Olá!

Demorei sim, e peço desculpa. Não vou dar desculpas, porque a verdade é que apesar de gostar muito desta história o trabalho de tradução exige muito esforço, mais do que escrever as minhas próprias histórias... e acabo por não ter tempo para nada. Mas não desisti. agora que vou ter uma semana de férias vou tentar adiantar.

Beijos e mais uma vez desculpem.

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Capitulo 11 – Uma Aliança

O Illusion observou a gueixa e sorriu. Que ela tinha uma beleza indescritível, era inegável. Não era difícil perceber porquê que o Black tinha um caso com ela. No entanto, o seu colega tinha sido muito inocente quanto a um pormenor. Em apenas uma noite com ela tinha-se apercebido o quão fanática ela era por dinheiro. Não lhe importava o que tinha de fazer se isso a levasse a ganhar muito dinheiro. O Illusion riu-se com a ideia. Ao menos ela fâ-lo com estilo. Por volta do meio dia de amanhã, o Black já não ia estar vivo. Satisfeito com a sua prestação, seguiu caminho para casa do Ice.

O Ice, mais conhecido por todos os outros por Keiji Sachihoko trabalhava legalmente como pescador. A sua mulher, Keiko, uma simples mas gentil senhora, não fazia ideia do envolvimento do seu marido no gangue da oposição. O Keiji fazia questão de manter uma vida bastante simples, para não chamar a atenção para as suas actividades ilegais. Pena que o Illusion tinha descoberto acerca da sua família. Pena para o Keiji, que o seu casamento, ao contrário do habitual, era por amor e não por arranjo.

O Ice ficou de sobressalto ao ver o seu colega ali. De imediato informou a sua esposa que ia chegar tarde para jantar, devido a uns assuntos que tinha de tratar. Depois, entrou floresta adentro e encarou o visitante. "Porquê que vieste à minha casa? Como é que me descobriste?" – perguntou friamente com a sensação de que algo de mal ia acontecer. A regra era conhecida pelos três lutadores… As suas identidades mantinham-se secretas uns para com os outros. Esse era o motivo de usarem máscaras quando se encontravam. O único que sabia acerca deles era o Arashi.

"Não importa como eu soube." – o seu plano parecia estar a resultar brilhantemente. Sem o Black para o incomodar ele ia facilmente atingir o seu objectivo: "Eu vejo que valorizas bastante a tua família. A Keiko está grávida de novo?"

O Ice semicerrou os olhos: "O que é que queres?"

"Quero liderar o gangue. Quero torna-lo temível. A forma como o Obihiro liderou é patética. Tomar conta dos pobres? Que idiota!"

"E qual é o meu papel nessa história?" – o Ice perguntou indiferente

"Quero que tu e os teus homens distraiam o Battousai quando eu disser. Até lá, deves discreto. Depois disto, podes fazer o que quiseres, até me podes servir. Se quiseres ir queixar-te ao mestre, estás à vontade. Apenas lembra-te que se as tuas acções destruírem os meus planos… bem… tu amas a tua mulher não amas?"

O Ice apercebeu-se do que o outro tinha em mente. Ele cerrou os dentes de irritado. "Não te atrevas a pousar um só dedo na minha família, Illusion. Eu não sei quem tu és, mas eu juro que te mato. Diz-me, o que te faz pensar que eu não te mato já?"

"Quão certo é que tu estás, de que quando eu sair daqui ela já não vai estar morta? Tu sabes ao menos onde está a tua querida filha?" – ele riu-se: "Que coisa tão fofa… era uma pena se algo lhe acontecesse." O Ice empalideceu ao ouvir aquilo e deixou-se cair ao chão derrotado.

"Eu vou devolvê-la em breve. Se te decidires em cooperar, eu não lhe vou fazer mal. Bem, vemo-nos em breve. Mas, mantem-te alerta. Alguma falha da tua parte vai custar-te caro."

Com um aviso claro, O Illusion afastou-se alegre. Oh sim… tudo corria de acordo com o seu plano. Agora, ele ia visistar a sua Kumiko. Ela devia sentir a sua falta, visto que nos últimos dias não tinha conseguido passar quase tempo nenhum com ela.

