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Gênero: U.A/ Yaoi/ MPREG/ OOC
Disclaimers: GW me pertencia até um tempo atrás, mas aí eu escrevi uma fic em que o Duo humilhava publicamente a Relena beijando o Heero na frente de todo mundo, enquanto ela dava em cima dele, então ela acionou os advogados dela e eu perdi os direitos autorais por danos morais. Mas não se preocupem, eu ainda escrevendo uma fic em que os G-Boys quebram o pescoço dela, mas por enquanto, GW não me pertence... por enquanto.
Aviso: esse capítulo possui palavreado pesado (assim como os outros...).
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"Por trás do ódio infinito, há sempre o mais puro amor."
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Capítulo 11 – Anti Nostálgico
(Quatre POV)
Não! Isso não é possível. Ele não pode ter ido embora. Não pode. Eu não deixei. Eu não deixei ele ir. Ele não fez isso.
Não! Não! Não! Não! Não! Não!
NÃO!
Trowa me abraçou, no meio de tanta confusão, e eu finalmente percebi que havia vocalizado meus sentimentos.
Duo não pode ter ido embora. Ele não pode. Ele não me disse nada. Nenhuma explicação. Nenhuma.
Trowa me abraçou mais e eu me agarrei a ele. Eu comecei a chorar ao mesmo tempo que Trowa começara a falar.
- Essa madrugada, Noin me chamou até a sala dela. Ela disse que era urgente. Eu entrei na sala dela e encontrei Duo. Ele estava com suas malas e Noin me disse que ele queria ir embora. Então ela me pediu para levar Duo até o aeroporto. – ele disse e eu me agarrei mais a ele. – eu perguntei a Duo por quê ele estava indo embora, mas ele não quis me dizer. Ele sussurrou algo e eu só pude distinguir "Yuy".
- Então foi isso? Ele foi embora por causa de Heero! Isso é injusto comigo! Ele não podia ter ido embora. Não podia. Eu não dei permissão a ele. – eu comecei a me descontrolar, até que me sentir ser suspenso. Quando dei por mim, Trowa estava me carregando para dentro de seu apartamento e me colocando sobre a cama.
- Se acalme. Fique aí que eu vou buscar um calmante. Tente dormir, ok? Você parece que não dormiu a noite inteira. – fiz que sim, me aconchegando na cama. Minutos depois Trowa voltava com um copo de água e um calmante. Ele me entregou a pequena pílula branca e o copo de água, que eu tomei em um gole. Ele subiu na cama, me abraçando e me embrulhando. Não sei por quanto tempo ele ficou ali, só sei que ele esteve comigo até que eu adormecesse.
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Abri meus olhos, tentando me acostumar com a claridade que entrava no quarto. Agarrei o relógio e observei o horário. Eu havia dormido tanto que já estava quase no fim da tarde. Estendi minha mão até a cômoda, agarrando o telefone debilmente. Digitei os números com certa dificuldade. Coloquei o telefone em meu ouvido, o ouvindo chamar.
- "Alô?" – a voz atendeu. Uma voz que eu logo reconheci.
- Treize? – perguntei, tentando verificar se minha teoria estava certa.
- "Sim. Quatre?" – Treize perguntou. Por quê eu tinha a ligeira impressão de que a nossa conversa era meio idiota?
- Treize. Onde está Duo? – o indaguei, sentando na cama e me embrulhando com o lençol.
- Duo? eu suponho que ele esteja aí, não é mesmo?
- Então você não soube?
- Soube de quê?
- Duo voltou para casa essa madrugada. Ele já devia estar em casa.
- Eu não sabia disso! Só um minuto, Quatre, eu vou checar. – ouvi o barulho do telefone sendo colocado na mesa e os passos de Treize, que tinham eco pelo cômodo fechado. Depois de alguns instantes ele voltou, pegando o telefone. – Você tem razão, Quatre. Os pais dele já foram buscá-lo no aeroporto... Quatre. Será que você podia me dizer por quê ele está voltando?
- O mesmo de sempre, Treize. Heero!
- Eu não acredito. Eles ainda estão se odiando?
- Mais do que nunca, mas dessa vez Heero extrapolou. Ele roubou uma prova e quis incriminar Duo.
- Eu não acredito! Não é à toa que Duo quis voltar para casa... você vai tentar lavá-lo de volta?
- Foi para isso que eu liguei, mas se ele não está aí, eu ligo depois. Se ele não quiser voltar, eu vou buscá-lo pessoalmente.
- Entendo! Eu só não entendo o porquê de terem saído e não me chamarem. – ele disse, ainda com seu porte altivo, mas demonstrava incômodo.
- Bem, acho que ninguém gosta de sair todo dia com um segurança nas costas. Principalmente para encontrar o filho que não vêem a meses.
- Eu acho que sim. Bem, não se preocupe, Quatre, assim que ele chegar, eu ligo para o seu celular, ok?
- Certo. Espere! Eu não estou com meu celular aqui, pode ligar para esse número?
- Claro! Até mais, Quatre!
- Até mais, Treize. – coloquei o telefone de volta no gancho, apertando o lençol entre os dedos. E se Duo não quisesse voltar? Se ele não quisesse voltar, nem mesmo indo lá ajudaria. Eu precisaria fazer algo a mais.
Cobri meu rosto com o lençol, pensando no que fazer. Por quê parecia que minha vida estava virando de cabeça para baixo?
- Quatre? Você está acordado? – ouvi a voz de Trowa ecoar pelo cômodo. Ele veio até mim e tirou o lençol de meu rosto, acariciando-o – Se sente melhor?
- Não muito. Quero Duo de volta, Trowa.
- Não se preocupe. Ele vai voltar. Eu tenho certeza. – ele me abraçou, beijando minha testa. – Conseguiu falar com ele?
- Não! O guarda costas da família, Treize, atendeu o telefone. Ele disse que os pais de Duo haviam ido o buscar no aeroporto.
- Entendo. Mas não se preocupe. Daqui a pouco você fala com ele.
- Certo.
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- Por favor, Duo! volte! Por favor! – apelei no telefone quando ouvi a voz do outro lado dizer "não"!
- "Não! Eu já disse. Eu não quero voltar. Você não sabe o quanto é difícil para mim conviver com Yuy".
- Você foi embora sem nem mesmo se despedir de mim. Você não sabe o quanto foi doloroso ao ver que você tinha ido embora. Eu me desesperei. Eu quero que você volte.
- "Se eu não estiver aí, você tem o dormitório todo para você! Você tem mais liberdade com Trowa. Yuy não vai parar no hospital e vocês dois podem finalmente viver em paz. É melhor assim, Quatre!" – ele disse, e eu voltei a questioná-lo.
- Por quê você foi embora, Duo?
- "Se Yuy tivesse pedido desculpas, eu ainda estaria aí, Quatre. Mas aquela foi a gota d'água. Já chega. Eu agüentei ele por anos demais!"
- Então seu problema é com Heero?
- "É! Ele é meu único problema. Mas eu estou bem aqui. Eu vou voltar para minha velha escola e Solo se mudou para cá. Eu tenho Treize para me fazer companhia e eu estou livre finalmente".
- Mas você não está feliz!
- "Eu estou, Quatre. Com saudade de você, mas eu nunca estive tão calmo em toda a minha vida".
- Então é isso? Você não vai mais voltar?
- "Não. Sinto muito, Quatre. Mas isso vai ser melhor para mim".
- Ótimo! Então fique aí na sua falsa felicidade. Eu sei que você não está feliz! Eu tenho certeza... fique, mas quando você se arrepender, me ligue para que eu possa dizer "eu te avisei"! – disse, batendo o telefone na cara dele. Eu não queria ter dito aquilo, mas era que eu estava inconformado. Ele não podia fazer aquilo comigo. Eu tinha pensado em algo que talvez ajudasse, mas que seria impossível de acontecer, afinal, ele não engoliria o orgulho dele. Mas eu não tinha outra escolha, ou tinha?
Não, eu não tinha. Eu tinha de convencê-lo de fazer o que eu estava planejando. Mas depois do incidente da prova, ele não o faria nem morto.
