Disclaimer: Eu não sou proprietária ou dona da saga "Twilight" , todos os personagens e algumas características são de autoria e obra de Stephenie Meyer. "O Amor pode esperar" pertence apenas à Katherine Applegate. A mim pertence apenas a parte de adaptar a obra desta incrível escritora.


11. Não quero mais dividir Edward

Quatro semanas se passaram. Via menos Alice, porque ela via mais o Edward. Ela achava que estava apaixonada e eu lhe disse que ela merecia isso. Podia-se notar que ela estava piorando. Já tinha tido dois acessos, ambos em casa. Às vezes, quando estava andando, arrastava um pouco a perna direita. Outras vezes, ela se atrapalhava ligeiramente ao falar. Embora pareça estranho e bizarro, acho que nunca a vira mais feliz, apesar das dores de cabeça, da perda de peso continua e da fadiga terrivel. Ela estava sempre rindo, sempre tentando manter o bom humor, como se cada momento fosse o mais importante.

Algumas vezes pensei ter percebido uma ponta de sofrimento naqueles momentos de euforia, como uma atriz que sai do papel momentaneamente. Mas censurava-me quando pensava nessas coisas. Estava tentando achar alguma sombra em sua felicidade, um indicio de que nem tudo estava tão bem no relacionamento que eu mesma incentivara. Não era isso que eu esperava. Esperava que estivesse abrindo mão do Edward, partilhando-o do jeito que prometera a mim mesma: de forma aberta, tudo por amor a Alice, sem questionamentos.

Depois de algum tempo me acostumei a ver Alice e Edward sussurrando, de mãos dadas, fazendo as coisas que os apaixonados fazem. Ele e eu nunca conversávamos, exceto na presença de Alice. Ele nem tomava conhecimento da minha presença nos corredores. Era como se, ao voltar suas atenções para Alice, ele não conseguisse manter nenhum tipo de relação comigo, nem mesmo como amigo. Depois de seu primeiro encontro, ele me chamara de lado, no corredor, para explicar que tinha de manter distância de mim. Dissera que era difícil demais, complicado demais. Aquilo doeu. Tenho de admitir que doeu de um jeito que nunca acontecera antes - uma dor surda e vazia que não ia embora. Mas isso não era nada, nada, comparado à dor que eu sabia que Alice estava suportando, em silêncio. Isso era tudo que tinha de lembrar quando via seus longos dedos entrelaçados com os dela, ou quando a beijava com tanto carinho que eu me perguntava se ele realmente chegara a gostar de mim. Diante dessas situações, sentia um ciúme terrível, que me consumia por dentro. Então, eu lembrava de suas olheiras e seu bonezinho de beisebol torto na cabeça e me perguntava que tipo de pessoa horrível havia dentro de mim, que era capaz de ter tais sentimentos.

Uma vez, logo depois que Edward e Alice começaram a namorar, estávamos juntos em um grupo grande no refeitório. Eu estava sentada ao lado de Alice. Ela disse alguma coisa engraçada que nos fez rir, e de repente Edward inclinou-se para beijá-la. Segurou seu rosto delicadamente e beijou-a longa e vagarosamente, enquanto todos nós observávamos um pouco constrangidos e um pouco fascinados. Enquanto ele a beijava, abriu os olhos e olhou direto para mim. Não sabia o que estava vendo em seus olhos naquele momento - mágoa, raiva? -, mas tive certeza de que não gostei da dor aguda de ciúme e arrependimento que senti ao vê-los juntos. Parei de me sentir nobre. Naquele momento senti apenas raiva.

Levantei-me para sair antes que o beijo terminasse. Estava a meio caminho do outro lado do refeitório quando Alice me chamou. Esgueirei-me pela porta tão rápido quanto pude, fingindo não ouvir. No final de uma tarde, estava fazendo um trabalho de inglês quando ouvi uma voz familiar. Eu olhei pela janela e vi Edward conversando com Nessie na entrada de carros. Minha mãe bateu na porta.

- Edward está aí.

- Já ouvi.

