10. PERDAS & DANOS
Julie não contou para Remo o resultado da conversa, mas não foi difícil adivinhar o que aconteceu quando, pela manhã, Sirius olhou com raiva para a irmã, e a ignorou totalmente quando passou por trás dela, murmurando que ela poderia fazer as loucuras que ela quisesse que ele não iria se intrometer.
- Julie, o Sirius está... – Remo começou, mas a garota largou o garfo em cima da mesa da Grifinória com irritação.
- Olha, se você for me dizer que o Sirius está certo, nem comece! Eu vou para a biblioteca, tenho que revisar algumas matérias.
Enquanto Julie ia para a biblioteca, ela pensava em como havia conseguido brigar com as pessoas que mais amava em apenas dois meses. Frank, seu melhor amigo, continuava a fingir que a garota não existia quando os dois estavam perto, mas por mais que sentisse falta do amigo, Julie também não fazia nada para se reaproximar do amigo, pelo contrário. Sempre que estava com Bartô e Douglas, e Frank passava, a garota fazia questão de que ele visse o quanto ela estava feliz longe dele, e contava alguma coisa engraçada, e agora, havia brigado com Sirius.
Não que nunca tivesse brigado com o irmão. Os dois sempre discutiram quando eram crianças, mas a garota esperava que Sirius entendesse que só estava preocupada com Remo, e que confiasse nela, mas nem o fim do período de lua cheia fez com que o rapaz voltasse a falar com a irmã. Sirius continuou com raiva de Julie por causa de sua atitude irresponsável, para desânimo da garota. Ela esperava que o rapaz voltasse a falar com ela, mas Sirius não estava disposto a esquecer tudo facilmente.
Foi aí que ela mais sentiu falta da amizade de Frank. Não conseguia desabafar com Douglas nem Bartô, ou suas colegas de quarto. Pelo menos tinha Remo ao seu lado. Remo podia não concordar com Julie ficar com ele durante a transformação em lobisomem, achava que ela estava se arriscando, mas entendia as razões dela, e tentava animar a namorada quando estava com ela.
-... você vai ver, logo o Sirius vai esquecer tudo. Ele nunca conseguiu ficar com raiva de você por muito tempo.
- Mas não é só por isso que eu estou assim... Eu entendo a raiva dele, ele só está preocupado comigo, e isso só me faz sentir culpada... Não que eu esteja com medo de você – ela acrescentou rapidamente -, mas eu fico chateada porque estamos brigados por minha culpa...
Remo acariciou o cabelo de Julie sem responder. Não queria fazer a garota se sentir culpada, por isso, só a beijou na testa, e ficaram sentados num dos sofás da sala comunal de mãos dadas, conversando sobre bobagens, tentando esquecer dos problemas, até que Sirius entrou apressado, e vendo Emma conversando com algumas amigas, foi falar com ela.
- Onde está a Julie?
- Ela está com o Remo, oh, aqui está ela. – Emma disse, apontando as almofadas em que Julie estava sentada com Remo, mas assim que ouviu o irmão perguntar por ela, a garota se levantou.
- O que foi, Sirius?
Ao ver a irmã, ele perdeu a coragem por um segundo, mas depois do momento de hesitação, continuou.
- Eu fui injusto com você, Julie, eu não deveria ter brigado com você por você querer ajudar o Aluado... – ele olhou para o amigo, que estava ao lado de Julie, e o indicou com um aceno de cabeça – Eu devia confiar mais em vocês... – ele olhou desconfiado para a irmã – Só me promete uma coisa.
- O que é? – Julie perguntou, sorrindo, e pronta a concordar com qualquer coisa. Estava feliz demais por ter o irmão falando novamente com ela.
- Se por acaso... algo der errado... você vai desistir, não vai? – ele disse, evitando olhar para Remo.
Julie abriu a boca para responder, mas antes que ela o fizesse, Remo se adiantou.
- Olha, se alguma coisa acontecer, pode deixar, Almofadinhas. Eu vou ser o primeiro a ser contra. - então ele sorriu. – Mas isso não importa, eu estou muito feliz por vocês.
Sirius também sorriu, e os dois amigos se abraçaram, enquanto Emma assistia a tudo, confusa.
- Julie, você e o Sirius brigarem é normal, mas o que o Remo tem a ver com isso? – ela cochichou para a irmã – Não sabia que o Sirius também estava chateado com ele. O que aconteceu?
- Não foi nada. Eu quis visitar o Remo, escondida, e o Sirius não gostou, mas acho que ele percebeu que também se importa com o Remo assim como eu.
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Agora que Sirius estava novamente falando com ela, Julie esqueceu um pouco de que Frank estava com raiva dela. Ela, o irmão, Tiago, Lílian, Pedro e Remo estavam combinando na sala comunal da Grifinória o que fariam juntos no passeio para Hogsmeade que aconteceria naquele dia. Sirius era o que estava mais animado.
- Se deixarmos a Zonko's para a próxima vez, podemos ir para o Três Vassouras antes das dez... – o rapaz comentava, ao mesmo tempo em que contava as horas nos dedos.
- Remo, porque ele está tão interessado em chegar cedo no Três Vassouras? – Julie perguntou, fazendo o namorado sorrir.
- Acredite-me, você não vai querer saber.
- Então não insisto mais... – ela disse, beijando os lábios do rapaz. Para quê perguntar, se provavelmente ficaria irritada?
- Oi, Julie! – Emma cumprimentou a irmã, e continuou – Se você já se despediu do Remo, nós podemos ir.
- Ir? Como assim, ir?! – ela perguntou, confusa.
- Hogsmeade, Julie! Você disse que iria comigo. – a garota colocou as mãos na cintura. – Você disse que iria no dia em que o Remo ficou gripado, esqueceu?!
Julie arregalou os olhos, só lembrando naquele momento que havia concordado quando a irmã perguntou se ela queria ir com ela visitar o povoado.
- Er... – Julie começou, corando violentamente – é claro que eu me lembro, Emm, claro que sim! – ela concordou, apesar de preferir ficar com Remo, mas ela havia dito que iria com a irmã antes.
- Hum, ainda bem! – a irmã respondeu, um pouco desconfiada – Vamos, o Frankie está esperando. – ela disse, segurando a mão de Julie.
- O quê, o Fra... o Longbottom?! – assim que Emma disse o nome do namorado, Julie parou, ereta.
- É, você acha que eu ia deixar meu namorado sozinho?! De jeito nenhum!
- Er... – Julie corava novamente – Sabe, Emm, acabei de me lembrar, tenho um teste de Poções, tenho que estudar, não vou poder ir...
- Julie, esse teste não foi na semana passada? – Remo perguntou, pensando, com perspicácia, que essa poderia ser uma boa oportunidade para que Julie e Frank percebessem o quanto estavam sendo infantis.
- É, eu estudei com o Frank... – Emma disse, pensativa, e balançando a cabeça, continuou, deixando claro que não aceitaria nenhuma desculpa da irmã – Não adianta fugir, Julie Black! Você vai comigo e o Frank para Hogsmeade sim!
- Divirta-se, docinho. – Remo disse, beijando Julie na bochecha, e acenando para ela, que o olhava implorando ajuda enquanto era arrastada para fora da torre pela irmã.
Frank esperava pela namorada ao pé da escada. O rosto estava voltado para o salão principal, e ele assobiava uma música, aparentemente distraído, mas assim que ouviu passos descendo as escadas, girou a cabeça, e olhou para Julie tão espantado quanto a garota havia estado quando soube que teria que ir para o povoado com ele.
- Emm, o que ela está fazendo aqui?!
- A Julie vai conosco para Hogsmeade, amorzinho, eu não tinha dito?! – ela disse com uma expressão de falsa ingenuidade.
- Você disse que uma amiga ia com a gente... – ele disse, a testa franzida.
- Frank Longbottom, não olhe para mim desse jeito! A Julie é minha amiga, oras! – ela ficou séria – Essa é a única vez que eu vou avisar. Se vocês dois brigarem...
Antes que a garota terminasse, porém, Julie e Frank disseram ao mesmo tempo.
- Vamos embora de uma vez! – em seguida, se afastaram do castelo, Frank e Julie com a mesma idéia. Quanto mais cedo fossem embora, mais cedo voltariam.
Os três passaram pela Dedosdemel sem que Julie e Frank trocassem uma palavra. Eles conversavam com Emma, mas viravam o rosto quando o outro falava, o que não impediu que eles se divertissem na loja. A novidade da loja para o fim de ano era um novo doce, Delícias Gasosas, que fazia a pessoa flutuar alguns centímetros depois de beber um copo, e ninguém conseguiu ficar sério quando um aluno do terceiro ano da Grifinória alcançou o teto depois de beber mais de dez copos do doce. Frank, Julie e Emma saíram da loja ainda sorrindo, sem pensarem em discussões, somente no quanto estavam se divertindo.
