oi flores... esse é o penultimo capitulo... só teremos mais um epilogo... espero que gostem e comnetem...bjuxx^^


CAPÍTULO DEZ

— Sinto muito quanto a isso — murmurou Bella.

— Acredito que ambos estávamos cientes de que esta situação aconteceria — disse Edward. — Mas es tou surpreso que aconteceu tão depressa.

Ela ainda não o olhara. O coração batia violenta mente contra o peito e o estômago continuava revol vido. Oh, sim, sentia muito. Mesmo tendo cumprido uma sentença na cadeia, a condenação ainda represen tava um grande peso na vida dela. E, aparentemente, sempre seria assim.

Mas o que mais a preocupava era Edward. Ele não era um homem que jamais teria contemplado ter uma esposa que o embaraçaria socialmente. Ela não podia se esquecer de que um dia ele tentara lhe persuadir a trocar de nome e se mudar para França a fim de fugir do passado. Agora a humilhação pública que ele previra estava se tornando realidade, e era um mila gre que ainda estivesse ao lado dela. A fria fachada de formalidade só poderia estar escondendo a frustração que ele continha.

— Felizmente, eu me preparei para esta eventuali dade — Edward a informou.

— Eu vou desaparecer no mar? —- perguntou Bella com ironia.

Ele suspirou irritado.

— Isso não tem graça, Isabela.

Ela estava longe de achar graça em alguma coisa. Na verdade, esforçava-se para conter as lágrimas. Ape nas horas antes estivera inocentemente se regozijando em contentamento. Tanto quanto era capaz, Edward conseguira esquecer os antecedentes criminais. Mas seria tolice ignorar o fato de que ele possuía uma visão conservadora sobre crimes e punições. Abominava de sonestidade. Estava com vergonha dela agora.

Como teria se sentido quando Jasper o avi sara de que a história estouraria? Jasper obviamen te também pensava que ter uma esposa ex-presidiária era uma séria fonte de embaraço. Quanta vergonha um casamento podia suportar? Como Edward pode ria continuar respeitando-a? Tinha muito orgulho do nome Cullen e lá estava ela, manchando-o. Quisera que o passado dela fosse escondido para proteger a filha deles. De súbito, Bella percebeu como eventos podiam conspirar para destruir o relacionamento dos dois.

Ela fez um esforço corajoso para se recompor.

— Você estava dizendo que se preparou para isso?

— Sim. — Ele se aproximou, então a envolveu no círculo protetor dos braços. — Nós vamos superar isso, bella mia. É uma questão de limites de danos.

No conforto daquele abraço, Bella lutou contra as lágrimas e assentiu vigorosamente contra o ombro lar go. Queria ficar ali para sempre.

— Minha equipe de relações públicas tem uma de claração muito acertada para fazer à imprensa — dis se ele, sentando-a num sofá. — Isso acabará com a especulação. Na próxima semana, uma outra pessoa será o alvo.

Bella não tinha certeza se entendia o que ele estava dizendo, mas a preocupação de Edward com ela banira o medo de perdê-lo e lhe dera forças.

— Tudo bem.

Ele a olhou com intensidade.

— Não é o que você fez, mas como lida com isso, uma vez que é a arena pública que interessa.

Bella o fitou incerta.

— Esta declaração...

— Tenho uma cópia aqui. — Edward pegou uma fo lha de um envelope e entregou a ela. — É uma decla ração padrão, e com seu consentimento será liberada para a imprensa.

Bella teve de ler apenas a primeira frase para que o coração se partisse. Era basicamente um reconheci mento de sua condenação por roubo, uma referência ao fato de que havia cumprido a sentença pelo seu pecado e a garantia de que tinha aprendido a lição.

— Não posso permitir que você libere isso para a mídia — sussurrou ela, tremendo.

— Uma justificação pública. Pode parecer sem pro pósito, mas pessoas irão respeitá-la por ser honesta quanto ao seu passado.

— Edward... — Havia um apelo desesperado por compreensão no olhar dela. — Não sou uma ladra. Eu não roubei as pratas. Fui para a cadeia por algo que não fiz. Não posso concordar com essa declaração porque seria uma mentira.

— Essa declaração passará uma borracha sobre o caso e tirará o peso da história.

— Você ouviu o que acabei de falar?

— Você já sabe o que penso a esse respeito. — Ele suspirou. — Talvez você deva se perdoar pelo que fez antes de poder superar isso. Porém, nesse momento, temos de lidar com algo mais imediato...