- Digo que você está indo? - disse ela, espiando dentro do quarto. Fiquei olhando para o meu caderno.

- Diga-lhe que não estou aqui, está bem?

Ela olhou-me desapontada, de um jeito que só as mães sabem fazer.

- Não vou. Não! - disse eu.

- O que foi? - perguntou ela, na maior inocência.

- Não me olhe desse jeito. com esse olhar de superioridade materna. Está dando certo. Alice, está completamente apaixonada por ele, eu não tenho nada para dizer-lhe, fim de estória.

Ela sentou-se na cama comigo.

- E se o Edward não estiver apaixonado pela Alice? E se não estiver dando certo e é o que Edward está querendo lhe dizer? Seja lá o que for que aconteça, você não quer que Alice sofra agora, quer? - Suspirei e disse:

- Está bem. Falarei com ele na garagem. Mas faça-me o favor de não convidá-lo para o jantar, está bem?

- Nunca a submeteria a tal humilhação. Nós vamos comer carne ensopada requentada.

Olhei no espelho. Estava com a aparência de... bem, de carne ensopada requentada. Não que isso importasse.

- O que é? - disse quando cheguei à varanda.

Nessie estava sentada na moto de Edward fazendo sua melhor pose de Evel Knievel. Edward enganchou seus polegares nos bolsos.

- Gostaria de conversar com você.

- Tenho de fazer aquele trabalho de inglês para amanhã. Estou meio sobrecarregada.

- Alguns minutos, apenas. Acabo de vir da casa da Alice.

- Ela está bem? - perguntei-lhe, assustada.

- Ela está bem. Muito cansada. Ela está tendo mais problemas com seu lado direito. Mas você conhece Alice. Está fingindo que está tudo bem - disse ele, olhando para mim.. – De minha parte, não sou muito bom nisso.

- Não acho que precisemos ter esta conversa - respondi. - Acho que não temos escolha.

Sem uma palavra, virei-me e abri a porta de tela para que ele entrasse em casa.

- Edward, mamãe. Mamãe, Edward.

- Olá... Você é a doutora Swan, não é? - disse Edward, estendendo a mão.

- Sim - disse minha mãe. - Sinto muito que o pai de Bella não esteja aqui para conhecê-lo, Edward. Ele também tinha uma Harley. - Edward pareceu impressionado.

- Não pense que ele seja corajoso. Ele trocou-a por um carro.

Acompanhei em direção à varanda.

- Vamos. Podemos conversar lá nos fundos.

Dei uma olhada para minha mãe querendo dizer que queríamos privacidade total. Sentamos nas cadeiras de plástico da varanda dos fundos, frente a frente, separados por uma mesa de plástico branco.

- Bella - disse Edward, sem preâmbulos -, sinto falta de você.

- Sinto falta de você também, Edward - disse eu, tentando parecer indiferente.

- Inicialmente eu fiquei magoado e com muita raiva de você por causa dessa história com a Alice. Mas depois de algum tempo a mágoa começou a desaparecer e percebi que simplesmente sentia falta de conversar com você.

- Por que você tem me evitado, então? - Edward esfregou a testa.

- Porque é demais para mim, é tudo confuso demais. - Bati os dedos de leve na mesa.

- A Alice está apaixonada por você, sabe?

- Eu sei. Mas ainda não estou certo de que isto seja uma boa idéia.

- Por que não?

- Porque eu... - Edward colocou a cabeça para trás, fechou os olhos e continuou: - Porque tudo está muito complicado. Porque sinto sua falta.

- Não vamos falar de nós agora.

- Acho que Alice merece saber toda a verdade - disse Edward. - Seja lá qual for.

- Por que você tem de tornar as coisas mais difíceis? Está dando certo. Está dando muito certo.

Ele inclinou-se para a frente me observando.

- Não sei como dizer isso, Bella.

- Seus sentimentos por mim não importam neste momento - interrompi, já preparando o terreno porque sabia aonde ele queria chegar. - Haverá bastante tempo...

