Capítulo 10
Os raios de sol da manhã deixavam Duo com uma aparência angelical, uma aparência que tanto Heero amava e isso dificultava as coisas. Seu coração pulsava forte, como se quisesse sair do peito, sua respiração ficou pesada e ele se sentiu um pouco tonto por causa da situação.
Heero fechou os olhos, deixando as lágrimas escorrerem, mas sem nenhum soluço ou choro. Ouviu os passos de Duo se aproximando, levemente, como se ele também estivesse um pouco...assustado?!?
- Oii.. – sussurrou, mas foi o bastante para o Heero ouvir, apesar de não receber nenhuma resposta. Duo o olhou e seu coração se apertou em pena. O homem a sua frente estava encostado em uma pedra, a cabeça baixa, os olhos fechados para não ver a verdade, a verdade que ele tanto queria. O sol deixava as feridas mais vivas e mais marcantes, demonstrando o quanto ele estava abalado fisicamente, manchas roxas em algumas áreas de seu corpo e com a respiração pesada. Quis tocá-lo de início, mas retraiu a mão quando notou que o outro começara a tremer.
Calma.
Muita calma
Ele podia ser Heero, podia ser uma pessoa forte como a garota lhe falara, mas estava ferido fisicamente e o mais importante, abalado emocionalmente por causa...da sua presença.
- Olhe para mim. – ajoelhou-se, ficando mais perto do maior, falou baixinho para que ele confiasse em si, mas o corpo á sua frente tremeu mais uma vez. – Eu sei que é difícil... – parou, quando viu os olhos cobalto abrirem, mais ainda assim não dirigiam o olhar para ele. Estendeu a mão novamente querendo tocá-lo, mais a retraiu, quando uma onda de dúvidas o inundou. Seu Heero por si só já era bastante complicado às vezes, imagina um do futuro? Não sabia realmente o trauma que ele devia ter vivido todo esse tempo...a falta de um carinho talvez?
Duo suspirou, mantendo o olhar fixo no mais velho. O japonês havia desejado a vida toda por aquele momento, por ter Duo de volta. Mas ele não era o Duo futurista, o Duo que morreu, e o americano tinha certeza que toda aquela situação era muito forte para o outro.
- Você o amava muito, não é mesmo? – as palavras comprimiram o coração de Heero, deixando que mais lágrimas caíssem. De início achou que aquele era o seu Duo, seu amor, sua vida...mas...não era. Não foi com ele que conversou várias noites sobre o futuro, sobre envelhecerem bem velhinhos e juntos, as noites de amor, os carinhos, não foi com ele.
Não sabia o que, ou como os seus amigos apareceram, tão jovens...jovens de mais para ser seus verdadeiros amigos, não eram aqueles que haviam morrido...não eram eles.
Olhou para o americano, sentindo seu peito queimar em saudades. Oh Deus...ainda assim ele era idêntico ao seu Duo..seu amor. A longa trança que tanto amava, o rosto suave, os olhos violetas, aquele era seu amor...ou não era?
Desviou a cabeça, confuso, mas sentiu o toque de uma mão quente em seu rosto, o fazendo levantar o olhar para o americano.
- Nem eu sei por que estamos aqui..
Estamos aqui? Quer dizer que vieram de algum lugar? A mente de Heero estava confusa, mais por hora ele estava mais interessado em Duo, do que nas respostas.
- Eu...- Heero sussurrou fraco, olhando as íris violeta, vendo aquela expressão terna que era o americano.
- Não precisa falar nada...
- Eu posso...
- Shhhh – Duo o calou, vendo que Heero estava muito desconfortável falando, muito vulnerável. Queria saber da vida dele, queria saber respostas desse mundo louco, queria saber como voltava para casa, mas podia ver claramente que o japonês não estava em condições de nada. Não queria e nem devia forçá-lo. – Tudo bem, não precisa.
Mas Heero não queria acordo, balançou a cabeça debilmente como em um apelo, precisava...ele precisava.
- Posso te abraçar? – as palavras soaram fracas e imediatamente Heero fechou os olhos temeroso, estava com medo, estava nervoso, não sabia como Duo reagiria, se ele...
