Harry Potter e o Mistério da Ordem

Capítulo 11

Harry, Hermione e Ron estavam indo para a segunda aula de DCAT do ano, mas os três não pareciam nada animados.

- Essa costumava ser minha aula favorita. – comentou Harry

- Esse ano é que não vou conseguir nenhum "O" em DCAT. O Snape vai me dar no máximo um "E". – resmungou Hermione.

- Se liga Mione. Mesmo que o Harry seja o melhor aluno da classe, se ele ganhar um "A" já é demais, você não tem do que reclamar.

Já estavam sentando-se à mesa quando Ron falou isso. Os três estavam bastante desanimados, pois a primeira aula já serviu para mostrar que o ano não seria fácil.

Snape entrou na sala batendo as portas, como sempre. Hoje ele parecia estar mais bravo do que nunca, e isso significava que Ron e Harry estavam marcados.

Harry esparramou-se na cadeira e esperou a próxima bomba do Snape o atingir, já nem ligava mais, além do que descobriu que hoje não chegaria nem perto de ser um bom dia.

Dito e feito. Mal começou a aula e Snape já lhe fez uma pergunta, que como sempre ele não sabia responder.

- Potter, vamos ver se você realmente é o destaque dessa matéria.

Ron e Hermione se entreolharam, mas Harry não demonstrou nada, apenas continuou encarando o professor.

"O senhor sabe algo sobre lobalug?"

- Não faço a mínima idéia do que seja. – respondeu com firmeza.

- Hmm. Estão vendo turma? O Sr. Potter nem é o sabichão que nós ouvimos tanto falar.

Os alunos da Sonserina gargalharam, enquanto os da Grifinória faziam caretas para a outra casa. Ron e Hermione olharam para o amigo, mas ele continuava encarando o professor.

- É porque eu só sei das coisas que realmente importam numa batalha.

A sala inteira se calou. Todos os olhos iam de Harry à Snape. Ron e Hermione o olharam com reprovação, ele só podia estar louco.

- Controle o seu atrevimento, Sr Potter.

- O senhor queria uma resposta, eu sei que essa não é a certa, mas é a que eu tenho.

- Mais uma dessa e o senhor ganha uma detenção. – disse Snape, que se aproximava de Harry; - E fique sabendo, Potter, que isso é de extrema importância. Não é tão importante assim numa batalha, mas algum dia o senhor pode precisar. Se não for tão burro quanto penso, o senhor irá atrás de saber sobre o assunto. – Snape agora falara baixo, mas com o mesmo tom ríspido e arrogante de sempre.

O professor virou as costas e continuou a aula normalmente, como se nada tivesse acontecido. Depois de uma longa aula, Snape passou um trabalho de um pergaminho para a turma e dispensou-os.

Quando os três saíram da sala e já estavam bem longe, Hermione começou o sermão.

- Harry, você enlouqueceu completamente?

- Hermione, não começa ta?

- Não começa? Como você teve a coragem de fazer algo assim? Depois quando o Snape lhe der notas baixas, nem reclame. Você atiçou a fera.

Harry, que já estava andando na bem na frente para não ter que olhar para a amiga, parou e virou-se.

- Mione, eu sinceramente estou orgulhoso do que fiz, por mais que isso me prejudique. Senti-me bem o confrontando, tudo bem?

- Mas, Harry... – Harry apenas continuou andando e Ron partiu em sua defesa.

- Mione, deixa ele. Todos nós tínhamos vontade de fazer isso, só não tínhamos a mesma coragem que ele. – Ron deu de ombros, como se quisesse confirma o que ele mesmo acabara de falar, e os três continuaram calados, o seu caminho para a aula de Feitiços.

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A aula de Feitiços foi boa, como sempre. Agora eles estavam indo para o Salão Principal, para almoçarem e acabaram cruzando com Ginny e Lívia.

- Harry. – chamou a ruiva. – Precisava falar com vocês. – Ginny vinha correndo e Lívia tentava alcançá-la, e ainda mais atrás vinha Luna saltitando.