Mas eu não tinha escolha. Nenhuma.
Eu tenho que fazê-lo. E agora.
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(Heero POV)
Eu estava tranqüilo. Totalmente tranqüilo. A saída de Maxwell se espalhou bem rápido para meu próprio bem. Eu estava feliz e calmo, e nem mesmo havia precisado da cruz naquele dia. O que era estranho para meu estado de espírito.
Peguei a minha bandeja de jantar e me sentei em minha mesa costumeira, junto com WuFei e Zechs.
- Você parece estar bem hoje! É por causa da saída de Maxwell? – Zechs perguntou, notando minha felicidade iminente.
- É claro! que outro motivo eu teria? – falei, começando a comer.
- Tem razão. Nenhum! – WuFei respondeu, me observando enquanto eu atacava minha comida. – Mas eu ainda acho que ele exagerou ao ir embora.
- Exagerando ou não, eu estou livre dele. – disse, tomando um gole do meu suco. Mas a minha paz foi ameaçada por Quatre.
- Heero! Eu preciso falar urgentemente com você! – Quatre disse, tirando o copo de suco de minha mão e me arrastando para um canto do refeitório.
- O que foi? – perguntei, cruzando meus braços em um claro sinal de indignação.
- Vá buscar Duo!
- O quê! Nem morto! – disse, vendo a cara raivosa que ele me dirigia, que seria capaz de mutilar um ser humano.
- Você vai, querendo ou não! Foi você que o fez ir embora e é você que vai fazê-lo voltar.
- Não vou. A paz aqui está boa demais para que eu abra mão dela. – comecei a andar de volta à minha mesa, mas ele se pôs no meu caminho.
- Eu não pedi para você ir lá! Eu estou mandando você ir buscá-lo!
- Não! E por quê você não vai? E quando você for, faça de tudo para que ele não volte!
- Eu não vou, Heero! Eu não vou conseguir traze-lo de volta. Vá lá e peça desculpas.
- Se você que é o melhor amigo dele não vai conseguir, o que te faz pensar que eu vou?
- Por dois motivos! Primeiro: você tem que ir pedir desculpas para ele, afinal, foi por causa disso que ele foi para casa; segundo: você tem duas coisas que pertencem a ele, e você tem que entregá-las.
- Que duas coisas? Eu nunca peguei nada de Maxwell. – era mentira. Eu sabia. Quatre sabia. E minha situação apenas piorou quando ele olhou dentro dos meus olhos.
- A primeira é a cruz que está no seu bolso, que eu tenho certeza que é de Duo. – meti rapidamente a mão em meu bolso, apertando a cruz entre meus dedos. Eu não ia devolvê-la. Ela me fazia bem demais para que eu me desfizesse dela.
- Ótimo! Uma coisa! Grande! Você não tem mais motivos para tentar me obrigar.
- Tem a outra coisa, Heero.
- E o que é ela?
- Essa você mesmo vai ter que descobrir! – ele me olhou nos olhos profundamente, o que me fez ficar ligeiramente amedrontado com a bateria de sentimentos que passeava por seus olhos. Ele me escondia algo. – Você vai, Heero. Você vai porque sabe que você tem que ir. – me senti estranhamente hipnotizado. Acho que Quatre também percebeu, já que ele continuou. – O que me diz?
- Eu vou.
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Não sabia o que fazia até que eu estava dentro do aeroporto, embarcando no primeiro avião para a América ao lado de WuFei, que eu não tenho a mínima idéia de como havia ido parar no meio daquela confusão.
Ele apenas tinha me dito que ia para me apoiar, mas eu tenho certeza de que ele está indo para rir de mim!
Desgraçado!
Após algumas horas de vôo nós aterrissamos e o medo me atingiu. Eu estava ali e nem sabia o porquê. Eu ia buscar uma pessoa que eu odiava. Não! Eu sentia muito mais do que ódio por ele. Era algo além daquilo. Era mais forte. Mais intenso.
A sensação eu já havia sentido antes, ao lado de Shinigami, mas o sentimento não era o mesmo. E tudo aquilo me deixava mais confuso. Muito confuso. Eu pensava em Maxwell o tempo todo, mesmo quando estava com raiva dele. Eu pensava nele quando lembrava de Shinigami. Eu lembrava dele todos os dias, todos os momentos. Lembrava dele quando comia e em meus pensamentos eu me referia à ele como Duo e não como... Maxwell!
Experimentei a pronuncia, que pela primeira vez saía de minha boca. E ela saiu extremamente doce. Nunca, em toda a minha vida, eu havia sentido o gosto doce do nome dele. Nunca.
- Heero, nós precisamos conversar. – WuFei me olhou estranhamente, como se sentisse algum tipo de sofrimento em mim e me puxou para um canto, me levando para um dos bancos do aeroporto quando já havíamos pegado nossa bagagem. – Você está pensando nele. – foi uma afirmação e não uma pergunta. Senti meu coração bater fortemente, querendo sair de meu peito. – Está na hora de você saber quem é Shinigami de verdade.
- Shinigami! – sussurrei. Minha voz não estava conseguindo sair. Meu sangue havia parado e eu não conseguia raciocinar. A imagem de Shinigami viajava pela minha mente, me deixando mais embriagado do que eu já estava.
- Só me prometa, Heero, que quando eu lhe contar, você não vai deixar seu modo de pensar sobrepujar seus sentimentos. – fiquei confuso naquele momento. Não entendia por quê WuFei estava me dizendo aquilo. Me perguntei o que meu jeito de pensar tinha a ver com tudo aquilo, e não foi preciso pensar muito, já que a resposta veio de WuFei. – quando você descobrir quem é, você não vai deixar seus sentimentos falarem. Você vai ficar colérico e irresponsável, ou talvez mude de idéia rapidamente, talvez você perceba o que sente, ou talvez fique confuso. Eu não quero isso, porque eu, mais do que ninguém, sei de seus sentimentos sobre ele. - eu estava ficando impaciente. Se WuFei não me dissesse logo quem era, eu ia socá-lo.
- WuFei, me conte logo.
- Pense, Heero. Pense na pessoa que tem invadido seus pensamentos. A pessoa, que contra a sua vontade, invadiu seus pensamentos e que não quer sair. Pode parecer besteira, mas faça isso, Heero. – fiz o que ele me disse, tentando descobrir quem era a pessoa que invadia meus pensamentos. – A mesma pessoa pelo qual você está obcecado ultimamente é Shinigami... alguém que você diz odiar... – Não! Não! Não pode ser! Eu não consigo acreditar! Não, não Maxwell. Não ele! Não Duo! – faça o que eu lhe disse, Heero. Não deixe seus pensamentos sobrepujarem seus sentimentos. E lembre-se que você veio até aqui para buscá-lo. – ele se levantou, com nossas bagagens e saiu pela porta do aeroporto, indo buscar um táxi.
Me joguei do chão de joelhos, agarrando minha cabeça com minhas mãos. Eu não queria que fosse ele. Qualquer um menos ele. Qualquer um...
As imagens daquela noite me assolaram mais uma vez, mas mesmo assim, eu ainda não conseguia ver o rosto de Maxwell nas lembranças. Era impossível. Eu via Shinigami. Alguém sem rosto. Alguém que não podia ser Maxwell.
As pessoas paravam à minha volta, querendo saber se estava tudo bem comigo. Um deles até foi corajoso o suficiente para me tocar, mas sua mão foi afastada por um forte safanão. Eu não queria que ninguém me tocasse naquele momento.
Senti ânsias de vômito me assolarem e me arrastei debilmente até o banheiro que, por sorte, estava perto. Eu queria morrer naquele momento.
As pessoas me olhavam estranhamente, se perguntando se deviam chamar uma ambulância. WuFei apenas me olhava de um jeito indiferente. Ele havia previsto aquilo. Ele sabia desde o início. Ele e Zechs! E nem um deles me contou. Nenhum deles me contou.
Empurrei a porta do banheiro, me jogando no chão e vomitando tudo o que eu havia comido naquela manhã.
