os beijos de sua boca e os seus gestos e toques me livraram de toda e qualquer resistência. E naquele instante, enquanto minha alegria estava prestes a consumar-se, entreguei-me plenamente a ela sabendo que ela colheria cada fragmento meu que sofrera e juntaria meus cacos como eu juntaria os dela.

Depois, enquanto caía desvanecido sobre aquele corpo o qual me unira, compreendi que a chama que ardia nela acendia a minha e que a dor que lhe restara em sua alma de loba era a mesma que a que impregnava minha existência e que, por isso, ambos resquícios de dor se libertavam, nos libertavam de tudo e apenas nós importávamos porque o passado passara e não seria esquecido, nem apagado (e nem nós queríamos) mas podia ser aliviado do sofrimento e apenas a lição e as belas coisas restariam para que nós, juntos, pudéssemos compartilhar. E nós, ali, continuamos sentindo as reações de nossos corpos experimentando uma sensação de continuidade como se um último fogo ainda teimasse em não se tornar cinza. Seu corpo tremia levemente, minha respiração demorava a aquietar-se. Ela sorriu e ela nunca me pareceu tão bela e tão minha.

PARTE 85 – KATE

Fui para a reserva bem cedo. Eu já não conseguia ficar muito tempo longe dali. O cheiro, os sons, tudo me fazia sentir em casa. Eu fazia parte daquilo de alguma forma e eu nem saberia explicar o porquê. Eu e Royce passamos a manhã nadando num riacho próximo. Estava muito frio, por isso, ficamos por pouco tempo. Os minutos de brincadeira foram divertidos e quando nós saímos dali, Royce me vestiu com a camisa e o casaco dele e voltou para a reserva só de bermuda. Eu ainda não entendia como ele podia não sentir frio, mas eu adorava vê-lo desta forma.

Quando chegamos na casa dele, Royce me fez tomar um banho quente e me emprestou umas roupas de Alana para usar. A irmã dele era sempre muito gentil, por isso, imaginei que ela não ficaria chateada. Quando saí do banho, vi que ele estava vendo TV. Andei para a sala e quando ele me viu, abriu um largo sorriso e deu dois tapinhas no sofá ao lado dele sinalizando que eu deveria sentar ali. Me senti nervosa. Eu ainda não conseguia acreditar que estávamos, de fato, juntos. Sentada ali do lado dele, curti os vinte minutos restantes de uma partida de futebol americano, depois, ele desligou a TV e me fez deitar a cabeça no peito dele.

- Se você não quiser ver essas coisas que eu vejo, me avisa que eu desligo a TV, ou troco, se você preferir.

- Não precisa. Você gosta de assistir.

- Gosto. Mas gosto mais de assistir você sorrindo, feliz, satisfeita. Se te chatear, eu troco...

Senti minhas bochechas corarem.

- É serio, Kate, eu troco se você quiser.

- Não, eu.... eu também gosto de ver você vendo TV. As expressões do seu rosto mudam de uma maneira, sei lá, eu apenas gosto de olhar você.

Minha cabeça levantou levemente quando ele respirou mais forte. Senti a mão quente dele alisando a lateral do meu rosto e botando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

- Kate...

- Que foi?

-Você gosta de mim?

Eu levantei a cabeça e o olhei intrigada.

- Gosto. Claro que gosto. Por que?

- Tem certeza? Gosta pra vida inteira?
Eu me endireitei desencostando dele. Respirei. Pensei.

Lembrei de todos os momentos que tínhamos vivido até ali, poucos, mas extremamente intensos. Lembrei de todas as demonstrações de amor dele, cada pequeno gesto que demonstrava preocupação e carinho. Me concentrei em entender a maneira como eu me sentia quando estava com ele. Era tudo tão diferente de quando eu gostava do Tom!

Pode parecer estranho e é, mas olhando para ele eu me via, eu via nosso futuro juntos. Eu sempre fui uma apaixonada pela vida, sempre me entreguei completamente e agora parecia que isso era ainda mais forte. Eu sou daquelas que diz pra sempre, sempre, e que quer viver o eterno até o último segundo que restar.

- Royce eu....eu quero que seja pra sempre.

