Capítulo 10 – A Fênix Renasce das Cinzas Parte I


"Em algum lugar sempre me disseram para ser simplesmente uma coisa: um sobrevivente. Porque se você é assim, você será como a fênix, que mesmo depois de queimar e arder e morrer renasce das cinzas trazendo esperança novamente ao mundo" – by 1 Lily Evans


3913, Algum Lugar do Mundo.

Meldrem observava Madelayne se movendo envolta da cabana, a vampira continuava insistindo que ele não estava bem o suficiente e ele não entendia porque ela se importava. Mas ainda assim gostava que ela o fizesse.

- Vai me manter seu prisioneiro por quanto tempo mais? – a pergunta apesar de ela achar que era pela pressa que ele tinha de sair dali era na verdade para descobrir quanto tempo tinha com ela.

- Até você ficar completamente bem. – ela retrucou áspera.

No segundo seguinte os lábios dele estavam colados com os dela e ela não sabia quando ele levantara e quando chegara tão próximo. Tudo que podia fazer era se sentir consumir e perder. Meldrem era sua perdição.

Ele nunca planejara beijar a vampira, mas quando percebera já o fizera. E agora queimava, ardia e ardia, ela o consumia por completo, não havia em sua mente um único pensamento que não era para ela. Madelayne seria sua salvação.

- O que você vai fazer comigo? – ela sussurrou, os olhos verdes atordoados de paixão e confusão presos nos negros dele.

- Eu irei consumir você.

Apesar das palavras dele Madelayne não conseguia se importar, não conseguia se mover, presa em qualquer que fosse o feitiço que Meldrem fizera contra ela. Tudo que a vampira pode fazer foi puxar o rosto dele em direção ao seu, foi tocar seus lábios com os dele, arranhar a nuca dele e o beijar com toda a paixão que sentia.

E tudo que ele poderia fazer era retribuir.

Porque ambos estavam queimando em chamas, e sabiam que estavam destinados a ir para o inferno, então... Porque não jogar tudo de lado e simplesmente aproveitar?

Eles haviam acabado de se tornar o vício um do outro. E como bons viciados não estavam prontos para desistir um do outro, sabiam como qualquer outra pessoa que aquela relação era fadada a dor e desgraça, que nunca poderia dar certo, mas talvez fosse isso que os fizesse desejá-la com tanto afinco.

Mesmo quando não conversavam ou quando trocavam palavras ásperas um com o outro aquele sentimento de completude estava ali, os enchendo, tomando e acariciando, era como se só estivessem completos um perto do outro.

Eram esses sentimentos que eles tentavam negar e ignorar, mas sabiam que mais cedo ou mais tarde esse fogo que os consumia ou os destruiria ou os afastaria.

E ambos não tinham mais certeza de qual era a pior opção.

Madelayne não conseguia mais passar um dia sem esperar ansiosamente pelos momentos que iria se encontrar com Meldrem e contar como fora seu dia e o bruxo por sua vez simplesmente conseguia esperar com uma ânsia quase desesperada os momentos que tinha junto de Madelayne.

Algo que Kahlan nunca previra acabara de acontecer.

Uma Bloowari se apaixonara por Meldrem...

... Novamente.


Kahlan estava sonhando. E em seu sonho ela voltava ao antigo mundo e ia flutuando para a Escócia no ano de 2009 e ela e Albus estão sorrindo um para o outro, seus dedos se tocando de leve. De repente, o sonho entra dentro de um sonho e a bruxa se vê com Charlus... Mas em seu sonho dentro de um sonho Charlus não morre depois da consumação de sua união e sim se junta há ela eternamente.

E então ela sente tudo girar e volta para 2009, dessa vez ela e Albus estão praticamente magia, eles estão estudando a arte da magica da natureza, baseando-se nela e tirando suas forças somente delas, é uma lembrança forte e persistente e Kahlan se deixa inundar por ela.


Escócia, 2009;

Albus sorria para Kahlan enquanto ambos estavam sentados de pernas cruzados em uma pequena colina que haviam encontrado dias antes, ele estava de frente para ela e os cabelos ruivos dele e os castanhos dela balançavam com o vento que passava pela colina.

