Capítulo 10

— Também?

O coração de Edward chacoalhava dentro de seu peito.

Uma palavra tão pequena.

Mas a razão pela qual Isabella lhe teria dito aquilo significaria o céu ou o inferno para ele.

Ele levantou a cabeça, alheia ao entusiasmo dele.

— Queria que Natalie tivesse uma identidade quando contava para ela sobre sua carreira no hóquei. — Suas palavras emergiram em meio a soluços. — Ao mesmo tempo, tenho medo de ter impulsio nado algo do qual já me arrependo.

— Ei, mãe? Pai? — Natalie apareceu correndo na sala. — Alain e eu vamos até a outra casa assistir ao restante do vídeo que alugamos.

Isabella limpou a garganta.

— Está bem, querida.

Edward deu a chave a Alain.

— Vejo vocês depois.

Logo que Natalie abriu a porta, Edward ouviu a filha dizer:

— Vovó!

— Olá, querida. Quem é esse?

Isabella olhou para Edward, enquanto ouviam a conversa que vinha da frente da casa.

— É meu primo, Alain Cullen. Esta é minha vovó, Renée Swan.

— Como vai, sra. Swan?

— Estava ansiosa para conhecê-lo, Alain. Estou muito feliz por vocês serem parentes. Quando tinha a sua idade, adorava estar com meus primos.

— É divertido. — Alain pareceu falar sério.

Nada poderia satisfazer mais Edward. O comentário deve ter surpreendido Isabella. Ela levantou-se, limpando as lágrimas das bochechas.

— Sinto muito ter perdido seu jogo, querida. Você ganhou?

— Não, mas ganharemos da próxima vez. Até mais, vovó. Vamos à casa do papai assistir a um filme.

Edward parou em frente à porta.

— Finalmente, nos conhecemos, sra. Swan. — disse, enquanto a mãe de Isabella adentrava. Ela era loira, dos olhos cor-de-mel. Examinou-a por um longo instante.

— Agora sei de quem sua filha herdou a beleza.

Ela sorriu.

— Agora sei de onde Natalie herdou a dela. Obrigada pela linda flor que você me mandou.

Edward segurou a mão da senhora entre as suas.

— Era o mínimo que podia fazer depois do presente que me deu por intermédio da Natalie. Preencheu o vazio deixado pelo acidente. Sinto-me completo agora, e totalmente graças à senhora.

— Você sofreu muito. Sinto muito.

A compaixão dela fez com que ele se inclinasse e beijasse suas duas bochechas.

— Meus pais querem conhecê-la. Quando eu e Alain voltarmos daqui a alguns dias, gostaríamos que fosse conosco.

— Tenho que tirar um passaporte antes. Talvez eu veja isto esta tarde. — Olhou para a filha. — Não sabia que Edward estava aqui. Nessas circunstâncias, vou saindo.

— Não vá, mamãe!

Edward sentiu o pânico em sua voz. Isabella estivera no limite desde que chegara no ringue. Ele já estava querendo saber o motivo há muito tempo.

— Teremos muito tempo para conversar depois, querida.

— Então, vou levá-la até a porta.

Isabella passou por Edward sem olhar para ele. Ele a observou acompanhar a mãe até o carro estacionado do lado de fora. Se ela estava tentando convencê-la a ficar, não parecia estar funcionando. Renée logo sentou atrás do volante e partiu com o carro.

Apesar de Edward ter gostado da visita da avó de Natalie, admitia que estava feliz por ela ter ido embora.

Ele queria certas respostas de Isabella. Agora que estavam a sós, iria consegui-las.

Assim que ela voltou para dentro, ele disse:

— Eu tenho a sensação de que algo mais está errado, além do seu receio pelo hóquei ser muito perigoso para sua filha. É porque Jacob não pôde ir com você?

Ela cruzou os braços, numa clara demonstração de que não tinha gostado da pergunta.

— Do que você tem medo, Isabella? Você está se comportando como quando liguei para você pela primeira vez.

O queixo dela movia-se, como que o desafiando.

— Não quero ser rude, mas Jacob não é da sua conta.

— Ele é sim, se for se tornar o padrasto de Natalie. Ontem à noite, ele mal podia esperar para ficar a sós com você. É óbvio que ele adoraria se aproximar de Natalie. Isso me deixa ainda mais curioso sobre a razão de você ter ido ao jogo sozinha. Diga-me o que está havendo.

— Não é tão simples, Edward. Jacob e eu não estamos juntos há muito tempo.

— Quando é para acontecer, não é necessário muito tempo. Desde o momento em que fizemos nossa primeira refeição juntos, soubemos que o que havia entre nós era algo muito forte e profundo. Nada poderia nos separar, a não ser uma catástrofe.

— Aquilo foi diferente.

— Você quer dizer, porque éramos jovens e irresponsáveis?