- Se você quer, então será assim.

- Como você sabe? Um dia você pode parar de gostar de mim...

- Eu sempre vou te querer, a pergunta é: você vai?

Senti o meu coração palpitar na garganta enquanto fitava o fundo de seus olhos cor de mel.

- Eu vou Royce, se eu sentir por você a cada dia, metade do que eu to sentindo agora, eu tenho certeza que sim.

- Então, Kate...se é assim, se é sério mesmo o que a gente ta tendo...eu preciso te mostrar uma coisa antes, antes de qualquer coisa, antes de você me aceitar por completo, de você se envolver demais. Tem uma coisa que eu preciso que você veja.

- Ver?

- Só depois disso a gente vai poder ficar junto de verdade e dizer que vai ser mesmo pra sempre.

- Ah....ta, tudo bem. O que é?

- Vem comigo.

Ele me pegou pela mão e me levou para fora da casa dele. Caminhamos passando pela tribo e entrando dentro da floresta.

- Nossa! Esse negócio ta tão longe assim?

Ele sorriu e continuou me conduzindo através das imensas árvores que cercavam a reserva.

- Ta muito perto. Só que ninguém pode nos ver.

- Ahm?

- Calma, curiosa!

Eu já estava ficando cansada quando ele finalmente parou.

-É aqui? Quê que tem aqui? Só vejo árvores e...folhas...pedras...

- Não é o lugar, Kate.

- Como assim?

- Sou eu. Tem algo em mim que você precisa saber. Eu to com um pouco de medo da sua reação, mas isso agora se tornou inevitável. A gente ia ter que passar por isso mais cedo ou mais tarde e eu prefiro que seja agora, antes que qualquer coisa mais séria aconteça entre nós.

Eu o olhei confusa. Ele sorriu e tirou a blusa. Senti meu coração pulsar novamente na garganta. Ele, então, desabotoou a calça e eu não pude evitar pensar o quanto ele era sexy fazendo isso. Me perdi em pensamentos e quando eu percebi que ele estava a poucos segundo de ficar inteiramente nu, desviei o rosto.

- Roy! Sério! Esse é o tipo de coisa que eu não tô preparada para ver agora!

Eu o ouvi rindo enquanto eu tentava desesperadamente tapar o rosto com as mãos.

- Você não deveria se preocupar com a minha nudez.

- Ah! Devia sim! Meu Deus! Nunca pensei que veria um homem nu numa situação assim!

Eu virei de costas morrendo de vergonha e quando pensei que ele havia desistido de se despir, ouvi a última peça de roupa cair no meio das folhas.

- Com certeza isso aqui não é nada parecido com o que você poderia imaginar. Lembra o que conversamos sobre lobisomens?

- Lobisomens? Do quê que você ta falando?! Isso lá é hora de conversar sobre isso?

- Nós conversamos um tempo atrás sobre a hipótese de eles existirem....

- Sei eu lembro, mas não to entendendo.

- Lembra o que você me disse sobre isso?

- Ahm...Eu disse que eu tinha tido uma impressão estranha no dia que tava na estrada, por isso, por mais que eu achasse improvável, eu tinha uma sensação de que talvez eles existissem.

Eu não conseguia entender aquilo, onde ele queria chegar? Ele tava atrás de mim pelado e nós batendo papo sobre lobisomens? Desde quando isso era normal?

Eu o ouvi se aproximar um pouco mais e fiquei ainda mais nervosa.

- O que mais você disse, Kate?

- Que... que...seria legal se eles existissem.

- É, Kate, eles existem. Vira.

- Não. Eu não vou virar.

- Vira logo vai....

Eu virei com as mãos ainda nos olhos.

- Tira as mãos. Você não vai ver nada indevido.

Eu tirei as mãos devagar. Ele estava nu em uma posição meio agachada que escondia as partes intimas. Mesmo assim, não pude evitar a sensação que me tomou ao vê-lo daquela forma.

- Não fuja, Kate, eu não vou te machucar.

Eu me abracei sem saber ao certo onde botar as mãos e, então, diante dos meus olhos, em um segundo, Royce não estava mais na minha frente. Eu agora estava diante de um lobo preto tão grande que poderia me esmagar com uma pata.

