Autora: Alis R. Clow
Classificação: NC-17
Disclaimer: Não são meus, blablabla, whiskas sachê
Avisos: Em algum lugar no 7º ano de Take My Hand.
Nota: Capítulo sem betagem. Era pra ser uma extra scene, mas acabou ficando com cara de ficlet mesmo. Anyway... Enjoy ;D
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Sonserina versus Corvinal. Era a semifinal do campeonato de Quadribol e quem saísse vencedor ia para a final com Grifinória, que abatera na semana anterior o time da Lufa-Lufa de maneira esmagadora. Mesmo sem alguns de seus melhores jogadores, que se formaram no ano anterior – entre eles James Potter – a Grifinória ainda tinha os melhores jogadores. Mais uma das heranças do herói do Mundo Mágico. Para as meninas e meninos da Grifinória jogar Quadribol e ser bom no jogo era uma questão de honra. Como se os grifinórios já não tivessem suas cabeças inchadas demais com idéias de honra e coragem.
As arquibancadas estavam lotadas, não apenas com os alunos das Casas envolvidas na disputa, mas aparentemente todo a Hogwarts estava ali para assistir quem seria a outra Casa a disputar a Taça. Um mar de vermelho, amarelo, azul e verde coloria o entorno do campo de Quadribol e as vozes excitadas dos alunos criavam um burburinho constante que parecia vinda de uma entidade única e não de várias pessoas.
O time da Sonserina estava perto dos vestiários, num grupo compacto de vestes verde e prata. Todos pareciam indiferentes a agitação à volta e a compostura era mantida a todo custo. Mas para quem olhasse mais de perto, perceberia as respirações um pouco alteradas e o suor que brotava na pele de cada um dos meninos e meninas do time, a despeito do clima ameno.
Albus estava recostado contra a parede do vestiário, rolando a vassoura de um lado para o outro nas mãos. Como apanhador, a carga do jogo parecia cair com mais força em cima dos ombros e Albus definitivamente lidava mal com pressões. Ele detestava profundamente sentir que alguma situação era única e exclusivamente de sua responsabilidade e ainda que Quadribol não fosse um jogo de um homem só, era óbvio que apanhar o pomo rápido resolvia os problemas da Sonserina.
O que seria muito fácil se o apanhador da Corvinal, Lewis Torper, não fosse considerado o melhor apanhador daquele ano. Título que pertencera no ano anterior a Albus.
O moreno remoeu por muito tempo a perda do título que ele já segurava nas mãos há dois anos. E, por mais que ele só tivesse perdido o pomo uma única vez para Torper naquela temporada, seu orgulho estava ferido.
E um sonserino com orgulho ferido não é uma boa coisa.
Um apito longo e alto cortou o ar e os pensamentos de Albus. O jogo ia começar.
-- Pronto, Al? – perguntou Scorpius, pondo uma mão sobre o ombro do moreno.
Al encarou Scorpius. Como sempre, ele carregava aquela expressão de calmo desinteresse, ainda que Albus pudesse ver claramente gotas de suor brotando da pele. Scorpius estava tenso também, a despeito do leve sorriso que oferecia ao Apanhador. Al sorriu de volta. Inspirou fundo e falou bem alto.
-- Vamos mostrar para esse pessoal quem manda.
Os jogadores da Sonserina rugiram em resposta, assim como a arquibancada.
Sim, era hora de mostrar quem mandava.
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Apesar do sol que aparecia no céu, estava frio. Scorpius podia sentir o vento cortando a pele conforme avançava em sua vassoura, a atenção focada na Goles. O jogo estava todo a favor da Sonserina até o momento: 60 a 30, e eles ainda estavam em posse da Goles. Claro que a diferença no placar era mínima, mas apesar do jogo fechado da Corvinal, até aquele momento, os Batedores da Sonserina estavam fazendo seu trabalho.
Mais ao alto, próximo as balizas, Albus voava, os olhos esquadrinhando o ar sem descanso. De onde Scorpius estava, metros abaixo e voando rápido, ele não podia ver isso, mas sabia que aqueles espantosos olhos verdes estariam procurando incessantemente pelo Pomo.
O outro Atacante arremessou a goles com precisão. Scorpius acelerou e rodopiou no ar, driblando um Atacante da Corvinal e agarrou a goles no momento certo. A bola se chocou seca contra a mão espalmada do loiro. Ele sorriu. Perfeição.