Furiosa, Bella se levantou.

— Não posso acreditar no que você acabou de me dizer!

Uma expressão decidida estava estampada nas fei ções bonitas de Edward.

— Você cometeu um erro quando era jovem e não tinha uma família para apoiá-la. Muitas adolescentes cometeram erros similares, os superaram e seguiram com suas vidas, exatamente como você fez. Devia se orgulhar disso.

— Só há um pequeno problema... Eu não cometi esse erro! — exclamou ela, aumentando o tom de voz. — Você nunca me deixou explicar o que aconteceu.

— Você evita o assunto como uma praga.

Bella parou em surpresa. Não imaginava que o de sejo de não falar sobre aquele assunto durante a lua-de-mel lhe dera essa impressão. E um segundo depois, estava furiosa consigo por ser tão covarde.

— Não me trate como seu inimigo. Estou tentando ajudá-la — disse ele.

Ela comprimiu os lábios.

— Eu sei.

— Concordará com a declaração? Bella empalideceu com a pergunta.

— Não, nunca.

Edward lhe deu um olhar severo.

— Esse problema não vai acabar nunca. Algo tem de ser feito.

O silêncio que seguiu foi como uma mão gela da trilhando a coluna de Bella, mas ela reprimiu o sentimento. Com expressão determinada, ergueu o queixo.

— Mas não isso. Não me obrigando a fazer uma confissão falsa por algo que não fiz. Cumpri minha sentença inteira porque não menti e não expressei re morso pelo crime de outra pessoa.

Edward a observou friamente, como se a censuran do. Sem mais uma palavra, virou-se e saiu da sala. Respirando fundo, ela continuou sentada e olhou para o teto. E se isso custar meu casamento? E se eu per dê-lo? A mente estava repleta de pensamentos tristes e medos.

Não ajudava que podia entender o ponto de vista dele. Edward tinha decidido que ela era culpada num estágio inicial do relacionamento deles, quando mal a conhecia, e era muito teimoso. Até mesmo explicava o comportamento criminoso à sua própria satisfação... Erro de juventude, sem apoio da família. E agora es tava engajado no que chamava de limitação de danos, num esforço de proteger a pouca reputação que lhe restava. Determinado a mantê-la longe dos paparazzi, a escondera no iate. Estava fazendo o que era natu ral para ele: assumindo o comando, agindo para lidar com uma crise e tentando protegê-la também. Mas em vez de sentir-se grata pelo conselho de Edward, Bella estava sendo insensata e recusando-o. Secou as lágri mas do rosto com uma mão trêmula.

Uma refeição noturna foi servida no salão de jantar. Embora a mesa estivesse posta para dois, ele não apareceu. Ela não comeu quase nada e, ao seu pedido foi levada para uma cabine. Desesperada para preen cher o tempo, encheu a banheira no esplendoroso ba nheiro de mármore. Tinha acabado de entrar na água quando a porta que esquecera de trancar se abriu para revelar Edward.

Com a barba por fazer, os cabelos desalinhados e a camisa para fora do jeans, ele estava tão sexy que o coração de Bella disparou imediatamente. Enquanto abraçava os joelhos contra o peito, ele a olhava em silêncio.

— Desculpe-me — murmurou Edward.

Aquela única palavra foi como uma punhalada em Bella, pois não sabia o que vinha a seguir. Pelo que ele se desculpava? Pela inabilidade de viver com uma mulher publicamente marcada como ladra?

— Não sei o que lhe dizer. — Então ele acrescen tou: — Este foi seu erro fatal.

Ela franziu o cenho.

— Não entendi.

— Sempre tive a teoria de que todos cometem um erro fatal na vida. O seu foram os antecedentes crimi nais. Está tudo conectado, faz sentido...

— O que faz sentido? — Bella não podia entender o que ele estava dizendo.

— Você é linda, inteligente e sexy, mas estava tra balhando numa posição subalterna, por um salário baixo. Por quê? Porque tinha antecedentes criminais — disse ele. — Sou um cínico. Sempre olho para o lado negativo das coisas. Nunca me ocorreu duvidar que você fosse uma ladra.

— Eu sei — concordou ela com pesar.

— E por meses não pensei sobre isso porque o as sunto me perturbava — confessou Edward. — Quando eu a reencontrei e Nessie nasceu, enterrei este assunto.

Bella o olhou atentamente. A suposta culpa tinha sido enterrada porque essa era a única maneira com a qual ele poderia conviver com ela.