A primeira coisa que senti foi o medo. Depois, eu o reconheci. Aquele era o mesmo lobo que eu vira de relance no dia em que quase havia sido morta. Era estranho. Eu estava com medo, mas não queria correr. Talvez a minha fascinação por ele me impulsionasse a querer tocar seu pêlo.

Me contive. O lobo não se mexia, mas a sua respiração era forte o suficiente para que eu a ouvisse. Fitei seus olhos e me vi refletida neles. Os olhos cor de mel eram amorosos e eu me senti completamente relaxada. Dei um passo à frente e encostei minha mão em seu focinho.

- Royce...

Minhas pernas bambearam e eu desmoronei no chão, caindo sentada sobre meus calcanhares. O lobo encostou o focinho no topo da minha cabeça. As lágrimas escorriam pelo meu rosto. De repente, o peso sobre mim diminuiu e eu senti um par de braços me envolverem.

- Que foi? Por que está chorando?
Eu solucei e ele me abraçou.

- Desculpa, Kate. Eu achei que você estava preparada, mas você não está...pra isso...pra mim....

Eu solucei novamente.

- Kate, eu vou te levar pra casa. Não precisa falar nada, não precisa nem olhar pra mim, só não tenha medo, ta bem?

- Medo? – choraminguei – eu nunca teria medo de você!Foram os lobos que me salvaram, não foram?!

Ele ajoelhou na minha frente, mas muito próximo, eu só podia ver parte de seu tórax. Eu segurei seu rosto fitando o fundo de seus olhos e me vendo neles novamente.

- Eu não tenho medo de você. Você estava lá, você me salvou, você foi a melhor coisa que me aconteceu!

- Mas você está nervosa, está chorando....

- Eu to chorando porque você compartilhou isso comigo. Essa foi a maior prova de amor que você poderia me dar e eu te amo ainda mais por isso.

- Eu também te amo, muito.

Eu o beijei e o beijo tinha um gosto salgado de felicidade. Aquilo era fantasticamente louco, mas era perfeito.

Eu podia ouvir meu próprio coração batendo na minha jugular e quando ele desencostou os lábios dos meus, um uivo ecoou pela floresta. Não era dele que saía o som, mas eu vi em seus olhos que ele sabia exatamente o que aquilo significava.

Royce levantou o corpo em direção ao uivo e eu desviei novamente o rosto antes que visse coisas demais. Eu estava pronta para o lobo, mas, definitivamente, não estava pronta para um homem sem roupas.

Ele me ajudou a levantar e ficou atrás de mim. Suas mãos seguravam meus ombros. A respiração dele soprava no meu pescoço.

- Kate?

- Que foi?

- Eu te amo, eu já te disse isso, não disse?

- Disse.

- Guarda isso com você pra sempre, está bem?

- Por que você ta falando assim?

- Eu tenho que ir. Eu...vou resolver umas coisas bem sérias, mas eu quero ter certeza que você está bem. Você me promete uma coisa?

- Prometo.

- Você vai correr o mais rápido possível quando eu te soltar e não vai olhar pra trás. Você vai direto pra minha casa e não vai sair de lá. Entendeu?

- Entendi, mas...

- Vai!

As mãos dele largaram meus ombros e eu só consegui correr. Corri passando por dezenas de árvores iguais e aterrorizantes e quando eu já estava na reserva ouvi um rosnado que fez meu corpo se arrepiar.

PARTE 86 – ROYCE

- Vai!

Kate correu para longe e eu não tive tempo de acompanhá-la com os olhos por muito tempo. Eu me transformei sentindo meu corpo tremer de raiva. Só o cheiro adocicado já fazia o meu instinto aflorar. Eu queria pegar aquele desgraçado e sentir seu gosto nojento na minha boca. Vampiro maldito. Se ele pensava que me pegaria despreparado, estava muito enganado. Ele se preparou para atacar e eu rosnei avisando que eu estava pronto para ele.

PARTE 87 – LEAH

Nahuel precisava caçar, por isso, eu o acompanhei.

O que eu não esperava é que fossemos encontrar tantos vampiros no meio do caminho.

