Veneno Irresistível
Autor: Rhysenn
Nome Original: Irresistible Poison
Tradução: Mônica Beckman
Betagem: Dana Norram
Capítulo 10: Suspenso Por Um Momento
Amor significa nunca ter que dizer "sinto muito".
Hermione deslizou no assento ao lado de Harry durante o café da manhã seguinte, parecia cansada, mas satisfeita.
"Creio que a poção antídoto é a melhor opção que há", murmurou ela em voz baixa ainda que o suficientemente alto para que Harry escutasse, enquanto se servia de uma generosa porção de ovos cozidos. "Bom, de fato é o único plano que temos, mas é bastante promissor, então devemos ficar contentes".
"De que devemos ficar contentes?", interrompeu Rony ao se aproximar e escutar a última parte da frase de Hermione.
"Uh...", Hermione mordeu um lábio pensando rápido, mas Harry saiu em sua ajuda.
"De que me sinto bastante bem para o treino de Quadribol de amanhã", respondeu Harry encolhendo ligeiramente os ombros, de forma casual. "Descansei meu tornozelo por dois dias - e tenho de praticar mais para a próxima partida, quando quer que seja".
Rony ficou alegre, então de repente franziu o cenho e grunhiu. "Ah não, eu tenho detenção com Snape amanhã à tarde! Maldição, não poderei assistir o treino".
"Não estaria em detenção se não tivesse insinuado que Snape era daltônico," apontou Hermione com olhar neutros.
Rony parecia obstinado. "Eu só sugeri que ele checasse os olhos. Quero dizer, como eu disse para Snape, o magenta não é uma cor muito subjetiva. E meu Tônico de Fungos Venenosos era claramente magenta, mas ele continuou insistido em que era um 'pobre tom de violeta'."
Harry fez uma careta. "Estou certo de que Snape ficou sinceramente comovido pela sua preocupação sobre a saúde dele". Imitou a voz baixa e venenosa de Snape e seu tom sarcástico, "Sim, Weasley, o magenta não é uma cor muito subjetiva. Mas é só minha opinião a que conta".
"Não valia a pena se arriscar por isso e você sabe," disse Hermione sacudindo a cabeça. "Honestamente, a mim pareceu que era mais lilás."
"Ah, obrigado pelo apoio, Mione," disse Rony aborrecido. Voltou-se a Harry. "Mas estive falando com o resto da equipe enquanto você estava na enfermaria - estão satisfeitos com a formação que temos atualmente, assim suponho que estará bem se voltarmos a usá-la no próximo jogo."
Hermione se absteve da conversa enquanto Harry e Rony começavam a discutir Quadribol - esperou um pouco impaciente já que precisava falar urgentemente com Harry sobre a poção antídoto. Se perguntou de forma vaga como teria sido o resultado de seu encontro com Malfoy à noite anterior; ficara na biblioteca até fechar e Harry ainda não tinha voltado na hora em que ela entrara na sala comunal da Grifinória.
O treino de Quadribol finalmente terminou quando Harry pediu a Rony que visse se Seamus poderia convencer Madame Hooch de fixar a partida Sonserina x Grifinória depois do jogo com Lufa-Lufa, que eram os próximos oponentes na lista original de encontros. Seamus estava sentado no outro extremo da mesa, então Rony pegou sua torrada e foi falar com ele.
"Bom," Hermione disse em voz baixa, tão logo Rony partiu. "Como foi ontem? Quê Malfoy achou da idéia do antídoto? Acha que vale a pena tentar?"
Harry franziu o cenho, tentando lembrar o que Draco dissera sobre a poção antídoto; então chegou a conclusão de que não tivera tempo para contar a Draco sobre isso. Haviam estado distraídos com... Muitas coisas.
"Uh," Harry parecia penalizado, "de fato... ainda não lhe disse nada."
"Quê?", Hermione encarou-o com incredulidade. "O que quer dizer com de fato não lhe disse nada? Mas você ficou séculos com ele ontem à noite! O que vocês ficaram fazendo o tempo todo?", um gesto de compreensão se desenhou em seu rosto e olhou suspicaz a Harry. "Não me diga que ele voltou a te beijar!"
"Não," respondeu rapidamente, logo reconsiderou. "Bom, sim. Algo assim. Não sei."
"E eu que estava me perguntando se não estava sendo indeciso ao respeito", disse Hermione secamente.
Harry tentou se explicar. "Quero dizer, bom, estávamos fechados num baú e..."
"Estavam o quê!", Hermione mirou-o assombrada, logo soltando um suspiro de resignação. "Espera… não me diga. A tampa do baú não abria e ficou preso dentro com Malfoy."
"Não! A tampa abriu perfeitamente", as maçãs de Harry se ruborizaram ligeiramente.
"Esquece, não estou certa se quero ouvir", Hermione enfatizou suas palavras com um olhar mordaz. "Sabe, vocês dois se encontrando a sós, desse jeito, está começando a parecer uma má idéia. Realmente não é muito produtivo", fez uma pausa. "Inclusive contraproducente."
"Não aconteceu nada!", insistiu Harry sério. "Filch subiu de repente na despensa - mas Malfoy fez um útil Feitiço Vigilante que nos deixou de sobreaviso e tivemos que nos esconder dentro de um baú para que ele não nos encontrasse."
Hermione o observou de soslaio, inquiridora - a imprevista intrusão de Filch não explicava como Malfoy terminara o beijando, mas imaginava que o muito conveniente baú tinha algo a ver. De todos modos, não estava certa de querer saber todos os detalhes.
"Falarei com ele mais tarde," ofereceu, tratando de reparar seu aparente esquecimento. "Esta noite, talvez. Depois do treino de Quadribol."
Hermione sacudiu a cabeça. "Esta noite já pode ser a noite de tomar a poção Antídoto."
"Esta noite?", Harry pestanejou surpreso. "Tão cedo? Quer dizer que já sabe como prepará-la?".
A voz de Hermione estava sobrecarregada de urgência. "Deixe-me explicar. Encontrei um livro de referência que tinha as instruções sobre como fazer a poção antídoto. É bastante simples - só precisam seis diferentes ingredientes e podem ser conseguidos facilmente com Snape."
Harry estava escutando atentamente. "Essas são boas notícias."
"Sim," continuou, "creio que posso consegui-los todos esta tarde - vou ver Snape depois de Trato das Criaturas Mágicas, para obter uma mostra de uma lista completa de outros ingredientes que necessito para o projeto extra que estou fazendo...". Hermione viu que Harry reprimia um sorriso debochado e o olhou com olhos entrecerrados. "Oh cala a boca, Harry, você tem sorte de que esteja fazendo esse projeto ou não conseguiria os ingredientes que precisa para a poção."
"Malfoy tem sorte, não eu," ele a interrompeu. "Te devo uma, Mione - talvez eu consiga colocar seu nome num escudo de prata da Mansão Malfoy."
"Muito engraçado, ha, ha. Realmente me conformarei com que prometa não voltar a debochar de Rony, mas duvido que o faça. Como estava dizendo, poderia incluir facilmente os ingredientes para a poção Antídoto na lista que vou receber de Snape - esses ingredientes se usam normalmente em outras poções, assim ele não suspeitará". Fez uma pausa. "Mas há outra cosa..."
Harry gemeu. "Sabia que tinha que ter um porém. O que é?"
"Um dos ingredientes, a seiva da planta Veronia, é altamente perecível uma vez que esteja fora de seu recipiente especial," explicou. "Seu calor se deteriora rapidamente depois de algumas horas - e se é usada após a 'data de validade', por assim dizer, qualquer coisa que se acrescente explodirá rapidamente. O que significa que uma vez que receba os ingredientes esta tarde, terá que fazer a poção o mais depressa possível - esta noite, não depois."
"Está bem," disse Harry, tentando processar toda esta nova informação. "Então isso significa que teremos de avisar a Malfoy para nos encontrarmos novamente esta noite e aí lhe contar rápido sobre a idéia da poção antídoto enquanto a preparamos já que não poderei falar antes com ele, pelo menos não em particular."
