Recomeço – capítulo 11
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
Jensen esperou dois dias para voltar a clínica, e depois de pensar muito sobre o assunto, resolveu que o melhor que poderia fazer agora era ser franco com Jared. A decisão de tirá-lo ou não da clínica poderia ser tomada a partir desta conversa.
Jensen realmente acreditava qua Jared só seria curado quando voltasse ao convívio social. Na verdade se dependesse dele, jamais teria sido internado, mas como a família só procurou a sua ajuda quando as coisas já tinha ido longe demais, talvez esta fosse uma solução.
Ao entrar na clínica estava nervoso, como há muito tempo não se sentia perante um paciente. Jared causava este efeito nele, e se Jensen parasse para pensar, gostava de estar ali, as horas que passava na clínica com Jared eram no mínimo interessantes, mas não sabia dizer o por que.
Aquele garoto realmente o deixava curioso, e Jensen se pegava fazendo a ele muito mais perguntas sobre a sua vida pessoal do que faria a qualquer outro paciente. Pensou que se tivessem se conhecido em outra ocasião, talvez pudessem ser grandes amigos, afinal aquele garoto de sorriso sincero e olhar de cãozinho sem dono, sabia ser uma pessoa bem agradável quando queria.
Encontrou Jared sentado no jardim, e afrouxou um pouco a gravata ao sentar-se ao seu lado.
- Olá - falou tentando desligar-se dos pensamentos.
- Oi.
Jensen ficou algum tempo em silêncio, olhando os outros pacientes que estavam ali.
- Você não está legal, não é? – Jared perguntou o olhando de cima em baixo.
- Só um pouco cansado.
- Cansado de mim?
- Não, acho que eu não vou me cansar de você tão fácil. Eu só estou com algumas dúvidas, e por isso preciso conversar com você.
- Pode falar...
- Jared, aquele dia em que a Meg esteve aqui, eu soube que você chorou muito...
- Eu estava com dor de barriga.
- Jared, por favor, sem gracinhas hoje, tá legal?
- Por que? Você nunca teve uma dor de barriga que te deu vontade de chorar? – Jared perguntou brincando.
- Eu vou ter uma daqui a pouco, se você continuar a me provocar.
- Você está bravo hoje! O que aconteceu? A patroa dormiu de calça jeans?
Jensen não se conteve, e teve que rir...
- Você não tem jeito mesmo, né Jared! Eu te conto tudo sobre mim e a patroa uma outra hora, tá legal? Agora eu gostaria de saber sobre você – Jensen disse voltando a ficar sério.
- Ta, eu chorei, e o que tem isso?
- O que fez com que você chorasse? A presença da Meg? Alguma lembrança?
- Eu não sei. Ver a Meg me fez lembrar de muitas coisas...
- Como o que?
- Daquela noite em que ela esteve lá em casa, antes do acidente. Estava tudo tão bem, tão perfeito, e de repente tudo acabou. E ver ela fez tudo parecer tão... real, fez eu me dar conta que ele se foi mesmo, eu que eu vou ter que continuar sozinho, e então me bateu um desespero... sei lá...
- Então você finalmente se permitiu sentir o que você vinha impedindo o tempo todo...
- Eu... acho que sim – Jared disse com lágrimas nos olhos.
- E você se sentiu melhor depois disso?
- De alguma forma, parece que eu tirei um peso das minhas costas. Mas ainda dói muito.
- Ainda vai doer por algum tempo. Mas você é forte, vai conseguir lidar com isso. E quanto ao Chad?
- O que tem ele?
- Foi bom pra você voltar a ver um amigo? Fez você se sentir melhor?
- Foi muito bom vê-lo, mas...
- Mas?
- Eu não sei... me fez pensar em tudo que eu deixei pra trás, no tempo que eu perdi aqui nesta clínica, e agora...
- E agora?
- Tem tanta coisa que eu preciso fazer, e eu estou aqui, sem poder fazer nada.
- O que você pretende fazer, quando sair daqui?
- Voltar pra minha casa, em primeiro lugar. Eu sinto falta da minha casa.
- Pra casa dos seus pais?
- Não, claro que não! Para o meu apartamento...
- E o que mais?
- Você quer uma lista?
- Me diz...
- Você está um saco hoje! – Jared bufou – Ok, eu quero ir ver os pais do Jason, quero... visitar o túmulo dele, quero rever os meus amigos, voltar a trabalhar, se bem que pra isso eu vou ter que arranjar outro emprego, já que eu abandonei o meu. Mas...
- Mas o que?
- Não sei, ao mesmo tempo dá um medo, eu não sei se vou conseguir...
- Você vai sim, você só vai ter que se focar em uma coisa de cada vez, e não querer resolver tudo o que tem pendente em um dia só, eu tenho certeza que você consegue.
- Como você pode ter certeza? Se nem eu mesmo tenho?