Um tinha cabelos grisalho. O mais alto tinha cabelo preto até os ombros. Outro tinha o cabelo loiro platinado até a cintura. O mais novo e mais largo tinha o cabelo loiro e espetado e havia, pelo menos, mais uns dez vampiros atrás deles. Provavelmente aqueles quatro eram os chefes ou algo assim.

O meu instinto foi o de me transformar logo que senti o cheiro deles, mas Nahuel segurou meu braço. Os quatro saíram do meio das árvores. O mais alto sorriu quando nos viu. Nahuel não se mexeu, mas estreitou os olhos.

- Ora ora....se não é o Nahuel.

Os outros riram.

- Vejo que fez um ótimo trabalho trazendo a loba para nós...

Eu o olhei assustada. Ele não olhou para mim.

- Ela não fez nada. – ele disse com uma voz ácida.

- É claro que fez. Ela matou o Melro! Agora chegou a hora de dar o troco.

- Não foi ela – ele repetiu.

- Quantas lobas existem nesse maldito bando? É óbvio que foi ela. Você acha que descansaríamos enquanto não acabássemos com a cachorra?

Meu cérebro acelerou lembrando do dia em que havíamos matado um vampiro na estrada. Nós não. Alana.

Senti medo por ela. Era óbvio que queriam matá-la. Ela não estava preparada para enfrentar tantos vampiros. Talvez nem eu.

- Fui eu sim. – rosnei

Os dois mais próximos de nós sorriram ao mesmo tempo e no segundo seguinte estavam em cima de mim. Me transformei enquanto um ainda segurava meu braço.

Eles não estavam apenas em vantagem. Eles eram mais fortes do que os vampiros que eu estava habituada. Eles me lembravam os Volturi.

A luta não durou mais do que três minutos e eu já sabia disso no instante que eles me atacaram. Eu não tinha chances.

O golpe que o vampiro loiro platinado me deu foi tão forte que ouvi o barulho dos meus ossos quebrando. A mão dele entrou parcialmente dentro do meu tórax e quando saiu quebrou uma costela que ficou exposta. Meu uivo foi curto e doloroso. Foi uma mistura de uivo e ganido que saiu de mim. Ele estava prestes a dar o golpe de misericórdia quando Nahuel o puxou.

- Você quer perder tempo com ela? Ela já vai morrer nesse estado. Os outros lobos já estão se reunindo. Ela deu o alerta. O ideal é pegá-los desprevenidos. Onde estão os outros? Há mais de nós? Estão por perto?

- Nós somos dezenove no total, alguns já estão atrás da alcatéia.

- Então a deixe e vamos. Ela logo morrerá.

Os quatro principais se entreolharam e assentiram. Todos eles desapareceram meio segundo depois.

Nahuel não voltou a olhar para mim. Quando percebi, ele não estava mais lá.

Ouvi um lobo rosnar e eu soube que era Royce. Na minha cabeça vários pensamentos surgiam um a um. Meu bando.

Eu deveria estar feliz. Eles estavam preocupados comigo, eles estavam vindo me ajudar. Não fiquei bem. Olhei para meu tórax e observei meu próprio osso quebrado. Desejei morrer. Não pela dor física, mas pela dor de estar em dúvida sobre Nahuel.

Quando Seth chegou, ele não teve tempo de falar comigo. Um vampiro de cabelos negros e olhos vermelhos voou em cima dele. Ainda não tinha visto aquele, mas ele parecia ser um recém-criado tamanha a violência e energia que emitia. Royce chegou um tempo depois, mas já estava ocupado com outro inimigo também antes mesmo de chegar até mim.

Fiquei revoltada com a minha situação de vítima. Eu queria acabar com os vampiros que queriam machucar meu bando. Me mexi e logo senti o gosto de sangue na minha boca e a falta de ar. Eu queria levantar. Não consegui. Quando que tudo aquilo começara? Nada fazia sentido para mim. Eu só tinha uma certeza: Nahuel não ligava para a minha morte.

Tossi sangue.

Nunca pensei que o significado do sonho pudesse estar tão correto. A imagem de Nahuel me mordendo não representava o desejo que ele me fazia ter por ele, não era desejo que ele trazia para mim. Era a morte.