Ele calmamente pegou a mão dela e virou a palma para cima, sempre sorrindo. Os olhos dela, brilhantes e negros como a noite, estavam curiosos pousados nele.

- Tudo que somos e tudo que seremos é energia. Viemos dela e voltaremos para ela. – ele enquanto falava traçava pequenas invisíveis linhas na palma da mão da bruxa – Mas alguns de nós podemos puxar e utilizar essa mesma energia através de uma conexão maior que temos com o cosmos, isso é o que permite bruxos como eu, fazer magica.

Kahlan sorriu divertida e perguntou de maneira insolente.

- Bruxos como você? – Albus deu de ombros e disse tranquilo.

- Eu preciso manusear a energia e a natureza para conseguir qualquer tipo de reação física visível, você pode fazer usando apenas sua própria energia contando muito pouco com qualquer força externa. Por isso, eu acredito, que você precisa da reencarnação, você desgasta seu corpo humano porque ele não tem como aguentar a carga de poder que você carrega. Pessoas comuns, carregam traços tão minúsculos de magica dentro de si que nem mesmo percebem isso, algumas outras tem traços maiores e em vários níveis eles atingem a capacidade delas de fazer e descobrir as coisas.

Isso intrigou Kahlan e a bruxa estava inclinada em direção ao ruivo, bebendo cada palavra dele.

- Como assim?

Albus sorriu e voltou a falar, explicando a complicada e complexa arte da magica.

- Você ouviu falar com certeza de pessoas que dizem ter "dons". Uns dizem poder ver os mortos, conversar, sentir coisas, ver o futuro e assim por diante, isso não é nada além do traço magico e enérgico delas. Eles estimulam certas partes da natureza das pessoas adormecidas, as fazendo ver, fazer ou todos os outros tipos de "dons" que eles alegam ter.

Kahlan estreitou os olhos e disse desconfiada, não acreditando muito na teoria de Albus, querendo desvendar cada pequeno pedaço daquelas palavras e codificá-las e esconde-las do mundo prendendo somente ela e Albus em um mundo perfeito onde podiam ter conversas sobre magica, passear pelos campos bonitos da Escócia e simplesmente aproveitar a vida esquecendo dos planos e de tudo o mais.

- Até mesmo a telecinese? – Albus deu de ombros e disse conciliador.

- Quem sabe? Tudo é possível nesse grande e misterioso mundo.

A bruxa riu de leve da resposta diplomática dele e se inclinou tocando seus lábios de leve com os de Albus. Era sempre um choque elétrico percorrendo seus corpos, e nesses momentos Kahlan quase podia acreditar no que ele falava, que eram energia e que a sua e a dele eram perfeitamente opostas de modo que sempre se atraiam, mas repeliam ao mesmo tempo.

Ela não conseguia entender sua resposta ante o misterioso e belo homem, tudo que sabia era que não controlava esses sentimentos, essas sensações.

E sendo sincera consigo mesma ela não queria controlar.

Então correndo contra seus instintos ela se entregou, ela se deixou levar, deixou que Albus invadisse seus sentidos e correspondeu avidamente ao beijo insistente dele gemendo suavemente enquanto as mãos dele lentamente passeavam por seus cabelos negros e longos e vinham para o rosto para descerem para o pescoço até o vale entre os seios.

Quando sentiu o toque leve dele em seus seios Kahlan sentiu sua pele pinicar em alerta e se forçou a se afastar completamente do toque do ruivo.

- Não... – tomava longas respirações entre suas falas – vai lhe matar.

Albus acariciou o rosto dela afetuoso, os olhos azuis brilhantes dele eram cheios de paixão e brilhavam ao encontrar os dela.

- Então eu morrerei feliz. – os olhos da bruxa estavam arregalados, cheios de medo, de paixão e de solidão.

Tudo que ela queria era se deixar levar por Albus, mas egoistamente talvez, ela não estava pronta para perdê-lo. Albus abraçou-a sentindo o conflito dela, querendo confortá-la e protegê-la mesmo sabendo que ela era praticamente invencível.

- Albus?

- Sim?

A voz dela não passava de um sussurro e as palavras que ela nunca dissera antes saíram facilmente de seus lábios.