- Você não entende. Eu, realmente, ainda gosto de você - disse ele, dando um sorriso ambíguo. - Gosto muito. Mas este não é o problema. O problema é que estou... eu acho que estou começando a gostar de Alice também.

Ele me olhou como se estivesse pedindo perdão. Podia ver a dor em seu rosto. Podia percebê-la em sua voz. Não reagi. Não queria que ele soubesse que naquele momento eu queria retomar tudo. Ao ouvi-lo dizer aquelas palavras em voz alta, compreendi que eu não queria que ele amasse Alice. Pelo menos, não do mesmo jeito que me amava... o jeito que eu pensava que me amava. Queria que ele voltasse. Por mim mesma. De repente não queria partilhá-lo mais.

Não acho que alguma vez tenha me odiado tanto como naquele momento. Peguei em sua mão e apertei-a.

- Mas isso é bom, isso é ótimo - disse eu... tentando falar com uma voz tranqüila. – Foi justamente isso que eu previ. É claro que você está se apaixonando por ela. Ela é bonita e brilhante e, por que não dizer, é minha melhor amiga. Tenho bom gosto quando se trata de amigos. Isso é bom - acrescentei eu, rindo alegremente - , isso é bom, Edward. Santo Deus, não lute contra isso.

- Não é o que eu queria que acontecesse. Queria você.

- Está tudo bem, Edward. De verdade.

Edward deu um murro na mesa. Ela balançou para a frente e para trás no chão de cimento da varanda.

- Não sou como você - disse ele, levantando num pulo. - Gosto das coisas claras e simples. Amo você. Quero ficar com você. Sei que estamos tentando fazer o melhor pela Alice. Sim , ela é uma garota legal, e sei que seria natural que eu me sentisse atraído por ela, mas que droga, Bella, deveria ser você e eu. Mas você conseguiu tornar tudo complicado e impossível.

Fiquei observando, enquanto andava de um lado para outro. Simples - sou eu, pensei. Era ele que estava complicando as coisas.

- Edward - disse eu -, escute: Alice não sabe que vai morrer. Pensa que você a ama e que vocês vão ser felizes juntos. Contar-lhe a verdade agora seria inútil e desonesto. Você, honestamente, gosta de Alice. Ótimo. Ninguém lhe disse que está curada e que vai viver para sempre. Ninguém mentiu sobre isso. Então, o que há de errado em fazê-la feliz por algum tempo?

- É errado se você, não for feliz. No final ela vai perceber tudo, no final vai saber que você está ressentida com ela, sem saber por que exatamente. Ou... ou, quando eu a estiver beijando e pensando em você ou coisa assim, será como naqueles filmes de terceira categoria em que você deixa escapar o nome errado.

- Ou talvez você a beije pensando nela apenas - disse eu, calmamente. - Talvez você esteja com medo disso.

Foi minha vez de levantar.

- Não vou ficar ressentida com Alice, Edward, porque foi decisão minha. Além disso, não há nenhum "no final". "No final" envolve tempo. E Alice não tem nenhum.

- E o que acontecerá quando ela... se ela...

- Vire essa boca pra lá! Isso é mórbido e horrível.

- E se eu me apaixonar por ela, Bella? - sussurrou Edward.

- Então, talvez você não esteja realmente apaixonado por mim.

Edward virou-se abruptamente e saiu andando, a passos largos pelo jardim lateral. Acompanhei-o até a entrada. Nessie ainda estava sentada na moto.

- Como está Morgan? - perguntou ela.

- Ele está bem. Ele se divertiu muito com você aquele dia.

- Talvez a gente possa ir lá um outro dia.

- Quem sabe - Edward colocou o capacete e Nessie desceu da moto.

- Ele está bem mesmo? - perguntei. Edward olhou-me friamente.

- Conversamos muito e ele prometeu se comportar. Está tudo sob controle.

- Alice disse-me que ele andou saindo por aí, de novo.

- Eu disse que está tudo bem. - Edward ligou a moto, e o ar vibrou com o barulho.

- Se você precisar de ajuda..