Quando finalmente os alcançaram, Harry olhava em tom reprovador à ruiva, mas ela agiu normalmente. Bem, pelo menos ela sabe disfarçar bem... Menos um problema.

- Encontramos com a McGonagall há pouco. Falei para ela que você estava querendo marcar os testes para sexta a tarde, após as aulas, e ela falou que já iria providenciar a autorização.

Lívia e Ginny pareciam bem felizes, Harry também sorria animado, mas Ron não parecia tão satisfeito como os outros, e Hermione percebendo, direcionou seu olhar para ele, como que o indicando aos amigos.

- Ron, fica tranquilo. – sua irmã pediu, e Harry também ajudou.

- É cara, você vai conseguir.

Ron não disse nada, apenas voltou a andar em direção do Salão, talvez o cheiro da comida pudesse acalmá-lo.

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Já no Salão Principal, os garotos conseguiram distrair Ron por alguns minutos Ron, Hermione, Harry e Ginny estavam tentando segurar o riso, pois a cena que assistiam era bastante divertida. Lívia fazia muitas caras confusas enquanto Luna lhe explicava sobre os Narguilés, a loira estava muito animada com a conversa, já a morena estava começando a se arrepender de ter perguntado sobre as coisas loucas que a amiga da Corvinal falava.

Os professores finalmente haviam chegado, aparentemente estavam em reunião, pois todos entraram no Salão ao mesmo tempo. Dumbledore permaneceu de pé e fez um aceno para que o banquete iniciasse. McGonagall parecia estar tentando fazer Snape concordar com algo, provavelmente estavam combinando os dias dos testes do time de quadribol de suas casas, já que a professora Sprout e o professor Flitwick já haviam reservado o campo para os testes na próxima semana. Após uma longa conversa entre os dois diretores de casa mais cabeça-dura, finalmente pareceram chegar num acordo. Um pergaminho enrolado por uma fita dourada apareceu diante de Harry e o garoto abriu. Depois de ler, passou o pergaminho para Ginny e Lívia lerem e as duas assentiram. Ron que já havia lido, pois estava sentado ao lado de Harry, congelou por um instante.

Hermione estalou os dedos diante dos olhos do amigo e ele finalmente pareceu voltar à realidade, mas não disse nada a respeito do assunto. Ginny e Harry olharam preocupados para Ron, já que os testes seriam em dois dias e ele tinha que estar tranquilo, caso contrário seria um desastre.

Hermione que estava sentada ao lado de Ginny, cutucou a amiga e indicou Lívia. As amigas se entreolharam com curiosidade, pois a morena olhava para a mesa dos professores com muita atenção, parecia encarar Becky, mas a professora estava muito entretida numa conversa que estava tendo com Hagrid.

- Lívia, o que você ta olhando?

A garota virou-se assustada, por um momento esquecera que estava com as amigas por perto.

- Ah, é que... Quer dizer, nada não. – disse e logo mostrou um sorriso envergonhado. – Desculpem, estava apenas lembrando da minha mãe.

Hermione e Ginny ficaram sem jeito.

- Por falar no assunto... Vocês não nos contou muito sobre sua mãe, e o que ela faz? – Hermione perguntou curiosa e também tentando quebrar o clima tenso que surgiu.

- Minha mãe?

- Humrum.

- Ela ainda está no Brasil, por enquanto só eu e meu pai viemos. Ela ficou cuidando da minha tia, que estava muito doente esses dias.

- Oh, desculpe. – falou Hermione.

- Não tem problema.

O banquete acabou, então os cinco foram para a Sala Comunal juntos, Hermione subiu para pegar seus livros de Aritmancia e Runas, pois tinha um trabalho para fazer. Ron também foi ao dormitório, mas lá mesmo ficou, ainda estava muito tenso depois da marcação do teste de quadribol. Lívia disse que havia esquecido algo na biblioteca e saiu para buscar, antes que Madame Pince fechasse,

Só sobraram Harry e Ginny por alguns poucos minutos, e a ruiva tinha que aproveitar.

