Todos nós, shinobis Senjus, havíamo-nos preparado para o pior após Tobirama ter gritado aquela provocação.

O sol estava escondido atrás de nuvens e uma brisa nos atacou, noticiando uma provável chuva mais tarde.

Olhei em volta e nada. Os malditos ainda se escondiam, talvez calculando o melhor instante de dar o bote.

—Hashirama, e agora? – gritou Tobirama para mim – Não é p...?

Tobirama não acabou sua frase, pois foi impedido. Algo o incomodou na região do coração. Todos se assustaram ao ver cinco kunais fincadas no peito de Tobi-kun. Eu não particularmente não esperava que ele fizesse aquilo, mas ele fez: Tobirama sorriu. Então pude sorrir também. Logo em seguida, o garoto explodiu. Era um Kawarimi no Jutsu. Sobre a prisão de madeira, um galho quebrado caiu com cinco kunais em sua superfície.

Nenhuma réplica da parte deles. Em seguida, os dois lados da floresta foram tomados por uma enchente poderosa, vinda do nada. Depois, a água saiu da floresta e atingiu o rio. Todos nós tivemos que pular para cima da prisão para não sermos levados. As duas enchentes se encontraram violentamente e desceram o leito do rio, desaguando no Rio Madeira próximo.

Nas águas da enchente, corpos boiavam. Eram os inimigos. Deveriam estar mortos, mas assim mesmo alguns de nossos shinobis acharam que era necessário acertá-los com kunais nas costas para verificar o óbito.

A enchente, seria inútil dizer, foi obra de Tobirama. O garoto ainda teve o cuidado de fazer com que a água passasse sem atingir a prisão de madeira, para que aquele grande volume de água não entrasse ali e matasse as pessoas afogadas.

Kawa-san havia me dito, neste meio tempo, que aqueles corpos eram mesmo aliados de Monstro. Ele os identificou pelas vestes pretas e os cintos brancos. Algo me dizia que aqueles eram apenas uma parcela do total de inimigos.

Assim que a enchente desceu de vez, deixando as pedras e o pequeno rio a mostra novamente, eu esperei um breve momento e dei um sinal. Todos que estavam empoleirados sobre a minha prisão pularam velozmente para todos os lados e corremos floresta adentro.

Enquanto saltávamos pelas árvores, procurando por algum sinal dos inimigos, raciocinei algo que me voltou à cabeça. Esta deveria ser a primeira vez que aqueles shinobis se deparavam em combate com os partidários de Monstro desde a batalha que os obrigou a se esconderem sob o chão. Deveria ser muito difícil para eles. Até Kawa-san estava pouco a vontade e o velho Pioneiro-sama estava bastante nervoso... Mas esperei que eles se lembrassem do que eu disse no quinto dia de viagem: "Se forem lutar, façam isso olhando para o futuro, não para o passado!"

Ninguém. Absolutamente ninguém. A floresta parecia ser só dos Senjus. Nem rastro dos aliados de Monstro.

—Hashirama-sama – chamou um shinobi baixinho e calvo, que topou comigo algum tempo depois. –O que acha que aconteceu? Eles fugiram?

Olhei em volta. Nós dois estávamos em um galho de uma árvore. Nada além da floresta.

—Não, eles não fugiram... Mas acho estra...

—Pois é o mesmo que eu acho...

Eu não ouvi o que ele dizia realmente. Estava mais preocupado com a perna direita dele. Algo invisível, muito fino, fazia pressão sobre sua calça verde, a altura da canela. O shinobi de baixa estatura, contudo, não mostrava sinais de ter percebido. Agachei-me.

—... mas penso que seja... O que houve, Hashirama-sama?

Apalpei a canela dele – deixando-o constrangido – e encontrei a causa. Um fio de aço, invisível até uma minuciosa observação laçava a perna daquele homem.

—O que é isso? – perguntou ele curioso, vendo eu relaxar a pressão do fio.

—Você não percebeu? –perguntei. Ele fez que não.

—Deixe-me cortar, por favor – disse o homem, retirando uma kunai de seu colete marrom.

—Não! Não faça isso!

—Por quê?

—Nós não sabemos do que se trata!

—...

Realmente era suspeito. Algo de origem desconhecida amarrado à canela de uma pessoa em campos inimigos não era lá algo legal.

—Vamos fazer o seguinte – expliquei, tentando manter a calma – eu vou pular no chão e vou me afastar para que você pule no mesmo lugar que eu. Consegue fazer isso?

—Consigo! –eu acho que ele conseguiu também perceber a gravidade da situação.

Saltei para o chão e me afastei para o lado. O homem, felizmente, pulou exatamente no mesmo local que eu.

—Muito bem. Agora fique aqui e não se mexa. Eu vou tentar te tirar desse fio sem provocar uma reação inimiga.

Ele praticamente congelou no lugar. Apalpei a canela dele de novo, procurando o fio. Após isso, busquei sua continuação, correndo o fio pelos meus dedos com muito cuidado. Parecia que ele não tinha fim! Continuei procurando pela sua origem (ou fim) e acabei perdendo o shinobi de vista para as árvores em volta.

De repente, algo fora dos meus planos e dentro de algum dos meus temores aconteceu. O fio de aço esquentou de uma forma assustadora e queimou meus dedos. Antes que eu os tirasse, o calor que tomou conta do fio desapareceu. Reparei que o calor se aproveitava para passear pelo fio, pois um ponto vermelho deslizava por ele com um raio. Notei que esse ponto de calor corria para o fim da linha: a canela do shinobi baixo e calvo.