Pela primeira vez eu me perguntava se não era melhor se eu não soubesse quem era Shinigami.
Me sentei no chão e puxei a descarga. Eu estava mentalmente destruído. Tudo aquilo que eu havia criado sobre Shinigami ruiu em segundos. Não podia ser Maxwell! Não podia! Eu não queria que fosse ele. Não!
Eu também não queria que todos aqueles sentimentos que eu sentia fosse por Duo!
Eu não queria. Eu não quero... eu queria que fosse outra pessoa. Uma que eu não odiasse e que não me odiasse tanto quanto eu a odeio.
- Você está bem? – a voz de WuFei era indiferente, como se ele estivesse esperando aquela reação.
- O que você acha? – minha voz saiu embargada. Eu estava com outra ânsia de vômito, o que não demorou muito para terminar comigo com a cara enfiada no vaso sanitário.
- O que eu acho não tem importância. É você que tem que me dizer o que acha.
- Eu acho que você deveria ter dito "olha, Shinigami é alguém que você não gostaria de conhecer".
- E você me diria "Não importa, apenas me diga". – o olhei de um jeito mortal e ele continuou indiferente. – Você acredita em mim?
- ... não! – Mentira. Pura mentira. Eu acreditava, e como acreditava.
- Então trate de se lembrar que você está aqui fazendo um favor para seu primo! Levante-se. Eu vou lhe esperar lá fora. – Ele andou apenas dois passos antes de parar e ver que eu não me mexi do lugar. - ... você acredita em mim ou não?
- Não!
- E por quê está mostrando esse comportamento? – ele me olhou desconfiado, tentando achar um fio de fraqueza em mim. Qualquer coisa que demonstrasse que eu estava mentindo. Me levantei, me recusando a mostrar qualquer coisa que me fizesse ficar mais fraco.
- Vamos embora.
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O que eu podia fazer para evitar toda aquela situação? Eu acabei de descobrir que a pessoa que eu me sentia atraído na verdade era a pessoa que eu mais odeio nessa vida. Eu estou doente, uma vez que dor de cabeça e vômito não são sintomas de insatisfação. E agora eu estou tendo problemas no registro do hotel porque um imbecil não sabe ler em nihongo (língua japonesa).
- Será que dá para agilizar? Eu estou com pressa. – o recepcionista me olhou de modo estranho e eu percebi que eu havia falado em japonês. WuFei também percebeu e ele sabia que aquele não era um bom sinal, um vez que eu apenas falava japonês quando eu estava estressado. Rolei os olhos e voltei a repetir, mas dessa vez em inglês. – Can you do it faster? I'm in a hurry!
- Sinto muito, Sr., mas eu não consigo entender sua identidade. – revirei os olhos, parando-os em WuFei.
- Resolva isso, WuFei.
- Aonde você vai?
- Vou fazer o favor que Quatre me pediu. – disse, e sem mais explicações, eu saí do hotel, atropelando todos na minha frente.
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Eu estava ligeiramente desesperado, tanto por não saber onde Maxwell estava e também pela enorme revelação que WuFei me fez.
Maxwell e Shinigami não podiam ser a mesma pessoa. Eu não posso ter ido para a cama com Maxwell. Nem bêbado eu faria aquilo.
As minhas memórias foram ficando mais claras, não só as daquele dia, mas também as dos dias em que eu desconfiei que Shinigami era Maxwell. Desde o nome do kart dele até Yuri, passando pelo casaco de pele de pantera.
Eu não queria, mas no fundo eu sabia que era Maxwell.
Tomei a decisão de deixar aquele assunto de lado e me concentrar no que havia ido fazer ali. O favor que eu devia à Quatre.
Eu não sabia onde Maxwell morava. Resolvi apelar para um golpe de sorte e esperá-lo na antiga escola onde ele estudava, uma vez que Quatre me dera o endereço.
Me sentei em um velho banco e descansei minha cabeça no encosto, a sentindo mais pesada. Lembrei de todos os momentos em que eu sonhara com Shinigami. Todos os momentos em que eu sonhei em ter um bom relacionamento com ele.
Com Shinigami, não com Maxwell.
Ouvi o sinal do colégio soar em algum lugar na minha cabeça, me fazendo levantar e ir mais perto da entrada, me encostando em um poste qualquer. Fiquei lá, que nem um bobo olhando a entrada no colégio. Tratar Maxwell bem não faria mal a ninguém, não é? Quer dizer, eu não vou conseguir levar ele de volta arrastando ele pelos cabelos, vou?
A maré de pessoas foi saindo rapidamente do prédio, querendo voltar logo para casa. Vi todos aqueles grupos de amigos se encontrarem em partes diferentes do campo, formando sua casta social, mas nada de Maxwell.
Continuei lá, parado no poste, sentindo certos olhares pararem em mim, percorrendo meu corpo. Me senti extremamente incomodado e me virei, prestes a ir embora, mas parei quando a voz alta soou pelo campo.
Me virei bruscamente, procurando-o quase desesperadamente pelo campo, apenas para saber que ele me achara primeiro.
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(Duo POV)
Não!
Não!
Não!
Eu não acredito! Não pode ser... não é! Recuei um passo atrás, esbarrando com um de meus colegas que nem mesmo notaram meu pânico. Eu estava aterrorizado. Ele havia me seguido até o inferno. Ele me seguira!
Saí correndo, entrando novamente dentro da escola, sentindo que ele me seguira! Entrei pelos corredores, na vã esperança dele não conseguir me alcançar.
Olhei para trás, apenas para ver se ele estava em meu encalço, foi quando descobri que ele estava praticamente em cima de mim. E foi o que aconteceu. Senti o corpo dele sobre as minhas costas, me imobilizando.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI! – gritei, sentindo meus pulmões doerem e minha garganta latejar.
- Não grite, Maxwell. Não é educado. – ele respondeu calmamente, o que me deixou mais bravo, mas eu pude ver que ele não estava nada bem.
- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI, IMBECIL?
- Vim fazer um favor à Quatre. Foi ele que me mandou aqui! – respondeu e eu fiquei pasmo. O que Quatre tinha em mente quando mandou ele aqui? Ele foi um tremendo idiota. Aquilo me renderia bons gritos ao telefone, depois. – ele me mandou vir buscá-lo e não vou sair daqui até cumprir meu favor.
- Então é melhor você começar a procurar uma casa porque eu não vou embora.
- Bem, então tem algum lugar que você recomende para que eu e WuFei fiquemos? – ele perguntou e eu bufei. Então o "china" também veio! A turma maravilha me seguiu par transformar o céu em inferno.
- Você que calar a boca e sair de cima de mim? – perguntei zangado. Eu estava temperamental e aquele não era um bom momento para Yuy bancar o calmo.
- Eu não vou sair daqui até que você siga direto para o aeroporto comigo.
- Não!
- Então eu vou ficar aqui. E é melhor você ficar quieto, Maxwell. – ele disse em tom autoritário e pressionou minhas costelas levemente com seu joelho. Fiquei calado, mas colérico. Ele não tinha o direito de ir até lá e me dizer para voltar uma vez que ele havia sido o motivo deu ter ido embora. Mesmo assim eu ainda podia sentir a corrente de sentimentos que assolavam Yuy, e eu sabia que ele estava enfrentando uma situação estranha, algo que ele não queria, e eu, estranhamente, me senti mal por aquilo.
- ... – continuei calado durante, mais ou menos, dez minutos, até que meu corpo começou a reclamar. – você vai ficar aí em cima por muito tempo?
- Vou! Você é macio. É uma boa sensação
- Se não vai embora, pelo menos me deixe ficar por cima.
- Não!
- Qual o motivo dessa mudança repentina de personalidade? – perguntei curioso. Yuy não era daquele jeito, normalmente ele teria me dado um soco ou coisa parecida. E quando ele teria aceitado fazer um favor daquele ripo à Quatre? Ele deveria estar louco.
- Na verdade eu não sei, talvez foi o conhaque que eu tomei no avião, mas meu subconsciente está querendo te socar.
