AO CAIR DAS FOLHAS
By Dama 9
Nota:
Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e empresas afiliadas.
Apenas Larissa, Emmus e alguns poucos personagens que não fazem parte da trama oficial, são criados por mim, única e exclusivamente para essa Saga.
Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos. Então não queriam me prender apenas por querer exercer um hobby e entreter leitores cuja paixão é a mesma que a minha, por esse anime que encanta a tantos.
Ademais...
Boa Leitura!
Capitulo 11: Acordes Finais.
.I.
-Experimente; Minos falou observando-lhe atentamente.
Entreabriu os lábios, sentindo o pedaço de morango deslizar lentamente por sua boa e o chocolate derreter. Provou lentamente, saboreando o gosto e o sabor do vinho que acabara de tomar.
-Perfeito; Larissa falou.
-Minha prima vive falando que Campos do Jordão sem fundi, não é Campos do Jordão; ele comentou com um fino sorriso nos lábios.
-Meus cumprimentos a ela então; a jovem falou erguendo a taça, fazendo-a tocar a dele e tilintar novamente. –Você se saiu muito bem;
-Que bom; Minos falou com um fino sorriso nos lábios. –Ficou um pouquinho aqui; ele murmurou.
-Uhn! O que? –Larissa indagou, mas estancou quando ele inclinou-se sobre si e pousou os lábios no cantinho dos seus.
Sentiu o corpo estremecer e encolheu-se instintivamente mais contra ele, sentindo um dos braços do cavaleiro descansar languidamente em suas costas.
-Chocolate; Minos respondeu ao se afastar.
-Ah! Sim... ; ela balbuciou.
-Mais? –ele indagou num sussurro enrouquecido.
Somente diria não se fosse alguma espécie de louca; ela concluiu quando seu corpo foi mais rápido que a mente e viu-se assentindo com a cabeça.
Um sorriso sedutor curvou os lábios bem desenhados do cavaleiro, quando ele virou-se e de maneira lenta e deliberada, espetou um morango e mergulhou-o na calda de chocolate.
-Você deveria experimentar com o vinho tinto, é uma verdadeira tentação dos deuses; ele falou com um sorriso nada inocente ao estender-lhe o espetinho com a fruta, colocando-o em seus lábios.
-Uhn! – Larissa murmurou, olhando para ele e para o morango, sem entender se estavam falando exatamente da mesma coisa, embora tivesse tido outra impressão.
-Tem vinho tinto na geladeira, se você não gostar do branco; Minos falou diante do silencio dela.
-Não! Não... Esse está ótimo; Larissa adiantou-se. –Esta tudo perfeito; ela completou com um sorriso sem graça.
Maluca! Estava ficando totalmente pirada, essa era a única explicação. Minos estava sendo um verdadeiro gentleman e ela pensando em uma infinidade de fetiches com chocolates e vinho; Larissa pensou balançando a cabeça nervosamente para os lados.
-Tem certeza? – Minos indagou desconfiado.
-Sim, o vinho está maravilhoso; ela falou e como se para provar, levou a taça aos lábios, sentindo o gosto suave do vinho mesclado ao sabor intenso do chocolate ressaltado pela polpa do morango.
-Que bom; ele respondeu, fitando-a intensamente.
-E você, não vai comer? –ela indagou, enquanto espetava uma uva e levava até o chocolate branco.
-Ainda não; Minos respondeu com um olhar que faria inveja ao lobo mau das fabulas infantis. –Quem sabe depois...;
-Estive pensando numa coisa; Larissa falou, sem notar a forma como ele a fitava, tão pouco os pensamentos transparentes que oscilavam sob o brilho de seus olhos dourados.
-O que? –ele indagou, enquanto levava a taça de vinho aos lábios.
-Você disse que era advogado; ela comentou, sem notar o quão ele ficou tenso com essa abordagem. –Mas qual sua especialidade?
-Promotoria; Minos respondeu com uma pontada de ironia.
-Deve ser fascinante; Larissa comentou aconchegando-se entre os braços dele, enquanto os orbes perdiam-se em meio às chamas que queimavam na lareira. –Deve ser pura adrenalina, não?