"Nós não", corrigiu Hermione. "Eu tenho que fazer meu projeto de Poções esta noite - não estou reunindo todos esses outros ingredientes só para perder tempo." O olhou novamente de soslaio de forma apreciativa. "De qualquer forma, não me agrada a perspectiva de ter que observar a Malfoy te olhando fixamente toda a noite. É irritante."
"Ele não me olha fixamente," protestou Harry.
"Oh sim, ele faz. O tempo todo", Hermione fez um gesto de tédio. "Nem sequer Rony olha tão fixamente para Fleur da forma que Malfoy faz com você."
"E... como ele me olha?", perguntou, sua voz se suavizou um pouco.
Hermione pensou um momento. "Sempre que ele te encara, seus olhos se tornam intensos com uma profunda emoção e é tão... tão exclusiva. É como se, no momento em que te visse, deixasse de ver todo o resto. E às vezes fecha os olhos firmemente, como se lhe doesse muito te ver dessa forma - mas então volta a abri-los outra vez e continua contemplando-te da mesma maneira." Hermione se permitiu um sorriso indulgente. "É algo romântico, - mas certamente, tem o fato de que ele é o Malfoy."
Harry esboçou um sorriso torto. "Excelente ponto, Mione."
"Oh e tem mais uma coisa," disse Hermione, enquanto voltava a sua forma metódica, concentrada de ser. "O livro de referência em que encontrei as instruções da poção antídoto, é bem... antigo. Foi publicado no primeiro início do século 16 e ainda que a cópia da biblioteca seja uma reimpressão, não foi revisado desde então. Assim poderia ser uma boa idéia conseguir uma autorização para verificarmos se a Seção Restrita tem informação atualizada sobre a poção antídoto para poder melhorá-la; senão, trabalharemos com o que temos."
"De quem devemos conseguir a nota aberta?", se perguntou Harry, repassando mentalmente a lista de professores e riscando de imediato Snape e Trelawney. "Hagrid pode nos dar a autorização?".
"Não," disse Hermione triste, "só professores podem nos autorizar a acessar à Seção Restrita - Hagrid não pode, ainda que tecnicamente, também seja um professor. E não posso perguntar a Snape já que já estou reunindo suficientes substâncias químicas para ser presa em cada estação de trem por todo o planeta." Ficou pensando um momento. "Sabe de uma coisa? Acho que deve pedir que Malfoy consiga a nota. Tudo isto é para ajudar a ele e deveria ao menos ajudar em algo."
Antes que Harry pudesse contestar, Rony voltou de sua pequena conferência com Seamus.
"Bem, está arranjado," disse feliz, dando-lhes um amplo sorriso. "Seamus também pensa que funcionará já que Sonserina nos verá jogar contra Lufa-Lufa antes que voltemos a jogar com eles e quando nos verem usando a mesma formação que usamos contra eles na quarta, pensarão que essa será a estratégia que usaremos para o novo jogo contra eles!"
Harry levantou uma sobrancelha, inquisitivo. "E não vai ser a mesma?"
"Hmm", Rony ponderou uns segundos. "Ou, pensarão que estamos tentando enganá-los deliberadamente para que pensem que usaremos a mesma estratégia nos quatro jogos e esperarão que usemos um plano de jogo diferente para a nova partida, quando realmente não o faremos. Não faremos. Mas sim o faremos", fez uma pausa. "Estou dizendo algo coerente?"
"Não," disse Hermione abafando um risinho. Ajeitando a saia e se levantou da mesa. "Vou deixá-los para que confundam um ao outro até que se cansem - preciso devolver um livro à biblioteca." Dirigiu um rápido e significativo olhar a Harry. "Tenho muito trabalho a fazer - Vejo vocês depois!"
Rony despediu-se de Hermione com um sinal e logo se voltou a Harry. "E, o que acha da atuação da Sonserina no jogo, pelo menos durante os quinze minutos que durou?"
Harry notou que Rony teve cuidado para não lhe culpar pelo abandono do jogo; não era característico de Rony ser tão sensível aos sentimentos de outros. Harry soube que Rony só estava tratando de ser compreensivo e empático e ele agradecia por isso.
"Bem," Harry tentou formular uma opinião decente sobre o jogo da Sonserina; poderia responder melhor se lhe houvessem perguntado sobre o jogo de Draco já que havia passado a maior parte da partida observando-o. "Suponho que o Goleiro deles infringiu muitas regras, por isso que cobramos tantos pênaltis."
"Que acha da formação defensiva deles?", pressionou Rony. "Notei que sempre que nossos artilheiros tinham a Goles, os artilheiros da Sonserina os rodeavam e os encurralavam para que seus Batedores pudessem ter um objetivo melhor. Poderia ser potencialmente perigoso para nosso ataque dianteiro, não acha?"
"Hum," disse Harry, parecendo distraído; acabava de ver Draco entrar no Salão Principal, sumamente tarde para o café. Harry se perguntou vagamente se Draco havia permanecido muito tempo na dispensa depois de que ele saíra - ou se Filch havia reaparecido e o descobrira. Talvez passara a noite sendo interrogado sobre o que estava fazendo em uma dispensa abandonada àquela hora da noite. Harry esperava sinceramente que não.
"Sente-se bem, Harry?", escutou a voz de Rony, tirando-o de seus pensamentos.
"Hmm?", Harry se voltou a Rony. "Oh, sim, a defesa da Sonserina."
Rony o olhava inquieto. "Tem certeza de que está bem, Harry?", repetiu soando genuinamente preocupado. "Parece... bem distraído hoje. Não se sente doente, ou algo assim?"
"Não, não," Harry se apressou em tranqüilizá-lo. "Fiquei enjoado de repente - já estou bem, não se preocupe comigo".
"Enjoou? Não quer ir se deitar um pouco?", disse Rony, franzindo o cenho com ansiedade. "Se não se sente bem, deve descansar - tem certeza que vai poder praticar amanhã?"
"Já disse, Rony," falou Harry com firmeza, "estou perfeitamente bem." Soltou um sorriso ligeiramente forçado. "Talvez pensar em todos esses deveres se acumulando esteja me enjoando. É que tudo isso, o Quadribol e todo o resto - tenho acumulado uma grande quantidade de coisas por fazer."
"Pode roubar os deveres da Hermione," brincou Rony. "Pode saquear sua mochila enquanto ela não está, abrir seus pergaminhos e copiá-los." Fez uma pausa e franziu o cenho. "Tem estado passando muitíssimo tempo na biblioteca ultimamente, investigando para suas redações e trabalhos extra e deus sabe que mais. Se não tem cuidado, começarão a colocar livros em cima da cabeça dela já que é uma figura permanente ali."
"Sim, ela tem estado muito ocupada," respondeu Harry, evasivo. "Mas, não estamos todos? Quero dizer, entre o Quadribol, os deveres, as aulas e tudo...", foi deliberadamente vago, "creio que trabalho com um déficit de tempo."
Rony pareceu pensativo por um momento, então se inclinou adiante com uma expressão séria na cara. "Olha, Harry, não quero que se sinta pressionado demais pelo que aconteceu nessa partida. Quero dizer, posso ver que tem estado bastante preocupado desde a quarta - sei que queria ganhar e entendo que cair da vassoura não é a melhor maneira de acabar uma partida. Mas de verdade não deve se culpar ou sentir que decepcionou alguém, porque não é sua culpa. Tudo é culpa de Malfoy."
Harry suspirou. "Foi um acidente, Rony."
"Oh não!", Rony disse acaloradamente. "Sabe, Malfoy tem esta misteriosa habilidade para descompor as coisas e fazer você se sentir responsável por ele, ainda que não seja. Lembra do que aconteceu com Bicuço? Malfoy veio com todo essa bobagem de ter se machucado mortalmente e Hagrid se sentiu culpado pelo que aconteceu, quando todos sabíamos que Malfoy só estava fingindo. Vê o que quero dizer?"
