Cartas

Capítulo Onze

A semana passou agitada e cansativa para os marotos, já que as noites eram em claro e os dias em aulas. Eles já estavam acostumados a virar noites seguidas, mas se revezavam quando o cansaço era forte. Pelo menos não tinham treinos de quadribol naquela semana.

James escrevia para Lily toda tarde antes do pôr-do-sol e só recebia sua resposta no dia seguinte. A conversa, em razão disto, ficou lenta, mas nem por isso perdeu o romance. Muito pelo contrário, o clima romântico estava em alta com a proximidade do Baile. James sentia que ela estava ansiosa por encontrá-lo pessoalmente.

Porém o que o deixou mais feliz durante a semana foi sentir o clima embaraçoso que se estabelecera entre eles pessoalmente. Talvez ela ainda nem tivesse percebido, mas ela já havia baixado o muro de proteção coberto de raiva existente entre eles. Era engraçado ver como agora ela corava não de raiva, mas de vergonha, quando ele falava com ela. E até mesmo ria, mesmo que sarcasticamente, quando ele insistia para que ela deixasse seu acompanhante para ir com ele ao baile.

Reparava que, enquanto através das cartas ela se entregava ao romance com Prongs, pessoalmente ela ainda estava na fase de negação, completamente reprimida e envergonhada, embora não percebesse. Já estava chegando a hora de contar tudo para ela.

No sábado os marotos dormiram praticamente o dia inteiro, tirando o sono atrasado. Acordaram apenas para as refeições.


- Fala a verdade, pode admitir. – dizia Annabelle, enquanto penteava os cabelos castanhos – Você não pensou nem por um segundo em ir com James pro baile?

- Você pirou, Belle? Claro que não! – respondeu, ajeitando seu vestido – Eu vou conhecer Prongs hoje!! Esqueceu?

- De jeito nenhum, Lily. – Annabelle sorriu para si mesma no espelho.

Apesar da resposta negativa, Lily assustou-se por perguntar a si mesma se realmente não tinha chegado a pensar nisso. Precisava admitir que tinha sim sentido aquele clima diferente que suas amigas tinham lhe falado.

A semana fora extremamente estranha para ela. Por um lado, recebia cartas fofas diariamente do seu príncipe encantado, lhe dizendo o quanto estava feliz por levar sua princesa ao Baile de Máscaras. Cartas estas que a faziam suspirar freqüentemente. Por outro lado, sentia seu rosto corar toda vez que Potter lhe parava na entrada da aula, ou no corredor, ou simplesmente sorria para ela. Eles já não mais brigavam e ela estava sendo mais paciente e tolerante com os convites dele para sair. Até mesmo achava engraçada a insistência dele. Era como se tivesse duas vidas paralelas, uma em um conto de fadas e outra na realidade.

- No que está pensando? – perguntou Annabelle, parando na frente dela.

- Nada demais. – respondeu, balançando a cabeça negativamente.

- Deve ser um "nada" bem engraçado, porque você estava sorrindo.

- Belle, já estamos atrasadas! Você quer nos atrasar ainda mais? – ela disfarçou – Já está ficando tarde!

- Tudo bem, Lily, eu vou deixar passar essa.

Ao terminarem de se arrumar, Belle pegou a coroa dourada e a colocou delicadamente sobre os cabelos ruivos de Lily.

- Pronto, agora você está uma princesa de verdade. – disse Annabelle, olhando para a amiga, que vestia um belo vestido branco acinturado na parte superior e armado na parte inferior, exatamente como os vestidos de antigamente.

Sorridentes, elas desceram as escadas e chegaram à sala comunal.

- Uau! – ela ouviu uma voz masculina dizer e desfez o sorriso subitamente, envergonhada.

James Potter estava lá. Trajava uma clássica vestimenta da Idade Média, em tons de vermelho. Trazia a máscara nas mãos, daquelas que possuem haste para segurar, provavelmente por causa dos óculos.

Lily também ainda não estava com sua máscara branca que envolvia os olhos, a segurava na mão.

- Onde está Sirius? – perguntou Annabelle, chamando atenção para si e quebrando o contato visual dos dois.

- Descendo. – respondeu James, apontando para as escadas.