E então no meio de seus pensamentos confusos, algo quente o envolveu. Duo ficara espantado com o pedido, mas realmente ele havia esperado por isso, acolheu o corpo maior que o seu, mas que agora parecia bem menor, pois a cabeça de Heero estava escondida em seu pescoço. Lágrimas escorreram dos seus olhos enquanto o abraçava, mas sempre tomando cuidado com as feridas. Queria que o japonês sentisse que por mais que ele não fosse o verdadeiro, o antigo Duo, ele estava disposto a trazer mais alegria, um pouco de felicidade, queria dar um pouco daquilo que haviam tirado dele, um pouco de vida. Queria que Heero confiasse nele e o enxergasse não como o antigo Duo, mas como o novo, que o entendia e de certa forma também o amava.
Ele o amava..
Duo, fechou os olhos, pensando em seu verdadeiro Heero que devia estar na caverna, dormindo. Por Deus.
Ele tinha dois Heero, tinha dois homens que o amava, isso era um tanto de sorte, não?
Sorriu. Mas deixou o pensamento de lado quando viu que o homem mais velho derramava mais e mais lágrimas, tremendo compulsivamente em seus braços. Não era o seu Heero, mais ainda assim era o futuro dele, o amava de uma certa forma e se preocupava. Não queria que ele sofresse, não queria que ele passasse por isso.
- Depois de tanto tempo e... – mordeu os lábios, escondendo mais a cabeça no pescoço do americano, sentindo o aroma de seu cabelo, seu cheiro próprio. – ...e eu posso ao menos abraça-lo...mais uma vez.
- Shhh..- Duo levantou a cabeça dele, para poder olhar o rosto do homem que estava um pouco vermelho, as lágrimas caindo, acariciando sua face, os lábios tremendo levemente. – Acho que eu e os outros vamos passar um bom tempo aqui...você vai ter muito tempo para me abraçar. – Riu e ficou feliz quando arrancou um sorriso do outro e um "baka"
Era um bom começo.
- Você está bem? – finalmente Duo pudera perguntar o que estava lhe afligindo á um bom tempo. – Suas feridas?
- Estou bem...- agarrou-se em Duo, como se ele fosse um apoio. – Só um pouco cansado.
E devia estar. Com todo aquele sentimento, aquelas emoções percorrendo seu corpo, não tinha como concentrar-se para poder curar as feridas. Era impossível regenerar-se naquele momento. Sentia-se fraco com a perda de sangue, puxava grandes quantidades de ar a fim de permanecer vivo, mas o sofrimento valia à pena, aquele abraço era reconfortante, era tudo que ele desejara em todos esses anos.
- Durma um pouco. – acariciou a nuca dele, sentindo como se fosse seu Heero ali.- Estarei aqui quando você acordar. Prometo.
- Ari..gatou..- disse quando o cansaço tomou conta de si, praticamente desmaiando em cima do americano. Duo moveu-se um pouco, acomodando-se na pedra, deixando o japonês descansar nele. Sentia o corpo sobre si muito quente, provavelmente estava com febre.
Respirou pesadamente.
Lutaria para que o seu Heero não passasse por isso.
Não iria deixar.
Não iria.
ooo
Escondido atrás de uma árvore, Yui observava a cena, os punhos cerrados, não gostando nada do que estava vendo. Em seu raciocínio lógico como soldado, entendia o lado do seu outro eu, sabia que seu Duo estava fazendo o certo.
Mas seu coração, ainda enxergava aquele homem á sua frente como um homem qualquer.
Sabia que era muito traumatizante e difícil, por que ele próprio não agüentava perder Duo, viver sem ele seria um terror.
Mas ainda assim...será que aquele Yui não poderia...poderia...
- Ciúmes? – Dyane chegou por trás do menor, mas não foi pego de surpresa.
- Pensei que ia ficar se escondendo com esses peixes fedorentos para sempre. – Heero falou seco, desejando desaparecer dali com Duo...mais uma parte de si não o desejaria.
Era errado.
A garota olhou para os peixes que pescara do outro lado do lago, já que na outra noite ninguém havia comido, apesar de Trowa e Wufei terem trago o alimento. Suspirou, olhando para seu Heero futurista, vendo que ele estava dormindo no colo de Duo.
- Eu sei que é difícil para você também – ela olhou o jovem que desviara a atenção dos olhos para o chão – mas tente entender com o coração, tente se por no lugar dele e tenha certeza que isso não afastará Duo de você. – ela sorriu – Ele sofreu muito, dê um tempo para ele, deixe-o aproveitar...a felicidade que você sente quando está com Duo. Tente entender.
Heero balançou a cabeça, tentando aceitar tudo aquilo.
Teria que aceitar.
Afinal...era ele que estava ali.