"Bom...", começou Harry.
"E não vou dar a Malfoy a satisfação de te ver perturbado," disse sério. "Sei que provavelmente você está comovido, com isso do choque e da queda. Quero que encare as coisas com calma, para que não acabe trabalhando em excesso e se queime. Me ouviu, Harry?"
Harry esboçou um pequeno sorriso e roçou ligeiramente o braço de Rony, emocionado. "Obrigado, Rony."
Rony viu que a tensão nos traços de Harry se aliviava ligeiramente; lhe devolveu o sorriso e lhe deu cálidas palmadas no ombro. "Quando quiser, companheiro."
Depois do almoço, dez minutos antes de começar a aula de Trato das Criaturas Mágicas, Harry encontrou-se se atrasando de propósito do lado fora da sala de professores, sofrendo um debate interno sobre entrar ou não entrar. Ensaiou mentalmente sua história uma vez mais para soar convincente, logo respirou fundo e estava a ponto de tocar a porta - quando esta se abriu e o Professor Lupin saiu.
Harry parecia sobressaltado. "Uh, olá, Professor Lupin - por acaso eu estava procurando o senhor"
O professor Lupin trocou de braço a pilha de livros que levava e lhe dirigiu um sorriso. "Bem, tenho tempo, então," disse afetuoso. "Há algo com o que possa te ajudar?"
"Bom…", Harry usou seu melhor tom casual. "Estou interessado em fazer alguma pesquisa extra e me perguntei se você poderia me dar uma autorização para que eu possa tirar alguns livros da biblioteca."
"Pesquisa?", o professor Lupin parecia interessado. "Que tema está procurando exatamente?"
Harry já tinha sua resposta pronta. "Estava pensando em ler um pouco mais sobre o domínio avançado das Artes das Trevas." Havia copiado essa frase da propaganda na contracapa de um dos livros de Hermione.
Lupin pareceu pensativo. "Alguma pesquisa adicional nesse ramo das Artes das Trevas certamente seria útil para nosso atual programa de estudos. Me alegra que esteja interessando em obter mais conhecimento, nunca se sabe demais quando se trata de defesa contra as Artes das Trevas." Assentiu com aprovação e as esperanças de Harry cresceram. Lupin continuou, "Que títulos tem em mente?"
"Hum", titubeou Harry; o livro que Hermione queria tratava realmente sobre poções antídoto, mas não podia dizer a Lupin, porque isso entraria no campo de Poções e o mais provável era que Lupin o mandasse com Snape para que lhe desse a autorização.
Mas tentou, "acha que poderia me dar uma autorização em aberto?". Isso lhe daria acesso a qualquer livro da Seção Restrita - era muito pedir, mas Harry cruzou os dedos e esperou ferventemente parecer o bastante convincente para que Lupin cedesse.
"Uma autorização aberta?", Lupin franziu o cenho ligeiramente. "Olha Harry, por razões óbvias, as notas abertas são supervisadas de forma muito restrita e os professores com freqüência necessitam de uma justificação para outorgá-las. Por regra geral só se nos permite emitir notas abertas a estudantes que investigam projetos trimestrais obrigatórios e não quando se trata de assinaturas voluntárias… mas, por que não me diz exatamente o que quer ler e por que está tão interessado? Talvez eu possa abrir uma exceção a você."
Harry pensou seriamente a pergunta de Lupin.
"Acho que estou fascinado pela maneira que certas formas de magia das Trevas podem, de fato, ter um efeito tão profundo, para alterar a vida de sua vítima," disse honesto. "O quão terrivelmente incisivas podem ser, como essas que manipulam os pensamentos, sentimentos e crenças de uma pessoa. Os feitiços de memória e a maldição Imperius se metem com a mente e… e claro, as poções de amor, que voltam o coração ao avesso e ao direito."
"Ah", Uma certa compreensão se refletiu no rosto de Lupin e assentiu astuto. "Por acaso não tem a ver com Draco Malfoy?"
O coração de Harry se paralisou um momento - sentiu como se o Expresso de Hogwarts o houvesse atravessado, deixando-o completamente sem fôlego. Olhou fixamente a Lupin, demasiado assustado para falar. Como diabos sabe ele…?
"Desculpe, Professor?", finalmente Harry conseguiu emitir um fraco gemido, tentando ainda conservar seu ar de indiferença casual e falhando miseravelmente.
"A redação de Draco Malfoy," repetiu Lupin, olhando estranhamente para Harry. "Lembro que ele mencionou a relação entre os feitiços de Memória e as poções de amor como um ramo da magia Imperius, o que foi muito bem exposto da parte dele." Fez uma pausa, olhando Harry com preocupação. "Você está passando mal?"
Oh, graças a deus. As pernas quase lhe falharam pelo alívio; o sangue fluiu outra vez por suas veias e seu coração voltou a bater. Durante um horrível instante, havia pensado que seus sentimentos tinham sido muito transparentes e que Lupin vira através dele… mas só foi que Lupin reconheceu referência a redação de Draco. Graças a deus.
"Não, não, estou bem," Harry disse rápido, ainda que trêmulo. "Simplesmente, eh, senti que ia desmaiar... mas já estou bem".
"Receio que não posso dar o que me pede, Harry," disse Lupin com pesar, negando firmemente com a cabeça, fazendo que as encontradas emoções que Harry sentira nos últimos minutos, se fossem ao chão. "Realmente não há muito mais que possa aprender sobre Imperius do que já estudou nos livros texto - e quanto aos feitiços de Memória, nós os estudaremos mais adiante este ano, assim talvez possa escrever uma redação quando chegar o momento. E o acesso à informação sobre as poções de amor é estritamente supervisado pelo Ministério, devido ao surpreendentemente fáceis que são de preparar e dada sua natureza como uma das mais mortais, mais potentes formas das Artes das Trevas."
"Oh". Harry parecia cabisbaixo; mas Lupin interpretou sua desilusão como resultado de uma negativa a sua genuína sede de aprendizagem.
"Estou impressionado por sua curiosidade sobre este assunto, Harry," Lupin parecia contente, ainda que fosse de pouco consolo para a preocupação de Harry. "Que acha se em troca - em duas semanas, daremos uma lição sobre como lidar com feitiços e maldições nos duelos de magia."
"Parece muito interessante, Professor," disse Harry sem muito entusiasmo.
"Sim, certamente promete ser uma lição memorável, no mínimo." Os olhos de Lupin brilharam. "Creio que tem um domínio da varinha bastante bom, Harry - não só em velocidade e exatidão, mas também para usar o feitiço apropriado em cada situação. Talvez te agrade escrever uma redação sobre isso e me apresentar dentro de duas semanas?"
Harry estava de mal-humor quando se dirigia com Rony à cabana de Hagrid para a aula de Trato das Criaturas Mágicas. Sentia que seu desgosto estava mais que justificado - não só não havia conseguido a autorização de Lupin, mas que de algum modo também conseguira ter que escrever uma redação dentro de duas semanas. Defesa Contra as Artes das Trevas era realmente a aula que gostava mais, mas agora não tinha nem o tempo nem a vontade de trabalhar em um dever extra.
"Não consegui a autorização," Harry se queixou com Hermione, quando se separou de Rony para ficar a seu lado. Ambos estavam parado contra o cerco fora da cabana de Hagrid, junto com o resto dos Grifinórios e Sonserinos que tinham aula com eles.
Hermione se via infeliz pelo inconveniente, mas parecia compreensiva. "Já tentou e não pôde conseguí-la?"
"Sim," disse lúgubre Harry. "Pensei que dentre todos os Professores, Lupin poderia ser o mais fácil de convencer para que desse, mas nem sequer se moveu. Honestamente, poderia pensar que eu estava pedindo que firmasse uma autorização para transferir um milhão de Galeões para meu cofre em Gringotes."