- Eu acho que amo você.


3913, Em Algum Lugar do Mundo.

Lágrimas caiam pelos olhos fechados de Kahlan enquanto ela contemplava o doce sonho, as lembranças ainda vindo para si com força. Ela estremeceu enquanto via mais e mais flashes do rosto de Albus e vários momentos que tiveram juntos.

Era tão confuso sempre. E ela não esperava relembrar de Albus nessa vida, afinal fazia tantos anos desde que o tinha visto pela ultima vez. Ela esperava, talvez, sonhar com Charlus, James, Sirius e Remus. E Meldrem, Meldrem por mais que se odiassem sempre seria uma das maiores partes de sua vida.

Ele foi um bebê tão bonito, o pensamento sobrevoou a mente adormecida da Fênix, e então ela se lembrou dos momentos confusos de quando se descobriu gravida e seus poderes começaram a simplesmente crescer junto da criança em seu ventre.

Era algo tão poderoso, tão magnifico e Kahlan nunca poderia negar as memórias da infância de Meldrem, pois fora a única época que fora total e completamente feliz.

1368, Inglaterra.

Kahlan sorriu para seu adorável filho, Meldrem completara cinco anos no mês anterior e estava extremamente orgulhoso de si mesmo e ela dele.

Ambos haviam conseguido sobreviver ás perseguições contra seu tipo – bruxos – e vivam extremamente bem dentro da floresta em uma clareira encantada que somente aqueles que Kahlan permitia podiam entrar.

Meldrem, naquele momento estava sentado no chão e cavava calmamente um buraco na terra, parecendo não fazer sentindo algum simplesmente brincando para se divertir. Kahlan sorriu ainda mais, seu rosto brilhando orgulhoso enquanto observava o único filho, a bruxa logo se moveu e sentou-se atrás de Meldrem o abraçando e puxando para seu colo dando um beijo no rostinho infantil e belo de seu filho.

- Mamãe? – ele perguntou com sua vozinha fina, adorável. Kahlan suspirou contente e então respondeu de maneira calma.

- Sim, Meldrem?

- Vamos ficar juntos para sempre não é? – Kahlan sorriu para ele e o virando de modo a olhar nos olhos escuros dele disse dando um beijinho esquimó nele.

- Para sempre. – era uma promessa que Kahlan pretendia cumprir.

O pequeno garotinho apertou seus bracinhos envolta da mãe abraçando-a com força. Kahlan o abraçou de volta aspirando o doce aroma de criança que Meldrem ainda guardava. Sorriu se afastando minutos depois e dando um leve peteleco no nariz dele disse sorrindo enormemente.

- Quer apostar comigo uma corrida até as arvores?

- Sim! – os olhos dela brilharam e ela disse sorrindo enormemente.

- Quando eu contar até três...

- Um... – antes que ela sequer pudesse dizer dois Meldrem já saíra correndo, Kahlan riu alto e revirou os olhos correndo atrás do filho. Assim que o alcançou a bruxa o pegou no colo e girou no ar enchendo o rosto gorducho dele de beijos.

- Seu pequeno trapaceiro! – Meldrem ria tanto que estava vermelho.

- Amo você mamãe. – os olhos e o sorriso de Kahlan ficaram quentes, a bruxa ficou com tamanha beleza que era deslumbrante, a deixava completamente linda, poderosa e fascinante.

- Eu também o amo, meu querido. Mais que tudo no mundo. – E Meldrem voltou a abraçar sua mãe.


3913, Em Algum Lugar do Mundo.

Uma lágrima verdadeira de pesar escapou dos olhos de Kahlan e ela suspirou fortemente ainda presa em sua maré de lembranças. Doía apesar de ela nunca admitir isso, doía como se houvesse sido no dia anterior a traição de Meldrem. Desde que soubera que estava gravida Kahlan já o amara com todas as suas forças.

A cada momento, cada passo da vida dele ela passara amando-o e isso somente fizera sua traição pior. Por isso, ela nunca mais deixara ninguém ter aquele tipo de amor dela, aquele controle.

E ela nunca deixaria.