- Harry...

- Ginny, escuta. Sei que está chateada por eu estar envolvendo com esse tipo de coisa, mas eu preciso saber mais...

- Sobre a morte do Sirius. Eu sei que você precisa entender a morte dele, deve ser realmente muito difícil para você.

- Não quero que ninguém sinta pena de mim. Não preciso disso.

- Não fique irritado, caramba. Tô tentando ajudar.

- Ajudar? Por que você se meteria com isso, se detesta tanto que eu me envolva nesse assunto?

Harry estava sério, mas percebeu o rosto da ruiva corar sem que ela mudasse a feição irritada.

- Tenho meus motivos, Harry.

Um clima tenso atingiu a atmosfera em volta deles. Ginny escreveu em um papel e o entregou. "Amanhã, na biblioteca, às 17hrs.".

- Mas porque na biblioteca? – Harry cochichou e Ginny mandou-o ficar calado, ao mesmo tempo em que indicava os dormitórios. Ron e Hermione desciam as escadas. A garota com vários livros na mão e ele com seu pergaminho na mão, pois eles tinham que fazer um dever de Transfiguração para o dia seguinte.

- Para que tantos livros, Mione? Você não ia estudar apenas Runas e Aritmancia? – a ruiva perguntou desconfiado.

- E vou. – jogou os livros na mesa em frente à lareira, onde sempre ficavam. – Esses outros três aqui são para você.

A ruiva ergueu as sobrancelhas.

- Ah, não. Mal começou o ano e você já está me atolando de livros? – protestou a ruiva.

- É maninha, agora é a sua vez de sofrer nas mãos da Mione.

- Qual é, Mione? Você não tem que me tratar do mesmo jeito que os trata. Ao contrário deles, tiro muitas notas boas.

Os meninos fecharam a cara e ficaram encarando a garota.

- Eu sei que você é melhor que eles... E sei que se eles conseguiram, você com certeza vai. – Mione sorriu. – É só para você ter outras fontes.

- Ei! Nós ainda estamos aqui. – os dois disseram indignados, as meninas apenas lançaram um olhar a eles e voltaram a conversar.

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- Aonde pensa que vai? – Becky saiu de trás de uma estátua. Estava de braços cruzados e com uma expressão ameaçadora.

- Professora, eu apenas estava indo pegar um livro que esqueci na biblioteca.

- Pare com esse teatrinho, Lívia. – disse se aproximando aos poucos. – Não tem ninguém nos observando.

- Ok. Então o que quer comigo? – a garota assumiu uma postura firme.

- Quero saber o que está aprontando...

- Não estou aprontando nada.

- Sei que sua mãe não está aqui na Inglaterra...

- Você me perseguiu, foi isso?

- Não querida, meu assunto aqui é muito mais importante do que você, mas eu te conheço e sei do que é capaz.

- Você não tem família, Becky. Por isso, não comece a falar da minha.

- Se tenho família ou não, isso é problema meu, garota..

Os ânimos estavam se exaltando e Lívia por reflexo, colocou a mão no bolso e segurou a varinha. Mas mais uma vez, Becky era a professora e ela a aluna, a única acusada de algo seria ela.

- Nem pense em fazer isso. Você sabe que está em desvantagem e certamente estragaria o plano e sua mãe ficaria muito brava, não é? – disse em tom ameaçador.

- Não comece de novo...

As duas se encararam por 1 ou 2 minutos, sem dizes uma mísera palavra, até que Becky quebrou o silêncio.

- Ficarei de olho em você. Não esqueça. – e saiu.

Lívia ficou ali, apenas olhando a mulher desaparecer ao fim do corredor.

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- Hermione, me deixaeu olhar sua redação de Transfiguração, vai... – apelou o ruivo.

- Ron, será possível que você nunca vai aprender a se organizar?