Ele sorriu. Tinha de lhe agradecer por ela o ter ajudado a descobrir a verdadeira identidade dos seus colegas. Mas primeiro…. Ia dar uma vista de olhos no seu brinquedo favorito… Ele perguntou-se como é que a Kaoru estaria… era bom que estivesse a aproveitar estes últimos dias… depois disto, Kaoru Kamyia deixaria de existir.

E ele ia comandar os White Dragons.

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O Saito expeliu o fumo do cigarro. Toda a sala estava inundada daquele cheiro característico. Na sua frente estava sentado um jovem rapaz exausto além de desconfortável com as condições do escritório do Saito.

Ao ouvir o seu relatório o policia estremeceu. A sua mente trabalhava rapidamente à procura de respostas. A sua procura pela herdeira do gangue tinha apenas acontecido por meio do Sr GEnsai e do Shuichi.

Honestamente, o seu pai podia ter facilitado as coisas por lhe dizer onde procurar. Mas antes de morrer ele só conseguiu pronunciar um nome… Kamyia. Como o Saito nunca tinha conhecido o Koshijiro Kamyia assumiu que só estivesse a balbuciar coisas sem sentido.

O olhar dourado ficou mais intenso. A morte súbita do seu pai estava rodeada de mistério, o que o levava a pensar que não tinha acontecido naturalmente. Nem por um único momento ele tinha suspeitado de mais alguem para além do Arashi Sawamura. Como é que ele o tinha feito… ele não sabia. Mas provavelmente com a ajuda de mais alguem.

Obra do destino ou não, o Saito tomou o lugar do seu pai no meio dos lideres. Discretamente, ele conseguiu o apoio de todos os membros do gangue que ainda acreditavam nos herdeiros Kamyia para os guiar. No entanto, o Arashi tentou tirar o Saito do poder e ganhar a total liderança. Foi aí que o Saito revelhou que um membro da família Kamyia continuava vivo. Apesar de ainda não a ter encontrado, ele sabia que ela estava viva por intermédio daquilo que o seu pai lhe tinha contado. Ele pensou que isso fosse parar aquela rebelião. Ele suspirou. Apenas uma parte do seu plano tinha funcionado. Ele nunca tinha suspeitado que a tanuki fosse a herdeira até ao momento em que foi atacada. Aparentemente, o Arashi tinha descoberto primeiro e enviado pessoas para a matar… lentamente.

Por sorte ele tinha conseguido retirar essa informação do velho Dr Gensai que era o médico do Koshijiro e estava ao corrente do segredo. O Shuichi confirmou tudo.

O Saito queria dar uma boa gargalhada. O Battousai estava a deixar-se ser levado pelas emoções, sem se aperceber quem na realidade era o Shuichi. Era um tolo. O amor pela tanuki tinha-o deixado cego. Por sorte, ela teve o bom senso de o procurar e pedir ajuda. Qualquer outro policia tinha posto a sua cabeça a prémio por aquelas informações.

Tentando afastar todos aqueles pensamentos da sua mente ele concentrou-se na informação em mãos. Um outro Kamyia estava vivo. Um bem poderoso. Um excelente samurai, com características únicas. O Saito riu-se. Se o ruivo soubesse quem era, ia passar-se. Mas, olhando bem, A Kaoru e o irmão até eram parecidos.

"Então, concordas?" – o Saito olhou para o jovem à sua frente. Ele assentiu. "Eu acho que podes ser tu a informá-lo, afinal de contas, foste tu quem o encontrou." – ele expeliu o fumo quando falou o que fez o outro torcer o nariz.

"Sim, eu faço isso. Da próxima vez que nos encontrarmos que seja no exterior. Estar aqui dentro com este fumo é intoxicante." – ele voltou as costas para sair, mas antes: "Saito, eu vou deixar a Kaoru nas tuas mãos, apesar do aparecimento do irmão, ela continua a ter um papel muito importante."

"Eu sei."

Ele saiu do escritório, mas o Saito permaneceu sentado, a sua cabeça ainda estava a tentar juntar todas as peças daquele puzzle. O Arashi era definitivamente um problema. Ele o Saito não fazia intenções de o por fora de jogo legalmente. Tinha de haver uma forma de o fazer desaparecer, sem que ninguém suspeitasse.

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A Kaoru caminhou devagar de volta ao dojo. O dia tinha começado bem. Os pássaros cantavam alegremente, estava sol, o tempo não estava demasiado quente- era o dia perfeito para um passeio.