Edward deu de ombros, então disse algo que a des concertou completamente:

— Mas embora o júri a tenha considerado culpada e você tenha ido para a cadeia, não é uma ladra.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— O que você acabou de dizer?

— Acredito em você, dolcezza mia.

Bella continuou olhando-o em silêncio porque es tava verdadeiramente abalada pela mudança de opi nião.

— Você é inocente. Só pode ser. O contrário não faz sentido. Sinto muito por não ter ouvido.

— Não entendo por que você está disposto a ouvir agora.

— Analisei o crime com tudo que sei ao seu respei to, e de repente ficou claro para mim que você devia estar falando a verdade.

— Você falou com Aro, por acaso?

— Não. Porquê?

Edward não tinha idéia de que o chefe de segurança estava investigando o caso dela, reunindo fatos e pro curando o verdadeiro culpado. Quando Bella expli cou, ele pareceu envergonhado.

— Então até mesmo Aro acreditou em você quando eu não acreditei.

— Imagino que Renata não tenha lhe dado escolha. — O alívio de saber que Edward finalmente acreditava nela fez os olhos de Bella se encherem de lágrimas novamente. Olhou para a água e piscou diversas ve zes. — Deixe-me terminar o banho. Sairei em cinco minutos.

Ele franziu o cenho.

— Você vai chorar?

Ela ergueu uma sobrancelha delicada, revelando olhos brilhantes.

— O que você acha?

— Preciso saber o que lhe aconteceu 4 anos atrás. Sua prisão, a história toda.

— Isso não o fará se sentir melhor.

— Você acha que mereço me sentir melhor?

— Não — respondeu ela honestamente. Bella não chorou. Pelo menos ele acreditava que ela não era ladra. Levara um ano para chegar àquela conclusão, porém, antes tarde do que nunca. Vestiu um robe atoalhado e foi encontrá-lo no quarto.

— Fui contratada para cuidar da sra. Taplow pelas sobrinhas dela, Jessica e Jane. Jane trabalhava fora e eu raramente a via. Elas moravam em um vilarejo a aproximadamente um quilômetro de distância contou Bella, curvando-se na cama grande, — A sra. Taplow vivia numa casa grande e antiga. No meu pri meiro dia, Jessica explicou que a tia estava sofrendo dos primeiros estágios de demência e que eu não deveria prestar atenção às histórias dela sobre o desapareci mento de objetos.

Edward arqueou uma sobrancelha escura e sentou-se na cama ao lado dela.

— Isso não a deixou desconfiada?

— Não. Eu estava muito feliz pelo emprego e por um lugar para morar. A senhora idosa parecia um pou co confusa às vezes, mas era uma pessoa muito boa — continuou Bella. — Jessica me pediu para limpar a prataria, que era guardada num armário, e disse que as peças eram antigas e valiosas. Havia muitas peças e, para ser honesta, eu mal as olhava enquanto as lim pava.

— Mas sem dúvida deixava suas impressões digi tais lá.

— Algumas semanas depois, a sra. Taplow ficou muito aborrecida e alegou que duas peças de prata ha viam sumido. Eu não poderia dizer se era verdade, mas mencionei o fato a Jessica, que disse que a tia esta va imaginando coisas, ou guardara as peças em outro lugar e não se recordava. Insistia que a tia já havia feito isso antes. A sra. Taplow queria chamar a polícia, mas eu a dissuadi — lembrou Bella com tristeza.

Edward fechou uma das mãos sobre a dela.

— O que houve depois?

— A mesma coisa novamente... Mas notei as pe ças que haviam desaparecido e procurei-as pela casa inteira, sem sorte. Comecei a me sentir desconfortável, mas Jessica disse-me para não ser tola, que uma hora as peças apareceriam. Eu não tinha motivos para duvidar dela. Tive um dia de folga. Eu ia encontrar Jacob e estava me aprontando quando a polícia chegou. — Bella suspirou, perturbada pela lembrança de quando sua vida havia despedaçado. — Eles vasculharam meu quarto e a jarra georgiana foi encontrada na minha bolsa. Fui acusada de ladra. Pensei que talvez a sra. Taplow a tivesse colocado ali, mas então descobri que ela não sofria de demência.

— Madonna diavolo... Você foi contratada para que a sobrinha pudesse roubar e garantir que a culpa caísse sobre você.