Hermione franziu o cenho. "A idéia não era que você ia dizer a Malfoy para que conseguir a autorização?"
Harry encolheu um pouco os ombros. "Tive algum de tempo livre depois do almoço e decidi tentar com Lupin."
Hermione suspirou exasperada. "Não deveria fazer todo o trabalho pesado enquanto Malfoy fica sentado sem fazer nada. Quero dizer, se realmente está tão afetado pela poção, qualquer um pensaria que ele tentaria colocar um pouco mais de esforço em procurar uma maneira de sair dela."
"Também não acho que seja fácil para ele". Harry respondeu em voz baixa sem olhar Hermione e assim perdendo o olhar surpreso que lhe lançou. "Não é só o efeito que a poção está tendo nele - é sua própria reação a ela o que é mais preocupante. Nunca vi ninguém parecer tão miserável como estava ontem à noite."
Harry olhou fixamente ao prado além da cerca, onde a glória do outono havia desprendido as árvores de suas folhas cor vermelho-ouro, conforme a estação começava a cair sem pressa. O céu vestia algo mais que uma ligeira ameaça de chuva e Harry se alegrou de que Grifinória houvesse reservado o campo de Quadribol para amanhã em vez de hoje. Pensou vagamente que não visto a Sonserina praticar há tempos; dizer que seu capitão estava um pouco fora de forma era menosprezar.
"Bom, esqueçamos por um momento de conseguir uma autorização em aberto," disse prática Hermione, sempre a voz da razão. "De qualquer forma, não altera significativamente o plano, assim que tudo continua em marcha como havíamos discutido antes. Não vejo nenhum problema para reunir todos os ingredientes que precisa - assim tudo o que tem que fazer esta noite é misturá-los, dizer umas quantas palavras e então verter tudo na garganta de Malfoy. E se acabou".
Harry não pôde reprimir um sorriso. Hermione era tão carinhosamente metódica em ocasiões; ainda que em seu interior tivesse um forte pressentimento de que o que Draco queria dele, em sua boca, não era precisamente um trago de poção Antídoto - como oportunamente havia demonstrado em ocasiões anteriores.
Para a aula de Trato de Criaturas Mágicas, hoje estavam vendo unicórnios uma vez mais. Harry no pessoal preferia estas criaturas esquisitas, domadas, à variedade usual de espécies malignas e freqüentemente venenosas que a Hagrid lhe agradava trazer. Depois de um momento a maioria das moças estavam em grupos soltos ao redor de cada um dos unicórnios - cinco no total - enquanto os rapazes estavam pé atrás e olhavam a distância. Para surpresa de Harry, de repente notou que Draco levava um dos unicórnios menores aparte, do outro lado da cerca, mas não muito longe de onde ele e Hermione estavam.
Decidiu aproveitar a oportunidade para falar brevemente com ele; tocou com o cotovelo a Hermione e murmurou pelo canto da boca, "Pode distrair Rony por um momento? Preciso dizer a Malfoy que devemos nos encontrar esta noite - só levará um minuto."
Enquanto Hermione ia onde Rony estava falando com Hagrid, Harry caminhou dissimuladamente pelo campo; dirigindo-se com passo decidido onde estava Draco, ainda que tentando parecer casual. Ninguém prestou muita atenção já que todos estavam ocupados com os brincalhões unicórnios.
Draco levantou a vista conforme Harry se aproximava; havia um elemento de surpresa em seus olhos, ainda que fosse coberto rapidamente por uma resignação apagada. Não disse nada, mas seu olhar, tranqüilo como a calma precedente a uma tormenta, nunca se desviou de Harry.
Harry olhava o unicórnio ao lado de Draco - ainda que fosse menor que o resto, desprendia uma certa dignidade tranqüila, madura, que fazia que se lhe visse uma vez e logo se voltasse a vê-lo outra vez mais. Era um unicórnio bebê; estava coberto com um casaco de pele escura de cor de carvão e com franjas de pelo de cor prata de relâmpago. Na testa, sob uma marca com forma de estrela que brilhava fracamente, havia um chifre pequeno - inteiro como marfim, que resplandecia fraco como um tom de luz de estrela.
O unicórnio levantou a cabeça ligeiramente e olhou suspeito a Harry, enquanto deitava seu rosto contra a palma aberta de Draco. Harry estava surpreendido de quão cômodo parecia o unicórnio com ele.
"Gosto do seu unicórnio", comentou admirando a delgada besta, com seus cabelos cor de prata de seda; mas sem tocá-la.
Draco inclinou a cabeça, um pequeno sorriso elevou os bordes de seus lábios. "É um novo tipo de cantada?".
Harry não soube se devia rir ou se incomodar; este sentimento de incerteza dentro dele estava tornando-se mais comum quando se encontrava perto de Draco. O outro rapaz simplesmente não lhe dava razão alguma para estar certo de nada; ultimamente, a luz parecia corrupção e a escuridão, pureza.
Decidiu deixar passar o comentário. "Conseguimos algo - preciso que vá de novo na despensa, a meia-noite".
"Esta noite?", Draco arqueou uma sobrancelha. "Então gostou do nosso pequeno interlúdio mais do que quer admitir. Talvez queira repeti-lo?". Mas não havia humor em seus olhos, só um suave piscar de dor.
Harry lhe dirigiu um olhar, sufocado. "Não. Hermione teve uma nova idéia que poderia ser a solução que estamos procurando".
"Solução?", a voz de Draco soou estranha, como se estivesse saturada de emoções trançadas por uma fina e delicada, mas constante pressão. "Estamos buscando soluções, ou só um escape?".
"Malfoy," Harry disse claramente, com uma firmeza na voz que nem mesmo ele podia acreditar. "Não se renda agora."
Draco se afastou do unicórnio e se aproximou mais a Harry; o unicórnio estampou seu casco dianteiro na terra, e fez um ruído descontente. Draco o ignorou; em troca, levantou os olhos para olhar fixamente a Harry.
"Não se trata de se render," disse suavemente, com a voz cheia de uma cuidadosa calma que não ocultava a dor que corria muito profundamente em seu interior. "Trata-se de ceder."
Harry cerrou os olhos, rompendo a intensidade que crescia inexorável entre eles; mas ainda podia ver a turbulenta luz nos olhos de Draco, impressos na prata detrás de suas pálpebras. Fora quase doloroso de observar e agora inclusive mais doloroso de sentir - Harry se sentiu alarmado de repente, porque isto era exatamente sobre o que Hermione lhe havia advertido, que poderia ser arrastado neste vértice de emoções encontradas como se lhe fossem próprias. Não podia permitir que isso acontecesse.
Abriu os olhos, determinado a manter a compostura e a lógica, por seu próprio bem assim como o de Draco.
"Confia em mim, está bem?", Harry se encontrou dizendo. Ao azar, as cenas acudiram a sua mente, desatadas; uma oblíqua luz branca da lâmina afilada de uma adaga, jóias de cores colocadas em um anel de prata polida, um momento resplandecente em um tronco cheio de escuridão.
A luz do sol da tarde se derramou através do cabelo de Draco deixando-o branco dourado e seus pálidos traços foram banhados com uma luz cálida que quase dava um toque de rubor a suas maçãs; um vento fresco soprou, mas Draco não se moveu para tirar uma mecha dos olhos. Só olhava Harry, com um olhar inquisidor e de entendimento à vez; então, finalmente respondeu.
"Certamente", suas palavras foram absolutamente moderadas. "Eu estarei lá."
Harry assentiu e retrocedeu; voltou se afastando, caminhou tão discretamente como lhe foi possível onde estavam Rony e Hermione.
"Hey!", disse Rony quando Harry se aproximou; tinha o cenho ligeiramente franzido e Harry soube que Rony havia visto a direção de onde havia chegado. "Que estava fazendo com o unicórnio de Malfoy?"