Infelizmente, o facto de um dia começar bem não era sinónimo de que se iria manter assim.

Estava consciente de que as pessoas sussurravam nas suas costas. A Kaoru tentou perceber o que poderia ter feito de errado, mas, não se lembrava de nada. Acabou por desistir de entender e passou a ignorar as pessoas. Não deviam passar de coscuvilhice!

"Cuscuvilhice" – ela murmurou para si mesma. Uma imagem apareceu na sua mente de imediato! O incidente no escritório do Saito. Como é que ela podia ter-se esquecido? Oh meu Deus, o que é que a Tokio ia pensar? Ela deu dois passos atrás horrorizada. Ela sabia que a sua amiga mais recente não era de guardar rancores… mas… no que dizia respeito ao marido…

"Fogo! Porquê que há tantos problemas?" Sentindo-se frustrada e aborrecida ela parou perto das margens do rio mas esvaziar a sua mente… mas, os seus pensamentos voaram para uma pessoa em especial.

"Como é que eu posso ter a certeza de que ele não me vai deixar de novo?" – ela perguntou-se, dando conta de que tinha parado no exacto sitio onde eles se tinham despedido, quando ele foi lutar contra o Shishio.

FLASHBACK

A Kaoru tinha terminado o treino. Era bom puder segurar de novo na sua shinai de depois de ter sido obrigada a ficar de cama por causa das febres altas.

Contente com a sua recuperação, ela tinha decido parar para meditar um pouco. No entanto, ela não conseguia tirar da cabeça os seus três amigos. Desde que a Megumi tinha partido, e mais nenhuns idiotas tinham vindo atrás do Kenshin, eles pareciam… aborrecidos. Ela recusava-se a aceitar a palavra distante como sinónimo. Apesar de ser isso que sentia que estava a acontecer. O Kenshin tinha negado e contraposto que devia ser a febre a falar…

A febre tinha sido algo repentino e esquisito. Um mistério… Ela não se conseguia lembrar de nada acerca dos últimos dias… Nada! Devia estar mesmo doente.

Os rapazes… o Kenshin estava tão calado nestes últimos dias. Era quase a mesma atitude que tinha tido antes de partir para lutar com o Shishio. Tão calado… tão distante. O Medo apoderou-se subitamente dela. Iria ele partir? Será que o Yahiko e o Sano sabiam disso e estavam a esconde-lo dela? Ela tentou controlar a respiração, mas o medo foi mais dominante, por isso, ela levantou-se de rompante para procurar por ele. Quando o viu a lavar a roupa quase que correu até ele.

"Kenshin!"

Ele olhou-a de forma distante. A Kaoru engoliu em seco. Ele apercebeu-se disso.

"Precisas de alguma coisa, Kaoru?" – a voz dele era mais profunda do que o normal… faltava aquela ternura….

"Kenshin" a Kaoru olhou fundo nos olhos dele – "Vais deixar-me?"

Ele pareceu surpreso, obviamente que não estava à espera daquela pergunta. Ele permitiu que o cabelo lhe tapasse a cara, escondendo qualquer emoção ao responder-lh: "Porque me perguntas isso tão de repente, Kaoru?"

Ela sentiu-se idiota, ali especada, a perguntar aquilo. Mas tinha de o fazer: "Pareces distante, Kenshin… como quando partis-te…" – o ar ficou preso na sua garganta e ela não conseguiu continuar. As mãos fecharam-se com força.

Para lutar com o Shishio… o Kenshin completou a frase mentalmente. Ele detestava vê-la sofrer ainda para mais sabendo que ele era o causador desse sofrimento. Ele procurou a mão dela puxando para mais perto de si. Um sorriso apareceu-lhe no rosto, mas não subiu até aos olhos… a Kaoru corou com a proximidade. "Kenshin?"

"Eu nunca te vou deixar Kaoru. Esta é a minha casa."

Ela pensou que depois destas palavras o seu medo fosse desaparecer, mas ele ficou…. Escondido num canto do seu coração. Ela sabia que algo estava prestes a acontecer só não sabia o quê. Ela tentou esboçar um sorriso… mas havia algo mais que ela tinha de perguntar: "Kenshin?"

"Sim?"

"Eu significo alguma coisa para ti?"