- Boa noite, meninas. – disse o maroto de cabelos negros, cujo traje se assemelhava ao de James, porém em tons de prata e preto. Já usava sua máscara negra.

- Ótimo! Então vamos!

Annabelle, com seu vestido pomposo de Idade Média e máscara azuis, segurou o braço de Sirius e o puxou em direção ao quadro da Mulher Gorda. A ruiva ia segui-la, mas foi parada por James.

- Lily, espere. – ele chamou, segurando-a delicadamente pelo pulso, o tom de voz sério – Eu vou sozinho ao baile, só queria que soubesse que estarei lá, caso mude de idéia. – terminou com um sorriso brincalhão.

- Eu não vou mudar de idéia e você sabe disso. – ela respondeu – E você não vai ficar sozinho no baile.

- Você quem sabe. Posso ao menos te acompanhar?

Ela respirou fundo, percebendo que só encontraria Prongs no Baile em si.

- Tudo bem. – respondeu, colocando sua máscara.

Ele estendeu o braço, o qual ela segurou.

- Alguém já te disse que você parece uma princesa? – perguntou sorridente.

- Já. – respondeu também sorrindo.

Lily se sentiu estranha andando segurando o braço de James Potter. Se precisasse descrever a alguém em um palavra, ela diria que se sentiu "incomodada", porque nervosismo combinado com uma situação embaraçosa, corando diante de olhares curiosos, a deixaram incomodada. Por outro lado, era engraçado se sentir um troféu, o qual ele carregava de maneira ostentosa e, ao mesmo tempo, delicada.

Na entrada do baile, porém, ela soltou o braço de Potter.

- Eu continuo sozinha daqui. – disse para ele.

- É claro, Lily. – ele respondeu, antes de entrar.

Sirius e Annabelle já haviam entrado. Lily parou na porta, segurou seu vestido para não correr o risco de tropeçar pelo nervosismo, olhou para toda a sala – vendo apenas roupas de época e rostos mascarados – e deu apenas um passo para frente.

Viu que Annabelle disse algo no ouvido de Sirius e depois correu até ela.

- O que está fazendo parada aqui, vamos logo! – disse Belle.

- Eu estou nervosa. E se ele não vier? E se vier e eu não gostar dele? E se der tudo errado??

- Calma, Lily, vai dar tudo certo, confie em mim.

A expressão de Lily mudou completamente. Estreitou os olhos para a amiga. Era a segunda vez que sentia que ela lhe escondia algo.

- Confiar em você? Como você pode saber se vai dar certo? Belle, se você sabe de alguma coisa que eu não sei, é melhor contar logo...

- Eu sinto que tudo vai dar certo! Lily, vocês se correspondem há semanas! Quase dois meses! É claro que tudo vai dar certo! E é claro que vai vir!

Respirando fundo, Lily foi com sua amiga até a parte mais movimentada do Baile de Máscaras, saindo finalmente da porta, que mais lhe parecia uma rota de fuga.


James se afastou com Sirius, conforme o combinado, enquanto Annabelle iria distrair Lily para que não percebesse James saindo do baile.

- Cara, você é maluco. – disse Sirius – Mas vai lá, boa sorte.

- Obrigado, Padfoot!

Os dois se cumprimentaram com nada leves tapas nas costas e James saiu discretamente. Em uma passagem secreta próxima, o maroto transfigurou sua roupa rapidamente, uma vez que já havia deixado tudo pronto para isso. Transfigurou seus óculos em uma máscara branca que envolvia os olhos, parecida com a de Lily, porém menos delicada, com um traçado mais forte, e aplicou um feitiço de invisibilidade nas lentes para o vidro não refletir. Arrumou o cabelo, partindo-o de lado e deixando-o magicamente molhado, pois seco ele invariavelmente ficava arrepiado, depois de tantos anos desarrumando-o. Sua roupa possuía ombreiras que o deixavam mais alto.

Copiara um traje de príncipe no estilo marinheiro, típico dos contos de fada trouxa: calça preta com listras douradas verticais nas laterais, blazer branco fechado com grossos botões e gola dourados, assim como as ombreiras com franjas e um cinto, também dourado, por cima do blazer na altura da cintura. Luvas e máscara brancas.