- Você é forte Jared, muito mais forte do que pensa. O único erro foi você ter focado a sua energia em algo que só serviu pra te destruir, mas você pode reverter isso tudo, basta você querer.
- Acabou?
- Ainda não. Eu estava pensando que você nunca me falou sobre o seu pai. O que ele pensa a respeito disso?
- Meu pai vive viajando... ele não se importa muito.
- Isso te chateia?
- Não, eu não sei se já te falei, mas eu trabalhei na empresa dele por seis meses.
- Trabalhou?
- Sim, eu até comecei faculdade de administração na época.
- E o que aconteceu? Não deu certo?
- Eu descobri tanta coisa a respeito dele enquanto estava lá, tanta falcatrua, tantos negócios sujos envolvendo o nome da empresa, que me desanimou. E depois... eu acabei descobrindo que ele tinha uma amante, com quem ele vivia há quase dez anos. Eu não sei se a minha mãe não sabe mesmo, ou se sabe e faz de conta que não. Resolvi não me meter nisso, e caí fora de lá o mais rápido que pude.
- E ele sabe que você sabe disso?
- Sabe. Eu confrontei ele uma vez. Nós discutimos, e... desde lá mal nos falamos.
- E sobre o seu relacionamento com o Jason? Ele também era contra?
- Ele nunca me disse nada, mas um dia eu fui visitá-los e ouvi sem querer ele e a minha mãe conversando. Eu ouvi ele dizer que ela devia deixar eu viver a minha vida, e não se meter, e teve uma vez que ele encontrou com o Jason em uma festa, e conversou com ele numa boa, já a minha mãe nem olhava pra cara dele.
- Sua mãe me parece uma pessoa difícil.
- Jensen, você já se relacionou com um homem alguma vez?
- O que?
- É só uma pergunta.
- Não, eu nunca me relacionei com nenhum homem.
- E você já pensou como a sua família iria reagir se você por acaso fizesse isso?
- A minha família, apesar de um tanto conservadora, tem a mente bem aberta para esse tipo de coisa. Acho que eles iriam com certeza estranhar muito, mas acabariam aceitando.
- Então esse tipo de coisa nunca passou pela sua cabeça?
- Não, é... eu... acho que não.
- Você nem nunca imaginou como seria? Dar uns amassos, sei lá... beijar... sentir a língua de outro homem na sua boca?
- Não, eu... nunca imaginei. – Jensen disse completamente sem graça.
- Você provavelmente lavaria sua boca com ácido se isso acontecesse, não é? – Jared disse rindo.
- Talvez não chegasse a tanto – Jensen respondeu nervoso, forçando um sorriso.
- Desculpa Jensen, eu só estava brincando com você.
- Sem problemas. Sabe, agora eu já estou visualizando melhor o que os seus amigos descrevem sobre você.
- Aff... só espero que eles tenham falado coisas boas.
- Bom, eu só conversei com dois deles, mas você pode ter certeza que sim, dá pra ver que eles adoram você.
- É algo inevitável... as pessoas que me conhecem, sempre acabam se apaixonando. Nem você vai conseguir viver sem mim depois que esta droga acabar – Jared disse brincando.
Jensen deu risada...
- Jared... o que aconteceu entre você e o Jason, foi tudo muito rápido, não foi? Logo que vocês se conheceram ficaram juntos, e em pouco tempo também foram morar juntos. Como, ou quando você soube que o amava?
- Eu não sei, mas desde o começo foi algo muito forte, ele mexia comigo de uma forma que... Bom, eu nunca tinha sentido nada parecido antes. E então um amigo dele estava vendendo aquele apartamento, e era tipo... o lugar dos meus sonhos, e acho que dele também, mas eu sempre quis morar na praia, então como nenhum de nós tinha nada a perder, resolvemos morar juntos de uma vez. E deu certo...
- Como você o enxergava? Ele era um cara perfeito? Não tinha nenhum defeito?
- Qual é, Jen! Todo mundo tem defeitos...
- E que defeitos ele tinha? Você pode descrever alguns?
Jared riu...
- Ele... cantava muito mal, e apesar disso vivia cantando... no chuveiro, ou quando acordava pela manhã, e era terrível. Era teimoso, e atrapalhado. Ele vivia perdendo as coisas, como carteira, chaves, celular, e no início ele vivia me culpando... Onde você colocou minhas chaves? Por que tirou a minha carteira do lugar? Até o dia em que eu comecei a sacaneá-lo, escondendo as coisas... Levou menos de um mês pra ele perder a mania, e começar a guardar cada coisa em seu lugar – Jared disse rindo.
- Eu não sei se você percebeu, mas você já está conseguindo falar nele sem dificuldades.
- E isso é bom ou ruim?
- É muito bom, sinal de que está começando a superar. Jared, se você olhar para trás agora, o que você sente em relação ao que você fez?
- Você não quer mudar de assunto?