Teve vontade de bater com alguma coisa na cabeça por trazer À tona uma pergunta daquelas. Por isso, abanou com as mãos e disse-lhe que esquecesse a pergunta. Mas o Kenshin continuou a olhá-la fixamente.

"Kaoru… tu deste me uma casa… Por isso… estarei sempre grato." E foi aí que ele fez o inesperado. Pegou na mão dela e levou-a aos lábios, beijando-a suavemente. Ele sorriu ao vê-la corar e voltar-se para sair apressada. O ruivo olhou para apilha de roupa sem qualquer interesse em lavá-la.

Foi enquanto estava a tomar banho que a Kaoru se apercebeu que não havia roupas nem do Kenshin nem do Yahiko para lavar. O que era estranho.

Quando caiu a noite, ela não percebeu o porquê que aquele sentimento de medo… Apesar de ela fazer todos os possíveis para agir normalmente, aquele sentimento persistia em manter-se agarrado a ela. E foi aí que as coisas começaram a descambar.

Do nada, o Sano avisou que estava de partida.

"O quÊ? PorquÊ? Sanosuke, porque que te vais embora?" – perguntou chocada com as novidades, mas ele evitou o contacto visual.

"É so que… bem…a Megumi não está mais aqui e as coisas andam muito calmas para o meu gosto… Torna-se aborrecido. Além disso, eu quero conhecer o mundo jou-chan. Não me podes prender aqui e esperar que eu fique. Eu quero ir para onde o meu instinto me diz que devo ir."

Ela ouviu as explicações ainda boquiaberta. Mas, apesar de saber que aquilo que ele dizia, parecia fazer sentido, a Kaoru esperava que ele só partisse daí a alguns dias.

"Então, vais-te embora na próxima semana?" – Esperança… Toda a frase estava rodeada de um tom de esperança.

"Não… eu vou embora amanhã." – ele respondeu.

A Kaoru pensou que ia desmaiar. Parou de comer, pousou os pauzinhos no prato e levantou-se para ficar sozinha sem notar o olhar triste que o Sano lhe lançou.

Nessa noite ela prometeu que não iria chorar…

No dia seguinte, o treino com o Yahiko correu normal. Mas, algo não batia bem, ele estava sempre a enganar-se nos movimentos e a fazer erros estúpidos que a estavam a irritar. Finalmente, exausta de o chamar a atenção, mandou-o fazer 500 flexões como castigo. Mas ele recusou-se.

"Eu sou a tua mestre, tu tens de me obedecer!"

"Para de me dar ordens busu! És uma chata sabias? Estou cansado do estilo Kamyia Kasshin. Não é nada comparado com o estilo do Kenshin e nós passamos os treinos sempre a repetir os mesmos movimentos!"

Aquilo só serviu para a levar aos limites: "Ninguém Yahiko! Ninguém insulta o estilo da minha família!" – ela gritou. O Sano apareceu de repente com um saco às costas, e quando olhou de novo para o seu aluno, ela percebeu que ele tinha tomado uma decisão.

"O teu estilo não tem nem um terço do poder do estilo Hintenmitsurugi. Como é que é suposto eu aprender a defender-me com uma espada de madeira? Vá lá busu, o teu pai criou-o mais para treino do que para protecção. É tão obvio. Eu prefiro aprender algo mais duro e útil do que isto!"

"Yahiko! É melhor parares enquanto ainda vais a tempo… Se dizes mais alguma coisa, eu nunca mais te ensino nada!" – estava tão furiosa que era capaz de… de…

"Óptimo. Eu desisto. E não quero mais ficar aqui." – ele atirou a espada de madeira para o chão e saiu. Ainda esperou que o Sano a fosse ajudar e dizer alguma coisa ao miúdo, mas ele ficou só a observar enquanto o Yahiko foi ao quarto buscar o seu próprio saco.

"Não achas que estás a ser precipitado?" – a voz dela tremeu. Eram muitas coisas ao mesmo tempo… Eles estavam de partida.

"Não. Talvez, esta seja a melhor decisão… Estou cansado de estar aqui e tambem quero ver o mundo."

"Bem… jou-chan. Vemo-nos por aí. Não te preocupes, eu tomo conta do miúdo." – o Sano respondeu.