Kahlan sentia seu peito começar a queimar e seus olhos fechados se apertaram, uma solitária lágrima escorreu pelo rosto moreno da bruxa, uma lágrima por ela mesma, pela dor, pelas vidas passadas, por James e os outros, por Albus, por Charlus, por Ephraim... por Meldrem.


1273, Inglaterra.

Um homem alto, forte e corpulento andava envolta da pequena e modesta cabana parecendo irritado, como um animal enjaulado. Cabelos negros sujos caiam por seus olhos, muito lisos. Olhos castanhos claros e animalescos o completavam. Ele parecia ameaçador, abrindo e fechando os punhos como se tentasse se controlar para não socar algo. Ele olhava constantemente para a janela e o sol, vendo-o começar a se por lentamente. Cada vez parecendo mais e mais irritado e impaciente. Seus olhos estavam vermelhos e injetados de bebida.

A porta da cabana se abriu.

Uma garota de não mais que 15 anos entrou. Cabelos longos e negros caiam por suas costas em uma massa brilhante e tão escura quanto às asas de um corvo, a pele de porcelana extremamente branca como neve, as bochechas vermelhas pela corrida, um pouco de suor escorrendo pelos cantos da testa dela enquanto a garota entrava na cabana carregando um pesado balde de madeira cheio de água.

Ela tinha grandes e brilhantes olhos azuis. Azuis cristalinos, eles brilhavam enquanto ela carregava a água pesada para dentro. Olhos puros, inocentes e sem qualquer traço de maldade. Olhos de criança, um pequeno morder de lábio indicava o peso do balde, mas seus olhos inocentes continuavam límpidos e felizes. Puros.

Até que ela o viu. E então algo brilhou na pureza do olhar dela... Algo sombrio e escuro...

Medo. Terror.

- Pai... – ela sussurrou. Uma voz doce e tão cristalina quanto seus olhos. Surpresa e medo se mostravam naquela voz tão claro quanto o sol iluminando a cabana.

- Onde você estava? – ele rosnou. Sua voz ameaçadora reverberando por toda a pequena cabana e fazendo a garota estremecer. Ela abaixou os olhos, assustada.

- Eu estava buscando água. – ela sussurrou ainda de cabeça baixa.

Ele rosnou algum impropério qualquer e então chutou com força o balde que ela colocara no chão minutos antes, fazendo toda a água cair e se espalhar pelo chão. A garota tremeu um pouco mais, mas nada disse.

- Eu lhe dei permissão para sair? – ele perguntou parando de frente para ela, sua voz rude e alta cada vez mais irritada.

Ela nada respondeu. Ele socou a mesa atrás dela com força a fazendo pular assustada brevemente, os pratos e copos em cima da mesa tremeram, mas não caíram.

- EU FIZ UMA PERGUNTA! – ele gritou furioso ao não ter resposta. Ela soltou um ganido baixo, mais assustada ainda.

- Não... Não, pai. – respondeu rapidamente. O homem então puxou violentamente o rosto dela para cima, os olhos castanhos e bêbados dele encarando longamente ela.

- Então você merece ser castigada. – ele disse com um sorriso apreciativo. Ela tremeu toda e mais medo brilhou em seus olhos, fazendo-o sorrir. Logo ela disse desesperada.

- Por favor, pai. Eu prometo que nunca mais irei sair sem pedir... Eu prometo! – ela chorou desesperada, vendo a cada segundo o quanto o homem se regozijava com suas suplicas. Os olhos injetados dele brilhando enquanto ouvia o tom dela, a sentia tremer e via o medo nos olhos dela.

- Mas você foi uma má garota, e tem que ser castigada para que aprenda sua lição. – ele disse lambendo os lábios, como se apreciando um prato particularmente apetitoso.

- Por favor... – ela suplicou sem esperanças.

Ela sabia o que aconteceria. Acontecera o mesmo com sua mãe e irmãs. No início, eles haviam sido uma família feliz. Ela era a filha mais nova de um casal que se amava muito, tinha três irmãs mais velhas, todas tão bonitas quanto ela. Com os mesmos olhos azuis cristalinos. Charlotte, Vanessa e Camila. Todas lindas, com sua própria beleza e graça. E sua mãe, Antonietta.