—Corte o fio! –gritei– Corte o fio, rápido! Corte!

O pobre coitado não teve tempo. Antes que pudesse abaixar a kunai contra o fio lançado em sua perna, aquela onda de calor chegou à sua canela, cobrindo-a de chamas. Logo depois, sem que esperássemos, o fio explodiu. O shinobi soltou um grito agonizante ao ver que sua perna direita estava jogada ao seu lado, caída no chão, queimada e ensangüentada.

Antes que eu pudesse chegar ao local e prestar qualquer tipo de socorro, houve outra explosão. Esta foi bem maior e acabou com tudo em um raio de três metros. Eu quase fui atingido também.

—Mas que... que droga! –berrei e xinguei vários nomes. Fiquei nervoso comigo mesmo por não ter conseguido salvá-lo. Aquele lugar virou uma clareira que o fogo abriu repentinamente.

Minutos depois, eu ouvi o som de várias outras explosões, vindo de vários pontos da floresta. Será possível que outros caíram naquele mesmo truque do inimigo? Subi em uma árvore próxima, chegando ao topo, para que pudesse ver toda a área.

Além do mar verde que era a floresta e a cordilheira ao longe, eu pude ver fumaça subindo de inúmeros pontos da floresta. Naquele momento, perdemos muitas pessoas do nosso clã. Ao ver aquilo, eu tomei uma decisão.

—Moku Bunshin no Jutsu! –sussurrei.

Ao mesmo tempo, quatro troncos de madeira saíram dos meus braços e pernas. Rapidamente, os quatro se fizeram semelhantes a mim, usando a mesma armadura de madeira vermelha e tendo os mesmos cabelos longos que o meu.

—Espalhem-se e me deixem informado sobre os outros – disse baixinho para minhas cópias. Ordens recebidas, três deles se espalharam pela floresta.

A diferença básica entre o Bunshin no Jutsu (o simples), o Kage Bunshin, o Mizu Bunshin e o Moku Bunshin é que o meu é bem mais resistente.

Eu me camuflei àquela árvore na qual estava me transformando em outro galho. A idéia era simples: se o inimigo que detonou aquela armadilha estivesse por ali ainda, logo ele daria um pequeno sinal de sua presença. E se fosse esperto, também veria que eu não fui embora.

Sim, eles me surpreenderam novamente. Alguns minutos depois, eu me vi em chamas! Tentei apagar aquele fogo sem desfazer o Henge, mas no fim, daria na cara que eu estava escondido ali.

Pulei da árvore e me apaguei com um "Mizu no Jutsu". Mal fiz isso, um círculo de fogo se fez em volta de mim e subiu, prendendo-me dentro dele.

—Ah, prendi um rato! –disse uma voz profunda e debochada. Alguém se aproximou da prisão de fogo, mas pude ver apenas seu vulto. Fazia tanto calor lá dentro. –E eu que pensei que você era alguma coisa por ter descoberto meu querido fio, mas agora... Vejo que é só um qualquer... –continuou ele. Sua voz indicava decepção misturada ao mais puro divertimento.

—Suiton: Oeto! –fiz. Abri a boca e vomitei alguns litros de água contra a parede de fogo. Nenhum resultado. Melhor dizendo, foi justamente o contrário do esperado: o círculo de fogo se fechou ainda mais, exalando fumaça, como se vingasse pela água.

—Oh, que peninha! Ele vai ser assado! –exclamou o inimigo do lado de fora, longe de ter compaixão por mim.

—Mokuton no Jutsu! –exclamei desesperado. Eu suava muito. Um tronco saiu de minha mão direita e se chocou contra a parede de fogo. O tronco se queimou, sem fazer qualquer tipo de abertura.

O circulo de fogo tornou a se fechar e nada mais pude fazer a não ser me espremer para não ser queimado, embora eu tivesse quase morrendo de desidratação.

Alguns minutos depois, aquele homem que fazia tais comentários do lado de fora meteu a cabeça para dentro do circulo de fogo. Ele não mostrou sinais que estava se queimando. Pelo contrário: parecia que as chamas lhe proporcionavam prazer.

Ele era jovem (cerca de 20 anos) e pálido. Tinha cabelos loiros e penteados para o lado de uma forma elegante. Usava óculos de armação preta e extravagante. Sorria de orelha a orelha.

—Ooohh! Coitadinho! Adeus, meu querido rato! –disse ele melosamente. Estávamos tocando narizes. —Antes de ir, quero que saiba o meu nome. Eu me chamo Ryuusei Antonimaru! E você?

Eu não pude responder. No entanto, eu lá dentro me alegrei ao ouvir uma voz lá de fora.

—Eu me chamo Senju Hashirama!

Aquele homem que se chamava Antonimaru estranhou aquilo. Tirou sua cabeça do fogo e olhou para aquele que estava atrás dele.

Eu estava ali, totalmente são e salvo. Antonimaru não pôde acreditar. Ele pôs a cabeça novamente para dentro da sua prisão de fogo e encontrou restos do meu Moku Bunshin que eu não mandei com os outros.

Agora, Antonimaru não estava tão alegre quanto antes. Estava em estado de choque; tanto que não fez nada para me impedir de lhe dar um soco reforçado de chakra e que o fez voar centenas e centenas de metros, quebrando tudo em que batia.