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Sentindo um pavor que não ousaria con fessar em voz alta, Draco entrou na loja, qua se tropeçando no degrau ao se deparar com um pequeno desnível. Ele cambaleou, mas se equilibrou; mal deu para perturbar o bebê em seus braços. Harry estava a um ou dois passos atrás dele e rapidamente lhe segurou pelo cotovelo.
— Você está bem? — ele perguntou baixi nho e Draco apenas fez que sim com a cabeça, pois sabia ser o centro das atenções entre as pessoas que estavam no mercado naquele sá bado. Detrás do balcão, a esposa do dono "da loja deu um sorriso cauteloso.
— Veio fazer suas compras? — ela pergun tou. — Estas crianças de hoje parecem cres cer mais rápido que o mato. — E se ela esta va atrás de um pouquinho de fofoca, Draco achou que podia lhe dar assunto para comen tários.
— Preciso de umas coisinhas para casa — admitiu, caminhando lentamente até o balcão e consultando uma lista que tirou do bolso. — Mas principalmente umas flanelas para fazer fraldas para o bebê. As roupinhas já não estão mais cabendo. O doutor Henderson disse que ele está indo muito bem.
Draco apontou para um pedaço de tecido so bre o balcão.
— Você teria alguma coisa com flores para nossa Elizabeth, umas camisolas, por exemplo?
— Nossa Elizabeth? — Harry quase não con seguiu segurar o riso ao repetir as palavras possessivas no ouvido de Draco, um sussurro grave, já que ele não queria que a mulher do outro lado do balcão escutasse.
— Elizabeth? A menina de Gina? — A mulher soltou as palavras e ainda pareceu de cepcionada quando Harry limpou a garganta.
— Ela é minha filha também — ele disse com calma. — E agora também é filha de Draco. — Ele passou o braço ao redor da cintura do donzelo e encararam juntos o longo balcão. — Já lhe apresentei meu esposo, se nhora Pelfrey? Este é Draco.
— Bem, claro, claro. —Aturdida, a senho ra Pelfrey foi pegar um corte de tecido azul florido da prateleira. — Acho que só não sa bia seu nome — ela foi tratando de dizer com um sorriso no rosto.
Outro donzelo se aproximou e estendeu a mão a Draco
— Eu sou Claus Summers — disse. — Nunca o vi na cidade antes, Sr. Potter. — o donzelo se virou para chamar outro cliente. – Hugo, venha conhecer o esposo de Harry Potter.
Em instantes, Draco estava rodeado por duas mulheres e dois donzelos, e era o centro das atenções, por causa do bebe, e eram todos sorrisos. A atração que bebes exercia sobre as pessoas so podia ser universal, pensou Draco, sem contar a capacidade de Edward de reunir gente ao seu redor. Como se estivesse se exibindo, o bebe gemeu e olhou para cada um, parecendo admirar o publico que reunira.
— Você vai à igreja amanhã? — Claus Summers perguntou cheio de simpatia. — De pois da missa teremos um encontro social na igreja, uma espécie de jantar para comemorar a colheita da estação. Cada um leva um prato. E o senhor Potter poderia nos ajudar a colocar as mesas — ele disse para Harry, olhando por cima do ombro de Draco para se dirigir a ele, que estava com o braço apoiado sobre o balcão
Draco virou-se rapidamente, temendo que ele fosse se aborrecer com o pedido, mas Harry apenas sorriu e ficou olhando de braços cru zados sobre o peito largo e com um sorriso possessivo nos lábios ao se virar para o esposo
— Não me importo de ajudar — ele disse educadamente — se Draco me poupar.
— Pode deixar comigo — o loiro disse, lançando-lhe um olhar presunçoso. — E vou levar uma caçarola de galinha que Harry adora — disse às pessoas que o cercavam. Estas por sua vez só ti nham olhos para Harry, ao que parecia, pois a proposta foi recebida com um silêncio que só foi quebrado quando Claus piscou e aceitou já atrasado, a oferta da especialidade culinária de Draco
Harry se afastou, cruzando a loja até a outra ponta do balcão, onde estavam dois homens examinando um equipamento, e Claus se aproximou de Draco
— Nossa, mas ele é mesmo bonitão, não é? Fico me perguntando por que ele mandou buscar um esposo se havia donzelos aqui na cidade capazes de dar uma vaca e um bezerro para se casar com ele. — E então ele corou ao perceber que estava falando com o esposo em questão. — Ah, meu Deus — ele murmurou.
— Não tive a intenção de soar indelicado.
— Ele é bonito mesmo — Draco disse logo. — Tenho muita sorte de ter me casado com ele.
A porta se abriu, a campainha anunciou a chegada de mais alguém e Elizabeth veio para perto de Draco
— Mamãe, descobri uma amiga que quase esqueci que tinha — ela anunciou, puxando a túnica de Draco. — Quer vê-la?
