CAPÍTULO DEZ – ALONE

Bella POV.

Eu congelei durante algum tempo.

Não sei dizer se foram horas, minutos ou apenas segundos. Eu realmente não conseguia acreditar que Alice havia contado tudo para Edward.

Encarei Edward, que ainda tinha suas mãos fechadas em punho de maneira firme, seus olhos fechados enquanto ele respirava fundo.

- Não é nada disso – disse. Eu não sabia o que Alice havia dito a ele, mas negaria até o fim. – Eu caí. Não é como se fosse alguma novidade ou algo assim.

Edward enfim relaxou as mãos e abriu os olhos, me fitando.

- Não acredito nisso, Bella – disse. – E as marcas em seu corpo? E o fato de ficar sem aliança durante um tempo, o fato de seu pai não saber de nada?

Naquele momento percebi que fora errado confiar em Alice.

Porque Edward sabia de tudo.

Absolutamente tudo.

- Você não tem direito nenhum de se meter na minha vida – soltei. – Eu sei me cuidar.

Desviei os olhos dele, desejando – pela primeira vez – chegar a casa de Riley logo. Queria que aquilo acabasse logo, queria nunca ter contado a Alice que apanhava do marido.

De repente, senti a mão de Edward puxar meu queixo, fazendo com que eu fitasse. Arrepiei-me com o contato, me perguntando em um momento de devaneio porque eu estava me sentindo tão atraída por aqueles intensos olhos verdes.

- Me deixa cuidar de você – pediu. – Me deixa te ajudar, Bella.

As lágrimas tomaram conta de meus olhos e eu os fechei com força, tentando me impedir de chorar.

- Por que você deixa que ele te machuque? – perguntou suavemente. – Por que você não deixa que eu e Alice te ajudemos? Podemos protegê-la, podemos conseguir um bom advogado e...

- Para de se meter na minha vida – grunhi, me afastando dele. – Eu não preciso de ajuda, eu sei me virar bem.

- Bella... – começou Edward, ainda ajoelhado de frente para mim.

- Por que você se importa, Edward? – gritei. – Por que simplesmente não me deixa em paz e esquece que eu existo?

Esperei por uma resposta, qualquer que fosse ela. Não entendi porque me senti decepcionada quando Edward não respondeu nada.

E naquele momento, Marcus, o motorista de Edward, chegou em frente a casa cor de abóbora que eu odiava tanto.

- Adeus – disse. – Faça o favor de esquecer que eu existo. E diga o mesmo à Alice.

Senti o braço de Edward se levantar em minha direção, como se ele fosse me impedir, mas ele hesitou por um momento, me dando tempo o suficiente para fugir, correr para dentro de casa e me trancar lá dentro.

Eu sabia que essa fora a última vez que eu o vira; era necessário que isso ocorresse. Eu tinha vergonha demais de olhá-los agora, confusa demais, com raiva demais de Alice para voltar a confiar nela.

Tinha sido bom demais para ser verdade.

Caminhei para o banheiro e, antes de tomar um banho, enrolei meu gesso com cuidado, apenas para não molhá-lo, como o médico instruíra. Eu passaria quinze dias fazendo aquilo, portanto era melhor eu me acostumar logo.

Foi difícil dormir naquela noite, mesmo depois de tomar meus analgésicos. Deitei-me no sofá, agradecendo ao fato de Riley não estar em casa e respirei fundo.

A casa estava silenciosa demais, como sempre era quando Riley não estava aqui.

Mas não era isso que me deixava mais feliz ou até mesmo triste. Porque durante esse tempo que me senti verdadeiramente amiga de alguém, eu não me sentia sozinha há muito tempo. Eu não me sentia assim há muito tempo.

Porém, agora, eu tinha que aceitar a realidade.

A realidade que me cercara desde que eu fui estúpida o suficiente para aceitar a me casar com Riley.

Eu estava sozinha novamente.

Eu era sozinha.

Edward POV.

Observei Bella sair do carro, sentindo meu coração apertar no meu peito, sem saber como lidar com esse sentimento de perda estranho.

Eu tinha estragado tudo.

Tinha falado aquilo que Alice me pedira para guardar tantas vezes.

Tinha estragado tudo aquilo que fizemos nesses últimos dias.

Apenas porque eu não consegui me controlar.

Respirei fundo, disposto a dar um tempo para Bella pensar antes de procurá-la novamente. Segui para a empresa, disposto a adiantar o trabalho, porque assim eu poderia ficar um pouco mais livre no final de semana.

Não consegui me concentrar, porém.

A pergunta que Bella havia feito e eu não conseguira – na verdade não podia – responder, ecoava em minha mente.