Tudo começara com ela, era a verdade. Ela tinha confessado em uma noite estrelada para as filhas que todas elas eram 'especiais', e que estava apaixonada e pretendia deixar o pai delas, pediu para as filhas irem junto. Na época, ela era pequena demais para entender realmente do que se tratava, tudo que sabia era que faria qualquer coisa pela mãe. Suas irmãs também o fariam, apesar de serem mais velhas e entenderem bem onde a mãe queria chegar.

Quando seu pai descobriu, ele ficou furioso. Obrigou-as a passar dias na casa da avó delas e quando voltaram tudo que ele comentara sobre a mãe delas fora que 'ela se fora e estavam melhores sem ela'. Todas elas sabiam a verdade, sabiam que ele havia matado Antonietta.

Meses depois ele ficava cada vez mais irritadiço e controlador, as impedindo de se afastar muito e ir à cidade, mesmo quando precisavam de comida ou qualquer outra coisa. Charlotte, um dia cansada de receber tantas ordens e ardendo por liberdade desobedeceu ao pai e foi à cidade, naquele dia ela conheceu um jovem por quem viria a se apaixonar loucamente. Começou a se encontrar escondida com ele, sempre que o pai saia.

Mas, é claro, que isso não iria durar muito. Um dia eles as surpreendeu chegando mais cedo de uma de suas caçadas e encontrou Charlotte arrumando as coisas das irmãs junto do rapaz, prontos para fugirem todos. Ele imediatamente matou o rapaz, em um ataque furioso. Charlotte louca de dor arranhou o rosto dele – lhe dando a cicatriz que tinha até hoje – em resposta ao golpe da garota ele a jogou contra a parede e começou a surrá-la até que os gritos de Charlotte eram ouvidos de longe.

Depois que batera tanto nela que a fizera perder a consciência ele criou uma enorme fogueira e jogou o corpo do rapaz para queimar, quando Charlotte acordou momentos depois e tentou se jogar no fogo junto do garoto da vila, ele simplesmente deu mais um tapa no rosto já inchado e roxo dela e rasgando as saias da garota a violentou na grama mesmo, em frente às outras filhas.

A tortura para Charlotte, entretanto, não acabou rapidamente. Ele, sem intenção, acabou gostando da sensação de poder que o estupro lhe dava. E durante um ano inteiro abusou de todas as formas de Charlotte e cada vez que ela tentava lutar ele a surrava até perder a consciência e ameaçava. Até que um dia a jovem garota não aguentou e se suicidou tomando um vidro inteiro de veneno e cortando os pulsos.

Nunca mais se ouviu o nome dela, era algo proibido lá. Todas as garotas criaram um medo terrível pelo antes amoroso pai, sempre que ele estava por perto elas se encolhiam e tentavam se fazer despercebidas.

Mais um ano se passou.

Naquele ano Vanessa começou a se rebelar contra o pai, secretamente durante a noite conspirava com as irmãs para matá-lo. Todas as noites elas traçavam um plano tão bem enredado que realmente seria possível dar certo, se Elliot – pai delas – não fosse tão desconfiado.

Ele começou a desconfiar que havia algo de errado com as garotas quando cada vez mais cedo elas iam para a cama, uma noite ficou ouvindo atrás da porta. Naquela noite ele quebrou o pescoço de três animais diferentes em sua ânsia de controlar a fúria e se vingar das filhas.

No dia seguinte ele agiu normalmente, talvez até afável. Mas ficou na cabana o dia inteiro. Isso as deixava nervosas e ele gostava de provocar essa reação nelas, gostava de deixa-las imaginando o que ele planejava. Esperou até anoitecer então entrou no quarto que era das três garotas, todas elas dormiam pacificas.

Ele amarrou e vendou todas elas menos Vanessa, enquanto a garota tentava fugir ele a puxou violentamente e rasgando o vestido dela rudemente ele começou a morder a garota, deixando marcas e às vezes arrancando sangue, tudo que a pobre garota de apenas 14 anos podia fazer ela gritar, se contorcer e lutar o máximo possível.