Hermione fez um tremendo esforço para não rir tontamente; Harry lhe dirigiu um breve olhar assassino, antes de voltar-se com ar inocente a Rony. "Oh, só estava lhe dizendo para que não o monopolizasse - quer dizer, não é justo que tenha um unicórnio só para ele, ou é?"
Rony entornou os olhos mirando o unicórnio. Harry também se voltou - e viu que Draco estava dando-lhe uma maçã açucarada enquanto acariciava as madeixas prateada, de uma maneira surpreendentemente terna.
"Bom, está muito magro," Rony concluiu, com a natural tendência para concluir que qualquer criatura mágica que tivesse sequer um vago carinho por Malfoy não podia ser muito inteligente ou simpática. "Não é bonito nem cheio de cor como os outros unicórnios."
"Tem um chifre bonito," Harry disse sem pensar. Hermione afogou outra gargalhada.
Rony não se deu conta. "É?", perguntou distraído, dando de ombros. "Bom, falando de outra coisa - adivinha o que Hagrid acaba de nos contar? Norberto ganhou um Concurso de Fogo! Carlinhos acabou de enviar uma coruja para informar."
Hermione se apoiou contra a cerca enquanto Rony entusiasta voltava a contar o que Hagrid lhes dissera; que o pequeno Norberto havia triunfado no concurso porque havia prendido fogo ao rabo de seu competidor mais próximo e isto havia obrigado ao dragão machucado se retirar. Podia notar que Harry apenas escutava - em troca, estava olhando ao longe, à cerca no extremo oposto do campo.
E Hermione teve o pressentimento de que não era o unicórnio que Harry estava olhando.
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Conforme a escuridão se espalhava através dos sombreados e sinuosos corredores que tinha em sua frente, Harry tomou nota mental de nunca levar quatro garrafas de poção enquanto tentava escapulir pelo castelo depois da hora de dormir - sobretudo quando não podia usar magia para equilibrar as garrafas, devido ao risco potencial de alterar suas essências mágicas.
Primeiro, quase deixou cair a garrafa que levava a seiva da planta de Verônica quando saia através do buraco do retrato; logo havia tropeçado pelo menos três vezes com os pilares, porque não tinha uma mão livre para segurar a varinha acesa e iluminar o caminho. Enquanto tratava de equilibrar as garrafas com as poções, se esquivar dos pilares colocados por todos lados e manter-se alerta por se Filch andava de ronda, a dispensa parecia estar a quilômetros de distância.
Finalmente, quando irrompeu na dispensa, como de costume, Draco já estava ali. Harry se perguntou a que hora chegava normalmente - ser pontual poderia ser simplesmente decência, mas chegar constantemente antes da hora... isso definitivamente era outra coisa.
Harry descarregou tudo o que levava na mesa e suspirou fortemente - logo verificou seu relógio. Era quase meia-noite - o momento proverbial do encanto mágico, em que as coisas mudariam com a rapidez de um respiro.
E pelo bem de Draco, Harry esperava que algo mudasse, pra melhor.
A meia-noite também significava que a seiva da planta de Verônica, que Hermione havia conseguido pela tarde com Snape, já havia estado fora de seu recipiente especial durante quase cinco horas. Seu calor estava deteriorando-se e se não se apressassem, a efetividade da poção antídoto diminuiria enormemente - ou pior, explodiria em suas caras quando tentassem misturar tudo.
Draco olhou a Harry curioso. "Me deixa adivinhar. Vamos começar nossa própria franquia de Poções para competir com Snape, assim poderemos ganhar dinheiro suficiente para fugir do país antes que meu pai saiba de tudo sobre isso da poção de amor."
"Muito engraçado", Harry lhe dirigiu um olhar fulminante. "Em primeiro lugar, considerando tua habilidade de preparar poções eu não investiria um sicle em qualquer franquia de Poções da qual você fizesse. E segundo, não vou fugir do país contigo, sob nenhuma circunstância."
Draco franziu o cenho, mas continuou observando enquanto Harry começava a inspecionar as etiquetas das garrafas, consultando conforme avançava, uma amassada lista que tinha na mão.
"Bom, agora tira a capa", Harry instruiu rapidamente, sem levantar a vista das garrafas de poções e outros ingredientes empoeirados que havia colocado na mesa; e como resultado, não percebeu o olhar inquisidor de Draco.
Draco duvidou, olhando Harry não sem surpresa. "Como?", Não se moveu.
"Tire a capa," repetiu e apontou com a cabeça um espaço vazio no chão no centro do pequeno armazém. "Estenda a capa no chão e volte aqui rápido. Eu tirarei a minha e a colocarei no chão também e então vamos trabalhar."
Draco levantou as sobrancelhas. "Esta é a brilhante idéia de Granger?"
"Que acha que significa isso?", Harry levantou a vista, sem entender o que Draco queria dizer. "Esta é uma idéia muito boa, Malfoy. Devíamos tê-la feito faz tempo - imediatamente depois de que tomaste a poção, por exemplo. Teria tido um melhor efeito se o tivéssemos feito antes e não sabe como tenho desejado que o tivéssemos feito."
"Bom, eu pensei em fazer antes, mas...", Draco parecia cuidadoso. "Tem certeza, Harry? Não deveríamos - uh, conversar primeiro?".
"Não há tempo para falar", Harry disse, negando impaciente com a cabeça, enquanto tirava a capa pelos ombros e a lançava ao chão. "Precisamos fazer aqui, agora mesmo. Se não fizermos logo, acho que alguma coisa aqui vai explodir".
Draco parecia alarmado. "Bom, bom, se você diz. Quero dizer, se você realmente quer." Desabotoou a frente de sua capa, deslizando o tecido pelos seus ombros para revelar uma camisa de dormir fina, branca; começou a desabotoá-la, então fez uma pausa e examinou Harry. "Quer que apague as luzes?"
"Quê?", Harry encarou Draco perplexo; então a compreensão se refletiu finalmente em seu rosto "Oh, Oh!"
"Que você tem?", Draco captou a expressão consternada de Harry e mordeu o lábio. "Espera um minuto. Não quis...?"
"NÃO!", o reconhecimento de Harry da intenção de Draco foi afugentado rapidamente pelo incômodo e turbação; se aproximou furtivamente onde Draco estava parado e lhe agarrou rudemente pelo braço. "Malfoy! Não é isso que eu quis dizer!"
As maçãs de Draco ficaram com uma larga sombra de vermelho. "Mas você disse –".
"Disse: tire a capa e a coloque ali, para que possamos ter espaço para preparar a poção sem ter que nos preocuparmos em derramá-la no chão!", Harry o interrompeu, parecendo agitado e confuso e olhou Draco. "Definitivamente não o que você estava pensando! Por deus, Malfoy! Eu sugeriria algo assim?"
"Ei, como eu vou adivinhar o que você quis dizer?", Draco parecia indignado e mortificado ao mesmo tempo, enquanto começava a abotoar a camisa de dormir de novo, aborrecido. "Você sempre anda propondo idéias estranhas, eu só estava cooperando."
"Uff", Harry fechou os olhos e esfregou as têmporas com os dedos. Voltou a cabeça para Draco, ainda incrédulo; não tanto pelo fato de que Draco houvesse saltado imediatamente a essa conclusão, mas por tê-la aceitado tão de boa vontade. "Você realmente pensou que eu tivesse proposto isso? Pára de pensar nisso, Malfoy!".
"Não é minha culpa!", Draco parecia realmente ferido e envergonhado, enquanto alisava a frente de sua camisa. "Você foi ambíguo sem necessidade. Quero dizer, estamos sozinhos aqui. Aí pede que eu tire a roupa. Você começou com isso."
"E me imaginou fazendo isso?", Harry balbuciou, ficando vermelho.
"Também poderia ter sido que quisesse comparar o tamanho de - "
"MALFOY!"
"Nossas capas, ia dizer", Draco sorriu desdenhosamente. "O tamanho das costuras e o comprimento da manga, Potter - que estava pensando?"