Outro gol foi marcado e o jogo continuou, num ritmo frenético de ataques, defesas e gols que arrancava uivos delirantes dos torcedores nas arquibancadas. Não que Scorpius pudesse ouvir qualquer coisa além do uivo do vento em seus ouvidos e os gritos dos jogadores. Tudo era um borrão coordenado de som e cores e não havia mais espaço para nada além do calor do jogo.
Tudo aconteceu num átimo: num momento Scorpius estava tentando roubar a Goles do adversário e no outro momento, estava caindo da vassoura, uma dor absurda na lateral do corpo. Balaço. Sem sombras de dúvidas. Ele ouviu Albus berrar com força suficiente para estourar os pulmões.
Eu me pergunto se isso vai doer. É, com certeza vai, pensou Scorpius enquanto sentia a perna esquerda finalmente perder contato com a vassoura e cair no vazio. Era mais que certo, aliás, era praticamente óbvio que alguém – professor, aluno ou até mesmo pura sorte – fosse parar a queda de Scorpius.
Claro que algumas coisas são tão previsíveis que chegam a doer. Quando ele sentiu um par de mãos familiares o segurarem com força suficiente para marcar, Scorpius achou que ia morrer de rir. Sério, às vezes Albus era tão previsível!
Como ele tinha voado do outro lado do campo para onde Scorpius estava e como ele manobrou para alcançá-lo em plena queda livre e conseguiu apará-lo era um mistério. Mas isso não importava muito. Scorpius só estava marginalmente consciente de que a vassoura de Albus não estava fazendo lá um excelente trabalho em se manter no ar e que eles definitivamente estavam caindo.
E rápido.
A aterrissagem foi uma das coisas mais curiosas que Scorpius experimentou. Graças a um Feitiço Amortecedor berrado por Albus contra a grama no último minuto o impacto foi mais ou menos o mesmo de despencar de um prédio de quatro andares, numa velocidade considerável, contra um mar de colchões. Ao contrário da crença popular, doía mesmo assim.
Scorpius rolou pelo chão alguns metros antes de parar. Talvez ele realmente fosse o sortudo bastardo que seus amigos sempre o acusavam de ser, porque até então o máximo que Scorpius estava sentindo era que o café da manhã estava querendo fazer o caminho de volta, que seu corpo todo doía e que era quase certo que ele tinha pelo menos uma costela quebrada do impacto do balaço.
O loiro ficou parado do jeito que caiu, o rosto voltado para o chão, respirando o cheiro de grama fresca e contemplando a própria dor.E provavelmente teria ficado ali o resto do dia, se de novo o par de mãos salvadoras não tivesse vindo virá-lo.
-- Scorpius! Merda, S, fala comigo!
O rosto de Albus estava a centímetros dos de Scorpius, tingido de preocupação e afeto. O loiro sorriu. O moreno era realmente adorável.
-- Oi, Al. – ele murmurou.
Albus soltou o ar que aparentemente estava prendendo.
-- Por Merlin e todos os Deuses, Scorpius Malfoy, nunca mais faça isso!– Albus tirou a franja do olho, os dedos trêmulos. Scorpius queria tirar ele mesmo a mecha, mas descobriu que se mexer fazia as costelas doerem, então ele ficou parado. – Eu quase morri de susto.
-- Prometo tentar não cair da vassoura novamente, senhor. – disse Scorpius baixinho, num tom de deboche. Albus torceu o nariz.
-- Eu vou assumir que se você pode fazer piadas, pode andar. – o moreno se levantou e enfiou um braço por debaixo da axila de Scorpius, puxando-o para cima. O loiro se levantou fazendo uma careta de dor. Albus o olhava preocupado.
-- Tudo bem?
-- Costela.
-- Ah, o balaço. – rosnou Albus. – Corvinal filho-da-mãe, ele me paga! Você estava praticamente de costas e...
Al se calou, os olhos fixos em alguma cena adiante.
Scorpius levantou a cabeça para ver o que era. E ficou boquiaberto.
O apanhador da Corvinal tinha o pomo na mão.
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Vários segundos de silencio completo se seguiram, até que um rugido selvagem da arquibancada quebrou o encanto. O time da Corvinal tinha vencido.