Entre seus cílios escuros, seus olhos brilhavam como pedras preciosas verdes na luz do sol.

— Sim!

— Você já me disse isso antes. Eu disse a Alain a mesma coisa quando ele achou a carta. Porém, nós sabemos que nos apaixonamos loucamente e planejamos nos casar antes mesmo de desembarcar do navio. Agora, eu preciso saber se você está perto de se casar com Jacob. Eu vim para cá com Alain para acertar as coisas. Ele está indo bem melhor, mas as crianças não precisam de mais confusão na vida delas.

— Você acha que não sei disso? — proclamou.

— A julgar pela dor em sua voz, presumo que você já disse sim ao Jacob e está aflita sobre como isso irá funcionar. Então, vou tentar facilitar as coisas para você. Se você vai morar com ele, eu vou comprar a casa que aluguei. Se ele vem morar com você, então vou procurar uma casa em Concord. Uma que seja longe o bastante para que as crianças estudem em escolas diferentes e proporcione privacidade a você e ao seu marido.

— Não, Edward...

Ela já dissera não a ele por muitas vezes.

— Desculpe, Isabella, mas você teve tudo do seu jeito por 12 anos. Agora é minha vez.

— Você não entende. Você não tem que alugar ou comprar uma casa. Nada disso é necessário.

— Por que não?

— Porque Jacob não quer se casar comigo.

— Não segundo Natalie!

— Nossa filha estava com você na noite passada. Ela não sabe o que aconteceu depois que vocês saíram.

— O que Jacob fez? Ameaçou ir embora se eu começasse a exercer os meus direitos de pai? Quer que eu fale com ele? Garantir a ele que vou fazer tudo o possível para fazer com que isto funcione?

— Não, não é assim. Ele sente que Natalie ama você demais para aceitá-lo algum dia.

Edward não esperava ouvir aquela explicação.

— Ela gosta bastante dele.

— Sejamos realistas, Edward. Nós dois sabemos como ela se sente com relação a você. Nossa situação é peculiar. Nenhum homem vai tentar competir. Simplesmente, não funciona.

Grace à Dieu.

— Então, o que você quer dizer?

— Se você quer que Natalie viva com você na Suíça para sempre, que seja. Eu por acaso sei que sempre fora o desejo do fundo do coração dela. Mas nós sabemos que ela nunca vai ser feliz sem mim. E... por isso, estou pronta para me mudar para lá e procurar um novo emprego. Talvez convença minha mãe a ir também. Teria que colocar a casa à venda para poder comprar algo comparável em Montreux. Assim, poderemos compartilhar nossa filha e não teremos que afastar Alain de suas origens.

A adrenalina de Edward subiu.

— Só existe um jeito de fazermos isso. Se nos casarmos. Adotaremos Alain como filho, para que ele se sinta parte de nós tanto quanto Natalie.

Isabella empalideceu.

— Você não está falando sério...

— Já fomos amantes. Natalie é sangue do nosso sangue. Alain precisa de uma mãe. Por direito, você é tia dele, e a pessoa perfeita para assumir o papel.

— Pare, Edward. O que você está sugerindo é impossível.

— Por quê? Porque você ainda está apaixonada por Jacob? Pensei que você fosse capaz de colocar Natalie acima de qualquer outra consideração.

O corpo de Isabella inflamou-se.

— Pensava que sim. Do que ainda não falamos é dos seus sentimentos.

— Você já sabe qual são. As crianças são minha prioridade.

— Refiro-me a sua vida pessoal. Algum dia, irá encontrar a mulher da sua vida.

Acho que Alain estava certo da primeira vez que disse. O amor que sentia por você me impediu de me apaixonar por qualquer outra pessoa. Se você pensar bem, quem mais além de você tem vínculos com Alain? Ele e Natalie têm o sangue dos Cullen.

As bochechas dela enrubesceram.

— Mas não somos mais as mesmas pessoas que se apaixonaram naquele navio.

— Não, não somos. Ambos lutamos muito desde então. Perdemos entes queridos. É claro que não podemos voltar no tempo para mudar nada. Mas podemos, e muito, dar uma vida maravilhosa para nossos filhos. Eles estão começando a gostar um do outro.

— Alain nunca vai me aceitar.

— Você está enganada. Naquele dia em Broc, você fez algo por ele que foi fundo em sua alma. Se ele não quisesse vir nesta viagem, teria ficado com meus pais.

Manteve-se calada.

Com o silêncio prolongado, o cheiro de vitória se dissipou.

Era perfeitamente possível que, uma vez na vida, seus instintos em que sempre confiara estavam fora do combate. Percebeu tarde demais que seu corpo começara a transpirar um suor frio e familiar.

— Pense nisso e me responda. Vou dar uma olhada nas crianças.

