O celular dele toca, ele olha no visor, era o nome de Emma, ele vê que Regina estava imóvel, pálida, ele se aproxima, ela recua, ainda encarando o chão, ele decide falar, mas não sabia bem que palavras usar.

David: Regina...

Regina: Não David, por favor...

David: Me desculpa, Eu... Não...

Regina procura a chave do carro na balsa, e David continua a olhando, querendo se aproximar, ele sabia que ela estava nervosa com aquela situação, ele tenta continuar a se explicar, mas no momento, aquilo parecia inútil.

David: Regina...

Ele estica o braço, conseguindo tocar o queixo dela, ele levanta, fazendo-a olhar para ele.

Regina: David... Não...

A voz dela era fraca, como se o ar estivesse faltando para ela naquele momento, Regina estava ofegante, em um movimento involuntário ela olha em direção à boca de David

David: Me desculpa!

Regina: Preciso ir!

Ela se afasta e entra no carro, David permanece imóvel, apenas observando Regina deixar o estacionamento

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Regina para o carro antes de chegar em casa. Ainda estava ofegante, o que aconteceu no estacionamento?

E se o celular de David não tivesse tocado?

Ela sorri quando se lembra da delicadeza que David sempre teve com ela desde a primeira vez que se encontraram na cidade, porém afasta os pensamentos. Ela estava mal com aquilo, ela estava praticamente prestes a trair o marido, o homem que a amou a vida toda. Traição sempre foi uma coisa que Regina abomina em uma relação.

E por que ela estava prestes a cometer o ato que mais repudia na vida? Assim, de repente?

Por que toda vez que ela estava perto de David ela ficava assim, desconexa com os próprios princípios?

Aquelas perguntas ficavam ecoando na mente de Regina. Algo deveria ser feito imediatamente.

Regina liga o carro novamente e segue em direção a sua mansão.

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David já estava chegando ao hotel. Queria arrumar tudo antes da irmã chegar, mas não parava de pensar no acontecimento do estacionamento, ele a amava isso era mais que óbvio, mas ele também sabe que as chances são praticamente nulas.

Ela é casada e ama o marido, e para piorar, ele não sabia como estava a cabeça dela, será que ela se sentiu ofendida? Ele estava com medo, precisava conversar com ela. E seria o mais breve possível.

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Regina estava na cozinha preparando o jantar junto com o marido, estava calada. Mesmo relutante, não conseguia parar de pensar no acontecimento do estacionamento. Será que Blair tinha razão? Ele era mesmo apaixonado por ela? Ela não tinha como saber. Mas de uma coisa ela tinha certeza, tinha que se afastar de David Nolan, apesar de que seria difícil, pois como agora ele era xerife da cidade eles teriam assuntos a tratar, mas ela sabia que do jeito que está não poderia continuar, para o bem deles e principalmente para o bem de sua vida conjugal, apesar de estar em crise nesse momento. Regina se distrai de seus pensamentos quando o marido a chama.

Mark: Amor?

Regina: Sim!

Mark: Já terminei aqui!

Regina: Tudo bem, já estou terminando aqui também

Ele se aproxima e a abraça por trás, envolvendo os braços em volta dela. Ele se inclina para beija-la, mas ela se afasta, ele insiste novamente, ela corresponde, com um selinho.

Mark: Até quando vai me tratar assim amor?

Regina: Até quando me contar a verdade sobre o que está acontecendo com você!

Mark: Mas eu já disse que está tudo bem!

Ela o olha, levantando a sobrancelha, e ele sabia o que aquilo indicava. Ele sabia que estava com problemas!

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Regina vai em direção ao closet, procurando uma camisola, ela se veste e vai a cama. Mark estava sentado, parecia que esperava a esposa, e de fato estava, ela se senta ao lado dele, tira os brincos e põe no criado-mudo, Mark a observa atentamente, percebendo a frieza de sua esposa, e ele sabia que ela tinha razão para aquilo, mas ele se sentia um covarde por não ser honesto com ela e contar o que realmente estava acontecendo, ele decide tentar conversar.

Mark: Serena chega que horas?

Regina: Não sei, ela deve pegar o vôo para a cidade essa noite!

Ela continua indiferente, responde séria, sem olhar para ele. Mark pega na mão dela e começa a fazer carinho, ela o olha, desfazendo a expressão séria, e ele vê a tristeza no olhar dela, eles se conheciam bem o bastante para saberem o que estava se passando naquele momento. Mark sentiu um arrepio pelo corpo, é como se ela soubesse de tudo, se ela sentisse o que estava acontecendo. Ela entrelaça os dedos nos dele e ele encara o chão. Ela começa a conversa de forma carinhosa, o olhando de forma tranquila, sem toda aquela carga de preocupação e frustração por ele ainda não ter falado nada sobre o que poderia estar acontecendo.

Regina: Porque não me conta meu amor? Eu sei que algo está acontecendo e você ainda está omitindo os fatos. Seja lá o que for você sabe que eu tenho o direito de saber, porque é algo que me atinge diretamente, eu posso não saber o que é, mas eu de alguma forma eu sinto isso...

Mark sente a garganta secar, não sabia o que dizer. A cumplicidade que eles tinham um com o outro era tão grande que eles sabiam que algo não estava bem só na forma como se olhavam, e aquilo não era bom para Mark naquele momento. Tinha que ser honesto com ela, mas sabia que se falasse de qualquer maneira, poderia ferir sua esposa de uma forma muito cruel. Ele se conteve e tentou reverter à situação, pelo menos para adiar aquele momento que ele tinha certeza, que uma hora seria inevitável.

Mark: Já disse que está tudo bem!

Ela o olha, a voz dela era mais séria agora.