Albus sentiu a boca ficar instantaneamente seca. Ah, não! Ah, não, isso não, era o único pensamento na cabeça do moreno, como um mantra repetido por um religioso fervoroso. Aquilo simplesmente não podia estar acontecendo, não podia.
O que se sucedeu a seguir pode ser definido como caos.
O time da Sonserina se revoltou. O da Corvinal provocou. E então metade dos jogadores dos dois times estava envolvida numa confusão de gritos e azarações que voavam para todos os lados. Não demorou muito para que os poucos que ainda estavam no ar descessem fossem para o chão e se juntassem a briga, agredindo com todos os feitiços ofensivos que conheciam e mais alguns.
Albus teve o cuidado de executar alguns feitiços para diminuir a dor de Scorpius e segurar quaisquer danos mais graves que o loiro pudesse ter sofrido antes de sentá-lo no chão e ir se juntar a violência generalizada. Toda a confusão estava tomando proporções alarmantes, principalmente quando algum engraçadinho resolveu azarar um lufa-lufa distraído e a briga começou a chegar às arquibancadas.
Era questão de tempo até não haver nenhuma esperança de controle.
Somente quando os professores se reuniram para executar o maior número de feitiços imobilizantes, incapacitantes e de desarmamento em qualquer aluno que tivesse sua varinha em punho é que a briga começou a rescindir. O fato de que o Professor Zabini, com sua voz amplificada, estava anunciando que cada Casa cujo aluno fosse pego com a varinha à vista perderia 100 pontos ajudou. E muito.
Quando finalmente os alunos pareciam contidos, ou pelo menos o mais contido possível, levando em conta a situação, Oliver Wood, atual treinador de Quadribol e juiz daquela partida, apareceu ladeado por Madame Hooch, que atuava como supervisora.
-- Capitães dos times! Aqui, agora!
Scorpius se levantou do chão com a ajuda de um dos seus companheiros de time, do outro lado do campo, Torper se adiantou.
Albus observou com alguma satisfação que os feitiços tinham funcionado bem. A despeito de Roger segurando o cotovelo de Scorpius para mantê-lo um pouco mais estável enquanto andava, o loiro parecia completamente bem, ou ao menos bem para alguém com uma possível costela quebrada.
-- Eu quero saber quem iniciou essa... Essa... – Wood gesticulava amplamente com os braços. Ao lado dele, Madame Hook observava com olhos de águia cada um dos jogadores. Ela podia ser idosa, mas tinha a mente afiada como ninguém.
-- Senhor, – começou Scorpius, em seu melhor tom de adulação. – Eu acredito que todo esse lamentável, ah, incidente tenha se dado em decorrência da minha queda.
Os jogadores da Sonserina rosnaram em aprovação. Albus escorregou por entre a pequena multidão e se prostrou ao lado de Scorpius, tomando o lugar de Roger com um olhar. O batedor se posicionou do outro lado de Scorpius, como se o protegendo.
-- Isso não justifica! – exclamou professor Wood.
-- Foi uma jogada ilegal! – exclamou Dannika Prewett. A garota de cabelos loiro-acobreados era atacante do time, assim como Scorpius, e conhecida pelo simpático apelido de Pequena Águia. Apesar disso, os motivos pelos quais ela conseguiu o apelido são menos simpáticos – relacionados à velocidade e agressividade da ave, do que a sua beleza.
-- Foi perfeitamente legal. – disse Torper em tom brando. A menina rosnou algo e ameaçou puxar a varinha, mas um olhar de repreensão por parte de Zabini a impediu. Nem mesmo o mais furioso dos Sonserinos ousaria ir contra uma ordem do seu líder.
-- Legal a minha... – Dannika pigarreou, engolindo o que quer iria dizer, o que de certo seria rude. – Legal,Torper, foi a última coisa que aquele balaço foi! Pegou Scorpius pelas costas!
-- Eu não tenho culpa que Malfoy estava distraído. – disse o capitão e apanhador do time sem se abalar.
Alguns companheiros de time seguraram Dannika e a tiraram de perto de Torper. Ninguém ali queria perder mais pontos e a garota definitivamente não merecia uma detenção.
-- Chega! Eu não quero mais essa discussão tola! – esganiçou Wood. Ele se virou para Madame Hooch. – Nós vamos dar a palavra final sobre esse assunto. Madame Hook?
A mulher deu dois passinhos a frente e encarou os jogadores.
-- A jogada certamente foi... Desleal, mas segundo as regras, foi perfeitamente legal.