Resmungou algo e saiu andando, não queria mais ver os dois abraçados, porém sentiu uma mão em seu braço, o parando. Olhou para a mulher em suas costas, será que ela não entendia que ele estava a fim de ficar sozinho?
- Vê essas estacas? – Dy perguntou, mostrando as várias estacas com símbolos estranhos em volta de toda lagoa e caverna. Engraçado...Heero não reparara nelas noite passada. – Elas não permitem que os monstros de más intenções entrem, é magia de antigos humanos...– Heero levantou a sobrancelha - Eu os chamo de "Os Antigos". Existem apenas duas cavernas como esta, as outras pessoas que eu e Heero salvamos estão na outra caverna com o Wing...
- Wing?
- Explico depois. – suspirou, vendo a confusão nos olhos do menor – eles estão nos esperando, quando Heero melhorar – olhou para seu amigo adormecido e para o americano que o acariciava ternamente – nós vamos embora. Vá onde quiser, mas não fique fora da área demarcada pelas estacas se não você morre, entendeu? Os monstros da base lhe pegam, entendeu?
Heero balançou a cabeça como se estivesse cansado de tudo aquilo e se distanciou da garota. Queria apenas voltar para casa, para sua vida, para seu amor.
Andou pouco já que as estacas não permitiam muita locomoção. Sentou-se em uma árvore, deixando uma lágrima cair de seus olhos. Não queria ser egoísta, queria entender o lado de Duo e do seu outro eu...tinha que entender.
Só temia que Duo se afastasse dele...logo agora que estavam começando um relacionamento. Baixou a cabeça, abraçando os joelhos. Tinha medo do que estava por vir.
ooo
- Senhorita Mel !! – Érica entrou no quarto como um vulto, quase arrebentando a porta. - Arashi sumiu!
- Como assim sumiu?
- Não está em lugar nenhum – falou rápido, passando a mão pela cabeça preocupada.
Mel fechou os olhos, concentrando-se, fazia tempo que não usava seu poder mental para achar pessoas. Arashi era pequeno, cabelo azul, olhos da mesma cor, tímido, fechado e muito sentimental em relação a sua protetora: Dyane. Porém não conseguiu captar a mente do pequeno monstrinho.
Mel abriu os olhos preocupada. Alguma coisa havia acontecido. Passou por Érika, correndo, precisava avisar ao reis de Realval. Arashi podia estar em perigo e se ele fora pego pelos inimigos, boa coisa não era.
Passou pelos corredores, subindo as escadas até A Grande Sala, onde os reis comandavam. Não pensou duas vezes quando entrou sem cerimônia no aposento.
Era enorme e bem iluminada pelos raios de sol. Quadros de grandes monstros e homens que lutaram contra Grilard estavam expostos nas altas paredes. No centro da sala ficavam os mais importantes que foram os quatro pilotos assassinados. Um tapete vermelho-vinho cobria o caminho da porta até as mesas dos reis. O primeiro era jovem, tinha 100 anos no máximo, cabelo preto, aparência humana. O segundo rei...era rainha! Cabelo duro e esticado de cor vermelha, pele esverdeada, mas para compensar a pouca beleza ela vestia-se muito bem. E o terceiro possuía aparência humana, mas era bastante velho, um dos primeiros bebês mutados, o pai de Dyane.
Mel ajoelhou-se diante deles, passando a sua mensagem mentalmente a cada um, olhando-os nos olhos. Não era fácil convencê-los, principalmente ao pai de Dy. Esperou por uma resposta calada e ficou nervosa quando o mais velho levantou-se diante de si.
- Não. – disse frio.
- Mas Senhor, ele pode estar em perigo...
- Eu sei os riscos, não sou idiota – repeliu seco, mas depois suspirou pesadamente, ajoelhando-se de encontro com Mel. – Não posso autorizar nenhum monstro a sair de seus postos de defesa da cidade para procurar esse tal de Arashi.
- Ele é amigo da sua filha, é como se fosse um irmão para ela! – tentou rebater, ela precisava convencê-lo.
- Eu sei quem ele é, e deixo tamanha responsabilidade em suas mãos. Ache-o. – foi tudo que ele disse, antes de se levantar e voltar a sua mesa sob o olhar dos outros dois reis.
Mel levantou-se olhando para os outros reis que apenas deram um sorriso triste. Apesar de tudo, ela sabia que seria irracional tirar as defesas de Realval para achar um único monstro. Principalmente com os seguidores de Grilard por todo lado, não era racional.