— Claro que sim —disse, abai xando a cabeça para olhar para a menina de cabelos claros ao lado Elizabeth. Pareciam perfeitos opostos, pensou: Elizabeth era morena, levemente bronzeada, e a outra branquinha com os olhos azuis que cintilavam de travessura.
- Podemos brincar na varanda – sugeriu a menina mais velha – Se o senhor deixar Elizabeth ficar comigo. Cuidarei dela direitinho – prometeu a loirinha.
Claus riu alto.
- Essa é minha filha, Belinda – disse.
- Sei anos de idade e já com instinto maternal – ele afastou uma mecha do cabelo dourado, igual ao seu, do rosto da menina, que sorriu, deixando ver o dente que faltava.
- Ela toma conta de Elizabeth, se você não se importar.
- Sim, ótimo – Draco disse, encantado por tanta amizade que estava recebendo em menos de dez minutos, e ele que tanto temeu esse momento. As duas garotinhas saíram dando risada e Claus se aproximou.
- Nunca ache que seu lugar não é aqui – ele disse baixinho – Alguns donzelos não são simpáticos logo no inicio, mas há muitos como nos aqui e você nunca vai se sentir sozinho.
- Como nos? – Draco perguntou intrigado pela palavra que parecia ter um significado alem de sua compreensão.
- Noivos, querido. A maioria dos donzelos desta cidade, tirando os mais velhos que já estão aqui há anos, veio pra cá na condição de noivo, até mesmo as mulheres, encomendados por homens solitários que queriam casar.
- Você também? – Draco perguntou. Então ele olhou ao redor para os donzelos que estavam ouvindo. Dois deles assentiram com a cabeça, o terceiro apenas deu de ombros.
- Conheci Frederic na Filadélfia e então tive o prazer de ajudar a construir a casa enquanto carregava nosso primeiro bebe. Eu acho que pro resto de vocês foi fácil. A maioria dos homens veio pra cá primeiro e mandaram buscas os esposos depois.
Draco concluiu que aquela era uma ex periência e tanto, como nos romances. Então resolveu aproveitar a deixa.
— Amanhã vamos à igreja falar com o pas tor, queremos marcar o batizado do bebê para a semana que vem. Vocês acham que alguém teria interesse em comparecer a uma festa?
Os donzelos assobiaram e fizeram alga zarra.
— Interesse? Numa festa? Eu diria que sim — disse um deles.
Draco não se lembrava do nome dele, mas concluiu que não importava. Ele estava come çando a desconfiar que teria muito tempo para conhecer todos direitinho. Não havia necessi dade de se concentrar demais nisso agora.
— Bem, o que você acha? — Harry estava segu rando as rédeas frouxamente e acenou para os dois homens na calçada quando chegaram ao fim da série de lojas que formava a rua princi pal da cidade. — Eles lhe receberam bem?
— Você se acha muito esperto – Draco disse ajeitando Edward nos braços, que chupava os dedos, esperando que chegassem logo em casa, se ele entendia algo sobre o menino, um berro estava para surgir naqueles lábios rosados.
— Eu não diria isso — Harry disse
— Você foi tão convencido — Draco maneou a cabeça
- Apresentando o bebê como seu quando todo mundo na cidade sabe a verdade. Até o pastor olhou estranho para você e pareceu soltar faíscas quando ele... — Draco prendeu o riso ao lembrar do olhar perplexo do homem quando Harry se predispôs a deixar Edward ser examinado lá mesmo, na sala de estar da residência do religioso.
— Bem, ele é meu filho — Harry disse com firmeza — e ninguém vai me negar o direito de chamá-lo assim. Eu estava lá quando ele nasceu e sou casado com a mãe dele. De que provas mais eu precisaria?
— Acho que de nenhuma - disse dan do um suspiro. — Só não me entra na cabeça que você tenha nos assumido assim tão prontamente. Eu e minha...
— Já sei, já sei — ele disse rapidamente, interrompendo o donzelo. -— Você com sua perna que manca e sua mecha branca no cabelo, além de parecer ter sessenta anos às vezes.
Draco o olhou demoradamente e segurou os lábios para não rir novamente
— Já sei o que você quer dizer. Quando fo mos à cidade estava todo mundo especulando quando você ia me colocar em um trem para sei lá onde. E, em vez disso, você me levou ao mercado e comprou metade das provisões semanais da pobre senhora Pelfrey.
— E então lhe apresentei como meu esposo e lhe mostrei que você não é tão peculiar, afinal de contas.
O movimento delicado de Draco sobre seus dedos, que seguravam as rédeas, fez seu corpo despertar em desejo.