Cuidadosamente saiu de seu esconderijo secreto e entrou no baile. A música ambiente também seguia o estilo de época e, com ela, também a dança. Mais animada do que uma valsa, mas ainda assim uma dança de casal.

Respirou fundo e foi até ela.

- Boa noite, minha princesa. – disse para ela, disfarçando a voz em um tom mais grave.

Viu as sobrancelhas subirem e os olhos dela se arregalarem, deixando o verde se sobressair ainda mais.

- Prongs. – ele não soube dizer se fora uma afirmação ou uma pergunta, mas balançou a cabeça afirmativamente.

Ofereceu a mão a ela, que a aceitou.

- Você está linda, princesa. – ele disse ao seu ouvido, quando ela deu um passo a frente.

- Obrigada. – foi tudo o que ela conseguiu responder, travada pelo nervosismo.

- Vai dançar! – disse Annabelle, encorajando a amiga e dando-lhe um empurrão.

James riu. Viu a morena dizer algo no ouvido da ruiva, que corou, e sair animada.

- Então vamos? – perguntou ele.

Ela apenas concordou com a cabeça e o seguiu até a pista de dança. James passou a mão pela cintura dela e sentiu que ela retraiu os músculos. Segurou a mão dela com a outra mão e começou a conduzi-la.

- Relaxa, Lily. – pediu, ao ouvido dela.

Notou que nem seria difícil disfarçar, posto que ela mal o encarava nos olhos. De qualquer forma, mantinha uma postura mais formal, oposta a sua postura descontraída de sempre. Apenas ao final da segunda dança ela começou a relaxar. Então ela olhou para ele e para a máscara dele.

- Você não pretende me deixar ver quem você é hoje, não é mesmo?

- Você me conhece melhor do que qualquer pessoa no mundo, com ou sem essa máscara.

- Por acaso você usou magia pra se disfarçar?

- Lily, eu não tomei nenhuma poção Polissuco, não se preocupe. Não sou o diretor Dumbledore disfarçado!

Ela riu.

- Nem nenhum idiota brincando com você. Estou aqui porque quero estar com você.

Lily olhou nos olhos castanhos dele, brilhando de intensidade e sinceridade.

- Pode confiar em mim. – ele disse.

- Que bom, – ela sorriu – porque eu não costumo sair com desconhecidos e essa situação é muito estranha.

- Eu também não costumo fazer isso, mas me sinto bem confortável com você nos meus braços.

A garota sentiu seu sangue esquentar no rosto, tinha certeza de que havia corado. Seu coração continuava a bater agitado em seu peito. Ele parecia mesmo ter saído de um conto de fadas. Seu conto de fadas pessoal. Aquela noite parecia mágica. Tinha a sensação de que estava dormindo e que acordaria na sua cama a qualquer momento. Aquela roupa, a postura, a voz, ele era exatamente como havia imaginado. Mas ainda parecia irreal. Queria saber o que havia por trás de tudo isso. Queria saber quem estava por trás de tudo isso. Tinha a impressão de que não descobriria isso naquela noite. Sentiu uma vontade súbita de arrancar a máscara do rosto dele rapidamente para ver quem era, mas não podia fazer isso, chegou a rir com esse pensamento.

- O que foi? – ele perguntou.

- Estava pensando em arrancar sua máscara. – ela confessou, ainda rindo.

Viu que os olhos dele se arregalaram.

- Mas não se preocupe, não vou fazer isso.

- Ainda bem, pois eu tenho bons reflexos e te impediria, aí lutaríamos o resto da noite pela máscara no meu rosto. Já imaginou? Nós dois lutando no chão da pista de dança em meio ao baile.

Eles riram.

Mais uma dança se passou e os olhos dele ficaram tristes.

- Eu tenho que ir, princesa.

- Por quê? – perguntou Lily, sem soltá-lo.

Ele apenas a encarou, as sobrancelhas arqueadas, como se ela soubesse a reposta. E, de fato, ela sabia.

- Por que se ficar muito tempo comigo eu vou acabar descobrindo que você é?

- Isso mesmo, Lily. Eu sinto muito. Ainda não está na hora.

- E quando vai estar, Prongs?

- Espero saber quando for a hora. – ele riu, vendo-a boquiaberta, então completou – Está quase lá.