Regina: Mark...

Mark: Estou falando sério, só estou preocupado... Com o hospital... Só isso...

Regina solta a mão do marido e decide que não iria mais insistir no assunto... Descobriria por conta própria

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Já era quase 23hrs quando Emma e Henry chegam à recepção do Mikaelson Plaza, a porta do elevador se abre e Henry corre em direção ao tio, pulando no colo dele e o abraçando apertado

Henry: Tio David

David: Ei filho!

Ele chamava o sobrinho de filho de vez em quando, assim como o avô do garoto também chamava o neto. Emma assistia toda a cena sorrindo enquanto caminha em direção ao irmão e o filho que ainda estavam abraçados próximos ao elevador. Os 3 se abraçam, David põe Henry no chão e abraça a irmã novamente que sussurra no seu ouvido.

Emma: Depois eu quero que o senhor me conte direitinho o que está aconteceu hoje a tarde!

David: Ok!

Eles vão em direção a suíte de David. Chegando lá, ele já havia entregado uma tigela com cereais para o sobrinho que já estava jogado no sofá assistindo TV. Emma sentada na mesa, tomando uma taça de vinho até que o irmão chega. Ele se senta e decide contar tudo, desde o acontecimento no restaurante, até o acontecimento de hoje no estacionamento. Emma fica estarrecida com o que escuta, ela sabia que o irmão sempre foi apaixonado por Regina, mas não esperava que as coisas tomassem esse rumo.

Emma: David, contenha-se!

David: Emma eu não consigo, é mais forte que eu, e creio que se você não tivesse me ligado naquela hora...

Emma: Você tem que pensar direito, ela é casada e o marido dela é meu amigo!

David: Eu sei... E você sabe bem que de forma alguma eu vim para a cidade com essa pretensão, de tentar algo com ela, e na verdade, eu não sabia que ainda a amava...

Emma: Seus sentimentos só estavam adormecidos meu irmão!

David: Eu nunca senti nada parecido... O que eu sinto por Regina é amor, puro e verdadeiro...

Emma: David, é egoísta da sua parte pensar assim, você já parou para analisar a situação no todo ?

David abaixa a cabeça... Emma estava certa, não era justo, nem com ele e nem com Regina, mais ele não podia evitar... Ele a amava e isso era fato. Ele olha para a irmã e percebe que ela estava pensativa.

David: O que foi?

Emma: Nada!

David: Emma...

Ela o olha, e David vê seu rosto se contrair em preocupação, e ele conhecia a irmã, ele sabia que era algo muito, muito sério.

Emma: Eu não sei se devo, mais não acho justo te ver assim... E também não acho justo com a Regina...

David: Emma está me deixando preocupado!

Ela abaixa o olhar e David pega na mão dela que estava sobre a mesa, ela o olha nos olhos.

David: Esta tudo bem... Estou vendo no seu olhar que é algo muito sério e agora fiquei mais preocupado ainda!

Emma: Algo está acontecendo no hospital... Não sei ao certo... Mark tirou uma licença de uma semana e eu achei aquilo muito inesperado. Ele é chefe de cirurgia e ele nunca saiu assim, tem anos que ele não tira férias, ele tem muitas horas acumuladas, o hospital tinha que dar em folga... Porém a rotina sempre foi apertada o suficiente pra que ele nunca se desse ao disfrute, só alguns fins de semana mesmo e olhe lá.

David a ouvia atentamente, ainda não entendendo bem o porquê de Emma está tão preocupada com um assunto tão comum, Emma o olha e tenta ser mais rápida na explicação.

Emma: Só que na sexta passada, ele decidiu que tiraria uma semana de licença, claro que a diretoria do hospital não negou, até por que o que ele tem de férias, e horas acumuladas lá todos esses anos daria mais de um ano e olhe lá. Mas faz +/- 1 mês que começou uma situação um pouco desconfortável no hospital. Um casal de amigos que também são cirurgiões no hospital está prestes a se separar, por causa de uma traição do marido, ela está muito mal, e de certa forma nós também, eu sempre percebi que rolava uma certa "Tensão" entre Mark e ela, porém nunca passou disso, e eles são melhores amigos.

David já estava começando a juntar as peças e temia no que a irmã iria falar.

Emma: Mark esteve estranho, e umas 3 vezes ele já me chamou na sala dele, parecia querer conversar, mas acho que ele teve medo sei lá e quando foi anunciado que ele tiraria uma semana de licença, foi meio que uma surpresa pra todos nós, mas pra ela, eu pude perceber que foi mais... Intenso... Não sei explicar bem

David: Emma, veja se eu to entendendo direito... Você acha que o marido da Regina está apaixonado por esta médica?

Emma abaixa a cabeça

Emma: Sim!

David estava boquiaberto, e se aquilo fosse mesmo verdade, Regina se sentiria muito mal quando descobrisse. Porém, os pensamentos de David foram mais além...

David: Emma, você acha que Mark pode estar traindo a Regina?

Ela encara o chão...

David: Emma!

Ela levanta a cabeça

Emma: Acho que não. Mark é sério e ama a Regina, e no fundo, acho que tudo isso pegou ele de surpresa também

David: Você acha que mais alguém já percebeu isso?

Emma: Creio que não, acho que só eu e Izzie

David: Meu Deus, Izzie é amiga de infância da Regina

Emma: Pois é, e acho que ela só não foi tirar satisfação com Mark a respeito disso, porque também não tem certeza

Eles seguem conversando, David não sabia bem o que pensar a respeito, havia sido muita coisa para um só dia. Emma também estava confusa, porém aliviada por ter contado a alguém, só não sabia se tinha agido certo em contar ao irmão, que tanto nutria sentimentos por Regina...