Harry obrigou-se a respirar fundo para recobrar a compostura. A conversa resultante sobre se despir, comparar tamanhos e a dose geral de palavras mal entendidas havia conseguido distraí-lo da poção antídoto.
"Voltemos ao começo," disse, marcando cada palavra e olhando duramente a Draco. "E, por favor, tome tudo o que disser de agora em diante no sentido literal e guarde suas excursões mentais para você."
Draco fez um muxoxo, mas ainda assim foi ajudar Harry a transportar os ingredientes da mesa ao espaço despejado no chão, onde haviam estendido suas capas. Draco se sentiu tentado a dizer a Harry o que duas pessoas faziam normalmente quando punham um tapete provisional de roupas no chão... Mas então, se arrependeu, dado que Harry não havia tomado muito bem seu pequeno equívoco anterior.
"Vai me dizer que poção está fazendo?", perguntou em troca.
Harry o observou. "É uma poção antídoto," explicou. "Hermione pensa que já que a poção é como veneno em teu sangue, isso deveria poder neutralizar seu efeito."
"Para que a poção de amor simplesmente... desapareça?", perguntou, com o cenho ligeiramente franzido. "O feitiço seria interrompido tão simplesmente assim?"
Harry encolheu os ombros. "Isso, creio, essa é a idéia básica. Bom," disse, sentando-se com as pernas cruzadas junto a roupa de Draco. "Temos tudo o que precisamos e tudo o que temos de fazer é misturar."
"E então o que?", Draco perguntou suavemente. "Supõe-se que vou bebê-la? Porque esse poderia ser um pequeno problema já que agora tenho certos receios bem fundados sobre beber poções preparadas por mim mesmo."
"Bem, é diferente esta vez", disse Harry, ondeando a folha de papel frente a Draco. "Porque temos uma lista de instruções que estão completas. Não uma lista com pedaços faltando do que poderiam ser instruções importantes, como a sua."
"Mas a minha funcionou, não?", disse entre dentes.
Harry abriu a boca, mas não encontrou algo para responder. Suspirou fatigado e levantou os olhos a Draco. "Olha, quer fazer isso ou não?"
Draco o encarava, com uma luz escura de desespero refletido na prata de seus olhos. Observou os olhos de Harry, que eram de um esmeralda vidrado; baixou a seus lábios, ligeiramente abertos como se estivessem fazendo uma pergunta silenciosa; fixando-se finalmente em seu pescoço, fino e delineado pela gola redonda de sua camiseta branca.
Com clara elegância Draco se agachou, apoiando-se nos nós de uma mão, estendendo a outra para tocar suavemente o ombro de Harry; Harry pareceu sobressaltado por sua súbita proximidade e ficou um pouco tenso, mas não se afastou. Draco deixou que sua mão se deslizasse ao longo da linha do ombro de Harry, descansando-a no pescoço; seus dedos procuraram brevemente sob o fino tecido da camiseta e tirou a corrente prateada que enlaçava sua garganta.
E preso a ela, o anel de prata de Draco.
Harry não se moveu enquanto Draco se aproximou ainda mais e se reclinou para abrir o fecho detrás de seu pescoço. Estavam tão próximos que seus narizes quase se tocavam; era um intenso reflexo de seu momento íntimo no baú, como na noite anterior.
Supõe-se que a ametista cura e traz proteção e clareza mental.
Os olhos de Draco nunca romperam o contato com os de Harry, ainda quando o colar esteve desabrochado e Draco deslizou o anel da corrente prateada; segurou o anel firmemente na mão durante um momento, sentindo sua fresca densidade e as fissuras familiares ao longo da superfície, onde as gemas adornavam a cinta de prata.
A esmeralda repele o mal e -
"Use isso", Draco sussurrou suavemente, seus lábios estavam a uns poucos centímetros da orelha de Harry.
Esticou a mão e tomou a direita de Harry e pela segunda vez deslizou o anel em seu dedo anular. As pedras emitiram faíscas violeta cristalino e verde claro; a prata parecia brilhar com una luz completamente própria.
Harry assentiu em silêncio; o ar estava carregado com uma energia única que agudou a intensidade do momento ao máximo. A mão de Draco segurava a sua ainda, ainda depois de que deslizou o anel em seu lugar; Harry quase podia sentir o delicado pulso sob a pele de Draco e o contraditório calor de sua palma contra seus próprios dedos. O momento se deteve no tempo, então se evaporou com a rapidez de uma exalação, desaparecendo como espirais de chuvisco; Draco finalmente soltou a mão de Harry e retrocedeu.
"Façamos," disse suavemente e em seus olhos Harry viu brilhar una nova luz de emoção - confiança esperançada, mesclada com fracas sombras de derrota desvalida.
Com um olhar inexplicável de determinação recém descoberta, Harry recolheu a lista de instruções que Hermione lhe dera - ao que parecia, a poção antídoto estava entre as coisas mais simples que jamais houvera preparado. Hermione já havia medido as quantidades corretas de cada um dos ingredientes, assim que tudo o que tinha que fazer era misturar tudo e... estaria pronto.
Harry havia trazido consigo um copo vazio; verteu com cuidado o conteúdo inteiro de cada uma das garrafas neste, assegurando-se de não derramar nada. Draco simplesmente se sentou frente a ele e o observou trabalhar, seus olhos não se fixavam tanto na poção, mas nos movimentos de Harry. Este duvidou um pouco quando colocou a seiva de planta de Verônica na mistura; mas não houve nenhuma explosão.
Finalmente, todos os líquidos foram misturados sem incidente algum; ao levantar o copo, a poção era opaca e ligeiramente efervescente, uma bonita sombra de azul índigo. Draco o olhou com cautela, mas se absteve de fazer comentários.
Harry tomou um pequeno recipiente cheio do que pareciam pétalas. "Esta é a última parte da poção," disse respirando fundo; viu a lista de novo e leu em voz alta o nome. "Flores de trifasçata de Sanseveria - a planta da serpente. Supõe-se que devo esfarelá-las na poção enquanto digo o feitiço, Discede toxicum. Então você tem que beber o copo inteiro de um gole. Ok?".
Draco pareceu recobrar a compostura, reafirmando sua resolução. "Quando estiver pronto."
Harry assentiu gravemente e com mãos algo trêmulas, abriu a tampa do recipiente e esvaziou o pós das pétalas na mistura.
"Discede toxicum," disse enfatizando cada sílaba, com voz trêmula.
A poção se fez de imediato um vermelho luminoso, como um estalido de fogo, antes de ficar completamente clara, brilhando fraca como cristal líquido.
"Bem," Harry parecia nervoso e apertado, enquanto empurrava o copo a Draco. "Beba-a agora."
Se Draco tinha qualquer medo, ou receios, não demonstrou - resoluto, tomou o copo da mão de Harry, o levantou fazendo um brinde breve, sem palavras, então bebeu a poção em um rápido gole silencioso.
Harry o olhou ansioso, com o cenho franzido de antecipação; tomou o copo vazio da mão de Draco e esperou contendo a respiração. "Como se sente?"
Draco pestanejou umas vezes, tentando respirar de forma normal e avaliando o efeito que a poção antídoto estava tendo nele - mas era impossível de distinguir entre esta sensação incendiária atual, da surda dor irritante ao que quase estava começando a acostumar-se. A sensação ardente minguava e fluía, crescendo e diminuindo como mar inquieto - e no mais fundo Draco teve o temor de que continuasse sendo o mesmo oceano de antes.
"E?", a voz de Harry interrompeu seus pensamentos. "Está funcionando?"
Draco fechou os olhos e se concentrou em inalar profunda e regularmente. O calor o afogava por dentro e então parecia se acalmar e debilitar-se ligeiramente, acendeu um raio fraco de esperança; esperou à expectativa, enfocando toda sua consciência nisso, buscando quase desesperadamente um sentimento tangível de que a poção de amor estava o libertando...