- Nossa! Que sensibilidade!
- Se você quiser eu te mostro a sensibilidade do meu jeito.
- Não! Muito obrigado! – respondi, rolando os olhos. Yuy estava tão estranho naquele dia! Ele não estava me batendo nem me xingando! E estava até me tratando bem. Ficamos calados por um tempo, ele ainda sentado em cima de mim e eu inconformado e estranhando a nova atitude de Yuy, mas o estranho era que eu estava gostando. Mais alguns minutos se passaram antes que ele quebrasse o silêncio.
- Então, você vai voltar? – ele perguntou, apoiando o cotovelo nas minhas costas e apoiando sua cabeça em sua mão.
- Não!
- Não vamos chegar a lugar nenhum assim!
- E é o que eu pretendo fazer. Ir à lugar nenhum.
- Maxwell, isso não vai funcionar... me diga, por quê você foi embora?
- Não está meio óbvio, Sr. "eu não vou pedir desculpas do Duo porque eu sou foda demais para isso!" – falei irritado! Será que não estava na cara.
- Foi só por isso! Cara, você é um bebezão mesmo!
- Não foi só por isso, seu imbecil. Aquilo tudo era demais para mim, todas as coisas que você fez comigo, as coisas que você me impediu de fazer, as surras, os planos para se livrar de mim, as coisas que você estragou...
- Você está falando daquele seu namoradozinho do Midarasa? Ele era um imbecil, acredite, você está melhor sem ele.
- Quem é você para me dizer o que é melhor para mim? Foi você que estragou a minha vida!
- Quem sou eu? Alguém que está sofrendo conflitos amorosos.
- Eu não estou afim de te ouvir.
- Eu nunca disse que iria lhe contar. Se eu fizesse isso, eu só pioraria as coisas. Afinal, você está envolvido. – ele sussurrou a última parte, fazendo impossível eu ouvi-la.
- Olha, Yuy! Será que dá para você sair de cima de mim?
- Vai voltar?
- Por quê quer tanto que eu volte?
- Porque Quatre me fez um favor e eu vou pagá-lo de todo jeito, e além disso, não vai ter ninguém para eu socar.
- Uau! Você me comove. – ficamos em silêncio por mais um tempo. Eu comecei a me sentir desconfortável, tanto mentalmente quanto fisicamente. Yuy estava revelando um lado para mim que eu nunca havia visto. Um lado que eu estava gostando de conhecer e que ao mesmo tempo me incomodava. – Vocês estão hospedados em algum lugar? – perguntei, querendo mudar o rumo da conversa.
- Ficamos em um hotel onde um imbecil não conseguia nos registrar porque minha identidade estava em japonês.
- Sério!
- É. WuFei ficou lá, tentando nos registrar. – ele disse, tirando o cotovelo de minhas costas e se espreguiçando. Estava na hora de acabar com aquilo.
- Que tal uma trégua? – perguntei, virando minha cabeça o máximo possível para poder encará-lo.
- Um trégua?
- É, você sabe, não nos matamos, tentamos viver sem nos xingar mutuamente, essas coisas.
- Bem, se eu fizer uma trégua com você, você volta para a Inglaterra?
- Eu vou pensar.
- Você jura?
- Juro! – disse, sem muita sinceridade. A verdade era que eu estava dividido. Uma parte queria cumprir o que eu havia acabado de dizer, e a outra parte queria pegar ele numa chave de braço e deixar ele com o braço quebrado, jogado no chão.
- Certo, então. – ele se levantou de cima de mim, me estendendo a mão, que eu prontamente aceitei, e me ajudando a levantar. – Mas prometa que irá pensar, caso contrário, Quatre vai me matar.
- Eu vou. Juro! – disse e estendi minha mão para ele. Ele a apertou e nossa trégua havia começado. – Então... – falei, esperando que ele completasse as lacunas.
- Então...
- O que nós fazemos agora? – perguntei, tentando forçar a conversa.
- Bem, você eu não sei, mas eu vou ligar para WuFei. – ele disse, pegando o telefone celular no bolso da calça.
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(Heero POV)
Disquei o número do celular de WuFei, ouvindo-o tocar três vezes antes que ele o atendesse.
- WuFei, você conseguiu? – perguntei, me escorando no corredor e lançando um olhar rápido para Duo, desviando-o rapidamente.
- Na verdade... não! – soltei um suspiro e percebi que Chang fazia a mesma coisa do outro lado. – Não teve jeito, Heero.
- Eles não conseguiram, hein. – disse, encostando minha cabeça na parede.
- Quem não conseguiu o quê? – Duo perguntou, fazendo ar de curiosidade. Fiz um gesto com a mão para ele para que esperasse e voltei a falar com WuFei.
- E agora, WuFei. Não temos um lugar para ficar. – falei e Duo fez uma cara espantada. WuFei e Duo ficaram em silêncio e eu suspirei mais uma vez.
- Vocês podem ficar na minha casa. – olhei meio espantado para Duo. Ele havia acabado de convidar seu maior inimigo para a sua casa?
- O que você disse, Duo? – perguntei assim que mandei WuFei esperar um pouco.
- Vocês... vocês podem ficar na minha casa... até... até vocês desistirem dessa idéia de me levar de volta. – o olhei incrédulo. Maxwell estava nos chamando para ficar por tempo indeterminado dentro da casa dele.
- O quê?
- Vocês podem ir para a minha casa. – ele falou meio tímido, desviando o olhar, e na minha opinião ele ficava mais bonito daquele jeito. Não! Ele pode ser Shinigami, mas eu não sinto nada por ele além de ódio. E eu tinha que cumprir um favor.
- Espere um minuto. – disse e voltei a colocar meu celular no ouvido, voltando a falar com WuFei. – WuFei, será que está tudo bem para você se nós ficarmos na casa de Maxwell?
- "Você tem certeza de que isso é bom para você?" – ele falou e eu suspirei. Talvez fosse bom para que eu provasse que eu não o amava. Mas por outro lado eu poderia descobrir coisas que eu não queria saber.
- Não saberei até tentar. – falei, vendo Duo ficar cada vez mais confuso. Me virei para ele, dando minha resposta. – Nós iremos para a sua casa.
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Era estranho estar ali, quer dizer, quantas vezes na sua vida você descobre que o cara em quem você estava interessado era a pessoa que você odeia, quantas vezes um recepcionista de hotel não consegue ler sua identidade, e você acaba ficando sob o mesmo teto da única pessoa que você queria ficar bem longe? E tudo isso no mesmo dia!
Ali estávamos nós, andando pela calçada em direção à casa de Maxwell, em um silêncio que me incomodava. Tentei puxar um assunto, qualquer que fosse para não deixar aquele velho Heero se soltar e socar Maxwell bem ali.
- E seus pais? – perguntei, finalmente quebrando aquele silêncio perturbador.
- Estão viajando. Foram embora assim que eu cheguei, então não haverá nada para atrapalhar. – as palavras dele soaram com um tom malicioso aos meus ouvidos, insinuando algo que eu tenho certeza de que eu e Maxwell já fizemos. Depois daquilo não ousei falar mais nada. Aquele silêncio era até agradável, comparado com o que se passava na minha cabeça. E aquilo não era nada bom. – Chegamos.
- Hn. – olhei para a casa de Maxwell, não me importando muito com o lugar. Duo me sorriu e me puxou para o portão assim que ele se abriu. – e WuFei? – perguntei, querendo saber se meu amigo já estava ali.
- Não sei, acho que ainda não chegou. Bem, venha, eu vou te mostrar seu quarto. – ele disse, subindo a escada, mas foi parado por alguém que o chamou.
- Duo? – nos viramos, encontrando um homem alto e loiro parado no pé da escada.
- Treize! – Duo falou e eu continuei sem entender nada. O homem continuou nos encarando e olhando Maxwell de forma sentimental.
- Vejo que já chegou do colégio, quer que eu cozinhe algo para você e seu amigo?
- Treize, este é Heero Yuy. Você já deve saber quem é. – ele fez uma cara surpresa e me olhou, voltando logo a olhar para Duo.