Depois que Edward saiu, Isabella ficou lá, pensando no que ele havia dito.

Naquele dia em Broc, você fez algo por ele que foi fundo em sua alma.

Significava que Alain tinha contado a ele sobre as iscas. Se era verdade — e aparentemente era, já que não existiria outra forma de Edward saber —, então Alain gostava um pouco dela. O suficiente para vir na viagem com Edward por sua própria vontade.

Mas ainda faltava Edward... Ele ainda não dissera como se sentia em relação a ela. Como ela poderia lhe dar uma resposta definitiva sem saber a verdade?

Depois de hesitar um pouco, não podia mais supor tar aquilo e foi até a outra casa para abrir o jogo com ele.

Quando entrou, encontrou as crianças na sala de es tar, vendo TV e falando baixo. Tinham desligado o vídeo. Algo estava errado.

Olhou em volta.

— Onde está o Edward?

— Lá em cima, deitado — disse Alain.

— Fiz uma compressa de gelo com um pano de pratos para ele — explicou Natalie.

— Ele disse para ficarmos aqui até que ele acordasse.

Isabella subiu as escadas. A casa era igualzinha à dela. Seguiu instintivamente para o quarto principal.

Um gemido silencioso ficou preso em sua garganta ao ver Edward esticado sobre a cama. Seu belo rosto estava abatido. Havia olheiras sob seus olhos. Os cílios escuros sobre suas pálpebras fechadas destacavam-se na palidez da sua pele.

Era assustador pensar que uma enxaqueca podia incapacitar uma pessoa tão rápido. Especialmente alguém tão forte mental e fisicamente como Edward. Há poucos minutos ele estivera muito bem disposto.

O amor por ele transbordou do seu coração para se espalhar por todo o seu corpo. Ele tinha uma força de vontade indomável, mas, assim como Sansão perdera sua força sem seus cabelos, Edward estava temporaria mente indefeso devido a uma antiga lesão.

Pôs-se na cama ao seu lado.

— Edward? — sussurrou.

— Isabella...

Ele tentou abrir os olhos, mas sabia que a iluminação natural do quarto o incomodava.

— Deixe-me ajudá-lo. Deite-se de lado, de costas para mim.

Foi-lhe um grande esforço para ele seguir as instruções. O pano de pratos caiu sobre o tapete, mas pouco importava. Assim que teve acesso, colocou as mãos sobre o pescoço dele e aplicou a massagem especial com o polegar sobre as costas do crânio.

Seus cuidados fizeram a enxaqueca cessar uma vez. Esperava que um outro milagre a levasse embora novamente. Logo ela sentiu a mudança em sua respiração. Ele havia adormecido.

Manteve uma vigília constante para caso ele precisasse de algo. Depois de quase uma hora, ele mudou de posição e ficou de frente para ela. A coloração voltara a seu rosto. As linhas em torno de sua boca haviam desaparecido. Foram-se as sombras.

Isabella finalmente pôde relaxar. Ficou ao seu lado, encarando-o. Que homem estonteante. Era um privilégio pousar os olhos sobre ele, mas também uma dor prazerosa, pois sentia dor ao fitar suas sobrancelhas, o corte esculpido de sua mandíbula. Seus lábios.

Fizera aquilo tantas vezes, enquanto ficavam deitados no beliche da cabine do navio. Ele não sofria de enxaqueca na época. Ficavam admirando os rostos um do outro, tão arrebatados pelas diferenças e tão apaixonados, que as lembranças levaram-na às lágrimas.

Enquanto esperava por sinais de que ele despertaria, uma sonolência tomou conta dela, gradualmente diminuindo suas inibições. Seus pálpebras ficaram pesadas. Lutou contra o sono, mas suas emoções estiveram em um caos tão grande, que era uma batalha perdida.

Oh, Edward...

Ainda podia vê-lo por entre os cílios. Mas os olhos castanhos estavam abertos agora. Não mais lutavam contra a luz. Sem nenhuma dor, seus olhos miraram dentro dos dela, procurando um caminho até sua alma.

Você tem idéia de como você é linda?

Desde que seja linda para você, nada mais importa. Eu amo você, Edward.

Instintos mais antigos que o tempo fizeram com que ela procurasse aquele lugar familiar em seus braços. Deslizou as mãos em volta de ele, para diminuir entre seus corpos. Seus lábios procuraram a boca de Edward.

Ame-me a noite inteira, como você fez na noite passada. Nunca me deixe ir.

Como se eu fosse deixar, mon amour.

Sua boca agarrou-se à de Isabella como se estivesse faminta, numa explosão de desejo. Pressionou-a contra o travesseiro. Seus corpos e membros entrelaçaram-se com um prazer tão recompensador que ambos gemeram.

Um beijo seguiu-se ao outro. No princípio, foram aos poucos, para aproveitar o gosto e o tato um do outro. Mas uma sede insaciável começou a ficar incontrolável, causando uma tempestade de sensações.