A ardente sensação decresceu cada vez mais, como brasas ardendo sem chama em um forno carbonizado e seu coração bateu rápido numa tentativa regozijo; de repente se sentiu mais normal, embora só levemente, mas isso era bastante pelo momento. Outro feitiço de vertigem o assaltou e oscilou sutilmente, levantando de forma instintiva a mão para segurar-se e foi vagamente consciente de que Harry estendia também a mão para segurá-lo. Quando sua mente deixou de girar, Draco abriu os olhos enquanto as imagens borradas a seu redor tomavam uma forma definida.
Harry estava parado a pouco mais de meio metro, com a mão aferrada em seu braço em um gesto de apoio, com uma expressão de preocupação no rosto.
"Você está bem?", inquiriu, parecendo intranqüilo e esperançado ao mesmo tempo. "Fun - funcionou?"
"Sim, funcionou", Draco respondeu brevemente; ladeando um pouco a cabeça para ver a reação de Harry.
Harry parecia... aliviado. As linhas de tensão desapareceram de seu rosto, pareceu relaxar-se consideravelmente, respirando mais fácil. De fato sorriu quando viu Draco voltar a olhá-lo; não foi um sorriso cálido ou feliz, mas tampouco forçado.
"Isso é bom," foi tudo o que disse, embora alívio em sua postura mostrou quão nervoso havia estado antes. "Se sente... normal de novo?"
Draco ainda se sentia açoitado por vestígios de vertigem. "Defina normal."
"Bom," Harry pensou um momento. "Não sei - como se sentia antes da poção de amor?"
"Não consigo lembrar", o tom de Draco era franco, suas palavras brutalmente sinceras.
"Normal, humm...", Harry tentou de novo. "Para começar, deveria poder pensar corretamente, suponho, e já não se sentiria atraído por mim. Definitivamente não ia querer me beijar."
"Nesse caso," sussurrou Draco, sua voz soava angustiosa e ofegante, "Não, não funcionou."
Agarrou Harry, puxando-o a ele e o beijou duramente.
Uma vez mais Draco pegou Harry totalmente desprevenido; nada mais que um sobressaltado 'oomph' escapou de seus lábios antes que fossem selados por sua boca. Harry retrocedeu um passo, tropeçando e caindo ao chão com Draco em cima dele.
Os lábios de Draco eram suaves, mas seus modos eram duros; imobilizou Harry no chão e o beijou, passando os dedos entre seu cabelo escuro, segurando a parte traseira de sua cabeça firmemente. Sua pressão nos braços de Harry era o suficientemente firme para machucá-lo, transmitindo a pura dor que sentia por dentro, que saiu à superfície enquanto suas unhas se cravavam profundamente na carne. Suas unhas teriam tirado sangue, se não fosse pelas mangas que cobriam a pele desnuda de seus braços.
Harry apartou seu rosto rompendo o contato de seus lábios; o corpo de Draco se sentia quente, quase febril, apoiado sobre o chão.
Draco se apartou, aturdido, vagamente consciente de que Harry o estava empurrando, evidentemente mais aferrado ao fato de tê-lo beijado de novo, envolvendo seus pensamentos na sensação de afundamento que estava surgindo em seu estômago novamente.
"Achei que tinha dito que havia funcionado", a voz de Harry era serena, seu tom cuidadoso e moderado.
"Bem, evidentemente não funcionou". Draco não o podia olhar diretamente; assim que se fez a um lado e se sentou.
Harry lhe dirigiu um olhar mordaz. "Então, por que tinha dito que funcionara?"
A voz de Draco era morta, apagada e absolutamente derrotada. "Bom, certamente foi uma boa ilusão enquanto durou."
Harry também, se sentou, acomodando as lentes e passando uma mão sobre seu cabelo desobediente com absoluta frustração. "Maldição, isso é uma droga."
"Sim," Draco disse sem emoção, "imagina como me sinto."
Harry o observou, sentindo uma pontada de culpa. "Talvez precise um tempo para surtir efeito. Li em um livro de pesquisas que pode tomar até 24 horas para mostrar resultados - dê algum tempo e tenho certeza que funcionará."
"Isso é o que todos dizem em sua noite de núpcias," Draco murmurou caprichosamente.
"Sabe, Malfoy, ser pessimista realmente não ajuda dissipar a escuridão neste lugar." Harry parecia exasperado. "Não pode pensar em algo construtivo para dizer?"
"Construtivo?", Draco parecia cético, como se isto fosse completamente um novo conceito. Fez uma pausa e pensou durante um momento; então se levantou e se dirigiu a Harry. "Bom. Então vamos dançar."
Harry emitiu um sorriso forçado, muito seu pesar. "Dançar. Você quer dançar."
Draco encolheu os ombros. "Nos distrairá de tudo isso durante um instante."
Harry duvidou. "Não tenho certeza de que seja boa idéia, Malfoy. Quero dizer..."
"Tem alguma sugestão melhor?" Draco o interrompeu suavemente. "Poderíamos brincar às escuras suponho. Ali está nosso pequeno baú, seria bastante útil - de novo."
"Não, não quero fazer nada dentro desse baú," respondeu apressadamente Harry; de novo olhava duvidoso a Draco. "É sério? De verdade você quer dançar aqui, agora mesmo?"
"Não, estava pensando amanhã durante o café da manhã, no Salão Principal", Draco fez um gesto de tédio. "Vamos, a menos que queira parecer um tonto outra vez no Baile de Formatura."
Draco estendeu a mão olhando-o decidido nos olhos.
Harry vacilou um momento; então finalmente suspirou e tomou a mão estendida de Draco permitindo-lhe que o ajudasse a se por de pé.
"Não posso acreditar que esteja fazendo isso," murmurou. "Sinto que estou em um musical ou algo assim - quando a situação fica difícil, entra uma música e todos começam a dançar."
"Isso é brilhante vindo de você", comentou travesso Draco. "Levando em conta que é um dançarino sem esperança."
"Não é verdade," Harry protestou zangado.
"Sim, é sim. Eu estava lá, te vi dançar. E todos os outros também viram já que teve a feliz desgraça de abrir o Baile de Inverno." Draco parecia convencido e levantou um dedo. "Primeira lição: ela não guia a dança. O homem guia."
"Oh, cala a boca", as maçãs de Harry se ruborizaram ligeiramente. "Não é minha culpa que Parvati quisesse dançar mais que eu."
"Bem, perdoe-a por querer dançar em um baile", disse Draco.
"Eh, é fácil para você falar," replicou Harry. "Você não teve que dançar na frente da escola inteira, tudo que teve que fazer foi se pavonear por aí com sua fina capa de gala negra e parecer entediado."
Draco fez uma pausa e ladeou a cabeça para olhar Harry. "Lembra da cor da capa que usei no Baile de Inverno?"
Harry parecia desconcertado. "Sim. Mas quero dizer, sempre usa negro e prata, não é?"
Draco sorriu. "Negro e prata é a combinação perfeita - é uma mistura elementar, mas ainda assim é um vívido contraste."
Harry fez uma careta. "Tirou isso de um catálogo de moda de um estilista de roupas para bruxos, ou pensou sozinho?"
"Não", Draco lhe dirigiu um olhar estranho. "É o que realmente penso. Negro e prata foram feitos um para o outro."
Envolveram a garrafa vazia da poção e os recipientes dos ingredientes nas capas que haviam posto no piso e os deixaram a um lado deixando um espaço livre para poder dançar. Com um movimento de sua varinha Draco escureceu as luzes, para que as tochas que havia colocado nos extremos distantes do quarto agora brilharam com uma cor melosa, dourada.
Draco se voltou e olhou Harry, seu olhar inescrutável era suavizada pelas sombras pálidas geradas pela luz flutuante. Aproximou-se mais de Harry; em resposta, Harry não retrocedeu, só o olhou com olhos muito abertos, cheios de inocência e antecipação.