Quando eles estavam saindo da loja, viram Sirius, Remo, Pedro, e Tiago, de mãos dadas com Lílian, entrarem no Três Vassouras, e querendo que aquele clima ameno continuasse, Emma disse, animada.
- Olhem, o Sirius está entrando no Três Vassouras, vamos lá!
Julie concordou imediatamente, querendo ficar um pouco com o namorado, e como Frank não disse nada, os três entraram no bar.
- Ei, vocês! – assim que os viu entrar, Lílian chamou Julie, Emma e Frank para se sentarem com eles – Sentem aqui!
Os três foram até a mesa, e Remo se afastou para Julie sentar-se ao seu lado, mas assim que a garota se sentou, o rapaz olhou em direção à porta, sentindo perigo.
- Oi, amor. – Julie falou, mas vendo que o namorado estava distraído, ela olhou para a mesma direção que ela olhava, sem entender o que havia atraído a atenção de Remo, mas ela logo descobriu.
Julie e Remo foram os primeiros no bar que notaram que algo estava acontecendo do lado de fora. O rapaz levantou-se no instante que escutou a primeira pessoa gritar, enquanto que Julie viu, pela porta aberta, vários alunos correndo em direção à escola.
Os dois se levantaram das cadeiras, e foram para a porta do bar. Nas ruas, pessoas corriam, estudantes voltavam para Hogwarts, e algumas pessoas estavam paradas, apontando para o céu, assustadas com o que viam. De mãos dadas, Julie e Remo olharam para a direção que as pessoas apontavam.
- Remo... – Julie murmurou, apertando a mão do rapaz ao mesmo tempo em que via no céu, brilhando fortemente, um crânio verde, com uma cobra de olhar ameaçador saindo da boca dele.
Ao lado deles, Lílian, Tiago, Frank, Emma, Sirius, Pedro e os outros clientes do bar, que saíram atraídos pelos gritos e pela movimentação, olhavam tão espantados quanto o casal.
- Vamos voltar para Hogwarts! – Julie gritou, conseguindo se recuperar do espanto ao ver a Marca Negra em Hogsmeade.
Todos começaram a correr em direção ao castelo, assim como os outros alunos, em pânico. Porém, antes que alcançassem os portões de Hogwarts, um grupo de mais de vinte homens encapuzados, com máscaras cobrindo os rostos, surgiu voando em vassouras. Eram Comensais, e do céu, eles lançaram um feitiço derrubando algumas árvores.
Com a passagem para Hogwarts impedida, os alunos voltaram para o povoado. Na confusão, Julie e Remo soltaram as mãos, e quando perceberam que estavam separados, Remo procurou Julie com o olhar, com ansiedade. Sentindo que o namorado a procurava, a garota também o procurou, ficando aliviada quando viu Remo a alguns passos de distância. Ela correu, mas quando estava alcançando Remo, um Comensal apontou a varinha e lançou um feitiço. Remo e Julie só perceberam que era uma barreira invisível quando tentaram se tocar e sentiram uma onda elétrica percorrer o corpo dos dois.
- Remo! – Julie gritou, desesperada.
Julie ficou parada, encarando Remo com preocupação, e sem pensar na ameaça iminente, teria sido ferida não fosse por Frank. O rapaz viu que um dos Comensais estava descendo para atacar a garota, e antes que Julie se machucasse, ele a puxou.
- Você enlouqueceu? Aquele Comensal podia ter matado você! – ele olhava para a garota com irritação.
- Não ia acontecer nada! Você devia ter deixado eu ir atrás do Remo, ele pode precisar de mim! – ela disse com fúria.
- Vocês dois, não é hora de brigar! – Emma disse com os braços cruzados – Temos que voltar para o castelo.
Somente então Julie viu que além de Frank, Emma e Pedro também estavam ali, mas enquanto a garota mais nova controlava o medo, Pedro tremia, assustado.
- É-é-é... – ele gaguejou – T-t-emos que vo-vo-voltar para Hog-g-warts.
Frank concordou com a namorada com um aceno de cabeça, e com ar decidido, ele disse.
- Fiquem aqui, vocês duas, enquanto eu e o Pettigrew procuramos uma saída.
- Ei, o que você está pensando, Longbottom?! – Julie disse, colocando as mãos na cintura, indignada – Que eu e minha irmã não somos boas o bastante para ajudar você, o grande Auror?! – ela finalizou em tom de deboche.
- Olha, Black, eu não quero que ninguém se machuque, por isso vocês vão ficar aqui. É seguro, nenhum Comensal vai ver vocês se vocês duas ficarem aqui atrás dessas mesas. – ele apontou para as mesas de um café, que estavam encostadas na parede – Já vai ser arriscado demais eu e o Pettigrew sair.
Pedro olhou de Frank para Julie, deixando claro que adoraria trocar de lugar com Julie.
- Realmente, Longbottom, acho que se a Julie quer ir, deixa, eu posso ficar com a Emma...
Frank voltou-se para Pedro, tentando pensar numa maneira de dizer para ele que preferia deixar Julie com Emma para o caso de algum Comensal atacar sem ofendê-lo. O rapaz poderia estar no sétimo ano, deveria saber vários feitiços que Julie não conhecia, mas a garota tinha pensamento rápido, e defenderia Emma com coragem, o que Frank duvidava que Pedro fizesse.
- Olha, Pettigrew, os Comensais estão atacando, talvez aqui fique perigoso, mas se formos para Hogwarts logo, podemos avisar um professor...
A menção de Hogwarts fez Pedro erguer as sobrancelhas. É claro que seria melhor ir com Longbottom, assim voltaria logo para o castelo.
- É, Frank, você está certo. – ele começou a caminhar, parando logo em seguida – E aí, você vai ficar parado? Vamos logo, cara!
Frank foi antes que Pedro mudasse de idéia, deixando para trás uma Emma preocupada, puxando uma Julie muito irritada para o esconderijo. A garota achava que havia sido deixada para trás por ser considerada incompetente.
- Humpf, o que ele entende disso! – Julie resmungou, contrariada, sentada entre a parede e uma mesa – Eu não vou ficar aqui!
- Julie, o Frank disse que aqui é seguro! – Emma disse em tom persuasivo.
- Ora, Emma, desde quando ele é um Auror para saber o que é que deve e não deve ser feito num ataque? – ela disse, se levantando.
- Julie, o Frank sabia do que estava falando... – ela disse, e ficou mordendo o lábio, tomando coragem, mas por fim, ela se decidiu – Julie, se você não voltar, eu vou... euvouazararvocê! – ela disse rapidamente, antes que pudesse mudar de idéia, segurando a varinha com firmeza.
- Emma, se o Frank acha que eu sou a donzela indefesa dessa história, ele está muito enganado! - Julie disse, começando a se afastar do esconderijo, só percebendo que um Comensal as observava quando ouviu ele falar o feitiço.
- Crucio!
A garota girou a cabeça na direção em que vinha a voz, esperando ser atingida pelo feitiço, mas o Comensal não mirava a varinha na direção dela. A varinha do Comensal apontava em direção ao esconderijo, onde Emma gritava, assustada.
- Emma! – Julie gritou, voltando.
Julie corria o mais rápido possível para impedir que Emma fosse atingida, alcançando a irmã instantes antes do feitiço a alcançar, porém não rápida o bastante para que ela mesma não fosse atingida na perna esquerda. Naquele instante, Julie sentiu, ao mesmo tempo, todas as dores que já havia sentido, e sem conseguir manter-se em pé, caiu, gritando de dor.
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Depois que a barreira surgiu, os Comensais começaram a atacar. A parede de uma loja foi destruída, uma aluna havia sido atingida, e o pé dela estava preso. Sirius estava ajudando ela a se soltar. Remo estava preocupado com Julie, mas a barreira o impedia de ir encontrar a namorada, e Sirius precisava de ajuda para levantar as pedras.
- Remo, eu preciso de ajuda aqui! – Sirius gritou.
Remo olhou indeciso, mas ele sentia que Julie estava bem, então foi ajudar Sirius, e logo a garota estava livre e bem, apesar de andar mancando.
Sirius e Remo olharam ao redor, percebendo somente naquele momento que estavam cercados. Atrás deles, a barreira impedia que eles procurassem um lugar seguro em Hogsmeade, e as árvores caídas não os deixavam voltar para Hogwarts.
- Estamos sem saída. – Remo disse num suspiro.
- Ela sabia... Ela sabia o tempo todo... – Sirius disse, olhando para Hogwarts, depois de um longo silêncio – O Snape deve ter contado tudo para ela. – o olhar dele brilhava num misto de raiva e decepção.