Na manhã de domingo, a família toda esta va sentada na terceira fileira a partir da frente da igreja, e durante o púlpito foi anunciado o batizado do pequeno Edward Potter, a ser realizado no próximo domingo, seguido por uma comemoração na casa de Harry e Draco Potter.
— Essa caçarola de galinha parece bem apetitosa — disse Claus Summers, pegando o prato coberto das mãos de Draco em meio à congregação reunida no pátio da igreja. As toalhas funcionavam como bom isolante, e a tigela estava ainda mais quente quando Claus a pôs na longa mesa. Ao lado das contribui ções dos outros convidados da cidade, a tigela pareceu quase pequena em meio a tantas comidas suculentas.
Draco passou a conversar animado com as centenas de pessoas que o rodeavam, encantados com o bebe em seu braço.
Harry acenou com um prato e Draco pe diu licença, e foi encontrá-lo no meio do pátio.
— Eu sabia que se deixasse você solto, ia ficar perambulando por aí e me deixando so zinho — disse de forma impertinente, fa zendo cara feia.
Draco apenas deu risada e pegou-lhe o braço, e foram até a mesa onde o pessoal es tava reunido, provando dos diferentes pratos.
— Aqui, me de o bebê e então sirva os nos sos pratos — ele disse, pegando Edward nos braços e olhando ao redor, procurando um lugar para sentar. — Vou pegar a colcha no carrinho de bebê e estender debaixo da quela árvore
Draco o observou se afastando e eventualmente parando para mos trar aos demais a preciosa carga que levava. Viu como era ótimo o jeito que suas vidas se fundiram em uma só. Na verdade mais do que ótimo, pensoi enquanto Elizabeth correu para agarrar sua rúnica, exigindo a coxa de galinha que estava no prato em suas mãos. Cercado pelas pessoas por quem temia ser marginalizada, Draco olhou para aquela criança que havia lhe aceitado de todo coração.
— Eu lhe dou até duas coxas, mas você pre cisa pedir por favor — disse a Elizabeth.
— Sim, senhor. Por favor, pode me dar uma coxa de galinha? — Depois de levar a merecida reprimenda, ela segurou o prato de porcelana branca e observou Draco pegar colheradas de salada de batatas, salpicando ervilhas por cima. Duas pequenas e crocantes coxas de galinha completavam a refeição e Draco pode ver Harry sentado de baixo da arvore com Edward e que chamam atenção de todos que passavam.
— Eu não tinha certeza do que você gos ta, então peguei um pouquinho de cada coisa — disse, já sem fôlego, abaixando-se cuidadosamente para se sentar no chão ao lado dele.
— Acho que você sabe exatamente do que eu gosto — ele sussurrou perto da orelha do loiro, beijando a pele terna logo abaixo. — Mas acho que tenho que esperar até mais tarde, não é?
Draco olhou para o rosto de Hazel... Hazel não-sei-do-quê. O nome lhe fugiu da mente quanto entendeu o sentido do comentário de Harry e só pôde sorrir e dizer que sim quando Hazel comentou sobre a roupa de Edward
— Obrigado, Hazel — disse. — Vai ser um prazer lhe ensinar a fazer esse tipo de casa de botão. É muito fácil.
Com um convite para fazer parte do grupo de costura na casa de Draco no mês seguinte, Hazel seguiu em frente e Draco lançou um olhar insatisfeito a Harry.
— Não me confunda, senhor Potter. Eu estava tentando soar razoavelmente inteligente e você fez com que eu me sentisse um com pleto idiota. Nem me lembro mais do sobreno me daquela mulher.
— Contanto que você não se esqueça do meu, por mim está tudo certo — ele disse, comendo uma garfada de salada de batatas. — Você sabe fazer isto aqui? — ele pergun tou, os olhos brilhando ao sabor da comida.
— Posso fazer qualquer coisa — Draco dis se sem pestanejar. — E se você for bom para mim, faço para o jantar de amanhã. — se apoiou na árvore e se preparou para a próxi ma série de visitantes. A senhora Pelfrey apa receu e olhou admirada para a roupa nova do bebê.
— Isto aqui é um pedaço do tecido que lhe vendi ontem? — ela perguntou, debruçando para inspecionar os botões bem feitos.
— É, sim — Draco disse. — E este é seu marido?
A senhora Pelfrey pôs a mão no braço do cavalheiro que a acompanhava.
— É este senhor — ela anunciou. — E este — ela disse ao marido — é a o esposo de Harry Potter.
— E meu filho recém-nascido? — Harry acres centou. — Ele não é um lindo rapazinho?
N/A: Eu sei que demorei, Sorry. Acontece né, faculdade e provas, e estagio, sinistro.
Mas juro q so tem mais um cap e fim. Proximo cap teremos vuco vuco sinistro.
