Título: New Perspective

Autor: Ai Linna-chan.

Categoria: Slash M/M e menção a F/F

Advertências: Spoilers de alguns episódios da temporada 1

Resumo: Todos vemos as coisas ao nosso redor de forma diferente. Ainda assim, os encontros e reencontros com as pessoas podem mudar essa visão e abrir nossos olhos para uma nova maneira de ver, com uma nova perspectiva.

n.a: Estive muito ocupada ultimamente, mas agora que estou mais livre, creio que a fic andará mais rapidamente. Capitulo dedicado ao Yuri Franco que quase teve a mensagem com sua review perdida na minha louca caixa de email u.u´. Mais algumas surpresinhas aqui, espero que gostem!

Capítulo 10: Karofsky: Explicações

Piscou várias vezes para que, onde quer que estivesse, entrasse em foco. Logo reconhecia as formas brancas e estilosas do próprio quarto. Kurt franziu o cenho tentando imaginar como chegara lá e por que. Aos poucos, tudo foi voltando e sua cabeça começou a latejar, tentou mover-se, incomodado, porém percebeu-se impedido por algo. Olhou para baixo e viu sua mão presa frouxamente entre outra maior, a de Puck por sobre a sua, descobriu ao seguir com o olhar.

O movimento acordara o outro, o qual agora se remexia de leve na poltrona do lado da cama. Abria os orbes devagar primeiro e depois de focalizar direito Kurt o encarando de volta, ergueu-se num pulo, gritando porta a fora:

- Ele acordou! Ele acordou!

Puck estava sorrindo ao voltar-se para Kurt, dando alguns passos em sua direção, parando ao chegar na borda da cama, em dúvida se podia se aproximar. Ficaram se encarando até Burt e Finn entrarem afobados no quarto.

- Tudo bem, filho? Como está se sentindo?

- É, a enfermeira disse que você parecia bem, mas que era para esperar você acordar e ver se precisaria de um médico. – Finn falou, com uma expressão pensativa de quem tentava lembrar-se de algo.

- Ah, você vai ver um sim, com certeza, a enfermeira precisou dar alguns pontos, meu deus! É claro que você vai num médico ver se não ficou alguma sequela ou...

- Se acalme, pai. – Kurt não conseguia impedir os cantos da boca de curvarem para cima, divertido. – Alguém pode me explicar o que aconteceu e como vim parar aqui?

- Bem, Karofsky foi suspenso por uma semana. – Finn disse.

- E foi muito bem feito, até a Sue estava protestando e pedindo pela expulsão dele! – Puck completou.

- Eu também reclamei com o diretor, mas ele disse que apelaram para o Conselho Escolar, alegando ter sido um acidente, tá, sei... – Burt bateu o punho fechado na palma da mão, com o maxilar tenso por tentar se conter. Kurt tocou o punho fechado com a ponta dos dedos, ainda com alguma dificuldade em se mexer, porém só esse simples gesto foi o suficiente para fazer o corpo todo do pai relaxar. Soltando o ar dos pulmões, ele continuou. – Mas quanto a ter chegado aqui, vamos dizer que o Sr. Puckerman foi muito insistente em carregá-lo até seu quarto, nos braços, sabe? – ele voltou seu olhar pesado para o garoto, o qual tentou não se encolher, engolindo em seco ao encarar de volta.

-Ah, também foi o Puck quem te levou até a enfermaria. Carregado nos braços. Na frente de todos. E os que não estavam lá nos corredores, viram depois, pois alguém gravou e colocou no blog do Jacob. – Finn disse, também um pouco desconfiado.

Os olhos de Kurt estavam quase saltando das órbitas e a pouca cor havia se esvaído de seu rosto, estava considerando seriamente retornar para seu estado anterior de desmaio, como voltaria para a escola depois disso? Mesmo sem Karofsky, tinha certeza de que as piadinhas, raspadinhas na cara e o resto só piorariam.

Carole apareceu bem na hora, livrando tanto Kurt quanto Puck de darem alguma explicação, ela bateu de leve na porta aberta, chamando a atenção de todos:

- Tem alguém na porta querendo falar com você querido e com o Kurt também. – ela olhou de Burt para o garoto na cama, ambos com expressões curiosas e confusas.

- Quem é?

- Os Karofsky, pai e filho.

Um silênciose fez antes de todos começarem a falar ao mesmo tempo. Muitos protestos e gritos até Kurt conseguir calá-los:

- Já chega! Ficar discutindo vai ajudar no quê! –ele afastou os cobertores de si, levantando-se num pulo e perdendo de leve o equilíbrio pela ação brusca, sendo amparado pelos braços de Noah. Olhou para cima por algum tempo, antes de soltar-se rápido, como se tivesse levado um choque e se recompôs, percebendo-se ainda com as roupas da escola, exceto a camisa que fora trocada por Carole ou seu pai, esperava. Olhou o relógio. Era pouco antes do jantar, então ele não apagara por tanto tempo. –Vamos ser civilizados e educados e ver o que eles têm a dizer em defesa própria. – já estava na porta nesse ponto e antes de desaparecer por ela, convidando os outros a segui-lo, teve de terminar. – E também, eu estou um pouco curioso.