- Eu pensei que vocês não se dessem bem. Achei que havia sido por causa dele que você havia voltado para casa.
- E foi! – Duo me olhou de modo raivoso e voltou a olhar o homem loiro. – Mas um certo demônio loiro mandou ele aqui para me levar de volta, então não tive outra escolha se não fazer uma trégua com ele.
- Entendo. Então devo mandar preparar um quarto para ele?
- Não, eu mesmo cuido dele, mas se você puder preparar outro quarto, estamos esperando mais visitas.
- Eu espero que essa visita seja eu.
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(WuFei POV)
Parei na entrada da sala de Maxwell, o encontrando junto com Heero a meio caminho na escada.
- Então você chegou! – Heero disse enquanto Duo conversava com um dos empregados.
- Achou que ia se divertir sozinho!
- Na verdade, sim!
- Bem, então você está afim de apanhar.
- Não seja grosseiro, WuFei. Estamos na casa de Maxwell. – Heero falou, fingindo uma falsa educação. Sorri e me inclinei, fazendo uma reverência.
- Tem razão, mil perdões, Duo. – disse quando Duo finalmente prestou atenção em mim. – será que você poderia me dar permissão para socar meu querido amigo?
- Seria uma grosseria não permitir. – Duo falou com um sorriso no rosto quando Heero começou a correr escada acima comigo a seu encalço, mas eu nem mesmo cheguei perto de Heero, um vez que meu corpo todo parou de se mover quando vi a figura que me encarava. Meus olhos negros fixaram-se nos azuis, sendo hipnotizados pela cor que me fascinava. O homem a minha frente tinha um ar altivo, cabelos castanhos e olhos azuis escuros. Seu corpo forte e musculoso era escondido pelo terno extremamente bem passado e em seu rosto uma expressão surpresa dominava. O homem sussurrou algo que eu não pude ouvir, mas que me fascinou do mesmo jeito. Meus olhos se prenderam mais uma vez nos dele e o encarei por alguns segundos, já que Heero dava meia volta no corredor para ver o porquê eu havia parado. Desviei os olhos do estranho homem e olhei em volta para ver se alguém tinha percebido meu pequeno show. Heero estava com apenas a cabeça para fora de um corredor, me olhando, sinal de que ele não tinha visto nada, e Duo subia as escadas calmamente, não percebendo nada. – Vamos, WuFei. – Duo disse, me chamando com a mão.
- Certo! – disse, dando uma última olhada no homem parado ao pé da escada. Comecei a subir as escadas, mas algo chamou minha atenção. Um brilho me fez virar para trás e quando vi o que havia brilhado, senti meu coração afundar.
- WuFei, eu vou te bater se você não subir. – Heero disse, descendo as escadas e me puxando pelo braço. – Maxwell, eu estou com sono, me mostre meu quarto. – Heero disse com certa autoridade e Duo deu um tapa na nuca dele.
- Se continuar assim, a única cama que você vai ter é um pedaço de papelão no meio de um bando de latas de lixo.
- Ok, ok!
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(Heero POV)
Continuei subindo as escadas com WuFei a meu encalço e Maxwell na minha frente. Soltei um bocejo e esfreguei um dos olhos.
Maldito fuso horário.
Nunca mais viajo para lugares assim. Que saco.
Ao meu lado WuFei também soltava um bocejo. Me apoiei nele para que eu pudesse terminar de subir as escadas e ele se apoiou em mim, e ficamos os dois ali, nos arrastando escada acima.
- Maxwell, eu estou com sono. – disse mais uma vez e ele nos olhou, vendo que estávamos nos arrastando.
- Por aqui. – ele apontou para um corredor e continuou seguindo em frente até que parou na frente de um quarto. – Esse é seu quarto, Yuy. – ele abriu e nos deixou passar. – Meu quarto é aí em frente. Acho que WuFei pode dormir aqui até o quarto dele estar arrumado. – fiz que sim com a cabeça e WuFei se jogou na cama, se arrastando até conseguir pegar um travesseiro. – Se precisar de algo pode me chamar. – ele disse e saiu, fechando a porta. Eu apenas fiquei parado, olhando para a porta. Era impressão minha ou Maxwell tinha dito que o quarto dele era em frente? Aquilo queria dizer que Maxwell me queria perto dele? Será que aquilo era por causa da trégua ou era porque ele realmente me...
- Pára de pensar nele a vai dormir! – WuFei resmungou e eu tirei o travesseiro, que ele tinha jogado, da minha cara, jogando nele.
- Digo o mesmo para você, Sr. Chang. Me corrija se eu estiver errado, mas você não está pensando em um certo empregado moreno de olhos azuis, está? – pude ver seu corpo estremecer e a sombra de um sorriso se formar em seu rosto.
- Cala boca, Yuy. – ele disse, com um tom de riso em sua voz. Decidir não encher mais o saco dele e me deitei na outra extremidade da cama, agarrando um travesseiro e me rendendo rapidamente ao sono.
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Senti meu corpo ser sacudido e alguém dando tapas leves em meu braço para ver se eu acordava.
- Hn! – resmunguei, dando um safanão no ar para espantar quem quer que fosse que estivesse tentando me acordar.
- Yuy! – a voz me chamou, firme, mas mesmo assim, baixo. Não adiantava mais, eu já estava acordado. Escondi meu rosto no travesseiro e resmunguei.
- O que é?
- Quer sair comigo? – abri meus olhos, verificando que WuFei ainda estava dormindo, então só poderia ser uma pessoa!
- Duo? – perguntei, me virando para me certificar de que era Duo mesmo.
- Sou eu, Yuy.
- O que quer?
- Quer sair comigo? Eu não quero ir sozinho.
- Hn. Não!
- Ah, por favor. Não vai ser tão ruim. Olha, eu preciso fazer algumas compras. Por favor! Eu não quero andar por aí sozinho. Eu posso ser assaltado.
- Você quer um guarda-costas. Você tem um lá em baixo.
- Não! Vamos, Yuy. Eu preciso que alguém me defenda.
- Você luta melhor do que eu.
- Como pode saber?
- Eu lutei com você por quinze anos! Agora me deixa dormir.
- Mas eu vou ter tantas coisas para carregar. Anda, Yuy.
- Você quer um guarda-costas ou alguém que carregue suas compras?
- Os dois! – ele sorriu torto e eu o ignorei, voltando a deitar, colocando meu travesseiro sobre a cabeça para abafar o som.
- Não!
- Se você não for comigo, eu não volto para a Inglaterra com você. – ele disse e minutos depois eu já saia do quarto com Duo a meu encalço.
- E WuFei? – perguntei fechando a porta.
- Vamos deixar ele dormir. Venha.
- Certo. – andamos em silêncio até o portão da casa, onde finalmente eu quebrei o silêncio. – Onde estamos indo?
- Fazer compras.
- Nomes, Maxwell. Nomes.
- Na verdade eu não sei. Só queria fazer compras.
- Ótimo! Saí do meu sono confortável para fazer compras com um maníaco que nem mesmo sabe onde está indo.
- Ei! – Duo parou no lugar, colocando as mãos na cintura, me fazendo virar. – Se você quiser pode voltar, mas não me xingue.
- Certo! – dei meia volta, pronto para voltar para dentro da casa, mas fui puxado por Duo.
- Eu só estava brincando, você não precisa fazer o que eu disse.
- Então não diga para eu fazer! – disse raivoso.
- Ah, Yuy. Pára de reclamar.
- Hn.
- E também não faça "hn". Me irrita.
- Ah, eu vou matar o Quatre quando eu voltar.
- Anda!
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(WuFei POV)
Abri meus olhos lentamente, tentando me acostumar com a claridade. Ainda era cedo, deveria ser, aproximadamente três da tarde. Me virei, me certificando se Heero ainda estava na cama, mas não achei meu amigo. Me sentei, procurando com o olhar, mas ele não estava em lugar nenhum. Decidi sair do quarto para procurar Heero e Duo e beber alguma coisa.
