Capítulo 10 – A sinfonia de um beijo
"Vem reviver o desejo na sinfonia de um beijo"
As lágrimas salgadas deslizavam pela minha cara, misturando-se com as gotas da chuva que começara a cair.
Não me importava com a chuva… não me importava sequer que todo o meu corpo tremesse de frio… apenas me importava aquela dor… toda aquela dor no meu peito.
Deus! Como fora difícil dizer adeus a Mamoru… Como fora difícil não fraquejar com as suas palavras… como fora difícil ignorar o seu beijo…
Não sabia dizer há quanto tempo estava ali, sentada naquele banco, a chuva caindo sobre a minha cabeça, os lágrimas correndo livremente.
A chuva parou de cair. Senti uma mão no meu queixo, levantando a minha face, e deparei-me com aqueles olhos azuis tão familiares.
- Usa?! Que fazes aqui à chuva?
Seiya cobria-me com o seu chapéu e olhava directamente nos meus olhos, com ar preocupado. Soltei-me da sua mão e baixei novamente a cabeça. Não queria que ele me visse assim… Não queria que ninguém me visse.
Seiya não disse mais nada, apenas pegou suavemente na minha mão, e começou a andar, puxando-me com ele. Deixei que me abraçasse enquanto nos dirigíamos onde quer que fosse.
Todo o percurso foi feito em silêncio, e eu agradeci por isso. Chegámos a um prédio e entrámos no elevador. Este parou e deu acesso a um espaçoso apartamento.
Olhei à minha volta. O apartamento era bonito e estava bem mobilado. Vários quadros enfeitavam as paredes do hall de entrada, que estavam pintadas com cores suaves. Aquele devia ser o apartamento de Seiya.
Olhei para o lado e vi que Seiya me olhava, carinhosamente.
- Bem-vinda à minha casa, Usa. Queres beber alguma coisa? Sumo? Água?
- Não, obrigada. – declinei, tentando sorrir, mas os meus lábios pareciam não querer obedecer à ordem do cérebro. Senti novamente as lágrimas e fechei os olhos, abaixando a cabeça.
Braços rodearam os meus ombros e a minha cabeça foi cuidadosamente encostada contra um peito forte. Abri os olhos, surpresa. Olhei para cima, e vi Seiya encarando-me com tanta ternura que o meu coração deu um salto no meu peito.
- Sei… Seiya – tentei falar.
- Shhhh – ele disse, pondo um dedo sobre os meus lábios. – Não digas nada Usa. Apenas… não contenhas mais as lágrimas. Chora. Chora até sentires que não tens mais nada para deitar cá para fora.
Foi só ele dizer essas palavras, e as minhas lágrimas começaram novamente a cair, como se tivessem vontade própria. Chorei, chorei muito. Chorei deitando cá para fora toda aquela dor, todo aquele sofrimento preso no meu peito. Chorei enquanto Seiya murmurava palavras de conforto no meu ouvido. Chorei até que a última lágrima caiu dos meus olhos, não deixando espaço para mais nenhuma.
Seiya levantou o meu queixo e olhou-me directamente nos olhos.
- Mais calma? – falou com um sorriso sereno nos lábios. Acenei afirmativamente e ele limpou os rastos das lágrimas da minha cara, detendo-se nos meus lábios. Vi que mordeu os lábios, antes de se inclinar sobre mim e depositar um suave beijo na minha testa.
Respirou profundamente antes de abrir os olhos e voltou a olhar para mim.
- Queres contar-me o que se passa?
- E-eu…
- É aquele rapaz, o Mamoru, não é? – perguntou.
Olhei para ele surpresa. Como é que ele sabia?
- Como é que sabes? – murmurei.
- Vejo a maneira como o olhas, Usa. E também a maneira que ele olha para ti. Vejo todos aqueles sentimentos presentes na vossa troca de olhares. Vejo que são feitos um para o outro… - a sua voz fraquejou com estas palavras.
- N-nós… Nós não podemos ficar juntos – disse tristemente.
- Não? Porquê? – Seiya parecia surpreso.
- Há outra pessoa na vida dele.
- Usa. Amas esse rapaz?
Baixei a cabeça e assenti levemente.
- Achas que ele sente o mesmo?
Assenti novamente.
- Então luta por ele, Usa. Não deixes que o vosso amor se perca. Não sejas cobarde. Não sejas cobarde ao ponto de fugires dos teus sentimentos e depois perderes aquele que amas. Não deixes a felicidade escapar-te por entre os dedos. Não faças como eu… - olhei para Seiya e vi uma grande tristeza invadir os seus olhos.
- Desculpa. – foi a única coisa que consegui dizer.
- Não peças desculpa. Apenas… sê feliz. Isso a mim chega-me – um pequeno sorriso surgiu nos seus lábios.
Abracei-o fortemente.
- Obrigada. Muito obrigada Seiya. Por tudo.
- Vai. Vai atrás dele, Usa. Vai atrás da tua felicidade.