Edward deixou-a repleta de um êxtase crescente até que ela vivesse em função da boca. Não podia conter sua felicidade por estar com ele. Seus sentimentos buscaram uma forma, antes de transbordarem.

— Você é minha vida, Edward. — Enfiou o rosto no pescoço dele.

— Eu não quero sair nunca mais desse navio. Não poderia viver sem você agora.

Você não precisará. Vamos ficar juntos para sempre.

Foi o que você prometeu, mas você não cumpriu, não cumpriu...

— Bella, acorde, mon coeur. Você está tendo um pesadelo.

Ela estava sonhando?

Os braços fortes abraçando-a eram bastante reais. Abriu os olhos. A última coisa de que se lembrava foi esperar que Edward acordasse.

Para seu espanto, ele estava bem acordado e contornava sua nuca para confortá-la. O rosto dele estava molhado. O dela também. Ocorreu-lhe que estivera em um transe de um êxtase passado com ele.

— Eu... eu estava sonhando conosco no navio, declarou.

— Eu sei. Eu estava lá com você ao vivo. De uma vez por todas, eu sei o quanto você me ama e o quanto eu amo você. Nós nos amamos agora com ainda mais intensidade, então não ouse negar.

Tremia de excitação.

— Não vou.

Embalou-a para a frente e para trás.

— Casaremos assim que possível, do jeito que planejamos. Então, passaremos o resto de nossas vidas compensando pelo tempo perdido, amando um ao outro perdidamente. Tu compris, monamour?

— Sim, querido. Eu entendo.

— Apesar de querer fingir que esta cama é o nosso velho beliche da cabine, e termos uma semana inteira juntos antes de partirmos, não ousarei ficar mais tempo aqui com você. Meu pai vai querer a minha cabeça se eu engravidar você de novo antes de dizermos nossos votos na igreja.

— Acho que minha mãe vai ficar chocada também.

De alguma forma, ela desvencilhou-se de seus braços e deslizou pela cama, e ele a ajudou para que não caísse.

— Uuuuh, para ser honesta, sinto como se estivesse de volta ao navio.

Edward levantou e segurou-a.

— Foi uma grande viagem. Depois do que experimentamos agora, parei de me sentir em desvantagem por você saber algo da nossa vida amorosa que eu não saiba. Bem... talvez faltem um ou dois detalhes ainda — acrescentou, em tom de brincadeira.

Suas bochechas se inflamaram, mas ela não se importava mais de deixá-lo ver o amor que ardia por ele. Quando Edward sorria, brincalhão do jeito que estava agora, uma luz iluminava o universo de Isabella.

— Vou revelar esta última lembrança para você. Esperei 12 anos a mais do que você. Você nem imagina...

— Bella...

Edward abaixou a cabeça e pressionou seus lábios contra os dela. Agarraram-se um ao outro, com a necessidade de reafirmar que aquilo não era um sonho.

— Nunca fui completa sem você — revelou em um sussurro.

— Nenhum de nós era. Do jeito delas, acho que as crianças sabiam disso.

Edward respirou fundo.

— Devemos tudo isto ao Alain.

Os olhos dela encheram-se de lágrimas novamente.

— Eu o amo demais.

— Ele sente isso. Falando em crianças, temos que contar a eles as novidades.

— Faça as honras, querido. Sei que você está louco para isso.

Seu sorriso branco dissolvia os ossos dela. Colocou um dedo sobre seu queixo.

— Como você pode me entender tão bem?

— Aos 19 ou aos 90, certas coisas sobre você, Edward Cullen, nunca mudarão, graças a Deus.

Uma expressão solene surgiu em seu belo rosto.

— Juro nunca negligenciar nosso amor, Isabella.

— Você acha que não sei disso?

Prosseguiu beijando cada feição máscula.

— Por que você acha que me apaixonei, em primeiro lugar? Eu poderia ter só 18 anos, mas, quando olhei nos seus olhos, sabia que você era o amor da minha vida. Nunca vou deixar você se esquecer disso. – Sua voz tremia.

— Mãe?

— Tio Edward? Está tudo bem?

— Deixe que esperem um pouquinho — disse ele, com um tom bruto, quase selvagem, dando-lhe um beijo quente. — Ainda não quero sair deste quarto. Fique comigo, Isabella. Finja que estamos no meio do furacão, e tudo o que temos é um ao outro.

— Não tenho mais que fingir. Não vê que estou onde sempre quis estar? Não vou a lugar algum.

Fim



Então... Acabou!

Obrigada a todo mundo que acompanhou a história e desculpe mesmo por ter demorado para postar, eu estava realmente sem tempo.
Por favor, deixem reviews para eu saber o q vcs acharam.

Feliz natal para todos, Bjs!