A história se chama Bodas de Vingança e a autora é Lucy Monroe bem como as personagens pertencem a Naoko Takeuchi.

Resumo:

No exato momento em que Mamoru Chiba viu a modelo Usagi Tsukino, teve a certeza de que um dia a possuiria. Mas a beleza dela não era a única coisa que o atraía – ele queria vingança! Usagi não seria uma conquista fácil. Ao ser rejeitado pela beldade, ele chegou à conclusão de que seria preciso uma mudança de tática para seduzi-la. De uma forma inesperada, Mamoru dará o último passo rumo a sua vingança: casando-se com Usagi!

CAPÍTULO ONZE

Quando adentraram o apartamento. Usagi disparou pelo corredor em direcção ao quarto e começou a fazer a mala. Não prestava atenção ao que pegava, apenas empurrava as roupas para dentro da frasqueira que tinha aberto sobre a cama.

— Não vou permitir que vá embora desta casa.

Ela se limitou a fitá-lo de soslaio, dando continuidade à tarefa que desempenhava com desespero.

Os dedos longos e bronzeados fecharam-se em torno da blusa que Usagi acabara de tirar do armário.

— Espere. Vamos conversar.

— Não há nada para ser dito. — Estremeceu ao lembrar que repetira essas mesmas palavras para Seiya minutos atrás. — Vou embora.

— Então, vai permitir que ele saia vitorioso.

Ela virou o rosto para encará-lo, indignada.

— Ninguém triunfará neste cenário doentio. Você, eu ou tampouco Seiya. Você me usou, Mamoru. Mentia despudoradamente, enquanto jurava que nunca o faria.

— Não menti para você.

— A omissão é uma forma de mentira.

— Discordo. Só estaria faltando com a verdade se você tivesse me perguntado e eu me recusasse a lhe contar. Você nunca questionou quem seria meu inimigo. Nada do que lhe disse até hoje é mentira.

— Pode apresentar a melhor justificativa que tiver. Não mudará em nada seu comportamento cínico. Seiya estava certo. Você não é melhor do que ele.

— Está sendo injusta! Nunca fiz nada para feri-la. Não a estou rejeitando. Casei-me com você!

— Para manter-me longe do alcance das mãos de Seiya.

O silêncio que se seguiu o condenava.

— Tentando não contar outra mentira? — inquiriu ela, à guisa de provocação.

— Isso não faz diferença.

— Está muito enganado — disse, puxando a blusa das mãos do marido e enfiando-a na mala. — Vou embora e não tente me impedir.

— Droga! Você está grávida de um filho meu. Não pode me deixar dessa forma.

— Não condenaria meu pior inimigo a conviver com um pai com tamanha pobreza moral.

Os olhos de Mamoru dilataram-se de raiva.

— Você não seria capaz de... — Parou, incapaz de completar o que dizia, mas Usagi não estava prestando atenção.

Tudo o que desejava era sair daquele apartamento.

De repente, concluiu que não precisava daquelas roupas. A única coisa de que necessitava era afastar-se dele.

Girou nos calcanhares e marchou em direcção à porta.

Mas antes que pudesse dar dois passos, Mamoru a segurou pelos ombros.

— Para onde vai?

— Tire as mãos de mim.

— Não.

Com um gesto brusco, Usagi se desvencilhou das mãos que a seguravam e, desequilibrando-se por instantes, amparou-se à parede.

O sangue pareceu descer para os pés de Mamoru.

— Você está bem, stellina?

— Como se você se importasse com isso.

— Eu me importo — afirmou ele, amparando-se à parede. Temia que as pernas não o sustentassem. — Não precisa partir. Eu irei embora... ficarei num hotel. Estará mais bem-acomodada aqui. Por favor, deixe-me fazer ao menos isso por você.

— Não. — Não conseguiria ficar onde as lembranças daquele homem estavam por todo o lugar.

Mamoru não proferiu mais nenhuma palavra, enquanto ela se precipitava pela saída.

Depois de pegar um táxi e dar entrada em um hotel, Usagi subiu para o quarto e chorou toda sua mágoa.

Ela permaneceu no quarto do hotel por três dias. Solicitava as refeições no quarto, apenas porque em seu estado não podia deixar de se alimentar. Ignorava as ligações de Mamoru no celular e chorava desde a hora em que acordava até ir dormir.