-Nem sempre; ele falou sombrio. –Normalmente é tedioso e enfadonho;
-Verdade? –ela falou decepcionada. –Sempre pensei que vida de advogado fosse tipo aqueles seriados americanos como Law and Order, ou Justiça sem Limites, com suas devassidões e sandices; ela brincou.
-Uma visão Hollywoodiana demais; ele falou inquieto.
-Desculpe; Larissa murmurou.
-Porque?
-Você não parece gostar muito de falar sobre seu trabalho; ela respondeu pousando a cabeça no peito dele, sentindo-o puxar a manta sobre eles, cobrindo a curva de seu pescoço.
-Não, é só que... Não estou acostumado com perguntas sobre isso; ele falou passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-Última pergunta, depois prometo não falar mais sobre isso; ela pediu.
-O que quer saber? –Minos indagou sabendo que ela iria acabar conseguindo bem mais do que isso, sem nem ao menos insistir muito.
-O que sua família acha de você ser advogado? –Larissa indagou. –Porque eu mesma, por exemplo, precisei de um pouco de persuasão para convencer minha família de que as fotos eram mais do que um hobby e que deviam ser levadas a serio e respeitadas; ela explicou.
-Não foi uma escolha compartilhada; Minos respondeu omitindo a parte em que ele fora apenas convocado, mas não houvera opção de recusar. –Mas meu tio não gostou muito disso; ele acrescentou.
-E sua prima? –ela falou lembrando-se que ele comentara sobre a jovem que era bem próxima e que vivera no Brasil durante alguns anos.
-Isa ainda era criança quando me mudei; Minos falou pensativo. –Só lamento não ter podido ficar mais tempo com ela, muitas coisas poderiam ter sido evitadas com isso; ele completou.
-Nem sempre; Larissa falou chamando-lhe a atenção.
-Como?
-Quando algo tem que acontecer, acontece; ela falou calmamente. –Tudo serve de aprendizado, sejam coisas boas ou ruins;
-...; ele assentiu pensativo.
Embora ela estivesse certa, não era fácil deixar todos aqueles anos pra trás.
.II.
Sentou-se na beira da cama, enquanto ouvia os primeiros acordes do violino de abeto, passou a toalha branca pelos cabelos, impedindo que as gotas de água que ali estavam caíssem sobre o tapete.
Segundos depois a musica soava de maneira plena pelas paredes do apartamento, um fino sorriso formou-se em seus lábios. Juliana terminara o violino mais rápido do que havia previsto.
Pelo menos agora poderiam tirar umas férias e ela iria descansar depois da correria que haviam sido aqueles últimos meses. Suspirou pesadamente, mesmo que ela não demonstrasse, ainda podia notar a tensão que a envolvia durante a noite, quando alguns pesadelos surgiram para lhe perturbar o sono.
Mesmo a Erinia tendo sido eliminada, suas influencias sombrias ainda causavam problemas. Entretanto, estava disposto a tudo para que a namorada tivesse alguns momentos de prazer e aconchego, nem que pra isso tivesse de tirá-la de São Paulo, o que teria de acontecer de qualquer forma; ele pensou, lembrando-se da conversa que tivera com Sheila no dia anterior.
Fazia anos que Juliana queria ir a Campos do Jordão, mas como estava vivendo em Paris, dificilmente retornava ao Brasil e tinha essa oportunidade. Agora que estava definitivamente fixada em São Paulo, nada mais do que justo, matar a saudade das cidades que mais gostava.
Por isso conseguira com Sheila, o endereço de alguns chalés no interior de Campos do Jordão, num lugar afastado da movimentação do centro, onde pudessem descansar e curtir o friozinho aconchegante da cidade.
Embora Juliana ainda não soubesse, as malas estavam prontas e já guardadas no carro, no estacionamento. Estava apenas esperando ela terminar o violino e ir tomar um banho; ele pensou, sorrindo satisfeito com o plano traçado.
Terminou de secar os cabelos e levantou-se, indo até o guarda roupas, onde tirou um par de calças e uma camisa branca. A musica cessou minutos depois e ouviu os passos suaves da jovem atravessando o corredor e aproximando-se do quarto.
-Terminou de afiná-lo? –Aiácos indagou, enquanto fechava o zíper da calça e deparava-se com o olhar apreciativo da namorada, que jazia encostada no batente da porta, com um sorriso que estava longe de ser inocente.