A Kaoru observou-os partir… fraca demais para se mover, fraca demais para dizer o que quer que fosse. Daí… algo lhe passou pela cabeça. Kenshin! Porque que ele não impediu o Yahiko de sair?

Desatou a correr pela casa a chamá-lo. Não houve resposta. O medo apoderou-se dela novamente… Entrou ofegante no quarto dele.

Vazio.

Sem Kenshin.

Sem sakabatou.

Apenas uma carta.

Ela sabia o que isso significava. Imaginava qual seria o conteúdo. Mas mesmo assim pegou no envelope, abriu-o e leu-o. E chorou. Deixou-se cair no soalho e chorou até não puder mais.

Dor, mágoa, traição eram os sentimentos que preenchiam naquele momento a sua alma.

Kaoru,

Pela altura que leres esta carta eu já estarei longe. Apresento humildemente as minhas desculpas por não me despedir mas, não tinha outra forma de te manter segura. Eu sei que prometi que iria ficar, e eu vou ficar, no teu coração.

A verdade é que, eu amo uma mulher Kaoru. Uma mulher cujo nome te é familiar. Tomoe. Eu nunca a consegui esquecer. Por isso, decidi viajar de novo em busca de respostas, em busca de perdão.

Eu sou apenas um viajante, Kaoru. Tu podes fazer muito mais do que eu. Obrigado por tudo, e desculpa por ser o causador das tuas lágrimas. Perdoa-me. Eu vou aguardar por noticias do teu casamento com um homem respeitável.

Sayonara,

Com amor,

Kenshin.

A Kaoru chorou até não ter mais lágrimas.

END OF FLASHBACK.

Olhou para as águas corredias do rio. Ela sabia porque se sentia tão furiosa com os três habitantes do dojo. Eles tinham partido. Mas isso não era tudo. Foi a forma como partirão. Foi como se quisessem que ela ficasse zangada com eles. Cada palavra, cada frase, foi escolhida para perfurar o seu coração como uma faca. No que dizia respeito ao Sano, ela entendia o desejo de conhecer o mundo, e isso, mas quanto ao Yahiko, o facto de que o seu aluno tinha proferido tais palavras acerca do seu estilo de luta… fê-la ficar hesitante acerca de sequer voltar a ensinar… Incompetente… era essa a palavra, ela sentiu-se incompetente quando ele comparou o estilo dela ao do Kenshin. E Isso magou… imenso.

Quanto ao Kenshin… A Kaoru sentiu vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Tão fácil… Tão simples o argumento dele… tão logico. Especialmente quando a comparou com a Tomoe.

Eu só amo a Tomoe.

Estava convencida de que ele ficaria, principalmente quando lhe beijou a mão. Pensou que ele tinha aprendido a amá-la. Não falavam as acções mais alto do que meras palavras? Mas, pensando bem, não era difícil perceber o que ele quis dizer.

Deste-me uma casa, por isso eu estarei eternamente grato.

Uma arrendatária. Era assim que ele a via. O que o fazia então agora tão subitamente dizer que a amava?

Shuichi?

Agora ela percebia quais eram as verdadeiras intenções do ruivo… Eles não gostavam do Shuichi. E queriam que ele se mantivesse longe dela. Que melhor forma de isso acontecer, do que uma declaração de amor da parte do Kenshin?

Sentiu-se enjoada ao perceber todo o plano. As lágrimas formaram-se nos seus olhos mas ela recusou-se a chorar. Sento-se e agarrou os joelhos contra o peito com força para se acalmar.

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Ela não estava na clínica. O Kenshin ficou surpreendido quando o médico disse que ela tinha voltado para casa. Mas, procurou por ela em todo o lado e não a encontrou. Sem intenções de desistir ele procurou perto da margem do rio e ficou aliviado quando a viu ao longe. Estava linda como sempre. Mas a tensão que sentiu ao se aproximar, mostrava que algo não estava bem.

"Kaoru?" – ele chamou-a e assim que ela olhou para si o ruivo percebeu o quão confusa ela estava . "O que se passa?"

"Porque que voltas-te?"

Ele observou-a. Aquela resposta era importante para ela, por isso ele escolheu as palavras o melhor que pôde. "Eu pensei que já tinhas percebido, eu voltei porque te amo."

"Não. Tu estás a mentir."