O fim foi o mesmo. Ele abusou dela ainda mais violentamente que de Charlotte, mas ao contrario de Charlotte a cada vez que Vanessa desmaiava ele a despertava com tapas. Ele manteve as garotas amarradas e vendadas na cama por dois dias inteiros, os quais passou abusando de Vanessa e a surrando. Quando acabou com a pobre garota, ela não consiga andar, mal se mexia de tanta dor.

Elliot logo começou a beber mais e mais e algumas vezes trazia 'amigos' que pagavam para mostrar o pequeno show particular com a pobre Vanessa. Às vezes, se o homem recebia um pagamento generoso o suficiente ele os deixava ter sua vez com a garota.

Dois anos foi tudo que Vanessa aguentou, logo antes de pegar uma poderosíssima gripe e falecer não conseguindo sobreviver a febre. Somente sobraram as duas, Camila e ela.

E Camila, como se podia adivinhar, havia sofrido o mesmo destino das irmãs anteriores. A diferença é que além de ter Elliot abusando de si, ele forçou a garota a se prostituir também, para conseguir dinheiro para bancar seu vício.

Em 1271 Camila morreu no parto da criança que acabara engravidando depois de tantos anos de abuso. Finalmente, sobrara somente ela e Elliot. Ele parecia ignorar sua existência...

Até aquele momento. Ela podia ver nos olhos dele o que iria acontecer, ela podia pressentir e quando fechava os olhos ela ainda podia ver os rostos cheios de dor, medo e desesperança de suas irmãs, e ainda se lembrava do apelo desesperado de Camila.

Fuja, fuja enquanto ainda pode. Enquanto é pequena e não chama a atenção dele, eu o distraio e durante a noite você foge, o mais longe possível, nunca volte.

E ela quase o fizera, mas sua covardia misturado ao desejo de não deixar a irmã para trás a prenderam naquele inferno. E agora ela se arrependia amargamente disso.

- Eu estou falando com você! – ele berrou dando um tapa tão forte no rosto dela que a garota viu estrelas brilharem em seus olhos e caiu no chão sentindo o gosto de sangue na boca.

- Desculpe... – sussurrou, os olhos ardendo pelas lágrimas que ela se recusava a derramar.

Ela sabia todos os hábitos dele, da forma como ele preferia tudo. Ele gostava de berrar e deixar isso bem claro enquanto estuprava suas irmãs. Ela sabia que a cada grito, cada gemido de dor, cada lágrima ele sentiria mais prazer.

E se ela podia negar essas pequenas coisas para ele, ela negaria. Ela não o deixaria destruí-la.

O chute em seu estomago tirou seu fôlego e mesmo contra a sua vontade um choramingo de dor escapou de seus lábios, ele mostrou os dentes em um sorriso animal e se inclinou. Ela tentou se arrastar e afastar dele, as costas arranhando no chão sujo e molhado.

Ela sabia que não iria adiantar, que ele teria o que queria, mas tinha de tentar. Ele agarrou com tudo o decote de seu vestido e ela fechou com força os olhos sentindo o tecido ceder ante a pressão e força rude que ele fez ao puxá-lo. Enquanto sentia os olhos dele por seu corpo, estremeceu de asco.

Ao sentir as mãos grandes e calejadas, completamente sujas dele sobre seu corpo tudo que ela queria era vomitar e se afastar. Ele deitou por sobre seu corpo rindo maliciosamente e mordendo o pescoço, ombro, seios e lóbulo da orelha dela.

- Você é minha. – ele sussurrou e então em um movimento brusco, rude e sem qualquer cuidado ele a penetrou com força a fazendo mesmo sem querer gritar alto.

Lágrimas que ela bravamente conterá escaparam de seus lábios enquanto ele se movia sobre seu corpo e sussurra aquela pequena frase de três palavras.

Ele podia ter seu corpo, ele podia ter sua virgindade. Mas ela nunca o deixaria possuir sua alma. Ela não quebraria e desistiria como as irmãs.

Ela as vingaria, vingaria a si mesma e a mãe.

Ela o mataria, a conclusão chegou rapidamente para a garota jovem demais para sofrer de tal maneira ao mesmo tempo em que o velho asqueroso que deveria ser seu pai gritava seu nome para o mundo, em um orgasmo roubado. Em um ato imundo e sujo.

