Capítulo 11: Lágrimas de sangue.

Peguei minha carruagem e a conduzi para a casa de Sakura ainda madrugada. Não que eu esperasse que ela estivesse lá, mas poderia ter alguma pista de para onde ela poderia ter ido. Deparei-me novamente com aquela casa. Não havia mais frutas naquele arbusto. A presença das bruxas realmente as fazia crescer.

Quando entrei na casa vi que ela estava toda bagunçada. Que ingenuidade dela... Voltou para a casa de certo para pegar pertences e fugir, não estaria muito longe, a alcançaria fácil. Mais fácil se não tivesse visto o maldito baú aberto com um belíssimo vestido vermelho sobre ele. Mangas compridas. Tinha um decote em "V" que deixava os ombros praticamente todos a amostra e ia até a linha dos seios. Um espartilho que era anexado ao vestido com detalhes em relevo em cores de um vermelho mais escuro, o mesmo vermelho do vestido e em dourado. Ia até o chão, uma abertura na frente do vestido mostrava o mesmo tecido do espartilho que estava em baixo, como se um grande saiote vermelho cobrisse um vestido todo do mesmo tecido de seu espartilho. Deslumbrante. O turbilhão de sensações retomou meu corpo. E uma imagem dela usando aquele vestido tentava se formar combinada com o que eu havia sentido horas atrás.

Cheirei o vestido. Como eu era um ser desprezível. Senti que o cheiro era dela, e coloquei dentro da carruagem. Ela morreria só depois da noite de amor que eu tanto esperei. A noite de amor mágica em uma clareira de folhas secas banhadas pela lua. Eu e ela tomaríamos um vinho forte, comeríamos o melhor queijo e a melhor carne seca acompanhados com um apetitoso pão. Depois, já embriagados de vontade e ansiedade nos beijaríamos. Eu iria tirar lentamente aquele vestido vermelho que me provocou por todo o jantar. A deixaria nua. Ela então abriria os botões ainda não abertos de minha camisa branca. Iria desfazer o nó de minhas calças. O que senti horas atrás não havia saciado a minha sede por fazê-la minha. Só iria me sentir satisfeito ao ver, ver sua cara de prazer e seu corpo nu sobre o meu. Essa noite se tornaria a mais venerável de minha vida. Depois, encerraria qualquer possibilidade dela perder esse cargo, matando a bruxa com minhas próprias mãos.

Sim, mataria ela nem que fosse sufocada. Só para acabar com esse tipo de vontade escrota e tosca de alguém que nunca teve mulher alguma na vida. Sentia-me um garotão feio preso nas masmorras de um castelo. Longe de qualquer mulher, longe de qualquer prazer. Aquele tipo de moleque que anseia a vida toda pela mulher perfeita. Mas creio eu já tê-la achado. E mesmo assim, algo me dizia que eu não merecia isso, e não podia tê-la encontrado.

Guiei meus cavalos, para o lado oposto do qual vim, provavelmente ela iria para outra cidade; não se arriscaria na mata sozinha e indefesa. Ela pode ser uma bruxa poderosa, mas seus feitiços pérfidos não são efetivos contra lobos.

O sol estava quase começando a iluminar a estada, e quase iluminando a presença da pequena bruxa que andava solitária no horizonte. Apressei meus cavalos, ela ouviu o barulho. E eu ouvi grito de pavor de Sakura. Ela era realmente muito irritante e ingênua. Devia saber que não seria capaz de fugir de meus cavalos. Aumentei mais ainda a velocidade e ela assim percebeu que estava morta. Parou no meio da estrada de frente para meus cavalos.

- VOCÊ VENCEU! – exultou ela chorando.

- Você se entregou. – eu respondi descendo da carruagem.

- Achei que me deixaria ir... Acreditei de verdade que você tinha feito o nó errado de propósito... Possibilitando que eu fugisse. Quando você desfez o nó... E o refez... Eu senti, pela primeira vez... Calor... Em suas mãos... – Ajoelhou-se no chão – Sou realmente muito ingênua, você está é me torturando... Enganando-me de que ainda poderei viver! O QUE QUER DE MIM? – Disse ela banhada de lágrimas – ME DIGA! DIGA! O QUE QUER DESSA MINHA CARCAÇA CANSADA E INFELIZ!?

Nesse momento, quase respondi o que se passou na minha cabeça quando vi o vestido vermelho, mas resolvi usar a ingenuidade dela ainda mais a meu favor. Um plano nojento que bolei na hora. Algo que poderia satisfazer tanto a mim, quanto a meu subconsciente, inclusive o meu lado masculino mais podre e sedento pelo coito.

- Eu não enganei você. – abaixei-me em sua frente – eu realmente desfiz o nó de propósito... – passei minha mão em suas maçãs do rosto - eu fui até a sua casa para levá-la comigo.

Não sei de onde veio tudo isso, talvez fosse o verdadeiro plano do meu subconsciente, uma segunda personalidade que surgiu com o feitiço que ela me jogou. Mas aquilo não me importou muito no momento, já que fui capturado pelo abraço perfumado da bruxa.

Ela me abraçou com vontade, como alguém nunca jamais o fez, pelo menos, aquela foi a primeira vez que reparei em ter recebido um abraço assim. Estava eu mergulhando em um mar de flores negras. As flores mais cheirosas e venenosas que eu já havia sentido. Eram as flores do jardim do paraíso, flores que Eva cheirava até encontrar a serpente. Aquela era a própria origem do desequilíbrio. Meu e dela.

- Eu sabia! Eu vi a verdade nos seus olhos... – disse ela levemente animada.

Atentei-me a ouvir o que ela tinha a dizer. Correspondi o abraço sem pronunciar uma palavra. E ela me abraçou mais fortemente e continuou:

- A verdade é que você sente o mesmo que eu.

- O que você sente? – perguntei a afastando e a olhando dentro dos olhos seriamente.

Os olhos dela, que antes estavam brilhantes, estavam sendo inundados por lágrimas novamente. Ela ficou em silêncio durante um tempo considerável, chorando olhando profundamente meus olhos cansados com olheiras. Cada lágrima que eu via escorrer, sentia que era meu sangue sendo derramado, sangue que saia direto de meu coração há tanto tempo imóvel e congelado. As lágrimas dela para mim pareciam mais lágrimas de sangue.

Tampei os olhos dela com minhas mãos.

- Não quero mais saber o que sente – Eu disse sério.

Era como se aquele meu subconsciente tivesse me avisado o significado daquele sangue derramado. E por um segundo, esqueci que era Uchiha Sasuke e me senti um simples homem. Um homem que percebe quando está apaixonado por uma mulher.

~ {TAN! Para quem estava sentindo falta d um pingo de romance delicado, eis o que procurava! Adorei as reviews do cap anterior! Continuem assim e deixem sua reles escritora feliz! Para quem gosta do meu estilo e quiser ler outras coisas fora fanfics, estou abrindo um blog agora e vou começar a postar nele nas férias. Vou postar outras histórias originais que eu crio e mais algumas outras coisas. Obrigada por tudo, amo vocês. } ~

NO PRÓXIMO CAPÍTULO:

O destino dela seria selado com a noite mais mágica de nossas vidas, e se o corpo, que antes era vermelho coberto pelo seu vestido, seria agora vermelho coberto de sangue.

Não percam o próximo capítulo de A maçã da bruxa!Capítulo 12: Calor e frio.