Ele sentiu medo por instantes. Ela não acreditava mesmo nele. Podia perceber isso pelo seu tom de voz e pela sua postura. Ela não se sentia bem ao lado dele.

"Porque é que dizes que eu estou a mentir Kaoru? Mesmo que eu nunca tenha admitido antes…" – mas ela não deixou continuar.

"Ao menos admites. Kenshin, as palavaras "eu amo-te", não são algo que tu dissesses simplesmente da boca para fora! Mas agora… tu usase-as como se sempre tivessem feito parte do teu vocabulário! Diz-me Kenshin, porquê que voltas-te?"

Ele conseguia sentir, a dor, a tormenta, em cada palavra dela. E isso destruía-o por dentro.

"Aishiteru Kaoru… Foi por isso."

Ela riu-se de forma cínica. "Vamos tentar de outra forma então." Olhou-o nos olhos e atirou a próxima carrada de perguntas: "Porque que partiste? Depois de teres prometido? Porque partiste daquela forma?"

Ele desviou o olhar, incapaz de responder. O que é que poderia dizer? Que tinha sido um idiota? Que tinha sido por ela? Fixou o olhar na correnteza do rio. "Porque te amo."

Ela suspirou: "Sabes o que senti quando todos vocês se foram embora daquela forma? Como doeu?"

"Tu sabes como é que eu me iria sentir se algum mal te acontecesse? Sabes quão duro foi para mim partir, sabendo o que sentia por ti? Amando-te da maneira como te amo?" Pergunotu em revide enquanto a agarrou para que o olhasse nos olhos.

"Então, porque me deixas-te? PorquÊ? Nem um de vocês ficou! Nenhum de vocês me escrever a saber como é que eu estava! O que farias se eu tivesse decidido tirar a minha própria vida, Kenshin? E se eu morresse?" – era incrível como apesar de tudo o que estava a dizer ela ainda conseguia manter-se calma.

"Tu nunca cometerias suicídio Kaoru, eu conheço-te."

"Será que me conheces? Será que tu sabes mesmo o que é melhor para mim?"

Ele manteve-se calado. Sem saber o que lhe responder. Depois de um ano a viver com ela, agora o Kenshin percebia que não a conhecia assim tão bem. E as circunstâncias que circundavam a morte do pai dela, e a secreta associação com o Saito…. Ele de facto não a conhecia.

"Por favor Kenshin. Porque partiste?"~

Talvez, ela merecesse saber a verdade.

"Lembras-te de quando ficas-te doente, Kaoru?" – ela acenou e concentrou-se no tom de voz dele.

"Estavamos todos em paz… não havia mais ataques, nem inimigos a desafiar-me. Eu estava tão relaxado. Eu pensei… que talvez me tivesse sido dada uma hipótese de finalmente vier em paz contigo. Eu sei que, por agora não consegues acreditar nas minhas palavras, mas por favor, pelo menos confia em mim. Eu não te estou a mentir. Eu amo-te, sempre te amei. Desde o dia em que me abriste o teu coração… Eu estava a tentar arranjar uma forma de te pedir em casamento… Mas… do nada aconteceu… Num momento tu andavas atrás do Yahiko e no momento seguinte desmaias-te. Nós ficamos tão preocupados. Sem a Megumi aqui e com o Doutor a ajudar uma jovem em trabalho de parto… eu percebi que tinhas sido envenenada, mas não sabia o que fazer. Então nós tentamos baixar a tua febre enquanto o Sano esperava pelo médico. No meio de toda a confusão, apareceu um homem. Ele apareceu enquanto eu estava fora a tentar arranjar algumas ervas para criar um antídoto. Ele atacou o Yahiko com o objectivo de te apanhar. E apesar de ter lutado bem, o Yahiko não era par para ele. Incapaz de te salvar ele teve de suportar a imagem de ti a seres raptada. Ele sentiu-se uma criança indefesa. Quando eu voltei ele contou-me tudo."

Nem por uma única vez ela interviu. A Kaoru manteve-se quieta, mais atenta ao tom do que a história. Tanta dor. A voz dele estava impregnada de dor e medo. Era como se ela conseguisse senti-los. E instantaneamente as palavras do Yahiko vieram-lhe à mente.

