Quando finalmente amanheceu, liguei para Rob para saber se eu podia ir até o seu quarto. Precisava falar sobre ontem agora que eu já tinha processado um pouco os fatos em minha mente.

Ele atendeu meio sonolento, mas falou que eu podia ir até seu quarto.

Bati na porta e ele abriu, ainda de pijamas. Ri quando vi seu moletom antigo e sua cara amassada.

– Bom dia – falou abrindo um sorriso doce – desculpa os trajes... É que eu estava tão feliz sonhando com você que nem quis levantar da cama...

Ele nunca perdia a oportunidade de ser bem humorado.

– Bom dia... Pela cara o sonho não era comigo... Você tá todo desgrenhado, amarrotado!

– E que no sonho a gente tava... – ele parou e fez uma cara de quem estava aprontando – a gente tava ensaiando umas cenas ai... – rimos.

– Ah, sim...

– Me fala... Já arrumou suas roupas de volta no armário?

– Aham... – respondi enquanto ele arrumava um lugar para eu sentar em sua cama.

– Senta aqui e me diz por que você interrompeu meu sonho bem na melhor parte...?

- Eu só queria saber se o que você falou pra mim ontem ainda está de pé? – falei e ele sorriu.

– Bom... Eu estive pensando... Eu mudei um pouco de ideia! – tentou parecer sério – É que ser só a mulher da minha vida é meio pouco... Você precisa ser também a minha companheira, a mãe dos meus filhos, a mulher que eu verei todos os dias e quando eu for eu velho chato e caído, é você quem eu quero que esteja do meu lado até meu último suspiro. Essa é a ideia... O que você acha?

– Seu bobo... – disse rindo das suas ideias. – Queria tanto que as coisas fossem tão básicas e fáceis assim... – abaixei a cabeça – eu preciso falar com Michael...

– Sabe que eu já até tinha esquecido dele! – ele disse rindo enquanto eu permanecia séria.

Nesse momento, acho que ele percebeu que, mesmo com ele me amando, o Michael não era um simples acessório que ele levava pelos cantos. Ele tinha um grande valor na minha vida e eu não podia me desfazer dele como se desfaz de uma roupa velha.

– Eu tô brincando – disse Rob, voltando a ficar mais sério – não se preocupe comigo... Eu te amo e isso não vai mudar. Eu espero o tempo que você quiser se você me dizer que também me ama e que vai ser minha um dia... Com tanto que não seja o dia que eu for um velho caído! – mudou o tom de voz, me fazendo rir.

– Tá bem, Rob... Eu também gosto muito de você, de uma forma que eu nem sei explicar, mas algumas coisas ainda me impedem de viver isso, você sabe... Eu só queria um tempo, pode deixar que não vai demorar muito... – ri, fazendo referência a sua piada de velho caído.

Ele abraçou-me bem forte, como se aquilo fosse o nosso pacto de que as coisas entre nós dois só iriam mudar para melhor e que ele me esperaria.

Senti um alívio naquele momento, mesmo sabendo que ainda
tinha um longo caminho pela frente.

– Vou voltar pro meu quarto, você ainda precisa se arrumar para irmos para o set... – eu disse a ele.

Levantei junto com Rob e fomos andando em direção à porta, de mãos dadas.

– Ah, ainda nem te agradeci pela sopa de tortilha! Estava maravilhosa, ou seja, eu te perdoei! – rimos enquanto eu saía do quarto.

– Ok! Até mais tarde então... – ele beijou minha testa.

– Até...

Meia hora depois Rob já estava pronto e foi até o meu quarto me buscar para irmos juntos para o set.

A energia entre nós ficou meio diferente. Era como se tivéssemos nos conectado ainda mais depois daquela conversa.

Aquela era a última semana de filmagens em Vancouver. Na semana seguinte, iríamos para Itália, para filmar as últimas e decisivas cenas de Lua Nova.

Mas antes disso, eu precisava de pelo menos um dia em LA. Precisava conversar com Michael urgentemente. Nossa relação não podia continuar dessa maneira e eu não queria ter que fazer Rob esperar ainda mais por mim.

Após as gravações de hoje, tivemos uma reunião para decidir a nossa agenda para a próxima semana. Passaríamos o final de semana em casa e embarcaríamos pra Itália na madrugada de domingo para segunda.

Bom, teria praticamente dois dias para resolver minha situação com Michael de uma vez por todas.

Fiquei o resto da semana pensando em como falar com Michael. Rob queria me ajudar, mas achei melhor não. Precisava conversar a sós com ele, pois não queria magoá-lo.

Sexta feira, liguei para Michael.

– Alô?

– Alô, Michael?

– Oi, meu amor! – ele disse, reconhecendo minha voz.

– Oi... Como você está?

– Estou bem, estou ótimo! Eu e sua mãe estamos trabalhando pesado nesse projeto! – minha mãe já tinha me falado que pegou um projeto que ela tinha de anos atrás para trabalhar com Michael.

– Que legal! – disse, tentando parecer interessada – Você tem alguma coisa pra fazer amanhã?

– Não, por quê? Você quer que eu vá para ai? – ele perguntou animado.

– Não, é porque amanhã eu vou voltar para LA!

– Ah, que ótimo! – ele parecia muito feliz com a notícia. – As gravações finalmente acabaram?

– Não, a gente volta filmar na segunda...

– Ah, sim... Mas então, o que você quer fazer amanhã?

– Só quero conversar com você...

– Conversar? – ele pareceu desconfiado – Sobre o que?

Não sabia o que responder... Não podia adiantar o assunto.

– A gente se fala quando eu chegar...

– Mas é sobre o que,Kristen? – ele pergunta, parecendo meio estressado.

– Michael, calma... Amanhã a gente se fala.

– Não tô gostando disso, você tá me deixando preocupado!

– Não fique preocupado, eu já estou chegando...

– Tá bem, meu amor... Você chega que horas? Eu vou te buscar no aeroporto!

– Não precisa...

– Mas eu faço questão! Estou morrendo de saudades de você, meu amor... Vou contar os segundos para você chegar!

– Tá bom, devo chegar às dez da manhã. Tenho que desligar agora. Beijos, Michael!

– Beijos, minha Kiki!

E comecei a pensar que esse fim seria mais difícil do que eu pensava: não por mim, porque agora eu tinha certeza do que eu senti por Rob, mas para Michael.

Eu tinha um carinho imenso por ele, mas depois que conheci Rob, descobri que é possível amar de uma forma muito mais intensa.

Amanhã será um dia decisivo...