Por que você se importa, Edward? Por que simplesmente não me deixa em paz e esquece que eu existo?

E tudo o que eu queria responder era que estava apaixonado por ela, que queria cuidar dela.

Eu podia fazer isso. Podia protegê-la do marido, podia ser aquilo que ela precisava, podia cuidar dela.

- Droga – resmunguei, largando um contrato que eu estava lendo e apoiando a cabeça nas mãos. – Droga, droga!

Senti um aperto enorme no peito, me lembrando do braço quebrado de Bella, dos seus olhos quebrados. Por que ela? Por que eu tinha que me apaixonar logo por ela?

Levantei-me da cadeira, sem me importar com a bagunça que estava ficando na mesa e saí dali logo após pegar minha pasta e meu celular.

Marcus me esperava na porta e não fez nenhuma pergunta por ter ficado pouco tempo no escritório.

- Leve-me até a galeria de Alice, por favor – pedi.

Encostei minha cabeça no banco, respirando fundo.

A imagem de Bella no meu carro, a imagem dos olhos dela tomados pelas lágrimas... Simplesmente não dava para tirar da minha cabeça, simplesmente não dava para esquecer.

Por quê? Por que você aceita isso? E por que eu tive logo que me apaixonar por uma mulher casada?

Será que se Bella fosse solteira as coisas seriam diferentes? Será que se ela tivesse um relacionamento diferente com o tal do Riley, eu ainda estaria apaixonado por ela?

- Chegamos, senhor. – Marcus interrompeu meus devaneios, parando em frente a galeria da minha irmã.

- Obrigado – suspirei. – Pode esperar aqui, por favor. Eu não vou demorar.

Desci do carro, adentrando o local, que estava bastante cheio. Jane, uma das ajudantes de Alice, sorriu e acenou quando me viu.

- Minha irmã está aqui? – indaguei depois de retribuir ao aceno.

- No escritório – disse. – Acredito que saiba o caminho.

Assenti, agradecendo e subindo as escadas que me levariam até ela.

Bati à porta, escutando a voz da minha irmã do outro lado.

- Pode entrar – gritou.

Abri a porta, encontrando Alice falando ao telefone. Ela sorriu e indicou o sofá que havia ali, falando algumas coisas sobre contas, funcionários e férias. Fiquei ali, esperando por ela, sabendo que ela me xingaria quando soubesse que eu tinha estragado as coisas.

Eu tinha estragado tudo.

- E aí, levou Bella até em casa? – indagou, colocando o telefone no gancho e se jogando no sofá. – Ela está bem?

Suspirei pesadamente.

- Estraguei tudo – murmurei, evitando olhá-la. – Vê-la daquele jeito, machucada, quebrada... Não consegui me segurar, Alice.

- Você contou a ela sobre seus sentimentos? – indagou, forçando-me a olhá-la.

Fechei os olhos por um momento.

- Eu... – comecei, gaguejando. – Eu meio que deixei escapar que sei que ela apanha.

Alice ofegou e eu me encolhi, preparando-me para o sermão que eu saberia que viria.

- Edward! – gritou. – Por quê? Por que você fez isso? Bella nunca mais vai confiar em mim!

Encolhi-me contra o sofá ainda mais, sabendo que ainda tinha que contar essa parte a ela.

- Ela disse que não quer nos ver mais – sussurrei.

De repente, me voltei para minha irmã, fitando-a, segurando suas mãos, desesperado por uma solução.

- Por favor – implorei –, me perdoe, não era minha intenção. É só que é demais, Alice. É demais vê-la machucada, apanhando do marido e ter que montar planos, tentar convencê-la a denunciá-lo. Eu não posso com isso, não consigo. Eu sou apaixonado por ela, o que queria que eu fizesse?

Alice suspirou.

- Eu sei – murmurou de forma gentil. – Eu sei. Só que fazendo isso, você acabou afastando Bella, você acabou fazendo com que ela perdesse a confiança na gente...

Suspirei pesadamente.

- Eu sei – sussurrei. – Eu agi por impulso e sinto muito. O que nós fazemos agora?

Ela ficou calada por um momento, provavelmente pensando em uma solução.

- Eu vou tentar falar com ela amanhã, ok? – sorriu. – Depois eu te conto como foi.

- Obrigado – sorri também. – Muito obrigado, Alice.

Minha irmã me puxou para um abraço, acariciando meus cabelos e me dando um beijo no rosto.

E nessas horas – que ela me consolava, que ela armava planos, que ela me ajudava – eu me sentia o mais novo, o caçula. Aquele que precisava ser protegido.

Bella POV.