Remo abaixou o olhar, sabendo do que Sirius estava falando. Naquele dia, Sirius e Adrianne iam deixar que todos soubessem o que vinha acontecendo entre eles há alguns meses, mas por um motivo que Sirius não contou a Remo nem a Tiago ou Pedro, nada do que ele havia planejado aconteceu. Agora Remo sabia o que impediu o encontro. A sonserina deveria saber do ataque, e preferiu ficar em segurança no castelo.
- Vamos, amigo. – Remo disse, sabendo que não iria conseguir animar Sirius, mas pelo menos não deixá-lo tão abatido – Temos que encontrar os outros.
Sirius concordou com a cabeça, e, preocupado com as irmãs, perguntou enquanto eles caminhavam, com as varinhas em punho.
- A Julie e a Emma, elas devem estar por aqui!
- Não, elas ficaram do outro lado, com o Frank e o Pedrinho. – Remo respondeu, desviando de um feitiço – Eles devem estar bem, os Comensais estão concentrando o ataque somente para dentro da barreira.
- É, eu já tinha percebido isso. – Sirius concordou com Remo, depois de lançar um feitiço Estupefaça num Comensal – O que será que eles estão procurando? – mas tanto Remo não sabia, quanto não teve tempo para responder. Assim que terminou de falar, Sirius viu Lílian e Tiago, junto com Douglas Forster e outros alunos, e apontando na direção do grupo, ele disse para Remo – Olhe, ali estão o Tiago e a Lílian, vamos lá!
Remo concordou com a cabeça, e eles correram em direção aos amigos, lançando feitiços a esmo.
- Vocês estão bem? – Sirius e Tiago perguntaram ao mesmo tempo, e depois que todos responderam afirmativamente, Tiago continuou – Vocês perceberam, que os Comensais estão atacando somente os alunos que estão presos?
- Era o que o Sirius estava falando. – Remo disse – O que será que eles estão procurando?
- Não sei, seria esperado que eles fossem atacar Hogwarts... – Tiago disse.
- Talvez só estejam querendo atrair os professores, para então atacar a escola – Douglas disse, mas ninguém respondeu. O grito de Lílian atraiu a atenção de todos.
Dois Comensais atacavam enquanto Tiago, Remo e Douglas conversavam. Sirius, Lílian, juntamente com três corvinais, estavam defendendo, mas a ruivinha foi atingida por um feitiço, e teria caído no chão não fosse por Tiago, que correu desesperado em direção à namorada.
- Lily! – ele disse, afastando os cabelos do rosto da garota, que estava desacordada – Lily, fala comigo!
Enquanto Tiago reanimava Lílian, Remo tomou o lugar da garota, mas os Comensais não estavam mais interessados em atacar eles. Os Comensais estavam apontando as varinhas para Tiago e Lílian, e então Remo percebeu o que os Comensais estavam querendo. Eles se voltaram para Tiago como uma fera prestes a atacar sua presa.
- Tiago! – ele gritou para Sirius – Eles querem o Tiago!
E no mesmo instante que gritou, sentiu a perna doer. Remo caiu, como se ele tivesse sido atingido, mas o rapaz sabia que Julie havia sido atingida, e isso o deixou mais perturbado que qualquer coisa. Remo sentiu que estava perdendo o controle, e deixava sua raiva o dominar, mas quando viu pêlos começando a crescer de sua mão, tentou se acalmar. Se transformar em lobisomem só iria atrapalhar tudo, mas ele precisava descarregar a raiva acumulada. Com um grito, ele se interpôs entre um Comensal e Tiago, e antes que o feitiço do bruxo das trevas o atingisse, ele lançou um contra- feitiço, para em seguida, fazer a varinha do Comensal voar pelo ar.
Com o Comensal desarmado, Remo uniu-se a Sirius e a Douglas, e os três logo deixaram o segundo Comensal fora de combate, mas alertados pelo primeiro Comensal, um grupo veio em direção a Tiago. Eram sete, e um deles acertou Douglas com um feitiço, o deixando inconsciente. Remo e Sirius trocaram olhares. Não dariam conta de sete comensais sozinhos, mas não desistiriam sem lutar. Eles apontaram as varinhas na direção do Comensal mais próximo, que imediatamente caiu no chão.
- Remo... – Sirius olhou para o amigo, estupefato. -... como você fez isso?!
- Mas... eu não fiz nada... – o rapaz disse tão surpreso quanto o amigo.
Os outros seis Comensais ficaram parados no ar, montados em suas vassouras, até que ouviram uma voz determinada dizer um feitiço, e um Comensal desapareceu de sua vassoura para aparecer sobre uma árvore, de cabeça para baixo, e então eles viram a professora McGonagall.
- Potter, você precisa voltar para o castelo imediatamente. – ela disse, decidida.
- Professora, eu não posso deixar meus amigos aqui! – ele disse, corajosamente.
- Tiago, a Lílian está ferida, ela precisa ir para a enfermaria. – Remo disse, calmo, mas com firmeza no olhar – Volte para o castelo e leve ela até Madame Pomfrey.
Tiago não pensou duas vezes. Lílian podia se machucar mais ainda se continuasse ali, e com um meneio de cabeça, ele concordou, e sendo protegido pela professora de Transfigurações, ele foi para o castelo.
Mas a professora Minerva não era a única ali. O professor Flitwick fez a barreira desaparecer com um feitiço, e estava duelando com um Comensal. Sem algo os separando, Sirius e Remo foram procurar Julie e Emma.
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- Julie! – Emma gritou, esquecendo-se do Comensal, mas atraída pelos gritos das garotas, a professora Figg apareceu, impedindo que o Comensal tentasse machucá-las.
- Pro-professora Figg... – Emma disse enquanto chorava, aflita e preocupada com a irmã -... minha irmã, ela foi atingida...
- Oh, Emm, eu estou bem... – Julie disse, sem tanta firmeza na voz quanto pretendia, e caindo ao tentar ficar em pé.
- Fiquem aí! – Arabella Figg gritou, e voltando a atenção para o Comensal, ela desviou do feitiço que ele lançou no último instante, atacando cm um feitiço de perna-presa.
Apesar de não poder andar, o Comensal atacou, acertando o braço de Arabella, que diminuiu até ficar do tamanho da mão de um bebê.
- Leve ela para longe! – a professora de Defesa Contra as Trevas gritou, sem desviar o olhar do bruxo à sua frente. Emma olhou indecisa para a professora, não queria deixá-la sozinha, mas era perigoso para Julie ficar ali.
- Expelliarmus! – ela gritou, e a varinha do Comensal voou até a sua mão, e a garota jogou a varinha para a professora. Em seguida, ajudando Julie a caminhar, Emma e a irmã se afastaram.
Quando elas estavam longe, perceberam que não havia muitos comensais do lado em que eles estavam, somente o que as atacou, e mais dois, que tentavam impedir que uma monitora da Corvinal fizesse a barreira desaparecer.
Emma sentou Julie no chão, encostada a uma parede de uma loja, mas por mais cuidado que ela teve, a irmã gemeu de dor.
- Eu vou procurar o Frank, ele vai saber o que fazer, fica aí, Julie!
- Não, Emma! – Julie gritou – Fica comigo, eu não quero ficar sozinha, está doendo muito...
Emma obedeceu, ficando ao lado de Julie, segurando a mão dela, e foi assim que Sirius e Remo encontraram as duas garotas, alguns minutos depois.
- Julie! – Remo disse preocupado, apesar de Julie tentar disfarçar o quanto a perna doía.
- Vem, vamos levar ela para Hogwarts. – Sirius disse, colocando o braço direito de Julie ao redor do seu pescoço. Remo segurou o outro braço, e com Emma segurando a perna de Julie, eles voltaram para Hogwarts.
Enquanto entrava no castelo ao lado de Julie, Remo e Sirius, Emma olhava ao seu redor, tentando encontrar Frank, ou Pedro, mas não havia nenhum sinal dos dois.
- Emma – Sirius alertou a irmã ao vê-la distraída -, presta atenção para onde estamos indo. O Frank vai aparecer logo.
O tom frio e cortante da voz assustou até mesmo o rapaz. Só então ele percebeu o quanto estava com raiva da namorada, mas Emma não tinha culpa do que havia acontecido.
- Desculpa, Emm. – Sirius disse, olhando arrependido para a irmã – Não quis ser rude com você.
- Tudo bem. – a garota respondeu, apesar da mágoa que ainda sentia, mas não era hora de discussões. Precisavam levar Julie para a ala hospitalar.