O príncipe beijou suavemente a testa dela, a soltou, fez uma reverência e se afastou. Ela o acompanhou com o olhar até ele sair do baile. Logo duas de suas amigas se aproximaram perguntando quem era ele. Lily respondeu que não sabia. Triste, ela procurou Annabelle. A encontrou na parede mais ao fundo do baile, aos beijos com o mascarado Sirius Black. Achou melhor não interromper. Ia se virando para sair quando ouviu sua amiga gritar seu nome.

- Oh, meu Merlin, você está bem? – perguntou Belle, se soltando dos braços do outro e indicando que ele as deixasse sozinhas.

Annabelle abraçou Lily, que parecia prestes a chorar.

- Ele foi embora e eu continuo sem saber quem ele é.

- Oh, querida, fica calma, logo você vai saber.

Lily, cujas lágrimas molhavam o ombro da amiga, engoliu em seco e se afastou, lançando um olhar sério para a outra.

- Lily, eu sou sua amiga! É minha função te convencer de que tudo vai dar certo! – defendeu-se Annabelle, antes mesmo que a outra a acusasse – E eu realmente acho que vai! Esse cara, seja lá quem ele for, te adora! Dá pra ver isso pelas cartas! Agora me conta, como foi?

- Foi lindo. – a ruiva tinha um sorriso sonhador – Como num conto de fadas. Ele falou pouco, mas daquele jeito gentil dele.

- E como foi o beijo?? – a outra parecia ansiosa para saber isto, mas desfez o sorriso animado ao ver a expressão branca de Lily.

- Não houve beijo. Ele só beijou minha testa antes de ir.

- Não acredito! – o maxilar de Belle estava mais do que aberto, estava escancarado.

- É, eu sei, eu também não acredito. Mas estava tudo tão mágico que eu não tive coragem de...você sabe...

- De ser como eu. – Annabelle riu, depois voltou a ficar séria – E agora? Você quer ir embora?

- Não, vou ficar mais um pouco.

- Isso aproveita a festa. – incentivou – Vamos ao toilet lavar esse rosto, retocar a maquiagem e nos divertir!

E foi isso que elas fizeram. Lily riu muito em frente ao espelho no toilet dos comentários da outra sobre Sirius, sobre a festa e sobre as demais pessoas. Logo elas voltaram e dançaram com as outras meninas. Mas em uma determinada hora as músicas agitadas deram lugar a uma valsa e Sirius convidou Belle para dançar. O mesmo aconteceu com todas as garotas. Lily sentiu aquela tristeza tomar conta novamente. Assustou-se quando falaram com ela.

- Você não vai ficar aí sozinha o resto da noite, vai? – perguntou Potter, sorrindo gentilmente, com seu traje vermelho chamativo, o cabelo despenteado e o único sem máscara naquela noite.

Lily apenas abriu um rápido sorriso sem graça.

- Não, não vai. – ele mesmo respondeu, estendendo a mão para ela.

Ela olhou para a mão dele e surpreendeu-se com a vontade de aceitar.

- É só uma dança – ele disse – eu prometo me comportar.

Ela sorriu e aceitou a mão dele. Seria bom dançar com alguém se máscaras, pra variar. Logo foi puxada para a pista de dança. Ele a fez girar e depois a segurou firme pela cintura. Bem diferente da dança anterior, mas nem por isso ruim.

- Se divertindo hoje, Lily?

- Sim. – se limitou a responder.

- Eu também. – ele sorriu pra ela e Lily finalmente entendeu porque a ala feminina de Hogwarts se derretia com aquela sorriso – Mas não como agora.

Ele soltou a cintura dela e a fez girar novamente, para depois voltar a segurá-la firmemente. A garota não conseguiu conter os olhos arregalados de admiração.

- O que foi? Está surpresa também por eu saber dançar? Eu sei, Lily, eu não paro de te surpreender.

Ela riu.

A dança foi divertida e Lily até mesmo se esqueceu de Prongs. Ficar perto de Potter tinha esse efeito sobre ela, acabava não conseguindo se concentrar em mais nada ou ninguém.

Apesar de o Baile ainda estar cheio, estava chegando ao fim. A última música foi anunciada sob sons de protestos.

- Sabe, Lily, você devia me dar uma chance. – começou ele – Eu gosto de você.