- KAHLAN!


Meldrem abriu os olhos lentamente e ao ver Madelayne molhando um pequeno trapinho e passando no pescoço e nos braços ficou em total e completo silencio, observando a vampira.

- É um habito muito feio ficar observando os outros sem que eles saibam. – Madelayne disse surpreendendo o bruxo, mas logo Meldrem sorriu malicioso.

- Você sabia que eu estava olhando. – Madelayne olhou para ele e sorriu revirando os olhos.

- Isso não faz realmente diferença. – Meldrem da de ombros, mas não se desculpas, ao invés disso se levanta sob os protestos da vampira.

- Se você vai ficar dançando nervosa por ai, eu vou levantar e ir atrás de você.

Madelayne parou e olhar para ele falsamente irritada.

- Eu não estou dançando nervosa!

- Blá blá blá. – Meldrem disse e então puxou o rosto dela em direção ao seu colando seus lábios com os da vampira.

Madelayne correspondeu por vários minutos, mas logo o afastou, os olhos verde jade brilhando cheios de confusão e algo mais. Ela tremeu a cabeça e respirou fundo, tentando controlar a respiração ofegante.

- Isso é terrivelmente errado.

- Porque? – ele perguntou calmamente, como se não soubesse o motivo. Madelayne se afastou dele e passou a mão nos cabelos dourados.

- Porque? Porque? – ela repetiu levemente histérica. – Nós somos inimigos! É suposto ser assim! Eu deveria matá-lo ou morrer tentando!

Meldrem se aproximou mais dela.

- Mas você não vai. Ou vai Madelayne? – os olhos negros dele prendiam os dela, a encantavam e mantinham cativa de seu feitiço.

- Eu... Eu... – a vampira tentou falar e Meldrem levantou suas mãos acariciando o rosto dela.

- Não é porque Kahlan diz algo que isso seja lei e verdade absoluta, Maddy.

A vampira abaixou os olhos em conflito com o que queria e com o que sabia ser certo. Respirou fundo várias vezes tentando descobrir o que fazer, mas nenhuma resposta lhe veio a mente.

- Eu sei disso. – falou por fim. – Mas...

- Sem 'mas'. – Meldrem disse imediatamente virando o rosto dela para si. – Liberte-se Madelayne, solte as amarras que colocou em si mesma tão duramente.

Ela levanta suavemente o rosto e da um sorriso tímido, as bochechas dela estão levemente avermelhadas. E então ela morde o lábio inferior e diz baixinho.

- É difícil Meldrem... Não sou só eu. – Ele puxa então o rosto dela de leve e a faz olhar para si então toca o peito dela, diretamente no coração.

- Somente você manda aqui. – ela olha dentro dos olhos dele por vários segundos então puxa delicadamente a mão dele de seu coração e coloca sobre o coração dele.

- Você também é o único que manda ai, Meldrem. – ela fala suavemente, sem desviar o olhar. – Somente você pode escolher se quer salvo.

Ele se aproxima mais dela se possível e inclina levemente a cabeça, então sussurra, a voz intensa causando arrepios nela.

- Se eu permitisse... Você me salvaria? – ela não sorri quando diz, em um tom sério, finalista. É cheio de certeza, cheio de fogo e paixão.

- Eu o salvaria até mesmo do inferno Meldrem. A única maneira em que não posso ajudar é salvando você de si mesmo e mesmo assim eu sei que morrerei tentando.

Ele acaricia os cabelos dela os achando lindos e sedosos, ele respira fundo e é sincero pela primeira vez em muito tempo, confessando contra os fios sedosos dela.

- Eu não acho que existe salvação para mim... Não sozinho.

Agora é a vez de Madelayne puxar o rosto dele em direção ao seu.

- Você não esta sozinho.

- Como pode ter certeza disso? – ele sorri amargo – Um dia, quando eu melhorar – o que vai ser logo –, você me deixara partir e eu voltarei a ficar sozinho.

- Você nunca irá ficar sozinho Meldrem. Eu sempre estarei aqui por você.