E não eram os únicos que precisavam levar alguém para a ala hospitalar. Vários alunos os seguiam, apoiando companheiros feridos, ou preocupados com colegas feridos. A aluna da Corvinal que tentou destruir a barreira era carregada por um rapaz desesperado. Ela sangrava na cabeça, e estava incrivelmente pálida. Um aluno da Grifinória estava sendo levado por dois colegas de casa e uma garotinha da Lufa-lufa com uma ferida feia no braço, e, Emma observou, até eles, que carregavam Julie, estavam feridos. Sirius tinha um machucado no braço, e o rosto estava arranhado. A camisa de Remo estava rasgada no ombro, deixando visível um corte não muito profundo, e Emma sentia a testa doer.
A enfermaria estava uma confusão. Incrivelmente, Madame Pomfrey não estava nervosa. Ela passava instruções para os alunos que traziam os feridos de acordo com o ferimento. Somente quando ela viu a aluna da Corvinal foi que ela demonstrou forte preocupação, e depois de falar com uma ajudante, ela foi para uma sala reservada com a garota e o rapaz que a carregava.
- Como ela está? – a ajudante, uma simpática bruxa de cabelos loiros e olhos castanhos perguntou quando o grupo que trazia Julie entrou.
- Ela quebrou a perna. – Sirius respondeu.
A mulher contraiu os lábios, e apontando para um dos leitos livres próximo ao qual Lílian estava deitada, com Tiago ao lado, disse.
- Coloquem ela ali, assim que puder, Madame Pomfrey irá examiná-la.
Com cuidado para não machucar Julie, Remo, Sirius e Emma a deitaram na cama improvisada. Ela podia não reclamar da dor, mas os lábios contraídos e os olhos fechados com força não faziam nenhum deles duvidar da dor que ela sentia. Remo era o mais preocupado. Ele não precisava estar olhando para Julie para saber o quanto ela sofria, e assim que ela se deitou, ele segurou a mão dela, e disse num murmúrio.
- Fique calma. O pior já passou, estamos em Hogwarts. – ele acariciou o cabelo da garota, e não se virou nem quando sentiu a presença de Adrianne Snape no lugar. Isso era um problema de Sirius, e ele é quem tinha que resolver.
- Como a Lílian está? – Emma perguntou.
- Estou melhor, agora – ela respondeu, apertando a mão do namorado com força.
- Madame Pomfrey passou uma poção sobre o ferimento, estamos esperando fazer o efeito antes de irmos – Tiago completou. – E a Julie?
- Ainda não foi atendida – Remo respondeu sem desviar os olhos da garota.
-E o Frank? – Emma perguntou para Tiago. – Você não viu ele?
Antes que Tiago pudesse responder, Pedro e Frank entraram na enfermaria.
- Frank! – Emma gritou, enlaçando os braços do namorado com os braços – Você está bem, não se machucou? Eu estava tão preocupada, amor... – ela disse, beijando o rosto e os lábios do rapaz.
- Ah, Emma, eu não devia ter deixado vocês sozinhas... Eu fui tão burro! – ele murmurou, enquanto acariciava o rosto da garota, e vendo Julie deitada, perguntou – Como ela está?
- Quebrou a perna. Madame Pomfrey está examinando uma corvinal, então não pode cuidar dos outros... E o que aconteceu com você e o Pedro depois que foram procurar uma saída?
Frank começou a contar o que havia acontecido. Enquanto isso, Tiago e Pedro conversava com Remo.
- Os Comensais pareciam procurar uma coisa específica... – Tiago disse, pensativo.
Remo evitou olhar para o amigo. Não iria esconder dele a sensação que teve de que os Comensais atacaram por causa dele, mas aquele não era o momento.
- Eu também percebi isso. – Lílian concordou – Talvez eles estivessem atacando qualquer aluno que não viesse de família puro-sangue... Eles me atacaram, e se não fosse por você, querido... – ela disse, e Tiago apertou a mão da garota com força, soltando quando Madame Pomfrey se aproximou para examiná-la.
- Muito bem, você pode ir para a sua sala comunal – ela encarou Emma, Frank e Pedro. – E vocês também. Já conversaram muito com ela, agora ela precisa descansar. – a enfermeira-auxiliar disse, colocando a mão no ombro de Pedro.
- Por favor, podemos ficar mais um pouco? – Emma perguntou.
- Não, querida, logo eu começarei a cuidar dos pacientes, e vocês podem atrapalhar. – ela disse tentando ignorar o olhar de Emma, que pedia para ficar.
- Ehr... – Remo chamou a atenção da mulher, sem soltar a mão de Julie – Eu gostaria de ficar com ela.
Julie abriu os olhos, e a expressão de dor sumiu de seu rosto.
- Por favor...
- Está bem, você pode ficar. – ela sorriu, antes de acrescentar – Mas só você. Os outros, voltem para suas salas comunais.
Tiago, Lílian, Pedro, Frank e Emma se despediram de Julie, saindo em seguida. Remo ficou cuidando de Julie, a acalmando e distraindo-a da dor até que a enfermeira voltou com o remédio. Num instante a perna de Julie estava curada, mas como a poção ainda estava agindo, ela precisava ficar de repouso, senão a perna quebraria outra vez.
Remo perdeu a noção do tempo enquanto ficava com Julie, mas nem mesmo depois da garota ter conseguido dormir ele foi embora, e quando Sirius entrou na enfermaria, o rapaz ainda estava acordado, apesar de já sentir o sono chegar.
- Hey... – Sirius disse, sentando-se do outro lado, de frente para Remo – Está tudo bem com a Julie?
- Sim, a perna dela não está mais quebrada, mas ela vai ter que ficar uns dias em repouso para a poção fazer efeito.
- Olha, Remo, se você quiser ir dormir, eu posso ficar com minha irmã.
- Não precisa. – Remo respondeu com um sorriso – Você deveria se cuidar. Esse machucado no seu braço está muito feio. – ele disse apontando para o hematoma no braço do amigo.
- Isso? Nem está doendo mais. – ele disse com um sorriso estranho no rosto, sem parecer preocupado com o braço – O seu ombro sim é que deve estar doendo.
Só quando Sirius falou do ombro machucado foi que Remo percebeu que havia se ferido no ataque.
- É melhor madame Pomfrey ver isso, pode infeccionar.
- É, é... – Remo concordou, levantando-se lentamente – Se a Jul...
- Eu chamo você – ele respondeu com um aceno de cabeça, e depois que Remo saiu, encostou as costas na cadeira.
Nunca pensou que pudesse se decepcionar tanto com a namorada. Ela escondeu dele o ataque a Hogsmeade, e se tivesse confiado nele, Julie não teria se machucado...
Sirius deu um soco no braço da cadeira, sussurrando um palavrão, parando ao ver a irmã se mexendo na cama improvisada, mas ela acordou.
- Oi, Sirius – ela sorriu, enquanto o irmão segurava a mão dela – Onde está o Remo?
- Foi ver a madame Pomfrey, ele estava ferido no ombro.
- Ele devia ter ido antes. – ela disse em tom severo.
- Remo estava preocupado com você.
- E você? – ela perguntou, se sentando na cama.
- Eu? Claro que também estava preocupado com você!
- Não estou perguntando disso, Sirius. Quero saber como você está se sentindo, você estava tão animado para essa visita a Hogsmeade! – ela disse, sentindo que o irmão estava irritado com algo além do ataque.
Sirius virou o rosto, e olhando com desgosto para a parede, disse.
- Eu estou bem. Só estava esperando mais do que devia.
Um brilho de raiva surgiu nos olhos da garota. Sabia quem havia decepcionado o irmão, mas era isso que ela esperava de Adrianne Snape.
- O que ela fez?
- Não confiou em mim. – ele respondeu num suspiro – Ela tentou impedir que eu fosse a Hogsmeade, mas não me disse o motivo. Nós íamos para Hogsmeade juntos, e ela não disse porque não iria. O tempo todo ela sabia do ataque, e não disse para mim!
Julie nunca tinha visto o irmão tão decepcionado antes. Só então ela entendeu que Sirius amava realmente Adrianne Snape, mas era terrível que ele descobrisse que ela não o amava daquele jeito. Julie retirou a sua mão debaixo da de Sirius, e acariciou o rosto do irmão.
- Ela deve ter tido um motivo para agir assim, mas ela agiu muito mal em não ter contado sobre o ataque. – ela disse sem raiva ou como se soubesse que o namoro ia terminar daquele jeito e tivesse avisado antes. O irmão estava sofrendo, e não precisava de sermões naquele momento – Olha, Sirius, talvez tudo esteja melhor assim...
Ela se calou ao ver que o irmão chorava. Sirius sempre pareceu tão forte, tão impenetrável, que era quase surreal ver ele chorando, como qualquer pessoa, mas Sirius não era um herói, ele tinha suas fraquezas, e estando mais abalada pelo fato de ver o irmão chorar do que tudo, Julie o abraçou, consolando-o.