PARTE 88 – NESSIE

O uivo que ecoou pela floresta fez a expressão de Jacob mudar completamente. Eu nunca havia visto essa expressão antes no rosto dele.

- Que houve? – perguntei tentando acompanhar os olhos dele até um ponto inexistente à frente.

- Vampiros.

Virei meu corpo sentindo o vento trazer um cheiro discreto e adocicado.

- Leah. – ele disse antes de correr.

Eu corri o acompanhando. Ele tirou a camisa e a largou pelo caminho sem desacelerar. Ele era rápido.

- O que ta acontecendo?

Ele não respondeu. Seus pensamentos pareciam estar a mil.

Eu pulei na frente dele, só que eu não estava mais querendo respostas, eu já imaginava que Leah havia sido atacada e o pior de tudo era que um arrepio sinistro estava tomando conta do meu corpo.

- Fica. Eu to com um pressentimento ruim. Eu to com medo! Jake...olha pra mim!

Ele virou o rosto ao mesmo tempo que segurou meus braços.

- Que tipo de alfa eu seria se eu não fosse, Nessie?

Eu me desvencilhei e o segurei com toda a minha força.

- Não me importa isso! Eu quero você vivo! Você pode ser qualquer coisa, fazer o que quiser desde que esteja bem!

- Eu to perdendo tempo, Nessie! Me larga!

- Não! Você vai morrer! Eu to sentindo isso, eu nunca senti nada tão forte quanto agora!

- Eu prefiro morrer a deixar que qualquer um dos meus morra!

Eu o larguei deslizando minhas mãos pelos braços dele porque eu senti fortemente que nunca havia o tido sob meu total controle. Eu queria que a impressão bastasse para que ele evitasse correr riscos por mim. Nunca bastaria. Senti a angustia vir junto com as palavras.

- Eu não quero perder você. Fica.

- Eu tenho que ir...

- Eu não quero que você morra. Eu te amo.

- Me desculpa, Nessie.

Ele não chegou a tirar a bermuda ou o tênis. Em poucos segundos, só os panos rasgados restavam. Eles haviam ficado para trás, destroçados como eu.

PARTE 89 – ROYCE

Eu havia conseguido pegar o sanguessuga, mas não sem muita briga antes. Ele era forte, mas minha raiva era maior. O que ele pretendia? Me matar e depois lanchar a Kate? Só o fato de saber que ele estava ali me espionando me deixava com ânsias piores ainda. Ele sabia quem eu era. Ele me queria despreparado. Aquele era o momento ideal e por pouco ele não teve sucesso. Enterrei sua cabeça bem longe dali e mais ainda da reserva. Eu não queria ele perto de nenhuma lembrança boa minha.

O grito de dor de Leah havia perfurado o meu cérebro. Eu só queria chegar onde ela estava e dar um fim a existência do morto-vivo que havia lhe feito isso.

Nunca me dei bem com ela. Aquela ranzinza mandona nunca havia mexido com nenhum lado sentimental meu, mas agora eu não podia evitar a preocupação. Não dava para imaginar o bando sem ela.

Corri o mais rápido que pude. Quando cheguei, Seth já estava lá lutando. Eram três vampiros e eles estavam em vantagem. Derrubei um assim que ele voou para cima de mim, o outro que resolveu brincar comigo fazia uma dança macabra de esconde-esconde atrás das árvores esperando que eu vacilasse. Logo eram dois os que me cercavam.

Eu não podia olhar para os lados, mas eu podia sentir todos os movimentos e pensamentos dos que estavam a minha volta. Não demorou muito para que outros vampiros aparecessem. Agora estávamos seriamente em desvantagem.

Seth não fez nenhum som físico, mas gritou em pensamentos. Eu não podia saber o que havia acontecido, mas eu temia que fosse sério.

Leah respirava pesadamente intercalando seus pensamentos de dor com sua raiva própria por não poder fazer nada além de olhar.