A manhã do sábado pareceu se arrastar. Eu tentei limpar a casa, embora meu braço estivesse quebrado e isso dificultasse as coisas. Tomar banho também era um pouco chato e incomodava, mas eu sabia que me acostumaria com o passar dos dias.

Cozinhar também foi um pouco difícil, mas na medida do possível eu consegui. Comi pouco, ainda pensando no dia de ontem, ainda pensando nas palavras de Edward.

Por que se importar comigo? Por quê?

Respirei fundo, sacudindo a cabeça, sabendo que teria de esquecê-los e seguir em frente.

Àquela altura eu já devia ter me acostumado a ser sozinha.

Depois de comer, peguei um pouco de dinheiro e saí, disposta a comprar algumas coisas que a casa precisava. Havia um supermercado próximo a casa de Riley e ele não estava tão cheio.

Andei pelos corredores, sorrindo um pouco ao notar um menino de aproximadamente oito anos, implorando para a mãe por sorvete.

- Sabe, você não deveria estar forçando seu braço quebrado desse jeito.

Virei-me, a mão boa no coração.

Alice me encarava com um sorriso no rosto.

- Como soube que eu estava aqui? – indaguei, dando-lhe as costas e voltando a olhar o preço do macarrão.

- Eu te vi saindo de casa – murmurou.

Não disse mais nada, disposta a ignorá-la até que ela fosse embora. O dia de ontem voltou com força, fazendo-me engolir um soluço.

Riley tentando me beijar. Riley me jogando no chão. Meu braço quebrado. Alice me ligando. Alice e Edward indo até o hospital. Edward me levando até a casa de Riley. Edward falando que iria bater em meu marido.

- Por quê? – soltei de repente. – Por que você contou aquilo para Edward, Alice?

Eu me virei novamente, pegando o primeiro pacote de macarrão na minha frente e jogando no carrinho.

Ela ainda estava lá.

- A gente pode conversar em outro lugar? – pediu.

Suspirei pesadamente.

Era melhor mesmo me afastar.

- Não, obrigada. – Empurrei o carrinho, de repente louca para sair dali. – Olha, vá embora. Eu disse a Edward adeus. Acredite em mim, é melhor assim.

Ela me seguiu, ignorando-me e ainda sem dizer nada.

Paguei a compra, colocando tudo somente em um saco e saindo dali. Andei rapidamente, disposta a ficar longe da família Cullen.

Disposta a me acostumar a ser sozinha novamente.

- Bella! – chamou. – Por favor, fale comigo.

- Alice, eu disse adeus – sussurrei. – É melhor assim. Por favor, só vá embora e me deixe em paz.

Coloquei as compras no chão, pegando a chave assim que parei diante da porta. Destranquei-a e tornei a pegar as compras, entrando e fitando Alice.

- Obrigada por tudo – disse. – Mas é melhor. Logo vocês vão esquecer que estive em suas vidas.

Fechei a porta, deixando enfim, que as lágrimas caíssem.

Eles logo me esqueceriam, logo outro assunto surgiria, a vida ficaria muito agitada e eles não teriam tempo para se preocupar e para procurar por uma mulher que apanha do marido.

Eu não poderia dizer o mesmo de mim, porém.

Porque algo me dizia que eu nunca seria capaz de esquecê-los.

Edward POV.

O sábado pareceu se arrastar.

Trabalhar parecia impossível. Na verdade, tudo que envolvia concentração parecia impossível.

Alice havia prometido encontrar com Bella hoje e depois viria até meu apartamento, contar-me como ela havia sido. Então eu estava apenas fingindo assistir televisão, pulando de um canal para o outro, porém sem achar nada interessante.

Algum tempo depois a campainha do meu apartamento tocou e eu senti que meu coração pararia de bater a qualquer momento.

- Entra – gritei, desligando a TV e me arrumando no sofá.

A expressão de Alice me disse tudo assim que ela apareceu na minha frente.

- Ela disse adeus a você também? – perguntei.

Alice assentiu.

- Não quis conversar comigo – suspirou. – Talvez seja só uma fase e ela logo volte, mas não sei, Edward. Ele quebrou o braço dela e...

- Eu sei – interrompi-a. – A gente vai ter que fazer algo.

- Mas o quê? – indagou.

Fechei os olhos, apoiando a cabeça nas mãos e suspirando pesadamente. Bella não queria nos deixar ajudar. Ela não tinha irmãos, não confiava em ninguém. Ninguém morava próximo a ela. Então, a não ser que o pai dela aparecesse aqui ou algo assim, eu não conseguia pensar no que fazer.