- Penso que não.

Edward acenou para Nessie e saiu fazendo um barulho ensurdecedor. Ela ficou observando-o com a cabeça erguida e, quando ele desapareceu lá embaixo na estrada, me olhou de esguelha.

- Não estou entendendo nada - disse ela.

- O quê?

- Não entendo você, ele e Alice.

- Eu falei para você, Nessie. Ele gosta de Alice agora.

- Mas pensei que ele gostasse de você. - Sua expressão era a de alguém que sabia que estava sendo enganado, mas não conseguia entender como.

- É complicado, Nessie. - Sentei na escada da porta da frente. - A gente chega a determinada fase da vida e tudo se complica. Às vezes penso que seria melhor ter ficado com sua idade para sempre.

- Mas não é muito legal. É uma idade muito chata. Dez é uma idade horrorosa. É como se você fosse invisível.

Ela pegou sua bola de basquetebol que estava escondida debaixo de um arbusto e começou a driblar.

- Você acha que talvez, algum dia, a gente possa ir ver Morgan e os animais de novo? - perguntou ela, num tom indiferente.

- Algum dia, quem sabe. Mas não imediatamente.

Nessie driblou mais rápido, fazendo um círculo fechado na entrada da garagem.

- Ei, o meu jogo vai ser logo. Um grande torneio - falou ela com uma voz neutra. – Você pode ir? Vai ser no sábado de manhã.

- Claro.

- De verdade?

- É óbvio, Nessie.

- Você quer jogar bola?

- Acho que não. Tenho de terminar um trabalho. - Sai em direção à porta.

- Bella? - chamou Nessie. Ela parou de driblar.

- Sim?

- Por que não podemos ir visitar o Morgan?

- É meio...

- Não importa, eu sei - Nessie encolheu os ombros. - É complicado.


- Parece que por aqui não tem nenhum ninho ainda - falou Alice numa sexta-feira à tarde, duas semanas depois, quando caminhávamos na praia das Tartarugas. Ela se deitou de costas na areia branca e quente e se apoiou nos cotovelos.

- Está muito cedo - disse eu. - Você está cansada?

- Não, apenas com preguiça.

Ela estava faltando às aulas com mais freqüência ultimamente, um dia aqui, outro lá. As sessões de radioterapia tinham sido suspensas, mas ela ainda estava exaurida, principalmente depois de um dia inteiro na escola. Ela parecia tão frágil! Entendi por que Carmen passava o dia forçando-a a comer seus mexidos de alto teor de gordura. Os ossos delicados de seu rosto apareciam cada vez mais e seus olhos tinham uma expressão perdida como a de uma criança.

Sentei ao lado de Alice e ficamos observando enquanto um castelo de areia muito bem-feito, obviamente um trabalho de muitas horas, se dissolvia como açúcar quando as ondas o lambiam.

- Consegui, finalmente. Disse ao Edward que o amava - anunciou Alice, muito feliz. - Então ele respondeu que receava estar meio caído por mim. Achei tão bom quanto o básico pode ser.. Embora preferisse que fosse dito de uma forma mais relaxada.

Olhei fixamente para a areia.

- Estou realmente feliz por você, Allie - consegui falar, finalmente.

- Você vai encontrar uma pessoa tão legal quanto ele, sabe.

- Eu sei.

- Até meus pais o adoram - disse Alice. - às vezes, acho que é bom demais para ser verdade. Você acha que estou tendo alucinações? Quero dizer, alguns daqueles remédios que estou tomando são muito fortes.

- Se você estiver tendo alucinações aproveite e arrume um cara bonito para mim.

Alice riu. Ficamos em silêncio observando as ondas tranqüilas. O mar estava calmo naquele dia e a praia também. Grossas nuvens escuras acumulavam-se no horizonte e o ar estava parado e úmido. Percebi que era a primeira vez que voltávamos àquele lugar desde o dia em que Alice me contara sobre sua doença.

- Quando eu morrer, quero minhas cinzas espalhadas por aqui - disse Alice, de repente.