Os Corvinais sorriram, um sorriso único de quem sabia que tinha ganhado. Era certo que todas as jogadas deles tinham sido minuciosamente calculadas e aquela não era exceção. Ela podia beirar a deslealdade, mas era perfeitamente permitida.
-- Vocês ouviram. A vitória é da Corvinal. Agora...
-- Se me permitem...- disse Scorpius. Ele se adiantou, segurando uma careta de dor. Suas costelas doíam horrores. – Madame Hook, professor Wood, eu estou certo que a jogada foi legal, ainda que duvidosa. – disse Scorpius de maneira calma e centrada. – Mas acredito que nessas circunstancias, seria preferível recomeçar a partida de onde ela parou, não?Afinal de contas a minha queda, apesar de resultado da minha... Desatenção, certamente desconcentrou o time e...
-- Senhor Malfoy, eu estou certo de que foi graças a sua imperícia no vôo que seu time se desconcentrou. – disse Wood de maneira desagradável. Era mais que claro que ele ainda tinha suas mágoas e rivalidades com a Sonserina da sua época de aluno. – Mas isso não justifica que a partida seja recomeçada. A Corvinal ganhou. Seja um bom perdedor e aceite.
Scorpius ficou pálido de raiva por alguns segundos, mas não houve qualquer alteração em sua expressão facial. Ele recuou sem dizer uma palavra. O time da Sonserina se calou.
Exceto Albus.
O moreno estava assistindo tudo com uma raiva surda ecoando dentro do peito. Era injusto! Os corvinais tinham se valido de uma jogada completamente duvidosa e estavam se safando! Se fosse a Sonserina a cometer aquela jogada, Albus estava mais que certo de que seria falta.
Preconceitos.
A fúria subiu a cabeça de Albus e, como uma boa cria de Potter e Weasley que era e vindo de uma linhagem de grifinórios, ele deixou a fúria tomar conta de si.
-- Isso é injusto! – Albus gritou. Ele avançou enfurecido.
-- São as regras! – exclamou Wood. – E abaixe esse tom, Potter!
-- Isso é injusto. – repetiu Albus, dessa vez mais baixo, mas não pela ordem de Wood, e sim porque estava tão irritado que ele estava quase sibilando. – Injusto! Se nós tivéssemos feito essa mesma jogada teria sido falta!
-- Está insinuando que a arbitragem está trapaceando, Potter? – perguntou Torper, com um falso ar de surpresa e indignação.
-- Cala a boca, Torper! Você sabe tão bem quanto eu que essa partida deveria ser refeita.
-- Eu acho que você apenas não está aceitando que eu sou melhor apanhador que você, Potter. Que coisa, sempre disseram que seu pai era um excelente apanhador. Pena o mesmo não se aplicar a você.
Albus sacou a varinha tão rápido que todo o gesto foi um borrão no ar. No segundo seguinte, sonserinos e corvinais apontavam varinhas uns para os outros de novo.
-- ABAIXEM AS VARINHAS! – berrou Professor Zabini. O professor de Poções fechou a cara. – Abaixem ou eu vou descontar pontos!
As varinhas sumiram de vista. Exceto a de Albus.
O moreno estava transtornado. Furioso. Não era a primeira vez que Albus ficava enfurecido. Isso não acontecia com freqüência, Albus era em geral calmo. Mas de vez em quando, quando a situação o forçava ele agia que um "estúpido grifinório", como Scorpius mais de uma vez dissera.
-- Potter. Abaixa essa varinha. – ameaçou Wood. Albus ignorou, a mira perfeita no peito de Torper. A única coisa que ainda o segurava de azarar o infeliz até a lua é que ele ainda não tinha decidido que magia usar, qual a punição que ele levaria e se valia à pena. Se era para levar detenção de qualquer forma, então que fosse por algo grande e memorável.
-- Albus, guarde isso – disse Zabini, sem esboçar grande reação de tirar pontos da Sonserina. Uma vez Sonserina, sempre Sonserina.
Somente quando uma terceira voz ordenou, Albus abaixou a varinha. Mais por choque do que por obediência.
-- Al, abaixa a varinha. – disse Scorpius, com uma voz dura. Al o encarou incrédulo.
-- Como é que é? – sussurrou Albus.
Scorpius o ignorou.