Eu não queria. Mas com aquele lunático… o Kenshin ficou preocupado e então tivemos de encontrar uma forma de partir…

"Eu consegui encontrar-te a tempo. Ele deixou indicações para eu ir ter com ele. Foi difícil lutar porque ele usou-te como escudo durante todo o tempo. Eu não conseguia atacar-te só de pensar no que te poderia acontecer se acidentalmente te acertasse. Quando consegui derrota-lo, tu estavas muito doente. Por sorte, o Dr Gensai chegou a tempo de te ajudar…. Nesse dia Kaoru, estiveste às portas da morte e eu não pude fazer nada para o impedir. Como com a Tomoe. Eu não pude fazer nada por ela. E ela acabou por morrer pelas minhas mãos. O Yahiko sentiu-se atormentado. Ele nem sequer tinha coragem de te enfrentar. Desde que nós entramos na tua vida tudo se tornou confuso para ti. Por isso, nós decidimos partir. E o Yahiko achou que se fossemos duros contigo, tu ias ficar tão furiosa que irias acabar por nos esquecer. Naquela altura, paraeceu uma boa ideia. E foi por isso… que nós partimos."

Ele respirou fundo. A verdade tinha sido dito… Mas será que ela ia entender?

"Desde quando é que tu te tornas-te meu pai, Kenshin?"

"Oro?"

"Não uses expressões inocentes para te dirigir a mim, porque tu não és inocente. Desde quando é que te tornas-te meu pai? Todos vocês me deixaram! E eu não tenho uma palavra a dizer? Como é que vocês tomam uma decisão em relação à minha vida e não me consultam? Vocês deixaram-me no escuro!" – ele observou-a perplexo enquanto ela falava furiosa.

"Foi para o teu próprio bem! Eu não queria que tu acabasses como a Tomoe!"

"Kenshin, eu NÃO sou a Tomoe!"

Ele caiu sentado mais uma vez perplexo. As suas faces estavam vermelhas enquanto ela arfava. Os seus olhos estavam escuros de raiva.

"Kaoru…"

"Eu sou perfeitamente capaz de tomar as minhas decisões, Kenshin. Não sou uma criança e não sou de porcelana! Tu pedes-me que confie em ti, mas porquê que não tens o mesmo tipo de atitude para comigo? Não acreditas na minha capacidade de tomar decisões?"

"Se essa decisão te levar a perder a vida, não, então não acredito!"

"Tal como, Kenshin?"

"Como amar-me? Quantas vezes te colocas-te em perigo por minha causa? Desde o inicio. Udo Jin-eh? Enishi? Ou já te esqueces-te?"

"Se eu te quero amar sem pensar nas consequências disso, então é minha decisão. Tu não tens o direito de decidir o meu futuro por mim, Kenshin. Especialmente porque a tua decisão tambem me matou! Talvez não fisicamente, mas a nível emocional. Mesmo que algum dia eu te perdoe, eu não acredito que alguma vez consiga confiar de que não me vais deixar de novo."

"Kaoru…"

"Nós devíamos ir para casa. Eu estou cansada Kenshin."

Ela levantou-se e ele seguiu-a. A medida que caminhavam e o sol se punha por trás deles, o Kenshin perguntava-se o que os esperava. Ao observá-la andar de costas rígidas e queixo erguido, ele perguntou-se se alguma vez ele iria ter de novo a hipótese de a abraçar.

Ele perguntou-se se ela teria a capacidade de o perdoar.

O Kenshin tinha vontade de bater nele mesmo. A mulher que o amou e o aceitou sem querer saber do passado… foi a mulher a quem ele acabou por magoar. Sentia-se um estúpido.

Todos estavam à espera deles no dojo. E assim que ela se ausentou para tomar banho o Kenshin explicou o que se tinha passado.

"Tu contas-te-lhe? E como é que ela reagiu?" o Sano perguntou ansioso.

"Ela não ficou contente por termos tomado a decisão por ela."

"Nos fizemos isso por ela? Ela ainda está chateada!" – o Yahiko reclamou

"Sim… Mas não a culpes. Mesmo que tivéssemos partido… não o devíamos ter feito daquela maneira." – o KEnshin respondeu

"Ela tem de perceber" – o Sano reclamou – "Eu preferia ter ficado aqui a comer de graça do que ter ido embora! Mas nós fizemo-lo para o bem dela.!"

"Mas o que ela disse é verdade. Vocês deviam tê-la deixado tomar a sua própria decisão." – todos se voltaram para a médica.