Fiquei gelada. Não se eu morrer. Mas quando.

- Não na água. Todo mundo faz isso - continuou ela. Naquela grama onde encontramos o ninho.

Eu continuava olhando para o castelo de areia, agora uma massa disforme, lisa e marrom como uma escultura moderna.

- Não sei se quero ser cremada - disse eu; apenas um comentário espontâneo no meio de uma conversa espontânea. - Não me agrada nem um pouco essa idéia de ficar num caixão embaixo da terra. Eu sou claustrofóbica demais. Mas continuo achando que o fogo causaria dor. É loucura, é claro. - Estava falando demais, mas não conseguia parar. - Até gosto da ideia de funeral na água - a canoa remando para o alto-mar ao som de uma linda canção de marinheiro ou coisa assim. Li uma vez que, nas Ilhas Salomão, eles simplesmente colocam você num recife para ser comida pelos tubarões.

- Interessante - disse Alice. - Lembra-te que és pó e pro tubarão irás tornar. E Tudo faz parte da grande transformação cósmica. A cientista que há em mim gosta disso – disse ela, me observando enquanto virava de lado. - O que você acha que acontece quando morremos, Bella?

- Não sei - disse eu baixinho. - Preferia pensar que vamos para um lugar em que não houvesse espinhas e coisas assim. Mas não consigo encontrar nenhuma religião que esteja de acordo com essa ideia.

- A de Carmen está. Ela vive mergulhada nas cerimonias religiosas em louvor aos céus. Ela chega a ir à igreja três vezes por semana para rezar por mim, não lhe contei? Chega a ser irritante. Agradeci a ela e lhe disse que preferiria que ela bordasse outro colete para mim. Parece que a essa altura é mais razoável fazer isso.

Ela estava me dizendo que sabia. Ela soubera o tempo todo, mas ninguém, incluindo Esme, Carlisle e provavelmente Edward mesmo podia admitir. Todos nós éramos covardes. Alice deixou que fingíssemos que tudo estava bem. Somente agora, finalmente, ela estava se cansando da encenação.

Sentia uma agitação interior e estava a ponto de chorar. Era minha chance de ajudá-la a superar tudo isso, mas não conseguia. Eu não era a pessoa certa, disse a mim mesma. Mas eu era sua melhor amiga. Os melhores amigos são aqueles para quem dizemos todas as coisas que nunca diriamos aos pais. Coisas como: eu sei que estou morrendo e estou com medo. Mas nada que eu pudesse dizer a faria se sentir melhor: nenhuma mentirinha, nada. Eu era boa em contar pequenas mentiras para agradar às pessoas. Teria dito a ela o que ela gostasse de ouvir, mas, desta vez, não sabia o que era.

- Lembra-se do dia em que viemos aqui? - disse eu, observando as ondas que vinham e voltavam. - Por que você não disse logo que estava doente ?

- Que diferença faria a essa altura?

- Mas você não foi honesta comigo.

- Você está brava?

- Eu estava - disse. As ondas engoliram o último castelo. - Mas depois compreendi que você fizera isso para me proteger. - Alice pigarreou.

- Minha mãe está falando em irmos para Miami e morarmos num apartamento lá.

- Por quê?

Pela primeira vez pensei que ela pudesse fraquejar. Ela estava tremendo e abraçava os joelhos e sua boca se agitava por causa do esforço que fazia para não chorar. Ela lembrava uma daquelas estatuetas de porcelana com pequenas rachaduras sob a pintura parecidas com as que minha avó colecionava. Sabia que se ela começasse a chorar se espatifaria em mil pedaços na areia e eu não conseguiria juntá-los novamente.

- Conte-me, Allie - disse eu, me acalmando. - Vai lhe fazer bem.

- Ela diz que acha que vou ter uma assistência melhor lá se alguma coisa acontecer. Mas não quero voltar para lá, Bella. É como uma sala de espera para a morte.

Ela começou a soluçar e seu choro era manso e infantil como se não tivesse mais energia. Abracei-a. Não sabia o que dizer. Havia apenas um grande vazio horrível dentro de mim.