-Já, nunca pensei que fosse terminar tão rápido; Juliana comentou, jogando-se na cama e espreguiçando-se languidamente. –Estou morta de cansaço, mas valeu a pena;
-Não duvido; o cavaleiro falou deixando a camisa de lado e indo sentar-se ao lado dela. –O que pretende fazer agora? –ele indagou puxando-lhe os pés e colocando-os sobre seu colo, iniciando uma massagem suave nos locais mais tensos.
-Uhn! – Juliana murmurou ronronando. –Tomar um banho e desmaiar na cama; ela falou bocejando.
-O que acha de tomar seu banho e depois, irmos para um lugar onde você vai poder relaxar e descansar o quanto quiser? –ele indagou deixando a ponta dos dedos pressionar o músculo da panturrilha, fazendo-a soltar um leve gemido de alivio.
-Aonde? –Juliana indagou curiosa.
-Não é muito longe, você vai gostar; Aiácos respondeu.
-Se você diz; a jovem murmurou já sonolenta. –É melhor eu ir logo, antes que durma aqui; ela respondeu levantando-se.
-Vou preparar alguma coisa para comermos, enquanto te espero; ele falou vestindo a camisa, enquanto ela separava algumas roupas para vestir, mas engoliu em seco quando viu-a aprofundar-se no guarda roupas resmungando alguma coisa. –O que foi?
-Minha blusa branca não ta aqui; ela falou.
-Quem sabe não foi pra lavar; ele comentou casualmente, puxando em sua mente a lista de peças de roupa que colocara na mala dela e recriminou-se por ter se esquecido que ela possivelmente iria notar a falta dessa e das demais peças.
-É, acho que foi isso; Juliana falou encontrando uma outra, antes de jogá-la sobre o ombro e seguir para o banheiro.
-Essa foi por pouco; ele murmurou aliviado.
.III.
Abraçou-a ternamente, deixando-se embalar pela melodia que emanava pelo ambiente. A sala que fora reservada para o jantar, parecia saída de um dos cômodos do palácio de Versalhes.
Lá fora, com o cair da noite, a temperatura já beirava a dois graus, mas ali dentro, sob o calor aconchegante das achas que queimavam na lareira, sentiam-se transportados para outro mundo.
-Queria que essa noite nunca chegasse ao fim; a jovem de melenas negras sussurrou, sentindo os braços do marido estreitarem-se em torno de si.
-Podemos repetir isso mais vezes se quiser; Hades falou casualmente.
-Verdade? –ela perguntou erguendo os orbes para ele, ansiosa.
-Tudo que você quiser; ele sussurrou, pousando um beijo suave sobre seus lábios.
Talvez aquele fedelho impertinente tivesse razão afinal, ao sugerir que deixassem a Grécia durante um tempo e conhecessem outros lugares, alem de terem a oportunidade de ver um pouco mais do mundo dos mortais.
Dali uma semana Atreu se juntaria a eles, e teriam a oportunidade de ver muitas outras coisas mais, com o filho que tanto desejava conhecer aquele mundo.
Às vezes, quando parava para pensar no passado e pesar tudo que havia acontecido, se pegava perguntando se algum dia chegou realmente a saber do que realmente se tratava a natureza humana.
Há alguns meses atrás tivera essa conversa com Shun, mas nem mesmo o cavaleiro pudera esclarecer suas duvidas, embora jamais fosse admitir que ainda não conseguia compreender aquela força que movia os mortais e porque existiam tantas guerras, num mundo que poderia ser banhado pela beleza e tranqüilidade.
-Você acha que eles estão bem? –Cora indagou depois de alguns minutos de silencio.
-Quem? –Hades perguntou.
-Minos e Larissa? –ela falou.
-Provavelmente sim; ele respondeu.
-Percebi que Minos ficou perturbado quando nos viu, acredito que Larissa mesmo sendo amiga de Emmus, não sabe quem somos, ou melhor... O que somos; Cora falou pensativa.
-Notei isso também; Hades falou dando um pesado suspiro.