— Mas não havia como provar quando Jessica negou. Era a minha palavra contra a dela, e Jessica era diretora da igreja. Havia uma grande quantia de dinheiro envolvida na prataria sumida.

— Mas a evidência era circunstancial.

— Três advogados diferentes lidaram com o meu caso, mas ainda fui condenada por não poder provar inocência. Fiquei em estado de choque por dias após o veredicto. E ninguém do lado de fora lutava por mim.

Edward tentou manter a mão delicada na dela, mas ela liberou os dedos e virou a cabeça para o outro lado. Ele se levantou e parou diante de Bella.

— Deve ter sido uma experiência terrível. Eu não tinha idéia, amata mia. E me sinto um cretino.

— Não se sinta. Eu não o culpo por pensar o pior. Diversas pessoas reagiram do mesmo modo. Mas isso consumiu muitos anos de minha vida e não quero mais perder tempo me lamentando.

— Custe o que custar, limparei seu nome. Juro — entoou Edward com voz emocionada.

— Isso é tão importante para você?

Ele franziu o cenho.

— É claro que é. Você é minha esposa.

Era de madrugada quando Edward voltou para a cama naquela noite, e ela notou que ele não a tocou, como de costume. Na verdade, era a primeira noite que dormiam tão afastados, como se estivessem em camas separadas. Na manha seguinte, Edward já havia saído quando ela acordou, e Bella pensou que deveria tentar ser otimista.

Embora não tivesse vontade de ler sobre a própria condenação no jornal, suspeitava que Edward leria cada palavra e sentiria a humilhação em cada poro. Como resultado, ela estava sem apetite para o café-da-manhã e passou a maior parte do dia com a filha, preocupando-se com o futuro do casamento. Afinal, apesar de Edward acreditar na inocência dela, tinha de viver num mundo onde todos pensavam que a esposa era culpada. Ele não a amava, portanto não havia segurança de que continuassem unidos quando as coisas dessem errado.

No fim da tarde, ele entrou na cabine, vestido num magnífico terno preto. Parecia tenso e pálido.

— Passei o dia trabalhando, mas você sabe que tem a liberdade de entrar em meu escritório sempre que quiser, bella mia. Onde você estava?

Na atmosfera tensa, Bella velou o olhar perturba do. Havia perdido a confiança necessária para presu mir que era bem-vinda. Em adição, o staff pessoal de Edward havia voado cedo naquela manhã, e certamente lido sobre a prisão da esposa de seu empregador. Te mendo que a presença dela o envergonhasse, preferiu se esconder no quarto.

— Estava com a Nessie... Esqueci que você vai para Londres esta noite.

— Voltarei no máximo em 24h. Não gosto de dei xar você.

— Estou bem — disse ela.

— A propósito, aquele artigo do jornal? Não foi nada. — Edward deu de ombros, mas não encontrou os olhos dela. — Não se preocupe com isso.

Mas ela se preocupava. Culpada ou não, havia se tornado uma fonte de embaraço. A maneira reservada dele a informava o quanto estava abalado pela situa ção. Alice e Rose telefonaram naquela noite, pro vando ser amigas leais. Rose a convidou para passar o fim de semana em casa e Alice se ofereceu ficar no iate com ela por alguns dias. Bella agradeceu e recusou gentilmente. No dia seguinte, Edward ligou para avisar que ficaria fora por mais tempo do que antecipara.

Dois dias depois, ela ligou a televisão da cabine, que estava no canal italiano de noticiários que Edward sempre assistia. Antes que pudesse mudar de canal, o marido apareceu na tela. Tania emergiu de um ho tel e Edward saiu do que parecia ser o mesmo prédio. Seu conhecimento de italiano não era bom o bastante para entender os comentários que acompanhavam as imagens. Bella entrou na Internet para checar a reportagem e, embora houvesse poucas informações disponíveis, o que descobriu a chocou.

Na noite anterior, Edward tinha passado algumas horas no mesmo hotel de Londres que Tania, ambos saindo por entradas diferentes num evidente esforço para evitar serem descobertos. Havia uma referência sobre o divórcio de Tania e sobre o casamento dele, sendo descrito como "tumultuado" após as re velações sobre o passado da esposa.

O telefone tocou.

No instante em que Bella ouviu a voz de Edward, o interrompeu:

— O que você estava fazendo num hotel com Tania?

— Fofocas maliciosas viajam rapidamente — mur murou ele. — Estarei com você em uma hora.

— Você não respondeu à minha pergunta.

— Tenho companhia, cara mia.