-- Agora se você já acabou com o show, acho que todos podemos voltar para o castelo. – Albus continuou olhando para Scorpius como se ele tivesse ficado subitamente louco. Se ele por acaso Albus tivesse olhado em volta, teria notado que outros sonserinos pareciam igualmente incrédulos.
-- O que? Mas eles-
-- Nós perdemos, Al. Eles pegaram o pomo. Torper pegou o pomo e não você. Fim da história. Seja um bom perdedor e aceite. – disse Scorpius sem olhar para Al, como se aquilo tudo fosse insignificante demais para ele sequer olhar para o outro garoto.
O rosto de Albus ficou imediatamente vermelho, ainda que pelo olhar duro que ele dispensava a Scorpius era claro que não era de vergonha. Sem dizer nada, ele se virou, e saiu pisando duro pelo campo.
Quando ele olhou para trás, Albus não viu que metade do time da Sonserina tinha vindo com ele, numa muda demonstração de lealdade e indignação.
Mas ele viu quando Torper passou um braço por debaixo da axila de Scorpius e ajudou a carregá-lo para fora do campo.
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Scorpius foi levado à enfermaria por Zabini e Torper, ainda que mais de uma vez ele tivesse insistido que podia ir sozinho. O apanhador da Corvinal, porém se mostrou irredutível. Em outras ocasiões, Scorpius provavelmente teria se irritado, mas ele estava com dor e ligeiramente aéreo devido aos feitiços de supressão de dor feitos por Albus, então ele simplesmente deixou.
Albus devia estar furioso, mas Scorpius sabia que tinha feito a coisa certa. O apanhador era incontrolável quando estava enfurecido e Scorpius sabia que era melhor cortar a raiva antes que ela se espalhasse e causasse problemas. Ele sabia que Albus só tinha escapado de uma detenção porque Zabini insistira com o professor Wood e que a Sonserina só não tinha perdido diversos pontos, porque ele conseguira parar Albus. Ele duvidava muito que na atual situação da Casa, fosse sábio perder pontos por briga de egos. O troféu do Torneio entre Casas era muito mais importante para a Sonserina do que o orgulho ferido de Albus e por mais que o moreno fosse mais importante para o herdeiro Malfoy do que o ar que ele respirava, ele sabia que algumas vezes prioridades devem ser estabelecidas. E a prioridade naquele momento era manter a Sonserina no páreo.
Scorpius passou por todos os procedimentos médicos com um leve senso de distanciamento. Ele estava muito consciente de que assim que voltasse a Sala Comunal da Sonserina enfrentaria a fúria do time de Quadribol. Era certo que eles estavam se sentido traídos pela suposta capitulação de seu líder, mas Scorpius tinha sua mente mais a frente. Um combate direto pelo jogo além de ser inútil acabaria rendendo perda de pontos que a Sonserina não podia se dar ao luxo de perder. Era tudo uma questão de planejamento e um pouquinho de sorte.
A Sonserina era a primeira colocada no quadro das Casas, na frente da Corvinal e Grifinória. Como a Grifinória tinha ido para a final e a Sonserina perdido para Corvinal o quadro se alterava. A Sonserina ia para segundo lugar e a Corvinal para primeiro. Porém, se a Grifinória ganhasse da Corvinal na final e a Sonserina ganhasse da Lufa-Lufa na disputa de terceiro, a Sonserina voltava à liderança do quadro de pontos, desbancando a Corvinal. Era uma conta apertada onde cada ponto perdido era um ponto mais longe da vitória. Era difícil e arriscado, mas matematicamente possível e Scorpius ia perseguir essa possibilidade com todas as forças. Era só uma questão de conscientizar a Casa da importância de ganhar pontos durante as classes e de principalmente evitar perdê-los até a final do campeonato e tudo estaria certo.
É claro que para expor seu ponto de vista, Scorpius teria primeiro que passar por Albus. E ele tinha certeza que o moreno devia estar ensandecido.