Julie não contou para Remo o resultado da conversa, mas não foi difícil adivinhar o que aconteceu quando, pela manhã, Sirius olhou com raiva para a irmã, e a ignorou totalmente quando passou por trás dela, murmurando que ela poderia fazer as loucuras que ela quisesse que ele não iria se intrometer.
- Julie, o Sirius está... – Remo começou, mas a garota largou o garfo em cima da mesa da Grifinória com irritação.
- Olha, se você for me dizer que o Sirius está certo, nem comece! Eu vou para a biblioteca, tenho que revisar algumas matérias.
Enquanto Julie ia para a biblioteca, ela pensava em como havia conseguido brigar com as pessoas que mais amava em apenas dois meses. Frank, seu melhor amigo, continuava a fingir que a garota não existia quando os dois estavam perto, mas por mais que sentisse falta do amigo, Julie também não fazia nada para se reaproximar do amigo, pelo contrário. Sempre que estava com Bartô e Douglas, e Frank passava, a garota fazia questão de que ele visse o quanto ela estava feliz longe dele, e contava alguma coisa engraçada, e agora, havia brigado com Sirius.
Não que nunca tivesse brigado com o irmão. Os dois sempre discutiram quando eram crianças, mas a garota esperava que Sirius entendesse que só estava preocupada com Remo, e que confiasse nela, mas nem o fim do período de lua cheia fez com que o rapaz voltasse a falar com a irmã. Sirius continuou com raiva de Julie por causa de sua atitude irresponsável, para desânimo da garota. Ela esperava que o rapaz voltasse a falar com ela, mas Sirius não estava disposto a esquecer tudo facilmente.
Foi aí que ela mais sentiu falta da amizade de Frank. Não conseguia desabafar com Douglas nem Bartô, ou suas colegas de quarto. Pelo menos tinha Remo ao seu lado. Remo podia não concordar com Julie ficar com ele durante a transformação em lobisomem, achava que ela estava se arriscando, mas entendia as razões dela, e tentava animar a namorada quando estava com ela.
-... você vai ver, logo o Sirius vai esquecer tudo. Ele nunca conseguiu ficar com raiva de você por muito tempo.
- Mas não é só por isso que eu estou assim... Eu entendo a raiva dele, ele só está preocupado comigo, e isso só me faz sentir culpada... Não que eu esteja com medo de você – ela acrescentou rapidamente -, mas eu fico chateada porque estamos brigados por minha culpa...
Remo acariciou o cabelo de Julie sem responder. Não queria fazer a garota se sentir culpada, por isso, só a beijou na testa, e ficaram sentados num dos sofás da sala comunal de mãos dadas, conversando sobre bobagens, tentando esquecer dos problemas, até que Sirius entrou apressado, e vendo Emma conversando com algumas amigas, foi falar com ela.
- Onde está a Julie?
- Ela está com o Remo, oh, aqui está ela. – Emma disse, apontando as almofadas em que Julie estava sentada com Remo, mas assim que ouviu o irmão perguntar por ela, a garota se levantou.
- O que foi, Sirius?
Ao ver a irmã, ele perdeu a coragem por um segundo, mas depois do momento de hesitação, continuou.
- Eu fui injusto com você, Julie, eu não deveria ter brigado com você por você querer ajudar o Aluado... – ele olhou para o amigo, que estava ao lado de Julie, e o indicou com um aceno de cabeça – Eu devia confiar mais em vocês... – ele olhou desconfiado para a irmã – Só me promete uma coisa.
- O que é? – Julie perguntou, sorrindo, e pronta a concordar com qualquer coisa. Estava feliz demais por ter o irmão falando novamente com ela.
- Se por acaso... algo der errado... você vai desistir, não vai? – ele disse, evitando olhar para Remo.
Julie abriu a boca para responder, mas antes que ela o fizesse, Remo se adiantou.
- Olha, se alguma coisa acontecer, pode deixar, Almofadinhas. Eu vou ser o primeiro a ser contra. - então ele sorriu. – Mas isso não importa, eu estou muito feliz por vocês.
Sirius também sorriu, e os dois amigos se abraçaram, enquanto Emma assistia a tudo, confusa.
- Julie, você e o Sirius brigarem é normal, mas o que o Remo tem a ver com isso? – ela cochichou para a irmã – Não sabia que o Sirius também estava chateado com ele. O que aconteceu?
- Não foi nada. Eu quis visitar o Remo, escondida, e o Sirius não gostou, mas acho que ele percebeu que também se importa com o Remo assim como eu.
-x-x-x-
Agora que Sirius estava novamente falando com ela, Julie esqueceu um pouco de que Frank estava com raiva dela. Ela, o irmão, Tiago, Lílian, Pedro e Remo estavam combinando na sala comunal da Grifinória o que fariam juntos no passeio para Hogsmeade que aconteceria naquele dia. Sirius era o que estava mais animado.
- Se deixarmos a Zonko's para a próxima vez, podemos ir para o Três Vassouras antes das dez... – o rapaz comentava, ao mesmo tempo em que contava as horas nos dedos.
- Remo, porque ele está tão interessado em chegar cedo no Três Vassouras? – Julie perguntou, fazendo o namorado sorrir.
- Acredite-me, você não vai querer saber.
- Então não insisto mais... – ela disse, beijando os lábios do rapaz. Para quê perguntar, se provavelmente ficaria irritada?
- Oi, Julie! – Emma cumprimentou a irmã, e continuou – Se você já se despediu do Remo, nós podemos ir.
- Ir? Como assim, ir?! – ela perguntou, confusa.
- Hogsmeade, Julie! Você disse que iria comigo. – a garota colocou as mãos na cintura. – Você disse que iria no dia em que o Remo ficou gripado, esqueceu?!
Julie arregalou os olhos, só lembrando naquele momento que havia concordado quando a irmã perguntou se ela queria ir com ela visitar o povoado.
- Er... – Julie começou, corando violentamente – é claro que eu me lembro, Emm, claro que sim! – ela concordou, apesar de preferir ficar com Remo, mas ela havia dito que iria com a irmã antes.
- Hum, ainda bem! – a irmã respondeu, um pouco desconfiada – Vamos, o Frankie está esperando. – ela disse, segurando a mão de Julie.
- O quê, o Fra... o Longbottom?! – assim que Emma disse o nome do namorado, Julie parou, ereta.
- É, você acha que eu ia deixar meu namorado sozinho?! De jeito nenhum!
- Er... – Julie corava novamente – Sabe, Emm, acabei de me lembrar, tenho um teste de Poções, tenho que estudar, não vou poder ir...
- Julie, esse teste não foi na semana passada? – Remo perguntou, pensando, com perspicácia, que essa poderia ser uma boa oportunidade para que Julie e Frank percebessem o quanto estavam sendo infantis.
- É, eu estudei com o Frank... – Emma disse, pensativa, e balançando a cabeça, continuou, deixando claro que não aceitaria nenhuma desculpa da irmã – Não adianta fugir, Julie Black! Você vai comigo e o Frank para Hogsmeade sim!
- Divirta-se, docinho. – Remo disse, beijando Julie na bochecha, e acenando para ela, que o olhava implorando ajuda enquanto era arrastada para fora da torre pela irmã.
Frank esperava pela namorada ao pé da escada. O rosto estava voltado para o salão principal, e ele assobiava uma música, aparentemente distraído, mas assim que ouviu passos descendo as escadas, girou a cabeça, e olhou para Julie tão espantado quanto a garota havia estado quando soube que teria que ir para o povoado com ele.
- Emm, o que ela está fazendo aqui?!
- A Julie vai conosco para Hogsmeade, amorzinho, eu não tinha dito?! – ela disse com uma expressão de falsa ingenuidade.
- Você disse que uma amiga ia com a gente... – ele disse, a testa franzida.
- Frank Longbottom, não olhe para mim desse jeito! A Julie é minha amiga, oras! – ela ficou séria – Essa é a única vez que eu vou avisar. Se vocês dois brigarem...
Antes que a garota terminasse, porém, Julie e Frank disseram ao mesmo tempo.
- Vamos embora de uma vez! – em seguida, se afastaram do castelo, Frank e Julie com a mesma idéia. Quanto mais cedo fossem embora, mais cedo voltariam.
Os três passaram pela Dedosdemel sem que Julie e Frank trocassem uma palavra. Eles conversavam com Emma, mas viravam o rosto quando o outro falava, o que não impediu que eles se divertissem na loja. A novidade da loja para o fim de ano era um novo doce, Delícias Gasosas, que fazia a pessoa flutuar alguns centímetros depois de beber um copo, e ninguém conseguiu ficar sério quando um aluno do terceiro ano da Grifinória alcançou o teto depois de beber mais de dez copos do doce. Frank, Julie e Emma saíram da loja ainda sorrindo, sem pensarem em discussões, somente no quanto estavam se divertindo.