Draco tomou a mão esquerda de Harry e pôs a direita em sua própria cintura sem romper nunca o contato visual; então deu um pequeno passo adiante e ficaram muito próximos, seus rostos escassamente separados. Um calafrio de tensa excitação fluiu entre eles como gelo eletrizado.
"Te deixarei guiar," Draco disse suave e sereno, olhando-o fixo aos olhos.
Eram quase da mesma estatura; Draco descansou sua palma esquerda no ombro de Harry aproximando-os ainda mais. Podia sentir o metal fresco de seu anel no dedo de Harry, apertado contra sua outra mão; oprimiu instintivamente a mão, como se desejasse capturar o momento intangível que agora, de algum modo, estavam compartilhando.
Harry olhava Draco cauteloso e viu a crua gama de sentimentos que destelharam em seu rosto; franca e profunda dor; zanga desolada e derrota desvalida, unindo-se em um caleidoscópio de emoções, antes de desaparecer como vapor e sombras.
"Não há música," Harry disse finalmente, muito suave.
"Não importa", sussurrou Draco. Cerrou os olhos, saboreando a sensação incrível, incomparável de estar tão perto de Harry e não lhe importava se havia música ou só silêncio, ou que estivessem dançando no chão poeirento da despensa ou numa cama de cravos e rosas. Nada mais importava realmente, só que estava dançando com Harry.
O braço de Harry se apertou vacilante ao redor da cintura de Draco, descansando ligeiramente a mão contra o pequeno vão de suas costas. Draco o olhou fixamente nos olhos, esmeraldas impecáveis brilhando com uma emoção perfeita; sem apreensão, sem torpor, não era algo que pudesse descrever, exceto no coração e esse era o que o fazia tão perfeito.
E assim, dançaram.
Harry guiou admiravelmente bem a dança; depois de algo de vacilação inicial e alguns passos indecisos, conseguiu se relaxar em um ritmo que se acoplou perfeitamente com Draco e então tudo foi fácil. Draco se adaptou rapidamente a seu compasso e seus corpos se sincronizaram, próximos enquanto traçavam círculos estreitos que marcavam suas pegadas no piso poeirento.
Harry jamais em sua vida teria imaginado que dançaria com Draco Malfoy, a sós em uma despensa no quinto andar da Torre de Astronomia, as quinze para uma da manhã. E mais que isso, nunca imaginou que se sentiria tão bem.
Enquanto dançavam, Draco teve que admitir que Harry não era mal dançarino - ou sua dança durante o Baile de Inverno não havia feito jus a seu talento, ou havia melhorado consideravelmente desde então. Ou talvez, Draco se perguntou, era porque Harry estivesse dançando com ele?
Obrigou-se a separar seus sentimentos de seus pensamentos, os quais estavam enredados em um aturdimento envolto que gritava: 'Você está dançando com Harry'. E um ainda mais perturbador: 'Beije-o, só uma vez mais'. Draco mordeu um lábio.
"Se sente diferente?", perguntou Harry. "A poção está funcionando?"
Beije-o.
"Acho que sim," respondeu de uma maneira evasiva. "Posso senti-la revolvendo meu estômago - ou só poderia ser que está dissolvendo meus intestinos, certamente."
"Argh," Harry fez uma careta. "Não acho. Agora mesmo, se sente melhor - menos enjoado, talvez?"
Beije-o.
"Um pouco," disse Draco, inconscientemente apertando-se mais contra o corpo de Harry.
"Mais... no controle?", inquiriu Harry.
Beije-o.
"Algo assim," respondeu Draco desejando que sentir-se mais convencido do que se ouvia.
"Nada mais?", perguntou Harry.
Beije-o.
"Sim," disse Draco e simplesmente o fez.
Inclinou-se adiante e beijou a Harry, não com a fereza do beijo anterior, mas que desta vez, foi muito mais terno. Soltou a mão de Harry e seus braços se deslizaram e se uniram ao redor de seu pescoço trazendo-o extraordinariamente mais perto e Draco pôde sentir as batidas do coração de Harry, contra seu próprio peito. Vagamente sentia o toque pesado das mãos de Harry que descansavam em sua cintura; acidentalmente ou não, não sabia, nem queria saber. Não lhe importava.
Os lábios de Draco se abriram contra a boca de Harry que estava cálida e impassível ao mesmo tempo; Harry estava ou, demasiado abrumado para separar-se, ou não disposto a fazê-lo, embora não correspondesse ao beijo. O deslumbrante desejo cresceu em alguma parte da mente de Draco como turva maresia e deixou que sua língua oscilasse contra os lábios de Harry, dobrando-se para aproximar-se mais, desejando mais...
Isso pareceu estimular Harry a fazer algo; começando ligeiramente e retrocedendo abruptamente ocasionando que se rompesse o profundo contato - Draco mordeu um lábio, levantou a vista para olhar Harry, quase sem querer ver o que havia nesses olhos verdes - silenciosa recusa, uma vez mais.
"Bem," Harry disse finalmente, pestanejando duas vezes. "Talvez devêssemos esperar um tempo maior."
Draco assentiu, ruborizado. "Boa idéia".
Harry foi a se sentar junto à parede e em vez de se sentar junto a ele, Draco foi a um armário próximo do outro extremo da despensa; o abriu e para o assombro de Harry, tirou duas garrafas de Cerveja Amanteigada. Pelo que Harry podia ver, dentro ainda havia pelo menos meio engradado de Cerveja.
"Está louco?", disse olhando a Cerveja Amanteigada enquanto Draco voltava com uma em cada mão. "Se Filch encontrar seu esconderijo de Cerveja de Amanteigada, estará em grandes problemas."
"Relaxe," disse indiferente Draco. "Pus um Encanto Aborto-cego nesse armário - é algo como esses Encantos Repelentes de Trouxas, só que ao invés, este repele Abortos. Se Filch olhar aí, não veria nada mesmo... e ninguém mais exceto ele sobe aqui."
"Realmente, quero saber onde aprendeu todos estes feitiços?", comentou Harry, mas aceitou a garrafa de Cerveja Amanteigada que Draco lhe deu.
"Acampamento de verão," respondeu Draco com cara séria, "para Senhores do Mal em Treinamento."
Harry não pôde evitar rir e o som de seu riso ajudou a relaxar o pessimismo no ar. Notou o usual logotipo prateado com letras cursivas Álcool ao longo da Cerveja Amanteigada quando abriu a garrafa e tomou um gole - deixou em sua garganta uma sensação ardente ao passar, mas o álcool aliviou seus nervos. Draco o olhou e lhe dirigiu um sorriso triste.
Harry rapidamente se tranqüilizou; notou a expressão no rosto de Draco, entre a esperança abrigada e a esperança perdida, capturadas na margem onde o desejo e a realidade se mantinham em precário equilíbrio.
"Sinto muito," disse em voz baixa Harry vendo diretamente Draco.
A réplica mordaz 'Maldição, certamente deveria sentir' já estava na ponta da língua de Draco, mas a engoliu no último momento; ao olhar Harry e ver a aflita sinceridade em seus olhos, as palavras amargas se dissolveram deixando só uma triste nostalgia.
Draco engoliu e desviou o rosto da vista de Harry. "Eu também."
N/T: Nada de importante, só que eu li a cena da dança desse capítulo escutando "Wonderwall", só que na versão do Ryan Adams. Ficou muito lindo. Essa versão mais lenta ficou perfeita (melhor que a do Oasis!)...
Nota do Grupo:
O que vocês acharam da dança? Esperamos que tenham gostado!
Nossos agradecimentos à: Dana Norram, Lis, Rei Owan, Maaya Malfoy, Ilia-Chan (Força para você!), Kirina-Li, Mel Deep Dark, kaza, Srta. Kinomoto, Amy Lupin, Anita Joyce Belice, AganishLottly, Marck Evans, Tatiana, Bela-Chan, Elisangela (Nós somos brasileiros, e não desistimos nunca) e Hermione Seixas.
Os Tradutores