Curvou-se diante deles e saiu da sala desesperada.
Tinha que achar Heero.
ooo
"Pai? Você pode me ouvir?"
Heero abriu os olhos, assustado, demorou até ele se dar conta que estava nos braços do americano, e que aquela voz...
"Mel?"
"Temos problemas...Arashi"
Heero afastou-se de Duo, tentando se levantar.
- Ei...o que você está fazendo? Ainda está fraco. – Duo tentou fazê-lo sentar-se, mas Heero apenas colocou a mão em sua boca. Precisava de silêncio.
"O que aconteceu?"
"Ele sumiu pai"
- Heero sente, por favor. – Duo teimou a falar, mas viu que o japonês não lhe dava bola, não estava entendo nada. Em uma hora ele estava dormindo e em outra estava acordado, em pé, cambaleando, ainda fraco.
"O que eu faço?"
"Procure pelas redondezas..eu vou procurá-lo também, mantenha contato ok?
"Ta.."
- Com quem você estava falando? – de repente Dy estava na sua frente
- Mel..- sussurrou, sentando-se novamente com o americano em sua cola. Ele não parava de falar, porém Heero não ouvia suas palavras, apenas olhava para Dy. Todo mundo sabia que se alguém desaparecia era caso de morte, poucos sobreviviam, poucos voltavam.
- Arashi...- Dyane arregalou os olhos e ajoelhou-se junto ao japonês, temerosa – desapareceu. – a garota caiu de joelhos, surpresa, a boca levemente aberta, os olhos procurando uma compreensão, não podia ter desaparecido. Não ele! Não o seu pequeno Arashi. Desabou sobre Heero, em um abraço, e apesar deste estar ainda fraco, abraçou-a, ignorando os protestos do seu corpo doído.
Duo os olhos sem entender, Dyane caiu em choro no colo do maior, enquanto Heero a abraçava, os olhos perdidos. Quem era Arashi? E por que Dy havia perguntado com quem ele estava falando? Ele parecia alterado, mas com certeza não havia escutado a voz de ninguém.
Os olhos cobalto fixaram em Duo, o olhar triste e ainda fraco. Precisavam sair dali, Heero precisava de ajuda, não estava bom ainda e sua melhor aliada, sua força que era Dy, acabara de desmoronar bem diante dos seus olhos. Teria sido a decisão correta? Contar sobre Arashi?
Procurou um pouco de apoio nos olhos do americano, mas nada obteve. Podia ver que ele estava assustado, estava confuso. Fechou os olhos, sentindo seu corpo reclamar, tinha que levantar novamente e sair dali. Tinha que ignorar seu desejo de ficar o tempo todo abraçado com aquele Duo. Tinha que perder o medo, a fraqueza e voltar a ser o que era...se quisesse tirar todos dali...
Vivos.
ooo
- Então? – Trowa parou no mesmo canto onde Heero estava olhando para seu amigo. – Vai ficar aí para sempre?
Heero o olhou de escanteio, mas não respondeu, não queria conversar com ninguém. E daí se estava se comportando como uma criança, e daí se estava com ciúme? Não era pecado era?
- Eu também estaria confuso. – Trowa sentou ao seu lado, mas não chegou a encostar no japonês. – É estranho.
Mais é claro que era estranho. Lógico que era. Um Sr Heero Yui de 300 anos junto ao seu Duo era bastante estranho, por demais até.
- Eu só não consi...
- Trow – Quatre apareceu ofegante – temos problemas.
Heero e Trowa olharam-se e ambos saíram correndo de volta a caverna. O loirinho falava coisas desconexas e rápidas, não dando para entender muito bem. Ao chegarem à beira do lago, se depararam com Dyane abraçada a Heero, chorando em seu colo, Wufei ao lado dela, tentando consolá-la e Duo assustado, sentado ao lado do japonês.
- O que houve? – Trowa perguntou, aproximando-se, enquanto Heero olhava desconcertado para o seu outro eu.
- Temos que achar uma solução Hee, temos que achá-lo.. – Dy falava entre lágrimas, apressada, tremendo levemente.
- Dy..
- E se ele estiver morto?
- Dy.. – Heero tentou novamente, mas a única coisa que conseguiu foi que ela soltasse do seu pescoço e começasse a falar entre soluços.
- Não posso perdê-lo...- Wufei a abraçou e a impediu de levantar – ele é como se fosse meu irmão Hee..
Duo olhava assustado para a garota que estava se desmoronando, buscando depois uma resposta no olhar dos amigos. Mas nada vinha.