Quando eles estavam saindo da loja, viram Sirius, Remo, Pedro, e Tiago, de mãos dadas com Lílian, entrarem no Três Vassouras, e querendo que aquele clima ameno continuasse, Emma disse, animada.
- Olhem, o Sirius está entrando no Três Vassouras, vamos lá!
Julie concordou imediatamente, querendo ficar um pouco com o namorado, e como Frank não disse nada, os três entraram no bar.
- Ei, vocês! – assim que os viu entrar, Lílian chamou Julie, Emma e Frank para se sentarem com eles – Sentem aqui!
Os três foram até a mesa, e Remo se afastou para Julie sentar-se ao seu lado, mas assim que a garota se sentou, o rapaz olhou em direção à porta, sentindo perigo.
- Oi, amor. – Julie falou, mas vendo que o namorado estava distraído, ela olhou para a mesma direção que ela olhava, sem entender o que havia atraído a atenção de Remo, mas ela logo descobriu.
Julie e Remo foram os primeiros no bar que notaram que algo estava acontecendo do lado de fora. O rapaz levantou-se no instante que escutou a primeira pessoa gritar, enquanto que Julie viu, pela porta aberta, vários alunos correndo em direção à escola.
Os dois se levantaram das cadeiras, e foram para a porta do bar. Nas ruas, pessoas corriam, estudantes voltavam para Hogwarts, e algumas pessoas estavam paradas, apontando para o céu, assustadas com o que viam. De mãos dadas, Julie e Remo olharam para a direção que as pessoas apontavam.
- Remo... – Julie murmurou, apertando a mão do rapaz ao mesmo tempo em que via no céu, brilhando fortemente, um crânio verde, com uma cobra de olhar ameaçador saindo da boca dele.
Ao lado deles, Lílian, Tiago, Frank, Emma, Sirius, Pedro e os outros clientes do bar, que saíram atraídos pelos gritos e pela movimentação, olhavam tão espantados quanto o casal.
- Vamos voltar para Hogwarts! – Julie gritou, conseguindo se recuperar do espanto ao ver a Marca Negra em Hogsmeade.
Todos começaram a correr em direção ao castelo, assim como os outros alunos, em pânico. Porém, antes que alcançassem os portões de Hogwarts, um grupo de mais de vinte homens encapuzados, com máscaras cobrindo os rostos, surgiu voando em vassouras. Eram Comensais, e do céu, eles lançaram um feitiço derrubando algumas árvores.
Com a passagem para Hogwarts impedida, os alunos voltaram para o povoado. Na confusão, Julie e Remo soltaram as mãos, e quando perceberam que estavam separados, Remo procurou Julie com o olhar, com ansiedade. Sentindo que o namorado a procurava, a garota também o procurou, ficando aliviada quando viu Remo a alguns passos de distância. Ela correu, mas quando estava alcançando Remo, um Comensal apontou a varinha e lançou um feitiço. Remo e Julie só perceberam que era uma barreira invisível quando tentaram se tocar e sentiram uma onda elétrica percorrer o corpo dos dois.
- Remo! – Julie gritou, desesperada.
Julie ficou parada, encarando Remo com preocupação, e sem pensar na ameaça iminente, teria sido ferida não fosse por Frank. O rapaz viu que um dos Comensais estava descendo para atacar a garota, e antes que Julie se machucasse, ele a puxou.
- Você enlouqueceu? Aquele Comensal podia ter matado você! – ele olhava para a garota com irritação.
- Não ia acontecer nada! Você devia ter deixado eu ir atrás do Remo, ele pode precisar de mim! – ela disse com fúria.
- Vocês dois, não é hora de brigar! – Emma disse com os braços cruzados – Temos que voltar para o castelo.
Somente então Julie viu que além de Frank, Emma e Pedro também estavam ali, mas enquanto a garota mais nova controlava o medo, Pedro tremia, assustado.
- É-é-é... – ele gaguejou – T-t-emos que vo-vo-voltar para Hog-g-warts.
Frank concordou com a namorada com um aceno de cabeça, e com ar decidido, ele disse.
- Fiquem aqui, vocês duas, enquanto eu e o Pettigrew procuramos uma saída.
- Ei, o que você está pensando, Longbottom?! – Julie disse, colocando as mãos na cintura, indignada – Que eu e minha irmã não somos boas o bastante para ajudar você, o grande Auror?! – ela finalizou em tom de deboche.
- Olha, Black, eu não quero que ninguém se machuque, por isso vocês vão ficar aqui. É seguro, nenhum Comensal vai ver vocês se vocês duas ficarem aqui atrás dessas mesas. – ele apontou para as mesas de um café, que estavam encostadas na parede – Já vai ser arriscado demais eu e o Pettigrew sair.
Pedro olhou de Frank para Julie, deixando claro que adoraria trocar de lugar com Julie.
- Realmente, Longbottom, acho que se a Julie quer ir, deixa, eu posso ficar com a Emma...
Frank voltou-se para Pedro, tentando pensar numa maneira de dizer para ele que preferia deixar Julie com Emma para o caso de algum Comensal atacar sem ofendê-lo. O rapaz poderia estar no sétimo ano, deveria saber vários feitiços que Julie não conhecia, mas a garota tinha pensamento rápido, e defenderia Emma com coragem, o que Frank duvidava que Pedro fizesse.
- Olha, Pettigrew, os Comensais estão atacando, talvez aqui fique perigoso, mas se formos para Hogwarts logo, podemos avisar um professor...
A menção de Hogwarts fez Pedro erguer as sobrancelhas. É claro que seria melhor ir com Longbottom, assim voltaria logo para o castelo.
- É, Frank, você está certo. – ele começou a caminhar, parando logo em seguida – E aí, você vai ficar parado? Vamos logo, cara!
Frank foi antes que Pedro mudasse de idéia, deixando para trás uma Emma preocupada, puxando uma Julie muito irritada para o esconderijo. A garota achava que havia sido deixada para trás por ser considerada incompetente.
- Humpf, o que ele entende disso! – Julie resmungou, contrariada, sentada entre a parede e uma mesa – Eu não vou ficar aqui!
- Julie, o Frank disse que aqui é seguro! – Emma disse em tom persuasivo.
- Ora, Emma, desde quando ele é um Auror para saber o que é que deve e não deve ser feito num ataque? – ela disse, se levantando.
- Julie, o Frank sabia do que estava falando... – ela disse, e ficou mordendo o lábio, tomando coragem, mas por fim, ela se decidiu – Julie, se você não voltar, eu vou... euvouazararvocê! – ela disse rapidamente, antes que pudesse mudar de idéia, segurando a varinha com firmeza.
- Emma, se o Frank acha que eu sou a donzela indefesa dessa história, ele está muito enganado! - Julie disse, começando a se afastar do esconderijo, só percebendo que um Comensal as observava quando ouviu ele falar o feitiço.
- Crucio!
A garota girou a cabeça na direção em que vinha a voz, esperando ser atingida pelo feitiço, mas o Comensal não mirava a varinha na direção dela. A varinha do Comensal apontava em direção ao esconderijo, onde Emma gritava, assustada.
- Emma! – Julie gritou, voltando.
Julie corria o mais rápido possível para impedir que Emma fosse atingida, alcançando a irmã instantes antes do feitiço a alcançar, porém não rápida o bastante para que ela mesma não fosse atingida na perna esquerda. Naquele instante, Julie sentiu, ao mesmo tempo, todas as dores que já havia sentido, e sem conseguir manter-se em pé, caiu, gritando de dor.
-x-x-x-
Depois que a barreira surgiu, os Comensais começaram a atacar. A parede de uma loja foi destruída, uma aluna havia sido atingida, e o pé dela estava preso. Sirius estava ajudando ela a se soltar. Remo estava preocupado com Julie, mas a barreira o impedia de ir encontrar a namorada, e Sirius precisava de ajuda para levantar as pedras.
- Remo, eu preciso de ajuda aqui! – Sirius gritou.
Remo olhou indeciso, mas ele sentia que Julie estava bem, então foi ajudar Sirius, e logo a garota estava livre e bem, apesar de andar mancando.
Sirius e Remo olharam ao redor, percebendo somente naquele momento que estavam cercados. Atrás deles, a barreira impedia que eles procurassem um lugar seguro em Hogsmeade, e as árvores caídas não os deixavam voltar para Hogwarts.
- Estamos sem saída. – Remo disse num suspiro.
- Ela sabia... Ela sabia o tempo todo... – Sirius disse, olhando para Hogwarts, depois de um longo silêncio – O Snape deve ter contado tudo para ela. – o olhar dele brilhava num misto de raiva e decepção.