O tempo nunca parecera passar tão lentamente quanto nos dez minutos que se seguiram. Ela deixou a cabine e esperou no saguão, onde ficou andando de um lado para o outro. Finalmente saiu no deque, onde o sol começava a baixar no horizonte.

Não podia imaginar a vida sem ele, mas se per guntou se era assim que ele também estava sentindo-se sobre Tania. Uma atração fatal que ele desprezava, mas não podia resistir. Isso explicaria por que relutava tanto em falar sobre a ex-noiva? Nunca lhe pergun tara o que ela havia dito para a noiva na véspera do casamento. Bella só podia sentir-se ameaçada por aquela realidade.

O coração disparou quando o helicóptero desceu para aterrissar. Com o lindo rosto sério, Sérgio emer giu.

— Para começar, tenho boas notícias — disse ele. — Jesica Taplow foi presa esta tarde.

Aquele era o último tópico que ela esperava como uma abertura de conversa.

— Está falando sério?

— A polícia deu uma busca e achou as pratarias desaparecidas na casa dela. A sra. Taplow faleceu no ano passado. Jessica somente começou a roubar as pra tas poucos meses atrás, quando achou que era seguro. Mas como você já sabia, Aro conseguiu pistas que levaram diretamente a ela.

— Meu Deus... — Com as pernas tremendo Bella sentou-se no braço de um sofá. — Depois de todo esse tempo a verdade está aparecendo...

— Um negociante de antigüidades fez uma iden tificação positiva dela, e a prima dela também está disposta a fazer uma declaração, pois está furiosa porque Jessica lhe roubou o que deveria ser sua parte da herança. Tenho meus melhores advogados traba lhando nisso. Levará um tempo, mas eles provarão sua inocência.

Bella cobriu o rosto com as mãos.

— Não sei como agradecê-lo.

— Isso é tudo graças aos esforços de Aro. Ele é o herói dessa história. Eu não fiz nada — declarou Edward. — A mídia já está mais interessada na condenação injusta do que na história original. Você prova velmente será inundada de pedidos para entrevistas sobre sua experiência na prisão.

Ela fez uma careta.

— Não, obrigada.

— Como você se sente?

— Aliviada. — Bella hesitou. — E quanto a Tania?

Ele suspirou.

— Não tive escolha senão fazer um acordo com ela pessoalmente. Mas eu deveria ter adivinhado que ela mandaria repórteres para capturar aquelas cenas no hotel. Tania adora publicidade.

Bella franziu o cenho.

— Que tipo de acordo?

— Anthony estava em Londres porque está rece bendo tratamento por leucemia. Ele não está nada bem — murmurou Edward.

— Oh, meu Deus, você finalmente entrou em con tato com seu irmão! — Então ela parou quando regis trou as últimas palavras. — Leucemia?

Edward assentiu.

— Ele tem cinqüenta por cento de chance de cura. Não precisa do estresse de um divórcio litigioso ago ra, então eu a comprei.

— Você deu dinheiro a Tania?

— Em troca de certos favores, tudo legalmente as sinado. — Ele tirou um documento do paletó e desdo brou. — Nosso encontro no hotel foi apoiado por uma equipe de advogados. Valeu a pena. Eu teria pagado o dobro.

— Que favores? — perguntou Bella.

— Tania concordou em devolver as jóias da família em sua posse e dar a Anthony um divórcio amigável. Também prometeu nunca mais se aproximar de você.

Os olhos castanhos se arregalaram em surpresa.

— Quer dizer que o fato de ela ter me abordado na boate o aborreceu?

— É claro!

— Por que não me disse isso na época?

Edward a olhou fixamente, um leve rubor cobrindo-lhes as faces.

— Eu me senti culpado pelo que aconteceu, e a cul pa fez com que eu me fechasse. Ela a aborreceu antes do nosso casamento e quase arruinou o dia...

— Como ela me encontrou naquela noite?

— O dono da boate a avisou de sua presença lá.

— Tania sabia sobre Nessie.

— Mas não por mim — disse ele.

— Ela disse que você pediu que ela se divor ciasse de Anthony.

— Isso era mentira. Mas foi culpa minha que ela fez de você o alvo de seu veneno — murmurou ele em tom sofredor.

— Como pode ter sido culpa sua?

— Tania é exploradora. Quando tentou voltar para minha vida, eu não a desencorajei tanto quanto pode ria, e a vaidade dela era sua ruína — revelou Edward com visível relutância. — A perseguição dela me di vertia. Isso foi antes de eu conhecer você, e achei que podia brincar com Tania como ela brincou comigo uma vez...