Os olhos dele eram vulneráveis, o traço mais humano que ele possuía se mostrando para ela, se entregando nas mãos de Madelayne.

- É uma promessa? – a voz dele também soava infantilmente vulnerável, como se tivesse medo de acreditar. E provavelmente tinha.

- É uma promessa. – ela jura silenciosamente.

- Nunca minta para mim, Madelayne. – ele pede. – Eu prefiro uma faca nas costas a uma mentira. – Madelayne nem sequer pisca antes de respostar.

- Eu me sinto da mesma forma, para falar a verdade. E contato que você não minta para mim, eu não mentirei para você.

Ele não disse mais nada, simplesmente puxou o rosto dela em direção ao seu e finalmente colou seus lábios aos da líder das Bloowari, aquela que deveria ser sua pior inimiga.

Mas tudo que ela era para ele, era algo bem mais perigoso e ainda assim ele sabia de algo dentro de seu intimo, assim como tinha certeza que ela também o sabia. Eles seriam a morte um do outro, pois aquele sentimento louco que brotara entre eles só poderia trazer isso: morte.

Só que Meldrem sabia que antes de permitir que Madelayne se machucasse preferia arrancar o próprio coração com as mãos e entregar para Kahlan.

O traidor se apaixonara total e completamente pela mais leal da Fênix.


N/A: Esse é o capítulo mais forte até agora, na minha opinião. (E na da minha beta) E devo dizer que dessa vez a culpa da demora é de vocês... Porque eu postei o outakke e ele não recebeu nenhuminha review. Minha Mummys me deu a dica quando eu fui reclamar da review faltante dela que o motivo foi ela ter pensado que era um aviso duplicado do fanfiction, então considerando que o mesmo pode ter acontecido com minhas outras leitoras eu postei o outakke como uma fanfic separada. Ai colocarei todos os outakkes lá, certo? Bem, acho que é isso.. Dependendo da quantidade de reviews segunda ou terça feira eu coloco outro capítulo aqui ou o extra da Alisa. Vou responder as reviews agora..


Resposta das Reviews


Mariana E. Potter - Dessa vez eu cumpri minha promessa e postei o extra! *da de ombros* a culpa foi toda dos leitores que não deixaram reviews...

Luci E. Potter - Admito que quase desmaei de susto quando vi sua review vindo tão rápido Mummys! Realmente, tem sim! O que me lembra, e a cena dos centauros? Teve alguma ideia pra lá? Acho que esse virou oficialmente o capítulo favorito de todas as minhas leitoras! HSAUAUHSA Eu adoro ele também... Mas gosto um tanto quanto mais desse por causa da morte da Kahlan, ela já deu o que tinha que dar e estava na hora das Bloowari e dos Marotos se encontrarem! Como você mesma disse, pobrezinha de uma das suas personagens favoritas aposto que é uma das que menos gosta agora! HUSAHUSAHSAUSA Se nossa família fosse modesta não teria graça! E siim, essas são minhas partes favoritas também... Eu adoro esses dois juntos na verdade, me parte o coração separar eles. Sobre as sequelas do James... Nãao, não vou contar! HUSAUHSAU Achou mesmo que eu fosse, Mummys? tsk, tsk... Mas só revelo isso: vai ter sequelas sim, acredito que elas vão aparecer no 14 que estou escrevendo agora... E sabe, eu estava mesmo pensando em colocar você como uma personagem de Bloowari, só tenho que dar uma olhada no que eu posso te encaixar... Ou, é claro, você pode me dar ideias sobre isso! Sobre a próxima Kahlan que vai vir... Ahh, você vai ler sobre ela antes dos outros então nem irei revelar muito, mas admito que é uma versão mais perigosa do que a dessa. Ahh sim, assistiu LFGR com os comentarios? E estou quase terminando sua fanfic com papai Peter! Aii, olha o tamanho dessa resposta? HSUAUHSAUHAS Beeijos Mummys! Amo você.

Mammá Sana - Toodas amam esse capítulo mammá, mas aposto que você gosta mais ainda desse. Kahlan morrendo, Meldrem e Maddy se separando. E volto a dizer o que digo sempre: Sarah não consegue ganhar da Maddy /pp