Remo abaixou o olhar, sabendo do que Sirius estava falando. Naquele dia, Sirius e Adrianne iam deixar que todos soubessem o que vinha acontecendo entre eles há alguns meses, mas por um motivo que Sirius não contou a Remo nem a Tiago ou Pedro, nada do que ele havia planejado aconteceu. Agora Remo sabia o que impediu o encontro. A sonserina deveria saber do ataque, e preferiu ficar em segurança no castelo.
- Vamos, amigo. – Remo disse, sabendo que não iria conseguir animar Sirius, mas pelo menos não deixá-lo tão abatido – Temos que encontrar os outros.
Sirius concordou com a cabeça, e, preocupado com as irmãs, perguntou enquanto eles caminhavam, com as varinhas em punho.
- A Julie e a Emma, elas devem estar por aqui!
- Não, elas ficaram do outro lado, com o Frank e o Pedrinho. – Remo respondeu, desviando de um feitiço – Eles devem estar bem, os Comensais estão concentrando o ataque somente para dentro da barreira.
- É, eu já tinha percebido isso. – Sirius concordou com Remo, depois de lançar um feitiço Estupefaça num Comensal – O que será que eles estão procurando? – mas tanto Remo não sabia, quanto não teve tempo para responder. Assim que terminou de falar, Sirius viu Lílian e Tiago, junto com Douglas Forster e outros alunos, e apontando na direção do grupo, ele disse para Remo – Olhe, ali estão o Tiago e a Lílian, vamos lá!
Remo concordou com a cabeça, e eles correram em direção aos amigos, lançando feitiços a esmo.
- Vocês estão bem? – Sirius e Tiago perguntaram ao mesmo tempo, e depois que todos responderam afirmativamente, Tiago continuou – Vocês perceberam, que os Comensais estão atacando somente os alunos que estão presos?
- Era o que o Sirius estava falando. – Remo disse – O que será que eles estão procurando?
- Não sei, seria esperado que eles fossem atacar Hogwarts... – Tiago disse.
- Talvez só estejam querendo atrair os professores, para então atacar a escola – Douglas disse, mas ninguém respondeu. O grito de Lílian atraiu a atenção de todos.
Dois Comensais atacavam enquanto Tiago, Remo e Douglas conversavam. Sirius, Lílian, juntamente com três corvinais, estavam defendendo, mas a ruivinha foi atingida por um feitiço, e teria caído no chão não fosse por Tiago, que correu desesperado em direção à namorada.
- Lily! – ele disse, afastando os cabelos do rosto da garota, que estava desacordada – Lily, fala comigo!
Enquanto Tiago reanimava Lílian, Remo tomou o lugar da garota, mas os Comensais não estavam mais interessados em atacar eles. Os Comensais estavam apontando as varinhas para Tiago e Lílian, e então Remo percebeu o que os Comensais estavam querendo. Eles se voltaram para Tiago como uma fera prestes a atacar sua presa.
- Tiago! – ele gritou para Sirius – Eles querem o Tiago!
E no mesmo instante que gritou, sentiu a perna doer. Remo caiu, como se ele tivesse sido atingido, mas o rapaz sabia que Julie havia sido atingida, e isso o deixou mais perturbado que qualquer coisa. Remo sentiu que estava perdendo o controle, e deixava sua raiva o dominar, mas quando viu pêlos começando a crescer de sua mão, tentou se acalmar. Se transformar em lobisomem só iria atrapalhar tudo, mas ele precisava descarregar a raiva acumulada. Com um grito, ele se interpôs entre um Comensal e Tiago, e antes que o feitiço do bruxo das trevas o atingisse, ele lançou um contra- feitiço, para em seguida, fazer a varinha do Comensal voar pelo ar.
Com o Comensal desarmado, Remo uniu-se a Sirius e a Douglas, e os três logo deixaram o segundo Comensal fora de combate, mas alertados pelo primeiro Comensal, um grupo veio em direção a Tiago. Eram sete, e um deles acertou Douglas com um feitiço, o deixando inconsciente. Remo e Sirius trocaram olhares. Não dariam conta de sete comensais sozinhos, mas não desistiriam sem lutar. Eles apontaram as varinhas na direção do Comensal mais próximo, que imediatamente caiu no chão.
- Remo... – Sirius olhou para o amigo, estupefato. -... como você fez isso?!
- Mas... eu não fiz nada... – o rapaz disse tão surpreso quanto o amigo.
Os outros seis Comensais ficaram parados no ar, montados em suas vassouras, até que ouviram uma voz determinada dizer um feitiço, e um Comensal desapareceu de sua vassoura para aparecer sobre uma árvore, de cabeça para baixo, e então eles viram a professora McGonagall.
- Potter, você precisa voltar para o castelo imediatamente. – ela disse, decidida.
- Professora, eu não posso deixar meus amigos aqui! – ele disse, corajosamente.
- Tiago, a Lílian está ferida, ela precisa ir para a enfermaria. – Remo disse, calmo, mas com firmeza no olhar – Volte para o castelo e leve ela até Madame Pomfrey.
Tiago não pensou duas vezes. Lílian podia se machucar mais ainda se continuasse ali, e com um meneio de cabeça, ele concordou, e sendo protegido pela professora de Transfigurações, ele foi para o castelo.
Mas a professora Minerva não era a única ali. O professor Flitwick fez a barreira desaparecer com um feitiço, e estava duelando com um Comensal. Sem algo os separando, Sirius e Remo foram procurar Julie e Emma.
-x-x-x-
- Julie! – Emma gritou, esquecendo-se do Comensal, mas atraída pelos gritos das garotas, a professora Figg apareceu, impedindo que o Comensal tentasse machucá-las.
- Pro-professora Figg... – Emma disse enquanto chorava, aflita e preocupada com a irmã -... minha irmã, ela foi atingida...
- Oh, Emm, eu estou bem... – Julie disse, sem tanta firmeza na voz quanto pretendia, e caindo ao tentar ficar em pé.
- Fiquem aí! – Arabella Figg gritou, e voltando a atenção para o Comensal, ela desviou do feitiço que ele lançou no último instante, atacando cm um feitiço de perna-presa.
Apesar de não poder andar, o Comensal atacou, acertando o braço de Arabella, que diminuiu até ficar do tamanho da mão de um bebê.
- Leve ela para longe! – a professora de Defesa Contra as Trevas gritou, sem desviar o olhar do bruxo à sua frente. Emma olhou indecisa para a professora, não queria deixá-la sozinha, mas era perigoso para Julie ficar ali.
- Expelliarmus! – ela gritou, e a varinha do Comensal voou até a sua mão, e a garota jogou a varinha para a professora. Em seguida, ajudando Julie a caminhar, Emma e a irmã se afastaram.
Quando elas estavam longe, perceberam que não havia muitos comensais do lado em que eles estavam, somente o que as atacou, e mais dois, que tentavam impedir que uma monitora da Corvinal fizesse a barreira desaparecer.
Emma sentou Julie no chão, encostada a uma parede de uma loja, mas por mais cuidado que ela teve, a irmã gemeu de dor.
- Eu vou procurar o Frank, ele vai saber o que fazer, fica aí, Julie!
- Não, Emma! – Julie gritou – Fica comigo, eu não quero ficar sozinha, está doendo muito...
Emma obedeceu, ficando ao lado de Julie, segurando a mão dela, e foi assim que Sirius e Remo encontraram as duas garotas, alguns minutos depois.
- Julie! – Remo disse preocupado, apesar de Julie tentar disfarçar o quanto a perna doía.
- Vem, vamos levar ela para Hogwarts. – Sirius disse, colocando o braço direito de Julie ao redor do seu pescoço. Remo segurou o outro braço, e com Emma segurando a perna de Julie, eles voltaram para Hogwarts.
Enquanto entrava no castelo ao lado de Julie, Remo e Sirius, Emma olhava ao seu redor, tentando encontrar Frank, ou Pedro, mas não havia nenhum sinal dos dois.
- Emma – Sirius alertou a irmã ao vê-la distraída -, presta atenção para onde estamos indo. O Frank vai aparecer logo.
O tom frio e cortante da voz assustou até mesmo o rapaz. Só então ele percebeu o quanto estava com raiva da namorada, mas Emma não tinha culpa do que havia acontecido.
- Desculpa, Emm. – Sirius disse, olhando arrependido para a irmã – Não quis ser rude com você.
- Tudo bem. – a garota respondeu, apesar da mágoa que ainda sentia, mas não era hora de discussões. Precisavam levar Julie para a ala hospitalar.