No terceiro dia de clausura voluntária, ouviu uma batida à porta. Sentiu seu estúpido coração disparar com a expectativa de ser Mamoru. Mas logo se repreendeu. De nada adiantaria o marido vir procurá-la. Não lhe daria outra chance.

Caminhou a passos lentos até a porta e a escancarou para encontrar Jedite, o investigador particular do marido, parado à sua frente.

— O que quer aqui?

— Você está bem? Parece doente.

Usagi deu de ombros. Ele tinha razão. Seu coração estava doente.

Observou a mala na mão do homem. Parecia aquela que estivera tentando fazer antes de partir. Naqueles três dias, limitara-se a vestir o robe do hotel, por falta de roupas.

Jedite pousou a mala no chão.

— Mamoru está pior do que você. — Usagi não pôde evitar a surpresa. A aparência impecável era marca registrada do marido. — Ele está bastante preocupado com você.

Ela o fitou com olhar impassível.

O investigador balançou a cabeça, com expressão aborrecida.

— Vocês dois não passam de um par de idiotas.

— Eu não sou... — mas sua voz se recusava a sair.

— Não precisa se esforçar em falar. Farei isso por nós dois.

Teria outra escolha? pensou Usagi.

— Sei os motivos que levaram Mamoru a abordá-la. Afinal, eu o ajudei a fazê-lo. Mas tudo mudou depois. Meu amigo precisa de você.

Usagi balançou a cabeça, veemente.

O homem franziu o cenho, fitando-a com expressão séria.

— Desde que partiu tenho estado ao lado dele no mausoléu em que se transformou aquele apartamento.

— Não é um mausoléu...

— É o que está parecendo. E Mamoru, a múmia que o habita, chorando sua perda pelos cantos. Não o vejo assim desde a morte da mãe. Sempre por causa de uma mulher! — disse Jedite desgostoso. — Sabia que ele não vai trabalhar desde que o deixou? — Usagi permaneceu era silêncio, o que o fez suspirar exasperado. — Por mais estúpido que Mamoru seja para admitir, e você zangada para aceitar, ele precisa de você. A questão é o quanto se importa com seu marido para lhe dar a chance de lhe provar isso.

— Não sou estúpido — a voz familiar vinha da porta. Quando Usagi se voltou para encará-lo, ofegou diante da visão.

Jedite não mentira. Mamoru parecia não se alimentar a uma semana, e não apenas há três dias. A face estava encovada e duas linhas escuras contornavam os olhos fundos. A barba por fazer emprestava uma aparência ainda mais desgastada ao rosto abatido e o jeans que trajava parecia dois números maiores que seu manequim.

— Preciso de você, Usagi. Mais do que posso expressar em palavras.

— Pensei que não viria — disse Jedite, como se Ângelo tivesse dito algo corriqueiro.

— Precisava vê-la. — Os olhos azuis permaneciam grudados em Usagi.

— Como pode constatar, ela não está melhor que você.

— Por culpa minha. — Jedite virou-se para partir. Os ombros curvados não lembravam os erectos e largos que Usagi gostava de acariciar. — Mas foi um erro. Vou embora.

O investigador soltou uma imprecação.

— Não seja idiota. Acha que sua esposa ficará melhor se partir?

Mamoru se voltou para encará-la.

— Pedi a Jedite que trouxesse suas roupas, mas se precisar de qualquer coisa... — A voz embargada pela emoção.

— Você — sussurrou ela, incapaz de deixá-lo partir.

Ele a usara e isso ainda doía demais. Mas ali estava mais do que um marido que manipulara uma mulher para obter vingança contra um inimigo. Aquele homem estava ferido e vulnerável de um modo que alguém como Seiya nunca estaria.

— Eu? — inquiriu Mamoru.

— Fique.

— É assim que se fala. — Foi tudo o que Jedite disse antes de partir. Quando chegou à porta, parou, dirigindo-se a Mamoru. — Não perca esta oportunidade. Não estou disposto a ser sua babá por mais tempo. Homens apaixonados me enojam.

Homens apaixonados?

Mamoru ouviu a porta bater, mas toda sua atenção estava concentrada na esposa. O péssimo estado em que ela se encontrava só lhe aumentava o sentimento de culpa. Ferira a mulher que amava sem ao menos saber que nutria por ela tal sentimento.

Por que tudo aquilo tivera de acontecer para que ele descobrisse que a amava?

Se a perdesse por sua estupidez, nunca iria se perdoar. Os últimos três dias haviam sido os piores da vida dele. Esperava que Usagi lhe telefonasse, mas quando ela ignorou suas ligações, percebeu que o que fizera fora muito grave para obter perdão.