— Você queria vingança? — Bella estava atônita pela possibilidade que nunca considerara e feliz que ele não tinha mais interesse na loira deslumbrante.

— Eu nunca a teria perseguido por minha própria vontade. Não me importava o bastante. Mas fiquei fu rioso quando ela tentou se aproximar de mim no ano passado. Não precisei fazer nada para me vingar... Apenas fiquei parado, observando-a tramar e planejar como me reconquistaria.

Bella deu um suspiro de consternação.

— Mas ela era esposa do seu irmão.

— Tania vai para onde o dinheiro está, e no minu to em que meu irmão perdeu o dele, ele virou passado. Ele sabe disso tanto quanto eu, e creio que agora su perou os sentimentos por ela. Que tipo de mulher abandona o marido quando ele está doente?

— Uma mulher cruel... O tipo de mulher que achei que você admirasse.

— Mas ela nunca ganhou de mim no xadrez, delizia mia. Nunca me disse que não posso escalar o monte Everest porque é muito perigoso, e tem medo de me perder. A propósito, fiz isso alguns dias atrás. Acho que foi uma felicidade ter passado por certas experiências antes de conhecer você, porque há uma longa lista de esportes radicais que a deixam muito ansiosa, não há?

Bella enrubesceu, não imaginando que o medo que tinha de perdê-lo fosse tão óbvio. Edward olhou-a com ternura e lhe pegou as mãos.

— Tania teria me encorajado a arriscar nos espor tes radicais porque teria preferido ser uma viúva feliz a ser esposa. Como pôde pensar que eu a queria de volta depois de conhecer você?

— Nosso relacionamento simplesmente aconteceu. Nada foi planejado... Especialmente Nessie. — A voz de Bella era trêmula. — Mas você escolheu Tania. Quis se casar com ela.

Ele suspirou com arrependimento.

— Eu tinha 21 anos e ela era um troféu que meus amigos invejavam. Eu a amei, mas era um garo to. Agora sou um homem e tenho uma visão diferente do que quero em uma esposa. Mas até que a conheci, eu não sabia o que queria...

— Tudo que você queria era sexo — disse Bella.

— Isso pode ter sido verdade no princípio, mas você me ensinou a querer outras coisas que eu nem mesmo sabia que precisava.

— Como o quê? — incentivou ela.

— Coisas comuns como rir, trocar opiniões hones tas, discutir...

— Você acha que precisa de alguém para discutir?

— Oposição é bom às vezes. E diálogos que não se resumem em jóias, roupas e dietas são muito bem-vindos, amata mia. É claro, não dei devido valor a você até que desapareceu por sete meses e meio, e descobri como era sentir sua falta.

Bella estava encantada com a sinceridade que po dia sentir nas palavras dele.

— Você sentiu minha falta?

— E era tarde demais. Você tinha desaparecido.

— Achei que um afastamento temporário era a me lhor solução para nós.

— O conhecimento de que cheguei tão perto de perdê-la ainda me persegue. Aquela festa no iate foi um desastre. Não — murmurou Edward quando ela ti rou as mãos das dele. — Você precisa me deixar falar sobre isso.

Bella deu um passo atrás.

— Não, é melhor esquecermos isso. Foi antes de nos casarmos e não era da minha conta.

Edward se aproximou e tirou-lhe os pés do chão.

— Você diz isso, mas joga o acontecimento no meu rosto na primeira oportunidade!

— Quando foi a última vez que fiz isso?

— Eu vi a expressão de crítica no seu rosto quando entrou neste iate pela primeira vez...

— Talvez sua consciência o tenha feito imaginar isso. Pelo amor de Deus, me ponha no chão!

— Não. Nem mesmo fiquei bêbado naquele cru zeiro. Nem mesmo beijei ninguém — declarou ele. — Você estava na minha cabeça o tempo todo. Você era a única mulher que eu queria.

Abalada por aquela confissão, Bella o deixou car regá-la para a cabine.

— Eu não gostava muito de você então.

Edward a deitou gentilmente na cama.

— Eu sei, e era o que eu merecia. Mas nunca mais será assim com você, porque eu a amo. Mesmo se você fosse ladra, ainda estaríamos casados e eu ainda me sentiria da mesma maneira.

Ela estava perplexa pela emoção que via estampada no rosto dele.

— Você se apaixonou por mim?