- Não, é aqui mesmo que eu queria chegar.
- O que você quer saber afinal? Se eu me arrependo do que fiz?
- Pode começar por aí.
- Sim, eu me arrependo... se da primeira vez, quando eu tomei aqueles remédios, eu tivesse pulado do prédio em seguida, não estaria passando por nada disso agora.
Jensen apenas o encarou sério, não acreditando no que estava ouvindo.
- Eu estou brincando, Jensen! Cara, você ficou branco agora, estou vendo que esta brincadeira vai me custar mais alguns meses aqui neste inferno, não é?
- Você chegou a cogitar esta idéia?
- Qual?
- De pular do prédio?
- Jensen, eu só estava brincando, ok? Eu não vou pular do prédio. E eu me arrependi sim, já fazem seis meses, e... olha o que eu fiz da minha vida... Vai levar um bom tempo pra eu poder recuperar o que eu perdi. Meu emprego, meu amigos... eu aposto que alguns vão se afastar, achando que eu sou um pirado. E eu devo ser mesmo, não é? E o pior de tudo é que também perderam a confiança em mim. Você viu a Meg? Eu sei que ela me perdoou, mas ela sempre vai ficar desconfiada, com medo que eu tente outra vez. Nunca mais vai ser como antes.
- Você vai conseguir recuperar tudo aos poucos, inclusive a confiança, eu tenho certeza.
Jared ficou encarando Jensen por algum tempo...
- Vocês aprendem isso na faculdade?
- O que?
- Esse truque... sei lá, você tem um jeito de falar as coisas...
- Que jeito? – Jensen perguntou curioso.
- Não sei, mas... eu sempre acabo acreditando no que você fala. Eu devo estar mesmo pirado. Ou vai ver são os remédios que você me faz tomar.
- Ou talvez seja simplesmente porque você confia em mim.
- E por que eu confiaria em você? Eu mal te conheço!
- Hmm... talvez porque eu seja um cara legal – Jensen disse brincando.
- Sabe, o seu senso de humor melhorou muito de uns tempos pra cá. Acho que a sua ex está te fazendo bem.
- Eu não estou tão certo disso. Mas quanto a minha mudança de humor, o fato de você estar cooperando com o tratamento tem ajudado bastante. Você parecia irredutível no começo.
- Sabe aquele dia em que você surtou, e que foi embora daqui? Bom, depois daquilo eu percebi que você também era humano, e que tinha seus próprios problemas, com os quais não conseguia lidar. Eu gostei mais de você depois disso. Não me parecia mais tão "perfeito".
- Mesmo? É bom saber que isso serviu pra alguma coisa boa, então. Porque eu me senti péssimo por ter feito aquilo.
- Você deve ser um psicólogo muito bem recomendado, não é? Eu fiquei admirado pelo fato da minha mãe ter te contratado, você sendo assim tão novo.
- Eu tenho uma boa experiência. Jared, eu vou ser bem sincero com você... A sua mãe jogou a responsabilidade de tirar ou não você da clínica pra cima de mim, mesmo não sendo eu quem internou você aqui.
- Típico.
- Você vê agora o tamanho da encrenca em que eu me meti? Como eu vou ter certeza de que se eu te tirar daqui, você não vai tentar suicídio novamente?
- Você não vai. Hoje ou daqui a seis meses, não faz diferença... Você nunca vai ter certeza disso.
- Obrigado por me lembrar disso.
- Mas você pode confiar em mim.
- Confiar em você?
- Sim.
- Mesmo que isso coloque em risco toda a minha carreira, tudo pelo qual eu batalhei nos últimos dez anos?
- Por que não?
Jensen riu...
- Ok. Eu vou confiar em você, Jared. Mas não pense que você vai se livrar de mim tão cedo. Você vai ficar aqui mais alguns dias, e eu quero que você se prepare psicologicamente para o que vai enfrentar lá fora, e quando estiver lá, vai continuar com a medicação e eu vou querer ver você no mínimo duas vezes por semana em meu consultório. Isso te anima?
- Sair daqui? Me anima, mas... ao mesmo tempo...
- Dá medo, não é? Isso é normal, o medo é mais uma etapa que você vai ter que enfrentar, mas se você já passou pelo pior, eu não acho que você vá ter muita dificuldade com o que está por vir. Eu volto em três dias, se quiser falar comigo antes disso, é só me ligar que eu venho até aqui, ok? Até mais...
Continua...
Respondendo as reviews:
Reed Clow - Sim, os amigos serão muito importantes no restabelecimento do Jared. Realmente a fase de encantamento passou, o Jensen já está começando enxergar a Daneel de outra forma. Espero que goste da continuação. Obrigada por ler e comentar!! Beijokas...
Annys Rose - Que bom que não vai ter crise... k k k. Espero que goste da continuação. Beijokas!!
Obrigada a todos que leram, e reviews são sempre bem vindas!!