Não sabia o que o levara até ali. Apenas que, como dissera a Jedite, ansiava em vê-la.

Precisava daquela mulher.

E Usagi sequer sabia disso. Pensava que ele a desposara apenas por vingança. Seria capaz de tudo para lhe provar o contrário, mas sentia-se incapaz de transpor o abismo que pairava entre eles.

Porém, de alguma forma, teria de atravessá-lo. Descobrir uma forma de alcançá-la e convencê-la da veracidade de seu amor.

Os últimos três dias havia sido um inferno. Não suportaria viver daquela forma. Nem mais um minuto.

Usagi cambaleou até uma cadeira e deixou-se afundar nela, considerando a possibilidade de Jedite estar certo. De que Mamoru estivesse de fato apaixonado por ela.

Tinha a aparência de um homem que perdera um grande amor.

Ele a seguiu como que puxado por um cordão invisível e ajoelhou-se à sua frente, sem tocá-la.

— Perdoe-me.

— Você me usou, da mesma forma que Seiya. — As palavras saíam com dificuldade.

Esticou a mão para o copo de suco que deixara sobre uma pequena mesa próxima de onde estava sentada e bebeu-o de um só gole, tentando amenizar a secura da garganta.

— Não é verdade.

Usagi o fitou como se exigisse nada menos do que a total sinceridade.

— Sim, como ele o fez — insistiu a esposa.

— Aquele homem não tem sentimentos. Eu tenho.

Ela balançou a cabeça em negativa.

— Não é o que parece. Casou-se comigo para afastar-me dele.

— Eu acreditava que sim. — O tom de voz de Mamoru era baixo e cheio de angústia. — Queria que ele perdesse tudo que desejava ter.

— E conseguiu.

— Perdi muito mais do que ganhei. Agora sei que você nunca teria voltado para Seiya. É uma mulher forte... e muito inteligente. Por causa de meu comportamento vil, eu a perdi e não sei como recuperá-la.

— Você me quer de volta?

— Mais que tudo na vida. — Usagi nunca ouvira palavras ditas com tamanha carga de emoção, repletas de desespero e tristeza.

— Por causa do bebé?

— Por que a amo.

— Você não me ama — disse ela, com um fio de voz. Sem forças para aceitar, depois de tanta dor e sofrimento, que o marido fosse capaz de amá-la.

— Sim, a amo mais do que minha própria vida. Se pudesse, voltaria no tempo e apagaria tudo que fiz para não vê-la sofrer.

— Como espera que eu acredite nisso?

— Nunca menti para você.

— Voltaria atrás no nosso casamento?

— Se isso pudesse diminuir a dor desses lindos olhos azuis, eu o faria.

Estava sendo sincero. Seria capaz de abrir mão da mulher amada se isso lhe trouxesse de volta a felicidade.

— E o nosso filho? Seria capaz de apagá-lo também? — pressionou-o.

Mamoru parecia um condenado submetido à tortura, mas ainda assim, sustentou-lhe o olhar.

— A criança que está em seu ventre é minha razão de viver, mas... — a voz máscula falhou embargada pela emoção. — Se isso a fizesse feliz, eu desejaria nunca termos nos conhecido, casado ou feito amor.

Se o marido estivesse sendo sincero, então ele de fato a amava.

— Como posso acreditar no que está dizendo?

Mamoru desviou o olhar com o rosto contraído pela dor. Ficaram em silêncio por intermináveis minutos até que ele voltasse a encará-la.

— Eu já a amava quando nos casamos, embora não admitisse nem para mim mesmo.

— Gostaria que isso fosse verdade. — Aquilo tornaria o sofrimento mais suportável.

— Lembra-se do nosso contrato pré-nupcial?

— Nós não temos um.

— Não teríamos, se eu tivesse me casado por vingança? Sou um homem muito rico. Se não a amasse de verdade ou tivesse a intenção de me separar, não teria tomado as medidas necessárias para proteger meu património? Não sou um tolo... na maioria das vezes — acrescentou com ar triste.

— Disse que queria que o nosso casamento durasse para sempre. Não planejava um divórcio.

— Percebe? Apenas o amor é capaz de nos unir a alguém para o resto da vida.