- Ah, nem vem. O Harry só terminou antes porque tem que fazer um pergaminho a mais que a gente, por ter enfrentado Snape.

- Ei, agora ta me acusando? – perguntou Harry em sua defesa.

- Eu sei que não é difícil aborrecer o Snape, mas o que você aprontou dessa vez?

- Apenas enfrentei-o. – disse com desconsideração.

Ginny lançou um olhar à Hermione como quem pergunta: "Foi só isso mesmo?", e Hermione respondeu em um gesto que queria dizes: "Depois te explico". Logo em seguida ela levantou e recolheu com dificuldade, todos os livros que Hermione tinha lhe emprestado.

- Para onde você vai?

- Primeiro vou subir para guardar esses livros que Hermione me emprestou e depois vou passar na biblioteca antes de ir me encontrar com o Dean.

Quando a garota mencionou a biblioteca, Harry ficou apreensivo, pois temia o que Ginny estava aprontando. Ela era bem esperta para aprontar qualquer loucura sem ninguém desconfiar dela. Talvez até fosse bom mesmo a as ajuda, já que ele não tinha o mesmo talento. O único talento que todos reconheciam nele era o de se meter em confusão.

À menção do nome de Dean, Ron ficara totalmente vermelho e Harry podia jurar que o amigo estava xingango mentalmente, o namorado da irmã. Ginny aparentemente se controlava para não cair na gargalhada, e a um olhar de censura de Hermione, a ruiva se retirou;

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Estava na última prateleira, da última divisão da biblioteca. Pelo menos era lá que ela tinha o deixado há 4 anos. A menos que mais alguém tivesse se interessado por possessões ou portes ou qualquer outro tipo de magia avançada, o livro ainda estaria ali.

Foi passando o dedo pelas laterais dos livros e lendo os títulos bem devagar, pois não lembrava exatamente o nome, mas sabia que reconheceria se o lesse. Além do que, o livro era de um tom de roxo sinistro e... Seus dedos pararam numa superfície um pouco áspera.

Por mais que pouquíssimas pessoas freqüentassem aquela sessão, olhou atentamente para todos os lados, conferindo se tinha alguém por perto. Vendo que não tinha ninguém ali, puxou o livro da estante e abriu-o ao mesmo tempo em que sentava em uma mesa que havia do lado da estante.

O livro ainda trazia lembranças ruins. Logo todos os momentos terríveis daquele ano passaram como um filme em sua mente. As noites em que acordava em sua cama com as mãos e as vestes ainda sujas de sangue e sem lembrar-se de nada. Quando foi presa na Câmara, a única coisa que lembrava era de ter ido até o banheiro da Murta-Que-Geme, e mais tarde acordar na Câmara com a mão de um Harry ferido, sobre a sua.

Fechou os olhos e respirou fundo. Harry. O que ela estava procurando ali era algo para ajudar Harry. Começou a folhear o livro à procura de qualquer ligação com o véu negro do Ministério, como o livro era bem grosso, procurou logo no índice algum capítulo que talvez falasse sobre o assunto. Achou 3 possíveis capítulos.

Antes de começar a ler essas páginas, Ginny tomou uma medida de segurança. Tirou um pergaminho velho de dentro do bolso e tocou-o com a varinha, dizendo: "Juro solenemente que não vou fazer nada de bom". O pergaminho logo se desdobrou mostrando o mapa de Hogwarts. Ali estava um pontinho com o seu nome na última sessão da biblioteca. Algumas poucas pessoas ainda estavam ali, pois em pouco tempo Madame Pince estaria expulsando todos para fechar a biblioteca. Procurou pelo ponto de Harry, e ainda aprecia na Sala Comunal, acompanhado por Ron e Mione. Dean estava num corredor do sétimo andar, sozinho. Dean. Tinha esquecido que ia se encontrar com ele, olhou para o relógio e por sorte não estava muito atrasada. Tocou o mapa dizendo: "Mal feito feito" e guardou o livro e se retirou da biblioteca indo encontrar o namorado.