Andei até o quarto da frente, abrindo a porta e constatando que Duo não estava lá. Andei devagar pelos corredores, até chegar na escada, que eu desci lentamente. Cheguei até a sala, procurando por algum sinal dos dois, mas o que eu encontrei foi diferente.
Treize, o tal empregado, estava sentado no sofá, lendo um livro que era mais grosso do que minha própria cabeça. Quando ele finalmente notou minha presença, se levantou rapidamente, colocando o livro em um canto qualquer.
- Onde estão Duo e Heero? – perguntei calmamente, olhando para o empregado que tanto me fascinava.
- Saíram agora à pouco. Foram fazer compras.
- Fazer compras? O Heero? Tem certeza de que estamos falando da mesma pessoa? – ele sorriu e eu retribuí seu sorriso, me sentando no sofá e me espreguiçando.
- Na verdade, Duo saiu arrastando ele. – ele falou e pelo jeito que ele se referiu à Duo, estava na cara que ele era muito mais do que um simples empregado.
- Logo vi. – peguei o livro com o que ele estava e vi que ele estava lendo um livro em mandarim. – Não pensei que sabia ler chinês. – ele me olhou e quando finalmente percebeu que eu era chinês – o que fora extremamente idiota da parte dele – ele tentou tirar o livro de mim, chegando mais perto de mim, quase se deitando sobre meu corpo. Desviei das mãos ágeis dele e fechei o livro, marcando a página que ele lia com meu dedo. Procurei o título e corei, assim que o li. O olhei e notei que suas bochechas estavam vermelhas. – Parece que sua pose altiva é só fachada. – disse e ele se sentou ao meu lado sem a menor cerimônia.
- Bem, nem tanto. – ele falou, tentando pegar o livro de volta e eu sorri, me desviando. Mas eu não sorri pela nossa "brincadeira" e sim pela proximidade dele. Eu tinha acabado de sonhar com ele, toda aquela aproximação estava acabando comigo. Ele pôs a mão esquerda sobre o livro e eu pude analisar a única coisa que fazia meu sonho virar uma utopia qualquer. A aliança dourada em seu dedo. Ele era casado.
- Seu marido deve ser feliz. – comentei, levado em consideração o livro que ele lia. Toquei em sua mão, sentindo uma corrente de energia percorrer meu corpo. Tentei analisar a peça, mas ele retirou a mão rapidamente, respondendo.
- Sou casado com uma mulher. – ele disse e eu me levantei, furioso. – O que foi? – ele perguntou, se levantando também.
- Não consigo ficar no mesmo lugar que uma pessoa que trai a mulher. – disse simplesmente e ele se pôs à minha frente.
- Por quê diz isso? Você me conheceu hoje! – falou, meio irritado. Me aproximei dele e sussurrei.
- Você estava lendo o Kama Sutra homossexual, o que quer que eu pense?
- Que eu não sou hétero, somente isso. – ele falou, se arrependendo logo depois.
- Isso não te ajuda muito... – falei, com um sorriso em meu rosto. Era impressão minha ou ele havia falado aquilo para mim? – dei meia volta e sai do cômodo, sendo seguido por ele. Eu tinha a ligeira impressão de que aquilo ia acabar em um joguinho de gato e rato. E pelo corpo dele, eu adoraria ser o rato. Andei por um dos corredores com ele à meu encalço, entrei em uma porta qualquer que, por sinal, dava na biblioteca. – Por quê está me seguindo? – perguntei, não deixando ele ver meu sorriso.
- Eu não estou te seguindo. Não é culpa minha se você ia para o mesmo lugar que eu. – ele falou e sua voz soou extremamente sexy e altiva para mim. Agora eu sei que a altivez dele não era só fachada, e foi com prazer que eu passei a imaginar como ele seria na cama.
- Entendo. Então, me diga, o que veio fazer aqui? – perguntei, desafiador. Ele me olhou de jeito ligeiramente superior e foi até a escrivaninha que estava em um canto, abrindo a gaveta, de onde ele tirou outro livro.
- Vim buscar isso. – ele sorriu de um jeito estranho e eu me joguei em uma das cadeiras da sala.
- Bem, se você... – falei, esperando que ele completasse as lacunas.
- Treize. Treize Kusherenada. E você... – ele perguntou. Joguei a cabeça para trás, sorrindo do jeito mais malicioso que eu pude. Não era só ele que podia jogar aquele jogo.
- WuFei Chang. Mas continuando. Se você, Treize, veio pegar outro livro, então, eu acredito que você não vá se importar se eu ler esse, não é? – mostrei a ele o Kama Sutra que ele lia anteriormente. O vi ficar rígido e abri a página que meu dedo ainda marcava. – Vamos ver que parte o Sr. Kusherenada estava lendo. – sorri maliciosamente e virei a página, achando uma figura bem ilustrativa. – ora, ora. Penetração. Isso quer dizer que você gosta de ficar por cima. Interessante. – ele corou e eu continuei, insinuando coisas que eu tenho certeza que fizeram ele ficar duro, por assim dizer. – Sabe, a minha posição favorita é por baixo. – joguei o livro em um canto qualquer e me levantei, chegando bem perto dele e o imprensando na mesa. Tenho certeza de que ele gostou daquilo, uma vez que podia sentir o volume despontar da calça dele. – será que você podia me levar até meu quarto? Eu queria tanto deitar em minha cama.
- Certo. Eu te levo até seu quarto e quem sabe nós podemos... conversar. – ele inclinou o quadril para frente, esfregando seu membro no meu, me fazendo soltar um gemido. Aquilo estava melhor do que eu esperava. Em nenhum momento passou pela minha cabeça que o homem que eu estava seduzindo era casado.
- Então vamos. – me afastei dele e ele saiu na minha frente, me mostrando o caminho. Já estávamos no segundo andar, na frente de meu quarto, prestes a entrar, mas quando eu já abria a porta, pronto para seduzi-lo, uma voz feminina o chamou, fazendo meu olhar se desviar. Uma mulher alta, mas mais baixa do que Treize o chamou. Vestia um conjunto social e seus cabelos eram de um castanho quase ruivo.
- O que foi, Une? – ele falou, mas eu não liguei. Estava mais preocupado em olhar a aliança que ela trazia no dedo. Era a mulher dele. Sem esperar que ele me dissesse nada, eu o empurrei para um lado e entrei em meu quarto, batendo a porta brutalmente.
:3 :3 :3
(Heero POV)
Ali estava eu, parado do lado de fora da cabine de um provador de roupas com oito toneladas de sacolas de roupas nas mãos, esperando um americano tonto sair do provador para que eu pudesse carregar nove toneladas.
- Anda, Maxwell. – apressei, vendo uma certa movimentação por trás da cortina vermelha.
- Não me apresse, Yuy.
- Você está aí a meia hora.
- Não estou não. – ele disse, irritado.
- Ok, você não está. Você está aí a vinte minutos.
- Yuy! – ele me repreendeu, saindo da cabine com meia tonelada de roupas no braço.
- Ok, já parei.
- É bom mesmo! – ele se dirigiu para o caixa e eu apenas o segui, sentindo minhas pernas latejarem. Rolei os olhos, me encostando. Pude ver o balconista lançar um olhar atrevido para Duo, indo de seus olhos até seus pés, o que me fez ficar extremamente irritado. Larguei as compras em um canto e fui até Maxwell por trás. Apoiei minha cabeça em seus ombros e coloquei minhas mão uma de cada lado de seu corpo, as apoiando no balcão, fazendo ele ser pressionado entre eu e a bancada. Ele ficou meio surpreso mas pareceu não ligar. Lancei um olhar desafiador para o balconista ao mesmo tempo que um sorriso dançava em meus lábios. Ele desviou o olhar rapidamente para seu trabalho, deixando Duo em paz. Soltei Maxwell, não tendo mais motivos para continuar lá.
O balconista entregou a sacola de compras para Duo, que por sinal a entregou para mim e eu me perguntei por quê o ciclo terminava em mim. Duo me sorriu e pôs-se a andar para fora da loja comigo ao seu encalço.