Os dois vampiros passaram a se locomover em sintonia e cada um foi para um lado. Agora eu estava ao lado de Leah e não muito longe de Seth. Olhando rapidamente, pude ver que Leah estava com uma costela perfurada. Um de seus ossos saía para fora de seu tórax. O sangue escorria pela sua boca e ela mantinha as mãos sobre o ferimento, tentando, de alguma forma, botar o osso no lugar para poder cicatrizar. Eu não conseguia imaginar a dor que ela estava causando em si mesma naquele momento, mas eu sabia que não era nada perto de sua aflição ao ver que estávamos em desvantagem. Ela queria lutar ao nosso lado.

Eu me mantive ao lado dela enquanto os vampiros mantinham suas posições, um em cada lado.

- Seth, Leah está com o tórax perfurado! – gritei em pensamentos

- Eu sei. Não posso ajudar agora, o que a gente faz?

- Você ta bem?

- Duas patas quebradas. Esse vampiro ta acabando comigo.

Mantive o foco do meu pensamento. Jacob não estava longe, mas havia três em cima dele também. Onde estavam os outros?Seth estava com as duas patas traseiras quebradas e Leah estava ferida. O vampiro da esquerda pulou novamente sobre mim e eu tombei no chão desviando de uma mordida.

Minutos se passaram. Os pensamentos de Alana, Blade e Garvin de repente eram de felicidade, pelo visto haviam conseguido matar alguns vampiros. Ele estavam, finalmente, a caminho.

Antes que eles chegassem quatro vampiros apareceram. Eles eram diferentes. Senti um arrepio levantar meus pêlos. Eles eram assustadores. Até as roupas eram diferentes. Senti Leah se contrair e eu tive certeza ao ouvir seus pensamentos que fora um deles que a machucara daquela forma.

Eles estavam com raiva e conversavam nervosamente. Quando iam atacar Seth e eu, os outros do nosso bando apareceram.

Vampiros nojentos. Filhos da puta.

De alguma forma, eles sabiam que Leah podia se recuperar. Eles sabiam de nós, o que éramos, como cicatrizávamos e não queriam deixar Leah voltar ao combate. Fui cercado pelos dois sanguessugas que me rondavam e não pude evitar o que aconteceu à Leah. O ataque do vampiro de cabelo loiro platinado foi o mais brutal que assisti. Quando o corpo de Leah tombou, eu tinha certeza que ela estava morta.

PARTE 90 – JACOB

Eles estavam brincando comigo. Nenhum dos três me deixava se aproximar o bastante para pegá-los. Depois que matei o primeiro e eles recomeçaram com o joguinho, desisti deles. Corri para o alto, para onde havia ouvido o uivo cortante de Leah. Na minha cabeça vários pensamentos se uniam. Alana e os outros já estavam quase lá, Seth estava ferido, Royce lutava bravamente, Leah tentava se recuperar.

Corri desviando dos ataques. Era isso o que queriam. Eles não me deixariam chegar até o topo. Eles que pensassem isso. Nunca me impediriam. Não com o sentimento de ódio que crescia em mim.

Um avançou e com uma patada, o derrubei. Não parei.

Estava na hora de dar apoio ao bando, eu não podia perder tempo.

Um novo ataque, um novo desvio.

Corri mais. Faltava apenas um quilômetro. Era tudo o que eu pensava.

Mas eu não esperava pela ausência de som. Nada. Nenhum pensamento chegou até mim por aquela fração de segundos. Nenhum lobo pensou, nenhum respirou. Meu corpo ficou em alerta e eu acelerei. Logo depois, os pensamentos de todos eles eram um só: o nome da minha beta.

Esperei pelo pensamento de Leah, que não veio.

Cheguei com os dois vampiros ainda no meu encalço.

Todos os lobos atacavam um vampiro grisalho. Ao lado dele, um rastro de sangue.

Minhas patas pesavam enquanto eu andava até ela. Mesmo de longe, eu sabia que o ferimento era mortal. Era impossível ver os traços bonitos de seu rosto. Leah estava com um pedaço da face completamente aberto. Sua mandíbula estava quebrada. Sua respiração era quase nula. Seu coração desacelerava.

PARTE 91 - NESSIE

Corri o mais rápido que pude depois que Jake sumiu entre as árvores. Eu precisava lutar pela vida dele ou eu morreria também. Ele não era apenas meu vício, meu sol, ele era mais do que qualquer coisa fundamental para mim. Jacob era a minha própria vida.