- Aonde quer que você vá, estarei com você - prometi.

- Você não pode fazer isso - disse ela, soluçando. - Não pode ser assim. Você tem de ir à escola e viver sua vida.

Ela fechou os olhos e percebi que estava tentando se recompor.

- Quem sabe? - perguntou-se, baixinho. - Pode ser que eu morra dormindo na minha própria cama. Seria uma solução.

Ela enxugou os olhos, afastou-se constrangida e se levantou com esforço.

- Mil desculpas - disse ela. - Foi apenas um pequeno exercício de autocomiseração. Os analgésicos me deixam chorosa.

- Não se sinta arrependida. Por favor – disse eu, levantando-me. Fiquei remexendo a minha mochila procurando minhas chaves para ganhar tempo. Eu não estava conseguindo ajudá-la. Estava fingindo, porque fingir era mais fácil. Decidi encarar seus olhos assustados. Talvez fosse melhor ser honesta e me sair mal do que mentir e me sair bem.

- Você sabe o que eu acho, Allie?

Ela fungou.

- O que ?

- Acho - disse eu, devagar, tentando encontrar as palavras - que quando as pessoas morrem é de alguma forma... bem, como as tartarugas.

Tive receio de que ela risse de mim, mas não o fez.

- O que quero dizer é que temos a responsabilidade de preservá-las para que as outras gerações possam vê-las. Penso que é a mesma coisa com as pessoas. É nossa função preservar uma parte da pessoa de quem gostamos. Mesmo, sabe, depois que elas se vão.

Olhei para o lugar onde estava o castelo. Sobrara apenas a areia escura molhada, lisa e sem forma.

- Não sei o que acontece quando morremos, Alice. Mas o que eu sei é que, se um dia eu perder você, você estará comigo. Para sempre.

Fiquei calada por um momento.

- Sinto muito. Não sei o que dizer, ou talvez simplesmente não saiba como dizer - acrescentei sem jeito.

Alice seguiu meu olhar enquanto eu observava a areia e a imensidão das águas além dela.

- Sim - disse ela, bem baixinho. - Sim, você sabe.


N/A: Agora sim é que os problemas começaram.

A Bella está sentindo na pele as decisões que tomou, e o pior é que todo mundo percebeu que ia dar errado, mas quem ia dizer que o Edward ESTÁ GOSTANDO DELA? Puuutz...

Ah meninas, eu sei que demorei, mas é que essas semanas tem sido infernais- no pior sentido possível – então pra compensar, eu vou postar dois capítulos essa semana

(talvez na sexta...)

Respondendo:

Lih: A Alice ta muito feliz e apaixonada, mas Alice é Alice, nossa pequena psíquica, ela vai nos dar algumas surpresas ainda . Bjcas pra você também ^^

Geo: Cheguei =] A Alice á feliz, mas dá pra ver que ela também sofre, e a Bella se arrependendo já... Bjcas *-*

Lari SL: É, o que ninguém vai sentir falta nessa fic é confusão! Os problemas só começaram com o triangulo Alice, Bella e Edward, mas assim dá uma diferenciada neah? Bjcas pra você também ^^

tassia belle: Tem razão no sentido de perder ele sabe, o amor deles poderia ficar ou tão machucados que os reparos seriam bem complicados, ou eles poderiam sair fortalecidos depois dessa :/ Mas como todo ato tem sua conseqüência, ela já está sofrendo as dela; A Bella não é tão inumana, ela sente as dores do ciúmes, mas ela põe a felicidade da Alice em primeiro lugar...

Ai, eu baixei o ebook pra poder adaptar essa fic, e nele estava essa frase (também não tinha entendido, mas...) e quando você me mandou a review, tentei achar ele com oura frase com mais sentido, mas eu realmente não achei *sorry*. Um beijo pra você também *-*

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PS: Estou postando hoje também ENTRE IRMÃOS , por você não passa lá e me deixa uma review?

Bjcas,

Days3