K x H x P =?

Com todos sentados na sala, reunidos nos sofás e poltronas em grupos, Paul Karofsky, começou:

- Eu, em nome de minha família e de meu filho, quero dizer que sentimos muito pelo ocorrido. Dave não tinha intenção de machucar seu filho, ele pode ser rude às vezes, mas não faria mal a uma mosca e eu peço desculpas por qualquer dano. E meu filho quer fazer o mesmo, certo, Dave? – ele pôs uma mão no ombro do filho, indicando com a cabeça para ele agir.

E só pelo olhar trocado por eles, Puck e Kurt sabiam que não havia sido tudo contado, pelo menos o motivo de estarem naquele vestiário não fora mencionado, o beijo e tudo mais ainda era um segredo para o Karofsky mais velho.

Dave levantou-se e ficou mudando o peso de um pé para outro, torcendo as mãos, seu olhar fixo em Kurt ao entreabrir os lábios, sabendo ter todos focados em si.

-Eu... eu... – sabia que devia se desculpar, queria fazer isso, só não achava possível ser da maneira certa com todos olhando. Então o que disse foi. -... Posso falar com você, a sós?

-Nem pensar! Não viu como terminou da última vez? – Puck interrompeu em protesto na hora, já desistindo de se conter.

- Eu posso responder por mim mesmo, Puckerman. – Kurt revidou antes de mais alguém se intrometer, calando o outro, fazendo-o sentar-se acuado, como um cachorro punido por seu adestrador. – E não acho que isso seja uma boa idéia, Karofsky, você meio que me assusta...

- Eu não... não foi de propósito... me deixa explicar! – Dave respondeu de pronto, as palavras do outro o perturbando mais do que ousava admitir.

- Talvez você devesse dar uma chance ao rapaz de se explicar, querido... – Carole pediu, com uma voz calma e gentil.

- Afinal, foi você quem disse aquilo tudo sobre como era educado ouvir o que tinham a dizer, filho. - Burt continuou, vendo pelo olhar que Kurt começara a ceder. – Mas, se for tentar alguma gracinha debaixo do meu teto, eu não me responsabilizo por sua segurança quando eu souber...

-N-não! – ele engoliu em seco discretamente, sucedendo em parecer inabalado, apesar do olhar fixo na forma grande e assustadora de Burt Hummel. – Não é como se eu fosse estúpido de fazer algo com todos aqui... digo, eu não vou fazer nada, ta? - e finalmente conseguiu desviar para focalizar Kurt. - ... por favor...

Ele piscou, parecia indiferente a ser, pela enésima vez agora, o centro das atenções, e concordou com um aceno de cabeça, erguendo-se, indicando que o seguisse e Dave o fez de imediato.

Chegaram à cozinha, nem tão longe, nem tão perto, sem portas, mas também sem possibilidade de serem ouvidos por quem estava na sala. Kurt cruzou os braços, parando de frente para o outro, encostando-se na mesa e esperando.

Levou alguns minutos para Dave se dar conta de que ele deveria começar ou não haveria conversa alguma. Resolveu assim, ir direto ao ponto:

- Me desculpe. – fazia tempo que não dizia aquilo com tanto arrependimento sincero por suas ações. Soou estranha em sua boca e precisou de alguns segundos, nos quais as palavras ecoaram pelos cantos, atraindo o olhar azul-esverdeado para si. – Eu sei que de qualquer jeito que tente explicar vai apenas soar como se eu estivesse querendo passar a culpa para os outros ou tirar a minha. Eu só... eu não pensei, eu usei muita força sem perceber, você não é um dos jogadores, não poderia aguentar o mesmo impacto... não que você seja fraco... você não é, você é forte e... – ele teve de parar para recuperar o fôlego e pôr os pensamentos em ordem.

- Bem esse foi o pedido de desculpas mais estranho que eu já recebi, não que eu tenha recebido tantos, mas foi razoável... – Kurt aproveitou o silêncio para dizer, tentando conter um sorriso e uma risada.

- Isso é bom?

- Pode-se dizer que é bem perto de bom.

- Eu não sou muito bom falando... mas é verdade, eu realmente sinto muito...

- Desculpas aceitas então! Ah, não me olhe assim, eu sou meio dramático, mas sei ser sensato. Você pediu desculpas, soa sincero, assim sendo... vem, vamos voltar e acalmar os ânimos lá fora... –ele deu um passo e foi impedido por um toque leve no ombro, logo afastado para não assustar o soprano. – O que foi?

- E sobre o resto? Você ainda mantém o que disse sobre não sentir o mesmo?

- Sim, porque seria diferente? – ele disse de pronto. Não gostava de mentir ou ficar enrolando, especialmente tratando-se de sentimentos. Todavia, o que Dave esperava? Que a pancada o fizera se apaixonar por ele? Ou apagara sua memória como numa novela mexicana?

- Tem razão, mas agora eu tenho uma proposta.

- Ah, você tem? Qual?

- Me dê uma chance.

Continua...