Andamos pela rua por alguns minutos até que Duo avistou uma sorveteria e, sem aviso, correu em direção a ela. E bobo do jeito que eu sou, tudo o que pude fazer foi segui-lo. Sentei em uma mesa, descansando meus braços enquanto Duo ia até o balcão, pedir seu sorvete. Aproveitei meu intervalo para relaxar meus braços, fazendo uma leve massagem neles. Fechei meus olhos, sentindo meus músculos relaxarem, mas meus olhos se abriram rapidamente quando Duo veio até mim, colocando uma taça de sorvete gigante, literalmente, na minha frente, que nem de longe se comparava a dele.
- É um agradecimento por ter espantado o balconista. – ele disse, me empurrando e se sentando ao meu lado.
- Então você percebeu? – perguntei, afastando minha taça de sorvete para um lado.
- É claro. O cara só faltava me agarrar ali mesmo. – ele disse e eu sorri. Depois disso nós ficamos em silêncio. Ele tomando seu sorvete e eu o observando. Poucos minutos depois ele já estava no final da sua taça se sorvete, e foi com grandes olhinhos de cachorro a lá gato de botas de shreck 2 que ele olhou gulosamente para minha taça de sorvete intocada que já começava a derreter. Sorri e a empurrei simplesmente para ele que me sorriu. – Muito obrigado, Yuy. Obrigado também pela ajuda com aquele pervertido.
- Não tem problema... Duo...
- Hn?
- Vamos voltar para sua casa, agora?
- Não! Eu tenho outros planos. – ele me olhou com um sorriso estranho no rosto e eu sabia que ali vinha coisa.
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(Trowa POV)
- Ahhh! Hahahaha! Não! Não! Hahaha! Pára, por favor. – a voz de Quatre irradiou pelo cômodo ao mesmo tempo que ele tentava fugir de minhas mãos. Nós havíamos dormido juntos à algumas horas atrás e eu tive o prazer de acordá-lo fazendo cócegas no corpo perfeito. Sai correndo atrás dele pelo meu apartamento enquanto ele ria lindamente tentando fugir de mim. Ele parou perto da cozinha, ajeitando o lençol em volta da sua cintura, o que era a única coisa que cobria o corpo alvo.
- Eu não vou parar. – eu disse divertido e me aproximei dele. Ele riu e tentou escapar de mim, fugindo por debaixo do meu braço, que estava encostado da porta da cozinha, mas eu fui mais rápido e o segurei pela cintura, fazendo-o parar bruscamente e nós dois caímos no chão, rindo alto e alegremente. Ele se sentou em meu abdômen, pronto para ter sua vingança, mas eu segurei seus braços e o puxei, invertendo as posições. O beijei amorosamente, enquanto minhas mãos iam para a lateral de seu corpo, pronto para recomeçar as cócegas, se não fosse pela campainha. Olhei para a porta e voltei meu olhar para ele. Beijei seus lábios delicadamente e sussurrei. – Eu já volto. Por favor, não deixe que ninguém o veja. – ele fez que sim com a cabeça e eu me levantei, seguindo até a porta. Não me importei com o fato de que eu estava sem camisa, apenas me virei para Quatre, vendo que ele tinha ido para o quarto. Abri ligeiramente a porta, encontrando nada mais do que Dorothy, minha aluna, e uma aluna que havia sido transferida a pouco tempo para o internato, Catherine Bloom.
Eu não gostava dela. Ela era muito inteligente, era verdade, mas parecia que a única coisa que ela fazia desde que chegara aqui foi dar em cima de mim. E não falo isso porque eu penso que eu sou demais, eu digo isso porque ela não se importa em ser discreta. Ela queria que eu ficasse para ela, disso eu tinha certeza.
- Meninas? O que estão fazendo aqui? – perguntei, como se eu já não soubesse.
- Nós viemos vê-lo. – Dorothy respondeu, sorrindo. – Viemos em má hora?
- Na verdade... sim. Eu estou... hn... meio ocupado. – respondi e percebi que Catherine estava observando meu tórax definido.
- Sua namorada está aí? – ela perguntou, desviando os olhos do meu peito e olhando em meus olhos.
- Na verdade, sim.
- Percebi... me diga, Trowa. – ela disse devagar, experimentando o som do meu nome. A raiva começou a me invadir e eu só queria bater a porta na cara delas. – Pelo visto você malha muito, não é? Você tem tantos músculos. – ela tentou tocar em mim e eu dei um passo atrás. Pude ouvir os passos dentro de meu apartamento e pude contemplar Quatre saindo do quarto, ainda com o lençol, e me observando.
- Acho melhor vocês irem embora. – disse, fazendo menção de fechar a porta.
- Ou o quê? Sua namorada vai ficar brava? – Catherine perguntou ameaçadoramente.
- Catherine, por favor, será que vocês podem ir embora?
- Por quê me rejeita tanto? – ela perguntou se aproximando mais de mim. Contemplei, com o canto dos olhos, Quatre adquirir uma expressão raivosa e dar dois passos à frente, com o intento de parar Catherine, mas parou no mesmo lugar.
- Eu não gosto de você. Você é minha aluna. Eu não me envolvo com alunos. – eu precisaria me dar um chute depois por isso. – e eu posso muito bem lhe expulsar pelo o que você está fazendo.
- Isso quer dizer que você gosta de loiras? – sim. Eu gosto de loiros, mas apenas um loiro em especial. Um que tem um rosto angelical e olhos azuis aqua, que era um perfeito anjo.
- Saiam daqui. – disse severo e ela apenas empurrou Dorothy para um canto, mandando ela embora. Ela se aproximou de mim e tocou meu peito. Nem mesmo deixei ela falar, apenas fechei a porta na cara dela, ao mesmo tempo que eu segurava Quatre pela cintura, já que ele quase conseguira partir para cima de Catherine. – Calma, Quatre.
- Como quer que eu tenha calma? Essa Catherine é uma... – ele não completou sua frase. Ele era extremamente educado e gentil e ele nunca xingaria alguém, por mais que essa pessoa merecesse.
- Eu sei, Quatre, mas ela já foi embora. Não tem motivos para você ficar assim...
- Tem razão... mas que papo era aquele de não se envolver com alunos, professor Barton? – senti os pêlos da minha nuca se arrepiarem quando ele me chamou de professor. Eu tinha que me segurar durante as aulas para não agarrá-lo toda vez que ele me chamava de professor.
- Você é um caso à parte, meu anjo. Você não é meu aluno. Você é o amor da minha vida. – disse o colocando em meu colo antes de carregá-lo de volta para o quarto.
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(Duo POV)
Nossos corpos se moviam freneticamente, atraindo olhares. As luzes coloridas brincavam em nossos corpos, criando um ambiente mais sensual.
Sorri para Heero, que retribuiu meu sorriso. Nunca imaginei que ele gostasse de dançar. Ou melhor, nunca pensei que ele soubesse dançar tão bem.
Me aproximei mais dele, mas não porque eu queria ficar mais perto, e sim porque algumas pessoas tentavam passar a mão em mim. Ele entendeu o recado e me segurou pela cintura, fazendo, quem quer que quisesse passar a mão em mim se afastasse.
Yuy estava parecendo meu guarda costas, me livrando de quem quer que fosse. E nessa cidade, isso era ótimo.
A música acabou e eu vi ele respirar cansado, então arrastei ele para longe da pista de dança, indo para o bar.
- O que vão beber? – a moça atrás do balcão perguntou, lançando um olhar guloso para Yuy.
- Nada. – ele disse seco, olhando a mulher com um olhar mortal, o que a fez se afastar rapidamente.
- Eu quero uma cerveja. – disse, me apoiando no balcão enquanto ele se sentava em uma das cadeiras. – E aí, por quê não vai beber nada?
- Porque eu vou ficar bêbado e vou acabar cometendo uma besteira.
- Fala sério. É claro que não... – a moça trouxe minha cerveja e saiu para atender outro cliente. Yuy me olhou significantemente e falou, bem devagar.