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Albus se desfez das roupas que estava usando com uma calma que não parecia condizer em absoluto com a fúria. Mas em algum ponto da caminhada para fora do campo de Quadribol para o os dormitórios, a raiva cega deu lugar para um ódio mais profundo, latente e frio. Sua mente estava vazia de quaisquer pensamentos que não fossem o quão enfurecido ele estava pela humilhação que Scorpius o tinha feito passar e pela ousadia do maldito Torper. Há tempos que Albus nutria uma sede em dar o troco ao Corvinal por ter roubado seu título de melhor apanhador, mas até aquele momento ele tinha se limitado a deixar essa rivalidade exclusivamente no campo de Quadribol. Mas agora a situação exigia uma nova postura. Um sorriso sinistro se espalhou pelo rosto de Albus, ao mesmo tempo em que um puro desejo de vingança se espalhava pela sua alma. Um sentimento que apenas um verdadeiro sonserino poderia nutrir.
Albus saiu do banho e se arrumou, ciente dos olhares dos outros alunos enquanto passava pela Sala Comunal. Inabalável, ele se acomodou numa poltrona em frente à lareira e ficou esperando.
Não demorou muito. Pouco tempo depois os outros jogadores do time, todos em suas vestes escolares e devidamente compostos, assim como alguns outros alunos se aglomeraram em volta de Albus. O moreno lambeu os lábios, ansioso, rezando para que ele não tivesse entendido toda a situação de maneira equivocada. Por melhor que fosse em Feitiços, ele não teria como se defender e mesmo que conseguisse fugir; aquilo era a Sonserina. Ninguém se esqueceria do que aconteceu e mais que isso, ninguém deixaria de dar o troco, se assim fosse decidido.
A grande questão era que dentro da Sonserina, Scorpius e Albus lideravam. Os sonserinos respeitavam suas decisões e seguiam seus planos. Para eles Albus e Scorpius eram uma liderança única e, apesar de incomum a divisão de poder, tudo ali funcionava, então para eles estava tudo bem.
Mas o que acontecera no campo de Quadribol claramente dividia a liderança. Scorpius teve uma postura. Albus outra. Scorpius deu uma ordem e ainda que Albus não a tivesse desafiado, ele tampouco a tinha acolhido.
Havia um racha na liderança. Agora os sonserinos tinham de se realinhar segundo a ruptura.
Albus sabia que tinha errado, em parte. Deixar o jogo para salvar Scorpius tinha sido uma atitude estúpida e impensada que tinha lhe custado a Taça de Quadribol. Ele não ficaria nem um pouco surpreso se os sonserinos o culpassem pela perda do Campeonato. De fato, ele estava quase esperando por isso.
Ele manteve a postura calma e relaxada, quase indiferente, mesmo quando as sombras dos alunos caíram sobre si, deixando claro que pelo menos metade de toda a Sonserina estava ali, agrupada. Albus prendeu o fôlego e deixou os segundos se esticarem.
-- Albus?
Al inclinou a cabeça na direção da voz, deixando claro que tinha ouvido e nada mais. Calma, repetia a si mesmo, demonstre força, esconda seus sentimentos, mostre-se líder, ou seja engolido vivo por eles.
Anthony Gamp parou na frente de Albus, ladeado por Thor Bulstrode e Dannika Prewett.O moreno se forçou a encará-los. "Será um golpe e tanto se eles me traírem, não? Dois amigos e uma jogadora do mesmo time de Quadribol. Será o meu fim aqui dentro.", Albus pensou, um tremor de medo ameaçando consumir seu corpo. Apesar disso, seu rosto era uma máscara de indiferença.
-- Quando nós damos o troco?
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Notas e um pouquinho de falação
Surpresa!
Eu consegui recuperar uma parte da extra scene que já estava pronta e, como gato escaldado tem medo de água fria, resolvi postar.
Eu ainda não sei quantas partes isso aqui vai ter. Então... Me desculpem. XD
Esquema de reviews é aquele galera: e-mail ou comment logado que eu respondo. Eu admito estar enroladíssima com meu laptop surtando de tempo em tempo, mas eu prometo responder. Se eu demorar, me mandem uma mensagem (em send message, no profile do ff. net mesmo, que eu respondo – é que, como eu andei formatando o PC várias vezes essas semanas e eu baixo meus e-mails, eu perdi algumas notificações de review).
Muito obrigada a todos que deixaram review no último capítulo de Take My Hand. Vocês me deixaram muito, mas muito feliz, gente. Nossa, vocês nem têm idéia.
Lembrem-se, review é amor! Preciso muito que vocês me digam o que acham, suas expectativas e afins. Essa extra scene está me deixando mega insegura e Alis insegura, é Alis que não rende (isso não é uma ameaça, é uma mera constatação .-.)
See ya soon
Alis