Sozinha, talvez eu não tivesse muitas chances, mas eu tinha meu próprio exército particular para salvar Jake do que quer que estivesse no topo daquela montanha.

Não sei como eu sabia que ele precisava de ajuda ou como eu sentia o tamanho do perigo. Eu sabia. Bastava isso.

Não precisei chegar até em casa para que todos viessem ao meu encontro. Carlisle, Esme, Bella, Alice, Jasper, Emmet e até Rosalie estavam preparados para lutar. Eles sabiam que havia chegado a hora de retribuir o favor prestado pelos lobisomens anos atrás. Ninguém hesitou. Não houve troca de palavras quando os encontrei.

Corremos unidos, como uma família deve ser. E eu era extremamente grata a eles por tudo isso, principalmente, a Rosalie, pois sabia que ela estava fazendo isso exclusivamente por mim. Bella avisou que Edward tinha saído minutos antes e não dissera nada a ninguém. Eu não podia imaginar o que era, mas não era mesmo hora pra ficar curiosa. Tínhamos que chegar lá rápido, muito rápido.

Quando chegamos, a cena que vi fez meu estômago revirar. Era impossível ficar imune a dor presente nos olhos de Jacob. Leah estava em seus braços completamente nua e destroçada. Uma de suas costelas estava visivelmente quebrada e para fora. Um rasgo dividia parte de seu rosto e pescoço e de sua boca deformada saia um fio de sangue que escorria pelo braço de Jake. Ela respirava brevemente e eu me perguntei como poderia ainda estar viva.

Ao redor, os lobisomens lutavam, mas era visível que estavam em desvantagem. Seth tinha dificuldade em se manter em pé e uma de suas patas estava quase ao contrário. Eu tinha certeza que ele estava cicatrizando errado, era como se tivessem montado um brinquedo de forma desleixada.

Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto de pura aflição. Jacob tinha a expressão mais desesperada que eu já vira e era óbvio que ele estava dividido entre permanecer com Leah tentando conter seu sangue ou lutar junto aos outros.

Olhei para trás e vi que todos da família Cullen lutavam. Quando me virei novamente para Jacob, eu já estava sentindo o cheiro de Nahuel.

Em poucos segundos ele estava agachado ao lado de Jacob, que trocou um olhar nervoso com ele logo antes de pular na forma de lobo. Nahuel parecia cansado, seu corpo estava curvado e ele parecia muito nervoso.

Meus pés não se moviam. Eu não conseguia assimilar tudo de uma vez só. Gritei mentalmente comigo para que eu fizesse alguma coisa. Eram as pessoas que eu amava que estavam ali! Não consegui. Observei Blade pular para desviar de um ataque e vi Nahuel arrancando a camisa e a enrolando em Leah, que tentava desesperadamente se afastar dele. Não sei com que força. Ela devia estar confusa, talvez pensasse que ele era um inimigo. Ele a enrolou e encostou a cabeça em seu ouvido. Não mudou de posição, mas ficou bem perto dela. Mais rosnados e barulho de árvores caindo. Eu voltei a olhar para a confusão.

Jacob foi arremessado e passou tão perto de mim que meus cabelos voaram. Ele se sacudiu e logo avançou novamente. Seus olhos ardiam em fúria, seus dentes pareciam ainda maiores e ele pulou mais alto do que qualquer outro dia. Enquanto estava no ar, a cabeça enorme do lobo não se manteve ereta na direção do vampiro que havia o derrubado. Sua mandíbula se fechou na cabeça de um segundo vampiro que se preparava para atacar Alana. Em segundos, o corpo sem cabeça do vampiro tombava no chão.

Depois disso, a trava mental que me prendia ao solo se soltou e, junto com Alice, matei meu primeiro vampiro. O segundo foi apenas uma ajuda à Emmet.

Jacob estava com o mais forte de todos eles, o de cabelos grisalho. E ele estava tendo trabalho.

Era incrível ver como Alice e Bella, tão frágeis, podiam ser tão fortes. Não era a primeira vez que eu as via em ação, mas, definitivamente, era a primeira vez que, de fato, me surpreendia com elas.