Dei-lhe um último abraço e um sorriso sincero. Em seguida saí do apartamento. Estava escuro na rua e a chuva ainda caía. Mas não me importava.
Comecei a dirigir-me para o sítio onde encontraria Mamoru. Sabia onde ele estava. O meu coração guiava-me, ensinava-me o caminho até ele.
"Luta por ele… Não deixes a felicidade escapar-te por entre os dedos" – as palavras de Seiya ecoavam na minha cabeça.
- Sim! Vou fazer isso. Vou agarrar o Mamoru e nunca mais o largar – falei alto, rindo.
Cheguei ao parque. Vi ao longe dois vultos. Um carro passou nesse momento e a luz iluminou-os. Era difícil distinguir as silhuetas por entre as gotas da chuva, mas sabia que eram Mamoru e Kakyuu. Percebi que estavam a despedir-se.
Depressa Mamoru ficou sozinho e vi Kakyuu a vir na minha direcção. Pareceu reparar em mim.
- Deves ser "ela" – disse calmamente.
- Eu… - tentei falar, apesar de não saber o que poderia dizer.
- Sshhh… Não precisas de dizer nada. Não precisas de te justificar. O Mamoru é só teu agora. Na verdade, creio que nunca me pertenceu realmente.
Não consegui dizer nada. Apenas encarei os seus olhos, sentindo uma estranha ligação entre nós. Num impulso abracei-a. Kakyuu ficou surpresa com a minha reacção, mas retribuiu o abraço.
- É muito nobre da tua parte abdicares assim da pessoa que amas – falei de encontro ao seu ombro.
- Sei que ele será feliz contigo. És uma pessoa muito especial. Percebo o porquê dos sentimentos do Mamoru por ti.
Sorri e ela retribuiu o sorriso. Em seguida apontou com a cabeça para Mamoru, incitando-me a ir até ele, e seguiu o seu caminho sem mais palavras. Olhei para ela uma última vez e um sorriso terno surgiu na minha face.
Caminhei até Mamoru. O meu coração a bater mais forte a cada passo. Ele olhou-me e senti todas aquelas sensações de quando os nossos olhares se encontraram pela primeira vez percorrerem o meu corpo.
- Voltaste. – ele disse.
- Sim.
- De vez?
- Para sempre! – sorri, enlaçando-o pelo pescoço.
Mamoru riu e pegou em mim ao colo, andando comigo à roda. O meu coração batia fortemente, e senti o dele a bater ao mesmo ritmo.
Os nossos lábios encontraram-se e senti novamente aquela música que ecoava nos meus ouvidos a cada beijo. A melodia das nossas emoções, dos nossos sentimentos. A sinfonia de um beijo.
Fim
Bem, parece que é o fim, não é? «limpa a lágrimazita» Muito obrigada a todos que acompanharam esta fic. Mesmo aqueles que não deixaram reviews. Agradeço do fundo do coração :D É tão bom para uma pseudo-escritora de fics ver que o seu trabalho é apreciado Espero que gostem deste fim.Por enquanto ainda não pensei em escrever mais alguma fic... Mas quem sabe um dia. Espero, também aí, poder contar com o vosso apoio. Obrigada mais uma vez. Beijokas a todos :D
Agradecimentos:
oOBeatrizOo - a primeira pessoa a enviar-me uma review! Obrigada :D
Lilly Angel88 - adoro a fic desta garota :D Obrigada por acompanhares a história, e espero que gostes deste fim
Lunnaris – acompanhou do inicio ao fim! Brigada Lunnaris/o/
Mari- Obrigada por todas as reviews ;)
Anokas2757 - a minha Anokas, a primeira pessoa a ler a fic, e uma das que sabem de tudo o que está por detrás dela. Espero que gostes do "final feliz" que eles tiveram
Hannah Burnett - obrigada por acompanhares
Cris - espero que este final seja do teu agrado
Izayoi-chan - muito obrigada :D
Joyce.Mamoru – Obrigada por acompanhares e pelas reviews
Fran - Muito obrigada! Gostei mesmo muito das tuas reviews ;)
Paula – Muito obrigada por acompanhares (começo a repetir-me xD)
NanaOnix - Céus! Eu quase tive um treco quando vi que tinha uma review tua! A escritora da minha fic preferida a deixar-me uma review!!! Quase que morri mesmo! xD Bahhh… Tenho que ver se arranjo um tempinho para comentar a "My dear devil". Tenho umas saudades de falar sobre o mamo-sexy xD Beijokas, espero que gostes deste final
Sabuka no Uchiha - muito obrigada por leres e comentares Respondendo às perguntas que fizeste há algum tempo atrás. Parva significa idiota/babaca… cancro é "câncer"; e odangos são aquelas bolinhas que a Usagi usa no cimo da cabeça. Mais alguma dúvida, é só perguntar ;)
Neuza - pronto, pronto. Aqui está o final! Não quero que ninguém morra por minha causa xD. Espero que gostes
Usagi-chan
- muito obrigada pelos comentários! Mesmo! É sempre bom
ver que as pessoas gostam desta fic :D