"Eu sei… eu sei… parece que estou do lado dela. Mas, na verdade, quando eu ouvi a vossa versão eu concordei e achei que a decisão do Kenshin tinha sido a melhor, mas, depois de voltar para aqui, percebi que quando ela conheceu o Shuichi a Kaoru tornou-se mais confiante… e se calhar… vocês controlaram-na demais…"

"Obrigada Megumi."

Todas as atenções se voltaram para a Kaoru que acabara de entrar na sala. "Não tão rápido busu."

"Para Yahiko. Megumi fico contente por acreditares que tenho capacidade de fazer as minhas próprias escolhas, ao contrário destes idiotas."

"Kaoru! Mas ás vezes as tuas decisões acabam por te magoar!" – o Kenshin interviu num tom desesperado.

"Ao menos serão os meus erros e eu estou cá para lidar com o resultado. Não preciso que vocês sejam os meus babysitters."

O ruivo sentia-se furioso. Como é que a mulher a quem ele tanto amava não era capaz de perceber a sua preocupação?

"Diz-me Kaoru, se és tão boa a tomar decisões, então porque decidiste ajudar o Saito como espiã e dar-lhe informações acerca de pessoas que querem a queda deste governo?"

"Como é que tomas-te conhecimento disso?" – ela perguntou chocada de como eles sabiam de tudo.

"Como eu sei é problema meu. Tu pedes-me que confie em ti, mas depois tomas este tipo de decisões?"

"É certo para ti lutares contra o Shishio e o Amakusa, mas é errado que eu ajude o Saito a manter o nosso governo? Esta tudo bem em tu pores a tua vida em risco para ajudares outros, mas eu não posso fazer o mesmo? Como é que justificas isso Kenshin? Tu não tens o direito de me parar! Este era o trabalho do meu pai! É a minha herança!"

"Não era o seu desejo ver-te morta!" – gritou inerte ao medo nos olhos dos seus amigos. Ninguem interferiu enquanto os dois discutiam acesamente, nem mesmo o Aoshi que agora via a Kaoru numa perspetiva completamente diferente.

"O que é que sabes do meu pai para além daquilo que eu te contei? Ele fez-me saber onde guardava todas as informações acerca destas pessoas. Se eu não continuar o seu trabalho muitos irão sofrer e morrer. Ele ensinou-me acerca da espada que protege. Nunca teria de ser algo visível. Por ajudar o Saito eu estou a proteger muitas pessoas!"

O Kenshin fechou os olhos cansado. Não havia forma de ganhar aquela discussão."Tu és tão teimosa!"

"Tal como tu."

"São as tuas decisões assim tão boas, Kaoru?"

"O que foi agora Kenshin?"

"Se eu te disser uma verdade, vais ser capaz de tomar a decisão certa?" – a Kaoru olhou-o sem perceber – "Que verdade?"

Mas antes que o Kenshin pudesse responder, os portões do dojo abriram-se revelando o rosto de um homem belo mas cansado. A Kaoru ficou alegre só de o ver.

"Estou em casa."

"Bem vindo Shuichi.-"

Ele sorriu e entrou. Mas assim que a Kaoru se tentou aproximar dele o Sano impediu-a. Instantaneamente o Aoshi levantou e colocou-se em frente a ela, assim como o Kenshin e o Yahiko.

"O que se passa? Estou a interromper algo?" – o Shuichi perguntou. Algo não estava bem. A Kaoru tambem estava em choque com estas atitudes,

"Bem jou-chan tu disses-te que sabias fazer escolhas." – o Sano disse

"E disses-te para confiarmos em ti." – o Yahiko acrescentou

"Então diz-nos Kaoru, qual é a tua decisão acerca do Shuichi?" – o Kenshin perguntou sem tirar os olhos dele.

"O que é que se passa?" – ela perguntou confusa.

"Vá-la, eu não acho que isto seja uma boa ideia." – A Megumi estava preocupada de que a Kaoru não fosse capaz de lidar com a situação.

"Não. Megumi. Talvez, nós não venhamos a ter uma oportunidade melhor. Kaoru, o Himura pediu-me que eu verificasse a identidade deste homem. E aquilo que eu descobri foi: Shuichi Haname está morto. Este homem é uma fraude. Ele mentiu-te."