- Vai da tudo certo. – Heero falou calmamente para sua amiga, mas esta apenas falava mais coisas, como salvar Arashi, repetindo seu nome várias vezes, enquanto chorava descontrolada, sendo amparada pelo chinês.
- Quem é Arashi? – Trowa interrompeu, fazendo o olhar do Heero futurista cair sobre si. Heero precisava explicar a situação a eles, precisava...mas estava tão fraco. Fechou os olhos, escutando o choro da amiga, e sentindo o olhar de todos sobre si, inclusive do seu eu mais jovem. Quando dera a notícia a Dy, ela se descontrolara e não era para menos, pessoas desaparecidas eram encontradas depois de muito tempo, mortas, com os membros despedaçados, era horrível! Os que sobreviviam, poucos, viviam com um trauma contínuo. Acabara acordando Quatre e Wufei com a confusão e até agora não conseguia ter energia suficiente para lhes explicar a situação.
- Shh, vamos dar um jeito de achá-lo – Wufei tentou acalmá-la mais esta ainda continuava falando sem parar, tentando achar uma solução. Olhava para Heero, esperando que ele tomasse uma decisão, mais tudo que obteve foi um mero nada, ele continuava de olhos fechados.
- Eu vou... – disse sussurrando, o que fez Heero abrir os olhos – a base! – falou surpresa, levantando depressa. Esquecera que o pequeno tinha um chip em seu cérebro, por ser um monstro com poderes telepáticos. Poderia localizá-lo pelo satélite...só precisava voltar a base e tudo ficaria bem.
- Você é louca – Wufei falou exaltado, segurando-a pelo pulso, enquanto Trowa e o Heero mais jovem se preparavam para impedi-la caso tentasse algo. – Não vai voltar para aqueles monstros.
- Eu não me importo...- soltou-se de Wufei e virou-se para ir embora, porém deu de cara com Trowa e Heero. – Saiam...vocês não entendem – as lágrimas desciam, enquanto ela olhava firmemente nos olhos dos dois.
- Eu preciso de você... – Heero, ainda sentado, pediu, como em um apelo – se você for agora pode morrer e eu não tenho forças para salvá-la – disse, fechando os olhos novamente, respirando pesado – Eu preciso que você me ajude Dy.
Dyane o olhou, vendo a mentira nas palavras do amigo. Era verdade que poderia morrer, mas conhecia Heero e sabia que mesmo nesse estado ele levantaria e a ajudaria...o que poderia causar a sua morte. Percorreu o olhar pelo peito do japonês que subia e descia rapidamente, a pele pálida. Ele não estava nada bem e ela não estava o ajudando em nada...só piorando. Caiu sentada no chão, sendo seguida por Wufei.
- E se ele estiver morto?
Heero não respondeu, abriu os olhos, vendo a fragilidade da garota. Ela se aproximou e o abraçou forte, querendo que aquela energia passasse para ela...apesar de tudo, de estar abalado por causa de Duo, ele parecia tão forte.
- Então... – Trowa sentou-se junto com Quatre e Heero. Duo se aproximara do seu amor entrelaçando suas mãos. – Podem nos contar?
Heero o olhou nos olhos, e a todos, porém evitou olhar nos olhos de Duo e do seu eu mais jovem. Não conseguia olhar para Heero, era como se ele olhasse em um espelho..e também...lhe traziam lembranças.
Algumas...não tão boas.
- Arashi é um irmão para mim – Dyane falou, escondendo sua cabeça no pescoço de Heero. – ele é minha família – disse entre soluços, agarrando-se mais em Heero. Apesar de ser a filha de um dos reis, rica, e com muitos amigos, nenhum deles era considerado amigos verdadeiros como Arashi, e seu pai era tão distante que nem ao menos chamava-o de pai. Arashi era único.
- Quando alguém desaparece..- Heero começou, mais não conseguiu continuar sentindo que a amiga começara a tremer em seus braços. Wufei balançou um sim com a cabeça, demonstrando que já havia entendido tudo.
- E como vocês souberam disso? – Quatre perguntou, o que estava perturbando a todos, afinal, estavam no meio do nada. Heero fechou os olhos novamente, falar de Mel era algo tão mais profundo, eles perguntariam coisas e ...chegariam a Duo. Não podia ficar fragilizado novamente...não mais.