E não eram os únicos que precisavam levar alguém para a ala hospitalar. Vários alunos os seguiam, apoiando companheiros feridos, ou preocupados com colegas feridos. A aluna da Corvinal que tentou destruir a barreira era carregada por um rapaz desesperado. Ela sangrava na cabeça, e estava incrivelmente pálida. Um aluno da Grifinória estava sendo levado por dois colegas de casa e uma garotinha da Lufa-lufa com uma ferida feia no braço, e, Emma observou, até eles, que carregavam Julie, estavam feridos. Sirius tinha um machucado no braço, e o rosto estava arranhado. A camisa de Remo estava rasgada no ombro, deixando visível um corte não muito profundo, e Emma sentia a testa doer.
A enfermaria estava uma confusão. Incrivelmente, Madame Pomfrey não estava nervosa. Ela passava instruções para os alunos que traziam os feridos de acordo com o ferimento. Somente quando ela viu a aluna da Corvinal foi que ela demonstrou forte preocupação, e depois de falar com uma ajudante, ela foi para uma sala reservada com a garota e o rapaz que a carregava.
- Como ela está? – a ajudante, uma simpática bruxa de cabelos loiros e olhos castanhos perguntou quando o grupo que trazia Julie entrou.
- Ela quebrou a perna. – Sirius respondeu.
A mulher contraiu os lábios, e apontando para um dos leitos livres próximo ao qual Lílian estava deitada, com Tiago ao lado, disse.
- Coloquem ela ali, assim que puder, Madame Pomfrey irá examiná-la.
Com cuidado para não machucar Julie, Remo, Sirius e Emma a deitaram na cama improvisada. Ela podia não reclamar da dor, mas os lábios contraídos e os olhos fechados com força não faziam nenhum deles duvidar da dor que ela sentia. Remo era o mais preocupado. Ele não precisava estar olhando para Julie para saber o quanto ela sofria, e assim que ela se deitou, ele segurou a mão dela, e disse num murmúrio.
- Fique calma. O pior já passou, estamos em Hogwarts. – ele acariciou o cabelo da garota, e não se virou nem quando sentiu a presença de Adrianne Snape no lugar. Isso era um problema de Sirius, e ele é quem tinha que resolver.
- Como a Lílian está? – Emma perguntou.
- Estou melhor, agora – ela respondeu, apertando a mão do namorado com força.
- Madame Pomfrey passou uma poção sobre o ferimento, estamos esperando fazer o efeito antes de irmos – Tiago completou. – E a Julie?
- Ainda não foi atendida – Remo respondeu sem desviar os olhos da garota.
-E o Frank? – Emma perguntou para Tiago. – Você não viu ele?
Antes que Tiago pudesse responder, Pedro e Frank entraram na enfermaria.
- Frank! – Emma gritou, enlaçando os braços do namorado com os braços – Você está bem, não se machucou? Eu estava tão preocupada, amor... – ela disse, beijando o rosto e os lábios do rapaz.
- Ah, Emma, eu não devia ter deixado vocês sozinhas... Eu fui tão burro! – ele murmurou, enquanto acariciava o rosto da garota, e vendo Julie deitada, perguntou – Como ela está?
- Quebrou a perna. Madame Pomfrey está examinando uma corvinal, então não pode cuidar dos outros... E o que aconteceu com você e o Pedro depois que foram procurar uma saída?
Frank começou a contar o que havia acontecido. Enquanto isso, Tiago e Pedro conversava com Remo.
- Os Comensais pareciam procurar uma coisa específica... – Tiago disse, pensativo.
Remo evitou olhar para o amigo. Não iria esconder dele a sensação que teve de que os Comensais atacaram por causa dele, mas aquele não era o momento.
- Eu também percebi isso. – Lílian concordou – Talvez eles estivessem atacando qualquer aluno que não viesse de família puro-sangue... Eles me atacaram, e se não fosse por você, querido... – ela disse, e Tiago apertou a mão da garota com força, soltando quando Madame Pomfrey se aproximou para examiná-la.
- Muito bem, você pode ir para a sua sala comunal – ela encarou Emma, Frank e Pedro. – E vocês também. Já conversaram muito com ela, agora ela precisa descansar. – a enfermeira-auxiliar disse, colocando a mão no ombro de Pedro.
- Por favor, podemos ficar mais um pouco? – Emma perguntou.
- Não, querida, logo eu começarei a cuidar dos pacientes, e vocês podem atrapalhar. – ela disse tentando ignorar o olhar de Emma, que pedia para ficar.
- Ehr... – Remo chamou a atenção da mulher, sem soltar a mão de Julie – Eu gostaria de ficar com ela.
Julie abriu os olhos, e a expressão de dor sumiu de seu rosto.
- Por favor...
- Está bem, você pode ficar. – ela sorriu, antes de acrescentar – Mas só você. Os outros, voltem para suas salas comunais.
Tiago, Lílian, Pedro, Frank e Emma se despediram de Julie, saindo em seguida. Remo ficou cuidando de Julie, a acalmando e distraindo-a da dor até que a enfermeira voltou com o remédio. Num instante a perna de Julie estava curada, mas como a poção ainda estava agindo, ela precisava ficar de repouso, senão a perna quebraria outra vez.
Remo perdeu a noção do tempo enquanto ficava com Julie, mas nem mesmo depois da garota ter conseguido dormir ele foi embora, e quando Sirius entrou na enfermaria, o rapaz ainda estava acordado, apesar de já sentir o sono chegar.
- Hey... – Sirius disse, sentando-se do outro lado, de frente para Remo – Está tudo bem com a Julie?
- Sim, a perna dela não está mais quebrada, mas ela vai ter que ficar uns dias em repouso para a poção fazer efeito.
- Olha, Remo, se você quiser ir dormir, eu posso ficar com minha irmã.
- Não precisa. – Remo respondeu com um sorriso – Você deveria se cuidar. Esse machucado no seu braço está muito feio. – ele disse apontando para o hematoma no braço do amigo.
- Isso? Nem está doendo mais. – ele disse com um sorriso estranho no rosto, sem parecer preocupado com o braço – O seu ombro sim é que deve estar doendo.
Só quando Sirius falou do ombro machucado foi que Remo percebeu que havia se ferido no ataque.
- É melhor madame Pomfrey ver isso, pode infeccionar.
- É, é... – Remo concordou, levantando-se lentamente – Se a Jul...
- Eu chamo você – ele respondeu com um aceno de cabeça, e depois que Remo saiu, encostou as costas na cadeira.
Nunca pensou que pudesse se decepcionar tanto com a namorada. Ela escondeu dele o ataque a Hogsmeade, e se tivesse confiado nele, Julie não teria se machucado...
Sirius deu um soco no braço da cadeira, sussurrando um palavrão, parando ao ver a irmã se mexendo na cama improvisada, mas ela acordou.
- Oi, Sirius – ela sorriu, enquanto o irmão segurava a mão dela – Onde está o Remo?
- Foi ver a madame Pomfrey, ele estava ferido no ombro.
- Ele devia ter ido antes. – ela disse em tom severo.
- Remo estava preocupado com você.
- E você? – ela perguntou, se sentando na cama.
- Eu? Claro que também estava preocupado com você!
- Não estou perguntando disso, Sirius. Quero saber como você está se sentindo, você estava tão animado para essa visita a Hogsmeade! – ela disse, sentindo que o irmão estava irritado com algo além do ataque.
Sirius virou o rosto, e olhando com desgosto para a parede, disse.
- Eu estou bem. Só estava esperando mais do que devia.
Um brilho de raiva surgiu nos olhos da garota. Sabia quem havia decepcionado o irmão, mas era isso que ela esperava de Adrianne Snape.
- O que ela fez?
- Não confiou em mim. – ele respondeu num suspiro – Ela tentou impedir que eu fosse a Hogsmeade, mas não me disse o motivo. Nós íamos para Hogsmeade juntos, e ela não disse porque não iria. O tempo todo ela sabia do ataque, e não disse para mim!
Julie nunca tinha visto o irmão tão decepcionado antes. Só então ela entendeu que Sirius amava realmente Adrianne Snape, mas era terrível que ele descobrisse que ela não o amava daquele jeito. Julie retirou a sua mão debaixo da de Sirius, e acariciou o rosto do irmão.
- Ela deve ter tido um motivo para agir assim, mas ela agiu muito mal em não ter contado sobre o ataque. – ela disse sem raiva ou como se soubesse que o namoro ia terminar daquele jeito e tivesse avisado antes. O irmão estava sofrendo, e não precisava de sermões naquele momento – Olha, Sirius, talvez tudo esteja melhor assim...
Ela se calou ao ver que o irmão chorava. Sirius sempre pareceu tão forte, tão impenetrável, que era quase surreal ver ele chorando, como qualquer pessoa, mas Sirius não era um herói, ele tinha suas fraquezas, e estando mais abalada pelo fato de ver o irmão chorar do que tudo, Julie o abraçou, consolando-o.