- Se o pai dela aparecesse por aqui para visitá-la – resmunguei. – Poderíamos dar um jeito de falar com ele, pelo menos.

Alice ofegou.

- O pai dela! – sorriu.

Olhei-a, me sentindo completamente confuso.

- Você pode aproveitar o final de semana – continuou, vendo que eu não tinha entendido – e ir até a cidade do pai de Bella, conversar com ele.

Suspirei pesadamente.

- Não sei o nome dele – disse. – Não sei aonde ele mora, nem mesmo o sobrenome de Bella de solteira. Como posso encontrá-lo?

Alice revirou os olhos.

- Ele é chefe de polícia – deu de ombros. – Você pode pedir alguém para procurar, certo? Quer dizer... A gente tem o endereço da Bella, a casa deve estar no nome dela ou do marido... ou alguém próximo dos dois.

Sorri.

- É uma ótima ideia – murmurei.

Puxei meu celular, ligando para meu advogado. Ele conhecia pessoas, sabia das coisas. Ele poderia encontrar o pai de Bella para mim.

Passei para ele o endereço de Bella e tornei a desligar o celular, sabendo que, naquele momento, tudo o que eu tinha a fazer era esperar.

Alice foi embora quinze minutos depois, pedindo que eu lhe ligasse assim que soubesse de algo.

Eu comi com o celular perto de mim, tomei banho atento ao seu toque.

Eu precisava saber do pai dela, precisava ajudá-la de alguma forma.

Deitei-me na minha cama, ainda atento ao celular.

Mas nada.

Decidi ligar para J. Jenks, meu advogado, no dia seguinte, implorando por informações, pedindo que ele fosse mais rápido.

Coloquei o celular ao lado do meu travesseiro, me enfiando debaixo das cobertas e permitindo que meu corpo começasse a relaxar.

Porém, antes que eu dormisse, o que eu tanto queria aconteceu.

Meu celular tocou.

- Alô? – atendi rapidamente, sem nem olhar no identificador de chamadas, implorando para que fosse quem eu queria.

- Boa noite, Sr. Cullen. – A voz de Jenks soou um pouco hesitante. – Desculpe-me por ligar tarde, mas...

- Está tudo bem – interrompi-o. – Eu ainda não tinha dormido. Conseguiu a informação que eu pedi?

- Claro – murmurou. Eu mal pude conter meu sorriso. – Bem, comecei pelo endereço que me passou, óbvio. Está no nome de Riley Biers. Ele é casado com Isabella Biers, que antes usava o sobrenome Swan. Essa provavelmente foi a parte mais difícil. Certamente o pai dela ser chefe de polícia ajudou muito.

Sentei-me na cama, sorrindo.

- Você conseguiu?

- Sim – disse. – O pai dela se chama Charlie Swan e é chefe de polícia de uma cidade chamada Forks, que fica a aproximadamente três horas daqui.

- Obrigado, Jenks. Muito obrigado.

Agradeci mais algumas vezes antes de desligar, sem conseguir parar de sorrir. Pulei da cama, ansioso demais para conseguir ficar quieto.

Eu tinha que avisar a Alice.

Como já era tarde, peguei meu celular e decidi mandar uma mensagem para ela, não querendo acordá-la.

O pai de Bella mora a três horas daqui. Estou indo para lá assim que amanhecer. Vai querer ir comigo? E.

Não precisei esperar muito para obter uma resposta.

Claro! Passa para me pegar amanhã que horas? A.

Digitei rapidamente a resposta.

Estarei passando aí lá pelas sete. Esteja pronta. Boa noite, querida irmã. E.

Tornei a me deitar na cama, obrigando meu coração a se acalmar, obrigando-me a dormir.

Meu celular tornou a vibrar.

Boa noite para você também. Mal posso esperar! A.

Coloquei meu celular ao lado da cama e respirei fundo.

Eu e Alice iríamos conversar com Charlie Swan, pai de Bella.

Iríamos conversar com ele e pensar em uma maneira de mostrar a Bella que ela não precisava estar sozinha.

Iríamos mostrar a ela que não havia necessidade de lutar essa guerra sozinha.


N/A: Oi, meninas. Hoje só venho dizer para não ficarem com raiva da Bella nem nada do tipo. Pode parecer estupidez dela e tudo o mais, mas ela realmente ficou sozinha por muito tempo, acreditou que Riley era um cara legal e etc. Então, vamos aos poucos, ok? Prometo que logo - muito mais perto do que vocês imaginam - tudo vai caminhar conforme tem. Então, deixem reviews e etc (: Amanhã eu venho com o próximo. Algo me diz que vocês vão gostar de papa Charlie :D

Besos ;*