- Mel – Dy falou baixinho, se desvencilhando de Heero, olhando para os outros. – Ela é um dos bebês de genes alterados, ela tem o poder da telepatia. – Duo abriu a boca, impressionado. Quer dizer que Heero realmente havia falado com alguém naquela hora. – E ela..
- Ela é minha filha..- Heero disse fraco, deixando-se apoiar na pedra, olhando para o céu. Podia sentir o olhar de todos os pilotos sobre si. Várias perguntas pairavam no ar. Algumas...precisando de respostas.
- Então..- Duo começou, frustrado. – Quer dizer que você teve relação com uma mulher, e eu pensando que ainda me amava. – se emburrou, cruzando os braços, enquanto o seu Heero apertava sua mão fortemente. O jovem japonês queria poder dizer algo, mais parecia que criara um ódio por aquele Heero do futuro que não conseguia falar nada. E seu ódio se tornou maior ao saber que ele havia traído o americano. Mesmo sabendo que o Duo do futuro havia morrido, ter um relacionamento com uma mulher significava que ele havia esquecido...isso era tão estranho..estava com raiva de si próprio.
- Ela é minha filha e dele... – sussurrou, olhando vagamente para as nuvens, uma lágrima correu pelo seu rosto, estava tão cansado. – Nós a adotamos quando era pequena, ela salvou a vida dele. – o japonês se referiu ao americano como "ele" novamente..o seu amado Duo. Não o que estava a sua frente, mas o seu, o verdadeiro, o que lutou com ele, até a morte. Fechou os olhos, sentindo que não agüentaria o olhar dos outros sobre si. Não queria mais perguntas e não podia mais dar a chance da fraqueza lhe tomar. Sentiu Dy abraçá-lo e apesar de estar doído, foi reconfortante.
- Desculpe... – o americano sussurrou, enquanto era abraçado pelo seu Heero. Passaram longos minutos assim, até que o mutante abriu os olhos novamente. Levantou o rosto da garota com uma mão, vendo ainda o nervosismo nela.
- Descanse..- acariciou o seu rosto, olhando para ela serenamente – Eu vou cuidar de Arashi...apenas não pense nele, ok? – Ela balançou a cabeça em um sim, enxugando o rosto em seguida.
- Eu tive um sonho com ele...- falou, agora mais calma, procurando proteção no amigo – Ele estava com medo de morrer, pedia para eu voltar – Heero preocupou-se com a informação, porem não demonstrou, apenas deu um beijo na testa da garota.
- Eu vou achá-lo Dy...- disse calmo, limpando uma última lágrima – Me dê só um dia para eu me recuperar, certo? - Ela concordou, e retribuiu o beijo que Heero dera, depois falando algo em uma língua desconhecidas e saindo em direção à caverna. Wufei olhou para o mais velho e este deu o sinal para não segui-la, era melhor que ficasse sozinha, pelo menos por um tempo.
- Mel vai ficar feliz em te ver... – afirmou, olhando para o americano que parecia estar muito desconfortado por causa da situação anterior. – Me deixem sozinhos...por favor.. – disse por fim, mas nenhum dos pilotos saiu do lugar, de certa forma preocupavam-se com ele.
- Eu preciso me regenerar... E acreditem, eu não vou conseguir com vocês aqui. – olhou quase que diretamente para Duo. Precisava mais do que nunca voltar ao normal e com certeza a presença do americano não era bem vinda. O desejo, todo o amor só iria atrapalhar, precisava de tranqüilidade em seu coração, concentração, silêncio.
- Qualquer coisa..
- Eu sei Quatre..eu sei. – disse, mostrando a todos que estava ciente da preocupação deles. Fechou os olhos enquanto ouvia os passos lentos dos cinco se afastarem e sentia o perfume inesquecível de apenas um deles.
ooo
- Minha culpa... – Aya sussurrava, deixando as lágrimas molharem seu rosto. – Desculpe...– e permaneceu sentada, abraçando os joelhos, com medo do que estava por vir. – Arashi.
ooo
ok gente..o que acharam? Sejam sinceros, ta?
Se alguém não estiver entendendo algo ou se perdendo na linha do tempo..por favor me avisem, ok?
Obrigada a todos que comentaram, que me incentivaram.( MI , Bellonashi, Kiara Salkys, Blanxe, Fabi, Tina-chan, Litha-chan e a Patty MR)
Descobertas vai demorar a sair..o próximo capítulo está na metade, mas se recusa a ser finalizado \
Enquanto isso, vou me divertindo com Dois Mundos
Até o/
Karin