- Nunca cometeu uma besteira quando estava bêbado? – ele perguntou e eu rapidamente lembrei de Tsubasa e de como eu tinha ido para a cama com ele. Senti meus olhos arderem, mas recusei derramar qualquer lágrima que fosse. Larguei a garrafa de cerveja em um canto e me sentei em um banco.
- Você acabou de me fazer odiar cerveja.
- Então você deve me agradecer.
- Só te agradeceria se você tivesse aparecido há dois meses, antes que eu cometesse o maior erro da minha vida. – falei, me referindo ao incidente com Tsubasa. Ele me olhou curiosos e eu me perguntei se ele ia me questionar sobre o que eu tinha dito, mas ele pareceu desistir, olhando para o lado oposto. – E aí... está afim de dançar? – perguntei, fazendo ele me olhar. Ele balançou a cabeça negativamente e voltou a olhar para o outro lado, para nenhum ponto em especial.
- Não. Pode ir sozinho.
- Certo. Qualquer coisa eu vou estar lá.
- Tanto faz. – ele pareceu meio distante e eu me senti mal. Será que foi algo que eu disse?
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(Heero POV)
Não me sentia bem. Não queria estar ali desde o principio. Ele que me arrastara.
E tudo só piorara quando ele falara aquilo.
Senti meu coração afundar mais e mais, querendo penetrar em meu estômago e ser digerido. Vi ele se afastar cada vez mais, de jeito lerdo, hesitando em se separar de mim.
Não sei se foi por pena ou se foi porque ele queria que eu fosse com ele para protegê-lo dos homens dali, mas eu não me importava. Nenhuma das alternativas me agradava.
Afinal de contas, por quê eu me importo tanto com ele? Por quê eu me importo com o que ele vai pensar?
Há 30 horas atrás eu estava sentado em uma mesa comemorando a partida dele, feliz. E agora, eu estou aqui, sentado no bar de uma boate qualquer, sentindo meu coração ser digerido e meu peito apertar. Estou sendo gentil com ele, me importando com ele, o protegendo, quando há dois dias eu queria quebrar a cara dele.
Me pergunto se eu o estou tratando assim porque Quatre pediu, porque WuFei disse que eu não agüentaria – e eu queria provar o contrário – ou era porque eu descobri que ele era Shinigami...
Eu realmente não sei, mas eu queria bater minha cabeça naquela bancada de mármore do bar.
E foi isso o que eu fiz.
:3 :3 :3
(Duo POV)
Parei de dançar quando vi Yuy bater a própria cabeça na bancada de mármore do bar.
Será que ele estava bem?
Que pergunta idiota. É claro que ele não estava bem. Que tipo de pessoa bate a própria cabeça em uma bancada de mármore e fica bem? Tanto fisicamente quanto psicologicamente.
Acho melhor nós voltarmos para casa.
:3 :3 :3
(WuFei POV)
Pude ouvir as batidas na porta do meu quarto, mas nem mesmo fiz questão de me levantar, muito pelo contrário, apenas coloquei o travesseiro sobre a minha cabeça e tentei abafar o som de meu nome ser chamado.
- WuFei. WuFei, abra a porta, por favor. – ouvi o pedido, mas o ignorei totalmente. Eu não queria me envolver com homens casados. Isso só traria problemas, e disso eu já estou cheio. Ele estava, claramente, girando a maçaneta, tentando abrir a porta, e me senti satisfeito por tê-la trancada quando entrei no quarto. – WuFei. Abra a porta. Deixa eu me explicar. – Explicar! Explicar o quê! Eu não tenho nenhuma ligação com ele. Nenhuma. Nem com ele, nem com a mulher dele. – WuFei.
- Vai embora! – gritei. Eu não queria falar com ele. Eu tinha princípios. Fui criado em uma família com muitos princípios, e um deles ia contra aquilo que eu fizera minutos atrás.
- WuFei! – ele chamou mais uma vez e eu me sentei na cama, furioso. Eu não suportaria um homem que traia a própria mulher. E principalmente com alguém que ele havia conhecido no mesmo dia. Ele podia ser um galinha, e podia muito bem levar qualquer um para a cama. Mas não seria eu.
- Já disse para ir embora. – disse e soltei um suspiro. Eu estava confuso. Sempre acreditei em amor à primeira vista. E para falar a verdade, eu já me apaixonei muitas vezes, mas nunca amei ninguém na minha vida.
Até agora.
Eu tinha peito suficiente para admitir aquilo. Para admitir que eu caíra de amores, e se eu pudesse, eu pularia de cabeça naquela relação, uma vez que ele se mostrou extremamente interessado, mas ele era casado e eu não queria aquilo daquele jeito.
As batidas da porta cessaram e eu soube que ele havia ido embora.
Ótimo.
Agora eu só precisaria evitá-lo para o resto da minha vida.
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(Heero POV)
Eu estava com a minha cabeça latejando quando nós chegamos até a casa de Duo, que estranhamente havia insistido para que nós voltássemos.
Subi as escadas estranhamente cansado, com a bateria de sentimentos que ainda rodava dentro de mim.
Tudo aquilo era diferente e novo para mim. Eu queria saber o que era tudo aquilo e ao mesmo tempo eu queria que tudo aquilo continuasse desconhecido para mim.
Abri a porta de meu quarto. Antes que eu pudesse fechar a porta, Duo me deu um "boa noite", que eu respondi com um aceno de cabeça, e eu entrei, podendo finalmente me jogar em minha cama.
Meu coração se apertou quando eu lembrei o que Duo tinha dito naquela hora.
"Maior erro da minha vida..."
Então eu era um erro. Foi isso o que a nossa noite rinha sido. Um erro... Mas o que diabos eu estou pensando! Meu deus do céu. Eu odeio aquele homem, se lembra! Odeio!
Meus olhos se desviaram do teto e se fixaram na porta, como se a atravessasse.
Eu não odiava Duo Maxwell. Muito pelo contrário.
Eu o amava mais do que tudo naquele mundo.
E foi com um aperto no coração que eu admiti isso para mim mesmo.
Finalmente.
CONTINUA...
Primeiro de tudo! Desculpe o atraso, mas é que eu estava em período de prova (de novo) e eu tive que estudar. Mas eu estou feliz, já que eu já estou de férias (sim, meu colégio só me deu férias agora)! Ahhhsó um aviso, daqui a dois dias eu publico a fic de aniversário da Blood e depois disso eu entro de férias do mundo das fics! Mas não se preocupe, eu volto dia 30 de julho, com o meu próprio presente de aniversário (03/08), quem quiser me mandar um presente, eu não reclamo, viu?
EHHHHHHHHHHH! Finalmente! Finalmente! Finalmente! Vamos começar tudo a partir daqui! Hee-chan foi o primeiro! Vamos ver quanto tempo Duo demora para deixar a ficha cair. Vamos falar de WuFei e Treize. Alguém aí sabe como eles vão ficar juntos? Trowa e Quatre: bem... isso vai ficar conturbado. É só ler a cena abaixo.
E agora, as cenas do próximo capítulo.
Cena 1:
"Eu estava com medo. Muito medo. Duo sempre me disse que eu tinha uma certa sensibilidade para sentir os sentimentos e medos das outras pessoas. Eu tinha um dom para sentir certas coisas. E naquele momento, eu sentia que eu ia me separar de Trowa, muito antes do que eu queria. Muito antes."
Cena 2:
"O tapa acertou fortemente minha face direita, me deixando tonto. Me encolhi na parede, observando o rosto dele. Ele me olhava de um jeito estranho, com inúmeros sentimentos passando por seus olhos. Ele me imprensou mais na parede, mas dessa vez com seu corpo. Estremeci, sentindo as formas másculas de seu corpo. Eu sabia o que ia acontecer agora. Mas eu não queria de jeito nenhum. As lágrimas caíram por meus olhos, passando pelo meu rosto machucado pelo tapa dele, mas ele não pareceu ligar... Eu não queria"
Só um último aviso: não irei publicar "Roubei o Namorado do Amigo do Meu Melhor Amigo" até que alguém mande uma review, mesmo que pela demora.
A fic se mudou para a conta bakas felizes, caso não saibam.