Aquele era um argumento inexpugnável. Usagi mordiscou o lábio, pensando no contrato pré-nupcial de sua mãe e Diamond. Apesar de o padrasto ser um homem completamente apaixonado, insistira para que o fizessem. Ele alegara que o documento protegeria a esposa também. Mas ainda assim, estava implícito que o casamento teria uma chance de acabar.

Considerando o número de relacionamentos que a mãe tivera entre o pai de Usagi e o actual marido, a preocupação de Diamond era mais do que justificada, mas Mamoru demonstrara total desprendimento nesse sentido. E ele tinha muito mais a perder do que seu padrasto.

— Só se casou comigo para me afastar de Seiya.

— Casei-me com você para tê-la a meu lado.

— Mas...

— Escute-me. No momento em que coloquei os olhos em você, a desejei mais que tudo. Depois que a conheci melhor, soube que possuir seu corpo não seria suficiente. Passei dez anos anestesiado emocionalmente. Afastado de minha família. Não deixando que ninguém se aproximasse de mim por mais de uma semana.

— Mas a vingança...

— Qual? Fiz algo a Seiya Kou que ele não tivesse cavado com as próprias mãos?

Usagi considerou as palavras do marido por algum tempo e concluiu que ele estava certo. Mamoru poderia ter fornecido as peças do quebra-cabeça, mas o ex-namorado foi quem o montara.

— Não — respondeu ela por fim.

— Se tivesse conhecido você de outra forma desejaria que fosse minha do mesmo jeito.

— Como posso ter certeza disso?

Mas ao mesmo tempo em que fazia a pergunta, as lembranças lhe assolavam a mente. Mamoru poderia ser um homem implacável, mas não lançara mão de sedução, quando poderia ter feito. Na verdade, o marido procurara conhecê-la, agradá-la e nunca fizera nada que a ferisse. Tudo o que fizera fora se doar cada vez mais para ela. E aquele tipo de comportamento num homem alfa como Mamoru, denotava a importância que ela desempenhava em sua vida.

— É uma questão de confiança, stellina. Se de fato me ama, será capaz de acreditar em mim... Nossos corações baterão em uníssono e saberá o que é verdadeiro a despeito do que a razão lhe diga. — A eloquência contida nos olhos do marido dizia mais do que mil palavras. Revelava o quanto Usagi podia feri-lo se o rejeitasse naquele momento.

A mãe de Mamoru cometera esse erro. Não o amou o suficiente para ficar ao seu lado e encarar os próprios demónios. Mas ela era mais forte do que isso. Se tinham uma chance de serem felizes, iria se agarrar a ela com todas as forças.

— Eu também te amo, Mamoru. Mais do que pensei que seria capaz de amar um dia.

Um fio de esperança iluminou os olhos azuis.

— O suficiente para ficar ao meu lado, mesmo que eu não seja o homem perfeito que merece ter?

— Ninguém é perfeito, querido. Não poderia abrir mão de você, sem fazer o mesmo com minha razão de viver.

O beijo que se seguiu estava repleto de ternura e o modo com que fizeram amor era tão terno e belo que faria um coração de pedra chorar. Lágrimas de felicidade rolavam pela face de Usagi e se misturavam ao rosto de Mamoru.

— Estive sozinho por muito tempo.

Ela o puxou para si, beijando-lhe.

— Nunca mais estará.

— Tenho certeza disso.

Quando o corpo feminino explodiu em espasmos de prazer, Usagi não pôde conter a emoção.

— Mamoru, eu te amo.

Ele lhe tomou a face nas mãos, fitando-a com um brilho nos olhos que Usagi jamais vira igual.

— Eu também te amo. Minha esposa. Minha vida.

O filho de Mamoru e Usagi nasceu numa manhã de primavera. Quando o médico pousou o robusto e saudável bebé no colo da mãe, o pai colocou uma das mãos na cabeça da esposa e outra nas costas do filho.

— Obrigado — sussurrou ele, com um fio de voz.

Usagi sorriu para o homem que amava com toda força de seu ser.

— Somos uma família agora.

— Eu te amo, stellina.

— Eu também te amo.

O bebé emitiu um som ininteligível como que concordando com as palavras sinceras dos pais.

Os três formavam uma família perfeita. Baseada no amor e na confiança. Seu magnata não mais teria de viver num mundo destituído de amor e ternura.

Homens como Seiya Kou nunca dariam valor ao sentimento, mas Mamoru sim.

Porque o homem de negócios implacável com o qual se casara tinha algo que o outro não possuía. Um coração.