-Minos esta carregando um fardo muito pesado, gostaria que ele e Larissa ficassem juntos; Cora comentou. –Ele parece mais feliz aqui com ela;
-Tem razão; ele murmurou. –Ele tem o livre arbítrio de escolher ficar ou partir, mas antes de qualquer decisão, ele precisara contar a verdade a ela;
-Mas...;
-Relacionamento algum se constrói sobre mentiras; Hades falou acariciando-lhe a face. –Se ela não acreditar, ou não levá-lo a serio... Paciência, talvez ela não seja a mulher certa. Mas se for, procurara entender que um cavaleiro, seja espectro ou marina, não é um mortal comum. Existem habilidades que estão em seu sangue, são sua herança e fazem parte daquilo que ele é e serão passados a próxima geração; ele completou.
-Mas eles são tão fofos juntos; Cora murmurou contrariada.
-Não podemos fazer nada por eles, se não lhes dar tempo para agirem. Embora eu tenho o leve pressentimento de que as coisas não vão ser exatamente assim; ele completou pensativo.
.IV.
Ouviu o baixo ressonar da jovem, enquanto distraidamente afagava-lhe os cabelos. Estavam conversando sobre coisas banais quando sentiu Larissa pouco a pouco adormecer, entregando-se ao cansaço pelo dia agitado.
Era de se admirar que ela houvesse agüentado tanto tempo acordada, mas não podia negar que gostava da expressão tranqüila da face dela, enquanto ela estava recostada sobre seu corpo.
Suspirou pesadamente, o tempo estava passando mais rápido do que desejava, só tinha mais dois dias pela frente e não sabia ao certo o que fazer. Queria contar a Larissa quem realmente era, mas possivelmente ela lhe chamaria de maluco.
Mesmo porque, quem em dias atuais acreditava em divindades épicas reencarnadas entre mortais e guerras santas, envolvendo cavaleiros míticos e seres saídos das paginas de fabulas e contos? Não, definitivamente seria tachado de louco; ele pensou com desgosto.
As achas, uma a uma, queimavam sua última centelha. Empurrou as taças para longe de si, enquanto ajeitava-se de forma que pudesse levantar-se e carregá-la para o quarto. Embora o tapete fosse quente, o frio começava a entrar no chalé por baixo da pesada porta de madeira e não queria que ela se resfriasse.
Ouviu Larissa murmurar algo e remexer-se inquieta, segurou-a de forma que ela não caísse e levou-a até o quarto principal, colocando-a sobre a cama de casal.
-Minos; ela murmurou entre suspiros, enquanto tateava o lado oposto da cama e agarrava-se a um travesseiro.
Um fino sorriso formou-se em seus lábios, enquanto a cobria com uma pesada coberta. Voltou para a sala e pegou o aparelho de fundi, colocando-o sobre a mesa e apagando a chama que ainda queimavam.
As demais coisas colocou na cozinha, dona Regina avisara que arrumaria tudo de manhã e que não precisariam se preocupar com aquilo.
Abriu uma frestinha na janela da sala, para que os últimos resquícios de fumaça saíssem por lá e voltou para o quarto. Encontrou Larissa encolhida na cama, tremendo um pouco devido ao quarto frio.
Tirou a jaqueta pesada, deixando-a sobre o cesto de vime, antes de baixar o zíper da calça e jogá-lo no mesmo lugar, seguido pela camisa branca. Mais confortável, afastou as cobertas e deitou-se ao lado da jovem, enlaçando-a pela cintura, fazendo-a aconchegar-se a seu peito.
Deu um baixo suspiro, não conseguia se lembrar da última vez que deixara alguém se aproximar tanto assim, ou que se permitira a isso. Nunca fora de confiar muito nas pessoas, mas Larissa desde o começo produzira um efeito retrogrado em si.
Havia decidido manter-se indiferente ao sorriso cativante, ou a suavidade de seus gesto, da mesma forma que pretendia ficar imune ao suave perfume emanado pelas melenas claras. Entretanto, tudo mostrara-se uma batalha perdida desde o primeiro instante.
Sabia que ia acabar se machucando no fim, mas não abria mão daqueles últimos dias ao lado dela, nem mesmo que o imperador lhe ordenasse a partir antes; ele pensou pousando um beijo suave sobre os lábios rosados.
Amanhã seria um novo dia e procuraria aproveitar ao máximo, mesmo que no fim, só restassem lembranças.
Continua...