Lily sentiu seu coração se acelerar como nunca tinha sentido antes. Primeiro sentiu o sangue sumir de seu rosto, deixando-a pálida, logo em seguida sentiu o sangue fervendo correr pelas suas veias e seu rosto corar.

- Sai comigo amanhã? – pediu ele – Eu queria conversar com você. Só nós dois.

A garota engoliu seco.

- Amanhã? – sentia-se como se estivesse em pânico, os músculos tensos prontos pra fugir.

- Ou sábado que vem, se você preferir.

Ela não sabia o que dizer. Realmente não sabia o que responder. Ele sorriu.

- Pelo o que te conheço, você já teria respondido se fosse dizer "não".

Lily corou ainda mais.

- Você tem uma semana pra se acostumar com a idéia ou recusar o convite. – disse o sorridente maroto.

Mas Lily sabia que não iria recusar. E isso era o que mais a assustava.

Então a música terminou e o baile foi dado por encerrado. James ofereceu o braço a ela, como um cavalheiro.

- Eu te trouxe ao baile, nada mais justo que a acompanha na volta.

- Certo. – ela respondeu somente, olhando para Annabelle e Sirius e vendo que eles não iriam logo para a Torre da Grifinória.


James aparentava uma calma que não possuía. Só ele sabia como estava tenso, com medo de fazer ou dizer algo que arruinasse sua noite com Lily. Enquanto a multidão se dispersava pelo castelo e poucos seguiam como eles para a torre, teve vontade de contar tudo a ela, ali mesmo no corredor, sobre as cartas, sobre ele, sobre Prongs, sobre tudo! Mas achou melhor conversar a sós com ela. Seria bom também deixá-la digerir essa noite, a primeira vez que esteve com Prongs e a primeira vez em que deixou James se aproximar. Contar a verdade agora poderia não só deixá-la irritada, como confusa.

Ela, por outro lado, estava visivelmente nervosa. E isso era um ótimo sinal para ele. O tempo todo em que esteve com ela naquela noite sendo ele mesmo, ela tinha reagido positivamente. Ela estava pronta pra saber a verdade. Já não detestava mais James Potter. Pelo contrário, sentia que ela estava começando a gostar dele. De verdade. Precisou se controlar para não sair correndo e pulando de felicidade.

Já na sala comunal, James ia se despedir dela ao lado da escadaria do dormitório quando notou que ela queria lhe dizer algo, apesar de incerta quanto a isso. Ele parou e esperou que ela dissesse.

- Na aula de herbologia – começou ela – foi você, não foi?

Ele abriu um sorriso tão grande que parecia que iria rasgar os cantos da boca.

- Sim, eu congelei a planta.

- Então – ela o encarava, pensativa – foi você quem me salvou, não o Remus.

- É... mas ele ajudou. – James riu.

E ela também.

- Há um tempo atrás eu nunca teria imaginado que um dia iria dançar com você, sair com você ou ser salva por você!

- É, as coisas mudam. As pessoas mudam. E é por isso que eu te peço uma chance, pra mostrar que eu mudei.

Os dois permaneceram estáticos, se entreolhando, por um segundo que durou uma eternidade. A proximidade era tanta que ele podia sentir o cheiro do perfume, a respiração descompassada e até mesmo a pupila dilatada minimizando o verde nos olhos dela.

James estava se controlando o máximo possível, mas todo esse controle não foi o suficiente para conter seu impulso de se inclinar e encostar seus lábios nos dela. Percebeu que ela não se moveu e então desistiu totalmente de se controlar: passou a mão direita pela nuca dela e a esquerda pela cintura e a beijou profunda e demoradamente. Sentiu que, um segundo depois, as mãos dela o envolveram e foram parar nas suas costas enquanto ela correspondia ao seu beijo.

Não queria beijá-la antes de contar tudo, mas foi inevitável. E maravilhoso.


N/A: Sinto decepcioná-los, mas não estava nos meus planos que a Lily o reconhecesse no baile. ;P

Pra quem não reconheceu, a roupa dele é a do príncipe da Cinderela.

Espero que tenham gostado do Baile de Máscaras!

Eu tenho postado com freqüência, mas não sei se o próximo capítulo vai ser tão rápido! rs

Feliz Ano Novo!

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