Lá estava eu, desta vez sozinha, lutando com um vampiro de cabelo loiro e arrepiado. Ele era mais forte do que eu esperava. Todos eles eram muito fortes, eu esperava que ao menos um fosse mais fácil de pegar. Nenhum era.

O soco que levei fez meu corpo tombar pesado no chão. Desviei de alguns golpes, mas eu não tinha nem um terço de sua força. Eu me sentia inútil ali, eu provavelmente estava mais atrapalhando do que ajudando. Eu, que sempre me sentira forte entre os humanos, não passava de uma menina indefesa agora. Qualquer um ali me mataria com facilidade. Eu e Nay éramos os pontos fracos, só que ninguém prestaria atenção em um meio-vampiro com uma moribunda. Eu, ao contrário, era o ponto fraco de todos que estavam ali e quando eu percebi isso, eles também perceberam.

Os meus olhos se cruzaram rapidamente com os do vampiro loiro. Eu corri o mais rápido que pude, mas ele estava logo atrás de mim. Consegui desviar e impedi-lo algumas vezes usando as árvores como escudo, mas ele arrancou todas elas e uma caiu sobre mim.

Eu não cheguei a tombar, com as mãos eu consegui desviá-la. Ele me segurou por trás tampando a minha boca e fazendo tanta força, que achei que meu rosto ia afundar dentro do meu crânio.

Não foi difícil atrair Jacob. Ali, feito um estorvo, eu era a isca perfeita e me doía saber que eu tinha feito tanto para salvá-lo e agora estava botando-o em um perigo ainda maior.

Jacob pulou na nossa frente. O vampiro loiro acabou me largando quando percebeu que o lobo castanho-avermelhado estava se preparando para pular. Eu não seria um motivo para que Jake evitasse o ataque. Depois de tanto tempo, ele sabia exatamente como se movimentar sem que eu sofresse um arranhão.

O vampiro loiro correu e enquanto Jacob direcionava sua fúria para ele ficando entre nós dois, o vampiro grisalho surgiu do nada. Ninguém poderia saber. Ele era mais rápido do que Edward e do que qualquer outro. Com uma piscada de olhos, ele já estava sobre Jacob.

Logo depois, Jake tombava no chão.

Foi difícil saber o que aconteceu depois. Enquanto todos ainda o observavam grunhir de dor no chão, Alana atacou o vampiro loiro e Edward apareceu e começou a lutar com o grisalho.

Levei a mão na garganta tentando segurar minha respiração irregular e difícil. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo com Jacob. O que podia causar tanta dor nele?

Foi quando seu corpo começou a reagir.

Jake começou a alternar sua forma humana com sua forma de lobo, só que ele não chegava a ficar em nenhum dos dois estados, ele pulsava, se aproximando e se distanciando das duas anatomias. Eu podia ver as veias dilatando em seu corpo. Quando o pêlo desaparecia quase que por completo, dava pra ver que havia uma mordida em seu ombro. Ele havia sido envenenado pela mordida. Ele estava morrendo.

Senti uma agonia enorme pulsar dentro do meu peito e invadir minha garganta, minhas têmporas e subir até transbordar pelos meus olhos. O grito de sofrimento saiu ferozmente, muito mais forte do que eu poderia imaginar ser capaz de emitir.

Caí de joelhos ao lado de Jacob e toquei suas mãos frias demais para alguém como ele.

Desespero. Como descrever o tamanho do meu medo? Meu peito pulsava em soluços descontrolados, enquanto o choro encharcava o meu rosto.

- Não me deixa, Jake!

Gritei, mas ele não parecia me ouvir.

Uni meus lábios aos dele e pedi novamente para que ficasse comigo. Seus lábios esticaram-se quase imperceptivelmente e eu desejei que aquele não fosse seu último esforço, muito menos seu último resquício de vida.

Antes que eu pudesse pensar no que estava fazendo, deslizei meus lábios para o ombro dele e o mordi com força. Pouco depois um líquido fino e levemente ácido inundava minha boca. Não demorou muito para que eu tombasse ao lado dele e a última coisa que vi foi seu rosto desacordado.

É...ta acabando!

Beijos e mais beijos a todos

Até a última parte...MESMO!

Mise =)